LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Óia! Eu num tô dizeno, hômi! Será o Binidito!

Copiado do Terra Brasilis, boa leitura e um feliz 2011 para todos!

Preconceito que cala, língua que discrimina

Marcos Bagno, escritor e linguista brasileiro, deixa à mostra a ideologia de exclusão social e de dominação política pela língua

Por Joana Moncau*

Marcos Bagno, escritor e linguista brasileiro, deixa à mostra a ideologia de exclusão social e de dominação política pela língua, típica das sociedades ocidentais. “Podemos amar e cultivar nossas línguas, mas sem esquecer o preço altíssimo que muita gente pagou para que elas se implantassem como idiomas nacionais e línguas pátrias”.


O preconceito linguístico é um preconceito social. Para isso aponta a afiada análise do escritor e linguista Marcos Bagno, brasileiro de Minas Gerais. Autor de mais de 30 livros, entre obras literárias e de divulgação científica, e professor da Universidade de Brasília, atualmente é reconhecido sobretudo por sua militância contra a discriminação social por meio da linguagem. No Brasil, tornou-se referência na luta pela democratização da linguagem e suas ideias têm exercido importante influência nos cursos de Letras e Pedagogia.

A importância de atingir esse meio, segundo ele, é que o combate ao preconceito linguístico passa principalmente pelas práticas escolares: é preciso que os professores se conscientizem e não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação. Preconceito mais antigo que o cristianismo, para Bagno, a língua desde longa data é instrumentalizada pelos poderes oficiais como um mecanismo de controle social. Dialeto e língua, fala correta e incorreta: na entrevista concedida a Desinformémonos, ele desnaturaliza esses conceitos e deixa à mostra a ideologia de exclusão e de dominação política pela língua, tão impregnada nas sociedades ocidentais.

“A língua é um dialeto com exército e marinha”, Max Weinreich

O controle social é feito oficialmente quando um Estado escolhe uma língua ou uma determinada variedade linguística para se tornar a língua oficial. Evidentemente qualquer processo de seleção implica um processo de exclusão. Quando, em um país, existem várias línguas faladas, e uma delas se torna oficial, as demais línguas passam a ser objeto de repressão.

É muito antiga a tradição de distinguir a língua associada ao símbolo de poder dos dialetos. O uso do termo dialeto sempre foi carregado de preconceito racial ou cultural. Nesse emprego, dialeto é associado a uma maneira errada, feia ou má de se falar uma língua. Também é uma maneira de distinguir a língua dos povos civilizados, brancos, das formas supostamente primitivas de falar dos povos selvagens. Essa forma de classificação é tão poderosa que se erradicou no inconsciente da maioria das pessoas, inclusive as que declaram fazer um trabalho politicamente correto.

De fato, a separação entre língua e dialeto é eminentemente política e escapa aos critérios que os linguistas tentam estabelecer para delimitar dita separação. A eleição de um dialeto, ou de uma língua, para ocupar o cargo de língua oficial, renega, no mesmo gesto político, todas as outras variedades de língua de um mesmo território à terrível escuridão do não-ser. A referência do que vem de cima, do poder, das classes dominantes, cria aos falantes das variedades de língua sem prestígio social e cultural um complexo de inferioridade, uma baixo auto-estima linguística, a qual os sociolinguistas catalães chamam de “auto-ódio”.

Falar de uma língua é sempre mover-se no terreno pantanoso das crenças, superstições, ideologia e representações. A Língua é um objeto criado, normatizado, institucionalizado para garantir a unidade política de um Estado sob o mote tradicional: “um país, um povo, uma língua”. Durante muitos séculos, para conseguir a desejada unidade nacional, muitas línguas foram e são emudecidas, muitas populações foram e são massacradas, povos inteiros foram calados e exterminados. No continente americano, temos uma história tristíssima de colonização construída sobre milhares de cadáveres de indígenas que já estavam aqui quando os europeus invadiram suas terras ancestrais e dos africanos escravizados que foram trazidos para cá contra sua vontade.

Não podemos esquecer que o que chamamos de “língua espanhola”, “língua portuguesa”, ou “língua inglesa” tem um rico histórico, não é algo que nasceu naturalmente. Podemos amar e cultivar essas línguas, mas sem esquecer o preço altíssimo que muita gente pagou para que elas se implantassem como idiomas nacionais e línguas pátrias.

Breve histórico linguístico da América Latina

A história linguística da América Latina foi e é marcada por muita violência contra as populações não-brancas, em todos os sentidos, dos massacres propriamente ditos, passando pela escravização e chegando aos dias de hoje com a exclusão social e o racismo.

No caso específico das línguas, as potências coloniais (Portugal e Espanha) se empenharam sistematicamente em impor suas línguas. As situações variam de país a país. Na Argentina, por exemplo, depois da independência, o governo traçou um plano explícito de extermínio dos indígenas, a chamada “Conquista do Deserto”, pagando em dinheiro às pessoas que levassem escalpos como prova do assassinato. Com isso, a população indígena da Argentina, principalmente do centro para o sul, desapareceu quase completamente, e com ela suas línguas.

No Peru e na Bolívia, a língua quéchua, que era uma espécie de idioma internacional do império inca, é muito empregada até hoje, havendo mesmo comunidades mais isoladas cujos falantes não sabem falar espanhol.

