LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

terça-feira, 30 de junho de 2009

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (VI)

Qual o tamanho do orifício das redes?

Os orifícios das redes a cada dia e a cada ação do Governo-Pescador mais se alargam deixando os peixes de serem pescados e protegidos, ao contrário, ficam a mercê de redes piratas, que são bastante seletivas com os peixes a serem pegos, aqueles que são desinteressantes para a sua atividade, simplesmente são excluídos, sendo devolvidos ao mar ou morrem presos às armadilhas-redes piratas dos pseudopescadores.

"Embaixatriz Lúcia Flexa de Lima quer herança de ACM"

Fonte: Exílio da Lenda

A justiça baiana acaba de negar pedido de exumação dos restos mortais do senador Antônio Carlos Magalhães, em busca de dados de seu DNA. Seria um dos lances do processo que corre em sigilo na justiça baiana, movido pela embaixatriz Lúcia Flexa de Lima, mulher do embaixador Paulo Tarso Flexa de Lima, reclamando a paternidade de ACM para seu filho caçula.

O processo foi aberto contra a vontade do marido-embaixador, anti-ACM declarado, e a justiça baiana optou pelo respeito ao ex-senador baiano, negando o pedido de exumação.

Para quem não sabe, está em jogo um patrimônio estimado em R$ 2 bilhões deixado por ACM, do qual Lúcia Flecha de Lima quer um naco.

Detalhe: o filho caçula da embaixatriz é um clone do falecido deputado Luiz Eduardo Magalhães, filho de ACM, como mostra a foto abaixo.

Lúcia Flexa de Lima é aquela senhora séria, que se dizia amiga e conselheira da Princesa Diana e, por essa razão, muito badalada na mídia brasileira.

Porém, na hora de abocanhar parte da fortuna de ACM, não hesitou em deixar de lado a seriedade e expor ao ridículo o marido embaixador, que participa do processo na condição de "Corno".

A notícia também pode ser lida aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

GOLPE COM AMOSTRAS GRÁTIS: COMO MENTE E DISTORCE A MÍDIA

Por Laerte Braga, um comovente texto, uma bofetada: acordem! Do excelente Maria Frô

Roberto Micheletti, presidente do congresso hondurenho, foi empossado na presidência da República em substituição ao presidente constitucional Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar financiado por empresas multinacionais do setor farmacêutico.

Quem se der ao trabalho de comparar o discurso de posse do novo “presidente” vai encontrar semelhanças com o discurso de Pedro Carmona, “presidente” empossado no golpe que destituiu Hugo Chávez em 2002. Durou três dias e Carmona mora hoje em Miami, paraíso de golpistas.

Micheletti fala em “transição”, fala em “legalidade”, fala em “paz” enquanto as tropas da indústria farmacêutica prendem e matam lideranças de oposição. Em flagrante desrespeito a normas internacionais de direito o embaixador da Venezuela foi seqüestrado, agredido e abandonado numa estrada por militares “patriotas”. O mesmo aconteceu com o embaixador de Cuba.

Políticos como Micheletti não são tão caros assim como se possa imaginar. Como via de regra não têm e nem sabem o que sejam escrúpulos, princípios, dignidade, costumam aceitar qualquer garrafa de cerveja para um golpe semelhante ao que aconteceu em Honduras.

No caso de Micheletti (que não tem a goela grande de um Sarney) deve ter recebido um monte de amostras grátis da indústria farmacêutica internacional. O golpe, entre outras razões, foi financiado por essas quadrilhas para evitar o acordo que previa medicamentos genéricos e baratos no país e um projeto de saúde pública que contemplasse todos os hondurenhos. Entre outras razões. O presidente constitucional do país aderiu a ALBA – ALTERNATIVA BOLIVARIANA – e pretendia realizar hoje um referendo sobre reformas constitucionais.

Ouvir o desejo dos cidadãos de seu país. Isso não convém a empresas multinacionais, a banqueiros, a latifundiários e não interessa aos norte-americanos. O embaixador dos EUA foi partícipe ativo dos preparativos do golpe e do próprio. Não se reporta a Obama, só na hora das fotos. Seus relatórios vão para Wall Street, em New York.

Barak Obama talvez tenha entendido agora que não preside país algum. É apenas parte de um show, um espetáculo. Ou aceita as regras dos diretores – são vários – ou fica num mandato só, nem isso se bobear.

Deve ter sido farta a distribuição de amostras grátis. Existe uma boa quantidade de generais, deputados e ministros de corte suprema em Honduras. Vão ser usadas, com certeza, nas próximas eleições.

A mídia brasileira, financiada dentre outros, por laboratórios multinacionais, vem noticiando o fato com a expressão “golpe de estado”, mas preocupada em deixar claro nas entrelinhas que o presidente constitucional do país Manuel Zelaya “desrespeitou” uma decisão da suprema corte.

A barbárie e a violência dos militares golpistas não é registrada. Importante é deixar uma dúvida no ar.

A condenação explícita do golpe por governos do mundo inteiro leva a mídia a apostar em fatos que considera de “maior importância”. A morte de Michael Jackson. Ou a vitória do Brasil sobre os Estados Unidos. E atribuir ao presidente deposto pelos militares a soldo da indústria farmacêutica intenções de vir a ser reeleito.

Não existe capacidade de indignação na grande mídia brasileira, de um modo geral em todo o mundo capitalista. Não existe vontade de explicar os fatos, mostrá-los na sua totalidade. Existe a mentira deliberada e muito bem divulgada.

Se não podem exibir a alegria e os sorrisos com a deposição de um presidente que contraria os interesses dos patrões, exibem a discrição asséptica de quem quer que o assunto fique num canto e não leve as pessoas a pensar em todas as suas conseqüências, ou no seu significado.

Foi desse jeito, quando o presidente Chávez determinou que a gasolina venezuelana fosse vendida a preços mais baixos na região atingida pelo furacão Katrina – New Orleans – que William Bonner explicou a estudantes e professores de jornalismo que a notícia não interessava, pois “nosso telespectador é como Homer Simpson, não quer saber de fatos assim e além do mais essa noticia contraria nossos amigos americanos”.

É comum esse tipo de empregado qualificado chamar o dono de amigo. Na mesma medida que esse dono, também não tem nem princípios e nem escrúpulos.

Às vezes se esquecem de combinar a farsa e acabam trombando. Foi o que revelou o jornalista Celso Lungaretti em episódio que envolve outro “militar patriota”, o célebre major Curió. Curió abriu a boca semana passada e confessou que muitos dos prisioneiros na guerrilha do Araguaia foram executados a sangue frio. A revista VEJA, preocupada com a queda na circulação, deu destaque às declarações de celerado Curió e a FOLHA DE SÃO PAULO, preocupada em agradar os patrões, também por conta da queda de circulação, mas noutra via, foi ouvir militares com coragem para mentir e desmentir Curió em nome do que a FOLHA chamou de “ditabranda”.

É tudo “patriotismo”.

O que o golpe em Honduras mostra é que esse tipo de “patriotismo” canalha continua vivo em setores de forças armadas latino-americanas. Que o arremedo neoliberal que chamam de “democracia” não está assim tão consolidado. E nem se fale que Honduras é um país de dimensões menores. Ano passado o general comandante militar da Amazônia – hoje na reserva – Augusto Heleno fez severas críticas à posição do governo Lula sobre terras indígenas, em franca defesa de latifundiários e empresas multinacionais na região, caso da VALE.

O general em questão, hoje na reserva, faz palestras pelo Brasil afora “alertando” sobre os riscos que os índios representam para o Brasil. Já a VALE… Paga as despesas.

E financia a mídia na linguagem do “progresso” concebida segundo os critérios das empresas, bancos e latifundiários que, em qualquer país como o Brasil, hoje em Honduras, são os principais acionistas do Estado. Como um todo. Poderes executivo, legislativo e judiciário. E por via das dúvidas forças armadas em sua maioria, pois de repente é preciso da borduna.

