LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Transávamos debaixo dos lençois

Transávamos

debaixo dos lençóis

Luz apagada

Língua colada

no travesseiro


No espasmo

A sensação

de ter partido prá luta



Hoje se vê

que a nação desenvolve

a mesma política da

era colonial

e como dois amigos

que fenecem juntos

não nos importamos

com a decadência

um do outro



Poema de França


Crédito da foto: A voz do ESCRITOR

domingo, 30 de agosto de 2009

Minha solidariedade total ao Beto Almeida


(Sábado, 29 de Agosto de 2009 às 15:01hs)
Tenho evitado drogas mais pesadas e por esse motivo a única revista semanal brasileira que leio com assiduidade é a Carta Capital.
Mas alertado pelo jornalista Altamiro Borges em um artigo publicado hoje no Vermelho, fui procurar no Google a matéria que Isto É fez contra Beto Almeida, jornalista que conduz a Telesur no Brasil.
O Antonio Mello arrumou uma ótima definição para esse tipo de matéria piguiana: porcalismo. Trata-se de um exemplar inequívoco do porcalismo brasileiro.
Beto Almeida é “denunciado” em Isto É por trabalhar no Senado e ao mesmo tempo “dirigir” a Telesur. Esse é o suposto motivo da matéria-denúncia.
E para dar densidade à acusação a revista foi entrevistar o “insuspeito” senador tucano Álvaro Dias, adversário político do governador Requião, que retransmite a Telesur pela TV Publica do Paraná.
Vejam como é grave a acusação de Álvaro Dias: “é preciso saber se as atividades paralelas dele com o governo Chávez são compatíveis com os horários de trabalho no Senado.”
IstoÉ não ataca apenas Beto Almeida. O que ela faz é tentar intimidar o direito de jornalistas como ele de lutarem por outros veículos de comunicação que não sejam os dos cartéis midiáticos.
É esse o sinal dado pela revista. E não tenho dúvida que isso tem muito a ver com a Conferência da Comunicação.
Alguns sinais já vêm sendo dados pela nossa doce mídia de que entraremos no fogo cruzado do seu denuncismo vil.
O triste é saber que há jornalistas (e quase todos com diplomas, viu amigos) fazendo esse trabalho sujo para o cartel das coorporações midiáticas.
Este blogue e a Revista Fórum solidarizam-se com Beto Almeida.
É importante que a blogosfera progressista e democrática faça o mesmo.
Beto Almeida é um pretexto.
Quem está sendo atacado é o nosso legítimo direito de buscar construir um novo espaço de comunicação no país.
De tentar democratizar o direito a comunicação no Brasil.

Produtividade no setor público supera a do setor privado


Recebi de um amigo por e-mail: Pra quem adora dizer que a administração pública é ineficiente, que bom mesmo são as empresas privadas... Durma com uma bronca dessa! Rodolfo.

Sexta-Feira, 28 de Agosto de 2009


O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006. “Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, diz o presidente do instituto, Marcio Pochmann (foto). “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”, acrescenta.

Redação - Carta Maior

A administração pública é mais produtiva do que o setor privado. Essa foi uma das conclusões a que chegou o estudo Produtividade na Administração Pública Brasileira: Trajetória Recente, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O Ipea avaliou a evolução da diferença de produtividade entre esses dois setores entre 1995 e 2006.

“Em todos os anos pesquisados, a produtividade da administração pública foi maior do que a registrada no setor privado. E essa diferença foi sempre superior a 35%”, afirmou o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, ao divulgar o estudo. “No último ano do estudo [2006], por exemplo, a administração pública teve uma produtividade 46,6% maior [do que a do setor privado]. O ano em que essa diferença foi menor foi 1997, quando a pública registrou produtividade 35,4% superior à da privada”.

O estudo diz que entre 1995 e 2006 a produtividade na administração pública cresceu 14,7%, enquanto no setor privado esse crescimento foi de 13,5%. “Há muita ideologia e poucos dados nas argumentações de que o Estado é improdutivo, e os números mostram isso: a produtividade na administração pública cresceu 1,1% a mais do que o crescimento produtivo contabilizado no setor privado, durante todo o período analisado”.

Segundo o Ipea, a administração pública é responsável por 11,6% do total de ocupados no Brasil. No entanto, representa 15,5% do valor agregado da produção nacional. “A produção na administração pública aumentou 43,3% entre 1995 e 2006, crescimento que ficou mais evidente a partir de 2004. No mesmo período, os empregos públicos aumentaram apenas 25%. Isso mostra que a produtividade aumentou mais do que a ocupação”, argumentou o presidente do Ipea. "Esse estudo representa a configuração de uma quebra de paradigma, porque acabou desconstruindo o mito de que o setor público é ineficiente”, defendeu Pochmann.