No Brasil, o trabalho de imposição do português foi muito bem feito, de maneira que é a língua homogênea da população. O extermínio dos índios fez desaparecer centenas de línguas: hoje sobrevivem cerca de 180, mas faladas por muito pouca gente, algumas já em vias de extinção. Durante boa parte do período colonial, a língua mais usada no Brasil foi a chamada “língua geral”, baseada no tupi antigo, que os jesuítas empregaram para catequizar os índios. Com a expulsão dos jesuítas no século XVIII e a proibição do ensino em qualquer língua que não fosse o português, a língua geral desapareceu. É uma pena que não tenhamos uma riqueza linguística como no México, que possui mais de 50 línguas diferentes, sendo que o nahua é falado por cerca de 1 milhão de pessoas. Ainda assim, essas minorias linguísticas no Brasil estão cada vez mais reconhecendo seus direitos e lutando por eles.

Quanto às línguas africanas no Brasil, elas não puderam sobreviver porque os portugueses tomavam cuidado para separar as famílias em lotes diferentes bem como os falantes de uma mesma língua, de modo que fossem obrigados a aprender o português para se comunicar entre si e com os brancos. Mesmo assim, as línguas africanas, sobretudo as do grupo banto, influíram fortemente na formação do português brasileiro, fazendo com que ele se tornasse o que é hoje, uma língua bem diferente do português europeu.

No Paraguai, como não houve expulsão dos jesuítas, a língua geral empregada por eles, o abanheenga (guarani), permanece até hoje como elemento importante da vida dos paraguaios, que são bilíngues em sua maioria: espanhol e guarani.

Falar errado? Para quem?

Também existe uma ideologia linguística que não é oficializada, mas que ao longo do tempo se instaura na sociedade. Em qualquer tipo de comunidade humana sempre existe um grupo que detém o poder e que considera que seu modo de falar é o mais interessante, o mais bonito, é aquele que deve ser preservado e até imposto aos demais.

Nas sociedades ocidentais as línguas oficiais sempre foram objetos de investimento político. As línguas são codificadas pelas gramáticas, pelos dicionários, elas são objetos de pedagogias, são ensinadas. Claro que essa língua que é normatizada nunca corresponde às formas usuais da língua, sempre há uma distância muito grande entre o que as pessoas realmente falam no seu dia-a-dia, na sua vida íntima e comunitária, e a língua oficializada e padronizada.

A questão da língua é a única que une todo o espectro linguístico, ou seja, a pessoa da mais extrema esquerda e da mais extrema direita geralmente concordam, por exemplo, diante da afirmação de que os brasileiros falam português muito mal. É uma ideologia muito antiga, eu digo que é uma religião mais antiga que o cristianismo, porque surgiu entre os gramáticos gregos 300 anos antes de Cristo e se impregnou na nossa cultura ocidental de maneira muito forte.

Entretanto, ao mesmo tempo em que as classes dominantes diziam que era preciso impor o padrão para todo o mundo, elas não permitiam às classes dominadas o acesso a ele. Havia essa contradição, que na verdade não é uma contradição, mas uma estratégia político-ideológica: “Você tem que se comportar assim, mas não vou te ensinar como”. Isso, para as classes dominantes terem, além de outros instrumentos de controle social, também o controle da língua. É o que Pierre Bourdieu chama de a ‘língua legítima’: as classes dominadas reconhecem a língua legitima, mas não a conhecem. Ou seja, elas sabem que existe um modo de falar que é considerado bonito, importante, mas elas não têm acesso a ele.

O preconceito linguístico nas sociedades ocidentais é derivado principalmente das práticas escolares. A escola sempre foi muito autoritária, muitas vezes as pessoas tinham que esquecer a língua que já sabiam e aprender um modelo de língua. Qualquer manifestação fora desse modelo era considerada erro, e a pessoa era reprimida, censurada, ridicularizada.

Outro grande perpetuador da discriminação linguística são os meio de comunicação. Infelizmente, pois eles poderiam ser instrumentos maravilhosos para a democratização das relações linguísticas da sociedade. No Brasil, por serem estreitamente vinculados às classes dominantes e às oligarquias, assumiram o papel de defensores dessa língua portuguesa que supostamente estaria ameaçada. Não interessa se 190 milhões de brasileiros usam uma determinada forma linguística, eles estão todos errados e o que apregoam como certo é aquela forma que está consolidada há séculos. Isso ficou muito evidente durante todas as campanhas presidenciais de que Lula participou. Uma das principais acusações que seus adversários faziam era essa: como um operário sem curso superior, que não sabe falar, vai saber dirigir o país? Mesmo depois de eleito, não cessaram as acusações de que falava errado. A mídia se portava como a preservadora de um padrão linguístico ameaçado inclusive pelo presidente da República.

Nessas sociedades e nessas culturas muito centradas na escrita, o padrão sempre se inspira na escrita literária. Falar como os grandes escritores escreveram é o objetivo místico que as culturas letradas propõem. Como ninguém fala como os grandes escritores escrevem, a população inteira em teoria fala errado, porque esse ideal é praticamente inalcançável.

