LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

ABC sobre o socialismo e a medicina em Cuba

Créditos: Araquém Alcântara

Via Desmascarando


Mastigadinho pra explicar para os parentes mongoloides que não entendem o que é o socialismo: Em Cuba, a medicina NÃO É uma profissão liberal. Não tem médico trabalhando por conta própria, não tem médico abrindo clínica, não tem médico em hospital particular. Todo hospital cubano é PÚBLICO, é DE GRAÇA, e TODOS os médicos cubanos são FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS. 

Portanto, o Brasil não paga "salário" aos médicos cubanos. Não existe essa porra de "pagar salário integral" que o Bolsonaro diz. O Brasil paga uma MENSALIDADE à Organização Panamericana de Saúde, um órgão transnacional que media a permanência dos médicos cubanos aqui, pra que aqui eles sigam trabalhando. A OPAS recebe essa quantia do governo brasileiro, repassa para o Ministério da Saúde Pública de Cuba, do qual TODOS os médicos são funcionários, e daí uma parte desse monte vira imposto, e uma parte compõe o pagamento dos médicos. 

"Ah mas são 11 mil reais e o médico ganha só 4". Claro, porque esta porra NÃO é salário deles. Desses 11 mil reais, a maior parte é imposto, que volta pra Cuba pra bancar inclusive UNIVERSIDADE, formação de mais estudantes de medicina. Lá ninguém paga mensalidade, não existe faculdade Estácio de Sá em Cuba! 

O Bolsonaro não tava tentando melhorar nada pros médicos (até porque ele caga solenemente pra eles), ele estava tentando aplicar a lógica de trabalho capitalista a um funcionário de um governo socialista. Fazer os médicos cubanos abandonarem o país que os formou, alimentou, ensinou, tudo DE GRAÇA, e ao qual eles servem, em troca de trabalhar aqui como funcionário brasileiro. É óbvio que isso não ia dar certo, é óbvio que não seria aceito, nem pelo governo nem pelos profissionais, que continuam não sendo empregados do Brasil, mas do ministério da saúde CUBANO.

Como Bolsonaro mente e manipula para enganar sobre o Mais Médicos

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



Jair Bolsonaro sequer tomou posse como presidente da República e já tem uma crise na saúde pública, causada por suas próprias declarações, para resolver: a saída dos médicos cubanos do programa Mais Médicos. Quando os cubanos representavam quase 90% do quadro de profissionais do programa, o Mais Médicos atingia 60 milhões de brasileiros.

O Ministério da Saúde de Cuba anunciou o fim da cooperação técnica entre os países na quarta-feira (14). A nota que justifica a decisão culpa os ataques de Bolsonaro, sempre ameaçando as diretrizes do programa por questões ideológicas e colocando a formação dos profissionais em xeque. 

Nas redes sociais, Bolsonaro reagiu à decisão chamando Cuba de "irresponsável" e inventou uma narrativa para contornar o problema gerado com a saída de 8 mil médicos cubanos que alcançavam, hoje, 23 milhões de brasileiros, segundo dados divulgados pelo El País nesta quinta (15). 

Aos seus seguidores, o presidente eleito disse que Cuba não aceitou melhorar o Mais Médicos. Ele afirmou ter oferecido acabar com o suposto pagamento parcial ao governo cubano, que ficaria com parte do salário dos médicos em missão no Brasil, além de impôr um "teste de capacidade" aos cubanos.

No Twitter, o médico de Recife (PE) Thiago Silva, que atua em São Paulo, desconstruiu a declaração de Bolsonaro:

Por Thiago Silva*


1- Salário dos Médicos

A- Cuba faz cooperação com 66 países em todo o Globo, inclusive europeus. Sabe como isso começou? Com a brigada Henry Reeve criada em 2005 como forma de ajuda humanitária pra atender as vítimas do Furacão Katrina nos EUA. Fidel chamou centenas de médicos e pediu que se organizasse a brigada. EUA negaram a ajuda. A brigada permaneceu mobilizada pois em pouco tempo haveria a crise em Angola e terremoto no Paquistão.

