LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Serra é eleito o líder, o herói, o artista e o pensador mais influente do mundo!!!


A revista americana “Time” elegeu o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o líder mais influente do mundo, é pouco né?

Diretamente do Copo Sujo nos reunimos para comemorarmos, e bebermorarmos também, mais esta conquista do nosso Presidente, e, como não poderia deixar de ser, imaginamos uma eleição nos moldes da realizada pela “Times”, sendo feita pelo PIG Nacional (Folha, Veja, Rede Globo) e pelo PIG local (Jornal do Commercio).

Limitamo-nos a quatro categorias, dentre as escolhidas pela revista americana, líderes, heróis, artistas e pensadores, os debates foram calorosos, nada que umasssssssssssssssssssssssss cervejinhas super geladas, servidas pelo melhor garçom do Brasil, nosso querido amigo Matuto, não nos acalmassem.

No quesito "líderes", que foi o primeiro a ser votado, poderiam ser escolhidas personalidades de qualquer nacionalidade.

Os outros quesitos ficaram reservados apenas a brazileiros.

No final, depois de acirrada disputa, onde pulularam nomes como os de Fujimori, Menem, Carlos Lacerda, Marco Maciel, etc., etc., etc., chegamos aos seguintes resultados:


LÍDERES:

1. Serra

2. FHC

3. Berlusconi

4. Bush

5. Reizinho Juan Carlos


HERÓIS:

1. Serra

2. FHC

3. Dantas

4. Gilmar Mendes

5. Agripino Maia


ARTISTAS:

1. Serra (confiram o desempenho dele cantando com Dominguinhos)

2. FHC

3. As cansadas, Ivete, Hebe, Ana Maria e Regina, a medrosa (também ganhar mais de 1 milhão de reais por mês cansa...)

4. Sandy, sem o Júnior (Onde fica o Haiti?)

5. Luciano Huck (Será que devolveram o relógio dele?)


PENSADORES:

1. Serra

2. FHC

3. Ali Kamel

4. Otavinho

5. Jabor


E você leitor, tem alguma sugestão para a inclusão de outras categorias?

E os eleitos?

Foi uma eleição justa ou seu voto seria para outro candidato?

Chora PSDB: "Time" elege Lula o líder mais influente do mundo Economia


Presidente Lula é o primeiro na categoria 'leaders'. Obama ficou em quarto lugar na mesma relação
O Presidente Lula foi eleito nesta quinta-feira (29) pela revista americana “Time” como o líder mais influente do mundo. Lula encabeça o ranking de 25 nomes e é seguido por J.T Wang, presidente da empresa de computadores pessoais Acer, o almirante Mike Mullen, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama e Ron Bloom, assessor sênior do secretário do Tesouro dos Estados Unidos.

No perfil escrito pelo cineasta Michael Moore, o programa Fome Zero é citado como destaque no governo do PT como uma das conquistas para levar o Brasil ao “primeiro mundo”. A história de vida de Lula também é ressaltada por Moore, que chama o presidente Lula de “verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina”.

A revista lembra quando Lula, aos 25 anos, perdeu sua primeira esposa Maria grávida de oito meses pelo fato dos dois não terem acesso a um plano de saúde decente. Ironizando, Moore dá um recado aos bilionários do mundo: “deixem os povos terem bons cuidados de saúde e eles causarão muito menos problemas para vocês”.

A lista mostra os 100 nomes de pessoas mais influentes do mundo em diversas áreas –líderes da esfera pública e privada, heróis, artistas, entre outros.

Entre os líderes em destaque também estão a ex- governadora do Alasca e ex-candidata republicana à Vice-Presidência, Sarah Palin; o diretor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn; os primeiros-ministros japonês e palestino, Yukio Hatoyama e Salam Fayyad, e o chefe do Governo da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.Reuters

The World's Most Influential People:Luiz Inácio Lula da Silva

Quando, pela primeira vez os brasileiros elegeram Luiz Inácio Lula da Silva presidente em 2002, os barões ladrões do país nervosamente verificaram os medidores de combustível de seus jatos particulares. Eles transformaram o Brasil em um dos lugares mais desiguais do planeta, e agora parecia que chegara a hora desta conta ser cobrada. Lula, 64 anos, era um verdadeiro filho da classe trabalhadora da América Latina – na verdade, um membro fundador do Partido dos Trabalhadores – e já tinha sido preso uma por liderar greve.


No momento em que Lula, finalmente, conquistou a presidência, após três tentativas fracassadas, ele já se tornara uma figura familiar na vida brasileira. Mas o que o levou para a primeiro lugar da política? Foi seu conhecimento pessoal do quão duramente muitos brasileiros têm de trabalhar para so
breviver? Ser forçado a abandonar a escola depois da quinta série para sustentar sua família? Trabalhar como engraxate? Perder parte de um dedo em um acidente de trabalho?Não. Foi quando, aos 25 anos, viu sua esposa Maria morrer durante o oitavo mês de gravidez, junto com seu filho, porque não podiam pagar os cuidados médicos decentes.

Há uma lição aqui para bilionários do mundo: deixar que as pessoas têm bons cuidados de saúde, e eles causam muito menos problemas para vocês.


E aqui está uma lição para o resto de nós: a grande ironia da presidência de Lula – ele foi eleito para um segundo mandato em 2006 e que terminará este ano – é que, mesmo enquanto ele tenta impulsionar o Brasil ao Primeiro Mundo com programas sociais do governo como o Fome Zero, que visa acabar com a fome, e com planos de melhorar a educação oferecida aos membros da classe trabalhadora do Brasil, os EUA se parecem mais com o antigo Terceiro Mundo a cada dia.