Entre os motivos que justificariam o aumento da eficiência produtiva da administração pública, Pochmann destacou as recentes inovações, principalmente ligadas às áreas tecnológicas que envolvem Informática; os processos mais eficientes de licitação; e a certificação digital, bem como a renovação do serviço público, por meio de concursos.

O presidente do Ipea lembrou ainda que as administrações estaduais que adotaram medidas de choque de gestão, como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, não constam entre aquelas com melhor desempenho na produtividade. "Ou tiveram ganho muito baixo, ou ficaram abaixo da média de 1995 a 2006", afirmou, ressalvando que essa comparação não era objetivo do estudo, mas foi uma das conclusões observadas.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Presidente Lula destaca software livre como futuro da gestão pública



II Congresso Internacional Software Livre acontece até esta sexta-feira, em Brasília
O
presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, participou nesta quarta-feira (26), em Brasília, da abertura do II Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico (Consegi 2009), que se realiza até esta sexta-feira (28), na Escola de Administração Fazendária (Esaf).

Além dele, estiveram presentes, os ministros da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende; da Educação, Fernando Haddad; e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. Software Livre como solução para a gestão de tecnologias na Administração Pública é o foco do encontro, que tem ainda como objetivo promover a troca de experiências e informações entre instituições da Administração Pública, sociedade civil organizada e representantes de países parceiros a respeito dos softwares de código aberto.

No encontro, Lula destacou a importância do software livre como uma nova forma de relação entre o governo e a sociedade. Segundo ele, essa modalidade de plataforma livre de construção de software mostrou que há espaço para democratização do conhecimento.

"A partir do compartilhamento de informações está surgindo softwares complexos. Entre eles, destaco a Demoiselle - plataforma que padroniza processos e códigos de sistemas dos softwares desenvolvidos para o Governo Federal. Com a adoção desse tipo de tecnologia, o governo já deixou de gastar na aquisição de licenças de softwares pagos mais de R$ 370 milhões desde o início do governo em 2003", destacou.

O chefe do Executivo citou como exemplo o projeto Piraí Digital, implantado no município de Pirai, no interior do Rio de Janeiro. "Conheci o projeto da cidade digital de Piraí, o primeiro município a garantir computador para cada estudante. Até então, eu tinha preconceito com relação a usar computadores para educar crianças. Pensava que essa modalidade de ensino criaria uma distância entre elas. Mas lá, percebi que estava errado. Existe a interação, elas conversam entre si, pesquisam, estudam e se ajudam. A evasão escolar no município caiu de 26% para 0,6%", enfatizou.

Como forma de apoiar a democratização da informação e da utilização dos software livre por todos, Lula disse que em seu governo "é proibido proibir".

"Neste governo é proibido proibir. Não há boa ideia que não tenha um espaço para ser utilizada. O que é ruim não é a boa ideia. O que é ruim é não ter nenhuma ideia. Encham este País de ideias, porque nós estamos precisando. Precisamos seguir o modelo de Piraí e espalhá-lo por todo o Brasil. Além disso, não podemos planejar a inclusão digital apenas quando tivermos sobra de dinheiro", disse.

Lula disse que foram colocados mais de 400 mil computadores nas escolas públicas, durante seu governo, e que a meta é chegar a 800 mil até 2010, beneficiando 93% dos estudantes.

TIC

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, considerou o II Congresso Internacional Software Livre como um dos principais eventos na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Segundo o ministro, essa é uma das áreas que mais atrai a atenção dos jovens estudantes. "Hoje temos mais de 100 mil universitários cursando áreas da tecnologia da informação e mais de 20 mil bolsas oferecidas para pós-graduação em mestrado e doutorado", exemplificou.

Rezende destacou ainda o Projeto "Cidadão Conectado - Computador para Todos", que faz parte do Programa Brasileiro de Inclusão Digital, do Governo Federal, iniciado em 2003, mais precisamente a partir da instalação do governo Lula. Ele explicou que o Computador para Todos tem como objetivo principal possibilitar a população que não tem acesso ao computador adquirir um equipamento de qualidade, com sistema operacional e aplicativos em software livre, que atendam ao máximo às demandas de usuários, além de permitir acesso à Internet.

O ministro falou ainda do potencial do Brasil na fabricação de computadores. "O Brasil produz anualmente cerca de 12 milhões de máquinas. Hoje o ítem de preferência da população brasileira é o computador, substituindo inclusive a televisão", citou.

