terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Um bom poema


Um bom poema é como uma cerveja gelada
quando você está mais a fim,
um bom poema é um sanduíche de presunto, quando você
está
faminto,
um bom poema é uma arma quando
os bandidos te cercam,
um bom poema é algo que
te permite andar pelas ruas
da morte,
um bom poema pode fazer a morte
derreter feito manteiga,
um bom poema pode enquadrar a agonia e
pendurá-la na parede,
um bom poema pode fazer seu pé tocar
a China,
um bom poema pode fazer você cumprimentar
Mozart,
um bom poema permite você competir
com o diabo
e ganhar,
um bom poema pode quase tudo,
isso sem dizer que
um bom poema sabe quando
parar.


Charles Bukowski, escritor norte-americano. Tradução de Rodrigo Garcia Lopes.

FONTE: BLOG DO JOÃO VILLAVERDE

FOTO: CAROL PRIMADONNA

"EUA lêem erroneamente a política externa do Brasil"


Quando, por volta de 1970, os Estados Unidos se deram conta pela primeira vez que sua dominação hegemônica era ameaçada pela crescente força econômica (e, por conseqüência, geopolítica) da Europa Ocidental e do Japão, trataram de mudar sua postura, buscando evitar que assumissem uma posição demasiado independente nos assuntos mundiais.

Leia mais, AQUI.


FONTE: TERRA BRASILIS

Enfim, uma notícia boa, muito boa! Boa mess...



Resultados parciais de uma pesquisa feita pela Universidade da Califórnia(EUA),dão conta que a bebida preferida dos brasileiros,a cerveja,contém bom teor de silício que pode evitar a osteoporose,desde que moderadamente utilizada, (uma caixa por dia).
A cerveja também pode reduzir o estresse e isso eu já sabia,hehe! (neste caso, mais de uma caixa diariamente...)

By: Blog do Herval Júnior

Fonte: Com Texto Livre

Da série: Ideologias de extrema-direita # 6


# 6 - Racismo

É opinião unânime dos historiadores que a atitude racista do fascismo italiano representa um dos períodos mais negativos e controversos do regime. Na verdade, não só o Fascismo enveredou pela via do racismo na segunda parte da sua história, mas o fez de uma maneira abrupta, após anos e anos de polêmicas (mais ou menos abertas) a propósito do racismo "biológico" dos futuros aliados nazistas, apesar dos muitos membros do PNF (Partido Nacional Fascista) oriundos da pequena comunidade judaica italiana desde os anos 20. Muitos judeus participaram na Marcha sobre Roma e, dez anos depois, em outubro de 1933, o PNF tinha entre as suas fileiras cerca de 5 mil judeus (12% do total de italianos). Daí que as leis raciais tivessem constituído uma enorme surpresa para grande parte deles, muito embora alguns historiadores tivessem tentado encontrar, não sem dificuldade, traços de um anti-semitismo velado em toda a história do movimento de Mussolini.

Mas um dos maiores estudiosos do fascismo italiano, Renzo De Felice, estava convencido do contrário. Na sua opinião, o racismo fascista não tivera início com o anti-semitismo, tendo enveredado por aí apenas muito mais tarde. De qualquer maneira, as políticas de discriminação racial foram adotadas pelo regime como consequência dos novos problemas suscitados pela expansão do império para a África Oriental em 1936. A isto juntou-se uma volta na política interna, quando Mussolini decidiu que a "Revolução Fascista" devia enveredar por uma nova via.

Entre as várias novas ideias também se encontrava o ataque às comunidades judaicas. A legislação racial fascista, embora fosse confusa e contraditória em muitos aspectos, afetava enormemente os direitos civis dos judeus italianos (tanto nas atividades comerciais, nas escolas, ou nas jornalísticas e intelectuais), mas até 1943 a prisão de judeus era limitada e lhes era garantida a segurança pessoal. Contudo, após a invasão da Itália pelas tropas alemãs, a que se seguiu o colapso de 8 de setembro, a situação piorou tragicamente.