O que Lula quer para o Brasil é o que costumamos chamar o sonho americano. Nós, os EUA, onde os 1% mais ricos possuem agora mais riqueza do que os 95% mais pobres somados, estamos vivendo em uma sociedade que está rapidamente se tornando mais parecida com o Brasil.”



Outras homenagens


Lula já havia recebido outras homenagens de jornais e revistas importantes no cenário internacional. Em 2009, foi escolhido pelo jornal britânico "Financial Times" como uma das 50 personalidades que moldaram a última década.

Também foi eleito o "homem do ano 2009" pelo jornal francês 'Le Monde', na primeira vez que o veículo decide conferir a honraria a uma personalidade. No mesmo ano, o jornal espanhol 'El País' escolheu Lula o personagem do ano. Na ocasião, Zapatero redigiu o artigo de apresentação do Presidente e disse que Lula 'surpreende' o mundo.

Veja abaixo a lista dos 10 líderes mais influentes da Time


1 - Luiz Inácio Lula da Silva
2 - J.T. Wang
3 - Admiral Mike Mullen
4 - Barack Obama
5 - Ron Bloom
6 - Yukio Hatoyama
7 - Dominique Strauss-Kahn
8 - Nancy Pelosi
9 - Sarah Palin
10 - Salam Fayyad

(Confira a lista completa no site da revista)

Capa da Revista Times

Copiado de OS AMIGOS DO PRESIDENTE LULA

O PASTOR / MADREDEUS



Copiado de UM POUCO DE TUDO. TUDO DE UM POUCO.

A santa aliança: Sócrates e Passos Coelho

Com esta santa aliança entre Sócrates e Passos Coelho, agora é que vamos ter um verdadeiro PEC (Programa de Empobrecimento Colectivo)!!!


E estamos nisto, Portugal completamente refém da especulação das malditas agências de rating. A ganância é tanta, que só vêem cifrões à frente. E, como sempre, serão os mesmos a pagar a factura.

E o ataque já começou!! Ora vejamos o que pretende a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP):

Mas não é só a CIP, a Confederação do Turismo vai ainda mais longe:

"Para a Confederação do Turismo, só deve beneficiar do subsídio de desemprego quem não tenha outros meios de subsistência e os desempregados devem ser obrigados a prestar serviço social."

Mas estes patrões julgam que o subsídio de desemprego é alguma esmola?? Pensam que somos alguns escravos? Que eu saiba, quem recebe subsídio é porque descontou e trabalhou para isso, logo é um DIREITO que assiste ao trabalhador! Aquando do aumento do ordenado mínimo de 450 para 475€, protestaram, queixando-se do valor exagerado. Exagerado??? Um triste aumento de 25 €? Acham mesmo que alguém que recebe um salário destes pode levar uma vida digna? Se v. Exas. recebessem apenas o ordenado mínimo, tendo todos os meses que pagar renda de casa, água, luz, alimentação e outras despesas inevitáveis, será que conseguiriam sobreviver?? Duvido... Quem vive com esse valor miserável, sabe bem o esforço que faz para chegar ao fim do mês.

Acredito que seja verdade que alguns se aproveitem do subsídio e não queiram trabalhar, e nesse caso, concordo que se tomem medidas. Agora por culpa de uns não podem pagar os milhares de portugueses que lutam, dia após dia, em busca de trabalho. Acham que as pessoas têm gosto em estar desempregadas? Se alguém, por mais esforços que faça, não consiga empregar-se, e se as vossas medidas forem avante - redução do valor consoante o prolongamento do período de desemprego - vai viver do quê? Do ar?

Pela vossa lógica, parece que afinal as empresas fecham por falta de trabalhadores e os despedimentos dos últimos tempos são pura mentira. Então se é assim, por que raio eu, que envio tantos currículos, não consigo trabalho? Se são os trabalhadores que não querem trabalhar, então, dêem-me trabalho, porque EU QUERO TRABALHAR!! E olhe que eu nem sequer recebo qualquer subsídio de desemprego, portanto não me podem acusar de viver à custa de apoios (os únicos apoios que tenho são os meus pais)...

E já agora, porque não criticam os salários de gestores e administradores que ganham milhões? Não acham imoral, alguém ganhar, em apenas um ano, a quantidade que o trabalhador comum junta numa vida inteira de trabalho? Se o país está em crise e temos de fazer sacríficios, então comecem por exigi-los aos que mais podem fazê-los.

Copiado de CIDADÃ DO MUNDO

As loucuras de nossa época

Por Fidel Castro *

Não há outra saída senão chamar as coisas por seus nomes. Aqueles que conservam um mínimo de sentido comum podem observar, sem grande esforço, quão pouco resta de realismo no mundo atual. Quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, Michael Moore declarou: "agora seja digno dele!".

Muitas pessoas gostaram do engenhoso comentário pela agudeza da frase, embora muitos não vissem outra coisa na decisão do Comitê norueguês além de demagogia e exaltação à aparentemente inofensiva politicagem do novo presidente dos Estados Unidos, um cidadão afro-norte-americano, bom orador e político inteligente, à frente de um império poderoso envolvido numa profunda crise econômica.

A reunião mundial de Copenhague estava prestes a acontecer e Obama despertou as esperanças de um acordo vinculante, no qual os Estados Unidos se somariam a um consenso mundial para evitar a catástrofe ecológica que ameaça a espécie humana. O que lá aconteceu foi decepcionante, a opinião pública internacional foi vítima de um doloroso engano.