Na maioria dos países que faz parceria, Cuba envia médicos e medicamentos DE GRAÇA, sem cobrar dos países. Isso aconteceu em Angola, no Nepal, Haiti, Congo, e tantos outros países pobres do Mundo. Quem arcava com os custos? O próprio governo cubano

B - E como o governo Cubano fazia, já que é vítima de um Bloqueio Econômico há décadas, uma ilha pequena do Caribe que não consegue nem produzir a própria energia, pelas características de seu território? Alguns países começaram a oferecer trocas pela Força de Médicos.

A Venezuela ofereceu petróleo. Alguns países europeus começaram a pagar mesmo diretamente pro governo Cubano. E essa parceria virou uma fonte de renda pra Ilha, com impacto em suas contas públicas, dado o volume de médicos atuando no mundo todo.

C- E como funciona o pagamento? 

Cuba abre edital via uma empresa Estatal para contratar os médicos. Eles podem se oferecer Ou não. As condições salariais e os países são conhecidos PREVIAMENTE por todos ANTES de assinarem contrato. Contrato. Conhecem? Pois é.

A maior parte do "salário" pago fica com o governo Cubano? Sim e não.
Sim porque se você pegar o total de recurso destinado ao programa e dividir pelo número de médicos vai ser menor. Mas NÃO porque não são os governos CONTRATANTES os responsáveis pelo salário dos Cubanos

Quem é responsável pelo salário dos Cubanos é.... a Estatal com a qual eles assinaram contrato! Simples! Ela é responsável por lesão corporal, por invalidez, por seguro, por assistência a família em caso de morte, etc . Cubanos morreram aqui. Sabe o que fez o governo brasileiro? Nada. Pois é. Quem cuida das famílias e repassa dinheiro para famílias é a estatal. 

Além disso, o "diferença salarial" não vai pra financiar outra coisa que não a Saúde e Educação de todo povo cubano. Detalhe, eles tem isso DE QUALIDADE e de GRAÇA pra todos lá viu?

Ou seja, o "salário" dos médicos fora de Cuba (quando estão em países que pagam, que não são a maioria) sustenta os direitos sociais de todos os moradores da ilha. É uma fonte de renda pro povo. Impacta o PIB. Como vender nióbio a preço de banana pra canadense, saca?

Sabe quantos médicos Cubanos saíram do programa revoltados com o que é feito com o salário? Um total de .... 1! Isso mesmo. Uma cubana que foi comprada e sustentada pela AMB numa época pra criar uma campanha vergonhosa contra o mais médicos.

Houveram algumas deserções, como sempre há, já que tem médicos cubanos que acham que vão enriquecer de medicina nos EUA. Claro que tem. Em todo canto do mundo tem gente que não de importa em pensar no próprio umbigo. Mas foram uma minoria irrisória.

2- Revalidação de diplomas

Essa é uma piada. Cuba manda médicos pra 66 países, sabe o único que teve gente cobrando isso? Pois é, o Brasil. Ainda tem o disparate de dizer que eles não são médicos, quando tem norte-americano pegando lancha e indo pra Cuba se tratar.

Mesmo assim, por conta dessa pressão, os Cubanos foram avaliados quando chegaram aqui, com a aprovação da lei. Avaliados pela fluência no Português e questões de Medicina. Foram avaliados por Professores e Preceptores de medicina brasileiros, a maioria de Universidades federais

É claro que teve gente reprovada. É claro que vieram no meio dos 14 mil médicos ruins, medianos, bons e excelentes. Mas você acha que entre 14 mil brasileiros viriam apenas médicos bons? Anham. Sou Chefe de um pronto socorro do SUS onde só tem brasileiro, e vejo isso todo dia.

3- Impacto

700 municípios brasileiros não tinham uma ALMA DE LENÇOL BRANCO nem pra confundir com Médicos. Os números do mais Médicos são ACACHAPANTES. 63 milhões de pessoas cobertas. 4 mil municípios. Hoje em mais de 1500 municípios só tem Cubano.

Lembram disso aqui?  

Médicos Patriotas em ação

Pois é. O escândalo das digitais de ponto, em que médicos falsificavam a entrada nos serviços de Saúde.

Muitos pequenos municípios no interior vão voltar a depender deste tipo de colega, infelizmente. 

Parabéns aos envolvidos.

