LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

terça-feira, 21 de maio de 2019

Bancos vão ficar com 62% da renda do trabalhador se capitalização for aprovada. Simulação apresentada no Senado pela Unafisco prevê que taxa dos bancos aumenta a cada ano, podendo chegar a mais de 77%.

                                                                      GERALDO MAGELA / AG. SENADO

Via RBA

Simulação apresentada hoje (20) em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) no Senado, sobre a reforma da Previdência proposta pelo projeto do governo Jair Bolsonaro (PSL), demonstra o fracasso que ocorreria com o sistema de capitalização que consta da proposta, levando o trabalhador aposentado à miséria.

Segundo dados do diretor de Defesa Profissional e Assuntos Técnicos da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Mauro José Silva, o valor das contribuições previdenciárias arrecadadas de empregados e empregadores foi de R$ 423,06 bilhões em 2018. Já a previsão de acréscimo no faturamento médio anual para as instituições financeiras, num sistema de capitalização, pode ser estimado em até R$ 388 bilhões, nos próximos 70 anos.
Silva explicou que o sistema proposto na PEC 6/2019 resultará num valor acumulado pelo trabalhador, ao fim de 40 anos de contribuição, de R$ 275.804,02. Entretanto, a remuneração dos bancos, prevista na reforma, consumiria R$ 105.701,43 dessa quantia, o que equivale a mais de 62% do valor do patrimônio do empregado. Assim, esse trabalhador ficaria com apenas R$ 170.102,58.

No 59º ano, após ingressar no sistema de capitalização, esta porcentagem ultrapassaria os 77%. Um cenário que, segundo Silva, possibilitaria o recebimento de uma aposentadoria no valor de R$ 750, o que equivale a apenas um quarto do total contribuído. “Um sistema sem empregador, e com instituição financeira, é um fracasso. É condenar o trabalhador à miséria”, concluiu.
Silva considerou a capitalização um “sistema complicado do ponto de vista do trabalhador”. Para ele, além de significar a “transferência de renda” dos empregados para os bancos, essa modalidade não cobrirá benefícios já existentes, como o salário família e o salário maternidade.
A capitalização funciona como uma espécie de poupança: o dinheiro descontado mensalmente do salário de cada trabalhador vai para uma conta individual, e não se mistura com as contribuições dos demais beneficiários. Pelo sistema atual, o de repartição, os pagamentos feitos pelo pessoal da ativa financiam as aposentadorias dos inativos.

Dieese


Economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Juliano Musse disse que o cenário é preocupante. Ele considerou a PEC 6/2019 uma “reforma impositiva” porque, segundo afirmou, a medida não passou por uma prévia discussão com os trabalhadores. Ao questionar quem são os maiores interessados com a reforma da Previdência, Juliano ponderou que outras questões, como o desemprego, a informalidade e a saúde dos trabalhadores que enfrentam doenças crônicas são mais urgentes e deveriam ser o foco do debate. “A reforma é importante, mas desde que não minimize direitos sociais conseguidos com a Constituição de 1988”.
O consultor do Senado Luiz Alberto dos Santos frisou que a PEC 6/2019 não é de fácil compreensão. Para ele, o texto apresenta contradições, traz incertezas e tende a gerar custos diferenciados para a empregabilidade das pessoas. Ao ressaltar que os mercados demonstram volatilidade ao longo do tempo, o especialista disse que o regime previdenciário baseado na capitalização pressupõe uma renda questionável, porque dependerá de quanto, efetivamente, aquela aplicação renderá. “No Brasil, nós temos renda média muito baixa. As pessoas não têm dinheiro para destinar a uma sistemática de provisão fora do regime público, e essa é uma diferença fundamental.”

Retrocessos


O representante do Coletivo Nacional de Advogados de Servidores Públicos, Guilherme Zagallo, alertou que experiências de privatização da Previdência significaram retrocessos em outros países: estagnação das taxas de cobertura, diminuição do valor dos benefícios e aumento da desigualdade de renda. Para o advogado, a desconstitucionalização da aposentadoria, pretendida pelo Executivo, significa um risco político porque, a cada governo, pode-se criar novas regras para a concessão do benefício.