Incentivos

Como incentivo às empresas, que desenvolvem softwares e oferecem serviços de tecnologia da informação, Sergio Rezende, falou dos incentivos por parte do Governo Federal. Ele citou a assinatura do decreto que desonera a folha de pagamentos desse tipo de segmento empresarial. "O presidente Lula assinou na semana passada um decreto que regulamenta a lei de incentivos fiscais e desonera as empresas de software e serviços", destacou.

Ainda com o objetivo da inclusão social e digital, o ministro citou a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep). "Em 2005, tivemos 10 milhões de inscrições. Neste ano, foram registrados 19 milhões de inscritos. A matemática deixou de ser um bicho de sete cabeças nas escolas públicas. Logicamente, os participantes têm incentivos para participar como bolsas de estudos e kits de material escolar", explicou.

Demoiselle

A plataforma Demoiselle - nome francês inspirado no aeronauta e inventor brasileiro, Santos Dumont - é um sistema brasileiro, desenvolvido por órgãos federais do Brasil, para uso nacional. Demoiselle é o nome de um modelo leve e pequeno do avião que Santos Dumont idealizou e pilotou em 1907, um ano depois do vôo do 14 Bis.

Diversas versões do Demoiselle foram testadas pelo aviador de 1907 a 1909. Ao final das anotações e da documentação da construção da aeronave, Santos Dumont permitia a utilização, adaptação e cópia de seu trabalho. Em função dessa perfeita consonância com os conceitos atuais do software livre, Demoiselle foi o nome escolhido para batizar a plataforma de desenvolvimento de software.
(Assessoria de Comunicação do MCT)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Estava eu na sala de espera de um consultório médico

Estava eu na sala de espera de um consultório médico e resolvi folhear aquelas revistas velhas que sempre encontramos nesses ambientes, eram umas dessas revistas semanais tipo Veja, Isto É, Época, nenhuma, claro, com a qualidade de uma Carta Capital ou Caros Amigos, mas para passar o tempo vale tudo.


Comecei a ler uma entrevista com um famoso chefe de cozinha francês [1], não lembro o nome do distinto, apenas que o mesmo tinha fechado o seu famoso restaurante e passara a ser um apresentador de um programa de culinária [2] de grande audiência num dos canais de televisão da França.



Perguntado sobre o seu mais famoso prato, o famoso chefe de cozinha francês disse ser, modestamente [3], um purê, isto mesmo, um purê feito de batatas inglesas, leite, manteiga e sal, desses que mamãe nos prepara com carinho e habilidade. Pessoas de várias partes do mundo, afortunados financeiramente, inclusive os afortunados brasileiros, aquela minoria de 1% que detém a maior fatia do bolo [4], vinham ao seu restaurante para provarem do seu purê entre outros pratos e vinhos, não saindo um almoço ou jantar no seu restaurante por menos de duzentos dólares por pessoa [5].



Fiquei pensando, no meu país o salário mínimo é de 50 dólares mensais ou 200 reais; metade da população do meu Estado [6] vive com até 2 dólares por dia, o equivalente a 8 reais [7]; ou seja, na linha da pobreza. Os que não atingem este “até”, percentual que agora não lembro, sobrevivem milagrosamente com menos de 1 dólar ou menos de 3,95 reais por dia, isto é [8], abaixo da linha da pobreza. Chegamos a conclusão de que esses brasileiros têm, quando muito, a possibilidade apenas de saciar a sua fome, nunca, é claro, com um purê preparado por um famoso chefe de cozinha francês. Os outros 1% da afortunada elite brasileira gastam, num único jantar, quatro salários mínimos por cabeça.



Ou eu sou ingênuo, ou há algo de errado no nosso país e no mundo. A democracia apresenta sinais de senilidade, e não responde mais aos anseios da maioria, seu fundamento. Espanta-me que um presidente traía sistematicamente o seu povo e o seu país sem que nada seja feito, privatizando a preço de bananas pobres e com o nosso dinheiro, através do BNDES, o patrimônio nacional.



Até breve! E que em 2003 possamos contar com Lula para reverter algo em favor do povo, de nós.



[1] Há chefes famosos de outra nacionalidade?

[2] E poderia ser outra coisa, querido?

[3] Ou não?

[4] Nos EUA o 1% mais rico detém 34% do PIB, no Brasil está fatia é maior, pois a concentração de renda supera a norte-americana.

[5] Hoje uma bagatela de R$790,00 reais, graças à política neoliberal de FHC, privatizando o Brasil.

[6] Mais de 4 milhões de pessoas.

[7] O preço de dois chopes.

