LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Vítimas pouco conhecidas da loucura nazista. Nos anos em que Hitler dominou a Noruega, o Projeto Lebensborn de "pureza racial" foi levado a cabo no país.



A exposição “Mãe Alemã: Você Está Pronta?”, organizada na cidade de Delmenhorst, trata da vida cotidiana nas unidades da Lebensborn durante o período nazista. Ao lado da figura de uma mãe que amamenta o filho, está uma frase de Hitler: “Cada criança que uma mãe traz ao mundo significa uma batalha vencida para a continuidade do seu povo.”
Na Alemanha nazista, o Projeto Lebensborn foi um dos diversos programas lançados por Heinrich Himmler, braço direito de Hitler e arquiteto do holocausto, destinados a provar e consolidar a teoria nazista da “raça pura” – a raça ariana. Quando acabou a Segunda Guerra Mundial, soube-se que tal programa consistia na criação de residências secretas para que homens e mulheres “racialmente puros” copulassem. As crianças nascidas no âmbito do programa seriam criadas e educadas pelo Estado alemão, e destinadas a formar o núcleo de uma “raça forte”, puramente ariana. Administrada pela SS, a política do Lebensborn foi imposta também a outros países europeus, entre os quais a Noruega e a Polônia.
Encerrada há mais de 60 anos, a Segunda Grande Guerra é, para os mais novos, apenas um episódio longínquo da história mundial. No entanto, o confronto que mobilizou todo o planeta ainda deixa diversos vestígios, alguns dos quais, ocultos por décadas nos países envolvidos, vêm à tona aos poucos. Uma dessas histórias é a das crianças lebensborn (fonte da vida, em alemão) na Noruega, os filhos de militares nazistas com norueguesas concebidos durante o domínio do Terceiro Reich sobre o país escandinavo.
German Violetta Wallenborn mostra uma foto de si mesma, quando menina, nos braços de seu pai, durante uma visita a uma das casas da Lebensborn, na Alemanha. Ela nasceu numa casa da organização, na Noruega. Paul Hansen, 66 anos, era a criança Lebensborn nº 1.077, na Noruega. Fazia parte do projeto nazista para a criação de uma raça superior. Paul cresceu num asilo para pessoas com problemas mentais, embora fosse uma criança absolutamente normal. Seu pai era piloto da Luftwaffe e sua mãe era uma jovem norueguesa.
Entre 1940 e 1945, o governo norueguês exilou-se na Grã-Bretanha e uma administração títere de Berlim tomou seu lugar. Oficialmente, os invasores despertaram ojeriza na população e muitos noruegueses participaram da resistência contra eles. A história dos lebensborn noruegueses, porém, ficou soterrada por décadas, e só emergiu graças à coragem de alguns deles, que ousaram desafiar a postura oficial de ignorá-los.
TAMBÉM CONHECIDOS na Noruega como krigens bam, os lebensborn foram uma conseqüência até certo ponto natural da chegada de cerca de 500 mil nazistas a um país cuja população, em 2007, rondava os 4,6 milhões de habitantes. Mas sua origem vem de dezembro de 1935, quando a Sociedade Lebensborn foi fundada na Alemanha por Heinrich Himmler, comandante da SS, a tropa de elite do regime nazista.
A Sociedade integrava o projeto de Himmler de criar um “futuro ariano” para o Terceiro Reich, ao mesmo tempo em que contornava um declínio da taxa de natalidade na Alemanha.
Após o conflito, milhares dessas mulheres tiveram seu cabelo cortado e FORAM OBRIGADAS a desfilar pelas ruas sob os gritos de “prostitutas alemãs”
Os militares recebiam incentivos para ter mais filhos tanto na pátria quanto nos países ocupados, principalmente na Escandinávia, cujas características genéticas (louros de olhos azuis) eram vistas como arianas clássicas.
O governo de Berlim lhes assegurava que cuidaria da criança caso o pai não quisesse casar com a mãe ou já tivesse esposa na Alemanha. A Sociedade Lebensborn não só pagava os custos do parto como fornecia ajuda em dinheiro e objetos como carrinhos e camas de bebê. Os frutos dessas relações – mais de oito mil pessoas conhecidas – seriam, portanto, uma elite racial.
As norueguesas que se envolveram amorosamente com os nazistas não eram bem vistas pelo resto da população. O governo do país no exílio tampouco ignorou o tema, alertando via transmissões de rádio que “as coisas ficariam cada vez mais desagradáveis para elas depois que os alemães deixassem a Noruega”. Foi o que aconteceu. Após o fim do conflito, milhares dessas mulheres tiveram seu cabelo cortado e foram obrigadas a desfilar pelas ruas sob os gritos de “prostitutas alemãs”. Muitas perderam o emprego e foram presas ou confinadas, ficando traumatizadas pelo resto da vida.