O advogado mencionou que o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias veda a renúncia de receita que a capitalização causará, desacompanhada da estimativa de impacto orçamentário e financeiro. Ele lembrou que o Brasil já passou por uma tentativa de privatização antes da instituição do INSS, quando houve a unificação dos regimes, mas disse que a medida não obteve sucesso. Guilherme comentou, ainda, que esse assunto tem sido omitido no debate sobre a PEC 6/2019.
Não fomos bem-sucedidos no passado, em relação à experiência de capitalização. A promessa de melhoria da economia por meio dessa reforma não altera a realidade. É uma bomba social de efeito retardado”.
O coordenador do Movimento Legislação e Vida, Hermes Rodrigues Nery, considerou o sistema de capitalização o ponto mais grave da PEC 6/2019. Para ele, as poupanças pessoais são “qualitativamente diferentes” da seguridade social, já que não dispõem de garantia, nem previsibilidade. Além disso, Nery ressaltou que “poupar de maneira suficiente para uma aposentadoria decente é difícil para muitos trabalhadores”.
Com informações da Agência Senado

Punitivismo da Justiça brasileira reforça o fascismo, diz Eugênio Aragão. Para o jurista, Judiciário impulsona o ódio ao ignorar a própria lei e perseguir líderes políticos.

                                                                                                                                                                                                           EBC

Via RBA

A Justiça brasileira é punitivista e não se baseia em provas, mas em suposições. A crítica é do ex-ministro da justiça Eugênio Aragão, em um palestra no Sindicato dos Bancários do ABC, em Santo André. Segundo ele, o desejo pela punição a qualquer custo, ignorando até a própria lei, torna o Brasil um país cheio de ódio e fascismo.

excessiva penalização das relações sociais leva as pessoas a distinguirem os seus circunstantes entre bons e maus, criando dentro da sociedade um impulso de ódio, que permitiu que o fascismo tomasse conta das instituições”, afirmou Eugênio, ao repórter Jô Miyagui, da TVT.

Na palestra, Eugênio ainda explicou que em processos como o do ex-presidente Lula, onde o processo tramitou de forma muito mais rápida do que o usual, mostram que o Estado é seletivo. “O punitivismo não serviu para dar ao Direito Penal sua destinação correta, que é a prevenção de crimes, mas para tirar um personagem de circulação. Lula foi tirado de circulação. Para isso, o impulso acusatório andou rápido e, na hora que se quer atender à defesa, o Judiciário faz ouvidos moucos”, criticou.

De acordo com o ex-ministro da Justiça, quando o Estado resolve ouvir o clamor das ruas, a Justiça vira caça às bruxas e os direitos se acabam. “Quando eles ouvem o clamor da direita, você não tem mais um processo equilibrado.”
Para assistir à reportagem na íntegra, clique aqui

Auditora fiscal desmonta o discurso mentiroso de Paulo Guedes sobre rombo na Previdência

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Superávit de 1 trilhão em 25 anos não evitou que dívida aumentasse 46 vezes

Maria Lúcia Fattorelli
PUBLICADO ORIGINALMENTE NO  MONITOR MERCANTIL
Desde 1995 o Brasil gerou R$ 1 trilhão em superávit primário. Apesar disso, a dívida interna subiu de R$ 86 bilhões para quase R$ 4 trilhões, denuncia a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli.
A atual crise, segundo Fattorelli, foi fabricada pelo custo da política monetária. Para ela, a economia de R$ 1 trilhão pretendida pela reforma da Previdência é apenas um valor que deixará de ser pago em aposentadorias, a maior parte (cerca de R$ 870 bilhões) do regime geral da Previdência, no qual 9 entre 10 aposentados recebem até dois salários mínimos.
“Essa reforma não é para combater privilégios; R$ 870 bilhões vão sair dos mais pobres, do Regime Geral da Previdência. Os outros 20% que se pretende economizar vão sair de servidores públicos porque ele pretende aumentar a alíquota”, alertou, segundo a Agência Câmara.
A coordenadora participou de audiência pública nesta semana na Comissão de Seguridade Social. A reforma da Previdência, alerta Fattorelli, foi proposta para resolver uma falsa crise provocada pelo Banco Central, que realiza elevadas despesas com juros. Ela acrescentou que, ao tirar R$ 1 trilhão da economia, o governo vai aprofundar a crise.
Também na Câmara, o técnico de Planejamento e Pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) José Celso Júnior afirmou que a proposta de reforma do governo foi feita em bases conceituais equivocadas. “A aprovação dessa reforma gera não só um aumento desmesurado da desproteção social, uma catástrofe humana em potencial, como ela joga a economia brasileira numa trajetória de longo prazo de estagnação”, criticou.
Segundo ele, o governo passa a impressão equivocada de que, aprovada a reforma da previdência, vai se acordar “a fada da confiança do mercado” e tudo vai ser resolvido. Celso Júnior também criticou os “objetivos ocultos” do governo com a reforma como retardar o acesso à aposentadoria e demais direitos previdenciários e reduzir o valor e a duração dos benefícios.