Na recente Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e Direitos da Mãe Terra, realizada na Bolívia, foram expressas respostas cheias da sabedoria das antigas nacionalidades indígenas, invadidas e virtualmente destruídas pelos conquistadores europeus que, em busca de ouro e riquezas fáceis, impuseram durante séculos suas culturas egoístas e incompatíveis com os interesses mais sagrados da humanidade.

Duas notícias recebidas ontem expressam a filosofia do império tentando fazer com que acreditemos em seu caráter "democrático", "pacífico", "desinteressado" e "honesto". Basta ler o texto dessas informações procedentes da capital dos Estados Unidos.

"Washington, 23 de abril de 2010.— O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avalia a possibilidade de desenvolver um arsenal de mísseis com ogivas convencionais, não nucleares porém capazes de atingir alvos em qualquer lugar do mundo em aproximadamente uma hora e com capacidade explosiva potentíssima".

"Se, por um lado, a nova superbomba, montada em mísseis do tipo Minuteman, não terá ogivas atômicas, por outro, sua capacidade de destruição será equivalente, tal como confirma o fato de que sua dispersão está prevista no acordo START 2, assinado recentemente com a Rússia".

"As autoridades de Moscou reclamaram e conseguiram fazer figurar no acordo, que para cada um destes mísseis, os Estados Unidos deve eliminar um de seus foguetes providos de ogivas nucleares".

"Segundo as notícias do New York Times e da rede de televisão CBS, a nova bomba, batizada PGS (Prompt Global Strike) deverá ser capaz de matar o líder de Al Qaeda, Ossama Bin Laden, em uma gruta do Afeganistão, destruir um míssil norte-coreano em plena preparação ou atacar um silo nuclear iraniano, ‘tudo isso sem trespassar o umbral atômico’".

"A vantagem de dispor como opção militar de um arma não nuclear, que tenha os mesmos efeitos de impacto localizado de uma bomba atômica é considerada interessante pelo governo de Obama".

"O projeto foi colocado inicialmente pelo predecessor de Obama, o republicano George W. Bush, mas foi bloqueado pelos protestos de Moscou. Tendo em conta que os Minuteman também transportam ogivas nucleares, as autoridades de Moscou disseram que era impossível estabelecer que o lançamento de um PGS não fosse o início de um ataque atômico".

"Contudo, o governo de Obama considera que pode dar à Rússia ou à China garantias necessárias para evitar mal-entendidos. Os depósitos dos mísseis da nova arma serão instalados em lugares distantes dos depósitos de ogivas nucleares e poderão ser inspecionados periodicamente por especialistas de Moscou ou de Pequim".

"A superbomba poderia ser lançada com um míssil Minuteman, capaz de voar através da atmosfera à velocidade do som e carregando quinhentos quilos de explosivos. Equipamentos ultrasofisticados permitirão ao míssil largar a bomba e fazer com que caia com extrema precisão nos alvos escolhidos".

"A responsabilidade do projeto PGS — com um custo estimado de US$ 250 milhões, somente em seu primeiro ano de experiências — foi encarregada ao general Kevin Chilton, que tem sob seu comando o arsenal nuclear norte-americano. Chilton explicou que o PGS cobrirá um buraco no leque de opções com que o Pentágono conta atualmente".

"'Neste momento, podemos atacar com armas não nucleares qualquer recanto do mundo, em um espaço de tempo não menor a quatro horas’, disse o general. ‘Para uma ação mais rápida — reconheceu — contamos somente com opções nucleares’".

"No futuro, com a nova bomba, os Estados Unidos poderão atuar rapidamente e com recursos convencionais, tanto contra um grupo terrorista quanto contra um país inimigo, em um período ainda mais curto e sem provocar a ira internacional pelo emprego de armas nucleares".

"Prevê-se que os primeiros testes começarão em 2014, e que, em 2017 estaria disponível no arsenal estadunidense. Obama já não estará no poder, no entanto, a superbomba pode ser a herança não nuclear deste presidente, que obteve o prêmio Nobel da Paz."

"Washington, 22 de Abril de 2010. — Uma nave espacial não tripulada da Força Aérea dos Estados Unidos descolou nesta quinta-feira na Flórida, em meio de um véu de segredo sobre sua missão militar".

"A nave-robô espacial, X-37B, foi lançada de Cabo Cañaveral mediante um foguete Atlas V, às 19h52 locais (23h52 GMT), segundo um vídeo distribuído pelo exército".

"’ O lançamento é iminente’, disse à AFP o major da Força Aérea, Angie Blair".

"Parecido com uma nave espacial em miniatura, o avião tem 8,9 metros de comprimento e 4,5 metros de envergadura".

"A fabricação do veículo espacial reutilizável demorou anos e o exército tem dado poucas explicações sobre seu objetivo ou seu papel no arsenal militar."

"O veículo está desenhado para ‘proporcionar o meio ambiente de um ‘laboratório em órbita’, a fim de testar novas tecnologias e componentes antes que estas tecnologias sejam designadas a programas de satélites em funcionamento’, disse a Força Aérea em um comunicado recente".

"Alguns funcionários informaram que o X-37B aterrisará na base da Força Aérea Vandenberg, na Califórnia, mas não disseram quanto durará a missão inaugural".

"’Para ser honestos, não sabemos quando voltará’, disse esta semana aos jornalistas o segundo subsecretário de programas espaciais da Força Aérea, Gary Payton".