Entretanto, isso é muito contraditório, porque os ensinos tradicionais de língua dizem que temos que imitar os clássicos, mas ao mesmo tempo somos proibidos de fazer o que os grandes autores fazem, que é a licença poética. Como aprendemos nas escolas, ela é permitida àquele que em teoria sabe tão bem a língua que pode se dar ao luxo de desrespeitar as normas. A diferença entre a licença poética e o erro gramatical é, basicamente, de classe social. Uma pessoa pela sua própria origem social se dá ao direito e tem esse direito reconhecido de falar como quiser, outra, também por sua origem social não tem esse direito.

Cria-se um padrão linguístico muito irreal, muito distante da realidade vivida da língua. É a partir desse confronto entre a maneira de falar das pessoas e essa língua codificada, que surgem esses conflitos linguísticos. A pessoa, ao comparar seu modo de falar com aquilo que aprende na escola ou com o que é codificado, vê a distância que existe entre essas duas entidades e passa a achar que seu modo de falar é feio, é errado.

Qualquer tipo de imposição linguística acaba gerando um efeito contrário que é a auto-rejeição linguística ou a promoção de um preconceito linguístico por parte das camadas sociais dominantes.

Luta contra o preconceito linguístico

Acabar com o preconceito linguístico é uma coisa difícil. É preciso sempre que façamos a distinção entre preconceito e discriminação. O que nós temos que combater é a discriminação, ou seja, quando esse preconceito deixa de ser apenas uma atitude ou um modo de pensar das pessoas e se transforma em práticas sociais.

Primeiro é preciso reconhecer a existência do preconceito linguístico, conhecer os modos como ele se manifesta concretamente como atitudes e práticas sociais, denunciar isso e criar modos de combatê-lo.

Justamente pelo fato de o preconceito linguístico nas sociedades ocidentais ser derivado das práticas escolares, na minha opinião, o grande mecanismo para começar a desfazer o preconceito linguístico, a discriminação linguística, está também na pratica escolar. É muito importante que a escola, em sociedades letradas como a nossa, permita ao aluno esse processo do acesso ao letramento a partir de práticas pedagógicas democratizadoras, em que as variações linguísticas sejam reconhecidas como prática da cultura nacional, que não sejam ridicularizadas. E é claro que isso tem um funcionamento político muito importante, não só na escola, mas em toda a sociedade.

Por isso que no Brasil, eu e um conjunto de outros linguistas e educadores estamos sempre atacando muito o preconceito linguístico e propondo práticas pedagógicas democratizadoras. Que a criança, ao chegar na escola falando uma variedade regional menos próxima do padrão, não seja discriminada. Nosso trabalho atualmente se centra muito na escola, nos materiais didáticos e na formação dos professores de português, para que não sejam eles mesmos perpetuadores do preconceito linguístico e da discriminação.

Além disso, vale considerar que, em menos de meio século, a proporção mundial entre a população urbana e a rural ficou muito desigual, com a população mundial muito mais urbanizada. A urbanização implica o contato com formas linguísticas de maior prestigio, na televisão, na escola, na leitura etc. Isso vai implicar também uma espécie de nivelamento linguístico. Embora as variedades linguísticas se mantenham, quanto mais pessoas souberem ler e escrever e tiverem ascensão social, é mais provável que haja um nivelamento linguístico maior.

No caso específico do Brasil, nos últimos oito anos, quase 30 milhões de pessoas saíram da linha da pobreza e com isso vão impor também sua maneira de falar. Outro dado muito importante é que a grande maioria das pessoas que se formam professores (de português, principalmente) vem dessas camadas sociais. Portanto, o professor que está indo para sala de aula já é falante dessas variedades linguísticas que antigamente eram estigmatizadas. Isso vai provocar um grande movimento de valorização dessas variedades menos prestigiadas. Estamos assistindo a um momento muito importante da história sociolinguística do Brasil.

*Matéria do Brasil de fato


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ABRO-ME AO MUNDO


Abro-me ao mundo!

Venham sobre mim

todas as dores e desejos:

besta quem pensar que posso suportá-los,

não tenho os ombros de Drummond.


Fonte: Se não canto, pelo menos grito


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

"AQUECIMENTO GLOBAL" UMA "FARSA CRIMINOSA" ! - II


Professor Luiz Carlos Molion no Canal Livre

Do Blog do Maurício Porto










Luiz Carlos Baldicero Molion
Possui graduação em Física pela Universidade de São Paulo (1969), PhD em Meteorologia, University of Wisconsin, Madison (1975), pós-doutorado em Hidrologia de Florestas, Institute of Hydrology, Wallingford, UK (1982) e é fellow do Wissenschftskolleg zu Berlin, Alemanha (1990). É Pesquisador Senior aposentado do INPE/MCT e atualmente Professor Associado da Universidade Federal de Alagoas, professor visitante da Western Michigan University, professor de pós graduação da Universidade de Évora, Portugal. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Dinamica de Clima, atuando principalmente em variabilidade e mudanças climáticas, Nordeste do Brasil e Amazonia, e nas áreas correlatas energias renováveis, desenvolvimento regional e dessalinização de água. É membro do Grupo Gestor da Comissão de Climatologia, Organização Meteorológica Mundial (MG/CCl/WMO).



Veja os outros vídeos AQUI.