Os erros e acertos de Bolsonaro no governo

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Não teve corte


Carlos Bolsonaro e Adélio: As perguntas ainda sem resposta no caso da facada


Via DCM

Por Joaquim de Carvalho

Antes da repercussão da notícia de que Adélio Bispo de Oliveira esteve no estande de tiro em Santa Catarina no mesmo período que um de seus filhos, Jair Bolsonaro cobrou rigor e celeridade no inquérito da Polícia Federal que apura se houve mandantes para o crime da facada em Juiz de Fora. Em vídeo divulgado no dia 10 de fevereiro, Bolsonaro não tem dúvida: houve mandantes para o crime.
“Espero da nossa querida Polícia Federal, a polícia que nos orgulha a todos, que tenha uma solução para o nosso caso nas próximas semanas. Esse crime, essa tentativa de homicídio, esse ato terrorista praticado por um ex-integrante do PSOL não pode ficar impune e nós queríamos, sim, e gostaríamos que a PF — obviamente com dados concretos — apontasse quem foi ou quem foram os responsáveis por determinar que o Adélio praticasse aquele crime lá em Juiz de Fora”.
Todas as informações tornadas públicas dão conta de que Adélio agiu por conta própria. Foi um lobo solitário, na linguagem do terrorismo. Porém existe um inquérito em curso para apurar se houve mandantes. Se a investigação existe, tem que ser levada a sério. E se não é apenas jogo de cena, é necessário esmiuçar as razões que levaram Adélio Bispo de Oliveira a praticar tiro ao alvo no mesmo estande frequentado por seus filhos.
No mínimo, é uma linha de investigação.
Não é uma questão de levantar suspeita sobre Carlos Bolsonaro, que esteve no estande em data próxima da de Adélio, mas de afastar hipóteses e dar uma resposta satisfatória a quem não acredita que o autor da tentativa de homicídio agiu sozinho. É o caso de Bolsonaro.
A presença de Adélio no estande 38 é estranha. O local não é um ambiente típico dele, que teve empregos modestos, de baixa remuneração, como o de servente de pedreiro. O estande, como se vê pelas fotos e pelo custo dos serviços que oferece, é frequentado por quem tem, no mínimo, um razoável poder aquisitivo.
Foi o próprio Bolsonaro quem manifestou estranheza quanto à presença de Adélio no estande, segundo registrou a revista Época. Como Adélio poderia gastar “centenas de reais em dinheiro vivo” na prática de tiro naquela clube?
Esta é apenas uma das perguntas sem resposta. Mas há outras:
Por que Adélio viajaria de Montes Claros a Florianópolis, percorrendo uma distância de quase 1.700 quilômetros, apenas para praticar tiro ao alvo?
Por que advogados que costumam cobrar caro defendem Adélio, tendo usado até um avião particular para chegar a Juiz de Fora?
Quem pagou os honorários desses advogados?
Bolsonaro também considerou a contratação dos advogados suspeita.
“No mesmo dia do crime, quatro advogados se apresentaram para defendê-lo. Usaram inclusive um jatinho particular. Então está na cara que gente com dinheiro e preocupada com que ele não abrisse a boca foi em seu socorro”, disse ele.
A investigação da PF não apresentou até agora uma explicação convincente para a origem dos recursos que bancam a defesa de Adélio.
Um dos advogados do autor da facada, Zanone Manuel de Oliveira, disse que foi contratado por uma pessoa ligada à Igreja do Evangelho Quadrangular de Montes Claros.
O encontro para selar a contratação teria ocorrido em um hotel em Juiz de Fora, conforme relato publicado em Época:
“Um homem malvestido, com calça de prega e camisa de pastor”, foi ao hotel do advogado na manhã seguinte ao atentado. Queria pagar pela defesa de Bispo. Tomando café da manhã, Oliveira disse a ele que o serviço custaria R$ 300 mil se durasse até o último recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), R$ 150 mil se fosse até sair a primeira sentença ou R$ 25 mil para simplesmente dar início à defesa. O advogado disse ter concordado em receber R$ 5 mil em dinheiro do cliente, de quem nem sequer registrou o nome. Os outros quatro pagamentos nunca chegaram.
Adélio foi membro destacado da Quadrangular de Montes Claros, inclusive chegou a pregar. Mas seus dirigentes negaram que tivessem contratado a defesa do ex-membro, muito menos pago honorários.
A suspeita de que a explicação do advogado é fantasiosa aumenta quando se sabe que a Polícia Federal não encontrou imagens do suposto encontro no hotel com o contratante de seus serviços.
Zanone poderia estar trabalhando de graça, apenas com objetivo de obter visibilidade profissional? Sim, mas nesse caso não precisaria contar uma história inconsistente. Bastava alegar sigilo profissional e não dizer se estava recebendo pelo serviço.
O que se sabe é que Adélio tinha informações precisas sobre o deslocamento de Bolsonaro por Juiz de Fora e chegou a fotografar alguns lugares, como o hotel onde Bolsonaro se reuniria com empresários.
Imagens obtidas pela Polícia Federal no dia da facada mostram Adélio muito à vontade, sempre em local próximo do então candidato.
Na chegada à cidade, Bolsonaro parou com sua comitiva em uma rua, desceu do carro e fez um discurso.
Muito perto dele, no lado contrário da multidão, vê-se Adélio andando de um lado para o outro, segurando em uma das mãos a faca enrolada em jornal.
É um comportamento que deveria levantar a suspeita de seguranças. Mas passou batido. Alguns minutos depois, Adélio cravou a faca na barriga de Bolsonaro.
Muito estranho é que, nesse dia, Bolsonaro não usava colete à prova de balas. Em reportagens sobre suas viagens anteriores, quase sempre há referência de que ele vestia o equipamento de proteção.
Em Rio Branco, no Acre, por exemplo, dois dias antes da viagem a Juiz de Fora, ele vestia o colete sob uma jaqueta esportiva.
Foi nessa viagem que disse: “Vamos fuzilar a petralhada aqui do Acre”.
Carlos Bolsonaro, o filho que esteve no estande em Santa Catarina em datas muito próximas das de Adélio, não foi à capita acreana, mas estava em Juiz de Fora.
Gustavo Bebianno, que era o presidente do PSL e acompanhava Bolsonaro em todas as viagens da época das eleições, contou que esta foi a única vez que Carlos Bolsonaro acompanhou o pai em viagem de campanha.
Bebianno soltou a informação no meio de uma entrevista à Jovem Pan, enquanto fazia críticas muito duras ao filho de Bolsonaro.
“Durante toda a campanha, ele nunca viajou conosco, a única viagem que ele fez durante a campanha foi exatamente a viagem para Juiz de Fora, da facada. As  outras viagens nós fazíamos o grupo. Segurança, o presidente e tal”, comentou.
Bebianno também comentou que, depois da facada, quando Bolsonaro era operado na Santa Casa de Juiz de Fora, Carlos Bolsonaro chorou muito, apoiado em seu ombro.
Já tinham alguma diferença, segundo ele contou, mas foi no ombro do futuro desafeto que encontrou consolo para aquela hora difícil.
Carlos Bolsonaro não pode ser considerado suspeito de absolutamente nada. Mas, se o objetivo é elucidar o crime, a presença de Adélio no estande de tiro em São José, na região de Florianópolis, precisa ser investigada.

A falta de um dedo X a falta de um cérebro


Dúvida


Turismo sexual


Bolsonaros Imobiliário


quinta-feira, 16 de maio de 2019

A barganha em que Bolsonaro prometeu o mesmo cargo no STF a Moro e a Gebran


Por Luis Nassif, em seu blog

O que levaria dois juízes regionais, sem nenhuma expressão nacional prévia, a expor de tal maneira o Judiciário a ponto de se incluir o STF em uma barganha espúria?

