quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O HOMEM QUE NÃO VIROU SUCO

Amigos, dias atrás estava assistindo ao canal NBR que faz a cobertura das atividades do poder executivo, inclusive transmitindo na íntegra os discursos do nosso presidente aqui e além mar, quando lendo aqueles caracteres que ficam passando no rodapé da tela vi a seguinte notícia: A agenda do presidente hoje encerra-se ao receber no palácio à noite vários líderes das centrais sindicais.

Abri um sorriso, esqueci-me da matéria que passava na hora, e pensei como os tempos mudaram. Puxei pela memória e lembrei-me de um filme que vi no final da década de oitenta, O homem que virou suco.

Extraordinário filme, ganhador de melhor filme do festival de Moscou 1981, com José Dumont no papel de um nordestino migrante que ao chegar para trabalhar nas grandes cidades do sudeste passa por um processo de aculturação, de desconstrução, de negação mesmo dos seus valores tradicionais, sendo confundido com um operário que ao receber o prêmio de operário padrão esfaqueia seu patrão na frente de todas as autoridades, inclusive do ministro do trabalho.

Era isso amigos o máximo a que um trabalhador podia almejar pouco tempo atrás, um aperto de mão e uma medalha estampada no peito. E hoje o presidente encerra suas atividades recebendo líderes sindicais no Palácio para juntos discutirem o aumento dos aposentados.

Quanta mudança! Falando em mudança, li hoje no jornal matéria com embaixador Rubens Ricúpero, aquele do escândalo da parabólica, da célebre frase “Eu não tenho escrúpulos: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”. Pois bem, esse senhor mostrou-se indignado porque o governo Lula teve a ousadia de mudar as diretrizes da nossa política externa que vem desde o governo Sarney, só para falar do período democrático.

Política esta, diga-se de passagem, basilar para o período de crescimento que passa nosso país, enterrou a ALCA e criou a já famosa política sul-sul que tantos benefícios nos têm trazido. Portanto, mudança sim! Caso o povo brasileiro quisesse a continuidade não teria votado no nosso bom “sapo barbudo”. Chega de príncipes!

Aliás, vi outro comentário do qual não concordo que Lula está governando bem porque despojou-se de seu macacão de líder sindical. Ledo engano. O sindicato só passou a ser maior, em vez de só contemplar os metalúrgicos do ABC paulista, agora abarca o país todo. Lula, um brasileiro. Lula, o homem que não virou suco.

Aquele Abraço!

JJ

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

DRINQUE

Tenho ao alcance da minha,
a tua solidão.

Por que não te procuro?

Por que vago na noite sem ti?

Na mão, uma cuba libre,
na vitrola, Elis,
na estante, A Ilha.

No meu país vagam
o mesmo medo, a mesma dor,
a mesma mágoa.

O fim é de um romance barato,
de um poema arcaico,
morrer, morrer de amor.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

FOI BLECAUTE


Amigos, há dias deparamo-nos em noticiários televisivos e porque não dizer na mídia em geral com a seguinte dúvida: Foi apagão ou blecaute? Devo dizer que desde a primeira vista inclinei-me pelo blecaute.


Lendo em 08.11.09 o matutino Jornal do Commercio, de víes verdadeiramente DEMOcrata, deparei-me com a seguinte manchete: Mais uma bandeira para Dilma.


A matéria em questão tinha como foco central o fato que o executivo está organizando uma consolidação das leis sociais, ou seja, enviará em 2010 ao congresso nacional uma lei que garantirá a continuidade de todos os programas sociais criados no governo Lula, desde o bolsa-família, passando pelos programas específicos para mulheres e negros, enfim, todos que levaram a alguma inclusão social e ganho quanto à cidadania.


Após essa leitura concluí que estava certo quanto ao blecaute. Blecaute, Otávio Henrique de Oliveira, foi um grande sambista dos carnavais das décadas de 40,50 e 60, falecido em 1983.


Portanto, quando o governo lança um projeto de tal magnitude, dar aos excluídos, aos necessitados, aos marginalizados a certeza de não depender do bom ou pior do mau humor dos futuros governantes ao criar uma lei essencialmente não casuística, digo FOI BLECAUTE.


Blecaute talvez causado pela chegada de Iansã, Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos, Senhora dos Raios e das Tempestades, e Xangô, Divindade do fogo, do trovão e da justiça, Rei de Oyó, que vieram ver de perto quem é esse rei terreno que tanto bem traz para os seus filhos há muito perseguidos.