*Thiago Silva é "médico recifense, radicado em São Paulo".

Caiu na rede: médicos patriotas estão convocados para substituir os comunistas cubanos em aldeias sem shopping!


Cadê os brasileiros patriotas pra ingressarem no Mais Médicos? Eles preferem ficar onde tem shopping center?

Via DCM

terça-feira, 13 de novembro de 2018

GOVERNO BOLSONARO INICIA PERSEGUIÇÃO AO ESTILO CCC NOS BANCOS FEDERAIS





O governo Jair Bolsonaro nem começou mas já inicia uma campanha de caça a funcionários que não rezem pela cartilha do bolsonarismo nos bancos federais. O levantamento dos nomes a serem perseguidos está sendo feito por “grupos voluntários” de funcionários de carreira do Banco do Brasil (BB), da Caixa Econômica Federal (CEF), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Nordeste (BNB) e do Banco da Amazônia (BASA). A ação lembra as campanhas do Comando de Caça aos Comunistas (CCC) durante a ditadura militar (aqui). O método é o mesmo. Eles agem sob orientação direta da equipe de Paulo Guedes "e dos generais da reserva que atuam na organização do próximo governo", segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo (aqui). diz-se, na equipe de Bolsonaro, que as Universidades federais serão o próximo alvo.

O CCC funcionava com "voluntários" que perseguiam os opositores ao regime sob a coordenação dos militares. Nos primórdios do grupo, a principal função era exatamente a que está sendo realizada agora por funcionários dos bancos federais: delatar pessoas. O Comando de Caça aos Comunistas (CCC) foi fundado pelo policial civil e estudante de Direito Raul Nogueira de Lima, que se tornaria depois torturador no DOPS conhecido como "Raul Careca". Coincidentemente, o CCC nasceu no ano que antecedeu o golpe militar de 1964 -como a atividade de delação surge agora no ano que precede a posse de Bolsonaro.
Segundo os jornalistas Tânia Monteiro e Leonencio Nossa, "a equipe do presidente eleito, Jair Bolsonaro, pretende fazer um pente-fino nas próximas semanas no que classifica como “aparelhamento” dos bancos federais nas gestões do MDB e do PT". O termo "aparelhamento" é um substituto para "comunista" ou "corrupto", os termos usados nas perseguições durante o regime militar. 
Há um objetivo importante na ação o de conseguir a acomodação na máquina estatal para os bolsonaristas. Não à toa, que os cargos e mira são os de maior salário: "Eles começaram a preparar relatórios sobre quem é quem em cargos com salários entre R$ 30 mil e R$ 60 mil". 
A campanha persecutória não se restringirá aos bancos estatais. A equipe de Guedes e dos generais quer uma uma "a lista de apadrinhados em toda a máquina pública". Além das delações, o futuro governo solicitou uma triagem à Secretaria de Governo de Temer, chefiada atualmente por Carlos Marun.
Um dos alvos principais do pente-fino será o Banco do Brasil. Não há sequer o pudor de disfarçar a perseguição política. O grupo de funcionários-delatores "que prepara um relatório sobre a situação do banco para apresentar à equipe de Bolsonaro está mirando especialmente executivos de carreira da instituição que foram nomeados durante os governos petistas e sobreviveram às 'limpezas partidárias' de Temer" informa a reportagem.
Colaborativo, Carlos Marun, disse aos repórteres Monteiro e Nossa que vai repassar para a equipe de transição a lista de cargos de “livre provimento” com data de nomeação: “Facilmente, o grupo de Bolsonaro poderá saber quais foram as nomeações feitas no nosso governo, que entrou em maio de 2016, e quem foi nomeado antes, que eram basicamente do PT. Pode ter gente sim do PT que não foi trocada”, disse. “As nomeações do nosso governo são de nossa responsabilidade.”
As direções das instituições estão em silêncio. Não se manifestaram sobre o processo de caça às bruxas. Foi assim durante o regime militar também.

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Como prender os corruptos sem destruir a Economia. Tarados do cadafalso ajudam a eleger o Bolsonaro.



O renomado advogado Walfrido Warde lançou pela editora Leya “O espetáculo da corrupção“.
É uma instigante e competente tentativa de combater a corrupção sem destruir a Economia.
A pressão faz parte da Democracia. O desafio é regular a pressão e torná-la acessível a todos e não só às empresas em busca de governantes corruptos e negócios da China.
Warde propõe a legalização do lobby no formato americano, com restrições e transparência para evitar que se torne uma usina de corrupção.
O balanço do “sistema” Lava Jato e o que ele chama de “tarados do cadafalso” é uma tragédia.
A relação entre os prejuízos que causou e o que vai recuperar é um abismo.
Warde critica o sistema brasileiro de regular os acordos de leniência - falta um guichê único - e faz interessante distinção entre o combate à máfia nos Estados Unidos e na Itália.
Essa entrevista à TV Afiada é uma introdução valiosa ao livro imperdível.

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Acusado de abuso por CPI da Pedofilia denuncia senador Magno Malta. O cobrador Luiz Alves de Lima, preso após exposição na CPI, foi inocentado pela Justiça.



Com o objetivo de ganhar os holofotes da mídia na véspera de disputar a reeleição para o Senado, em 2010, o senador Magno Malta (PR) é acusado de usar uma menina de dois anos e seus pais. O pai respondeu por estupro à criança e a mãe por ter sido conivente com o fato. 
O senador colocou o caso na mídia do Estado e do país na época, ganhando espaço até na imprensa internacional, legitimando a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, rebatizada de CPI dos Maus-Tratos, da qual ainda é presidente.  
Seu alvo principal foi o então cobrador de ônibus Luiz Alves de Lima, à época com 35 anos, acusado de ter violentado a própria filha, então com dois anos. O acusado passou nove meses preso, até ser declarado inocente pela Justiça. Luiz mora em Vitória.
Tortura física
Luiz Alves de Lima relata que foi torturado fisicamente nas dependências do Centro de Detenção Provisória de Cariacica (CPDC), até quase ser morto. Dentre as práticas de tortura a que foi submetido no local, aponta asfixia com sacola na cabeça; choques elétricos, principalmente no órgão genital; e surras. 
Matéria completa com vídeo no site Século Diário (só para quem tem estômago forte)

Caiu na rede: “E o kit gay?”


terça-feira, 30 de outubro de 2018

"Dias Toffoli, presidente do STF, diz que Bolsonaro é ‘pessoa alegre e bem humorada’ e espera encontro"


Via DCM
De Mariana Oliveira e Luiz Felipe Barbiéri da TV Globo e G1.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, afirmou nesta segunda-feira (29) que o presidente da República eleito, Jair Bolsonaro (PSL), é uma pessoa “alegre e bem humorada”. Segundo Toffoli, os dois devem se encontrar na próxima semana.
Ainda na noite deste domingo (28), após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar o resultado da eleição, Toffoli telefonou para Bolsonaro e o parabenizou pela vitória no segundo turno.
Conforme o TSE, Bolsonaro recebeu 57,7 milhões de votos (55,13%) e Fernando Haddad (PT), 47 milhões de votos (44,87%).
Capitão da reserva do Exército, Bolsonaro é deputado federal desde 1991 e disputou da Presidência da República pela primeira vez.
Logo após a confirmação do resultado, afirmou que fará o governo “defensor da Constituição, da democracia e da liberdade”.
(…)
Questionado nesta segunda-feira se o Poder Judiciário tem algum pedido a Bolsonaro, Dias Toffoli disse que a hora é de ouvir.
Relatou, em seguida, que ele e a presidente do TSE, Rosa Weber, telefonaram para Bolsonaro na noite de domingo (28).
(…)

A fleuma bolsonarista: DEPUTADO DO PSL AMEAÇA JORNALISTA: SENTIRÃO A MÃO PESADA DO ESTADO


Via Brasil247


O deputado federal eleito Márcio Labre (PSL-RJ) aproveitou a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) neste domingo (28) para disparar ameaças contra jornalistas e opositores. Pelas redes sociais, ao responder o jornalista João de Andrade Neto, do Diário de Pernambuco, Labre disse que quem tentar 'sabotar o país' sofrerá as consequências.

O jornalista havia dito que a democracia não se resumia ao processo eleitoral e foi, em seguida, respondido pelo deputado eleito.

"Só avisando, se transgredir a lei e a ordem, vai conhecer a mão pesada do estado. Vencemos a eleição de forma soberana, vamos governar para todos e respeitar a constituição. Não gostou? Enfia o dedo naquele lugar e rasga, mas se tentar sabotar o país, haverão (sic) consequências", disse Labre, sem explicar que tipo de consequências poderiam acontecer.

A fleuma bolsonarista: Paulo Guedes destrata jornalista que perguntou sobre o Mercosul

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Para conhecer o Bolsonaro racista, homofóbico, misógino e fascista



Tudo sobre Bolsonaro acessem:  

Um canalha à porta do Planalto


Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável. Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro.
1. Carlos Alberto Brilhante Ustra foi um dos maiores, senão mesmo o maior torcionário, no tempo da ditadura militar que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985.
Em 2008 foi o primeiro oficial condenado por sequestro e tortura. Comprovadamente, maltratou física e psicologicamente centenas de pessoas e chegou ao limite de obrigar crianças a presenciarem o dilacerante espectáculo do espancamento dos respectivos progenitores.
Nunca reconheceu os seus crimes nem manifestou o mais leve arrependimento pelos seus actos desumanos.
Era um canalha. Morreu em 2015, em Brasília, na cama de um hospital.
Foi precisamente este torcionário miserável que o então deputado federal Jair Bolsonaro homenageou no momento em que votou a favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff.
Nessa ocasião, Bolsonaro pronunciou uma declaração que o define integralmente: dedicou o seu voto à “memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff”.
É impossível imaginar, naquele contexto, uma afirmação mais vil, um comportamento mais indigno, uma atitude mais asquerosa. Bolsonaro revelou-se ali o que ele verdadeiramente é: um canalha em estado puro.
O que é um canalha em estado puro?
É alguém que contraria qualquer tipo de critério moral e se coloca num plano comportamental pré ou anticivilizacional.
Quem elogia o torturador de uma jovem mulher absolutamente indefesa atribui-se a si próprio um estatuto praticamente sub-humano.


Bolsonaro é dessa estirpe, desse rol de gente que leva à interrogação sobre o que subsiste de humano no homem que literalmente se desumaniza.

Theodore Adorno levou essa questão até ao limite do pensável, quando formulou a sua célebre afirmação: “escrever um poema depois de Auschwitz é um acto bárbaro e isso corrói até mesmo o conhecimento de porque se tornou impossível escrever poemas”.

E, contudo, a poesia sobreviveu. O Homem resiste ao que de desumanizador ele inscreve na história. Isso não é razão para renunciar à denúncia da barbárie.
A barbárie tem muitos rostos: é estúpida, boçal, intolerante, sectária, fanática, simplista, racista, xenófoba, homofóbica, sexista, classista, irremediavelmente preconceituosa, inevitavelmente primária.

Jair Bolsonaro é um dos rostos perfeitos dessa barbárie em versão actual.

Tudo nele aponta para a pequenez: é um ser intelectualmente medíocre, eticamente execrável, politicamente vulgar.

Nele observa-se uma prodigiosa ausência de qualquer tipo de grandeza e uma assustadora presença de tudo quanto invalida um cidadão para o desempenho da mais humilde função pública.

Por isso mesmo ele é extraordinariamente perigoso: é a expressão quase exemplar do homem sem qualidades subitamente erigido a um papel de liderança.

Bolsonaro não é Hitler, não é Mussolini, não é sequer Franco.

Em bom rigor, se quisermos ater-nos a um debate intelectual de natureza escolástica, ele não é bem a representação do fascismo.

Há nele, contudo, na dimensão medíocre que a sua pobre personalidade proporciona, tudo aquilo de que a tradição fascista historicamente se alimentou.

O anti-iluminismo, a exaltação sumária da unicidade nacional, a apologia da violência, o culto irracional do chefe.

Bolsonaro é pouco mais do que um analfabeto ideológico com todos os perigos que isso mesmo encerra.

Ele e a sua prole de jovens tontos significam hoje o maior perigo com que se depara o mundo ocidental.

2. Alguns analistas políticos, uns por ignorância, outros por má-fé, tentam convencer-nos que os brasileiros terão de escolher nas eleições presidenciais entre a cólera e a peste.

Isso não corresponde minimamente à verdade. Equiparar Haddad a Bolsonaro constitui um acto moral e politicamente inqualificável.

Quem o faz torna-se cúmplice de Bolsonaro, da sua vertigem proto-fascista, da sua propensão para o culto da violência.

É por isso que não pode haver hesitações neste momento da história do Brasil e, de uma certa maneira, da própria história da Humanidade.

Haddad é um intelectual sofisticado, um democrata respeitador dos princípios fundamentais das sociedades abertas e pluralistas, um homem de reconhecida integridade cívica e moral.

O PT cometeu erros nos anos em que governou o Brasil? Cometeu decerto, como todos os demais partidos que desempenharam funções governativas durante muito tempo em qualquer parte do mundo.

Há, porém, uma coisa que é preciso afirmar enfaticamente nesta hora especialmente dramática: nem Lula, nem Dilma Rousseff alguma vez puseram em causa o Estado de Direito brasileiro.

Ambos pugnaram por um Brasil mais justo e contribuíram fortemente para o alargamento das condições de afirmação da liberdade individual de milhões de brasileiros a quem o destino aparentava não conceder outra vida que não fosse a miséria, o sofrimento e absoluta exclusão social.

Fizeram-no sempre no respeito pelas regras da democracia liberal, enfrentando a hostilidade de uma comunicação social globalmente desfavorável e os ferozes ataques dos grandes oligopólios económicos.

Muitas vezes é difícil percebermos o que isso significa a partir de uma perspectiva europeia.

Mas quem viajou dezenas de vezes para a América Latina, como eu fiz nos últimos anos, sabe bem o que isso traduz naquele sacrificado continente.

Ali, ser pobre corresponde a ser muito mais pobre do que no nosso velho continente europeu; ali, ser mulher, ser homossexual, ser indígena, ser desempregado, ser mãe solteira, comporta uma carga sem correspondência com o que se passa no mundo que nós próprios habitamos.

Uma vitória de Bolsonaro significaria um retrocesso civilizacional para o Brasil e para o mundo.

Não estamos, por isso, a falar de um confronto político e ideológico normal.

Estamos perante um verdadeiro confronto entre a civilização, por mais ténue que esta seja, e a barbárie. Haddad é hoje mais do que Haddad, é mais do que o PT, é mesmo mais do que o Brasil.

Haddad é o símbolo da luta da razão crítica contra o obscurantismo, da liberdade face ao despotismo, da aspiração igualitária diante do culto das hierarquias de base biológica ou social.

É por isso que este combate nos interpela a todos. Estamos perante um momento de divisão clara entre o que no Homem há de apelo à razão, ao culto da liberdade, ao sentido da fraternidade, e o que no mesmo Homem há de impulso básico para o autoritarismo, a servidão e a anulação da inteligência crítica.

Há horas na história em que tudo se reconduz a uma dicotomia simples que é ela própria o oposto de uma redução ao simplismo.

Sejamos claros, no Brasil, hoje, a opção é evidente: Haddad significa a civilização, Bolsonaro representa a barbárie.

3. Fernando Henrique Cardoso tem a absoluta obrigação de se pronunciar num momento decisivo da vida do seu país.

Este é o momento em que verdadeiramente se ajuizará do seu papel histórico.

Até aqui prevaleceu a figura do intelectual brilhante, do ministro das finanças eficaz, do Presidente da República naturalmente polémico, mas reconhecidamente superior.

O seu passado responsabiliza-o especialmente nas presentes circunstâncias históricas.

Fernando Henrique Cardoso tem a obrigação moral de apoiar Haddad.

Se o não fizer apoucar-se-á perante os seus contemporâneos e sobretudo diante dos futuros historiadores do Brasil.