"AQUECIMENTO GLOBAL" UMA "FARSA CRIMINOSA" ! - I


Por Maurício Porto, do seu blog

Caros leitores,

Começo hoje a postar artigos e vídeos de Cientistas do Mundo Inteiro, inclusive do Brasil, que apresentam Provas Científicas Contudentes contra o suposto "Aquecimento Global Antropogênico", ou seja, o aquecimento global causado pelo homem por suas emissões de CO².

Escolhi propositadamente este vídeo, dentre as dezenas que irei publicar. Quem apresenta o programa que aparece no vídeo é Kary Mullis. Para quem não sabe quem é ele, vai pensar que eu estou no mínimo de gozação ou que sou um idiota que nada sei sobre o assunto. Afinal quem é Kary Mullis ? Logo no início do vídeo, parece um daqueles péssimos e chatérrimos comediantes norte-americanos de 2ª categoria, naqueles programas abomináveis da TV dos Estados Unidos, com direito a risos gravados. No decorrer do vídeo, dá para perceber que ele sabe muito bem do que fala e é realmente muito agitado e engraçado. Para saber quem é este divertido cidadão basta procurar no Google após assistir o vídeo. Vocês, com certeza, terão uma grande surpresa, principalmente ao lerem um pouco sobre o seu trabalho.

Mesmo que vocês acreditem fielmente no "Aquecimento Global Antropogênico", espero, ao menos, deixá-los com uma ponta de dúvida. Já terei cumprido o meu papel.

Este tema é, para mim, de fundamental importãncia para o Futuro do Planeta, principalmente para os Países Subdesenvolvidos e dos chamados Emergentes, como é o caso do Brasil que, a meu ver, por ser uma peça-chave neste verdadeiro "Circo" armado pela Oligarquia "Globalizada", poderá sair extremamente prejudicado nesta "Farsa Criminosa".



segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Oscar Niemeyer - 103 anos

Antes tarde do que nunca: uma homenagem do bloguinho ao genial Oscar Niemeyer, grande artista, gigante humanista, com quem tenho a honra de compartilhar o sonho comunista.
" Enquanto existir miséria e opressão, ser comunista é a solução".

" Lembro-me da noite em que Fidel esteve em meu escritório. Convidei amigos e, à meia-noite, quando ele ia embora, o elevador enguiçou. Para pegar o outro, ele teve de passar pelo apartamento de um vizinho, que até hoje conta essa ocorrência com certo orgulho. Dá para imaginar o susto do casal ao abrir a porta e dar de cara com o Fidel? O único comunista que mora nesse prédio sou eu. Mas, quando Fidel saiu, o edifício todo estava iluminado e o pessoal batendo palmas. Dizem que é preciso a noite para surgir o dia, e foi isso que aconteceu com Cuba".

" Lógico que ainda acredito no Comunismo. Não sou cretino. É uma idéia que está no coração de todo mundo".

" Nunca acreditei na vida eterna. Sempre vi a pessoa humana frágil e desprotegida nesse caminho inevitável para a morte... Às vezes, muito jovem, o espiritismo me atraía, logo dissolvido pelo materialismo dialético, irrecusável. Se via uma pessoa morta, meu pensamento era radical. Desaparecera, como disse Lacan, antes de morrer. Um corpo frio a se decompor, e nada mais".

" Nunca me calei. Nunca escondi minha posição de comunista. Os mais compreensíveis que me convocam como arquiteto sabem da minha posição ideológica. Pensam que sou um equivocado e eu penso a mesma coisa deles. Não permito que ideologia nenhuma interfira em minhas amizades".

" Urbanismo e arquitetura não acrescentam nada. Na rua, protestando, é que a gente transforma o País".

" Se eu fosse jovem, em vez de fazer Arquitetura, gostaria de estar na rua protestando contra este mundo de merda em que vivemos. Mas, se isso não é possível, limito-me a reclamar o mundo mais justo que desejamos, com os homens iguais, de mãos dadas, vivendo dignamente esta vida curta e sem perspectivas que o destino lhes impõe".

" Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo - o Universo curvo de Einstein".
Oscar Niemeyer


Fonte: COM TEXTO LIVRE, o blog do amigo ZCarlos.

domingo, 19 de dezembro de 2010

ARTE DE AMAR

Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Manuel Bandeira,
Mario Quintana e Paulo Mendes Campos na casa do cronista Rubem Braga (1966).