Em abril passado, circulou pela imprensa a informação de que o desembargador João Pedro Gebran Neto ocuparia a vaga de Celso de Mello no STF (Supremo Tribunal Federal). A escolha é do presidente da República. Seu amigo, ex-juiz Sérgio Moro ficaria com a segunda vaga, de Marco Aurélio de Mello, para, segundo Gebran, lhe dar tempo para se candidatar à presidência da República.
Ontem, o presidente Bolsonaro afagou Moro prometendo para ele a primeira vaga no STF que, pelo visto, já havia sido prometida a Gebran.
O que levaria dois juízes regionais, sem nenhuma expressão nacional prévia, a expor de tal maneira o Judiciário a ponto de se incluir o STF em uma barganha espúria? Certamente a contribuição imprescindível para a eleição de Bolsonaro, sendo peças-chave para a inabilitação da candidatura de Lula.
O trabalho de Gebran, no entanto, vai bastante além das decisões em que confirmou as sentenças de Moro. Vale a pena entender a importância de sua contribuição.
Uma das regras de ouro de isenção da Justiça é o princípio da impessoalidade do julgador, de não haver direcionamento dos julgamentos por determinadas pessoas ou grupos.
Justamente para evitar manobras políticas da maioria, há um acordo tácito de que a presidência dos tribunais fica com o decano. É o que acontece no Supremo Tribunal Federal e acontecia no TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) até o advento da Lava Jato.
Vamos entender melhor a engenharia política que alçou Gebran à inacreditável posição de candidato ao STF.
Peça 1 – as turmas do TRF4
O TRF 4 tem 8 turmas. As duas primeiras tratam de temas tributários e trabalhistas. A 3ª  e 4ª, temas administrativos, cíveis e comerciais. A 5a e 6ª para questões previdenciárias. E a 7ª e 8ª para questões penais.
O primeiro lance de Gebran foi articular mudanças na composição da 8ª Turma.
Era composta originalmente pelos desembargadores Luiz Fernando Wowk Penteado (quinto da OAB) e Paulo Afonso Brum Vaz, o decano do tribunal e Vitor Laus.
Paulo Afonso é considerado um magistrado técnico, sem envolvimento com grupos políticos. Era o nome mais antigo e seria alçado à presidência do TRF4. Com a alegação de que Paulo Afonso e Penteado havia entrado no mesmo ano, Gebran organizou o apoio a Penteado que foi eleito presidente, enquanto Paulo Afonso era eleito corregedor.
Ambos se afastaram da 8ª turma, que acolheu, então, Leandro Paulsen  e Gebran como juiz convidado, todos sem nenhuma experiência em direito penal. Paulsen é tributarista, Gebran é um civilista, especializado em direito à saúde e Laus especialista em direito previdenciário.
Lance 2 – a transferência da Lava Jato para a 8ª Turma
O segundo passo foi trazer para a 8ª Turma o caso Lava Jato.
Era para a Lava Jato ter caído na 7ª Turma. Em um gesto inesperado, a desembargadora Claudia Cristina Cristofani enviou um pedido para a 8ª Turma perguntando se Gebran não seria prevento, isto é, se o caso não seria de sua jurisdição. Apesar de nada ter com o tema, e ser amigo íntimo de Sérgio Moro, tendo ambos trabalhado nas imediações de Tríplice Fronteira, Gebran aceitou assumir o caso.
Lance 3 – o controle da presidência do TRF4
Dois anos depois, em 2017, vieram novas eleições. Paulo Afonso era o mais antigo, agora sem controvérsias. Mas Thompson Flores acabou rompendo com as regras tácitas, candidatando-se e sendo eleito presidente. A maioria se impunha definitivamente no TRF4, passando a atuar como partido político.