Nessa ótica é “notícia” a cozinheira de Michael Jackson. Explicando o que o cantor comia, ou que contava histórias para ele quando servia as refeições. Ou Regina Case fazendo com que as pessoas se vejam na senhora que apanha e coloca no bolso “brigadeiros” de festas infantis, numa perversa inversão de fatos que transforma a visão das elites sobre os mortais comuns, em fato hilário para os próprios mortais comuns. Para que se enxerguem ali em eventuais comportamentos constrangedores, digamos assim.

E achem graça. E consigam gargalhar de situações semelhantes que viveram. Ou que viram.

O desmonte do espírito crítico. O deboche. A criminalização de movimentos populares de índios, camponeses, trabalhadores como um todo. Os fatos ocultados, distorcidos, as mentiras vendidas à exaustão e que acabam virando “verdades”.

A memória curta. O extinto JORNAL DO BRASIL – um cadáver insepulto que teima em caminhar/circular – noticiou hoje no site na internet que o presidente Zelaya havia sido “preso e deposto por determinação da suprema corte”. Por ter contrariado a constituição do país.

Conceição Lemes, editora do site VI O MUNDO do jornalista Carlos Azenha, publica na edição de hoje uma entrevista com o escritor Urariano Mota, autor do livro “Soledad no Recife", a ser lançado em julho pela editora BOITEMPO.

Urariano conta a história da militante Soledad Barret Viedma presa e assassinada pela repressão. Estava grávida do cabo Anselmo – agente da ditadura militar que se fazia passar por líder de esquerda – e foi entregue ao assassino travestido de delegado Sérgio Fleury pelo próprio Anselmo.

A versão oficial, um “combate” com “terroristas” na chácara de São Bento, cenário montado para desova dos corpos de lideranças que se opunham à ditadura militar no Brasil, essa que a FOLHA DE SÃO PAULO chama de “ditabranda”. A FOLHA foi partícipe de uma das operações mais perversas do regime. A OBAN –OPERAÇÃO BANDEIRANTES – em que empresas financiavam órgãos de repressão para “libertar” o Brasil e “garantir a democracia”.

A entrevista de Urariano é um dos mais pungentes depoimentos sobre a barbárie desses “patriotas”. Tenham sido os brasileiros, os chilenos com Pinochet, ou agora, os generais remunerados a amostras grátis em Honduras.

Uma história, um fato, uma realidade, uma brutalidade, mas isso não importa à mídia chamada grande.

Os “incômodos” causados pela rede mundial de computadores, o que se convencionou chamar de “blog/esfera” já está sendo tratado pelos donos no projeto do senador Eduardo Azeredo. Corrupto de plantão para esse tipo de “trabalho sujo”. Censura.

O golpe em Honduras e sua verdadeira razão teria passado em brancas nuvens não fosse a rede. Ou a net como se costuma dizer.

Hospitais no País inteiro estão cheios de remédios contra a gripe suína. Médicos que se fazem respeitar pelo caráter e pela dignidade com que exercem a profissão já desmistificaram o novo vírus e já ensinaram a tratá-lo sem essa parafernália que gera concorrências públicas, compra de medicamentos e um estado de alerta e pânico, num vírus gerado no México, por uma indústria poluidora, expulsa dos EUA – lógico, colônias como o México existem para isso – no melhor estilo multinacional.

Os baluartes do progresso.

Importante é comportar-se de forma adequada em festas infantis e não colocar brigadeiros nos bolsos. Pode se dar mal com a segurança e virar historinha divertida no FANTÁSTICO.

PAPEL SOCIAL e REPÓRTER BRASIL denunciaram que madeireiras na Amazônia cometem constantes e deliberados crimes ambientais em parceria com grandes parceiros nos Estados Unidos. A MADEBALL – multas diversas – e a COMABIL (crimes ambientais, trabalho escravo, retirada de madeira em terras indígenas, invasão de terras públicas para desmatamento) e a RIO PARDO MADEIRAS entregam o produto do crime a VITÓRIA RÉGIA EXPORTAÇÕES, PAMPA EXPORTAÇÕES E INTERWOOD BRASIL, que transformam a madeira ilegal para empresas como a LUMBER LIQUIDATORS (140 lojas nos EUA, conforme a denúncia), a BRICO DÉPÔRT que, por sua vez, em países como os EUA, o REINO UNIDO, ITÁLIA, POLÔNIA, TURQUIA e CHINA, transformam tudo em casas do tipo “faça você mesmo”. E se estendem a ROBINSON LUMBER COMPANY que vende para mais de setentas países. Ou a MOXON TIMBER, que alcança os mercados norte-americanos, asiático, latino-americano e a Nova Zelândia.

A culpa é dos índios, ou é do presidente do Irã.

As recentes modificações feitas em medida provisória sobre terras na Amazônia atenderam, no Congresso, às reivindicações desse tipo de empresa. Têm na senadora Kátia Abreu, dos DEM, a representante mais legítima dessa espécie de destruição. São predadores.

Há uma investigação em curso sobre um estranho container que chegou ao Brasil vindo da Grã Bretanha com o registro de conter determinadas mercadorias. Estava trazendo lixo médico, hospitalar.

Não vira espetáculo na mídia. A mídia é paga para não deixar que as pessoas saibam disso.

O que está acontecendo em Honduras é pura barbárie. E por trás das notícias frias, aparentemente isentas divulgadas no Brasil pelas redes de tevê, grandes cadeias de rádio, jornais e revistas, está o sorriso do faturamento garantido. Nesse caso pelos grandes laboratórios.

Não está tão longe assim quanto se possa imaginar. Honduras é pertinho e os bandidos que lá atuam, atuam aqui também.

Honduras sofre um golpe militar, e os defensores do Estado de direito desaparecem

Por Carlinhos Medeiros, do ótimo Bodega Cultural

ComportamentoInteressante, a Coreia do Norte passou um sufoco danado com as ameaças psicológicas das Forças Armadas dos EUA e Coreia da Sul fazendo exercícios de guerra bem nas imediações de suas fronteiras - terra, ar e mar - e ninguém noticiou essas manobras terroristas.

Bastou a Coreia fazer seus exercícios de defesa, “A Rede” não parou de anunciar os atos criminosos de Kim Il-sung , o ditador proletário.

Nas ultimas eleições iranianas, que deram vitória incontestável ao presidente Ahmadinejad em primeiro turno, todas as normas internacionais foram observadas, mas os jornais da "Rede" não pararam de noticiar a insatisfação dos opositores, os partidários de Mussavi, que se alto declarou eleito e não aceitou o resultado das urnas. Feita a recontagem dos votos nas urnas que se diziam adulteradas verificou-se que tudo não passava de ilações com finalidades golpistas.

Além dos “milhões” que foram às ruas protestar - segundo a ótica da "Rede" -, a imagem de uma menina caída, alvejada durante os conflitos foi repercutido à exaustão. Uma cena que poderia muito bem ter sido montada.

Independente disso, a "Rede" não mostrou os que tombaram vitima da violência dos que defendiam o golpista Mussavi.

Na internet fizeram vasta campanha, e vários twitteiros pintaram seus avatares de verde em sinal de protesto, defendendo o Estado de direito que havia sido violado no Irã.

Pois bem, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, de acordo com os manuais da democracia ocidental, ia fazer um plebiscito – consulta popular - referendo do povo –, para saber se eram contra ou a favor de uma nova Constituição, e foi sequestrado violentamente de sua residência pelos militares a mando de Roberto Micheletti, presidente do Congresso, e do arce-bispo auxiliar de Tegucigalpa - os mentores intelectuais do golpe.

Tanques ganharam às ruas, o Estado de direito foi violado, manifestações foram reprimidas à golpes de cassetetes, canais de notícias foram fechados, jornalistas impedidos de desempenhar suas funções, e não vi nenhuma notícia no Fantástico, nenhuma carinha pintada com a bandeira de Honduras, nenhuma matéria de peso nos jornais da Rede. Só indiferença. Cuidado com a "Rede".

sábado, 27 de junho de 2009

Valores includentes e excludentes

Utilizo no texto “Ética e jornalismo” a expressão valores universais e moralmente superiores em contrapartida aos interesses financeiro-mercadológicos e ideológicos; e justamente condeno o viés ideológico único, dos donos do poder, que pode ser o dono do jornal, televisão, rádio, etc., atrelado ao grupo político dominante, que na época era a direita, representada aqui no Brasil por FHC, e no Peru, pelo ídolo dos neoliberais, Fujimori.

Atualizando, pois o texto é de 2002, se assistirmos ao Jornal Nacional, da Rede Globo, identificaremos claramente esse viés ideológico único, trabalho maravilhoso neste sentido foi realizado pelo Sakamoto; ao contrário, no Repórter Brasil, da TV Brasil, esse viés é, sempre, diluído, quando se ouve, sobre determinado e polêmico assunto, os dois lados da história, representantes das chamadas esquerda e direita.

Com certeza você situa, e corretamente, que a moral é produto do tempo, e também do espaço, não é estática, e reflete entre outros aspectos, as relações de produção e a cultura vigente.

Se optarmos pela idéia de um bem supremo, estaremos na companhia de Platão; ao contrário, na companhia de Pascal, nada mal.

Espinoza e Kant, principalmente este, buscaram princípios que, independente do tempo e da sociedade guiariam o homem na busca do bem, falharam? Acredito que sim. Na identificação do princípio, não que este não exista.

Seria o respeito à vida, a integridade física, por exemplo, valores universais?

Confesso que transito entre as duas posições - racionalismo e empirismo – apesar da marretada que vem com Nietzsche. Da mesma forma transito entre o ateísmo – às vezes convicto, como uma crença -, e o agnosticismo, achando-me incapaz de conceber qualquer verdade ou indício desta, ou seja, sou – ou somos? – uma metamorfose ambulante.

Quando no meu texto menciono valores universais e moralmente superiores, faço-o sob a ótica de Nietzsche - uma contradição? –, valores que façam com que o homem viva em sua plenitude a vida, valores que não subjuguem o homem ao homem, mais universais do que isto?

A busca da liberdade seria outro valor universal?

Vivemos num embate histórico, e mais uma vez não podemos nos abstrair do contexto social, do tempo, do espaço, das relações de produção, etc., mas situá-lo, para efeito didático e pontual, como no caso do artigo em questão, é a dicotomia direita-capitalista versus esquerda-socialista.

O que é ser de esquerda? Para mim é estar do lado dos excluídos, não apenas como torcida, mas em alguma forma de luta, nem que seja apenas a voz, o grito. E o que é ser de direita? É estar ao lado do capital, do lucro, da acumulação irracional, dos que exploram os excluídos.

Uma saída para identificarmos “valores universais e moralmente superiores”, talvez, não ao longo de toda a história do homem, não no aquém nem no além, mas no agora, na dicotomia esquerda-direita, sem querer ser o dono da verdade ou ter encontrado uma saída mágica para a questão, é questionar se os valores são excludentes ou includentes.

Se excludentes, são valores da direita-capitalista, portanto, não-universais e moralmente inferiores, vide ao que conduziram esses valores: a primeira guerra mundial, a segunda, a exploração cruel da Ásia e da África, só para ficarmos nos aperitivos.

Se includentes, são valores da esquerda-socialista: se quero comer todo dia, quero não apenas alimentos para mim ou para o meu grupo, mas para todos.

Isto é perigoso? Sim. Viver é perigoso. Einstein é perigoso? Quando coopera na produção de uma bomba atômica, sim. Um avião é perigoso? Quando bombardeia Gaza, sim. E uma faca? Quando assassina alguém, sim. Dependem do uso que demos a eles, aos valores.

Durante séculos vivemos sob a mentira de que valores superiores e universais eram os dos países capitalistas ricos. Houve até a decretação do fim da história. Até que em setembro de 2008, também para os mais céticos, a coisa ruiu. Vinha ruindo desde sempre, mais se acelerou com o neoliberalismo – obrigado São Reagan! Obrigado Santa Margareth Thatcher! -, e com a queda do muro de Berlim e a derrocada da União Soviética.

Portanto, sem medo de errar, apaixonado pela destruição apaixonada da moral “dos rebanhos” e “dos escravos”, de Nietzsche. Na crença, junto com os defensores do direito natural, de que existem direitos e valores inalienáveis. Considero como valores universais e moralmente superiores os valores includentes, aqueles que foram e serão gerados com a implantação de uma verdadeira sociedade socialista.

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (V)

Os pescadores respeitam os lugares proibidos a pesca? Se não respeitam, o que acontece?

O Governo-Pescador define como sua obrigação à prestação de serviços de saúde, portanto haveriam áreas proibidas para os pseudopescadores, mas o que se vislumbra é que mais e mais as áreas reservadas à ação do Governo-Pescador são invadidas pelos barcos dos pseudopescadores sem que o grande Pescador tome medidas eficazes para coibir tal pratica não benéfica aos peixes e ao mar.

Quando essas áreas proibidas não são respeitadas, o grande Pescador tem por ações: (i) ignorar os avanços dos pseudopescadores;[1] (ii) pronunciar-se em cadeia nacional através do pescador mor ou de seus ministros-pescadores, sobre soluções a serem implementadas, e que, “por certo”, resolveram os problemas;[2],[3] (iii) implementar planos eleitoreiros, com vistas à sucessão política.[4]


[1] Apesar de em números globais mais cidadãos-peixes brasileiros dependerem do SUS, dos 170 milhões de peixes, 130 milhões dependem do SUS (ver nota de rodapé nº. 6 deste trabalho), segundo pesquisas do Professor Jorge Alexandre, da UFPE, se levarmos em conta apenas à população economicamente ativa o número de peixes que recorrem utilizam planos de saúde privada supera o que utilizam a rede de saúde pública.
[2] Temos aqui o exemplo da CPMF, que é usada em outras áreas, mesmo tendo a sua criação sendo vinculada à aplicação exclusiva na área de saúde.
[3] Zaverucha, obra citada, p. 28: “Mais recentemente, dois dias após a saída do ministro da Saúde, Adib Jatene, em protesto contra as insuficientes dotações alocadas para sanear a caótica saúde pública,...”
[4] Apenas em seu segundo mandato, e com o objetivo de colocar o candidato a sua sucessão em evidência, o Ministro da Saúde José Serra, o Governo-Pescador de FHC editou a Emenda Constitucional n° 29/2000, que dispõe sobre o percentual mínimo da receita de impostos, de cada ente federativo, a ser aplicada no financiamento da saúde pública, em maio de 2000.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Réquiem para minha morte


Abertura
Ao som de Tchaichovsky e Capiba



Cenário
Bares e poetas amigos (vivos ou ausentes)



Erickson

Conheci Erickson Luna no Chambaril do Júnior, no dia 30/11/04, sua voz tronituante, seus livros, seus poemas, sua vontade de mudar o mundo, seu socialismo alcoólico, seu amor aos amigos... Tornamo-nos amigos, inevitável!

Conhecia o Poeta de histórias contadas pelo primo Ítalo - que conviveu e produziu música com ele quando eram jovens - que um dia, depois de morar 20 anos no Rio de Janeiro, perguntou-me: Erickson ainda é vivo?

Em “Do moço e do bêbado”:

BÊ-A-BÁ

Bicados num beco de mim
aos baques
bradam Baco e Bakunin



Espinhara

Era sério o Chico, reservado, sisudo, sempre de chapéu e o eterno amigo Bráulio a tiracolo. Não dava trela, mesmo no Quitanda Vinil - que tive a honra de batizar - eram sempre os dois. Olhávamos, questionávamos, pedíamos, brincávamos, mas aquela amizade era intransponível, que o diga Camila, a musa.

De “Bacantes” escolho o canto IX das “Pluralidades”:

Tudo era muito fácil: não era uma questão de
um abrir e fechar de olhos, mas de um abrir e
fechar de pernas. Para ela era assim.



Alberto

Ainda na adolescência, conheci Alberto da Cunha Mello, nos livros, é claro. Busquei alguns encontros, mas o cara era difícil. Fui músico, de péssima qualidade, escrevi alguns poemas de caráter duvidosos, e assim a vida prosseguiu. Apenas uma vez ele leu um poema meu em um concurso da Católica, Apocalipse – em quatro cantos, e confessou – confessar é por minha conta – que o meu, era o melhor poema do concurso. Quase não dormi.

Do “Noticiário”:

RUTE,
A MUNDANA DO CAIS

Nem tudo e nem todos
Estão perdidos.
Só Rute e o Ocidente
estão perdidos.
Quando o garçom
jogou-lhe uma cadeira
e expulsou-a da terra,
o Time silenciou
e “O Estado de São Paulo”
escolheu divulgar
as últimas olimpíadas.
Um dia
o sol explodirá
e os maus também desaparecerão.
Que consolo, hein, Rute?



França

Fumamos maconha juntos, em Olinda alta – dizíamos bonconha – eu, o poeta aleijado; França, Europa e Bahia, e o poeta Paper, compositor, filósofo e amigo. Conhecemo-nos no bar de Carlinhos Granja, onde fui levado por Erickson, para onde confluíam as boas almas e os loucos da cidade. Quem vive ainda?


De “Cafuné”, que pescamos em Interpoética:


À MORTE – por ser imortal,
Ergo um brinde, dizendo:
- À NOSSA VIDA!
e ela responde ofendida:
- NÃO ME ESCAPARÁS!



Grande Final

Erickson partiu, tive a oportunidade de usufruir de sua cultura, inteligência e amizade. Espinhara, conhecia apenas de vista, queria a sua amizade, mas ele vivia um momento especial em sua depressão cotidiana. Alberto, nunca tive a oportunidade de, no bar do Seu Hélio, tomarmos uma cervejinha ou um uísque, as nove da manhã e conversarmos sobre poesia e a existência. França, nunca vou esquecer do nosso baseado compartilhado e da sua maneira ímpar e doce de reconhecer os amigos.

Já perdi tantos amigos, que tenho hoje um grande desejo, partir antes de vocês: Carlinhos Granja, Chico Pena Branca, Adriel e Carlos Maia.

Recife, 20 de outubro de 2007.

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (IV)

As redes ao serem lançadas se expandem rumo a novos espaços ou se contraem?

As redes, apesar de seu tamanho, se contraem cada vez mais, cedendo espaço para que pseudopescadores as operacionalizem. Ocorre que embora as redes possuam dimensões necessárias a abrigar toda a extensão do mar, isto é, da sociedade, seus serviços são cada vez mais sucateados pelo Governo-Pescador, preocupado ora em investir em outras áreas[1], ora em beneficiar os pseudopescadores, empresários que tratam a saúde como um produto qualquer em busca de lucros.

Com essas atitudes o Governo-Pescador ignora o direito do cidadão usuário do sistema público de saúde[2], ou seja, o direito dos peixes, este definido como direito social por nossa Constituição, que junto com outros direitos como educação, segurança pública, segurança jurídica, se vão pelos ralos do saneamento público, já tão congestionados pelo lixo e pela falta de investimentos.


[1] “Em 1995, o governo FHC investiu, em relação a 1994, menos 35,22% em educação e menos 28,29% em saúde. (...) Os gastos com os militares, todavia, mantiveram-se estáveis no ranking de investimentos federais: segundo lugar (Toledo, 1996).” Zaverucha, obra citada, p. 28.
[2] JOSÉ GUILHERME MERQUIOR, O Argumento Liberal, Nova Fronteira, 1983, p. 87: “Mas o constitucionalismo, condição necessária da ordem liberal, não chega a ser a sua condição suficiente. (...) É que nos nossos dias, não há legitimidade fora do ideal democrático, o que supõe a universalidade da cidadania, dos direitos políticos, e não apenas a dos direitos civis. (...) Para não se falar de certos direitos sociais.”

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ZEITGEIST - The movie

A dica é do André Lux, do Tudo em Cima, Não deixem de ver! ZEITGEIST 1 e 2.

As eleições no Irã

Para que o PIG não nos coma de coco na cobertura fraudulenta das eleições iranianas, destaco três leituras que são imprescindíveis, dentre várias disponíveis na blogosfera:

A CIA e o laboratório iraniano, no Resistir

O irã revolucioáro de 2009, no Blog do João Villaverde

Onde fica o Irã mesmo?, no Esquerdopata.

Surpreendam-se!

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Irmãs gêmeas?


Foto: Miguel Colaço
Modelo: Lídia Carolina

O fantasma

Durante uma eternidade, creio, habito sonhos. Por séculos participo da vida, desejos e medos de pessoas que nunca conheci, existo nesta região entre a vida e o nada. Imortal, busco a mortalidade, pois a solidão de um espectro chega a ser palpável.

Todo este tempo, essa infinita seqüência de momentos, percorro vastidões imensas de vazios, como desertos, a procura de alguém que queira sonhar-me. Por vezes o desespero alcança-me qual uma desgraça e, contra a vontade do sonhador, invado sonhos. Nessas horas sinto-me guerreiro a frente de uma batalha, e como guerreiro procuro a vitória, procuro derrotar este tormento que é existir e ser ignorado, a possível eterna solidão, o inferno de tantas crenças. Nessas investidas comporto-me como bárbaro: destruo, com armas ou com minhas mãos de urso; amo uma mulher ou um amanhecer; odeio, causo terríveis pesadelos ou prazerosos tormentos. Exercito todas as fraquezas e virtudes humanas que tanto busco.

Mas passados esses acessos, procuro ser prático, preocupo-me em encontrar quem queira sonhar-me, o que já me aconteceu várias vezes, embora ainda, e infelizmente, não de uma maneira definitiva.

Dão-me forças essas experiências em que estive perto de ser sonhado, em detalhes, o que é absolutamente necessário. São essenciais os detalhes. Da cor dos meus olhos aos pêlos que cobrirão meu corpo, do meu sorriso à maneira de fechar as pálpebras quando durmo. Durante muito tempo aprendi a me ver primeiramente, não adiantava, pois, como aconteceu, investir em sonhos se eu próprio não me via e portanto não me apresentava ao sonhador, tal uma manhã que persistisse em existir durante a noite.

Atualmente habito os sonhos de um velho e de seu filho adolescente. Os velhos e os moços têm, em geral, o dom de desejar mais do que aqueles, que algo possuem a ocupar-lhe os sonhos.

O que ocupa a vida deste velho de olhos fundos, pele seca e as mãos ainda firmes é relembrar a juventude, o tempo em que as intempéries não o incomodavam, ou melhor, não o venciam. Quando o seu corpo e seus desejos agiam juntos como o mar e as ondas, tal como o seu filho em que tanto pensa e admira, apesar de lhe dedicar tão pouco do seu tempo, o mesmo que o velho fizera em relação a seu pai.

Nos sonhos do velho passo-me por ele, e nestes exercícios tenho que ocultar-lhe o seu próprio aspecto; deixo que sua memória apresente-me o mundo que ainda não senti, deixo que sua experiência guie-me por desertos, guerras, amores, rancores e vinganças, que me apresente aos sentimentos que nortearam sua vida, mas principalmente que o velho me veja, conheça-me, se acostume a mim como algo real, que me observe os detalhes e deseje que eu exista.

Quanto ao filho do velho, apenas habito os seus sonhos sem preocupar-me que me deseje como ser vivente. Na maioria das vezes sou seu comparsa em aventuras ou seu companheiro em outras empreitadas. Busco assim conhecer o homem jovem e o homem velho, poder enfim decidir entre ser o que desejar: um monge ou um assassino, um crente ou um ateu, um empreendedor ou um parasito, um liberto ou um escravo, um opressor ou um oprimido, mas antes de tudo ser, em toda plenitude, o que me propuser.

Sinto, depois de séculos, que os sonhos do velho sejam a última etapa de minha peregrinação, estarei próximo a cidade sagrada? Há forças que já possuo. Percebi inicialmente que podia respirar e como um prisioneiro que perceba a porta do seu cárcere escancarada, experimentei o ar, sofregamente, sedento e, os meus pulmões encheram-se. Apesar da dor inicial muito me emocionei com a vida que me chegou. Sou filho e pai de mim mesmo.

Atemoriza-me um pouco notar que o velho sofre de crise de asma cada vez mais constante e que associo – tenho que admitir a realidade, embora ela revolte-me por ser injusta – a sua debilidade ao meu vigor, exerço sobre ele a força de um vampiro sobre sua vítima, percebo que lhe sugo as forças e recordo de outros sonhadores como se tudo fosse um mesmo pesadelo, uma roda do destino.

Na noite passada desesperei-me. Assim que pude movimentar meu braço esquerdo o velho acordou com dores, seu filho e a moça com quem dorme e mora há algum tempo, puseram-lhe compressas e ministraram-lhe chás, mas seu braço ficou imóvel, paralítico. Nada pude fazer não mais controlo o meu nascimento... Que não mais acontecerá, à primeira batida de meu coração parou o coração do velho e, incompleto, volto à minha peregrinação, espectro insaciável, morte – como me chamam, sedenta.


(Do livro “A construção e outros contos”, em que reuni 12 contos escritos entre 1988/1989, e publicados em 1989.)

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (III)

Qual o tamanho das redes?

As redes são imensas, atingindo todo o território nacional, embora de precária eficiência e eficácia, traduzindo o problema da fragilidade das instituições no Brasil.

Przeworski assevera que “as soluções para o problema da democratização residem nas instituições” [1], e em que regime podemos cobrar a efetivação dos nossos direitos? Silva[2] afirma, citando o economista norte-americano Douglass North, ganhador do Prêmio Nobel de 1993, que as instituições são as regras do jogo, portanto, instituições fortes, regras estáveis, instituições frágeis, regras instáveis.

Um eventual colapso no Sistema Único de Saúde afetaria, principalmente, a população de pelo menos 130 milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do SUS. [3]

[1] ADAM PRZEWORSKI, Ama a Incerteza e Serás Democrático.
[2] MARCOS FERNANDES GONÇALVES DA SILVA, Fronteiras da Nova Economia Institucional, FGV, 1996, p. 7/51.
[3] Segundo informa o Conselho Nacional de Saúde, em sua Moção n° 04, de 06 de setembro de 2001.

O que são valores universais?

Bacana o texto, mas há uma coisa que me intrigou nele: essas palavras uma ética e valores universal ou superiores. Quero dizer, quem define o que é moralmente superior ou univesal? Que universal é esse? Acho que na moral - no pouco conhecimento que tenho a respeito - não se aplica algo como superior e inferior, visto que isso é é fruto de um contexto social - relações de produção, afetividades, cultura, etc -, acho que dizer que algo é superior ou inferior é perigoso, pois isto representa um aspecto subjetivo. Quanto a valores universais, é outro conceito perigoso. Que valores universais são esses? Quem é esse universal, ou melhor, quem está tentando se colocar como universal? A burguesia, a classe dominante, também tenta a todo custo se impor como universal, a Igreja, a Sociedade de bem, todos tentam mostrar que defendem valores universais e acreditam nisso, mas estão defendendo valores próprios. Então, caro Itárcio, de quem são os valores que você defende? Será que existe mesmo valores, direitos, ou qualquer outra coisa humana que seja universal? Sua crítica ao jornalismo é extremamente pertinente e válida, apenas acho que explorando esses pontos a gente consegue fazer um questionamento mais profundo acerca desses fenômenos midiáticos. Para concluir: eles escrevem segunda uma ideologia, acho que nisso concordas comigo, mas e nós, e você, a partir de qual ideologia escrevemos? Como podemos mostrar que ela representa algo realmente melhor ou positivo para a sociedade?Abraço!


(Comentário do leitor André F. F., sobre “Ética e jornalismo”, achei tão pertinente que resolvi transformar numa postagem, para debate.)

domingo, 21 de junho de 2009

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (II)

Quem é (são) o(s) pescador(es)?

O governo[1] é o pescador. Parafraseando Zaverucha[2], embora Executivo, Legislativo, Judiciário, responsáveis pelas tomadas de decisões etc. possam ser considerados como Governo, assumiremos, por motivos de simplicidade, o Governo como sendo um ator unitário.”

Várias são as ações do Governo, ações que devem ser guiadas, em princípio, pela Constituição, que segundo Magalhães “É o conjunto de regras e princípios fundamentais sobre a organização dos Poderes de um Estado e os direitos e garantias individuais e sociais.” [3]

Dentre essas ações o Governo-Pescador tem como dever ofertar serviços de saúde aos peixes, que são os seus usuários, dever este do Governo e direito este dos peixes, previsto no caput do artigo 6° da Constituição Federal:

Art. 6° São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados na forma desta Constituição.

[1] Utilizamos o termo Governo, de amplo aspecto, como o mesmo vem sendo utilizado por outros textos, como, por exemplo, no art. 21, da Declaração dos Direitos Humanos, de 1948: “Todo homem tem o direito de tomar parte no governo de seu país,...” (Grifo nosso).
[2] JORGE ZAVERUCHA, Frágil Democracia – Collor, Itamar FHC e os Militares (1990-1998), Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000, p. 32: “Embora Executivo, Legislativo, Judiciário, responsáveis pelas tomadas de decisões etc. possam ser considerados como civis, assumirei, por motivos de simplicidade, os civis como sendo um ator unitário.”
[3] ROBERT BARCELLOS DE MAGALHÃES, Direito Constitucional, Rio de Janeiro, Lúmen Júris, 1992, p. 1.

Sons

Se me tocas os seios
e me arrepio,
se me tocas o ventre
com tuas mãos macias,
qual explorador do desconhecido;
se me tocas, amante,
qual músico a seu instrumento,
esperas do meu corpo
o retorno de tuas carícias.
Se me tocas,
esperas o retorno
de tua arte,
esperas meus suspiros,
meus gemidos, os sons
pelos quais se expressam
o prazer.
Por isso, quando amamos,
canto,
comporto-me como música.


(Do livro “Sons e outros poemas”, de 1989).

sábado, 20 de junho de 2009

Por onde anda o Bourdoukan?

Lendo um texto no Blog do João Villacerde, Frase da semana, lembrei do Blog do Bourdoukan, que não tenho conseguido acessar ultimamente. Dando uma busca na net encontrei a postagem O blog do Bourdoukan, que traz várias informações sobre o grande Jornalista. Vida longa ao Bourdoukan! Que ele retorne logo, cheio de saúde, ao nosso convívio.

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (I)

Redes são lançadas por vários pescadores. Eles trabalham de acordo com práticas, normas e rotinas estabelecidas. Estão submetidos a uma autoridade superior, e possuem um sentido comum sobre o que estão fazendo. Considerando ser o mar a sociedade e os peixes o(s) “cliente(s)” do sistema político, procurem responder as seguintes perguntas:

1. Quem é (são) o(s) pescador(es)?

2. Qual o tamanho das redes?

3. As redes ao serem lançadas se expandem rumo a novos espaços ou se contraem?

4. Os pescadores respeitam os lugares proibidos a pesca? Se não respeitam, o que acontece?

5. Qual o tamanho do orifício das redes?

6. Os tipos de peixes pescados são os mesmos? São outros? São menos? São mais? E os tipos de pescadores?

7. Qual o efeito que a pesca tem sobre o resto do mar?

8. Faz diferença para a pesca o tamanho do calado do navio?

9. Qual a sua conclusão geral?



Inspirado nas palavras do grande diplomata Celso Amorim, publico em dez partes o trabalho Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo, escrito em 08.07.02, direto de “O baú que não é do Raul”: "O G8 morreu. Não representa mais nada, eu não sei como vai ser o enterro, às vezes o enterro ocorre lentamente."

sexta-feira, 19 de junho de 2009

As eleições iranianas, charge do Kayser


Ética e jornalismo

A preocupação com a ética deve estar presente em todas as atividades humanas, sejam elas práticas, manuais, mecânicas ou intelectuais. A atividade jornalística, portanto, não pode fugir da regra.

O problema da ética vinculada a moral, ou da ética como a ciência, que tem por objeto de estudo a moral é preocupação que vem desde a antiga Grécia. Espinoza entendia a ética como superior a moral, ou seja, a ética compreendida como valores superiores e universais que independiam dos valores morais de uma determinada sociedade ou de uma determinada época.

Entretanto observamos em nossa sociedade a atividade jornalística sendo exercida sem a observância de preceitos éticos, ou seja, de valores superiores e universais, elegendo como seus valores, interesses financeiro-mercadológicos e ideológicos.

Como interesse financeiro-mercadológico está à premissa de vender mais e mais a qualquer custo o seu produto final: a notícia, a fim de obter lucro e se manter vivo num mercado competitivo e, através do lucro, multiplicar lucros, a velha acumulação capitalista.

E mais, a fatia financeiro-mercadológica diz respeito também, a maneira de apresentar o seu produto como atraente ao mercado. Quais as opções? Jornalismo esportivo? Imprensa marrom? Jornalismo cultural? Não importa, a escolha recairá sobre a opção mais lucrativa, independente de qualquer outro valor. Novamente o problema ético.

O viés ideológico talvez seja o de maior preocupação, posto que trata de manipular determinado fato sob uma única ótica, a ótica do dono do poder, que pode ser o dono do jornal ou do grupo político dominante, sendo a verdade do fato, ou pelo menos, a narrativa real do acontecimento, o aspecto menos importante.

Lembremo-nos de um fato recente, que bem ilustra a agonia ética por que passa o nosso jornalismo, seja ele falado, escrito ou televisionado, o caso da Escola de Base, onde, sem qualquer prova ou amparo de uma investigação concluída, os donos da Escola foram acusados de abuso sexual contra os alunos do estabelecimento. A imprensa, com preocupações únicas financeiras e mercadológicas, irresponsavelmente alardeou o fato, que posteriormente se comprovaria inverídico. O resultado foi à depredação da escola e conseqüentemente a ruína do patrimônio dos seus donos, sem contar os danos morais e psicológicos dos acusados, estes imensuráveis.

A partir de fatos como este, cabe uma reflexão quanto à ética jornalística – seus valores atualmente adotados são valores universais e moralmente superiores? Com certeza que não.


(Do fundo de “O Baú que não é do Raul”, texto escrito em 23.05.02).

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Solidariedade ao José de Castro

Uma campanha de solidariedade ao jornalista José de Castro e a Liberdade de Expressão foi lançada por Fernado Massote, professor aposentado de Ciências Políticas da UFMG, com escritos para o Observatório da Imprensa e grandes jornais de Minas Gerais. Hoje ele mantém um blog pessoal.

Fonte: NovaE - desde 1999, um devir

Prazeres

Acordar cedo com o sol,
de preferência perto do mar.

Um ótimo livro pego ao acaso,
que é como descobrir um novo continente.

Um poema logo de manhãzinha
junto com o desjejum.

Estudar violão.

Escrever algumas páginas
de um novo livro.

Os contos fantásticos de Borges.

A noite e seus fluidos mágicos.

Corpo de mulher macio,
de preferência pequeno e frágil
como um bichinho de estimação.

Ler antes de dormir.

Dormir tarde da noite.



Este poema, do livro "Apocalipse e outros poemas", de 1989, foi musicado por Climério Filho, e faz parte do CD “Maracatu pra ela” que gravamos em 2002/2003, pelo SIC, em que me arrisco como cantor. Quando eu aprender a colocar música nas postagens, disponibilizo-a por aqui.
Climério coleciona mais de 500 composições, mora em Olinda, e tem várias músicas gravadas por, entre outros, Fagner, Robertinho do Recife e Ednardo. Um dos seus maiores sucessos foi “Enquanto engomo a calça”, que pode ser ouvida na rádio UOL.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Seja a mídia. Crie seu blog, passo a passo. (I)

Esta é a dica do Blog do Mello, crie seu próprio blog, seja mídia. Fuja do PIG que só aliena e mente. Abaixo a Rede Globo e suas congêneres; Não leiam a Folha de São Paulo, que apoiou a ditadura militar de 64; a Veja, esse lixo neocon, fábrica de calúnias e boatos; os jornais periféricos, tipo o Jornal do Commercio, de Pernambuco que faz parte do mesmo grupo que quer a volta dos tucanos para rapinar nosso patrimônio. Vida longa a blogosfera! Abaixo o AI-5 digital o projeto do Senador Eduardo Azeredo, tucano, que quer censurar a internet. Seja mídia, pense!

Elza Monnerat

Belo texto e merecida homenagem no Blog do Marabá à militante comunista Elza Monnerat. Não deixem de conferir. Um abraço ao amigo Marabá!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Saúde Pública no Brasil e a Copa do Mundo de Futebol

Compelido pelo clima futebolístico dos dias atuais; pela participação do Náutico e do Sport no brasileirão, que acompanho através das discussões acaloradas dos meus colegas de repartição; pela recuperação visível do meu Santinha, que com certeza sairá campeão da série D, rumo a C, a B e por fim a “glória” da série A; pelo jogo do Brasil no templo do Arruda, pelas eliminatórias para a próxima Copa de 2010; pela Copa das Confederações e por fim pela Copa de 2014 que cá se realizará.

Compelido ainda pela campanha da Argentina, treinada pelo meu ídolo Maradona; compelido pela torcida pelos nossos hermanos, cuja imprensa tenta sempre em tratar como nossos inimigos, ecos de intrigas instaladas pelos ingleses, herdadas pelos estadunidenses e mantidas hoje por ingênuos ou maldosos “nacionalistas”.

Compelido, por fim, pela esperança de que o Dr. Sócrates seja eleito um dia presidente da CBF, assim como Lula o foi nosso Presidente, e que finalmente seja introduzida a democracia no futebol, como foi no nosso país.
Por tudo, fui buscar no fundo de “O Baú que não é do Raul” este pequeno texto, um textinho, um textículo, como diria Xico Sá, escrito em 20 de junho de 2002, final das eras, quase o fim da história, pois se mais um mandato fosse dado aos privatas neoliberais não existiria mais um país chamado Brasil, tampouco a maior quarta empresa petrolífera do mundo, chamada Petrobras.




Quisera no nosso país houvesse uma torcida tão grande, tão empolgada, disposta a acompanhar cada lance de jogo, brigona, alegre e lutadora quanto à torcida da nossa Seleção de futebol, pela melhoria das condições da saúde pública no Brasil.

Para cada jogo de nossa Seleção se formam caravanas, organizadíssimas, o que não foi diferente nesta Copa do mundo de futebol que ora se realiza. Caravanas foram formadas para se deslocarem aos longínquos Japão e Coréia.

Quanto a nossa saúde pública... Caso fosse uma seleção, comparando-a com as seleções da copa, seria pior que a da Arábia Saudita no jogo contra a Alemanha, oito a zero. Nossos jogadores, ou seja, os nossos irmãos brasileiros que efetivamente se utilizam do SUS, uma população de 130 milhões de brasileiros, isto mesmo, dos 170 milhões de brasileiros, mais de 76% dependem exclusivamente do SUS para se socorrerem, estão mal treinados, ganham pouco e o seu regime alimentar não os faz correr em campo.

Nosso treinador, há oito anos no cargo, nada fez que pudesse mudar a nossa performance. As verbas para melhorar o nosso time da saúde por vezes e vezes foram usadas, ou mal usadas, em outras áreas, - ver o caso do CPMF, por exemplo, ou o desnecessário reaparelhamento das nossas forças armadas, como se estivéssemos em guerra externa, ou o pagamento dos juros da dívida, dívida mal contraída e mal aplicada, - e em outras oportunidades, simplesmente usadas em corrupção.

Os juízes, esses não têm favorecido a nossa seleção, muitas vezes venais ou omissos, fazem que não enxergam as faltas ou pênaltis cometidos contra nossa seleção da saúde pública, quantas partidas temos perdidos, quantos vexames!

O que mais impressiona é que muitos desses juízes, que têm assento no judiciário, foram colocados lá pelo nosso técnico FHC; nos conflitos entre nossos 130 milhões de jogadores, sempre o árbitro aplica falta a favor do técnico, (sim, pois o nosso técnico tem agido como um time inimigo), mesmo que para isso tenham que mudar as regras! Isto é um absurdo, assim nunca conseguiremos chegar a uma final.

Mas, o que mais entristece é que a torcida, aquela mesma que acorda de madrugada para assistir um jogo da nossa Seleção de futebol, aquela mesma que tem condições de pagar um plano de saúde privado, aquela mesma que tem condições de viajar a Coréia e ao Japão para assistir ao vivo os jogos da Seleção de futebol, se mostra omissa na torcida pela nossa seleção da saúde pública.

É triste, quando tudo indica que o Brasil poderá ir a mais uma final da Copa do mundo de futebol, a nossa seleção da saúde pública, doente, foi novamente desclassificada.

domingo, 14 de junho de 2009

Um poema de amor

Para Silvana Spreafico


Quando te vi,
não sei o que pensaram meus olhos.
Não que meus olhos tenham-te esquecido,
sequer alguma parte do teu corpo.

Sempre te vi, e sempre te desejei.
Que força me joga a ti?

E ao suicida do décimo sexto andar?
Quando te vi,
não sei se tive vontade de morrer
ou de te dar um beijo.
Um longo e molhado beijo,
daqueles que nunca te dei.

(Do livro "Se não canto, pelo menos grito", de 1983).

Obstáculos sociais ao desenvolvimento do Brasil

Para não nos esquecermos do tempo em que éramos desgovernados pelo PSDB, a era FHC, que quebrou o país três vezes, privatizou a Vale, a preço de banana podre, acabou com o monopólio da Petrobras, que eles queriam Petrobrax, entre outras falcatruas, busquei do fundo de “O Baú que não é do Raul” estas poucas anotações:


Palestra proferida em 09.08.02, pelo Professor Roberto Aguiar. Ph.D.

▪ Renúncia fiscal da União
13% para o Nordeste
57% para o Sudeste

▪ IDH municipal no Nordeste menor que 0,500 para 99% dos municípios

▪ Obstáculo político:

- Violência
- Em 1994, 40 mil mortes violentas por ano no Brasil
- Após 08 anos de governo de FHC, 50 mil mortes violentas por ano no Brasil;
- Uma boca de fumo no Rio rende 150 milhões de dólares por ano;
- No Brasil movimentam-se 10 bilhões de dólares por ano em drogas;
- Em 1990: 30 mortes violentas para cada 100 mil habitantes nas regiões metropolitanas do Brasil; Em 2000, 150 por 100 mil.
- Em 1999: Em todo o Reino Unido, 12 mortes violentas para uma população de 60 milhões de habitantes;
- 800 policiais são assassinados no Brasil, por ano;
- No Espírito Santo, a bandidagem já está no aparelho formal do Estado.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Algumas leituras desta noite - 22h03min

Sobre o massacre perpetrado, pelo antihumano Alan García, contra os indígenas no Peru leiam João Villaverde: Blog do João Villaverde

Sobre a truculência do Governador de São Paulo, José Serra, que quer desgovernar o Brasil a partir de 2011, leiam André Lux: Tudo em Cima

Sobre os trolls, leiam o excelente artigo de Carlinhos Medeiros: Bodega Cultural

E para quem gosta de um texto bem escrito, cheio de surpresas e verdades cruas, a dica de sempre é o impagável blog de Ariela Boaventura: Bovinenses. Uma pequena amostra: “E então, um dia, já velha, descobri o maravilhoso prazer de encharcar os miolos, e, para isso, nada como ter alguma coisa como pretexto, nem que seja o seu tosco nascimento.” Deliciem-se!

"Fernando Pessoa em flagrante delitro"


Com a nova onda de perseguição e criminalização dos fumantes, coroada agora com a lei antifumo editada pelo desgoverno do Vampiro de Sampa ou Serrágio, vários amigos “bebinhos” e adoradores de Baco têm demonstrado uma grande preocupação de que essas campanhas "moralizantes" consigam reeditar, entre outras formas de perseguição, a famosa Lei Seca, que vigorou nos Estados Unidos da América entre 1920 e 1933.

Apesar da Lei Seca estadunidense ter sido um fracasso retumbante, uma lei nesses moldes acabaria nos trazendo vários contratempos, como nos obrigar a realizar cultos secretos; a fechamento de santuários como: O Copo Sujo, na Rua do Lima (Santo Amaro) ou o Bar do Hélio, na Rua Mamede Simões (Boa Vista). Coisas que não queremos nem imaginar!

Mas, amigos, acredito que um movimento como o encabeçado pelo reverendo Billy Sunday, na década de 20, do século passado, teria hoje apenas o apoio da bancada evangélica e da bancada ruralista, que andam na contramão da história.

Nós, adeptos da boa cachaça, do bom uísque e de uma cervejinha gelada, sairíamos em protesto em maior número, imagino eu, dos que foram às ruas contra o Ministro Gilmar Mendes, no caso dos dois hábeas corpus e a favor do desabafo do Ministro Joaquim Barbosa. Através da Net, realizaríamos uma corrente de protesto jamais vista, muito maior do que a hoje realizada contra o AI-5 digital, a famigerada lei Eduardo Azeredo, o tucano, Pai do Mensalão.

A todos, à guisa de bálsamo, deixo as palavras do mestre Fernando Pessoa, um dos membros da Confraria Adoradores de Baco:

“Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que seu fígado sofre com isso, respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto.” (Livro do desassossego).

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A carne

Do livro "Apocalipse e Outros Poemas", publicado em 1989, pela Editora Bagaço, reunindo poemas escritos entre 1984 e 1989:


Paixões da carne a queimar feito o fogo da Inquisição,
feito as bombas de napalm nos Vietnãs.

Teu corpo aberto no meu corpo,
dois corpos e um só dono desejo.

Noites,
lembranças,
teu cheiro,
insônia, copos de vinho barato
e essa música de violino que nada me lembra ou diz.

Carnes frescas e frias
como a desse bife sangrando
ou as tuas carnes febris e tensas
como fios elétricos, choques
e descargas.

O amor em teu corpo de formas enxutas
e essa toalha de feltro
pendurada na parede no banheiro.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Perseguição ao Povo Xukuru

Recebi, via e-mail, a carta abaixo, publicada pela Coordenação Executiva da Apoinme e que trata da perseguição ao Povo Xukuru, de Pesqueira, cujas terras são motivos de disputas por interesses, entre outros, hoteleiros e turísticos, em torno da visitação de Cimbres, considerado um santuário em virtude da suposta aparição da Vigem Maria, em 1936:



Olinda, 29 de maio de 2009.

Carta Circular: Apoinme Nº 002/2009

Carta em apoio ao Povo Xukuru de Ororúba e
contra a Criminalização de lideranças Indígenas.

A APOINME - Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo vêm repudiar publicamente mais um grave atentado da justiça Brasileira contra os povos indígenas do país, vitimando, desta, e mais uma vez, o povo Xukuru do município de pesqueira, Agreste de Pernambuco.

A arbitrariedade foi, agora, contra a mais alta liderança deste povo, o cacique Marcos Luidson de Araújo (conhecido por Marquinhos Xukuru), e outros 04 indígenas: Paulo Ferreira Leite, Armando Bezerra Coelho, Rinaldo Feitosa Vieira e Ronaldo Jorge de Melo. Quando, no último dia 21 de maio, foi anunciada a sentença de cinco dos processos resultantes dos incidentes ocorridos no dia 07 de fevereiro de 2003, quando o cacique Marcos Xukuru foi vítima de um atentado contra sua vida. Na sentença publicada os processados foram todos condenados, em um inquérito onde falta clareza, transparência e justiça (sem ao menos testemunhas de defesa terem sido ouvidas). As penas para os 04 indígenas citados foram de quatro anos e oito meses de reclusão, inicialmente em regime fechado, mais multa de R$ 50.000,00. O cacique Marcos teve pena de 10 anos e quatro meses de reclusão, além da mesma multa.

