LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

PT LANÇA VAQUINHA PARA ELEGER LULA PRESIDENTE



O PT lançou nesta quarta-feira, 6, uma campanha online de arrecadação de recursos para financiar a candidatura do ex-presidente Lula, que lidera todas as pesquisas de intenções de votos para Presidência e é mantido como preso politico desde o dia 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba; apoiadores do ex-presidente poderão fazer doações a partir de R$ 10, com pagamentos por meio de cartões de débito, crédito e boleto bancário.

O Partidos dos Trabalhadores lançou nesta quarta-feira, 6, uma campanha online de arrecadação de recursos para financiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera todas as pesquisas de intenções de votos para Presidência e é mantido como preso politico desde o dia 7 de abril na sede da Polícia Federal em Curitiba. 

"Você conhece o Brasil com Lula: um país com emprego, inclusão social, crescimento e oportunidades para todos. Um país que dava orgulho aos brasileiros e brasileiras e despertava a admiração do mundo inteiro. Agora, você está vendo esse mesmo Brasil andar para trás: com desemprego, a volta da fome, aumento da violência, ataque aos nosso direitos e até ao meio-ambiente. Tudo isso feito pelo desastroso governo Temer e seus aliados", diz texto de apresentação da campanha.
Os apoiadores do ex-presidente poderão fazer doações a partir de R$ 10, com pagamentos por meio de cartões de débito, crédito e boleto bancário. Clique aqui para fazer a doação. 

terça-feira, 5 de junho de 2018

terça-feira, 29 de maio de 2018

MANIFESTO INTERNACIONAL PEDE A LIBERDADE DE LULA



Via Brasil 247

Trezentos acadêmicos e intelectuais acabam de lançar um manifesto intitulado "Lula da Silva é um prisioneiro político. Lula Livre!"; o documento declara que a comunidade internacional deve pedir sua imediata libertação. O manifesto é assinado por juristas, intelectuais e acadêmicos de grande peso, como  Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos e Slavoj Žižek.

Trezentos acadêmicos e intelectuais acabam de lançar um manifesto intitulado "Lula da Silva é um prisioneiro político. Lula Livre!", denunciando a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A petição discute em detalhe a natureza arbitrária do processo conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro contra Lula, afirmando que ele é nada menos do que um prisioneiro político. O documento declara que a comunidade internacional deve tratá-lo como tal e demanda sua imediata libertação. O manifesto é assinado por juristas, intelectuais e acadêmicos de grande peso, como  Tariq Ali, Noam Chomsky, Angela Davis, Leonardo Padura, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos, Slavoj Žižek, Karl Klare e Friedrich Müller.

O manifesto é apoiado por acadêmicos e intelectuais de todo o mundo, mas principalmente dos EUA e da Europa. Ele será traduzido para outras línguas e está aberto para apoio acadêmico adicional no site https://chn.ge/2kpoxzi.

A petição declara que "os abusos do poder judiciário contra Lula da Silva configuram uma perseguição política mal disfarçada sob manto legal. Lula da Silva é um preso político. Sua detenção mancha a democracia brasileira. Os defensores da democracia e da justiça social no Oriente e no Ocidente, no Norte e no Sul do globo, devem se unir a um movimento mundial para exigir a libertação de Lula da Silva."
O manifesto é endossado por juristas mundialmente famosos, tais como Karl Klare, Friedrich Müller, António José Avelãs Nunes e Jonathan Simon. Eminentes pesquisadores do poder e da perseguição judicial (Lawfare), como John Comaroff, Eve Darian-Smith, Tamar Herzog e Elizabeth Mertz, também são apoiadores.
Adicionalmente, a petição é subscrita por intelectuais de renome global como Tariq Ali, Robert Brenner, Wendy Brown, Noam Chomsky, Angela Davis, Axel Honneth, Fredric R. Jameson, Leonardo Padura, Carole Pateman, Thomas Piketty, Boaventura de Sousa Santos e Slavoj Žižek.
Sociólogos proeminentes como Fred Block, Mark Blyth, Michael Burawoy, Peter Evans, Neil Fligstein, Marion Fourcade, Frances Fox Piven, Michael Heinrich, Michael Löwy, Laura Nader, Erik Olin Wright, Dylan Riley, Ananya Roy, Wolfgang Streeck, Göran Therborn, Michael J. Watts e Suzi Weissman também assinaram o manifesto.
O documento é apoiado por especialistas reconhecidos e diretores de centros de pesquisa em Estudos Latino-Americanos como Alex Borucki, Aviva Chomsky, Brodwyn Fischer, Barbara Fritz, James N. Green, Victoria Langland, Mara Loveman, Carlos Marichal, Teresa A. Meade, Tianna Paschel, Erika Robb Larkins, Aaron Schneider, Stanley J. Stein e Barbara Weinstein.
Ademais, é endossado por economistas globalmente reconhecidos como Dean Baker, Ha-Joon Chang, Giovanni Dosi, Gérard Duménil, Gary Dymski, Geoffrey Hodgson, Costas Lapavitsas, Marc Lavoie, Thomas Palley, Robert Pollin, Pierre Salama, Guy Standing, Robert H. Wade e Mark Weisbrot.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

VÍDEO: Juiz agride e manda prender deficiente físico em bloqueio de caminhoneiros na PB


Via DCM
Imagens feitas por uma pessoa não identificada mostram uma briga entre dois homens na BR-230 em bloqueio de caminhoneiros próximo ao município de Marizópolis, a 457 km de João Pessoa.
Um dos envolvidos na discussão é o juiz Agílio Tomaz Marques, da 1ª e 2ª Vara Mista da Comarca de São João do Rio do Peixe. O outro é Altemir Noia, 45 anos, que é deficiente físico.
O magistrado aparece empurrando o manifestante e em seguida dando-lhe voz de prisão. “Eu sou um juiz, prenda esse cidadão e o leve para delegacia”, diz aos policiais.
Albaniza Fernandes, mulher de Altemir, falou a uma rádio que o marido passou mais de nove horas detido, sofreu uma crise convulsiva e precisou ser medicado.
“No início da tarde ele foi solto, mas o juiz ligou para a delegacia e mandou a polícia trazê-lo de volta, onde permaneceu em uma grade com cadeado durante várias horas”, contou.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Chegou a conta do golpe: mortalidade infantil, pobreza extrema, gasolina, gás, dólar...

Mercadante e zé Cardozo ajudaram a derrubar a Dilma! Por que o PiG é uma bosssta!

Maria Inês Nassif, Renata Mielli e o ansioso blogueiro no Barão de Itararé, na terça-feira 15/V (Crédito: Felipe Bianchi)
Via Conversa Afiada

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, com sede no centro de São Paulo, foi palco na terça-feira 15/V de um debate e do lançamento do livro "Enciclopédia do Golpe Vol.2 - O Papel da Mídia", coordenado por Giovanni Alves, Maria Inês Nassif, Miguel do Rosário, Wilson Ramos Filho e organizado de Mírian Gonçalves.
ansioso blogueiro foi um dos convidados e dividiu a mesa com o professor Laurindo Lalo Leal Filho, Renata Mielli, Secretária-Geral do Barão de Itararé, e Maria Inês Nassif.
Em pauta, a necessidade de disputar com o PiG a narrativa em todas as frentes possíveis.
Paulo Henrique Amorim foi o responsável por encerrar o evento - e o Conversa Afiada reproduz, em texto e em vídeo, a participação final do ansioso blogueiro:



Eu gostaria de responder também uma questão aqui sobre o que o Lalo falou.
O Boni diz que o futuro da TV aberta são os eventos ao vivo. Jornalismo e esporte.
É uma consideração que ele faz.
Agora, sobre todo esse tema que nós debatemos aqui... eu gostaria de encerrar minha modestíssima participação dizendo o seguinte:
Eu não sei se o Lula, além dessa confissão de que ele cometeu um erro dramático e histórico de não fazer a regulação da mídia, se ele não fez a mea culpa de ter aceitado que a Dilma concorresse à reeleição. Esse foi um erro gravíssimo.
Como diz o Mino Carta, a reeleição da Dilma foi um desastre ferroviário. Como diz o Mino Carta, foi uma diarreia indonésia.
A Dilma errou em praticamente tudo. Praticamente tudo.
E, na minha modestíssima opinião, um dos erros mais graves da Dilma foi não ter enfrentado o Golpe na arena política. Como?
A Dilma não peitou o Moro. Assim como o PT lá atrás não peitou o Mensalão, porque o PT entregou as cabeças do Dirceu e do Genoino de bandeja. Não reagiu. A Dilma deixou o Moro correr solto. Não peitou o Moro e as ramificações do Moro: uma Polícia Federal insubmissa, um Ministério Público irresponsável e uma mídia golpista!
O Moro correu solto. E por que o Moro correu solto?
Na minha modestíssima avaliação: porque havia um plano dentro do Governo. Que era a Dilma sair como a incorruptível, a mulher honesta, inatingível. A Lava Jato não ia subir a rampa do Palácio. O Mercadante ia ser Presidente da República e o José Eduardo Cardozo ia ser Ministro do Supremo.
Era essa a estratégia! Essa era a estratégia! E ficaram quietos.
E a bola de neve foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo... e ela caiu!
Porque não perceberam que havia uma questão de classe envolvida.
Foi uma jogada política que deu errado, porque o Lula se omitiu e tinha que ter dito: "Dilminha, volta pra Porto Alegre. Vai cuidar do netinho porque agora é com o papai aqui".
Não teria havido essa crise política, porque ela não soube geri-la. E não soube geri-la porque foi induzida ao erro por esses dois incompetentes, dois petistas de Direita: o Aloizio Mercadante e o José Eduardo Cardozo.
Pra encerrar as minhas breves palavras:
Um dos problemas da imprensa brasileira hoje é que as redações estão povoadas de brancos e ricos. Não tem negro e não tem pobre nas redações. Por um processo de seleção que só o Lalo pode entender melhor que eu, as redações hoje são formadas por coxinhas que trabalham pro patrão.
E como diz o Mino: são piores que o patrão! E se são da televisão, querem ser a Fatima Bernades, pra fazer anúncio de presunto, ou a Patricia Poetisa, Poetastra, que faz anúncio da Avon. É isso que eles querem ser.
Não tem preto e não tem pobre nas redações dos jornais do Brasil! E é por isso que é essa bosta que é!
Boa noite e boa sorte!
PHA
***
Em tempo: sobre o zé da Justiça e o General Assis Oliva, não deixe de consultar o trepidante ABC do C Af

domingo, 20 de maio de 2018

As incríveis vantagens do sistema de saúde totalmente privado


Acho que a galera do Brasil NAO TEM NOCÃO do que é um sistema 100% privado de saúde.

Aqui nos EUA, mesmo tendo um dos melhores planos de saúde possíveis e imagináveis (por que sou professora e o sindicato é forte), ainda assim temos carência de US$1800 pra família, e o plano só paga 100% quando é preventive care (consultas de rotina e coisas muito básicas, como vacinas e exames de sangue de rotina - dependendo do local tá).

O RESTO MEU AMIGO, sai do seu bolso até você atingir a carência, e só depois daí o plano cobre 80%.

Machucou o mindinho e tem que fazer raio x? Uns US$500... cortou o dedo e tem que dar ponto no hospital? Talvez uns $1500 (verifiquei a conta e foi US$1200). Exame de alergia (sim, aquele besta do braço)? Mais uns $2000. Surtou e tem que usar a ambulância? Uns US$1000. Parto? Procedimento Cirúrgico? Saúde mental? Foi internado? Tem que pôr um pino no dedo? Só de imaginar dói, mas nesse ponto você já atingiu sua carência facilmente. Mas não fique tão feliz, por que uma cirurgiazinha de leve passa dos US$20k tranquilamente, e aí seus 20% de coparticipação vão doer também. Quer ir num medico pra uma consulta que não é de rotina ou preventiva, e quer saber quanto vai custar? NÃO TEM COMO, por que ninguém nesse pais pode te dar um orçamento das coisas: depende do médico, do código que ele usa pra cobrar, da clínica, do hospital, do seu tipo de seguro, do papagaio, da umidade relativa do ar, e etc.

E olha, nossa carência aqui em casa é baixa viu. US$1800 é alegria! Meu plano de saúde é um dos top, "barato" e de "boa cobertura". E isso depois de pagar US$200 por mês de mensalidade.

Alguns exemplos das coisas absurdas que já passamos por aqui, e tivemos de pagar 100% (os planos de saúde variaram nesses 4 anos):

- 3 pontos no dedo (com plano de saúde ruim): US$1500
- Ter que ir na emergência de madrugada passando mal, só pra tomar um analgésico cabuloso (plano de saúde era razoável): foi mais de US$500
- Raio-X do pulso por causa de uma dor misteriosa (plano de saúde top): US$631
- Reação alérgica misteriosa onde chamamos a ambulância mas acabamos não usando a ambulância por medo do custo que seria uns $2000 (sim, fomos de carro pro hospital com o Pedro tendo uma reação alergia forte na garganta)
- Infecção urinaria (JAMAIS VÁ A UMA EMERGÊNCIA nos Estados Unidos, a não ser que você esteja literalmente morrendo): saiu uns US$500

Eis aqui o preço de algumas coisas que o plano cobriu (ou seja, paguei 0%), mas só pra geral ter uma ideia do custo das coisas por aqui:

- Um mísero vidrinho de sangue pra fazer exames de rotina da tireoide (free T3, T4 e TSH): $502. Se eu tivesse feito no laboratório do hospital, seria 0% coberto pelo plano (oi????)
- Painel de preventive care (colesterol, triglicérides, etc. etc.): US$754!!!!
- Inserção de DIU: US$900
- Consulta medica de rotina mais vacina pra gripe: US$389

Tenho certeza que meus colegas que moram por aqui também tem uma lista de cobranças absurdas.

A ausência de um sistema público encarece o preço dos serviços a níveis estratosféricos. E o governo, "coitado", acaba tendo o MAIOR gasto per capita do planeta com saúde na tentativa de aliviar o gasto da saúde pros mais pobres (famoso Obamacare). Obamacare não é saúde universal, não é SUS, não é acessível pra quase ninguém, não é feito pra cobrir 100% dos gastos. É um band-aid num sistema falido de saúde 100% privado.

Lembrando que pra tudo que se faz nesse pais, você tem que ficar ligando pro seu plano de saúde e ficar especificando tim-tim por tim-tim tudo que o médico pediu pra você fazer, pra ter certeza se vão cobrir ou não, quais lugares o plano aceita ou não e caralho a quatro. Por que se depois chega uma conta e você não sabia que o plano não cobria tal coisa, SE VIRE. Pessoas vão à falência e vão morar na rua pra pagar conta de saúde por aqui. Ou pior, MORREM por causa do medo que tem do custo de usar o sistema de saúde.

Uma salva de palmas pro sistema maravilhoso, altamente tecnológico, de primeira categoria, em hospitais impecáveis que é o sistema privado dos EUA.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Xadrez da teoria conspiratória, para Sergio Fausto e Celso Rocha Barros


PorVia Jornal GGN
Apesar de não parecer, ao contrário do lobisomem e do bicho-papão
  • a CIA existe e atua não apenas no cinema, mas no mundo real;
  • a geopolítica norte-americana não é uma história em quadrinhos de Will Eisner;
  • o interesse norte-americano pelo petróleo remonta os anos 40, quando a Esso e irmãs tentaram impedir a construção de refinarias nacionais.
O Brasil percebeu que o monopólio da exploração do petróleo pela Petrobras não vai gerar novos campos. Em cerca de um ano eles vão alterar a legislação em vigor de forma a permitir que os EUA e a Europa ocidental participem, pois só eles têm a tecnologia necessária. Essa é uma ruptura com um duradouro mito nacionalista e levará um ano para que jovens oficiais e outros sejam educados a fim de aceitar a necessidade fundamental de permitir a participação estrangeira na prospecção de petróleo. Este é um passo muito expressivo.

Algum tempo depois Geisel aprovou os contratos de risco ao capital externo.
Mas não é a CIA de 1974 o tema dessa coluna, mas o DHS (Departamento de Segurança Interna) de 2018.
Admito que às vezes sou meio implicante. E uma de minhas implicâncias é com os sabidos, que acham que tudo aquilo que eles não conhecem, não existe. Refiro-me a dois intelectuais que respeito - Sérgio Fausto e Celso Rocha Barros -, ambos ironizando as versões sobre a influência da CIA na Lava Jato, jogando-as na vala das teorias conspiratórias.
Apesar de não parecer, ao contrário do lobisomem e do bicho-papão
  • a CIA existe e atua não apenas no cinema, mas no mundo real;
  • a geopolítica norte-americana não é uma história em quadrinhos de Will Eisner;
  • o interesse norte-americano pelo petróleo remonta os anos 40, quando a Esso e irmãs tentaram impedir a construção de refinarias nacionais.
Mas, a exemplo de muitos economistas, nossos bravos cientistas sociais só acreditarão que a CIA conspira quando, daqui a algumas décadas, aparecerem as revelações em forma de livro ou de novos papéis do Pentágono mostrando as conspirações da CIA.  Eles são vítimas de um tipo especial de crendice: a superstição do ceticismo, que reza que tudo aquilo que não conheço, não existe.
Vamos aos fatos.
Por CIA, entenda-se todo o aparato de espionagem norte-americana, incluindo o NSA e o mais relevante dos departamentos, o DHS.

Peça 1 – o controle das informações pelos EUA

  • Fato. Nos anos 2.000, os EUA montaram a NSA, para espionagem eletrônica, e o DHS, para coordenar todos os departamentos envolvidos na luta contra o terrorismo.
  • Fato. A NSA espionou a presidente Dilma Roussef e a Petrobrás.
  • Fato: a partir dos atentados às torres Gêmeas, houve a montagem de um sistema de cooperação internacional entre Ministérios Públicos e Polícias Federais de diversos países. O DHS sempre foi o parceiro mais aparelhado, o que mais dispõe de informações.
  • Fato: a luta contra o terrorismo e as organizações criminosas evoluiu para a luta contra a corrupção. Os EUA conseguiram aprovar, no âmbito da OCDE, uma legislação específica que traz para a jurisdição norte-americana qualquer crime que, em algum momento, passe pelo dólar.
  • Fato: a invasão de um hotel na Suíça por policiais do FBI, levando prisioneiros para serem julgados em Nova York, alguns dos quais, dirigentes brasileiros de futebol. Ou seja, brasileiros, detidos na Suiça e julgados nos EUA.

Peça 2 – os EUA como xerifes do mundo

Com a cooperação internacional e com a legislação anticorrupção, aprovada no âmbito da OCDE, os EUA se tornam os xerifes do mundo.
Criou-se uma situação que colocou nas mãos do Departamento de Justiça a seleção dos temas de corrupção a serem investigados. Porque ele detem a informação.
Sugiro aos bravos cientistas políticos uma leitura caprichada do ensaísta francês Hervé Juvin, sob o título sugestivo: “Da luta anticorrupção ao capitalismo do caos, oito temas sobre uma revolução do direito”, sobre a discussão do uso geopolítico que os EUA fazem da cooperação internacional.Ele explica, bem depois de termos pioneiramente levantado o tema aqui no GGN como alguns bancos franceses, como o BNP, deixaram de ocupar a liderança mundial – após a crise do sistema financeiro norte-americano em 2008 – com receio do poder de retaliação dos EUA, escudado na tal Lei Anticorrupção aprovada no âmbito da OCDE. Segundo suas estimativas, para as empresas europeias, significou um custo direto entre 40 e 50 bilhões de euros e custo indireto de mais de 200 bilhões de euros.


Peça 3 – os dois temas, futebol e petróleo

Os nossos bravos analistas políticos são convidados a assistir a entrevista dada ao GGN por Jamil Chade, correspondente do Estadão em Genebra,  para entender o papel das sucessivas “primaveras” na definição da nova ordem mundial, escudada no partido do Ministério Público e do Judiciário dos diversos países.
Jamil tem contato direto com o FBI a partir das denúncias que levantou sobre a FIFA.
Diz ele que, a partir das manifestações de 2013, fontes do FBI comentaram com ele que o Brasil já estava pronto para enfrentar seus grandes escândalos.
Dois emergiram de imediato, de interesse direto dos EUA: o petróleo e o futebol.
O petróleo, por razões óbvias de negócios e segurança interna. O futebol, por interesse direto dos grupos de mídia norte-americanos. Tenho um livro à espera de uma editora, no qual historio bem a questão da mídia na expansão do capitalismo norte-americano. Enquanto não sai, aqui vai um pequeno resumo.
No pós-guerra, a expansão dos EUA teve como ponta de lança suas multinacionais. O único território protegido, ao sul do Equador, era a mídia. Primeiro, porque rádio e TV aberta dependiam de concessões públicas – mercado dominado politicamente pela mídia nativa. Depois, pelas próprias legislações nacionais, impedindo a entrada de capital estrangeiro.
A TV a cabo e a Internet romperam com essa blindagem. Mas os grupos externos esbarravam em um problema de pulverização da audiência. Como explica o próprio Jamil, na Inglaterra os programas de maior audiência não passam de 5 pontos. Quando entra futebol, consegue-se até 15 pontos de audiência.
A força das mídias nativas, portanto, residia na audiência proporcionada pelo futebol. O monopólio das transmissões esportivas pela Globo é a prova maior da importância do esporte na audiência.
O modelo de corrupção da FIFA surgiu desse know how brasileiro, desenvolvido pela Globo e por João Havelange e exportado para o mundo.
Desde a delação premiada de J. Hawila, a Globo está na mira da Justiça norte-americana. No âmbito da cooperação internacional, o FBI conseguiu apoio de Ministérios Públicos de quase todos os países, menos do brasileiro. E as raízes dessa blindagem estão no pacto tácito entre Globo e MP, no transcorrer das manifestações de 2013, em torno da PEC 37.

Dias antes das denúncias da JBS, aliás, o Ministério Público Espanhol divulgou denúncias contra a rede Globo. Nossos cientistas poderiam se indagar qual a razão de um escândalo brasileiro, cometido por uma empresa brasileira, a Globo, em um evento esportivo brasileiro, a Copa Brasil, com autoridades brasileiras, Ricardo Teixeira, Del Nero etc. foi apurado pelo MP espanhol. E sumiu do noticiário e das atividades do Ministério Público brasileiro.
Uma denúncia da Justiça norte-americana fecharia os acordos internacionais da Globo, seu acesso ao mercado financeiro internacional.
Por necessidade ou convicção, o fato é que a Globo foi peça chave em um golpe que escancarou o petróleo ao capital externo, e, ao mesmo tempo, conseguiu se blindar junto ao MPF brasileiro. Se os doutos analistas tiverem uma narrativa melhor para explicar esses fatos, o GGN está à sua disposição.

Peça 4 – como foi montada a Lava Jato

Entendidos esses fatos, vamos à Lava Jato.
Com o controle das informações, e com o novo aparato legal da Lei Anticorrupção, o Departamento de Justiça viu-se, assim, na condição de definir o tema a ser investigado, bastando, para tanto, selecionar o tema e as provas a serem enviadas aos diversos parceiros. Os alvos poderiam ter sido bancos de investimento, fundos de investimento, multinacionais fornecedores de equipamentos. No entanto, concentrou-se na Petrobras e nos principais concorrentes de empresas norte-americanas na África e na América Latina: as empreiteiras.
A respeito disso, assistam a palestra do funcionário do Departamento de Justiça, Kenneth Blanco,em evento do Atlantic Council – grupo de lobby nos EUA, especializado em atuar junto à máquina pública e que tem, como um de seus conselheiros, o ex-PGR Rodrigo Janot, que participou do evento em questão.

No seu pronunciamento, Blanco esmiúça a intimidade que mantém com outros PGRs da América Latina. E mostra a estratégia de cooperação com a Lava Jato, que consistia em alimentar juiz e procuradores informalmente (atenção, sabichões: entendem o significado desse “informalmente”, de não passar pela supervisão de nenhum órgão de Estado, Itamaraty ou Ministério da Justiça?) para instruir as denúncias. Aqui, uma explicação didática de como a luta contra a corrupção tornou os EUA xerifes do mundo.
  • Fato - O DHS trabalhou com o juiz Sérgio Moro, procuradores e delegados de Curitiba no caso Banestado, tendo, inclusive, identificado remessas de José Serra para o exterior. Entenda aqui como Serra percebeu esse jogo muito antes do Instituto Fernando Henrique Cardoso, dirigido por seu aliado Sérgio Fausto
  • Fato. O Departamento de Justiça alimentou Moro e procuradores informalmente com informações, visando instruir o processo da Lava Jato, como explicou o próprio Kenneth Blanco no vídeo indicado acima.
  • Fato. Enquanto PGR, Rodrigo Janot foi a Washington, chefiando uma missão da Lava Jato, encontrou-se com a advogada Leslie Caldwell, procuradora-adjunta encarregada da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e até dois anos antes, sócia do escritório Morgan Lewis de Nova York, o maior escritório a atuar junto ao setor Eletronuclear norte-americano. Um mês depois, estourou o escândalo da Eletronuclear, graças aos documentos que Janot recebeu de Leslie Caldwell.

Peça 5 – a título de conclusão

Esses são os fatos e as deduções.
Em cima deles podem ser construídas outras narrativas. Como, por exemplo, a de que a DHS e a CIA aplicam a lei anticorrupção apenas porque o protestantismo tornou os EUA um país virtuoso. Ou que as sucessivas confraternizações entre grupos de lobby norte-americanos, Sergio Moro, procuradores da Lava Jato, João Dória, Pedro Parente, simbolizam apenas a vitória da fé e da virtude de um grupo de brasileiros ilibados, contra o caráter fraco e predatório de sociedades intrinsicamente corruptas como a nossa.
Mas, aí, nossos cientistas teriam que abrir mão de qualquer veleidade analítica, e se igualar a Luís Roberto Barroso, Sérgio Moro e Deltan Dallagnoll, os atores e intérpretes de um país à beira do caos.
PS – Quando menciono o respeito que tenho por ambos, Sérgio Fausto e Celso Rocha Barros, não recorri à retórica da ironia. É respeito genuíno, sim.