Ali se fechava o ciclo. Todos os julgamentos da Lava Jato seriam analisados pela nova composição da 8ª Turma e a presidência do Tribunal ficaria com Thompson Flores, conhecido por suas posições políticas de direita. Mostrando seu total envolvimento com o grupo, Thompson Flores foi o autor do mais extravagante elogio à sentença de Moro que seria analisada pelo TRF4: declarou ser tecnicamente irrepreensível, antes mesmo de ter lido.
A partir dali, o TRF4 passou a adotar posições que desrespeitavam a jurisprudência do STF – como considerar corrupção e lavagem de dinheiro crimes distintos, para poder aumentar as penas dos réus – ou subordinar o ritmo do julgamento à pauta eleitoral.
Lance 5 – o voto de Laus
No julgamento de Lula, chamou a atenção o fato dos três desembargadores terem apresentado voto por escrito, no mesmo teor, coincidindo até no agravamento abusivo das penas – como foi reconhecido posteriormente pelo próprio Superior Tribunal de Justiça.
Informações de dentro do TRF4 indicam que o desembargador Laus havia dado um voto divergente em determinado tema. A divergência permitiria aos advogados de Lula entrarem com os chamados embargos infringentes, atrasando a sentença, adiando a prisão e permitindo a Lula se envolver na campanha eleitoral que estava em curso e insistir na sua candidatura.
Laus teria sido convencido a modificar seu voto e se alinhar com os votos dos dois colegas. Tudo isso em um período em que Moro já tinha sido sondado em nome de Bolsonaro pelo futuro Ministro da Economia, Paulo Guedes, para assumir a pasta da Justiça, com a promessa de indicação para o STF. Provavelmente a promessa a Gebran foi nessa época, já que, após a sentença que inabilitou Lula, Bolsonaro não teria mais nenhum interesse em negociar cargos.
Lance 6 – as novas eleições do TRF4
No mês passado, houve novas eleições para a presidência do TRF4.
Mais uma vez, Paulo Afonso deveria ser o indicado para a presidência do órgão, pelo fato de ser o decano do tribunal. Mas Thompson Flores bancou a candidatura de Victor Laus.
Laus não é uma unanimidade entre os colegas. Paulo Afonso já tinha sido corregedor com bom desempenho, enquanto Laus renunciou ao cargo de Coordenador da CoJef – um órgão que coordena os Juizados Especiais. A desistência pegou mal entre os colegas, porque demonstrou sua inaptidão para enfrentar missões administrativas.
Mesmo assim, recebeu 17 dos 27 votos de desembargadores votantes, mostrando o alinhamento do TRF4 com as teses da Lava Jato e da parceria com Bolsonaro.
Com a nova votação, Laus vai para a presidência do TRF4 e Thompson Flores assume seu lugar na 8ª Turma.
Lance 7 – a prenda do STF
Agora, com Bolsonaro escancarando a barganha com Sérgio Moro, e Gebran explicitando com amigos sua esperteza, a grande aventura vai chegando ao fim. A imagem da Lava Jato vai se esgarçando à medida em que vai aparecendo o oportunismo de seus principais protagonistas.
Raquel Dodge expôs os procuradores paranaenses com a reação contra a tal fundação que lhes conferiria a gestão de um fundo bilionário. Bolsonaro expôs Moro com requintes de crueldade, ao mencionar o acordo, dois anos antes de se saber se vai cumprir o prometido.
Daqui para frente, cada dia de governo, para Moro, nunca será mais, será sempre menos.
Há um provérbio definitivo sobre os dilemas de Fausto ante Mefistófeles: a um soberano se concede tudo, menos a honra. Moro enfrenta, a partir de agora, o pior dos dilemas. Se não endossar os abusos de Bolsonaro, perde a indicação. Endossando, como ocorre agora, joga fora a imagem que a mídia construiu, e corre o risco de, no final do arco-íris, Bolsonaro não entregar o pote de ouro prometido.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Exclusivo: Assassino de delegado que investigava morte de Teori frequentava mesmo clube de tiro que Adélio e Carlos