Portanto, de agora em diante, ao ouvirem a pergunta, apagão ou blecaute, respondam de pronto, FOI BLECAUTE.


Aquele Abraço!


JJ


Foto: Década de 50

sábado, 14 de novembro de 2009

COITO

Minha língua esmaga tua língua,

falam de amor,

falam de sede.

E nos entendemos,

e nos esmagamos.


Teus seios são dois pudins,

tenho fome

e os como.


Tu também tens fome

e me comes.


Minhas mãos te exploram

e tu entendes,

e te contorces,

e me exploras,

e me contorço.


Meu nariz te cheira

e fico tonto.


Tu me cheiras e gemes,

e te abres,

e me esperas.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nada como um governo após o outro


Duas leituras, e um comentário, indispensáveis:


No Blog do Cappacete:

Pesquisa revela insatisfação mundial com o capitalismo


No Sandrodavidovitch:

Pesquisa mostra insatisfação dos brasileiros com capitalismo


E o comentário:

NADA COMO UM GOVERNO APÓS O OUTRO

Amigos, vejam como é importante experimentar mais de um tipo de governo. essa pesquisa reflete o porquÊ DO TEMOR DAS ELITES EM UM GOVERNO CONTINUADO MAIS À ESQUERDA. A MENTALIDADE DO POVO AO PASSAR POR NOVAS FORMAS DE GOVERNAR SABE DISCERNIR QUAL DELAS LHE É MAIS BENÉFICA. POR CONSEGUINTE, ENTENDE-SE PORQUE ZÉ PEDÁGIO PERMANECE EM CIMA DO MURO SOBRE SUA CANDIDATURA. COM A APROVAÇÃO DE MAIS DE OITENTA POR CENTO, COM ESSA PESQUISA VERFICA-SE TAMBÉM QUE ESTA APROVAÇÃO NÃO SE BASEIA TÃO SOMENTE NO CARISMA DO PRESIDENTE, MAIS CADA VEZ MAIS NECESSARIAMENTE NO RESULTADO DO SEU GOVERNO EM PROL DA SOCIEDADE COMO UM TODO. CLARO QUE UMA PESQUISA COMO ESSA JAMAIS SERÁ DIVULDADA NO JORNAL NACIONAL, NÃO SERÁ TAMPOUCO OBJETO DE ANÁLISE NAS COLUNAS DE MIRIAM LEITÃO OU DE ARNALDO JABOUR. PORÉM, SERÁ DETERMINANTE NA ESCOLHA DOS NOSSOS PRÓXIMOS GOVERNANTES, EM ESPECIAL DO PRÓXIMO PRESIDENTE.

AQUELE ABRAÇO!

JJ

CORAÇÕES E CORPOS


Abre teu corpo

ao meu coração,

já que não te posso

ter o coração.


Dá-me tua boca,

os teus seios,

tuas nádegas,

tua barriga, teus pés, tuas mãos

e teus pêlos.


Abre teu coração

ao meu corpo,

já que não podemos

ser um só.



(Do livro “Se não canto, pelo menos grito”, de 1983).

domingo, 8 de novembro de 2009

Vá à Merda, Caetano!



“Não posso deixar de votar nela. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro.”
(Caetano Veloso)

Já tive oportunidade, em ocasiões anteriores, de externar aqui no Blog as minhas opiniões sobre Caetano Veloso (quem não leu à época e quiser conferir, é só clicar aqui, aqui ou aqui), tendo então recebido várias críticas - algumas delas nada educadas - das hostes caetanistas. Em relação ao seu trabalho como cantor/compositor, posso dizer que, no geral, gosto bastante de boa parte das canções feitas por ele entre as décadas de 60 e 80, embora considere que há alguns anos o ex-tropicalista viva um processo de decadência criativa, traduzida em composições de baixa qualidade, com exceção de alguns raros lampejos. Mas já há bastante tempo não tenho tido muito saco para aturar o cidadão Caetano Veloso e os comentários por ele proferidos sobre assuntos variados que vão da História à Literatura ou do Cinema à Política. Quando ele abre a boca para dar a sua opinião sobre algo, de cada cem palavras ditas, cento e uma podem ser sintetizadas em uma única expressão: merda. Ególatra e narcisista, o velho bardo baiano – quando está fora dos holofotes – procura criar pretensas “polêmicas” que são logo repercutidas pela grande imprensa, onde ele possui um sem-número de admiradores. Porém, com a declaração que reproduzi acima, ele ultrapassou todos os limites. Além de demonstrar todo o seu preconceito em relação ao indivíduo Lula, ele incorreu em um profundo desrespeito à instituição Presidência da República. Assim, definitivamente, a minha paciência para com ele se esgotou. Por isto, estou lançando aqui no “Abobrinhas Psicodélicas” a campanha “Vá à Merda, Caetano”, cuja logomarca reproduzo neste post. Copie-a. Coloque-a em seu blog ou envie-a para sua lista de e-mails. Sua utilização é livre. A questão é que não dá mais para aturar o Caetano falando merda e sendo repercutido por toda a mídia brasileira.

Observação 01: É muita coincidência que o Caetano tenha feito este comentário na mesma semana em que o ex-presidente – e pelo jeito, também ex-sociólogo – Fernando Henrique Cardoso publicou aquele micro-ensaio de subsociologia de quinta categoria, em “O Globo” e no Estadão.

Observação 02: O comentário de Caetano reproduz a visão de boa parte daqueles que pretendem votar em Marina Silva para Presidente e que fazem parte daquela massa amorfa conhecida como “Classe Média”.

Observação 03: Antes que alguém poste um comentário dizendo que estou sendo grosseiro e desrespeitoso ao mandar o Caetano à merda, respondo de antemão dizendo que isto não chega nem perto da grosseria e do desrespeito por ele cometidos para com o Presidente da República.

Fonte: ABOBRINHAS PSICODÉLICAS

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

NA ROTINA DAS MANHÃS


Na rotina das manhãs,

o mesmo rosto no espelho,

o mesmo jato de urina,

o mesmo cheiro.


O pão, a manteiga, o café.

O mesmo poema cansado,

o mesmo livro debaixo do braço,

a mesma vontade matinal de ir ao banheiro.


No amor mal feito,

no desejo esquecido na esquina,

no grito – de gol? – amarrado no peito,

na dose de estriquinina – para o amante ou o rato?


Na carne estragada na geladeira,

no copo de cerveja quente,

no sol que racha minha cabeça,

no tempo perdido na máquina batendo um ofício


ao Exmo. Sr. Filho da Puta,

no romance não lido de Loyola

na solidão sempre lembrada e eterna

- Deus?


Caminho – inútil caminhar? – homem metafísico

através da manhã e do poema,

entre o ser genético e seus códigos

e o ser divino e o horror da eternidade.



Do livro "Apocalipse e Outros Poemas", publicado em 1989, pela Editora Bagaço, de Palmares / Recife, reunindo poemas escritos entre 1984 e 1989. Os 4 últimos poemas escritos, para o livro, foram A carne, Meu país, Reflexo no Espelho e este Na rotina das manhãs.


segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Livro Vermelho


Mao com inserções ...


Devemos apoiar tudo o que o inimigo combate (PIG*), e combater tudo o que o inimigo apóia (PIG*). (16/09/1939)


(*) Globo, Band, SBT, Folha de São Paulo, Época, Veja, Jornal do Commercio e outros lixos.

Aos amigos leitores


A iniciativa de criar um blog surgiu numa roda de amigos, com os quais, todas as sextas-feiras, ou quase todas, nos reunimos para tomar uma cervejinha gelada ou um uisquinho, geralmente no Copo Sujo, no bairro de Santo Amaro ou no Bar do Hélio, no bairro da Boa vista, ambos em Recife.


Seria o Blog Coletivo, um dos nomes sugeridos, mas não referendado pelo grupo, e alimentado por mim, Chico, JJ, Araken e Didi.


O blog teve várias datas marcadas para “nascer”, mas o seu nascimento sempre era adiado. Resolvi, então, por conta própria, em maio deste ano, dar uma forcinha e criei o Blog do Itárcio, que já estava fadado a existir, junto com o Blog Coletivo – sendo um espaço exclusivo para a divulgação dos meus poemas – com a intenção de “atiçar” a turma, em vão. Definitivamente a idéia do Blog Coletivo, com uma contribuição semanal de cada integrante, etc., etc., etc., morreu.


Diante disto, o Blog do Itárcio passou por uma crise de identidade: ser um blog de política ou de literatura? Ser um blog autoral ou de divulgação?


A idéia inicial é que seria um blog de política, sendo que a partir da criação do outro blog, voltaria a sua origem, um espaço para divulgação dos meus poemas.


Portanto, o caminho natural, para que o mesmo não desapareça, é que este blog volte as suas origens, um espaço para divulgação de poemas, claro, quando surgir um texto legal meu, de um amigo ou um artigo bem interessante de outros blogs, o que é uma regra, divulgarei; nada muito amarrado, mas a essência será a poesia.


Um bom feriado a todos!