[8] Prefiro a Carta Capital.



(Recife, 10 de outubro de 2002, do fundo de “O baú que não é do Raul”).

domingo, 23 de agosto de 2009

Domingo

"Meu pai disse que a maneira como uma nação trata seus hóspedes permite julgar sua situação moral. Este país é de direita e contra as minorias. Você sabe sobre aquelas charges", diz, referindo-se à polêmica surgida depois que um jornal dinamarquês publicou desenhos insultantes de Maomé. "Esse jornal de direita finge ser a favor da livre expressão, quando apenas quer prejudicar uma minoria fraca do país. Se você quer provocar, deve provocar alguém mais forte que você, ou estará usando mal o seu poder".

A distância entre as intenções de Von Trier e seus filmes acabados muitas vezes parece enorme, principalmente em Anticristo. Ele dedica o filme à memória de Andrei Tarkovsky. Mas o diretor soviético não teria recorrido à mutilação genital ou a uma raposa falante que rosna "o caos reina", como fez Von Trier. "Isto nasceu de minhas viagens xamânticas", diz sobre a raposa. "Esses animais vêm de uma prática que fiz dez anos atrás. É uma técnica brasileira em que você entra em transe por meio de um toque de tambor. Não há drogas envolvidas".

Quando lhe pergunto quem, fora Tarkovsky, são suas principais influências, ele diz: "Mamãe e papai". Rindo, acrescenta: "Graças a Deus eles já morreram".

Lars Von Trier, cineasta dinamarquês entrevistado por Sean O'Hagan, repórter da The Observer, em reportagem traduzida por Luiz Roberto Mendes Gonçalves, para a Carta Capital de 22 de julho.

O filme Anticristo, de Von Trier, estreia esta semana, na sexta-feira 28 de agosto, no Brasil. Sobre o filme, o repórter da Observer anotou o seguinte:

Eu digo a Von Trier que, depois de assistir seu filme, fiquei preocupado não com a saúde mental do personagem de Charlotte Gainsburg, chamada "Ela", mas com a dele próprio.

FONTE: BLOG DO JOÃO VILLAVERDE

sábado, 22 de agosto de 2009

IMPROVISO PARA OS SEM-TERRA


Li na blogosfera a notícia de mais um trabalhador sem-terra assassinado pela polícia, agora foi a vez de ELTON BRUM, assassinado, pelas costas, pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em 21 de agosto de 2009. A triste notícia, de repetitiva freqüência, pode ser lida, dentre outros blogs, no Bodega Cultural e no Vendedor de Bananas. Fazendo coro ao Blog do Bentes, posto uma homenagem aos irmãos sem-terra, num poema escrito em 1989.



Que a terra,

mãe de todos nós,

seio generoso e abundante

que se oferece

para saciar a fome de seus filhos,

sejam quantos forem,

torne-se livre.



Precisamos agir,

pois, se plantarmos, colheremos o fruto,

e gritar,

gritar a canção dos que se unem

e festejam a união

de caminhar num só sentido de lutas

e esperanças.



Que a terra seja liberta das cercas

que ferem as mãos calejadas dos homens.

Precisamos plantar,

não grilhões,

mas a árvore do alimento

e do amor,

porque a fome é a primeira barreira

a vencer,

e com a sua derrubada

o amor fluirá do homem,

companheiro nosso

na luta pela alegria,

como um olho d’água vazado

que forma um rio.



E a alegria é justiça e pão,

e a justiça e pão é paz,

e a paz é o amor e o amor é Deus,

e Deus é a terra sua criação,

e a terra é de todos.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Americanos: um povo bucha de canhão

Norte-americanos:
Servos, oligarcas e a cafetinagem da guerra em Washington

19/8/2009, Paul Craig Roberts, Counterpunchhttp://www.counterpunch.org/roberts08192009.html



“Em pouco tempo [não haverá] medianos. Teremos poucos, bem poucos Lords;
os outros todos, mendigos.” (R.L. Bushman)


“Rapidamente estão-se dividindo em duas classes:
os extremamente ricos e os extremamente pobres.” (“Brutus”)



Os norte-americanos pensam que têm "liberdade e democracia" e que os políticos são avaliados e sendo o caso são punidos nas eleições. O fato, nisso tudo, é que os EUA são governados por poderosos grupos de interesse que controlam os políticos mediante as contribuições para campanhas eleitorais. Quem realmente governa é uma oligarquia de interesses financeiros de militares/de segurança e o AIPAC (American Israel Public Affairs Committee) que influencia a política externa sempre com vistas a atender os interesses de Israel.

Considerem a política econômica: é construída e administrada com vistas a atender aos interesses de grandes grupos financeiros como, por exemplo, o Goldman Sachs.

Foram os bancos – não os milhões de norte-americanos que perderam casas, empregos, saúde pública e aposentadorias – que receberam os 700 bilhões de dólares dos fundos TARP (Programa de Resgate dos Títulos Podres, ing. Troubled Asset Relief Program). Os bancos usaram para gerar mais lucros o capital que ganharam de presente. No auge da pior crise econômica desde a Grande Depressão, o Goldman Sachs anunciou lucros recordes no segundo trimeste e distribuiu bônus que chegaram à casa da centena de milhares de dólares a todos os empregados.

(...) Tudo isso está acontecendo em governo dos Democratas e chefiado pelo primeiro presidente negro dos EUA, que tem maioria na Câmara de Deputados e no Senado. Pode haver governo que represente menos os cidadãos norte-americanos, hoje, que o governo dos EUA?

Considerem as guerras em que os EUA estão metidos. Até o momento em que escrevo, as guerras no Iraque e no Afeganistão já custaram aos EUA 900 bilhões de dólares. Somem-se a esse custo os custos futuros para aposentadorias, pensões e tratamento dos veteranos, os juros da dívida externa, os recursos desperdiçados e não utilizados para finalidades produtivas e todos os demais custos computados por Joseph Stiglitz, prêmio Nobel, e por Linda Bilmes, especialista de Harvard em orçamento público, e esse 'nosso' governo desperdiçou 3 trilhões de dólares em duas guerras que não trouxeram qualquer benefício para ninguém, exceto para o complexo militar e de segurança – contra o qual muito nos alertou o general presidente Eisenhower, general de cinco estrelas.

É fato hoje conhecido de todos que a invasão do Iraque foi resultado de mentiras e de um plano bem articulado para enganar os cidadãos norte-americanos. Mas a guerra trouxe lucros fabulosos para as indústrias de armas, Blackwater, Halliburton, para militares que ganharam promoções em combate e para os extremistas muçulmanos; os EUA comprovaram que os extremistas muçulmanos têm muita razão no que dizem, porque os EUA não fazem outra coisa além de agredir muçulmanos sem qualquer motivo ou provocação. À parte esses, que se beneficiaram com a guerra do Iraque, todos os demais envolvidos perderam. O Iraque jamais foi ameaça a ninguém. 'Encontrar' Saddam Hussein e enforcá-lo depois de um simulacro de julgamento nada significou e de modo algum contribuiu para apressar o fim de uma guerra ou impedir a eclosão de outras.

Os custos das guerras dos EUA são carga descomunalmente grande a pesar sobre país falido, mas o custo que pesará sobre os veteranos será inacreditavelmente maior. A grande maioria dos veteranos vive hoje como sem-tetos; e, nas ruas, sofrem de stress pós-trauma.

Os soldados norte-americanos, violentamente arrastados às guerras da indústria de armas, para garantir as comissões dos oficiais encarregados da administração da munição, e para garantir os dividendos e ganhos de capital para os acionistas da indústria bélica, não pagaram só com a própria vida e pernas e braços e pés que perderam na guerra; eles pagam também com seus casamentos arruinados, com suas carreiras arruinadas, com seus distúrbios psicológicos, com sentenças de prisão por não pagarem em dia as pensões alimentícias que devem aos filhos.

O que os norte-americanos ganharam com uma guerra pela qual não podem pagar; que, só até agora, já se arrasta por mais tempo que a II Guerra Mundial; e que pôs no poder naquela região os xiitas aliados ao Iran?

A resposta é óbvia: os norte-americanos ganharam nada, absolutamente nada, zero.

O que ganhou a indústria de armas? Bilhões. Lucros de bilhões de dólares.

Obama foi candidato que prometeu pôr fim à guerra do Iraque. E não fez o que prometeu. Mas, sim, construiu a escalada da guerra no Afeganistão; iniciou nova guerra no Paquistão; pretende reproduzir o cenário da Iuguslávia no Cáucaso; e parece decidido a fazer guerra também na América do Sul.

Em resposta à aceitação, pelo presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, aliado dos EUA, de várias bases militares dos EUA na Colômbia, a Venezuela já preveniu os países sul-americanos de que "os ventos da guerra estão começando a soprar".

Nos EUA temos governo completamente dependente da generosidade estrangeira que aceita financiar a caneta vermelha, em mundo que vai até onde a vista alcança, completamente controlado sob o tacão do complexo militar/segurança que nos destruirá todos, até o último norte-americano, se for necessário para satisfazer as expectativas dos operadores de Wall Street.