                          Teori Zavascki morreu em um acidente de avião no litoral sul do Rio de Janeiro

Via DCM
O clube de tiro .38, na cidade de São José, na Grande Florianópolis, é um local peculiar.
Por lá – até onde se sabe, apenas por uma enorme coincidência – passam figuras que acabam por ter algum tipo de papel chave na história da República.
Conforme mostrou o DCM em reportagem publicada na última segunda-feira, uma dessas pessoas é Adelio Bispo, que deu uma facada em Jair Bolsonaro durante o período de campanha eleitoral.
Ele esteve no local no dia 5 de julho de 2018, o mesmo dia em que chegou a Florianópolis, vindo de Montes Claros (MG).
Estava desempregado, mas arrumou dinheiro para ir treinar sua pontaria no clube, em que as atividades não saem por menos de R$ 100 a hora. Depois, passou um mês na cidade. A polícia nunca informou o que ele foi fazer lá.
Outros que frequentam o local – e fazem e postam vídeos com os instrutores, utilizam os dormitórios e instalações do clube – são os irmãos Carlos e Eduardo Bolsonarocomo também mostrou o DCM na última terça.
Carlos, aliás, tem o clube de tiro como seu lugar predileto para retiros espirituais, reflexões e fuga do estresse gerado pela rotina política.
Dois dias após Adélio ter ido treinar sua mira no clube, Carlos chegou ao local para mais um fim de semana de descanso em meio às armas.
Mas não para por aí a lista de frequentadores ilustres do .38. Outro que costumava treinar seus dotes de atirador por ali era Nilton César Souza Júnior.
Ele é dono do conhecido Nilton Dog, trailer de cachorro quente que vende a iguaria nas versões salgada e doce (é isso mesmo) na avenida General Eurico Gaspar Dutra, no Estreito, área continental de Florianópolis.
Conforme exibia em suas redes sociais, com fotos e vídeos, Nilton tinha um hobby: o tiro esportivo.
Era frequentador assíduo do .38. Mas, as fotos foram retiradas das redes. Na verdade, seus perfis em redes sociais foram todos apagados.
Foi uma decisão aconselhada por seu advogado, desde que ele matou a tiros, em uma briga de bar, Adriano Antônio Soares, então delegado-chefe da Polícia Federal em Angra dos Reis.
Ele era o responsável pelas investigações da morte do ministro do STF Teori Zavascki, então relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF).
A arma utilizada tinha registro, seu proprietário sabia manuseá-la porque frequentava o clube .38 e quem atirou primeiro foi o delegado de polícia.
Ou pelo menos isso é o que disse o advogado do vendedor de cachorro quente, na época do crime, maio de 2017.
“A arma tinha CR, que é o registro de circulação, ele praticava tiro esportivo na escola .38, em São José. Sobre o ocorrido, tenho informação de que o primeiro disparo partiu da arma da autoridade policial. Vamos esclarecer isso. Discutir quem deu causa, a legitimidade e ver se ocorreram excessos de algum dos lados”, afirmou, à época do crime, em maio do ano passado, Marcos Paulo Silva dos Santos.
Fatos e perguntas
Tudo isso, como se disse, não passa de coincidências, mas são também fatos jornalísticos.
Ou não há interesse noticioso em contar que a pessoa que deu uma facada em Jair Bolsonaro esteve no clube de tiro que é o retiro espiritual de Carlos, que por lá esteve dois dias depois?
Para que se evitasse qualquer tipo de especulação, as autoridades que interrogaram Adelio Bispo poderiam responder a perguntas simples, como o que levou Adelio a viajar a Florianópolis, o que ele ficou fazendo por lá durante um mês, por que ele foi no clube de tiro .38, quanto dinheiro ele gastou por lá e quem pagou, se ele chegou a conhecer Carlos e se ele sabia que aquele clube era frequentado pela família Bolsonaro.
Enquanto não se conhecer a resposta para perguntas como essas, há espaço para muitos imaginarem que tudo isso é mais do que só uma grande coincidência.

PATRIMÔNIO DE FLÁVIO BOLSONARO AUMENTOU 397,1% EM APENAS 12 ANOS



Reeleito pela primeira vez em 2006, quando tinha R$ 385 mil em bens, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) tem um patrimônio de R$ 1,74 milhão atualmente.

O patrimônio que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) declarou à Justiça Eleitoral aumentou 397,1% entre 2006 e 2018. Neste período de 12 anos o filho do presidente Jair Bolsonaro exerceu três de seus quatro mandatos como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Reeleito pela primeira vez em 2006, quando tinha R$ 385 mil em bens, o parlamentar tem um patrimônio de R$ 1,74 milhão atualmente. As informações são de João Paulo Saconi, no site de Época.

De acordo com as declarações de Flávio à Justiça Eleitoral, o crescimento deve-se a compra de imóveis na Zona Sul e na Zona Oeste do Rio, além de investimentos em empreendimentos próprios, como uma loja de uma franquia de chocolates que ele administra na Barra da Tijuca. Em 2002, quando eleito pela primeira vez, Flávio era dono de apenas um automóvel do modelo Gol 1.0, datado do ano anterior, no valor de R$ 25.500.