Um poema de Bandeira para


Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

PREPOTÊNCIA será castigada

Processo que acusa o presidente do STJ de assédio moral chega ao Supremo

Notícia copiado do blog Casa da Çogra

STF nega sigilo em processo contra presidente do STJ por agressão a estagiário

Da Redação - 16/12/2010 - 14h58

“Nada pode autorizar o desequilíbrio entre os cidadãos da República. Nada deve justificar a outorga de tratamento seletivo que vise dispensar determinados privilégios, ainda que de índole funcional, a certos agentes públicos”. Com esse argumento, o ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), descartou a decretação de sigilo sobre o processo em que o presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Ari Pargendler, é acusado de agredir verbalmente um estagiário do Tribunal.
O estudante Marco Paulo dos Santos apresentou queixa-crime por “injúria real” contra Pargendler após ser demitido por ordem do presidente da Corte. Ele alega ter sido ofendido pelo ministro em uma agência do Banco do Brasil que fica dentro do Tribunal.
Segundo o relato do estudante, que foi confirmado por testemunhas à Polícia, ele tentou fazer um depósito em um dos caixas eletrônicos do banco, mas não conseguiu completar a transação. Após ser informado por um funcionário da agência que só havia um terminal apto para fazer o depósito, Marco Paulo se dirigiu à fila de espera, já que havia uma pessoa usando o caixa. Era Ari Pargender.
O ministro teria ficado incomodado com a presença do estudante. “Você quer sair daqui porque estou fazendo uma transação pessoal. (...) Sai daqui. Vai fazer o que você tem quer fazer em outro lugar”. Depois de argumentar que estava atrás da linha de espera, o jovem teria sido abordado pelo ministro, aos gritos: “Sou Ari Pargendler, presidente do STJ. Você está demitido”.
Desde que o episódio ganhou repercussão, Pargendler recusa-se a comentar o caso. Ele pediu que, em virtude de sua função, o processo corresse no Supremo sob segredo de Justiça.
Ao negar o pedido, o ministro Celso de Mello disse que não há nenhuma justificativa para um privilégio a Pargendler no caso. “Nada deve justificar, em princípio, a tramitação, em regime de sigilo, de qualquer procedimento que tenha curso em juízo, pois, na matéria, deve prevalecer a cláusula de publicidade”, afirmou.
Celso de Mello argumentou ainda que o sigilo processual só pode ocorrer em casos excepcionais e que a Constituição não prevê tratamento diferenciado a magistrados.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Um cidadão acima de qualquer suspeita


De uma troca de mensagens entre Urariano Mota e Alípio Freire
Dos diálogos com Bertold Brecht

Publicado no Redecastorphoto

Um dia, eles chegaram
e levaram os travestis.
Mas eu não era travesti.
E por isto nada fiz.

Depois, eles chegaram
e levaram os homossexuais.
Mas eu não era homossexual.

Em seguida,
levaram os ciganos.
Mas eu também não era cigano.

Levaram os índios, os negros, os nordestinos e todos os estrangeiros.

Levaram cegos, aleijados e surdos-mudos.

Levaram os ateus, os espíritas, os judeus, os religiosos dos diversos cultos afro.

Levaram os comunistas, os socialistas os cristãos de esquerda
os anarquistas e todos os antifascistas.

Levaram os homens e mulheres de rua, os drogados e os loucos.

Levaram meu vizinho
porque gostava de música cubana e rum.
Mas eu também não gostava de música cubana, nem de rum.

Até que um dia chegaram em minha casa
e me mandaram que os seguisse

apenas porque eu não era
travesti
homossexual
cigano
índio, negro, nordestino ou estrangeiro.

Não era cego, aleijado ou surdo-mudo,
ateu, judeu espírita, ou de qualquer culto afro.

Não era comunista, socialista ou cristão de esquerda
anarquista ou antifascista.
menos ainda era um homem ou mulher de rua, drogado ou louco.

Também diferentemente do meu vizinho
eu não gostava de música cubana, nem de rum.

Eu era apenas um bom cidadão
que pagava religiosamente seus impostos
Um homem normal e sem vícios
que fez regularmente seu serviço militar
Tinha todas prestações e documentação em dia
CIC, RG, Carteira de Trabalho assinada, PIS-Pasep,
Título de Eleitor, atestado de Residência e Cartão de Crédito.
Conseguira até juntar um certo pecúlio
e jamais me meti em política ou qualquer tipo de protesto.

E, como sempre obedeci às nossas autoridades
e aos bons costumes,
quando eles chegaram em minha casa,
não precisaram me levar.

Eu os segui até a forca com os meus próprios pés.
São Paulo, 09 de dezembro de 2010
Alípio Freire

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nazismo alemão = Sionismo judeu


Assista esta adaptação de imagens as quais traçam um paralelo entre o regime Nazista e o regime Sionista de Israel.
Criado na ocasião do Dia Internacional em Solidariedade ao Povo Palestino, 29/11/2010 por
Stella Alves, Paulo Ferreira; Ass. Cultural José Martí RG.

Surrupiado do Juntos Somos Fortes / Redecastorphoto

Pascual Serrano: WikiLeaks e o cartel dos meios de comunicação


Publicado no Portal Vermelho

O fenômeno Wikileaks monopolizou inúmeras análises e reflexões sobre o futuro da informação, da Internet e da participação cidadã na difusão das notícias.

Por Pascual Serrano, no Informação Alternativa

O debate ficou limitado entre aqueles que apresentavam a distribuição de informação secreta como um problema e uma irresponsabilidade e aqueles que defendiam a sua livre circulação e apoiavam o Wikileaks. Na minha opinião, trata-se de uma simplificação, e o modus operandi do Wikileaks demonstrou que o assunto é mais complexo.

Uma prova disso foi a forma como difundiu os 250.000 documentos que recolhiam comunicações da diplomacia e da Administração Central estadunidense. Aqueles que pareciam subverter as formas de comunicação do século 21 optaram por oferecer em exclusivo e de forma privilegiada a documentação a cinco grandes meios de comunicação mundial: The New York Times, The Guardian, Der Spiegel, Le Monde e El País. Dias depois de as direções destes jornais os terem em seu poder, os cidadãos continuam sem poder acessar os documentos no site do Wikileaks.

