LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

sexta-feira, 31 de julho de 2009

EUA assinam tratado da ONU sobre deficientes que Bush rejeitou

Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Do blog DEFICIENTE ALERTA

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Os Estados Unidos assinaram na quinta-feira uma convenção da ONU destinada a garantir direitos iguais aos 650 milhões de deficientes do mundo. O governo Bush havia rejeitado o tratado.

Em uma cerimônia na sede da ONU, a embaixadora dos EUA Susan Rice firmou o texto, qualificado pelas Nações Unidas como o primeiro tratado de direitos humanos do século 21, e que entrou em vigor no ano passado.

Em 32 páginas, a Convenção dos EUA sobre os Direitos de Pessoas com Deficiências proíbe todas as formas de discriminação no trabalho com base nas deficiências, o que inclui as regras de contratação, promoção e as condições trabalhistas. O texto também reivindica pagamentos iguais para trabalhos de igual valor.

A convenção conclama os países signatários a promoverem a empregabilidade dos deficientes, inclusive por meio de programas de ação afirmativa.
O pacto estipula que os deficientes não podem ser excluídos da educação regular, e estabelece como dever dos governos garantir o acesso físico a meios de transporte, escolas, moradias, hospitais e locais de trabalho.

O governo de George W. Bush dizia que o documento era mais fraco do que a Lei dos Americanos com Deficiências (1990), e portanto poderia complicar o cumprimento daquela lei nacional.
Já Rice disse que os EUA estão "muito satisfeitos por se juntarem a 141 outros países que assinaram esta convenção na busca por um mundo mais justo". Ao todo, 61 países já ratificaram a convenção.

O presidente Barack Obama deve em breve submeter o tratado para aprovação no Senado, disse Rice na cerimônia, que contou com a presença de representantes de entidades norte-americanas de apoio a deficientes.

Valerie Jarrett, consultora de Obama, disse no evento que a assinatura dos EUA é "um passo histórico na promoção do nosso compromisso global com os direitos humanos fundamentais para todas as pessoas com deficiências".

Ela também anunciou a criação de um cargo de primeiro escalão no Departamento de Estado para desenvolver uma estratégia para a promoção dos direitos dos deficientes no mundo todo.
A adesão dos EUA ilustra a atitude mais favorável do governo Obama em relação à ONU do que a do seu antecessor Bush, que costumava criticar a entidade mundial e rejeitar tratados que pudessem afetar as leis nacionais dos EUA.

A entidade Human Rights Watch elogiou a adesão dos EUA, mas lembrou que Washington só assinou seis de nove tratados internacionais importantes de direitos humanos, dos quais ratificou apenas três - sobre discriminação racial, direitos civis e políticos e tortura.

Fonte: G1

DEFICIENTE ALERTA foi criado para orientar,educar,protestar e ajudar todos com deficiência. www.deficientealerta.blogspot.com

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Uma homenagem ao poeta Carlos Maia


Pessoal, o poeta Carlos Maia estará comemorando seu aniversário de meio século hoje, dia 30/07/09, a partir das 15 horas, no Mercado da Boa Vista, no bar "O Escritório", de Maysa. Esperando pelos convidados uma feijoada para 60 pessoas.

Infelizmente não poderei ir, por problemas de saúde, uma depressão que teima em não me largar.

Deixo aqui os meus parabéns ao Los Maia e que ele continue nos premiando com sua alegria, seus poemas e suas performances declamatórias.

Carlos Maia tem um blog: http://poetacarlosmaia.blogspot.com.

Posto aqui um poema de Maia, tantas vezes recitado no Quitanda Vinil, do amigo Carlos Granja, e extraído do livro “Lamentos de uma estrela”, de 1999:



Já fui andorinha, pardal,
Falcão, gaivota e águia.
Já fui cipreste no sul
Do Líbano.
Coqueiro
Em Arraial-da-Ajuda,
Hoje eu sou um homem
Voando em espantosa velocidade
Pelos confins do Universo
Sou um pássaro,
Sou um homem,
Sou tantos e ao mesmo tempo
Nenhum.
Em que banco
De ônibus
Ficou perdida
A minha identidade?

quarta-feira, 29 de julho de 2009

“AI-5 Digital” na França!

Lei francesa contra downloads será votada novamente em setembro
Ter, 21 de Julho de 2009 17:32

21/07/09 - A votação da última versão da lei contra downloads ilegais na internet, que o governo francês desejava realizar ainda esta semana, será adiada, segundo anunciou hoje o presidente da Assembleia, Bernard Accoyer.

O projeto de lei conta com o apoio pessoal do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que mostrou sua insatisfação quando o texto sofreu uma primeira rejeição, em abril, na Assembleia, por causa da ausência de deputados da maioria governamental.

O novo texto chega à Assembleia sem as disposições que o Conselho Constitucional rejeitou por entrar em choque com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. A Assembleia criticou o fato de o projeto original limitar a liberdade de comunicação e expressão, por causa da possibilidade de uma autoridade decidir cortar o acesso à internet de "piratas" reincidentes. Além disso, não respeitava o princípio de presunção de inocência, e o Conselho Constitucional opinou que apenas um juiz poderia tomar a decisão de cortar o acesso à web enquanto não fosse provado um download ilegal.