"Payton assinalou que a nave poderia permanecer no espaço até nove meses".

"O avião, fabricado pela Boeing, começou como um projeto da agência espacial estadunidense (NASA), em 1999, e depois foi transferido à Força Aérea, que visa o lançamento de um segundo X-37B em 2011."

Será que é necessária mais alguma coisa?

Obstáculo

Hoje existe um colossal obstáculo: a mudança climática já irreversível. Faz-se referência ao inevitável aumento de calor em mais de dois graus centígrados. Suas conseqüências serão catastróficas. A população mundial em apenas 40 anos aumentará em dois bilhões de habitantes, e atingirá a cifra de nove bilhões de pessoas, nesse breve tempo.

Cais, hotéis, balneários, vias de comunicação, indústrias e instalações próximas aos portos, ficarão sob a água em menos tempo do que se precisa para desfrutar a metade de sua existência uma geração de um país desenvolvido e rico, que hoje, de maneira egoísta, se recusa a fazer o menor sacrifício para preservar a sobrevivência da espécie humana. As terras agrícolas e a água potável diminuirão consideravelmente. Os mares ficarão poluidos; muitas espécies marinhas deixarão de ser consumíveis e outras desaparecerão. Isto não é afirmado pela lógica, mas sim pelas pesquisas científicas.

O ser humano conseguiu incrementar, através da genética natural e da transferência de variedades de espécies de um continente para o outro, a produção por hectare de alimentos e outros produtos úteis ao homem, que aliviaram durante um tempo a escassez de alimentos como o milho, a batata, o trigo, as fibras e outros produtos necessários. Mais tarde, a manipulação genética e o uso de fertilizantes químicos contribuíram também para a solução de necessidades vitais, porém estão chegando ao limite de suas possibilidades para produzir alimentos sadios e aptos para serem consumidos.

Ciência x pobreza

Por outro lado, em apenas dois séculos estão se esgotando os recursos do petróleo, que a natureza demorou 400 milhões de anos em formar. Do mesmo modo, esgotam-se os recursos minerais vitais não renováveis dos quais precisa a economia mundial. Por sua vez, a ciência criou a capacidade de autodestruir o planeta várias vezes em questão de horas. A maior contradição em nossa época é, precisamente, a capacidade da espécie para se autodestruir e sua incapacidade para se governar.

O ser humano conseguiu aumentar as possibilidades de vida até limites que ultrapassam sua própria capacidade de sobreviver. Nessa batalha, consome aceleradamente as matérias-primas ao alcance de suas mãos. A ciência tornou possível a conversão da matéria em energia, como aconteceu com a reação nuclear, ao custo de enormes investimentos, mas não se vislumbra sequer a viabilidade de converter a energia em matéria.

O gasto infinito dos investimentos nas pesquisas pertinentes vem demonstrando a impossibilidade de conseguir em umas poucas dezenas de anos o que o universo demorou dezenas de bilhões de anos em criar. Será necessário que o menino pródigo Barack Obama nos explique? A ciência cresceu extraordinariamente, mas a ignorância e a pobreza também crescem. Por acaso, alguém pode demonstrar o contrário?


*Fidel Castro é ex-presidente de Cuba. Artigo originalmente publicado no jornal cubano Granma e republicado pelo portal Vermelho.


Copiado de OPERA MUNDI

Safatle e a anistia: STF se prepara para produzir uma catástrofe

Direto do CONVERSA AFIADA

Safatle: e o Brasil ainda quer ser do Conselho de Segurança da UNU

Paulo Henrique Amorim entrevistou Vladimir Safatle, que na companhia de Edson Teles publicou, pela editora Boitempo, o livro “O que resta da ditadura”. Neste livro, Safatle publica o ensaio “Do uso da violência contra o Estado ilegal”.

Safatle disse que o Supremo provavelmente vai rejeitar a ação de Fabio Comparato. É o que se deduz do voto do procurador, da AGU e do relator. Se isso de fato acontecer, será uma catástrofe por três motivos:

1- O Brasil tem processo pendente na corte interamericana de justiça devido a esses casos de tortura e, muito provavelmente o país vai ser julgado culpado porque não tem condições de responder aos tratados internacionais contra a tortura. Isso bloqueia as aspirações brasileiras de participar de fóruns internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU.

2- Um país que é incapaz de compreender que não se constrói uma democracia dando guarida a torturadores, demonstra que esse tipo de prática não é vista como abominável.

3- Isso demonstra como nós não temos condição de estabelecer uma referencia mínima a respeito da História e a respeito do que não queremos que aconteça novamente.

Clique aqui para ouvir a entrevista.

Relator Eros Grau vota pela improcedência da ação ajuizada no Supremo pela OAB. Placar até agora é de 1 x 0 pela manutenção da lei de anistia. Sessão foi suspensa e será retomada amanha.

Clique aqui para acompanhar a votação no STF

Clique aqui para ler: Ministros do Supremo, lembrem-se de Antígona

Clique aqui para ler: Vista-se de luto, o Supremo deve perdoar os torturadores

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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Brasil, um país de todos

Amigos, ultimamente em conversas com colegas de trabalho, conhecidos e chegados, noto uma preocupação surgida graças aos resultados de algumas pesquisas de opinião, será que dá? Ao que respondo JÁ DEU. Tenho a firme convicção baseado nestas mesmas pesquisas que GANHAREMOS NO PRIMEIRO TURNO. Por uma simples razão o único ponto em comum entre todas as pesquisas, manipuladas ou não, é uma aparente desassociação entre o alto índice de aprovação do governo e o percentual alcançado por sua candidata. É essa discrepância que nos fará vencer. A maior parte das camadas mais pobres aprova e apóia o governo dizendo, inclusive, que votará em seu candidato. Só não sabe ainda que a nossa DILMA é a candidata governamental. Fato esse que será esclarecido quando começar o horário gratuito eleitoral, daí a importância da coligação com o PMDB, tempo de TV.


E porque essas camadas populares apóiam tanto o governo?


A sociedade brasileira é ou está se tornando cada vez mais extratificada ou sofisticada. E dentro dessa sofisticação a percepção das coisas muda de camada a camada. As classes alta e média tendem a ter uma visão mais macro da economia ou de variações nessa economia, seja para melhor ou para pior. As camadas C, D e E tem uma visão mais micro desse mesmo movimento. Ou seja, as cores são as mesmas mas os matizes variam de classe para classe.


Nesse sentido é que entra o governo e sua excepcional aprovação. Nunca na história brasileira, para usar um jargão presidencial, foram criados tantos programas voltadas diretamente para os mais necessitados e nós, talvez por não sermos os grandes beneficiados, não nos apercebemos do seu impacto.


A implantação a nível nacional do PSF, com a ampliação ano a ano do número de equipes, uma nova política de descentralização hospitalar com a manutenção de hospitais de referência juntamente com a criação das UPAS de modo a desafogar os grandes hospitais, a criação do SAMU, um sistema nacional de ambulâncias e pronto atendimento, a melhoria do salário na rede pública, para nós usuários de planos de saúde, pode soar apenas como uma melhora no número de médicos por mil habitantes no país ou até pior para setores da direita, um aumento muito grande em despesas correntes. Porém, para eles, os pobres e carentes significa SAÚDE, VIDA.


O investimento maciço em educação, com a construção de novas universidades, campus de extensão, escolas técnicas, a ampliação em mais um do número de anos do ensino fundamental, a criação de um piso básico nacional, melhorando substancialmente o salário médio dos professores, a melhoria e a diversificação dos currículos escolares, a criação do FUNDEB, do PRÓ-UNE, tudo isso para nós usuários da rede particular de ensino pode soar apenas como melhorias estatísticas ou se tivermos algum professor em nossa família uma melhora na renda. Para eles significa EDUCAÇÃO, em muitos casos a diferença entre ser ou não ser analfabeto.


Aumentos anuais reais do poder de compra do mínimo, a implantação nacional do Bolsa Família e sua contínua melhoria, a democratização do acesso ao crédito, seja pela queda na taxa de juros, seja pela criação e desenvolvimento de novas formas de acesso ao crédito, microcrédito e empréstimo consignado, se para nós significa tão somente um maior volume de dinheiro circulando na economia ou no caso do aumento do mínimo uma diminuição das idas aos restaurantes no final de semana pois temos mais despesas com a empregada para eles significa TUDO, RENDA, muitas vezes a diferença entre comer e passar fome.


Portanto, amigos, como se vê esse é um governo voltado verdadeiramente para todos. Sendo assim só nos resta marchar firmes, fortes e confiantes para a vitória em outubro próximo.

Aquele Abraço!

JJ

"Cuba representa os valores mais necessários para salvar a espécie humana"

O Padre Miguel D'Escoto, ex-presidente da Assembleia Geral da ONU, disse nesta terça-feira, em Santiago do Chile, que Cuba representa os valores mais importantes para salvar a espécie humana e a Mãe Terra.

Cuba, disse, significa neste mundo os valores mais importantes que se necessitam para salvar a espécie humana e a Mãe Terra do caminho que segue.


Em declarações à Prensa Latina, Escoto D 'se refere à campanha midiática global contra a Revolução Cubana.

Observa que "já estamos habituados a estas críticas", citou Santo Agostinho, no sentido de que "considere a fonte quando há uma acusação".

"O mal não pode tolerar, não pode viver com o bem. É como óleo e água", disse o ex-chanceler e atual conselheiro presidencial na Nicarágua.

"Porque Cuba, sem dúvida, é o primeiro em termos de ética, solidariedade e respeito aos direitos humanos e da democracia verdadeira", disse.

Ele acrescentou: "Fidel (Castro), nosso grande herói da solidariedade, é algo que o inimigo não tolera, porque, penso eu, lhe remove a consciência".

Mais cedo, D'Escoto - que foi presidente da 63ª Sessão da Assembléia Geral da ONU (2008-2009) - deu uma palestra na sede da capital da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), intitulada "A reinvenção das Nações Unidas".

Na ocasião, o destacado nicaragüense, levantou a necessidade de não reformar, mas de reinventar o maior fórum internacional, pois o mundo deste século é muito diferente de 64 anos atrás, quando a ONU foi fundada.

Embora reconheça alguns progressos no âmbito da ONU, disse, no entanto, caiu em descrédito ao longo dos anos e, entre outras críticas, ele citou vários exemplos de guerras protagonizadas pelos Estados Unidos.

A este respeito, D' Escoto anunciou o lançamento iminente de um novo Estatuto do Bem Comum da Mãe Terra e da Humanidade, que apresentará prevemente para aprovação pela Assembléia Geral da ONU.

Fonte: CubaDebate
Tradução: Robson Luiz Ceron - Blog Solidários.

Crise no Reino Unido leva jovens ao suicídio




Jovem comete suicídio após 200 rejeições de emprego

Jovem britânica de 21 anos suicidou-se após receber a última de cerca de 200 recusas para emprego.

Vicky Harrison, uma jovem inglesa de 21 anos, cometeu suicídio após ter recebido 200 recusas em 2 anos de buscas por emprego. A jovem inglesa, da região de Darwen, Lancashire, chegou a frequentar a universidade de South Bank durante um ano e teve notas altas no ensino secundário, as tentativas de emprego foram feitas em diversas áreas.

No dia 30 de Março, Harrison recebeu a última recusa de um infantário e no dia seguinte foi encontrada morta pelo pai. Passado um mês da tragédia, a família decidiu tornar o caso público, pretendem criar uma fundação que ajude os jovens a lidar com as dificuldades do mercado de trabalho. O desemprego atinge dois milhões e meio de jovens no Reino Unido.

Para a mãe, Louise, de 43 anos,"A Vicky era uma rapariga brilhante e inteligente que entrou em depressão por não conseguir encontrar trabalho. Estar no desemprego durante tanto tempo, parecia-lhe demasiado humilhante", "Teve tantas recusas que a sua confiança ficou afectada. Ela sentia que não tinha futuro", completou o pai.

Vicky estava entre os cerca de um milhão de jovens ingleses entre 16 e 24 anos que o governo britânico classifica como NEET, sigla utiliza para designar os jovens que não estão nem a estudar, nem a receber treinamento e sem trabalho.

Copiado de BLOG DO CAPPACETE


terça-feira, 27 de abril de 2010

TURISMO


Amigos neste feriado de Tiradentes logo cedo estava lendo os jornais e, estando o rádio ligado, por tabela, também escutava-o. Nesse processo ouço a notícia que este ano há uma previsão de déficit no turismo, por assim dizer. Nossos turistas deixarão mais dinheiro no exterior, tornando negativa a balança de transações correntes do país. O jornalista que sobre o tema discorria colocou a culpa na falta de estrutura, na desorganização e na má educação do povo em receber turistas. De imediato pensei que esse êxodo ao exterior estava ligado ao aumento no poder aquisitivo nosso nos últimos anos. Porém, ao sair para caminhar, caminhadas são boas para o pensamento, refleti melhor e considerei que a principal causa para tal fenômeno era a educação, a falta dela.


Educação e distribuição de renda são, ao longo de toda nossa história, os grandes problemas do nosso país. A completa falta de acesso à educação para muitos e a péssima qualidade do ensino para outros são motivos para nosso atraso enquanto nação, sempre a espera de um grande salto para finalmente nos igualarmos ao primeiro mundo.


Lembrei-me logo dos meus tempos de menino em bancas escolares em meados da década de setenta. Lembrei-me porque desde essa época, agora percebo, recebia uma educação digamos equivocada na forma e no conteúdo. Estávamos em pleno milagre econômico e na aula de geografia a professora nos ensinava que a nossa densidade demográfica era baixa, perto de 13 habitantes por quilômetro quadrado, enquanto a da França era de mais de trinta e três e como estávamos destinados a crescer devíamos nos multiplicar porque até espaço tínhamos, veja a Amazônia.


Esse exemplo mostra como éramos mal educados. O simples conhecimento de números, datas e eventos sem saber contextualizá-los se não nos torna analfabetos no todo nos iguala a macacos e papagaios, meros repetidores de palavras e movimentos. Einstein já nos alertava no começo do século passado para a importância da relatividade. Hoje, num mundo cada vez mais multifacetado isso ganha proporções astronômicas. O maniqueísmo esta démodé.


Dentro deste contexto aprendíamos também que tudo que vinha de fora era melhor, fosse um produto manufaturado ou arte e cultura. Um conhecido uma vez me disse que sempre ficava deprimido ao voltar para casa, pois embarcava no aeroporto Charles de Gaulle, por exemplo, e descia no Gilberto Freire, um grande personagem mundial e o outro um escritor meramente regional, segundo palavras dele. Por isso hoje ao melhorarmos de vida queremos é conhecer o mundo sem primeiro conhecermos sequer a nossa cidade.


A introdução de filosofia, do espanhol, a nova forma de se estudar geografia e história, com ênfase na nossa história e também com a inserção da história dos países “periféricos”, África e latino-américa, nos possibilitará um maior conhecimento de mundo e de pulinho em pulinho irá nos aproximar das nações mais desenvolvidas. Afinal nosso presidente é um sapo, e que sapo!

Aquele Abraço!

JJ

“A raiz da corrupção que está aí é o golpe militar de 1964”

Entrevista com Jessie Jane, em A Verdade


Jessie Jane Vieira de Sousa é professora do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) e foi diretora do Instituto de janeiro de 2006 a janeiro de 2010. Possui graduação em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestrado em História pela Universidade Estadual de Campinas e doutorado em História Social pela UFRJ.

Filha de um trabalhador mineiro, Jessie Jane se filiou à Ação Libertadora Nacional (ALN) em 1969. Na ALN conheceu Colombo e com ele viveu na clandestinidade até 1970. Ambos foram presos no dia 1º de julho de 1970, quando executavam a ação de seqüestro do Caravelle PP-PDX da Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro.

Estava com 21 anos quando foi presa e barbaramente torturada. Permaneceu nove anos na penitenciária de Bangu (Presídio Talavera Bruce). Em 1972, obteve autorização judicial para se casar e em setembro de 1976, nasceu Leta, sua filha.

Depois que saiu da cadeia foi morar em Volta Redonda, onde trabalhou construindo arquivo do movimento operário. De 1999 a 2002, exerceu o posto de diretora do Arquivo Público do Rio de Janeiro, onde estão arquivados todos os documentos do antigo DOPS. Como pesquisadora, publicou oito artigos para periódicos, escreveu dois livros, além de dez textos para jornais e revistas e o mesmo número de trabalhos para congressos. Nessa entrevista, a professora Jessie Jane fala sobre a situação atual do país e da universidade brasileira.

A Verdade – Qual a sua avaliação sobre o golpe militar de 1964 e suas consequências para o povo brasileiro?

Jessie Jane – Foi uma das coisas mais dramáticas da história do Brasil. A sociedade brasileira vivia um momento de ascensão dos movimentos sociais, avanço da esquerda, dos movimentos sociais – e o golpe interrompeu isso. Não só do ponto de vista dos processos políticos que estavam sendo gestados e que foram ceifados. As consequências aí estão colocadas: corrupção, violência, tudo isso tem a raiz ali.

A Verdade – Para a universidade, em particular, o que representou a ditadura?
Jessie – Eu não estava na universidade quando houve o golpe, mas a UFRJ viveu isso de forma grave. Por exemplo: no curso em que eu dou aula, História, vários professores foram expulsos da universidade, houve intervenção, criou-se um vazio na universidade, do ponto de vista docente, e depois veio o amordaçamento da discussão. Acho que a universidade é hoje muito mais distanciada das questões nacionais. A universidade não tem uma interlocução com a sociedade, sua presença na sociedade é quase nenhuma. Não há projetos nacionais sendo gestados, isso tudo consequência desse esvaziamento causado pelo golpe. A universidade que existia no Brasil pré-64 tinha menos jovens. Era, digamos assim, mais elitista do que é hoje. No entanto, era um espaço de disputa política muito mais ativo. Hoje, ela vive um marasmo político absoluto. Eu diria até que é um espaço do conservadorismo, principalmente na área das humanas.

A Verdade – Por que até hoje os torturadores não foram punidos no Brasil?

Jessie – Por vários motivos. Primeiro por que há uma cultura política no Brasil que é de sempre as transições virem de cima; tem um conchavo entre as elites e chega-se a um acordo; e aí tudo o que passou pertence ao passado, e o passado fica petrificado. Isso foi feito na história do Brasil inteira, e a tal da transição democrática que foi feita, foi feita com isso. Tanto é que se diz: “Quem foram os personagens da transição?”. Tancredo, até Sarney é o personagem. E aí teve um acordo sinistro na verdade, de silêncio entre os golpistas, aqueles que eram parte do golpe, a tal da oposição democrática e até setores da esquerda foram parte desse silêncio. O movimento social não conseguiu avançar, e aí já estou me referindo ao movimento de defesa dos direitos humanos. Não consegui construir forças para produzir uma nova memória, porque a memória que se produziu é uma memória de que houve uma anistia, de que todo mundo foi anistiado, o que não é verdade. Quando Lula assumiu o governo, vários setores acharam que, com ele, iríamos avançar nessa questão, mas Lula não tem nenhum compromisso com isso. Acho até que, nos últimos dois anos, até avançou um pouquinho com Tarso Genro no Ministério da Justiça e com Paulo Vannuchi na Secretaria de Direitos Humanos, mas estamos muito longe disso. Eu tenho dúvidas de se ainda vamos conseguir punir os torturadores, mas tenho esperança.

A Verdade – O que fica de lição, para o povo, da luta contra a ditadura?
Jessie – Acho que há uma coisa que é importante, principalmente para minha geração: é um pouco da questão da democracia, entendeu? A gente tinha uma ideia um pouco diferenciada sobre a discussão democrática, porque a gente sempre pensava na democracia como uma democracia literal do século 19, aquela democracia do voto que a gente chamava de democracia burguesa, e que é mesmo, né? Faz parte da revolução burguesa, essa coisa. Só que, quando você vive num regime ditatorial, quando você não tem nenhum espaço de expressão, essa democracia burguesa é importante, e conseguir isso foi importante. Porque ela amplia a possibilidade de você construir uma democracia real. Quando todos os segmentos da sociedade conseguem espaço para se organizar, para se expressar, você vai alargando, pode alargar ou não, não é um resultado inevitável. Acho que é um pouco o que o Brasil tem tentado fazer ao longo desses anos, mas nós estamos muito aquém daquilo que deveria ser uma democracia real, em que todos tivessem acesso a tudo. Mas de qualquer forma acho que a luta contra a ditadura deu algumas lições para a gente, principalmente a ideia de quanto pior, é pior mesmo, não é “quanto pior, melhor”.
A Verdade – Qual o papel da luta armada para a derrota da ditadura militar?
Jessie – Analisar a luta armada é supercomplexo, até porque você tem uma interdição da história política brasileira em discutir essas coisas, e aí um discurso pacifista sempre tenta obstruir essas possibilidades. Do ponto de vista histórico, você não tem nenhuma mudança de regime, de modelo, que não tenha sido pela luta armada. Nenhuma classe entrega o poder a outra sem haver uma revolução ou qualquer tipo de rebelião. Nunca aconteceu e provavelmente não acontecerá. O Chile tentou isso e deu no que deu. Isso é uma experiência histórica que os povos viveram e de que, até hoje, não conheço outro modelo. Se alguém conhecer, me conte, porque eu não conheço. No caso do Brasil, é preciso contextualizar a opção da luta armada naquele momento histórico. Alguém assim falando hoje parece fazer parte de um bando de lunáticos que resolveram… Bem, mas penso que a luta armada tem, teve um papel na luta contra a ditadura, mesmo que seja um papel de exemplo.

A Verdade – Este ano foi divulgado um encontro em que o general Médici, à época presidente do Brasil, e o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, discutiram a derrubada do governo [do presidente chileno Salvador] Allende, em 1973. Em junho do ano passado, houve um golpe militar em Honduras e muitos acreditam na participação dos Estados Unidos nesse episódio. Como vê a participação dos EUA nos golpes militares na América Latina?
Jessie – Bom, isso tudo está documentado. É documentação do Departamento de Estado, não sou eu que estou dizendo. Hoje se conhece toda a intervenção de fato dos Estados Unidos. Inclusive um colega meu da [cadeira de] História, o Carlos Fico, acabou de lançar um livro que se chama O grande irmão: da Operação Brother Sam aos anos de chumbo, que contém documentação do Departamento de Estado que mostra a presença dos Estados Unidos na articulação do golpe no Brasil, no Chile. Está mais do que documentado. Então esses golpes todos, na América Latina, desde os anos 1950, e as intervenções na América Central, a presença do governo americano… O problema dos Estados Unidos é que, quando está falando de governo norte-americano, você está falando de empresas, porque aquilo é um Estado empresarial, de interesses econômicos, políticos e ideológicos, e, naquele momento, no contexto da Guerra Fria. Hoje também há a presença dos Estados Unidos, porque se sabe que o governo Obama é um governo dividido. Há grandes personagens do Departamento de Estado que têm empresas em Honduras. Há um artigo muito interessante que saiu no Le Monde Diplomatique falando sobre isso. Que as empresas, essas empresas bananeiras todas são de americanos, gente do Departamento de Estado. E tem mais um outro detalhe, que é o seguinte: há hoje na América Latina um desequilíbrio, digamos assim, na correlação de forças, porque há governos, não vou dizer governos de esquerda, mas governos mais populares ou mesmo que ficam do centro para esquerda em quase todos os países. Na América Central você tem agora El Salvador, a Guatemala… tem esse Zelaya, que não é nenhuma flor que se cheire, mas pelo menos é um dissidente da oligarquia. E o Le Monde Diplomatique fazia uma análise muito interessante, mostrando que o golpe militar em Honduras era um balão de ensaio desses setores dos falcões americanos com setores conservadores latino-americanos, dizendo “olha, se der certo quem sabe poderemos fazer isso em outros lugares”. Por isso eu acho que a reação do Hugo Chávez é importante porque ele sabe disso: está a Venezuela ali, a Colômbia que os americanos apoiam estão ali… Na verdade, é a questão da geopolítica. As pessoas são muito ingênuas nisso. Esses setores empresariais americanos têm uma estratégia ao lado dos setores conservadores, e não é à toa que se vê como os jornais burgueses tratam isso. Está havendo um rearranjo da direita latino-americana. E daqui a pouco começam as eleições, e eles estão se rearranjando. Essa gente tem projeto, tem estratégia, e essa é sempre uma estratégia continental.

A Verdade – Que papel pode cumprir a universidade na conquista de uma nova sociedade?
Jessie – Hoje? Nenhum. Os estudantes discutem questões muito pontuais. Mesmo esses estudantes da chamada extrema-esquerda são muito míopes, não têm uma plataforma de discussão de Brasil. É tudo muito primário, se resume em lutas quase que intestinas, eles não têm uma representação na massa estudantil. A maioria dos estudantes, hoje, chega aqui, estuda e vai para casa, e quer seu diploma para poder subir na vida. Não se tem um movimento de professores que tenha discussão além do corporativo – ou então cada um com seu projeto de pesquisa. Os funcionários são só corporação, só discussão de direitos. Deveres? Nenhum. Acho que nesse momento a única coisa que você pode fazer é formar bem seu aluno para ele ser um bom professor.
A Verdade – Como vê a atual situação do Brasil?

Jessie – De forma muito pessimista. Acho que os movimentos sociais estão quase todos cooptados pelo governo federal, uma central sindical absolutamente chapa-branca; uma coisa que o governo Lula fez, a despeito de todas as coisas boas que foram feitas – e reconheço que o governo Lula é muito melhor do que o governo Fernando Henrique, evidente. Mas houve no governo Lula um esvaziamento enorme dos movimentos sociais. Hoje existe uma cooptação clara e evidente de lideranças de movimentos. Não vejo nenhuma autonomia nos movimentos sociais. Quem ainda tenta fazer algum discurso autônomo, mesmo assim muito fraco, é o MST, que está sendo criminalizado. Também o MST me parece que está, um pouco, vivendo assim sem rumo. Do ponto de vista sindical, o que vejo é uma coisa corporativa, esvaziada de conteúdos políticos mais relevantes, cooptação das centrais. A CUT é uma central chapa-branca. O resto já era mesmo. Um movimento estudantil também chapa-branca. Essas organizações que se opõem à UNE também não conseguem ter um discurso que pegue. Eu vejo aqui, os meninos vêm aqui dizer um monte de abobrinhas, é uma coisa monocórdia, uma coisa que não tem consequência porque, para poder atingir o conjunto dos estudantes, é preciso uma fala que tenha a ver com a vida das pessoas, não adianta querer… Então, eu vejo o Brasil, hoje, com muitos problemas. Diferente, por exemplo, de um país como a Bolívia, que tem uma tradição de participação, de demandas, nós somos uma sociedade hoje muito acomodada nos nossos índices de país em desenvolvimento.

By: Gabriela Gonçalves Cardoso

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