Por sua vez, os cinco jornais organizam-se num cartel e coordenam-se. Segundo reconheceram, "há um acordo sobre a publicação simultânea dos mesmos documentos de relevância internacional e as datas da sua difusão". Afirmam que "têm autonomia para decidir sobre a selecção, valorização e publicação das comunicações que afetem os seus países", isto é, a cinco países do bloco Ocidental; toda a informação referente ao resto do mundo está filtrada por eles.

"Só serão publicados aqueles documentos que consideremos que não representam uma ameaça para a segurança de pessoas ou de países", dizem. Em concreto, o El País reconhece que "decidiu aceitar os compromissos a que o The New York Times chegue com o Departamento de Estado para evitar a difusão de determinados documentos".

A conivência entre o Wikileaks e o cartel dos cinco é absoluta. A partir do seu twitter, o Wikileaks já se remetia a eles assumindo que a sua página ficaria fora de serviço. E o que anuncia na rede social são ligações às páginas dos jornais.

Não sei se a origem do Wikileaks é limpa e honesta, o que sim parece claro é que se está a transformar num sujeito domesticado. Até o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que os documentos dão razão ao seu Governo na valorização da ameaça iraniana.

Não devemos descartar que, perante a perda de credibilidade da informação que os governos tornam pública, se esteja a recorrer a formas imaginativas que, sob a aureola de espontaneidade, filantropia e mitificação da Internet, não sejam mais que o mesmo cão com diferentes coleiras. Que, por agora, a única iniciativa concreta contra o fundador do Wikileaks seja algo tão peregrino como acusá-lo de um estupro, resulta bastante pitoresco.

Não me convencem


Publicado por , no Blog do Bourdoukan

Sim, as “revelações “ do wikileaks, ainda não me convencem.

E, por favor, antes de atirar pedras vejam por que tenho dúvidas.

1-Até agora não vazou nenhuma informação substancial sobre o atentado às torres gêmeas em 11/9;

2- Não vazou nenhuma informação sobre os acordos secretos entre Bush pai e Sadam Hussein;

3- Não vazou nenhuma informação sobre a invasão do Kuwait pelo Iraque;

4-Não vazou nenhuma informação sobre a guerra Iran-Iraque;

5- Não vazou nenhuma informação sobre o Iran-Contras;

6- Não vazou nenhuma informação sobre a invasão do Iraque por bush Junior;

7-Não vazou nenhuma informação sobre a invasão do Afeganistão;

8-Não vazou nenhuma informação sobre os inúmeros ataques de Israel ao Líbano;

9-Não vazou nenhuma informação sobre as seis guerras provocadas por Israel;

10- Não vazou nenhuma informação sobre o arsenal nuclear de Israel;

11- Não vazou nenhuma informação sobre a Flotilha da Liberdade atacada por Israel;

12- Não vazou nenhuma informação sobre os genocídios promovido por Israel contra os palestinos nos últimos 63 anos.

E paro por aqui porque a lista é interminável.

Vejam que me ative somente a questões do Oriente Médio.

E nem mencionei Bin Laden.

Acho muito estranho que nada sobre essa região tenha vazado, onde os Estados Unidos possuem interesses vitais.

De qualquer forma, continuo dando um voto de confiança ao Wikileaks, mas sem crer que haverá de fato revelações bombásticas.

Aguardemos...


OBS. leia AQUI uma dica do leitor e blogueiro Gilson Sampaio que me chegou às 18,30hs. Fica o meu agradecimento ao Gilson.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ALTO DA SÉ

(Alto da Sé - Olinda -PE)

Luzes.

Do Alto da Sé, as luzes.

Da cidade, as luzes.

Por meus olhos vistas, luzes.

Pelos muitos olhos da cidade,

visto.

Do alto dos olhos da cidade,

a Sé vista.

Os olhos a cidade vendo.

Vendo a Sé, os olhos,

nas luzes da cidade,

no olhar da Sé,

entre luzes o olhar:

ar(te).


P.S.: Este poema foi músicado pelo amigo Oswaldo Esteves, músico e compositor radicado na cidade de Olinda.


Fonte: Se não canto, pelo menos grito

Ao mestre, com carinho

Domingo passado, almoçando com amigos, soube da morte do diretor Mario Monicelli. Um dos seus filmes, O Incrível Exército de Brancaleone, muito mim marcou, e a uma geração de amigos. Encontro no blog Crônicas do Motta, uma bela homenagem ao grande diretor. Faço minhas as palavras inspiradas do mestre Carlos Motta.

Por Carlos Motta, do blog Crônicas do Motta


Mario Monicelli pode não ter sido o melhor diretor de cinema do mundo, mas certamente foi o que mais me fez rir. E quando a gente ri, se sente mais vivo, mais humano, mais feliz.

Mario Monicelli tinha 95 anos, estava internado num hospital, vítima de câncer, e se jogou da janela. Foi um fim inusitado para um artista inteligente, fino, perspicaz, que emocionou plateias em todo mundo - isso porque as suas comédias não eram simples pastelões e sim retratos quase sem retoques de uma sociedade imperfeita, complexa e plena de emoções, como a italiana.