(Telesínteses, com agências internacionais).

segunda-feira, 27 de julho de 2009

APÓS UM COPO DE VINHO

Tenho, em minha mão
direita,
a aproximação da tua.
Um gato ronrona
a meus pés.
Meu pijama é de seda, branco,
fácil de despir.

Cai a noite,
escuramente bela.
No toca-disco:
Teleman.
O que me falta,
após um copo de vinho,
para ser feliz,
senão teu corpo
dionisiamente excitado.

(Do livro "Do amor, do prazer e da morte", de 1988).

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Simon, o ético.

De Os Dionisíacos, por Arthur Rotta

O Senador ético mandou Lula fechar a boca. Mais neste post do blog da Dilma.Macho não? Deve ter deixado orgulhoso o Lasier. Alías, muito democrático da parte do senador, mandar calar a boca de quem não concorda com ele. Deve ser por isso que ele não abandonou o PMDB de Sarney. São democratas. Ops, esse é outro partido. Mas e faz diferença?

Reportagem imperdível no Abundacanalha

Reportagem imperdível, no Abundacanalha, A grande drogaria americana

Um trecho:

"1) A guerrilha colombiana combate as oligarquias e seu governo ligado ao narcotráfico. Elas estão do outro lado. Uribe representa bem o setor, que movimenta a economia colombiana. Foi eleito com ajuda de narcotraficantes, segundo até o Estadão."

Confiram.

Um poema em homenagem ao França

Vejo Bob Marley e França
Cada um no seu papel
Junto a Espinhara e Luna
No além um escarcéu
O negão pegou seu rumo
Deve estar queimando fumo
Com Bob Marley no céu.


ALLAN SALES

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um poema de França

Cadê o seu cartão?
Não tem cartão?
Ponha um carimbo de LIVRE PASSE
na sua identidade
E passe e repasse sua trajetória
É lícito. Não é usual
Grite o seu pensamento
Esparrame sua dor
Multiplique o alarido
Pra que não descande em paz
o seu opressor


Sobre o poeta França clique aqui.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Blog do Velho Comunista

Um blog que não pode deixar de ser lido: o Blog do Velho Comunista. Escrito e editado por um humanista, traz artigos que são leituras obrigatórias para quem quer sair da matrix, sonhar com um mundo melhor para TODOS, lutar por essa realidade.

São tantos os destaques que só indo lá, na fonte, diretamente, mesmo assim arrisco algumas indicações:

Rússia, de repente 24,6 milhões de indigentes: a pobreza explode

Lula afirma em Paris que EUA devem levantar bloqueio a Cuba

Para que os responsáveis paguem pelo genocídio de Gaza

CASO BATTISTI - STF desrespeita a lei, a lógica e o bom senso

Crueldade insuperável - Departamento de Estado negou outra vez o visto à esposa de Gerardo Hernández Nordelo, um dos Cinco antiterroristas cubanos

Parabéns ao Velho Comunista!

As cinco regras da propaganda de guerra

Extraído do Blog do Bentes

Roteiro para descodificar a informação
Por Michel Collon, em seu sítio eletrônico.

Em cada guerra, golpe de Estado ou agressão efetuada pelo Ocidente, os grandes media aplicam estas cinco "regras da propaganda de guerra". Utilize esta grelha de leitura nos próximos conflitos. Ficará impressionando por reencontrá-las todas as vezes: 1-Esconder a História; 2-Esconder os interesses econômicos; 3-Diabolizar o adversário; 4-Branquear os nossos governos e os seus protegidos; 5-Monopolizar a informação, excluir o verdadeiro debate.

Aplicação ao caso de Honduras

1 - Esconder a História.
Honduras é o exemplo perfeito da "república bananeira" nas mãos dos EUA. A dependência e a pilhagem colonial provocaram um enorme fosso entre ricos e pobres. Segundo a ONU, 77% são pobres. O exército hondurenho foi formado e enquadrado – até nos piores crimes – pelo Pentágono. O embaixador estado-unidense John Negroponte (1981-1985) era chamado "o vice-rei de Honduras".

2 - Esconder os interesses econômicos.
Hoje, as multinacionais estado-unidenses (banana Chiquita, café, petróleo, farmácia, ...) querem impedir este país de conquistar a sua independência económica e política. A América do Sul une-se e vira à esquerda, mas Washington quer impedir que a América Central siga pelo mesmo caminho.

3 - Diabolisar o adversário.
Os media acusaram o presidente Zelaya de pretender fazer-se reeleger para preparar uma ditadura. Silêncio sobre os seus projetos sociais: aumento do salário mínimo, luta contra a hiper-exploração nas fábricas-prisão das firmas estadunidenses, diminuição do preço dos medicamentos, ajuda aos camponeses oprimidos. Silêncio sobre a sua recusa de encobrir os atos terroristas made in CIA. Silêncio sobre a impressionante resistência popular.