O que temos nós a ver com quem governe o Afeganistão? O que temos nós a ver com o Afeganistão?

Será que as comissões de deputados e senadores que discutem guerras calcularam o risco que os EUA criariam ao desestabilizar um Paquistão nuclear, quando aprovaram a nova guerra de Obama, uma guerra que, só até hoje, já criou uma legião de dois milhões de paquistaneses expulsos de suas terras?

Não, claro que não. As cafetinas da guerra recebem ordens da mesma oligarquia militar e 'da segurança', que dá ordens também a Obama.

A grande superpotência norte-americana e suas 300 milhões de almas estão sendo conduzidas pela rédea pelos interesses mais estreitos dos grandes bancos e da indústria de munição. Seres humanos, não só os norte-americanos, perdem filhos, maridos, irmãos, pais e mães e por uma única causa: para gerar lucros para as empresas de armas e munições nos EUA. E o povo norte-americano parece orgulhar-se disso. As bandeirinhas e as fitinhas amarradas nos carros, nos utilitários 'de passeio', enormes, nos caminhões gigantescos, proclamam a lealdade patriótica que é, sim, lealdade às indústrias de armamentos e às suas cafetinas que, em Washington, vivem de promover guerras.

Será que, algum dia, os norte-americanos esmagados e destruídos pelas polícias de 'seu' governo que sempre põe os cidadãos no último lugar da fila, entenderão quem são os verdadeiros inimigos?

Será que os norte-americanos algum dia entenderão que não são governados por deputados e senadores eleitos, mas por uma oligarquia que manda em Washington, aquele grande prostíbulo?

Será que os norte-americanos algum dia entenderão que são servos impotentes?


Fonte: GRUPO BEATRICE

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

POEMA CANSADO

Companheiro,
não te posso dizer:
Armas às mãos!
Pois nem mesmo tenho
as armas.

Se canto este canto rouco,
poucos são os que ouvem,
pois nada tenho a oferecer,
a não ser a vontade de lutar.

Companheiro,
como é belo o escuro da noite.
Mas o escuro dos homens
é lodo.


(Do livro "Se não canto, pelo menos grito", de 1983).

terça-feira, 18 de agosto de 2009

FHC: O "LOBISTA MOR" ATACA DE NOVO


José Carlos Moutinho (jornalista)

www.fpabramo.org.br


Depois do ex-genro de FHC, David Zylbersztajn [clique aqui], eis que surge o próprio FHC [em carne e osso] no seu trabalho de “lobista mor” da entrega do patrimônio público, em especial às multinacionais.

Em entrevista ao sítio do PSDB na internet, conforme destacou o jornal “O Globo” (13/08), FHC reforçou o coro dos oposicionistas da CPI da Petrobrás e dos lobistas nacionais e internacionais para a entrega do petróleo brasileiro aos interesses privados, notadamente das multinacionais, favorecidos pela atual Lei 9478/97. Ele opinou que o governo deve estudar a hipótese de abrir a exploração do pré-sal a outras empresas, inclusive privadas.

Para o referido ex-presidente é preciso “avaliar se o modelo que queremos deve ser executado pela União, pela Petrobrás ou através de uma competição entre várias empresas”. “O BNDES já investiu R$ 20 bilhões. E é dinheiro do Tesouro. Será que convém? Não estaríamos prejudicando investimentos em outras áreas?”.

É preciso lembrar que o Sr. FHC foi quem privatizou as empresas estratégicas, inclusive com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), acrescentando a tais feitos uma considerável dose de violência, no uso da polícia, bombas, cavalarias, prisões, anulação de decisões de juízes federais contrários à entrega do patrimônio público. Tal declaração reflete uma personalidade contraditória e que não mede esforços em cumprir bem o seu trabalho de “lobista mor” dos interesses privados, notadamente das multinacionais.

Publicamos aqui no portal da AEPET o excelente de texto do saudoso jornalista Aloysio Biondi, que demonstrou a sórdida estratégia, no início da década de 1990, com continuação na gestão do referido ex-presidente, em privatizar a Petrobrás e demais empresas estatais de alto poder produtivo [clique aqui para ler o artigo]. Na época de FHC nenhum empresário precisava ter dinheiro em caixa para arrematar uma estatal, bastava pegar emprestado no Tesouro [leia-se BNDES]. O Sr. FHC não tem condições de dar tal “conselho” sobre eficiência em gestão pública a nenhum presidente brasileiro e de nenhum lugar do mundo.