Próximo post: # 7 - As bases filosóficas do Fascismo

Outros posts:

# 1 - O aparecimento das ideologias de extrema-direita na Europa

# 2 - As origens do Fascismo

# 3 - O Fascismo e o Estado italiano

# 4 - Benito Mussolini

# 5 - A filosofia de Benito Mussolini

# 8 - As condições da emergência do Fascismo

# 9 - As condições econômicas e sociais que estimularam o Fascismo

# 10 - O Nazismo

FONTE: COM TEXTO LIVRE

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

TERROR E GAL


Deus nos deu uma América Latina

que se afoga nas lágrimas de seu povo.

Que adormece com o choro

convulsivo e faminto

de lindas e delicadas

raquíticas crianças.


Um bando de heróis

que venderam nossas terras

e corpos aos gringos

e suas almas ao Diabo.


Deus nos deu a impotência do grito.

A surdez e a cegueira a muitos,

além, é claro:

das ditaduras em brasa,

da fome feito serpente,

das doenças como lençóis de insetos,

do tédio ao meio-dia

e do amor carnal e cansativo feito luta.


Mas nos deu a voz de Gal para compensar,

que ninguém é de ferro.

"Meu nome é Gal"

Uma história não contada



Os EUA e o mundo: uma história não contada
Entrevista com Noam Chomsky

Em uma entrevista contundente e incisiva, o linguista, filósofo e ativista político estadunidense, Noam Chomsky, falou por telefone com a IHU On-Line sobre a influência dos Estados Unidos em importantes eventos históricos da humanidade, como os golpes militares na América Latina e os assassinatos dos seis jesuítas em El Salvador, em 1989. Sobre esse episódio, Chomsky destaca que "o assassinato dos jesuítas essencialmente finalizou uma década em El Salvador, a qual havia iniciado com o assassinato do arcebispo Oscar Romero, praticamente pelas mesmas mãos. Nesse período, foram mortas cerca de 70 mil pessoas, geralmente pelas forças de segurança apoiadas pelos EUA". Ao questionar o silêncio histórico que se fez sobre o fato, Noam Chomsky explica que "a razão é muito simples: trata-se de um crime; crimes desse tipo são expurgados, eles não aconteceram".

Chomsky também faz uma longa e crítica análise do primeiro ano do governo de Barack Obama, e não suaviza seu posicionamento. Para ele, a principal "realização" de Obama tem sido a de "pagar uma fiança colossal para salvar os bancos. Os grandes bancos agora têm lucros maiores do que tiveram no passado e pagam bônus enormes a seus gestores". Chomsky lembra que os bancos tinham destruído o sistema financeiro e que a medida de Obama "os livrou com dinheiro e os reconstituiu, de modo que agora são maiores do que antes". E alerta: "a não ser que haja alguma significativa regulamentação, o que parece bastante improvável, está se estabelecendo a base para a próxima crise financeira, até pior que a que acaba de ocorrer".

Noam Chomsky nasceu na Filadélfia, Estados Unidos, em 1928. É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Seu nome está associado à criação da gramática generativa transformacional, abordagem que revolucionou os estudos no domínio da linguística teórica. É também o autor de trabalhos fundamentais sobre as propriedades matemáticas das linguagens formais. Além da sua pesquisa e ensino no âmbito da linguística, Chomsky é também conhecido pelas suas posições políticas de esquerda e pela sua crítica da política externa dos Estados Unidos. Chomsky descreve-se como um socialista libertário. Sua página pessoal na internet é Chomsky

Por Graziela Wolfart.
Tradução de Walter Schlupp

Leia a entrevista AQUI

FONTE: O ESQUERDOPATA

FOTO: CHOMSKY.INFO

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O RACISMO E O ASSÉDIO CONTRA O HAITI

Eduardo Galeano (resistir.info)

A democracia haitiana nasceu há um instante. No seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e doentia não recebeu senão bofetadas. Era uma recém-nascida, nos dias de festa de 1991, quando foi assassinada pela quartelada do general Raoul Cedras. Três anos mais tarde, ressuscitou.

Depois de haver posto e retirado tantos ditadores militares, os Estados Unidos retiraram e puseram o presidente Jean-Bertrand Aristide, que havia sido o primeiro governante eleito por voto popular em toda a história do Haiti e que tivera a louca ideia de querer um país menos injusto.