Monicelli dirigiu tantos filmes bons que nem ouso dizer qual o que mais gosto. Apenas que tenho indeléveis na memória cenas inteiras de Os Eternos Desconhecidos, O Exército Brancaleone, Brancaleone nas Cruzadas, Quinteto Irreverente, Meus Caros Amigos, Parente é Serpente, As Duas Vidas de Mattia Pascal e Romance Popular, entre os que lembro mais facilmente.

E os atores que dirigiu? Ugo Tognazzi, Vittorio Gassman, Marcelo Mastroianni, Philippe Noiret, Claudia Cardinale, Ornella Muti, Sophia Loren, Monica Vitti, Alberto Sordi - uma constelação de astros de primeiríssima grandeza, todos geniais. Sem contar o maior de todos, o nobre Antonio de Curtis, vulgo Totó, com quem, certamente, aprendeu grande parte dos segredos da profissão.

Há muitos clichês que expressam os sentimentos de perda dos admiradores de um artista da estatura de Monicelli. "É uma perda irreparável", dizem uns; "sua obra permanecerá para sempre", dizem outros.

Por mim, prefiro homenagear o mestre com o diálogo em que, pela primeira vez no Quinteto Irreverente, Lello Mascetti (Ugo Tognazzi) aplica a "supercazzola" em alguém - para quem não sabe, a supercazzola é o jeito mais fácil que o falido nobre Mascetti encontra para se livrar de situações embaraçosas:



E, para quem não entendeu nada, vai a transcrição:

Mascetti: Terapìa tapiòco! Prematurata la supercazzola, o scherziamo?
Vigile: Prego?
Mascetti: No, mi permetta. No, io... scusi, noi siamo in quattro. Come se fosse antani anche per lei soltanto in due, oppure in quattro anche scribài con cofandina? Come antifurto, per esempio.
Vigile: Ma che antifurto, mi faccia il piacere! Questi signori qui stavano sonando loro. 'Un s'intrometta!
Mascetti: No, aspetti, mi porga l'indice; ecco lo alzi così... guardi, guardi, guardi. Lo vede il dito? Lo vede che stuzzica? Che Prematura anche? Ma allora io le potrei dire, anche con il rispetto per l'autorità, che anche soltanto le due cose come vice-sindaco, capisce?
Vigile: Vicesindaco? Basta 'osì, mi seguano al commissariato, prego!
Perozzi: No, no, no, attenzione! Noo! Pàstene soppaltate secondo l'articolo 12, abbia pazienza, sennò posterdati, per due, anche un pochino antani in prefettura...
Mascetti: ...senza contare che la supercazzola prematurata ha perso i contatti col tarapìa tapiòco.
Perozzi: ...dopo...

É, não dá para fugir do lugar comum: o mundo perdeu mesmo um grande artista!

AJUDE NOSSA CAMPANHA INTERNACIONAL PARA DENUNCIAR O ATENTADO DA FOLHA CONTRA A INTERNET BRASILEIRA!


Uma campanha a favor da imprensa livre no blog DESCULPE A NOSSA FALHA, vamos participar!

Um processo inédito na história da Internet e do jornalismo brasileiro // Um blog de paródia censurado pela primeira vez na história do país, abrindo precendente para agressões de outras empresas // O maior jornal do país querendo arrancar dinheiro de dois irmãos como “indenização por danos morais”, mostrando total incompreensão sobre o que é internet e democracia // Apoio de Gilberto Gil, Marcelo Tas e centenas de blogueiros // Comentários e discussões em todas as redações, da Folha inclusive.

A gente podia tá roubando, podia tá matando, mas tamo aqui pedindo: por favor escreva para uns gringos!

Mesmo assim, nenhum veículo chamada grande imprensa (ou “velha imprensa”, ou “mídia tradicional”) noticiou o caso. Até a ombudsman da Folha, que já afirmou várias vezes que o jornal tem que “ser corajoso para noticiar as críticas que recebe”, ignorou nossos apelos.

Por isso lançamos hoje uma campanha internacional de denúncia da censura da Folha, que na verdade é um atentado grotesco contra toda a internet brasileira. No topo da página há links para textos em inglês, espanhol, francês e italiano. Foram escritos pensando no público estrangeiro, contextualizando a criação do blog na realidade do país e explicando, de forma didática, porque é mais do que um simples processo e porque “não é notícia” aos olhos da tradicional imprensa brasileira.

Ao longo da semana, vamos subir os vídeo de Gil legendado para inglês e francês e também o mesmo texto-denúncia em alemão. O original, em português, está disponível no botão “divulgue” acima, e é bom para ser repassado a jornalistas de Portugal e outros países lusófonos.

É A SUA GRANDE CHANCE DE AJUDAR! Por favor escreva para TODOS os contatos que tiver no exterior, jornalistas ou não, repassando os links. Se você é jornalista, por gentileza repasse para os colegas da mídia estrangeira. Se você não tem contatos, nos ajude buscando na internet emails de jornais, rádios, sites, TVs ou revistas para os quais você possa enviar os textos.

POR FAVOR PERCA UNS MINUTOS HOJE MESMO NOS AJUDANDO A DENUNCIAR ESSA PALHAÇADA QUE AMEAÇA TODA A INTERNET BRASILEIRA!