À esquerda, Gerd Fleischer, que criou uma organização voltada para a defesa dos lebensborn. Acima, uma das maternidades da Lebensborn, em Wernigerode, Alemanha Ocidental. Mais de mil crianças nasceram nessa clínica. Selecionadas pelas suas “qualidades arianas”, elas eram entregues pelos pais às autoridades nazistas do programa para receber uma educação especial. (Fotos não disponíveis na matéria).
LOGO DEPOIS DA guerra, o governo norueguês tentou deportar os lebensborn para a Alemanha, mas a miséria imperante no país levou os aliados a vetar a proposta. Como a ideia seguinte – enviá-los para a Austrália – também não deu certo, o destino encontrado foram instituições para crianças abandonadas, orfanatos ou, pior ainda, hospitais para doentes mentais.
Segundo as autoridades da época, as mulheres que haviam tido relações com os soldados nazistas deviam ser retardadas mentais, deficiência que também afetaria seus filhos. Nas descrições de vida dessas pessoas – hoje na casa dos 60 anos -, maus-tratos, abusos físicos e mentais foram rotina.
Somente há alguns anos um grupo de lebensborn decidiu procurar a Justiça norueguesa para lutar contra o que considera a cumplicidade do governo do país na sua tragédia. Foi a partir daí que se passou a conhecer a trajetória desses párias em sua própria terra.
Gerd Fleischer exemplifica bem esse drama. Como a mãe descendia de lapões (o povo de origem tártara que habita o norte da Escandinávia), a SS não havia permitido que ela fosse enviada à Alemanha para adoção.
Seus primeiros anos de infância, com a mãe na vila natal, foram tranquilos, mas a sua situação mudou muito com a derrota nazista. Quando a sua mãe se casou com um ex-combatente da resistência local, as surras e maus-tratos que já sofria na escola passaram a fazer parte também do cotidiano doméstico.
Gerd fugiu de casa aos 13 anos e viveu um bom tempo como sem-teto. Com 18 anos, saiu do país e apenas voltou 18 anos depois. Durante esse período, reconstruiu a vida e localizou seu pai alemão – que negou conhecê-la ou à sua mãe. Gerd levou-o aos tribunais, e só assim ele assumiu a paternidade.
Heinrich Himmler e sua filha Gudrun durante um festival em Berlim - (Fotos não disponíveis na matéria), em março de 1938. Alto oficial nazista, braço direito de Hitler, Himmler foi um dos principais idealizadores de programas de seleção racial como o Lebensborn e o holocausto de judeus, ciganos e de outras minorias sociais durante os anos do nazismo.
Quando voltou para a Noruega, Gerd levava – além de dois meninos de rua que adotara no México – a firme resolução de levar à Justiça casos como o seu. Ela criou uma organização, Seif (abreviatura em inglês de “Auto-Ajuda para Imigrantes e Refugiados”) para, em suas palavras, “lutar por justiça para todos”.
Paul Hansen viveu outra faceta dessa tragédia. Ele foi internado em um hospital para doentes mentais e, quando saiu de lá, 20 anos depois, já havia perdido todas as oportunidades de educação normais a uma pessoa de sua idade. Hoje em dia, Hansen trabalha como zelador em uma universidade. Ele integrou o primeiro grupo de lebensborn a levar o governo norueguês aos tribunais, no início deste século.
WERNER THIERMANN nasceu em 1941, da relação de um sargento nazista com uma funcionária norueguesa da base alemã em Lillehammer. Ele nunca conheceu o pai, transferido para a frente russa logo após a mãe ficar grávida. Quando a guerra acabou, sua mãe foi confinada e o garoto passou sua infância entre orfanatos e instituições para crianças abandonadas, sofrendo todo tipo de abuso.
Até hoje, o máximo que as ações dos lebensborn conseguiram foi a oferta, para alguns deles, de uma pequena quantia de dinheiro a título de compensação. A alegação oficial – aceita inclusive na Corte Européia de Direitos Humanos, no ano passado (que absurdo) – é que esses incidentes ocorreram muito tempo atrás.
A advogada das “crianças da guerra”, Randi Spydevold, não se conforma com isso: 
“Há uma hipocrisia no coração da Noruega, lar do Prêmio Nobel da Paz, um país que se orgulha de resolver conflitos ao redor do mundo, mas se recusa a reconhecer as suas próprias vítimas da guerra.”
Os testemunhos dos lebensborn – que agora começam a se espalhar por sua vontade, na expectativa de que nunca mais haja discriminação em casos semelhantes – mostram que as marcas de crimes como esses nunca prescrevem numa vida.