De imediato vem logo a mente diversas contribuições, notadamente uma passagem do jornalista Aloysio Biondi, que muito ajuda refrescar as memórias e evitar que muitos brasileiros caiam, de novo, no surrado discurso neoliberal:

A Petrobrás descobriu na bacia de Campos uma jazida submarina de petróleo responsável por poços capazes de produzir, cada um, o volume fantástico de 10 mil barris por dia. O campo de Marlim, como é chamado, produz hoje 240 mil barris de petróleo por dia, ou 20% de toda a produção nacional.

Para chegar a esses resultados fantásticos, a Petrobrás já gastou a quantia também fabulosa de 2,6 bilhões de dólares. Agora, a estatal deseja investir mais dinheiro no campo, para chegar à produção local de 500 mil barris/dia. Serão mais 2,3 bilhões de reais, totalizando, portanto, 4,9 bilhões de reais ou, arredondados, 5 bilhões de reais, aplicados em Marlim.

No entanto, depois que a Petrobrás, isto é, o povo brasileiro, que é seu verdadeiro dono, caminha para gastar 5 bilhões de reais na região, o governo FHC ordenou que a estatal convide grupos privados para participar dos `gastos` no projeto – e, é claro, também dos lucros bilionários que eles proporcionarão. Quanto os sacrificados `sócios` vão precisar desembolsar? A cifra espantosamente baixa de 140 milhões de reais. Se forem mesmo 20 `sócios`, como previsto, cada um aplicará 7 milhões – e ficará sócio de um projeto que terá custado 5 bilhões de reais à sociedade brasileira. Um negócio escandalosamente escandaloso.

Qual o argumento do governo para adotar essa fórmula?

Segundo o BNDES, em seu boletim Informe BNDES de fevereiro último, o governo cortou o orçamento da Petrobrás em 1 bilhão de reais em 1999 e, para não prejudicar `as metas de aumento da produção de petróleo`, era `necessário que parte dos investimentos inicialmente previstos com recursos da própria Petrobrás fosse realizado pela iniciativa privada`... Atenção: o fato de os `acionistas` desembolsarem apenas 140 milhões de reais para participar do projeto não significa que eles terão uma participação pequena, proporcional ao seu investimento, nos lucros de Marlim. Não. Eles terão praticamente 30% ou um terço dos lucros. Por quê? Como assim? O BNDES formou uma espécie de empresa, chamada Sociedade de Propósito Especial, com um capital de 200 milhões de reais, dos quais 140 milhões dos tais `sócios` e 60 milhões do próprio BNDES. Essa empresa foi criada apenas para pedir um empréstimo especial, no exterior, de 1,3 bilhão de reais, para ser aplicado no campo de Marlim. Quer dizer: os `sócios` foram chamados somente para tomar dinheiro emprestado – que a própria Petrobrás conseguiria facilmente no exterior. E com esse dinheiro emprestado vão aplicar 1,3 bilhão de reais, mais os 140 milhões de seu `capital` – isto é, o total de 1,44 bilhão, equivalente a menos de um terço dos gastos de 5 bilhões de reais – e ter, portanto, direito àquela participação de 30% nos lucros. Uma calamidade. A fórmula escolhida para o campo de Marlim, com sócios `paraquedistas` engolindo lucros de bilhões que seriam da nação, é apenas uma das operações que o governo vem realizando para privatizar a Petrobrás de forma silenciosa, sem reação da opinião pública”.

E tem muito mais. Leiam o estudo “Brasil privatizado: Um balanço do desmonte do Estado”, Editora Fundação Perseu Abramo e Diretoria Colegiada do Sindipetro-RJ, 1999.

domingo, 16 de agosto de 2009

Somos racistas

Recebi de um amigo por e-mail:

Envio interessante artigo do jornalista da Carta Capital, Leandro Fortes, sobre as cotas raciais nas universidades. O artigo foi escrito em decorrência da Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo DEM (PFL) contra a política de cotas para negros na UnB.

Rodolfo.

por Leandro Fortes

Corta a cota!


Enquanto interessava às elites brasileiras que a negrada se esfolasse nos canaviais e, tempos depois, fosse relegada ao elevador de serviço, o conceito de raça era, por assim dizer, claríssimo no Brasil. Tudo que era ruim, cafona, sujo ou desbocado era “coisa de preto”. Nos anos 1970 e 1980, na Bahia, quando eu era menino grande, as mulheres negras só entravam nos clubes sociais de Salvador caso se sujeitassem a usar uniforme de babá. Duvido que isso tenha mudado muito por lá. Na cidade mais negra do país, na faculdade onde me formei, pública e federal, era possível contar a quantidade de estudantes e professores negros na palma de uma única mão.