MUITO OBRIGADO MESMO!

Gaiarsa, um grande brasileiro

1920 - 2010

Uma homenagem do blog ao Mestre Gaiarsa, falecido no dia 16/10/10.

Morreu neste sábado (16) aos 90 anos o médico psiquiatra José Angelo Gaiarsa. Segundo sua neta Laura, Gaiarsa morreu por volta das 5h enquanto dormia. A família ainda não sabe a causa da morte.

O velório ocorreu desde às 14h no cemitério São Paulo. O corpo foi enterrado no cemitério da Assunção, em Santo André, onde o psiquiatra nasceu, neste domingo (17) às 8h. Gaiarsa era divorciado e deixa três filhos e oito netos.

Nascido em 19 de agosto de 1920, Gaiarsa sempre será lembrado como um iconoclasta, conforme disse seu filho Flávio.

Zeca, como era conhecido pelos amigos, falava muito contra a estrutura familiar clássica, segundo ele a maior geradora de neuroses nos indivíduos, e apoiava abertamente, em redes de rádio e TV, a liberdade feminina já na década de 1960.

Foi o primeiro psquiatra a introduzir a psicologia analítica de Carl Gustav Jung e os estudos sobre sexualidade de Wilhelm Reich.

Inspirado por esses estudiosos, Gaiarsa ia à TV pregar contra a virgindade e a favor do comportamento sexual livre.

"Ele despertava o ódio da sociedade ao dizer que a família não era a melhor estrutura social. Dizia que no seio da família é onde as pessoas mais se deformam. Eu tinha 9 anos e me lembro de as pessoas que ironicamente defendiam a moral e os costumes da época telefonarem para nossa casa falando palavrões", conta o Flávio Gaiarsa, 61, que seguiu a carreira do pai.

Segundo ele, muitas mulheres da época se sentiram livres para sair de casa dos pais e viverem sozinhas após ouvir os ensinamentos do psiquiatra.

"Elas viam um homem mais velho e que falava desses assuntos de maneira clara na TV e se emancipavam. Eu e meus irmãos achávamos o máximo que nosso pai fizesse aquela bagunça. Morreu aos 90 anos sem perder o gosto e a capacidade de aprendizado."

VIDA

Clinicou por mais de 50 anos, publicou 30 livros e por dez anos teve um quadro de televisão em que esclarecia dúvidas dos telespectadores.

Vindo de Santo André, de uma família de seis irmãos e irmãs, entrou na Faculdade de Medicina da USP em primeiro lugar, posição que manteve por toda a graduação.

Casou-se com Maria Luiza Martins Gaiarsa, cirurgiã e colega de turma, com quem teve quatro filhos homens: Flávio, Marcos (já morto), Paulo e Dácio. Separou-se em uma época em que o rompimento das relações matrimoniais era controverso.

Foi introdutor de Carl Gustave Jung e William Reich no Brasil, psicanalistas ideólogos da revolução sexual.

Seu primeiro livro, "A Juventude Diante do Sexo", veio a partir de um artigo de capa para a revista "Realidade" sobre o comportamento sexual da juventude que passava por profundas modificações.

Seu último livro publicado foi o "Meio século de Psicoterapia". Atualmente, estava revisando para reedição a obra "Respiração, Angústia e Renascimento".

Seu último prêmio foi do International Academy of Child Brain Development,do Institute for the Achievent of Human Potential, decorrente de um trabalho recém concluído sobre o desenvolvimento físico, cerebral e emocional das crianças.

O Depoimento do Dr. Gaiarsa "SOBRE SEXO"


O que você acha da fidelidade conjugal? É possível?

GAIARSA: Gabi, (risos) durante um certo tempo é possível – enquanto persiste a sensação clara de desejo pelo companheiro(a) e o prazer na sua presença física. Depois disso, as coisas ficam muito complicadas porque os costumes esperam uma fidelidade eterna, mas a experiência cotidiana está dizendo que ela é muito difícil ou impossível. Muitos fazem e todos desejam – mas nem todos têm coragem.

Você acha possível alguém amar duas pessoas ao mesmo tempo? e Marco completa Já vi algumas entrevistas com o senhor em que defende a possibilidade de se amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O senhor acha que o ser humano é bígamo por natureza?

GAIARSA
: Cris e Marco, mais do que possível. Ninguém entende a seguinte prova categórica deste fato. Se você é casado e tem dois filhos ou mais é possível ou não amá-los? Você vai dizer que o caso é muito diferente, mas para mim ele é muito semelhante. As pessoas são extremamente diferentes entre si e o que eu encontro em cada uma, assim como aquilo que eu posso oferecer a cada uma é sempre diferente. Se você percebe com certa clareza as qualidades das pessoas, você vai ver que um amor não tem absolutamente nada a ver com outro. O que você pode trocar com uma pessoa, você não pode trocar com outra – portanto, a infidelidade é impossível. Marco, eu acho que se eu fosse bígamo por natureza, me sentiria muito roubado em matéria de amor. Mas veja bem: a virtude está no meio – nem monogamia compulsória a vida inteira, nem promiscuidade indiscriminada.

Continue vendo aqui: