LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

A/C da direita burra: Hitler explicou numa entrevista por que seu partido se chamou nacional socialista



Por Kiko Nogueira

Via DCM

Um vídeo da embaixada da Alemanha sobre o nazismo se tornou motivo de vergonha alheia mundial para o Brasil.
Bolsominions invadiram a página com aquela tese psicodélica, plantada em seus cérebros pelo guru Olavo de Carvalho, de que se trata de uma ideologia “de esquerda” (sem contar os imbecis negacionisas do holocausto).
“Lá é muito simples: trata-se de extrema direita e pronto. Essa discussão sobre ser de esquerda ou direita parece existir só no Brasil”, disse à DW o cientista político alemão Kai Michael Kenkel, professor do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio.
“Se você perguntar para um neonazista na Alemanha se ele é de esquerda, vai levar uma porrada”.
Vivo fosse, o führer poderia ter uma conversinha boa com esse pessoal. 
O jornal britânico The Guardian tem uma seção chamada “Grandes Entrevistas do Século 20”.
Uma delas, publicada em 1932 na revista Liberty, é com o velho Adolfo. O autor é o poeta e escritor alemão George Sylvester Viereck.


Segue um trecho:
“Por que”, perguntei a Hitler, “você se declara um nacional-socialista, já que o programa de seu partido é a antítese daquilo comumente creditado ao socialismo?”
“O socialismo”, ele retrucou, derrubando sua xícara de chá, exaltado, “é a ciência de lidar com o bem comum. O comunismo não é o socialismo. O marxismo não é o socialismo. Os marxistas roubaram o termo e confundiram o seu significado. Eu devo tirar o socialismo dos socialistas”.
“Nós poderíamos nos chamar Partido Liberal. Nós escolhemos nacional socialistas. Nós não somos internacionalistas. Nosso socialismo é nacional. Exigimos o cumprimento das reivindicações justas das classes produtivas pelo Estado com base na solidariedade racial. Para nós, estado e raça são um.”
(…)
“Queremos uma Grande Alemanha que una todas as tribos alemãs. Mas a nossa salvação pode começar no canto mais remoto. Mesmo que tivéssemos apenas 10 acres de terra e estivéssemos determinados a defendê-los com nossas vidas, os 10 acres se tornariam o foco da nossa regeneração. Nossos trabalhadores têm duas almas: uma é alemã, a outra é marxista. Devemos despertar a alma alemã. Devemos destruir o câncer do marxismo. O marxismo e o germanismo são antíteses.”

sábado, 8 de setembro de 2018

Ética e justiça para todos: os animais também são minorias desfavorecidas


Assim como não é razoável alguém dizer que é contra o machismo e, ao mesmo tempo, defender as ditaduras religiosas islâmicas, onde as mulheres não podem mostrar o rosto, vestirem-se como bem desejam, estudar, ter acesso ao mercado de trabalho; ou ser contra a homofobia, racismo, misoginia e votar em Bolsonaro; convido-os a fazer uma reflexão, sob o quão intrigante é defender a exploração contra todo tipo de injustiças e comemorar cada vitória com o sacrifício de um animal.
Todo machista acredita ser superior à mulher, bem como o racista sobre o negro ou judeu; o hetero sobre o homossexual. Essa é a crença que motiva as ações de hierarquia e exploração, subjugando o "diferente" a um sistema discriminatório, preconceituoso e escravagista.
Porém, mesmo com essa consciência, podemos observar homens e mulheres que lutam por justiça social se assemelharem àqueles que combatem quando o prazer assume o papel prioritário.
Não, não estou deixando de considerar as relações interseccionais, suprimindo a família pobre e desinformada que trabalha por um prato de feijão com arroz e um pedaço de carne; pessoas das quais seus filhos são tratados feito "bicho" e que não possuem informação suficiente para despertar a consciência de que, em todo animal existe um ser senciente, como nós, que anseia viver sua vida sem ser explorado.
Falo de pessoas que possuem informação, escolha, que podem optar por uma vida que expanda sua compaixão a todas as minorias para, definitivamente, todas as criaturas.
Convido, humildemente, a todos os militantes por um mundo mais justo e, principalmente, as mulheres, a compreender que precisamos combater não só os abusos do macho humano sobre a fêmea da mesma espécie, mas, também, outro tipo de preconceito impregnado até mesmo entre as mulheres: o especismo (preconceito de espécie). Está na hora de ampliarmos um olhar complacente para as demais raças que são subjugadas, inferiorizadas e exploradas pelos homens na mesma condição exploratória machista, racista e preconceituosa, tão conhecida pelas minorias humanas.
Temos que parar de basilar a exploração como commodities, moeda de troca, geração de economia. Já fomos convencidos de que alguns tipos de seres humanos também mereciam essa métrica, em outras épocas.
O especismo é algo tão arraigado nas entranhas da nossa sociedade que vemos militantes sociais - e choca, ainda mais, quando são minorias - igualando-se aos seus algozes em suas características mais abomináveis, como: a prepotência, a arrogância e a soberba em relação às demais espécies. Trata-se de uma diferença apenas na aparência e percepção, pois somos semelhantes na essência, relevância, necessidades vitais, sentidos e sentimentos. Possuímos o mesmo desejo por relacionarmo-nos afetivamente com nossos pares, a mesma sede, medo, fome e o desejo de saciá-los. A mesma dor, angústia, tristeza, alegria, estresse; tudo isso faz parte do universo do animal não humano tanto quanto do animal humano.
Basta digitar "Terráqueos" no YouTube para perceber a crueldade inexorável da indústria de corte. É abominável a dominação de fêmeas a fim de explorá-las sexualmente ou sob condição de divertimento; implica igualmente no desejo do homem sobre o "abuso da carne" de uma vítima.
Portanto, aqueles que têm acesso à informação possuem poder de decisão sobre suas escolhas, não estão submersos na condição de fome e podem ter acesso a um vasto campo de pesquisa virtual sobre a absorção de proteína vegetal e a crueldade imposta aos animais de matadouro; não há justificativas para não refletir cuidadosamente.
Ser militante por justiça e não perceber que outras espécies, raças, fêmeas que não comunicam em nossa linguagem, também clamam por direitos e deveres éticos é incoerente. Nós, que tanto nos julgamos justos, devemos buscar por justiça e igualdade para toda a sociedade, dos quais, os animais também fazem parte. Não pode haver uma linha que delimita quais criaturas merecem ou não serem exploradas para servir outras.
Não é possível que quando tange o nosso prazer mais efêmero, hábitos e costumes, tenhamos o mesmo comportamento dominador que os opressores sempre tiveram com aqueles que julgavam inferiores.
Já é comprovado cientificamente que os animais possuem personalidades diferentes. Uns são mais retraídos, outros, mais espontâneos, curiosos, dinâmicos, carinhosos e assim por diante. Ter personalidade diferente é um atributo do conceito "persona" que os eleva ao título de pessoas. Os animais são pessoas assim como nós também somos animais. Já não cabem mais argumentos antropocêntricos nem justificativas torpes para a manutenção dessa situação injusta.
"Os animais existem para os seus próprios propósitos. Não foram feitos para os humanos, assim como os negros não foram feitos para os brancos nem as mulheres para os homens." (Alice Walker)

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Luciane Pires Publicitária (ESPM), colunista cultural do portal Ativar Sentidos, ativista pelo direito dos animais, formadora de opinião pelo Instagram @luhpires_

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A autêntica revolução foi no período Neolítico


POR GUILLERMO ALTARES
Em uma época de mudança ambiental, os olhares dos especialistas se voltam para o Neolítico, o período em que a humanidade experimentou sua transformação mais radical.
Neolítico é o período mais importante da história e um dos mais desconhecidos do grande público. Com a adoção da pecuária e da agricultura foram criadas as primeiras cidades, nasceu a aristocracia, a divisão de poderes, a guerra, a propriedade, a escrita, o crescimento populacional… Surgiram, em poucas palavras, os pilares do mundo em que vivemos. As sociedades atuais são suas herdeiras diretas: nunca fez tanto sentido falar de revolução porque deu origem a um mundo totalmente novo. E talvez tenha sido também o momento em que começaram os problemas da humanidade, não as soluções.
Ponderar se foi uma desgraça ou uma sorte algo que aconteceu há 10.000 anos e que não podemos reverter pode ser absurdo, mas é importante tentar saber como aquela passagem aconteceu e saber se a vida das populações melhorou. O motivo é que foi naquele período que a humanidade começou a transformar o meio ambiente para adaptá-lo às suas necessidades, e quando a população da Terra começou a crescer exponencialmente, um processo que só se acelerou desde então. Os estudos sobre o Neolítico se multiplicaram nos últimos tempos e não é por acaso: hoje vivemos a passagem para uma nova era geológica, do Holoceno ao Antropoceno, uma mudança planetária imensa. De fato, alguns estudiosos acreditam que esse salto começou no Neolítico.
“O crescimento demográfico constante, que ainda está fora de controle, provocou concentrações humanas, tensões sociais, guerras, desigualdades crescentes”, escreve o arqueólogo francês Jean-Paul Demoule, professor emérito da Universidade de Paris I-Sorbonne em seu recente ensaio Les Dix Millénaires Oubliés Qui Ont Fait l’Histoire. Quand On Inventa l’Agriculture, la Guerre et les Chefs (Fayard, 2017) [Os Dez Milênios Esquecidos Que Fizeram a História. Quando Inventamos a Agricultura, a Guerra e os Chefes]. “Acredito que é a única verdadeira revolução na história da humanidade”, explica Demoule por telefone. “A revolução digital que estamos vivendo atualmente não é mais do que uma consequência de longo prazo daquela. Mas, curiosamente, é a menos ensinada na escola. Começamos com as grandes civilizações, como se fossem óbvias, mas é muito importante perguntar por que chegamos até aqui, por que temos governantes, exércitos, burocracia. Acho que no nosso inconsciente não queremos fazer essas perguntas.”
O capítulo que o ensaísta israelense Yuval Noah Harari dedica ao Neolítico em seu célebre livro Sapiens – Uma Breve História da Humanidade (Harper, 2011), um dos ensaios mais lidos dos últimos anos, intitula-se ‘A maior fraude da história’. “Em vez de anunciar uma nova era de vida fácil, a revolução agrícola deixou os agricultores com uma vida geralmente mais difícil e menos satisfatória do que a dos caçadores-coletores”, escreve Harari. O antropólogo da Universidade de Yale, James C. Scott, professor de estudos agrícolas, se pronuncia num sentido semelhante: “Podemos dizer sem problemas que vivíamos melhor como caçadores-coletores. Estudamos corpos de áreas onde o Neolítico estava sendo introduzido e encontramos sinais de estresse nutricional em agricultores que não encontramos em caçadores-coletores. É ainda pior nas mulheres, onde identificamos uma clara carência de ferro. A dieta anterior era sem dúvida mais nutritiva. Encontramos também muitas doenças que não existiam até os humanos passarem a viver mais concentrados e com os animais. Além disso, sempre que ocorreram assentamentos de populações, começaram guerras”.
Scott percebeu que todas as ideias que tinha sobre o Neolítico estavam erradas enquanto preparava um curso sobre a domesticação de plantas e animais. “Passei três anos estudando tudo o que havia sido publicado tentando entender o que realmente havia acontecido”, explica por telefone desde seu escritório. Assim, escreveu Against the GrainA Deep History of the Earliest States (Yale University Press, 2017) [Contra As Sementes: uma História em Profundidade dos Primeiros Estados], livro que teve grande impacto no mundo anglo-saxão. “A versão que contamos do Neolítico nas escolas, que aprendemos a domesticar as plantas, então criamos as cidades e a fome acabou é falsa”, diz Scott.

Os habitantes das sociedades agrícolas sofriam mais estresse nutricional do que os caçadores

Sua leitura desse período é a mais revolucionária e nem todos os estudiosos concordam com sua interpretação, mas podemos falar de uma reavaliação geral daqueles milênios, provocada, entre outras razões, porque o estudo do DNA antigo permitiu conhecer populações do passado como nunca até agora. Em seu ensaio, Scott argumenta que já se utilizava a agricultura e a irrigação antes do nascimento dos Estados, e que diferentes catástrofes como epidemias ou desmatamento, e a salinização do solo, fizeram que o Neolítico fosse um processo de ida e volta e que sociedades agrícolas voltassem a ser caçadoras-coletoras. “Durante 5.000 anos passaram de um estado a outro dependendo das condições climáticas. Houve muita fluidez entre essas duas formas de vida”, afirma.
Perguntado se isso esconde lições para o presente, o professor diz que é uma questão que levantam o tempo todo, mas ele não quer “ser profeta”. Como leitor, é muito difícil abstrair essa tentação: a ideia de que o avanço da humanidade pode ser reversível se brincarmos de aprendiz de feiticeiro, ao colocar em marcha processos que não somos capazes de controlar, é muito inquietante. Especialmente porque vivemos um momento em que estamos rodeados por fenômenos (dos plásticos no mar aos avanços em inteligência artificial ou o aquecimento global) cujas consequências a longo prazo estamos apenas começando a vislumbrar. Aquelas primeiras populações que deixaram o nomadismo para se assentar e viver da agricultura e da pecuária tampouco podiam ter uma ideia do que estava acontecendo.
Outros livros publicados recentemente que questionam algumas verdades adquiridas sobre o Neolítico são La Forja Genética de Europa. Una Nueva Visión del Pasado de las Poblaciones Humanas (Edicions Universitat de Barcelona, 2018), do geneticista espanhol Carles Lalueza-Fox, professor do Instituto de Biologia Evolutiva (CSIC-UPF) e Les Chemins de la Proto-Histoire. Quand l’Occident s’Éveillait (Odile Jacob, 2017) [Os Caminhos da Proto-História. Quando o Ocidente Despertava] de Jean Guilaine, que aos 81 anos é uma referência nos estudos de pré-história na Europa e atualmente é professor emérito do Collège de France. “O Neolítico nos deixou uma mensagem clara: um ambiente natural transformado e bem regulado pode alimentar um grande número de bocas”, explica Guilaine. “Mas essa mensagem sublime também foi pervertida pelo homem, ávido por dominar seus semelhantes: exploração irracional do meio, acumulação de sementes, desigualdades sociais, espírito de supremacia sobre os mais fracos. A esperança de uma sociedade em harmonia com a nova economia fracassou por causa da recusa a compartilhar.”
Os historiadores continuam procurando respostas para muitas perguntas. A primeira delas é saber por que a agricultura foi inventada se nos alimentávamos melhor quando éramos caçadores-coletores. O que está claro é que coincidiu com um período de aquecimento global do planeta depois da última glaciação, há cerca de 10.000 anos, e foi um processo gradual que ocorreu em diferentes pontos ao mesmo tempo e que desembocaria em alguns lugares, como a Europa, no florescimento de civilizações como a etrusca e a romana. A introdução da agricultura e da pecuária foi seguida pelo trabalho com os metais, a fundação de cidades, o surgimento de aristocracias… “O Neolítico é a grande revolução que inaugura o nosso mundo histórico”, diz Guilaine. “É um período sobre o qual temos muitos dados, mas que é muito pior explicado do que outros momentos. Gostamos mais de ensinar as origens do homem, porque isso levanta problemas filosóficos, ou as civilizações da antiguidade, consideradas brilhantes por causa de suas realizações arquitetônicas. Podemos achar impressionantes as pirâmides e o Parthenon, mas o que representam quando comparados à passagem de toda a humanidade à agricultura?”.
Quase ninguém mais acredita que houve uma única revolução neolítica que eclodiu no Oriente Médio com a domesticação do trigo e que daí se espalhou a todo o planeta. A ideia mais difundida é que houve vários pontos de partida mais ou menos simultâneos, na China com o arroz ou na América com o milho. Por outro lado, existe a certeza, graças à genética, de que o trigo chegou à Europa por meio das migrações dos primeiros camponeses, em um momento de grandes movimentos populacionais.

“Se o Neolítico é algo, é um movimento de pessoas do Oriente Médio, porque é um tipo de economia que provocou um crescimento demográfico que até então não existia”, diz Carles Lalueza-Fox, cujo livro reúne décadas de avanços nas pesquisas genéticas. Essas técnicas “supuseram uma mudança revolucionária”, explica, “porque agora estamos em condições de estudar o genoma dos protagonistas dos acontecimentos do passado. Quando questionamos se um horizonte cultural ou outro envolveu migrações de pessoas ou movimentos de ideias, agora podemos perguntar isso diretamente às pessoas que viveram esses processos”.
Eva Fernández-Domínguez, professora associada do Departamento de Arqueologia da Universidade de Durham (Reino Unido), onde dirige o laboratório de DNA arqueológico, e especialista no processo de transição para o Neolítico na Península Ibérica e no Oriente Médio, explica assim os novos caminhos abertos pelo estudo do DNA antigo: “Por meio da arqueologia podemos saber se as populações eram caçadoras-coletoras ou agrícolas-pecuárias mediante o estudo dos restos arqueozoológicos e arqueobotânicos do sítio, da tipologia lítica (técnica e estilo de fabricação de ferramentas), do tipo de assentamento. No entanto, essas técnicas não possuem resolução suficiente para nos dizer como o processo de transição ocorreu; isto é, se grupos locais de caçadores-coletores aprenderam a cultivar ou se a agricultura foi levada por imigrantes de outras regiões, e se esses imigrantes substituíram completamente a população autóctone ou se misturaram com ela e em que proporção. Esse tipo de informação só é acessível através da genética. Graças às novas técnicas de sequenciamento massivo, hoje possuímos uma boa representação da informação genética dos indivíduos envolvidos no processo de transição para o Neolítico”.
Um caso fascinante que ilustra como o Neolítico se estabeleceu é o da cerâmica campaniforme, que se expandiu em grande parte da Europa durante a Idade do Bronze, há cerca de 4.900 anos. A partir da Península Ibérica, especificamente do estuário do Tejo, chegou ao norte e ao leste da Europa, às Ilhas Britânicas, mas também à Sicília e à Sardenha. Além de Portugal e Espanha, essa cerâmica, que não está associada ao uso cotidiano, mas ritual, apareceu na França, Itália, Reino Unido (incluindo a Escócia), Irlanda, Holanda, Alemanha, Áustria, República Tcheca, Eslováquia, Polônia, Dinamarca, Hungria e Romênia. “Sua escala geográfica não tem precedentes no continente até a chegada da União Europeia”, escreve Lalueza-Fox em seu ensaio. Guardando todas as proporções, seu alcance geográfico poderia ser comparado ao de um Tok &Stok do fim da pré-história.
Durante décadas existiram duas teorias opostas: a cerâmica teria chegado com populações que migraram ou teria existido algum tipo de transmissão oral. Ao longo de 2016, equipes do Instituto de Biologia Evolutiva do CSIC, do Wolfgang Haak, do Instituto Max Planck, e David Reich, que dirige em Harvard um laboratório de genética e que acaba de publicar o ensaio Who We Are and How We Got Here: Ancient DNA and the New Science of the Human Past (Pantheon, 2018) [Quem Somos e Como Chegamos até Aqui: o DNA Antigo e a Nova Ciência do Passado Humano], analisaram amostras de indivíduos que pertenciam a essa cultura, coletadas em todo o continente. “Descobrimos que não estava associado a movimentos de genes e, portanto, de pessoas, mas que se tratava do primeiro exemplo de difusão maciça de ideias”, explica Lalueza-Fox. Posteriormente houve um movimento maciço de população para as Ilhas Britânicas, que levou a essa cultura e, de fato, substituiu as populações então existentes.
O Neolítico começou há cerca de 10.000 anos, em um período de aquecimento global
Esse período é particularmente importante porque é a partir desse momento que começam a surgir sinais arqueológicos claros da existência de uma aristocracia e, portanto, de desigualdades sociais. “É um momento crítico de mudança social, caracterizado pela emergência de uma classe aristocrática guerreira que perdura além da própria cultura”, escreve o pesquisador catalão em seu ensaio.
Nem a genética nem a arqueologia ainda conseguiram desvendar todos os mistérios cruciais que esse período esconde. Também chegou nesse período à Europa o indo-europeu, do qual derivam as línguas faladas por metade da população mundial, um processo sobre o qual ainda existe um intenso debate. A única certeza é que aquela revolução remota mudou tudo e que ainda não acabou.
As lições que esconde podem ser muito úteis para um presente em que a humanidade está levando a natureza e seus recursos ao limite de suas possibilidades.
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/04/20/ciencia/1524219983_369281.html

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Todo o mundo ocidental vive em dissonância cognitiva




Por  Paul Craig Roberts

Neste artigo vou utilizar três das notícias atuais para ilustrar a desconexão que permeia toda a mente ocidental

Vamos começar com a questão da separação familiar. A separação de filhos dos pais imigrantes/refugiados/asilados provou tal protesto público que o presidente Trump recuou na sua política e assinou uma ordem executiva terminando a separação familiar.
O horror a crianças aprisionadas em armazéns operados por negócios privados com lucros extraídos dos contribuintes estadunidenses, enquanto os pais são processados por entrada ilegal no país, desperta do seu estupor mesmo americanos "excepcionais e indispensáveis" satisfeitos consigo próprios. É um mistério que o regime Trump opte por desacreditar sua política de fiscalização de fronteiras com a separação de famílias. Talvez a política pretendesse deter a imigração ilegal enviando a mensagem de que se você vier para a América os seus filhos lhe serão tomados.
A questão é: Como é que americanos podem ver e rejeitar esta desumana política de controle de fronteiras e não ver a desumanidade da destruição de famílias que tem sido o resultado predominante da destruição por Washington, no todo ou em parte, de sete ou oito países no século XXI.
Milhões de pessoas foram separadas das suas famílias pela morte infligida por Washington e, durante quase duas décadas, os protestos têm sido praticamente inexistentes. Nenhum clamor público travou George W. Bush, Obama e Trump de atos clara e indiscutivelmente ilegais definidos no direito internacional estabelecido pelos próprios EUA como crimes de guerra contra os habitantes do Afeganistão, Iraque, Líbia, Paquistão, Síria, Iémen e Somália. Podemos acrescentar a isto um oitavo exemplo: Os ataques militares pelo estado fantoche neo-nazi da Ucrânia, armado e apoiado pelos EUA, contra a secessão de províncias russas.
As mortes maciças, destruição de cidades e infraestrutura, a mutilação física e mental, a deslocação que lançou milhões de refugiados a fugirem das guerras de Washington para inundarem a Europa, onde os governos consistem de uma coleção de palhaços idiotas que apoiarem os crimes de guerra de Washington no Médio Oriente e Norte de África, não produziram clamor comparável ao da política imigratória de Trump.
Como é possível que americanos possam ver desumanidade na separação de famílias por imposição do organismo de imigração mas não nos crimes de guerra maciços cometidos contra povos em oito países? Estaremos nós a experimentar uma forma de psicose em massa de dissonância cognitiva ?
Vamos agora ao segundo exemplo: a retirada de Washington do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
Em 2 de Novembro de 1917, duas décadas antes do holocausto atribuído à Alemanha nacional-socialista, o secretário britânico dos Negócios Estrangeiros, James Balfour, escreveu a Lord Rothschild que a Grã-Bretanha apoiava tornar a Palestina uma pátria judia. Por outras palavras, o corrupto Balfour descartava os direitos e as vidas de milhões de palestinos que haviam ocupado a Palestina durante dois milênios ou mais. O que eram estas pessoas em comparação com o dinheiro de Rothschild? Elas eram nada para o secretário britânico dos Negócios Estrangeiros.
A atitude de Balfour em relação aos direitos dos habitantes da Palestina é a mesma atitude britânica em relação aos povos em cada colônia ou território sobre o qual prevaleceu o poder britânico. Washington aprendeu este hábito e tem-no sistematicamente repetido.
Ainda outro dia a embaixadora de Trump na ONU, Nikki Haley, a enlouquecida e insana cadelazinha de Israel, anunciou que Washington se havia retirado do Conselho de Direitos Humanos da ONU devido a "um esgoto de viés político" contra Israel.
O que fez o Conselho de Direitos Humanos da ONU para justificar esta repreensão da agente de Israel, Nikki Haley? O Conselho de Direitos Humanos denunciou a política de Israel de assassinar palestinos – médicos, crianças pequenas, mulheres, idosas e idosos, pais e adolescentes.
Criticar Israel, não importa quão grande e óbvio seja o seu crime, significa que você é um anti-semita e um "negador do holocausto". Para Nikki Haley e Israel, isto coloca o Conselho de Direitos Humanos da ONU nas fileiras dos nazis adoradores de Hitler.
O absurdo disto é óbvio, mas poucos, se é que algum, podem detectá-lo. Sim, o resto do mundo, com a exceção de Israel, denunciou a decisão de Washington, não só os inimigos de Washington e do palestino como até os seus fantoches e vassalos.
Para ver a desconexão é necessário prestar atenção ao fraseamento das denúncias de Washington.
Um porta-voz da União Europeia disse que a retirada de Washington do Conselho de Direitos Humanos da ONU "arrisca minar o papel dos EUA como um campeão e apoiante da democracia na cena mundial". Pode alguém imaginar uma declaração mais imbecil? Washington é conhecida como um apoiante de ditadura que aderem à sua vontade. Washington é conhecida como uma destruidora de toda democracia latino-americana que tenha eleito um presidente que representasse o povo do país e não os bancos de Nova York, os interesses comerciais dos EUA e a política externa estadunidense.
Mencione um lugar onde Washington tenha sido um apoiante da democracia. Só para falar dos anos mais recentes, o regime Obama derrubou o governo democraticamente eleito de Honduras e impôs ali o seu fantoche. O regime Obama derrubou o governo democraticamente eleito na Ucrânia e impôs ali um regime neo-nazi. Washington derrubou os governos na Argentina e no Brasil, está a tentar derrubar o governo da Venezuela e tem a Bolívia na sua alça da mira, juntamente com a Rússia e o Irão.
Margot Wallstrom, ministra sueca dos Negócios Estrangeiros, disse: "Entristece-me que os EUA tenham decidido retirar-se do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Ela vem num momento em que o mundo precisa de mais direitos humanos e uma ONU mais forte – não o oposto". Por que razão Wallstrom pensa que a presença de Washington, um conhecido destruidor de direitos humanos – basta perguntar aos milhões de refugiados dos crimes de guerra de Washington que inundam a Europa e a Suécia – fortaleceria ao invés de minar o Conselho? A desconexão de Wallstrom é estarrecedora. Ela é tão extrema que se torna inacreditável.
A ministra dos Negócios Estrangeiros da Austrália, Julie Bishop, falou como o mais bajulador de todos os vassalos de Washington quando disse estar preocupada com o "viés anti-Israel" do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Aqui temos uma pessoa com o cérebro lavado tão absolutamente que é incapaz de se conectar a qualquer coisa real.
O terceiro exemplo é a "guerra comercial" que Trump lançou contra a China. A afirmação do regime de Trump é que devido a práticas injustas a China tem um excedente comercial contra os EUA de aproximadamente US$400 mil milhões. Esta vasta soma supostamente deve-se a "práticas injustas" por parte da China. Nos fatos reais, o déficit comercial com a China deve-se à Apple, Nike, Levi e ao grande número de corporações dos EUA que deslocalizaram na China a produção das mercadorias que vendem aos americanos. Quando a produção deslocalizada de corporações estadunidenses entra nos EUA elas são contadas como importações.
Tenho apontado isto durante muitos anos, remontando mesmo ao meu testemunho perante a Comissão China do Congresso dos EUA. Tenho escrito numerosos artigos publicados por quase toda a parte. Eles estão resumidos no meu livro de 2013, The Failure of Laissez Faire Capitalism .
Os media financeiros presstitutos, os lobistas corporativos, os quais incluem muitos economistas acadêmicos com "nome", e os miseráveis políticos americanos cujo intelecto é quase não-existente são incapazes de reconhecer que o déficit comercial maciço dos EUA é o resultado da deslocalização de empregos. Este é o nível da estupidez absoluta que domina a América.
Em The Failure of Laissez Faire Capitalism, revelo o erro extraordinário de Matthew J. Slaughter, membro do Conselho de Assessores Econômicos de George W. Bush, o qual de modo incompetente afirmou que para cada emprego estadunidense deslocalizado seriam criados dois empregos nos EUA. Também revelei como uma farsa um "estudo" do professor Michael Porter da Universidade de Harvard feito para o chamado Conselho sobre Competitividade, um grupo de lobby para a deslocalização, o qual fabricou a afirmação extraordinária de que a força de trabalho dos EUA estava a beneficiar-se com a deslocalização dos seus empregos de alta produtividade e alto valor acrescentado.
Os idiotas economistas americanos, os idiota media financeiros americanos e os idiotas responsáveis políticos americanos ainda não compreenderam que a deslocalização de empregos destruiu perspectivas econômicas da América e empurrou a China para o primeiro plano 45 anos à frente das expectativas de Washington.
Para resumir isto, a mentalidade ocidental e as mentalidades dos russos atlantistas-integracionistas e da juventude chinesa pró-americana, estão tão cheias de insensatez propagandista que já não há conexão com a realidade.
Há o mundo real e há o mundo propagandístico inventado que encobre o mundo real e serve interesses especiais. Minha tarefa é fazer com que o povo saia do mundo inventado e entre no mundo real. Apoio meus esforços.
Fonte: Resistir.info

segunda-feira, 23 de julho de 2018

O Comunismo

Moscou, 1978

Via Esquerda Caviar

“O comunismo, senhoras e senhores, eu digo sem hesitar, o comunismo trouxe reforma agrária e serviços sociais, uma dramática melhora nas condições de vida de centenas de milhões de pessoas numa escala nunca antes ou nunca desde então testemunhada na história da humanidade e isso é algo a se apreciar. 

O comunismo transformou países desesperadamente pobres em sociedades onde todos tinham alimentação adequada, abrigo, cuidados médicos e educação. Alguns de nós que vieram de famílias pobres, que carregam as feridas de classe, estão muito impressionados, estão muito, muito impressionados com essas conquistas e não estão dispostos a descartá-las como economistas. Dizer que o socialismo não funciona é negligenciar o fato de que ele funcionou e funcionou para centenas de milhões de pessoas. 

“Mas e os direitos democráticos que eles perderam?” 

Ouvimos líderes estadunidenses falando sobre "restaurar a democracia aos países comunistas", mas esses países, com exceção da Tchecoslováquia, não eram democracias antes do comunismo. Rússia era uma autocracia Czarista. Polônia era uma ditadura fascista de direita sob Piłsudski, com seus próprios campos de concentração. Albânia era um protetorado fascista italiano já em 1927. Cuba era uma ditadura financiada pelos EUA, sob o açougueiro Batista. Lituânia, Hungria, Romênia e Bulgária eram regimes completamente fascistas, abertamente aliados da Alemanha nazista na Segunda Guerra. 

Então, de que democracia exatamente estamos falando em restaurar?”. 


Moscou, 1973
A Rosa

Michael Parenti, palestra completa em inglês: https://www.youtube.com/watch?v=BYVes44hcJg

sexta-feira, 8 de junho de 2018

PT LANÇA VAQUINHA PARA ELEGER LULA PRESIDENTE



O PT lançou nesta quarta-feira, 6, uma campanha online de arrecadação de recursos para financiar a candidatura do ex-presidente Lula, que lidera todas as pesquisas de intenções de votos para Presidência e é mantido como preso politico desde o dia 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba; apoiadores do ex-presidente poderão fazer doações a partir de R$ 10, com pagamentos por meio de cartões de débito, crédito e boleto bancário.

O Partidos dos Trabalhadores lançou nesta quarta-feira, 6, uma campanha online de arrecadação de recursos para financiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera todas as pesquisas de intenções de votos para Presidência e é mantido como preso politico desde o dia 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba. 

"Você conhece o Brasil com Lula: um país com emprego, inclusão social, crescimento e oportunidades para todos. Um país que dava orgulho aos brasileiros e brasileiras e despertava a admiração do mundo inteiro. Agora, você está vendo esse mesmo Brasil andar para trás: com desemprego, a volta da fome, aumento da violência, ataque aos nosso direitos e até ao meio-ambiente. Tudo isso feito pelo desastroso governo Temer e seus aliados", diz texto de apresentação da campanha.
Os apoiadores do ex-presidente poderão fazer doações a partir de R$ 10, com pagamentos por meio de cartões de débito, crédito e boleto bancário. Clique aqui para fazer a doação. 

terça-feira, 5 de junho de 2018

terça-feira, 29 de maio de 2018

MANIFESTO INTERNACIONAL PEDE A LIBERDADE DE LULA



Via Brasil 247

Trezentos acadêmicos e intelectuais acabam de lançar um manifesto intitulado "Lula da Silva é um prisioneiro político. Lula Livre!"; o documento declara que a comunidade internacional deve pedir sua imediata libertação. O manifesto é assinado por juristas, intelectuais e acadêmicos de grande peso, como  Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos e Slavoj Žižek.

Trezentos acadêmicos e intelectuais acabam de lançar um manifesto intitulado "Lula da Silva é um prisioneiro político. Lula Livre!", denunciando a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A petição discute em detalhe a natureza arbitrária do processo conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro contra Lula, afirmando que ele é nada menos do que um prisioneiro político. O documento declara que a comunidade internacional deve tratá-lo como tal e demanda sua imediata libertação. O manifesto é assinado por juristas, intelectuais e acadêmicos de grande peso, como  Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos, Slavoj Žižek, Karl Klare e Friedrich Müller.

O manifesto é apoiado por acadêmicos e intelectuais de todo o mundo, mas principalmente dos EUA e da Europa. Ele será traduzido para outras línguas e está aberto para apoio acadêmico adicional no site https://chn.ge/2kpoxzi.

A petição declara que "os abusos do poder judiciário contra Lula da Silva configuram uma perseguição política mal disfarçada sob manto legal. Lula da Silva é um preso político. Sua detenção mancha a democracia brasileira. Os defensores da democracia e da justiça social no Oriente e no Ocidente, no Norte e no Sul do globo, devem se unir a um movimento mundial para exigir a libertação de Lula da Silva."
O manifesto é endossado por juristas mundialmente famosos, tais como Karl Klare, Friedrich Müller, António José Avelãs Nunes e Jonathan Simon. Eminentes pesquisadores do poder e da perseguição judicial (Lawfare), como John Comaroff, Eve Darian-Smith, Tamar Herzog e Elizabeth Mertz, também são apoiadores.
Adicionalmente, a petição é subscrita por intelectuais de renome global como Tariq Ali, Robert Brenner, Wendy Brown, Noam Chomsky, Angela Davis, Axel Honneth, Fredric R. Jameson, Leonardo Padura, Carole Pateman, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos e Slavoj Žižek.
Sociólogos proeminentes como Fred Block, Mark Blyth, Michael Burawoy, Peter Evans, Neil Fligstein, Marion Fourcade, Frances Fox Piven, Michael Heinrich, Michael Löwy, Laura Nader, Erik Olin Wright, Dylan Riley, Ananya Roy, Wolfgang Streeck, Göran Therborn, Michael J. Watts e Suzi Weissman também assinaram o manifesto.
O documento é apoiado por especialistas reconhecidos e diretores de centros de pesquisa em Estudos Latino-Americanos como Alex Borucki, Aviva Chomsky, Brodwyn Fischer, Barbara Fritz, James N. Green, Victoria Langland, Mara Loveman, Carlos Marichal, Teresa A. Meade, Tianna Paschel, Erika Robb Larkins, Aaron Schneider, Stanley J. Stein e Barbara Weinstein.
Ademais, é endossado por economistas globalmente reconhecidos como Dean Baker, Ha-Joon Chang, Giovanni Dosi, Gérard Duménil, Gary Dymski, Geoffrey Hodgson, Costas Lapavitsas, Marc Lavoie, Thomas Palley, Robert Pollin, Pierre Salama, Guy Standing, Robert H. Wade e Mark Weisbrot.