Pois bem, bastou o governo Lula arriscar-se numa política de ações afirmativas para a high society tupiniquim berrar para o mundo que no Brasil não há racismo, a escrever que não somos racistas. Pior: a dizer que no Brasil, na verdade, não há negros.

Antes de continuar, é preciso dizer que muita gente boa, e de boa fé, acha que cota de negros nas universidades é um equívoco político e uma disfunção de política pública de inserção social. O melhor seria, dizem, que as cotas fossem para pobres de todas as raças. Bom, primeiro vamos combinar o seguinte: isso é uma falácia que os de boa fé replicam baseados num raciocínio perigosamente simplista. Na outra ponta, é um discurso adotado por quem tem vergonha de ter o próprio racismo exposto e colocado em discussão. Ninguém vê isso escrito em lugar nenhum, mas duvido que não tenha ouvido falar – no trabalho, na rua, em casa ou em mesas de bares – da tese do perigo do rebaixamento do nível acadêmico por conta da presença dos negros nos redutos antes destinados quase que exclusivamente aos brancos da classe média para cima – paradoxalmente, os bancos das universidades públicas.

Há duas razões essenciais que me fazem apoiar, sem restrições, as cotas exclusivamente para negros. A primeira delas, e mais simples de ser defendida, é a de que há um resgate histórico, sim, a ser feito em relação aos quatro milhões de negros escravizados no Brasil, entre os séculos XVI e XIX , e seus descendentes. A escravidão gerou um trauma social jamais sequer tocado pelo poder público, até que veio essa decisão, do governo do PT, de lançar mão de ações afirmativas relacionadas à questão racial brasileira – que existe e é seríssima. Essa preocupação tardia das elites e dos “formadores de opinião” (que não formam nada, muito menos opinião) com os pobres, justamente quando são os negros a entrar nas faculdades (e lá estão a tirar boas notas) é mais um traço da boçalidade com a qual os crimes sociais são minimizados pela hipocrisia nativa. Até porque há um outro programa de inserção universitária, o Prouni, que cumpre rigorosamente essa função. O que incomoda a essa gente não é a questão da pobreza, mas da negritude. Há contra os negros brasileiros um preconceito social, econômico, político e estético nunca superado. O sistema de cotas foi a primeira ação do Estado a enfrentar, de fato, essa situação. Por isso incomoda tanto.

A segunda razão que me leva a apoiar o sistema de cotas raciais é vinculado diretamente à nossa realidade política, cínica, nepotista e fisiológica. Caso consigam transformar a cota racial em cota “para pobres”, as transações eleitoreiras realizadas em torno dos bens públicos irão ganhar um novo componente. Porque, como se sabe, para fazer parte do sistema, é preciso se reconhecer como negro. É preciso dizer, na cara da autoridade: eu sou negro. Alguém consegue imaginar esses filhinhos de papai da caricata aristocracia nacional, mesmo os mulatinhos disfarçados, assumindo o papel de negro, formalmente? Nunca. Preferem a morte. Mas se a cota for para “pobres”, vai ter muito vagabundo botando roupa velha para se matricular. Basta fraudar o sistema burocrático e encher as faculdades públicas de falsos pobrezinhos. Ou de pobrezinhos de verdade, mas selecionados nas fileiras de cabos eleitorais. Ou pobrezinhos apadrinhados por reitores. Pobrezinhos brancos, de preferência.

Só um idiota não percebe a diferença entre ser pobre branco e pobre negro no Brasil. Ou como os negros são pressionados e adotarem um discurso branco, assim que assumem melhores posições na escala social. Lembro do jogador Ronaldo, dito “Fenômeno”, ao comentar sobre as reações racistas das torcidas nos estádios europeus. Questionado sobre o tema, saiu-se com essa: “Eu, que sou branco, sofro com tamanha ignorância”. Fosse um perna-de-pau e tivesse que estudar, tenho dúvidas se essa seria a impressão que Ronaldo teria da própria cor, embora seja fácil compreender os fundamentos de tal raciocínio em um país onde o negro não se vê como elemento positivo, seja na televisão, seja na publicidade – muito menos nas universidades.

O fato é que somos um país cheio de racistas. Até eu, que sou branco, sou capaz de perceber.

http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2009/08/13/somos-racistas/

sábado, 15 de agosto de 2009

Fidel Castro faz 83 anos

Dica: TUDO EM CIMA


"Mas havia o sol da manhã e o rum

que eu sabia vinha de Cuba

junto com uma grande dose de igualdade."




(Trecho do poema "Aos dez anos de Idade", do livro "Narcisitude e outros poemas", de 2004).