Como se não bastassem as inúmeras e históricas violências e atentados contra os povos indígenas do Brasil, a injustiça e a impunidade nos assolam mais uma vez. As tentativas das elites políticas e econômicas de desestabilizar e enfraquecer a luta dos povos Indígenas por seus direitos não é realmente nenhuma novidade, a criminalização de lideranças indígenas tem sido constante, e no caso do povo Xukuru há 43 processos em andamento (31 tendo sido já condenados) e dois casos de prisão. Onde sabemos que seu único crime foi, nas palavras do próprio povo Xukuru: “O de lutar para garantir os nossos direitos, especialmente o direito à terra e à sobrevivência física e cultural do nosso povo”.

Nossa batalha é por um país que cumpra com o dever de defender seu povo, respeitando a Constituição Federal e os Tratados Internacionais a que se submeteu. Queremos acreditar que é possível um governo diferente das elites e oligarquias que governaram no passado e que dizimaram tantos. Um país que realmente considere a cultura e os costumes de vida de cada grupo étnico, respeitando as diferenças de sua nação e reconhecendo o Brasil como um país multicultural em sua diversidade, dando as condições necessárias a seu pleno desenvolvimento.

Assim, viemos declarar nossa insatisfação e indignação! Viemos manifestar nosso apoio e solidariedade ao povo Xukuru. Viemos deixar claro que continuamos na luta e que não será agora que aceitaremos tamanha barbárie. E, por fim, viemos convocar todos os parceiros das causas Indígenas, Direitos Humanos, Movimentos Sociais e da democracia e liberdade a juntarem-se a nós contra a criminalização, injustiça e abuso de poder. Convidamos todos a se manifestarem em defesa desses homens guerreiros.

Coordenação Executiva da Apoinme.

Avenida Sigismundo Gonçalves, 654 – Olinda – Pernambuco – Brasil – CEP 53.010-240
Caixa Postal – 35 – Olinda – Pernambuco – Brasil – CEP 53.120-970
Fone/Fax: (81)3429-4599 – e-mail:
apoinme@oi.com.br – Skype: Apoinme

sábado, 6 de junho de 2009

A poesia é morte

A poesia é morte,
não há outro tema.

A infância que passou,
o amor que se foi...

Qual outro enredo senão a ruína?

O nascimento do filho?
O novo amor?
A recente trepada?
Passado.

Não existe o presente,
a não ser por um instante que já foi.

Não existe o futuro,
o futuro é presente,
o presente é passado.

Morte, a minha noiva eterna!


Recife, 18.11.06

FRÁGIL DEMOCRACIA - Collor, Itamar, FHC e os Militares (1990-1998)

Sábado, 6 de Junho de 2009

Em Frágil Democracia – Collor, Itamar, FHC e os Militares (1990-1998), temos uma visão
diferente de como anda a democracia brasileira. Destoando do comumente dito acerca da consolidação do nosso atual regime político, Jorge Zaverucha, seu autor, após uma profunda análise do cotidiano das relações políticas entre civis e militares, constata que é frágil a nossa democracia.

O livro inicialmente nos dá uma noção dos requisitos para se classificar um regime político de democrático. Citando Dahl, são elencados os pré-requisitos necessários a existência de uma poliarquia (democracia política), mas, acrescenta o autor que o Brasil de hoje, mesmo preenchendo “os critérios de Dahl, é uma poliarquia, tal como os Estados Unidos, mas, ao contrário destes, não possui um regime democrático”.

Ao caminhar do texto compreendemos que “regime é, portanto, um conceito mais amplo que governo”, podendo o governo ser democrático, mas o regime não, como no nosso caso.

Buscando demonstrar a sua tese, de que sem um controle civil democrático sobre os militares não há a possibilidade da existência de um regime democrático ‘consolidado’ e que a democracia brasileira, frágil e tutelada não detém tal controle, o autor afirma, ainda, que se falar em uma democracia consolidada apresenta uma série de dificuldades, pois “o termo consolidação é, em certo sentido, enganador. (...), a democracia é algo que está sempre em construção”.

Voltando ao âmago da questão do livro, isto é, demonstrar que o regime político brasileiro é frágil e tutelado em virtude da ausência de um controle civil democrático sobre os militares, o autor assevera que “os militares brasileiros continuam a exercer influência política e deter prerrogativas incompatíveis com um regime democrático” e alerta para o fato de que a intimidação “não pode servir como moeda política”.

Os militares brasileiros, a partir da transição do regime autoritário para o governo democrático, mantiverem alguns privilégios antidemocráticos, enclaves autoritários nas palavras do autor – no capítulo 2 do livro o autor faz uma análise detalhada destas prerrogativas ou enclaves, - que seriam naturais, inicialmente, para poder se estabelecer a transição, mas que os governos democráticos posteriores procurariam minimiza-las até o ponto de estabelecer o controle efetivo civil democrático sobre os militares.

No episódio brasileiro isto não aconteceu, diferentemente o caso “espanhol, o português, o grego e, com generosidade o uruguaio” em que os militares não utilizam o seu poder para intimidar o poder civil; esta transição não ocorreu no Brasil, e Frágil Democracia bem ilustra tal situação através de grande quantidade de exemplos, principalmente nos capítulos 3, 4 e 5, onde são relacionados diversos acontecimentos nos governos de Collor, Itamar e no primeiro governo FHC, respectivamente, do jogo de poder entre os governos civis e os militares, onde é demonstrada a existência de um ‘acordo’ em que “os militares não procuram dar um golpe de Estado, nem os civis trabalham por um regime democrático”, ou seja, esta tudo bem para as partes envolvidas.

Comprovando a sua tese, o autor demonstra que a própria Constituição pós-regime autoritário manteve diversos dispositivos que não se coadunam com um regime democrático, entre outros exemplos podemos destacar a manutenção do papel das forças armadas como guardiãs da democracia, art. 142 da constituição, tal como constava da Carta autoritária de 67/69, e não os poderes clássicos democráticos e políticos, como é de praxe nos países em que o regime democrático pleno é uma realidade. E mais surpreendente, a revisão constitucional de 93/94 conservou intactos todos esses enclaves autoritários.

Da leitura do livro não sairemos mais como o iniciamos, um mundo novo é descortinado através de exaustivos exemplos dessa relação civil-militar em que percebemos a fragilidade e a tutela da nossa democracia política, o que nos impede de caminharmos para o desenvolvimento de uma democracia verdadeiramente efetiva e não apenas formal. Mesmo esta democracia formal está aqui a ser contestada.

Vemos o poder militar, qual um espectro, se instituir como um quarto poder, tal qual o superdimensionado poder moderador da época de Dom Pedro I, o que leva o Jorge Zaverucha a concluir que “custa-nos aceitar uma verdade: a de que os militares são submissos ao poder civil quando as coisas, em especial, ocorrem do modo como eles querem”. Assertiva com a qual concordamos plenamente. Caso fôssemos discordar, a partir de uma contra-argumentação científica, a vasta observação dos fatos narrados no livro nos desmentiriam.

Haverá uma saída? A debilidade social, econômica, financeira, política e moral do país é um grande entrave a uma saída democrática, mas o próprio autor insinua que é “preciso que os militares ajudem os civis a implementarem as decisões políticas do governo, em vez de intimidá-los com ameaça de nova intervenção política quando seus interesses são contrariados”, ou seja, cada um cumprindo o seu papel dentro de um regime político democrático. É difícil tal cooperação quando as relações mundiais são hobbesianas, e tais relações refletem-se em nossa sociedade em qualquer universo considerado. Portanto a necessidade de instituições civis fortes a minimizar tais conflitos.

Que a situação da democracia brasileira era delicada já sabíamos, mas a leitura de Frágil Democracia demonstra que a mesma é mais frágil que imaginávamos e ainda por cima tutelada. Acordamos para um pesadelo ou tomamos consciência do mesmo a fim de enfrentá-lo?



(Resenha escrita em 2002 para a cadeira de Introdução à Ciência Política do curso de Mestrado em Gestão Pública, da UFPE, o texto estava salvo em um disquete perdido em meu guarda-roupa. Da série "O Baú que não é do Raul").