O voto e o veto

Para apagar as pegadas da participação estado-unidense na ditadura sangrenta do general Cedras, os fuzileiros navais levaram 160 mil páginas dos arquivos secretos. Aristide regressou acorrentado. Deram-lhe permissão para recuperar o governo, mas proibiram-lhe o poder. O seu sucessor, René Préval, obteve quase 90 por cento dos votos, mas mais poder do que Préval tem qualquer chefete de quarta categoria do Fundo Monetário ou do Banco Mundial, ainda que o povo haitiano não o tenha eleito nem sequer com um voto.

Mais do que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que Préval, ou algum dos seus ministros, pede créditos internacionais para dar pão aos famintos, letras aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebe resposta, ou respondem ordenando-lhe:

- Recite a lição. E como o governo haitiano não acaba de aprender que é preciso desmantelar os poucos serviços públicos que restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados do mundo, os professores dão o exame por perdido.

O álibi demográfico

Em fins do ano passado, quatro deputados alemães visitaram o Haiti. Mal chegaram, a miséria do povo feriu-lhes os olhos. Então o embaixador da Alemanha explicou-lhe, em Port-au-Prince, qual é o problema:

- Este é um país superpovoado, disse ele. A mulher haitiana sempre quer e o homem haitiano sempre pode.

E riu. Os deputados calaram-se. Nessa noite, um deles, Winfried Wolf, consultou os números. E comprovou que o Haiti é, com El Salvador, o país mais superpovoado das Américas, mas está tão superpovoado quanto a Alemanha: tem quase a mesma quantidade de habitantes por quilômetro quadrado.

Durante os seus dias no Haiti, o deputado Wolf não só foi golpeado pela miséria como também foi deslumbrado pela capacidade de beleza dos pintores populares. E chegou à conclusão de que o Haiti está superpovoado... de artistas.

Na realidade, o álibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro.

A tradição racista

Os Estados Unidos invadiram o Haiti em 1915 e governaram o país até 1934. Retiraram-se quando conseguiram os seus dois objetivos: cobrar as dívidas do City Bank e abolir o artigo constitucional que proibia vender plantações aos estrangeiros. Então Robert Lansing, secretário de Estado, justificou a longa e feroz ocupação militar explicando que a raça negra é incapaz de governar-se a si própria, que tem `uma tendência inerente à vida selvagem e uma incapacidade física de civilização`. Um dos responsáveis da invasão, William Philips, havia incubado tempos antes a ideia sagaz: `Este é um povo inferior, incapaz de conservar a civilização que haviam deixado os franceses`.

O Haiti fora a pérola da coroa, a colônia mais rica da França: uma grande plantação de açúcar, com mão-de-obra escrava. No Espírito das leis, Montesquieu havia explicado sem papas na língua: `O açúcar seria demasiado caro se os escravos não trabalhassem na sua produção. Os referidos escravos são negros desde os pés até à cabeça e têm o nariz tão achatado que é quase impossível deles ter pena. Torna-se impensável que Deus, que é um ser muito sábio, tenha posto uma alma, e sobretudo uma alma boa, num corpo inteiramente negro`.

Em contrapartida, Deus havia posto um açoite na mão do capataz. Os escravos não se distinguiam pela sua vontade de trabalhar. Os negros eram escravos por natureza e vagos também por natureza, e a natureza, cúmplice da ordem social, era obra de Deus: o escravo devia servir o amo e o amo devia castigar o escravo, que não mostrava o menor entusiasmo na hora de cumprir com o desígnio divino.

Karl von Linneo, contemporâneo de Montesquieu, havia retratado o negro com precisão científica: `Vagabundo, preguiçoso, negligente, indolente e de costumes dissolutos`. Mais generosamente, outro contemporâneo, David Hume, havia comprovado que o negro `pode desenvolver certas habilidades humanas, tal como o papagaio que fala algumas palavras`.

A humilhação imperdoável

Em 1803 os negros do Haiti deram uma tremenda sova nas tropas de Napoleão Bonaparte e a Europa jamais perdoou esta humilhação infligida à raça branca. O Haiti foi o primeiro país livre das Américas. Os Estados Unidos haviam conquistado antes a sua independência, mas tinha meio milhão de escravos a trabalhar nas plantações de algodão e de tabaco. Jefferson, que era dono de escravos, dizia que todos os homens são iguais, mas também dizia que os negros foram, são e serão inferiores.

A bandeira dos homens livres levantou-se sobre as ruínas. A terra haitiana fora devastada pela monocultura do açúcar e arrasada pelas calamidades da guerra contra a França, e um terço da população havia caído no combate. Então começou o bloqueio. A nação recém nascida foi condenada à solidão. Ninguém lhe comprava, ninguém lhe vendia, ninguém a reconhecia.

O delito da dignidade

Nem sequer Simón Bolíver, que tão valente soube ser, teve a coragem de firmar o reconhecimento diplomático do país negro. Bolívar havia podido reiniciar a sua luta pela independência americana, quando a Espanha já o havia derrotado, graças ao apoio do Haiti.

O governo haitiano havia-lhe entregue sete naves e muitas armas e soldados, com a única condição de que Bolívar libertasse os escravos, uma ideia que não havia ocorrido ao Libertador. Bolívar cumpriu com este compromisso, mas depois da sua vitória, quando já governava a Grande Colômbia, deu as costas ao país que o havia salvo. E quando convocou as nações americanas à reunião do Panamá, não convidou o Haiti mas convidou a Inglaterra.

Os Estados Unidos reconheceram o Haiti apenas sessenta anos depois do fim da guerra de independência, enquanto Etienne Serres, um gênio francês da anatomia, descobria em Paris que os negros são primitivos porque têm pouca distância entre o umbigo e o pênis.

Por essa altura, o Haiti já estava em mãos de ditaduras militares carniceiras, que destinavam os famélicos recursos do país ao pagamento da dívida francesa. A Europa havia imposto ao Haiti a obrigação de pagar à França uma indenização gigantesca, a modo de perdão por haver cometido o delito da dignidade.

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.

Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio, é autor de várias obras sobre a América Latina. `As veias abertas da América Latina` é a mais conhecida e divulgada.

Publicado originalmente: resistir.info

O artigo encontra-se também em www.cut.org.br

19/01/2010

Publicado na edição de número 556 da revista Brecha (Uruguai), em 26 de júlio de 1996.

FONTE: AEPET

Chavez : um inimigo da liberdade de imprensa?


do portal da CTB
02/02/2010
Breno Altman

O dogma criado pela plutocracia midiática associa uma robusta bandeira democrática com a apropriação privada dos meios para realizá-la. Liberdade de imprensa, para esses senhores e senhoras, é o direito ilimitado dos proprietários de veículos de comunicação em usufruir a bel-prazer de seus ativos de informação e entretenimento. Qualquer contestação ou regulação dessa franquia quase divina constituiria uma ameaça à democracia.

As punições recentemente adotadas contra a RCTVI (Rede Caracas de Televisão Internacional) e outros cinco canais a cabo suscitaram forte onda acusatória contra o presidente venezuelano. Um aluvião de artigos e editoriais foi lançado a público para acoimá-lo como inimigo da liberdade de imprensa.

A mídia conservadora, como é de seu feitio, embaralha as informações para melhor articular sua escalada contra Chávez. Os motivos que levaram às medidas punitivas são omitidos ou manipulados. O vale-tudo não tem compromisso com a verdade.

Os seis canais suspensos violaram seguidamente vários dispositivos legais (obrigatoriedade de transmitir redes oficiais, programas educacionais, símbolos nacionais, classificação etária e assim por diante). Três entre esses reconheceram as irregularidades e se comprometeram a retificá-las: voltaram imediatamente ao ar. Os demais têm a mesma possibilidade. Nenhum canal foi fechado ou desapropriado.

Até mesmo alguns setores progressistas, porém, ficaram abalados com esses fatos. Muitas pessoas de bem, afinal, reagem como se o tema da liberdade de imprensa fosse sagrado. Desses sobre os quais só pode haver uma opinião possível: as demais seriam autoritárias ou, quando muito, ultrapassadas.

O dogma criado pela plutocracia midiática associa uma robusta bandeira democrática com a apropriação privada dos meios para realizá-la. Liberdade de imprensa, para esses senhores e senhoras, é o direito ilimitado dos proprietários de veículos de comunicação em usufruir a bel-prazer de seus ativos de informação e entretenimento. Qualquer contestação ou regulação dessa franquia quase divina constituiria uma ameaça à democracia.

Mas o que há de democrático na transformação de um bem público (o direito de informar e ser informado) em monopólio de corporações privadas, famílias ou indivíduos? Qual é a liberdade possível quando os instrumentos de comunicação e cultura têm seu controle originado no poder econômico?

A revolução técnico-científica das últimas décadas fez da informação e seus meios um poder fático. Sua expansão foi patrocinada por governos e grupos empresariais, cuja associação direta ou indireta com os donos dos veículos alavancou esse baronato a um papel político, cultural e econômico de ampla envergadura.

Basta um olhar ligeiro sobre a América do Sul para termos noção desse processo. Quase todas as empresas relevantes de comunicação foram criadas ou fortalecidas pelas ditaduras e seus sócios capitalistas. Os casos Clarín e Globo, mais conhecidos, estão longe de ser exceção. Na Venezuela a história não foi diferente.

A democratização do subcontinente, no entanto, jamais chegou aos meios de comunicação. Está certo que acabou a censura, mas os barões da mídia só viram sua influência e autonomia crescerem. A liberdade formal de qualquer grupo social ou indivíduo em criar seu próprio veículo foi implantada, de fato, mas a possibilidade econômica de exercer essa prerrogativa continuou nas mesmas e poucas mãos.

Os interesses nessa autonomia, no mais, vão além dos proprietários dos meios, abençoados pelas condições institucionais de difundir livremente os valores, idéias e informações que melhor lhes apetecer para a lucratividade de seu negócio.

Seu estatuto especial, o de único poder público de caráter privado, permitiu a plena realização do diagnóstico anunciado pelo pensador italiano Antonio Gramsci, há mais de setenta anos, quando afirmou que os jornais haviam se transformado nos “modernos partidos políticos da burguesia”.

Os meios monopolistas de comunicação podem se exibir como neutros, objetivos ou isentos, com verniz de interesse universal que nenhuma agremiação conservadora teria como apresentar aos eleitores. Chegam à desfaçatez de alcunhar o que editam ou difundem de “opinião pública”, como se a sociedade tivesse delegado a esse setor social uma procuração para falar em seu nome.

Mas não se trata apenas de aparência. Através dos meios um exército profissional de colunistas, jornalistas e produtores de entretenimento, entre outros, pode ser integralmente mobilizado para construir os valores e as informações que correspondem aos interesses de seus patrões e associados. Esses veículos cumprem a tarefa de articular o discurso e a base social das elites ao redor das quais gravitam.

Sua atividade, ao contrário das demais funções públicas, incluindo os partidos políticos, não está subordinada a qualquer mecanismo eleitoral, controle social ou fiscalização institucional, ainda que os meios audiovisuais ” a ponta de lança do sistema comunicacional ” operem quase sempre a partir de uma concessão do Estado.

O que esse baronato chama de “liberdade de imprensa” é de um cinismo exemplar. Trata-se apenas da sua liberdade de imprimir, difundir e entreter, às custas da negação prática desse direito a imensos grupos sociais, que não possuem os instrumentos institucionais e as possibilidades financeiras de levar a público sua própria voz.

A eleição de governos progressistas na América Latina criou a chance dessa situação antidemocrática ser superada ou, ao menos, amenizada. A presidente Cristina Kischner, na Argentina, conseguiu a aprovação de uma nova lei para os meios audiovisuais. O boliviano Evo Morales segue pelo mesmo caminho. O líder venezuelano, atropelado em 2002 por um golpe de estado urdido e animado pelos grandes meios de comunicação, foi quem primeiro ousou agarrar o touro pelos chifres.

Nenhum desses governantes propôs que fosse estabelecida alguma espécie de censura ou impedimento para a circulação de idéias. Ao contrário: suas iniciativas buscam restringir o peso dos monopólios, abrindo espaços para novos atores e regulamentando uma atividade tão estratégica para a sociedade.

Trata-se, aliás, de uma abordagem comum à maioria dos países democráticos, nos quais existem leis que limitam esses monopólios, asseguram produção nacional e programação educacional, estabelecem cláusula de consciência para os jornalistas, abrem espaço para os movimentos sociais e sindicais.

Mas a reação do baronato venezuelano, no caso específico, não se fez por esperar. Vários dos proprietários desses meios simplesmente se recusam a obedecer legislação proposta por um governo eleito pelo povo e aprovada por um parlamento legítimo. As punições que receberam foram a conta justa, e bastante moderada, para quem insiste em andar fora da lei, costume inconcebível em uma democracia.

Os monopólios estão sendo regulamentados, como é adequado a qualquer serviço público, sob o risco de perderem a concessão que receberam caso persistam em atitudes antidemocráticas. Poderiam ter sido cassados há oito anos, quando foram protagonistas da intentona golpista, mas lhes foi conferida a oportunidade de revisarem suas opções.

Os venezuelanos têm hoje um cardápio de jornais, revistas e meios audiovisuais mais amplo e plural que em qualquer momento de sua história. Muitas organizações sociais e comunidades tiveram apoio governamental para romper a ditadura do poder econômico e criar as condições materiais para o surgimento de novos veículos.

Além de manter abertas as portas da imprensa oposicionista, apesar de suas recorrentes violações constitucionais, o governo Chávez deu vida a uma importante rede de rádios comunitárias, facilitou a criação de novos canais de televisão, direcionou a publicidade estatal para jornais e revistas independentes. Não é pouca coisa.

O presidente venezuelano, de fato, não se revela amigo da mesma liberdade de imprensa apregoada pela plutocracia midiática. Presta serviço às idéias democráticas, no entanto, ao identificar no monopólio privado e desregulamentado da comunicação o maior obstáculo para o direito de informar e ser informado.


*Breno Altman é jornalista e diretor do sitio Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

Fonte: Márcia e suas leituras

Foto: www.robertamsterdam.com

Qual o interesse dos EUA no Haiti?


O Haiti é onde empreiteiros da Wal Disney fazem pijamas Mickey Mouse, quase de graça. Os EUA controlam o açúcar, a bauxita e o sisal do Haiti. A cultura do arroz foi substituída por arroz americano importado, levando o povo para as cidades e habitações improvisadas. Ano após ano, o Haiti foi invadido pelos US marines, infames pelas atrocidades que têm sido a sua especialidade desde as Filipinas até o Afeganistão.

Bill Clinton é outro comediante, tendo conseguido ser nomeado o homem da ONU no Haiti. Outrora bajulado pela BBC como o "Sr. Belo Tipo... que leva a democracia a uma terra triste e perturbada", Clinton é o mais notório corsário do Haiti, a exigir a desregulamentação da economia em benefício dos barões das fábricas escravizantes (sweatshops). Ultimamente, ele tem estado a promover um negócio de US$ 55 milhões para transformar o Norte do Haiti num "campo turístico" anexado à América.

Não é por causa dos turistas que o edifício da embaixada dos EUA em Porto Princípe é o quinto maior do mundo. Décadas atrás foi descoberto petróleo no Haiti e os EUA mantiveram-nas em reserva até que o do Médio Oriente começasse a esgotar-se. De modo mais premente, um Haiti ocupado tem uma importância estratégica nos planos de Washington para "reverter" a América Latina. O objetivo é o derrube de democracias populares na Venezuela, Bolívia e Equador, o controle das abundantes reservas petrolíferas da Venezuela e a sabotagem da crescente cooperação regional que deu a milhões o antegosto de uma justiça econômica e social sempre negada pelos regimes patrocinados pelos EUA.

Fonte: http://blogdovelhocomunista.blogspot.com/

De: Sandrodavidovitch