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sábado, 17 de dezembro de 2016

A foto do grande "escadista" que ficará na História

Corajoso 

Majestades imperiais: o super salário de promotores e juízes e o abuso de autoridade


Via DCM

Por Joaquim de Carvalho

Em maio deste ano, depois de abrir um inquérito civil para investigar super salários na Prefeitura de Sorocaba, interior do Estado de São Paulo, o promotor de justiça Orlando Bastos Filho mandou um ofício duro ao prefeito da cidade: “Que fique claro, desde logo, que não será aceita eventual alegação de sigilo: uma, porque detém o MP constitucionalmente poder de requisição; duas, porque os vencimentos de servidores públicos é informação pública; por fim, porque são até publicados, considerando a lei de acesso à informação.”

Conhecido na cidade pelo rigor com que fiscaliza o poder público, Orlando Bastos Filho acaba de ter seu nome divulgado na lista de super salários do Ministério Público do Estado de São Paulo: em outubro, seus vencimentos foram de R$ 107 mil brutos, incluídos nesse pagamento vantagens como indenização, vale-alimentação, auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio-funeral, pagamento de diárias, remunerações retroativas, duas férias anuais.

O promotor Bastos, que conduz também uma investigação sobre gastos dos vereadores da cidade com carros oficiais, telefones e verbas de indenização, está longe de ser uma exceção no Ministério Público de São Paulo (e muito provavelmente nos Ministérios Públicos de outros Estados e no Ministério Público Federal).

Em outubro, dois outros promotores ganharam mais do que ele – os maiores vencimentos foram de R$ 130 mil. Oitenta por cento dos promotores e procuradores do Estado de São Paulo teriam vencimentos acima do teto constitucional.

A revelação dos super salários dos promotores e procuradores, feita pelo site da Agência Pública, é uma oportunidade para debater a questão das prioridades dos gastos públicos.

No orçamento do Estado para 2017, estão previstos os gastos de R$ 2,3 bilhões com o Ministério Público de São Paulo – o dobro do que será destinado para pastas como Agricultura, Meio Ambiente ou Habitação ou três vezes mais que o Estado pretende gastar com a Secretaria de Cultura.

É óbvio que o Ministério Público é absolutamente indispensável na sociedade democrática. Mas ganhar muito acima da média salarial do país, cerca de 2.300 reais, está correto?

Até que ponto um servidor público com salário até 50 vezes maior que a média do País está em condições éticas de exigir austeridade dos demais agentes públicos?

Este é o debate que também precisa ser feito.

Ou, então, precisamos resgatar os artigos 98, 99 e 100 da primeira Constituição do Brasil, a Imperial de 1824. É só trocar a palavra imperador por promotor, procurador ou juiz que fica perfeito para os dias atuais:

– O Poder Moderador (promotor, procurador e juiz) é a chave de toda organização política e é delegado privativamente ao imperador (promotor, procurador e juiz), como chefe supremo da Nação, e seu Primeiro Representante, para que incessantemente vele sobre a manutenção da Independência, equilíbrio, e harmonia dos demais Poderes Políticos.

– A Pessoa do Imperador (promotor, procurador e juiz) é inviolável, e sagrada: Ele não está sujeito à responsabilidade alguma.

– Os seus títulos são Imperador Constitucional, e defensor Perpétuo do Brasil e tem o tratamento de Majestade Imperial.

Depois de rejeitar a discussão da hipótese de enquadramento por crime de abuso de autoridade e passarem batido na questão do teto salarial intra corporis, promotores, procuradores e juízes se investiram, na prática, da Majestade Imperial.

Até quando?

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