*Eurodeputado do Partido Socialista de Portugal

Leia também:

domingo, 14 de outubro de 2018

O que você precisa saber sobre o “kit gay”. Por Silvia Amélia

Bolsonaro e livro da Cia das Letras: Após polêmica envolvendo candidato, editora relançará o livro (Reprodução/GloboPlay)

Via DCM
Por Silvia Amélia
1) Nunca existiu algo chamado ”kit gay” em nenhum governo.
2) Em 2011 foi encomendado e produzido um material chamado ”Escola sem homofobia”. Mas setores conservadores do Congresso protestaram e esse material NUNCA chegou a ser entregue nas escolas. Repetindo, não foi entregue, então tudo o que se diz que chegou até uma escola como sendo um ‘’ kit gay’’ do governo federal é mentira.
3) Mas vamos entender melhor o que aconteceu, se tem alguma verdade nas Fake News sobre o assunto que todo mundo já recebeu. Fernando Haddad era Ministro da Educação no momento? Sim, ele era. Veio do MEC a ideia de produzir o material? Não. Foi a Comissão de Direitos Humanos da Câmara que fez a proposta e o Ministério Público que cobrou do MEC tomar a providencia. E então o MEC contratou uma ONG especializada no assunto para produzir o material.
4) Agora vamos entender como isso virou um escândalo. Enquanto o material ainda estava na mesa do Haddad para a aprovação políticos conservadores como Magno Malta e Garotinho começaram a espalhar mentiras. Destacando: eles inventaram coisas sobre algo que eles não conheciam e não sabiam do que se tratava já que o material ainda estava em fase de aprovação.
Uma das primeiras estratégias foi pegar um material produzido pelo Ministério da Saúde para caminhoneiros e prostitutas sobre prevenção da AIDS e outras DSTS e espalhar que aquilo era o material do MEC para as escolas. Claro que a linguagem desse material do Ministério da Saúde era inadequada para crianças já que servia a outro propósito.
5) Como essa história termina? No ano seguinte, quando Dilma assumiu a presidência, diante de toda a confusão, ela simplesmente vetou o material. Que nunca chegou a nenhuma escola.
6) Mas novas mentiras sobre o que seria esse kit gay surgem a todo momento. O que acontece é que existem inúmeros materiais sobre educação sexual para crianças e adolescentes que são produzidos por editoras comerciais e vendidos em livrarias do Brasil e do mundo para os pais e as mães que quiserem comprar.
Só que pessoas mal intencionadas compram algum desses livros que consideram ”inadequados” e fazem vídeos falando que aquele livro foi distribuído pelo governo num kit gay para crianças pequenas. Mas não foi. Repetindo, todos os materiais do projeto Escola sem Homofobia, devido à pressão conservadora, nunca foram levados até as escolas.
Importante destacar que o livro mostrado pelo Bolsonaro no Jornal Nacional NUNCA foi distribuído pelo MEC. O livro foi publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Bolsonaro sabe que não se trata de material do MEC, ele já foi por diversas vezes alertado sobre isso. Ele mente porque sabe que funciona, sua popularidade aumenta a cada vez que ele se mostra indignado com algo que ele mesmo sabe que é mentira.
7) Mas afinal de contas o que tinha nesse material Escola Sem Homofobia? Que ótimo que você se perguntou isso. Neste link você pode ver os três vídeos, a cartilha voltada para os professores e os materiais deste projeto que, lembrando, nunca chegou até as escolas. Leia, assista e tire suas conclusões.

8.) Se você pegar o material para analisar vai ver que ele não contém nenhum tipo de pornografia. Uma das mentiras divulgadas sobre ele é um desenho de dois adolescentes tendo relações sexuais. Isso é uma invenção maldosa, aquela ilustração jamais fez parte deste projeto.
9) Esse material, que nunca chegou a se distribuído, era voltado para adolescentes e pré adolescentes, alunos de ensino médio e segunda etapa do fundamental, não para crianças pequenas, da educação infantil ou primeira etapa do fundamental (antigo primário). O objetivo era ensinar o respeito e combater a violência homofóbica muito comum nas escolas brasileiras.

10) Os materiais do Escola sem Homofobia não tinha nenhum tipo de objeto erótico, nada de ‘‘mamadeira com bico em formato de pênis para ser distribuído para crianças de 6 anos alunas de creches’’. Gente, pelo amor de Deus, como vocês acreditam nisso? Crianças de 6 anos não usam mamadeira, não estudam em creches e NINGUÉM viu esse objeto em nenhuma escola ou creche do Brasil. Isso é uma das mentiras mais toscas já inventadas e infelizmente milhões de pessoas acreditaram.