4 - Branquear os nossos governos e os seus protegidos.
Esconde-se o financiamento do putsch pela CIA. Apresenta-se Obama como neutro quando ele se recusou a encontrar e apoiar o presidente Zelaya. Se ele houvesse aplicado a lei e suprimido a ajuda estadunidense para Honduras, o golpe teria sido rapidamente sufocado. Le Monde e a maior parte dos media branquearam a ditadura militar falando de "conflito entre poderes". As imagens de repressão sangrenta não são mostradas ao público. Logo, um contraste gritante entre a diabolização do Irã e a discrição sobre o golpe de Estado hondurenho "made in CIA".

5. Monopolizar a informação, excluir o verdadeiro debate.
A palavra é reservada às fontes e peritos "aceitáveis" para o sistema. Toda a análise crítica sobre a informação é censurada. Assim, os nossos media impedem um verdadeiro debate sobre o papel da multinacionais, dos EUA e da UE no subdesenvolvimento da América Latina. Em Honduras, os manifestantes gritam "TeleSur! TeleSur!" para saudar a única televisão que os informa corretamente.

ATEUS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!

Às vezes nos sentimos sós, seres de outro planeta, dinossauros, por sermos ou termos uma visão diferente do mundo, da vida, do modo de viver ou de fazer algo, da maioria das pessoas com quem convivemos: em família, no trabalho, em encontros casuais.

Não sei vocês, onze leitores, mas sempre passo por situações assim.

Imaginem um cara extremamente tímido, com uma estrutura de caráter depressiva, viva Zapata! Viva o Prozac!

Deficiente físico, vivendo em uma sociedade onde o consumo e aparência são tudo.

Comunista, perdido na selva capitalista, pior: tendo vivido o auge do neoliberalismo que tinha como modelo – pasmem – Fujimori e o seu clone, FHC.

Não, é demais, como fugir de tudo isso? O único caminho foi o álcool. Puta que pariu! O cara ainda por cima é alcoólatra.

(Este parágrafo tem uma contradição, na verdade comecei a beber por causa da timidez, lá pelos onze anos, apenas acelerei o passo quando tomei ciência, sem gelo, do capitalismo.)

Este não tem jeito não, só Deus! Só Deus? Peraí só um pouquinho: também sou ateu!

Pois é, tímido, depressivo, deficiente físico, comunista, alcoólatra e ateu... Só o fogo!

Pois não é que com a internet percebo que não estou só nesta selva, que pessoas, sim, pessoas, se permitem pensar e falar, escrever sobre coisas que antes apenas cochichávamos em botecos, ao som de Chico, Belchior e sob o efeito do álcool e da maconha.

Todo este júbilo tem créditos, além de ter conseguido sair de uma crise depressiva que me deixou prostrado na cama por quase quatro dias, e de estar com algumas cervas geladas no quengo, é o excelente artigo: Ateus, saiam do armário! Ateísmo e falsas simetrias, de Idelber Avelar, do excelente O Biscoito fino e a massa.

Um aperitivo:

“Entendam o ponto de vista d’ O Biscoito Fino e a Massa sobre isso: tem que respeitar religião porra nenhuma. Tem que acabar com essa história de que, todas as vezes que apontamos a misoginia, a homofobia, os estupros de crianças, a guerra anticiência, os séculos de lambança obscurantista, sempre aparece alguém para dizer "ah, tem que respeitar minha religião".

domingo, 19 de julho de 2009

Hoje, há exatamente um ano

Hoje, há exatamente um ano, indignados com a atitude do Ministro Gilmar Mendes, Presidente do Supremo Tribunal Federal, ou seja, Presidente da mais alta corte de justiça de nosso país, que em menos de 48 horas concedeu dois hábeas corpus consecutivos ao banqueiro Daniel Dantas, acusado de diversas praticas criminosas, pela Polícia Federal, acusações essas aceitas pela Justiça Federal; reuniram-se em todo o Brasil, quixotes e brancaleones, na feliz expressão do blogueiro Eduardo Guimarães, do Cidadania.com.

Instados pela internet, uma vez que a grande imprensa sempre esteve ao lado tanto de Dantas como de Mendes, a manifestarmo-nos, inicialmente e com a liderança do Eduardo, através de seu blog, posteriormente por outros blogs, correntes de e-mails, orkut, etc.; cidadãos se reuniram em diversas capitais do país, na manhã do dia 19/07/2008, um sábado, demonstrando a sua indignação e com a esperança de mudanças democráticas na forma de como a nossa justiça trata os ricos e os pobres.

Exemplos de absurdos cometidos por nossa justiça não faltam, sempre com o conluio e confetes do PIG, em busca de audiência fácil, como já denunciou o Blog do Mello; o Caso da Escola de Base; o Caso de Ouro Preto, recentemente retratado pelo Biscoito Fino ou as diversas histórias macabras de pessoas que passam seis, sete, dez anos presos por que roubaram um pote de margarida, um vidro remédio, ou mesmo por que eram apenas os suspeitos de ocasião, ou seja, o direito é classista, não apenas o nosso, mas em todo o sistema capitalista.

Mas, não sejamos injustos, existem pessoas e juízes como Fausto de Sanctis e o Ministro Joaquim Barbosa, e outros tantos anônimos, que não nos deixam perder a esperança.

Entre os quixotes e brancaleones, um grupo se reuniu em Recife, num sábado, às 10 horas, chovia, mas devagar, “a passos de lebre”, cerca de 20 pessoas se confraternizaram e se indignaram, plantando sementes esquecidas “nalgum canto de jardim”.

Na época não postamos fotos na net, mas hoje, em tributo aos que sonham, aos que lutam, aos que vão as ruas ou à internet, faço uma homenagem àquela festa democrática, na Rua do Lima -Bairro de Santo Amaro - Recife, em frente à TV Jornal do Commercio - que faz parte do PIG - e ao Copo Sujo, reduto de jornalistas, empregados de gráficas, funcionários públicos, poetas e cidadãos de várias estirpes.

































Obs. 1: O ato ocorreu num sábado, dia 19/07/08, a partir das 10 horas. A data e hora da máquina digital estão erradas.

Obs. 2: Após o ato, não sei se 1 ou 2 dias depois, enviei o seguinte e-mail ao Eduardo Guimarães:


Eduardo,
Estou te enviando as fotos do ato realizado aqui em Recife, pelo impeachment do Gilmar Mendes.
Infelizmente poucas, mas entusiasmadas, pessoas compareceram, umas 20 (vinte), colhemos 33 (trinta e três) assinaturas, que eu gostaria de te enviar pelos correios, me informa um endereço para contato.
Nos fotos eu sou o que usa bengalas, tive pólio na infância, e a menina que está com o megafone, uma verdadeira líder, é Patrícia, amiga de Jô, uma leitora do teu blog, foi quem comandou o ato.
Obrigado pela iniciativa e pela liderança.
Abraços,
Itárcio.

domingo, 12 de julho de 2009

PAISAGEM COM SETE OBJETOS


Eram sete os apóstolos de Cristo
no evangelho apócrifo dos Setenta.

Por sete eram multiplicadas as vidas
dos filhos de Deus,

Antes que Deus se cansasse
de tanta canalhice.

Sete são os labirintos de Borges
e sete as formas de sua leitura.

Vejo que são sete os teus elementos
e sete vezes bela a tua arte.

Sete musas devem ter te inspirado
ou as sete perdidas virtudes humanas.

E, tu leitor, não leias mais que sete vezes
este poema de sete versículos.


Do livro "Família e outros poemas", de 1996.
Ilustração: Itárcio de Souza, 1994, aos oito anos de idade.


sábado, 11 de julho de 2009

POEMA DA BUCETA CABELUDA



Lendo no Amálgama a resenha de Juliana Dacoregio sobre o livro Buceta: Uma novela cor-de-rosa, de Luiz Biajone, lembrei de Bráulio Tavares e do seu “Poema da Buceta Cabeluda”.
Tinha esse poema em livro, que comprei numa apresentação de Bráulio, aqui em Recife, mas o danado sumiu das minhas estantes, só Deus sabe como.
(Livros têm pernas? Vontade própria? Desejo de ser lido e por isso fogem de casa, das estantes?)
Pesquisei na net e achei o belo poema de Bráulio, autor de Trupizupe, o Raio da Silibrina, que aqui posto em homenagem ao grande autor, aos leitores e, é claro, as bucetas: deliciosos fetiches, motos-contínuos do desejo.



A buceta da minha amada
tem pêlos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono-das-secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo-baiano.

A buceta da minha amada
é cabeluda
como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do Universo.

A buceta da minha amada
é cabeluda,
misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos,
é um delta ardente sob os meus dedos
e na minha língua
é lambda.

A buceta da minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.

A buceta da minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme
quando a gente fode.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (X) – última parte

Qual a conclusão geral?

Existe solução para o problema da saúde pública no Brasil, esta é uma conclusão racional, como existem soluções para vários outros problemas que atingem não só o Brasil, mas uma grande parte dos países no mundo.

A solução ou as soluções passam, sobremaneira, pelo campo político, pela vontade política, tanto considerando o problema internamente, no âmbito do Brasil, quanto na ótica de um mundo globalizado, quando as decisões nacionais passam pelo crivo dos países ricos, principalmente dos Estados Unidos da América do Norte, atual líder mundial.

Soluções existem, insistimos, vários aspectos têm de ser observados e modificados, vários pensadores preocupam-se com o problema, vejamos Sen, Anderson, Zaverucha, Przeworski, Freire, entre outros, mas todos passam pelo campo das vontades, da política, que tem sempre, historicamente privilegiado o aspecto financeiro.

Em seu trabalho citado Lerda vislumbra a gênese da globalização em vários fatos e um deles foi “a firme determinação, por parte das potências coloniais da época, de implantar o “livre” comércio e assegurar a abertura de mercados pela força”, citando como exemplo a Guerra do Ópio, entre a Inglaterra e a China, quando àquela impôs o comércio do ópio a força.

Portanto, sob o aspecto das relações internacionais, nossos problemas, inclusive o da saúde pública, para quem são destinados 30 bilhões de dólares anuais, quando este valor atinge a cifra de 120 bilhões de dólares mensais para o pagamento só dos juros da dívida pública, tudo isso no governo do Pescador FHC, parece-nos insolúvel, ou de difícil consecução, só através de um significativo esforço e pressão dos segmentos envolvidos na luta por uma melhoria da qualidade de vida dos que são marginalizados pelo sistema, como os Conselheiros de Saúde, os profissionais de saúde, as entidade e hospitais prestadores de saúde, a comunidade científica, as ONGs, a CNBB, a OAB, etc., se conseguiram avanços, aí novamente a importâncias de instituições fortes (Przeworski).

terça-feira, 7 de julho de 2009

Ferreira Gullar, um poeta sujo


Esse eu pesquei do excelente blog O Esquerdopata. É uma pena que o grande poeta tenha se transformado em porta-voz da direita, relegando ao lixo toda uma história de luta.



Do velho stalinista, autor de "Poema sujo", só restou a sujeira.




Um intelectual como Ferreira Gullar pode escolher virar direita, pode escrever o que quiser, só não devia se meter a dar palpites sobre o que não entende, ou pior, sobre o que entende errado.


Em artigo na Folha de José Serra, Gullar solta todos os preconceitos elitistas sobre o bolsa-família que ele "ouviu falar" de amigos da elite que o cerca, e repete de forma deturpada.


O artigo é um lixo do início ao fim, mas vamos a alguns destaques.


A certa altura, ele diz:


"... Inventaram-se os mais diversos modos de burlar as normas que o regem, chegando-se ao ponto de, quando o beneficiado pelo programa consegue um emprego, pede ao patrão que não lhe assine a carteira de trabalho, para que possa, assim, fazer de conta que continua desempregado..."


Pra começar, patrão que é honesto não negocia esse tipo de coisa. Registra sempre e pronto. A falta de virtude é muito mais do patrão do que do empregado, neste caso.


Além disso, a situação que o mal informado Ferreira Gullar descreve, na realidade é outra. Acontece em empregos precários, patrões de má-fé condicionarem o empregado a não registrar, para ganhar o bolsa-família, e o patrão não pagar FGTS, INSS, férias, abono de férias, aviso prévio, etc.


Se o empregado tiver acesso mínimo à cidadania jamais vai aceitar a falta de registro só para ter o bolsa-família (no máximo R$ 182,00 por FAMÍLIA, nem é por pessoa).


Mesmo um emprego de salário-mínimo que seja, registrado em carteira, dá direito à férias, décimo-terceiro, abono de férias, FGTS, PIS, proteção contra acidentes de trabalho e conta tempo para aposentadoria. Nenhum trabalhador esclarecido abre mão disso por vontade própria.


Em outra passagem Ferreira Gullar diz:


"... Um conhecido meu, que cria algumas cabeças de gado, contou-me que o vaqueiro de sua fazenda separou-se aparentemente da mulher (com quem tinha três filhos) para que ela pudesse receber a ajuda do Bolsa Família, como mãe solteira e sem emprego..."


Assim como Marajarbas, como sempre é "um conhecido" quem disse... e nesse caso, ainda trata-se de um criador de gado (setor onde há grande incidência de empregos precários, sem registro em carteira, às vezes até trabalho escravo)... e essa história está pra lá de mal contada, pois desde quando separação conjugal (ainda que de união estável) torna a mulher mãe solteira?


E o "intelectual" continua torturando sadicamente o bolsa-família nas páginas da Folha:


"... Ao mesmo tempo, embora já tivesse decidido não ter mais filhos, além dos que já tinham, mudaram de ideia e passaram a ter um filho por ano, de modo que a filharada, de três já passou para sete, sem contar o novo que já está na barriga... "


...Esse procedimento se generaliza. Um médico que atende num hospital público aqui do Rio, declarou na televisão que uma jovem senhora, depois de sucessivos partos, teve que amarrar as trompas. Com medo de morrer, aceitou a sugestão do médico, mas lamentou: "É pena, porque vou perder os R$ 150 do Bolsa Família".


Ferreira Gullar deveria saber como funciona o Bolsa-família. Basta consultar aqui as regras do programa.


O benefício é por família, e o máximo por família é R$ 182,00 (antes do aumento anunciado), independente do número de filhos.


Nenhuma família ganha nenhum centavo a mais se tiver mais de 3 filhos até 15 anos. O abono por filho até 15 anos é apenas R$ 20,00 para filho, limitado a três filhos.


Até 2 jovens destas famílias, de 15 a 17 anos, cursando escola, podem receber R$ 30,00 cada.


É do direito de qualquer um criticar o Bolsa-família, mas coloquem a mão na consciência e critiquem pelo que o programa é de verdade. Não inventem.


Não critiquem o que não existe, espalhando boatos e criando esteriótipos sobre o programa.


Ferreira Gullar é esclarecido demais para se dar ao direito de tamanha ignorância.


A Folha de São Paulo, se fosse um jornal ético, o editor que publicou o artigo de Ferreira Gullar, teria avisado ao articulista dos erros contidos no artigo. Poderia publicar sem censura se o articulista insistisse em mantê-lo, mas o jornal deveria ter a decência de explicar ao leitor como funciona o programa na realidade.


Em tempo: Por que vários dos antigos intelectuais da esquerda festiva perderam "la ternura"?


Preferia Ferreira Gullar quando escrevia seu poema sujo.


Zé Augusto

ONANISMO

Por que sentimos
às vezes
que o amor mais completo
é quando somos
amante e amado,
sujeito e objeto?
Será por que nos conhecemos
tão certo?
Ou por que nos falta
escolha,
afeto?


(Do livro “Do amor, do prazer e da morte”, de 1988).

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (IX)

Faz diferença para a pesca o tamanho do calado do navio?

O tamanho do calado faz enorme diferença para a pesca. Quanto maior o calado maior a estabilidade do barco. Entendamos o calado como instituições fortes, se são fortes as instituições, serão fortes os braços, e a pesca se dará de acordo com práticas, normas e rotinas estabelecidas. As regras serão claras e haverá segurança dos cidadãos-peixes na garantia de seus direitos.

Caso as regras e a instituições sejam fracas, os calados serão pequenos e os barcos instáveis, a pesca se dará dentro de regras incertas, e os peixes serão abandonados ao seu destino, só os fortes sobreviverão, só os tubarões.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Comemoremos, ateus!


03/07/2009 - 21:43




O Ministério Público do Piauí solicitou a retirada de símbolos religiosos dos prédios públicos no Estado, atendendo a uma representação feita por 14 entidades da sociedade civil. O promotor Edílson Farias, que está tratando do caso, deve propor um Termo de Ajustamento de Conduta para que os governos municipal, estadual e federal retirem imagens e fechem capelas dentro de edifícios públicos. Caso não façam isso, provavelmente serão alvo de um ação civil, baseada no inciso I do artigo 19 da Constituição, que diz ser proibido ao poder público estabelecer cultos religiosos ou igrejas.

É claro que setores não-progressistas da Igreja Católica no Piauí chiaram na audiência realizada, nesta semana, em Teresina para discutir o assunto.

Com isso, o Piauí - sempre vítima de preconceito - dá, ao resto do país, uma aula de cidadania e de respeito à separação entre Estado e religião.

No início do ano, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Luiz Sveiter mandou retirar os crucifixos que adornavam o prédio e converteu a capela católica em local ecumênico. Ou seja, não fez mais do que se espera de uma autoridade pública em um governo que deveria ser laico, acolhendo todas as crenças e denominações religiosas, mas sem discriminar nenhuma delas.

Mas ele enfrentou contestações tanto por seus colegas desembargadores quanto por parte da sociedade, que defenderam a permanência do crucifixo por motivos religiosos ou por tradição.

Tradição, sabe? Aquela coisa do “Ué! Mas sempre foi assim, por que mudar?”, a que sempre se recorre quando se confronta algo do passado, nem sempre justo, com um argumento racional.

É necessário que se retirem adornos e referência religiosas de edifícios públicos, como o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional. Não é porque o país tem uma maioria de católicos que espíritas, judeus, muçulmanos, enfim, minorias, precisem engolir um símbolo cristão. Além disso, as denominações cristãs são parte interessada em várias polêmicas judiciais – de pesquisas com célula-tronco ao direito ao aborto. Se esses elementos estão escancaradamente presentes nos locais onde são tomadas as decisões sem que ninguém se mexa para retirá-las, como garantir que as decisões serão isentas?

Por fim, o Estado deve garantir que todas as religiões tenham liberdade para exercer seus cultos. Mas não pode se envolver, positiva ou negativamente, em nenhuma delas. Estado é estado. Religião é religião.

É simbólico. E, por isso, imprescindível.

Morre o jornalista Ronildo Maia Leite!

Dedico esta postagem aos amigos tricolores Chico e Araken e aos amigos alvirrubros Didi e JJ.

Hoje, feliz com a notícia de que o meu querido Santa Cruz estreou com vitória (3 x 0) contra o nosso irmão CSA, na série D; informo aos meus 10 leitores, em primeira mão, que incluí o blog do Santinha, editado, entre outros, pelo admirável Samarone Lima na minha lista de blogs.

Recebo, triste, a notícia da morte do jornalista Ronildo Maia Leite - tricolor saudável - aos 78 anos de idade, por quem sempre nutri uma grande admiração, nunca antes publicizada, posto que os "nossos jornais" sempre estiveram nas mãos das poucas "famiglias" – expressão felicíssima do nosso amigo irmão Cloaca News - que formam a máfia da emprensa no Brasil.

Hoje, graças à internet, proclamo minha admiração pelo mestre, que entre suas virtudes, era amigo de um dos meus grandes ídolos, o saudoso, entre os vivos, mas sempre eterno Gregório Bezerra.

Parabéns ao Santinha: saudades do tricolor Ronildo!

domingo, 5 de julho de 2009

"Queremos que não valha a pena corromper''



Fonte: Blog da Dilma

Domingo, 5 de Julho de 2009

Abramovay diz que prejuízo para empresas que se envolvem com escândalos é hoje muito pequena no Brasil
Felipe Recondo - Estadão: Ao enviar ao Congresso o projeto de responsabilização de pessoas jurídicas, a proposta do governo federal é atingir o bolso das empresas e, com isso, coibir a prática da corrupção. O secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, Pedro Abramovay, que está envolvido na discussão, diz que a ideia é punir as empresas de tal forma que fiquem desestimuladas a se envolver em esquemas de corrupção. Ele avalia que as empresas têm pouco a perder se praticam crimes contra a administração pública. "Hoje, o prejuízo para a empresa é muito pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão grande que não valha a pena corromper."
Qual será a consequência do projeto para as empresas brasileiras? Esperamos maior responsabilidade das empresas. Estamos vivendo no mundo em que a responsabilidade corporativa é importante, onde as empresas se preocupam em fazer programas de prevenção da corrupção por ser importante para a imagem delas. Precisamos lidar com essa nova realidade e dizer que o governo pode punir empresas que são corruptas.
Hoje, a punição é imposta pelo mercado? O fato de se ter uma empresa cuja política necessite corromper uma pessoa para fazer determinada coisa andar precisa ser punido pelo Estado. Isso precisa afetar o valor da marca, precisa afetar a empresa. É muito mais grave ter uma empresa punida do que um diretor que praticou determinado ato. Por isso estamos preocupados com a condenação de empresas e não só das pessoas físicas nos casos de corrupção.
Não é possível punir essas empresas com base na legislação atual? É muito difícil hoje punir empresas, porque a lógica que se aplica é a do direito penal. E o direito penal no Brasil é feito para punir pessoas físicas. Por isso queremos sair desse debate para podermos punir a empresa (no âmbito administrativo e cível) e gerar um prejuízo que é muito maior, que vai além da multa e atinge a imagem. Queremos que o consumidor saiba que a empresa foi condenada. É importante saber que aquela empresa tinha na sua política a prática da corrupção.
Será possível punir uma empresa mesmo sem provas de que houve ordem para o pagamento de propina, por exemplo? Quando tratamos de pessoa física, precisamos identificar a intenção, se houve ou não a intenção. E temos de entrar até na análise psicológica para saber por que a pessoa fez aquilo. No caso da empresa, não precisamos disso. O que temos de avaliar é se a empresa, representada por alguém que tinha poder para isso, praticou um ato ilegal. E, se praticou, a empresa será punida.
Não é possível condenar a empresa com base no Código Penal? O que a gente nota é que, nos casos em que a Constituição determina a responsabilidade penal da pessoa jurídica, como na lei ambiental, há pouquíssimas condenações, porque o juiz não consegue aplicar o direito penal para a empresa. Então, o que queremos é tirar isso do âmbito do direito penal, colocar no âmbito administrativo, porque é onde essas punições funcionam.
Será possível fechar uma empresa envolvida com corrupção? Certamente. Fechar empresa é sempre ruim. O ideal é manter a empresa funcionando. Mas a empresa vai precisar internalizar para o seu custo o prejuízo que terá com uma condenação. Hoje, o prejuízo para a empresa é muito pequeno. Queremos que esse prejuízo seja tão grande que não valha a pena corromper.



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Postado por Jussara Seixas às Domingo, Julho 05, 2009

sábado, 4 de julho de 2009

PRIORIDADE

Meu corpo
é mais corpo
que alma.

A alma terá
o seu tempo,
regará suas flores.

Por agora,
só prazeres físicos
e odores.


(Do livro “Do amor, do prazer e da morte”, de 1988)

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (VIII)

Qual o efeito que a pesca tem sobre o resto do mar?

Vêm sendo terríveis os efeitos da pesca sobre o mar. A pesca passou a ser predatória, quando realizada pelos Piratas e quando não realizada pelo Pescador.

Utilizando o conceito de transferências de rendas, que segundo Buchanan e Tulloch, são “os agentes econômicos e públicos que buscam sempre realizar seus fins privados e dentre estes fins está a perseguição de rendas dentro da sociedade”, podemos dizer que tanto o Pescador, com a sua omissão, quanto os Piratas com suas ações são transferidores ou caçadores de renda.

O que nos mostra a história é que sempre existiram e sempre existirão os caçadores de renda. É possível a sua minimização? Sim, através de instituições fortes, vide Przeworski.

Perry Anderson, renomado historiador inglês diz que o mundo caminha para a barbárie, com grandes áreas de exclusão. É o que vemos acontecer com África, excluída da comunidade econômica mundial, servindo apenas de alimento as indústrias bélicas, principalmente norte-americanas, mas também brasileiras, que fomentam as guerras tribais e trocam armamentos pelos diamantes africanos. O que é isto senão transferência de rendas?

Quando no Brasil observamos seja a olho nu, seja através de estudos científicos o crescimento no mar da população de peixes excluídos dos seus direitos a saúde, vemos qual nociva vem sendo a pesca.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vinho tinto e Yvy Brussel

Hoje resolvi que não postaria nada, muito menos navegaria na net, nenhuma leitura, embora algumas chamadas tenham me despertado a atenção - Anistia, Israel e Serra - mas, como sempre costumo voltar das minhas decisões radicais, ou não, a culpa recairia em um amigo que me indicou um bom vinho tinto, que ora beberico, um desses vinhos “honestos”, preço acessível.

Outra “culpada” seria a Yvy Brussel e o seu Maybe Tomorrow – “Quebrei o teu prato, tranquei o meu quarto, bebi teu licor" - que me deixa melancólico, mas de uma melancolia agradável, como disse Drummond no “Poema das sete faces”:

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Antes de dormir, num ritual de atiçar as emoções, ainda ouvirei, no escurinho do meu quarto – quantos têm um quarto escurinho para passarem a noite no nosso mundinho capitalista? Não para se protegerem de um Katrina, que escancarou para o mundo as mazelas dos pobres nos Estados Unidos, mas de uma chuvinha? – Belchior - A Palo Seco, Pequeno Perfil de um Cidadão Comum - e Cesaria Evora - São Vicente di Longe, Regresso.

De uma canção, um poema ou um dizer popular:

Acalma-te Izabel,
para que brigar?
A vida é curta...

Muitas vezes sinto-me impotente diante da existência – bota muitas vezes nisso - de problemas pessoais, da morte de uma pessoa querida ou mesmo desconhecida, das doenças, das injustiças e desgraças de viver em uma sociedade capitalista que, se não fosse o álcool, a indicação do meu amigo de um bom vinho tinto e a seleção de músicas da Yvy, sei não...

quarta-feira, 1 de julho de 2009

EL SALVADOR

Nos acampamentos guerrilheiros em El Salvador,
as balas norte-americanas
são como as flechas do cupido:
apaixonam o povo cada vez mais
por seu país,
por sua liberdade.



Escrevi este pequeno poema, que faz parte do livro “Apocalipse e outros poemas”, publicado pela Bagaço em 1989, acredito que após assistir ao filme Salvador, de Oliver Stone, de 1985, sobre a sangrenta guerra civil financiada, naquele país irmão, pelos EUA.
Hoje, lendo, na net é claro, e refletindo sobre o golpe de estado contra o governo democraticamente eleito de Honduras; relembrando dramáticos momentos de nossa história, como o assassinato do padre Henrique; o imolamento do Arcebispo Oscar Romero e o assassinato dos guerrilheiros do grupo Tupac Amaru pela polícia do ladrão e ditador Fujimori, o posto em homenagem a todos que lutam por uma sociedade mais justa e as incontáveis vítimas da ganância capitalista.

Metáfora – Crítica à globalização e ao neoliberalismo (VII)

Os tipos de peixes pescados são os mesmos? São outros? São menos? São mais? E os tipos de pescadores?

São vários os tipos de peixes pescados, pois os mesmos crescem em termos globais, com a crise do capitalismo e o desenvolvimento da globalização, que traz em seu bojo o problema do desemprego crônico, não só nos países satélites ou periféricos, mas também nos países centrais, motores da globalização.[1]

Após a falência dos regimes estatizantes[2] difundiu-se a idéia de que o regime capitalista ou de mercado era a salvação de tudo, mas o que estamos observando é a divisão no mundo, e internamente em cada país, entre os cada vez mais ricos e os cada vez mais pobres. Portanto, cada vez mais peixes a dependerem da utilização do sistema de saúde pública.

Embora persista a esperança – e a estes que ainda acreditam, o que não é o meu caso, aconselho a leitura dos textos de Amartya Sen -, o fato é que seja um Estado mínimo, como pregam os neoliberais, e dos quais discorda Merquior, ou máximo, e ele privilegiar apenas um determinado segmento do mar-sociedade, o que de fato temos observado, mesmo nos EUA, onde o 1% mais rico detém 35% do PIB, cada vez mais peixes poderão ser pescados pelos barcos piratas, e cada vez mais peixes estarão fora das redes protetoras do Governo-Pescador. Para ilustrar, Przeworski e Wallersteins, 1988, nos dizem que “a crise do keynesianismo é a crise do capitalismo democrático”.


[1] Para JUAN CARLOS LERDA, “Em virtude de diversas áreas do conhecimento estarem se interessando pelo estudo da globalização, tendo em vista o seu alcance, diversos são os conceitos sobre a matéria.”, in Globalização da Economia e Perda de Autonomia das Autoridades Fiscais, Bancárias e Monetárias. Para RENATO BAUMAN, “A expressão ‘globalização’ tem sido utilizada mais recentemente num sentido marcadamente ideológico, no qual se assiste no mundo inteiro a um processo de integração econômica sob a égide do neoliberalismo, caracterizado pelo predomínio dos interesses financeiros, pela desregulação dos mercados, pelas privatizações das empresas estatais, e pelo abandono do estado de bem-estar social.”, in O Brasil e a Economia Global.
[2] “Espero, convencido de que chegará o tempo em que, passada a estupefação em face da queda do muro de Berlim, o mundo se refará e recusará a ditadura do mercado, fundada na perversidade de sua ética do lucro.” PAULO FREIRE, Pedagogia da autonomia – Saberes necessários à prática educativa, PUC, 2002.