LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

A África ainda está a ser saqueada


Publicado no Cidadã do Mundo

por Patrick Bond [*]


As próprias elites do continente, juntamente com o Ocidente e agora a China, continuam a tornar os africanos cada vez mais pobres graças à extracção de matérias-primas. O reinvestimento é desprezível e os preços, royalties e impostos pagos são inadequados para compensar a drenagem da riqueza natural da África. Campanhas anti-extracção por parte da sociedade (in)civil são a única esperança para uma reversão destas relações neocoloniais.

Embora seja fácil provar, utilizando até o principal estudo do Banco Mundial da economia dos recursos naturais, aparentemente a alegação de saqueio é controversa. Quando eu a fiz durante uma entrevista à Canadian Broadcasting Corporation (CBC) na semana passada, o economista chefe do Banco Mundial para a África, Shanta Devarajan, imediatamente contraditou-me, afirmando (duas vezes) que não tenho o domínio dos "factos".

Eis como foi:
Patrick Bond: A África sofre neocolonialismo e isto significa que a tendência básica de exportar matérias-primas, produtos agrícolas, minerais, petróleo, ficou pior. E isto realmente deixou a África mais pobre por pessoa em grande parte do continente do que no momento da independência. A ideia de que há crescimento firme em África é muito enganosa e representa realmente o abuso de conceitos económicos por parte de políticos, de economistas, que excluem a sociedade e o ambiente. E é sobretudo um mito, porque, na realidade, com a extracção de recursos não renováveis eles nunca estarão disponíveis para gerações futuras. E há muito pouco reinvestimento e muito pouca ampliação da economia para um projecto industrial ou mesmo uma economia de serviços.

CBC: Sr. Devarajan, como responderia a este ponto de vista?

Shanta Devarajan: Primeiro, quero corrigir um dos factos, o qual é que o continente não está mais pobre por pessoas. O PIB per capita não está mais baixo hoje do que estava dez a quinze anos atrás. De facto, está consideravelmente mais alto.
Aqui, Devarajan maltrata a discussão acerca pobreza africana utilizando a medida do Produto Interno Bruto (PIB), apesar de alguns segundos antes eu haver advertido contra isso. As economias africanas sofrem distorções extremas provocadas pela exportação de minerais, petróleo e madeira de lei insubstituíveis. Se ele fosse honesto, Devarajan confessaria que o PIB calcula tais exportações como um processo unicamente positivo (um crédito), sem um débito correspondente na contabilidade do capital natural de um país.

Procurando uma contabilidade da riqueza menos enviesada – isto é, levando em conta a sociedade e o ambiente de modo a calcular as 'poupanças genuínas' de um país de ano para ano – descobrimos que a África fica progressivamente mais pobre. Isto foi demonstrado mesmo no próprio livro do Banco Mundial, Where is the Wealth of Nations?, publicado há quatro anos (e ainda disponível no sítio web do banco).

Segundo os autores do livro, "Poupanças genuínas proporcionam um indicador de sustentabilidade muito mais amplo ao avaliar mudanças nos recursos naturais, qualidade ambiental e capital humano, além da medida tradicional das mudanças nos activos produzidos. Genuínas taxas de poupança negativas implicam que a riqueza total está em declínio".

Os investigadores são cautelosos nas suas suposições, mas uma vez que consideram a sociedade e o ambiente do mais populoso país da África, a Nigéria, caem de um PIB per capita de US$297 em 2000 para US$210 negativo em poupanças genuínas, principalmente porque o valor do petróleo extraído foi subtraído da sua riqueza líquida.

Mesmo o país africano mais industrializado, a África do Sul, sofre da maldição dos recursos: ao invés de um PIB per capita de US$2847 em 2000, o modo mais razoável de medir riqueza resulta em poupanças genuínas a declinarem para US$2 negativos por pessoa naquele ano. A partir de 2001, o problema tornou-se ainda mais agudo graças à remoção das maiores corporações da Bolsa de Valores de Johannesburg, a qual acrescentava não apenas a produção de riqueza mineral como também de lucros e dividendos que em anos anteriores teriam sido retidos na África do Sul.

(O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, aprovou estas políticas e ele ainda está a afrouxar controles de câmbio, permitindo portanto ainda mais saída de riqueza. Foi à altura da incompetência das Nações Unidas, ou da ironia, que na semana passada Zuma tenha sido nomeado como co-presidente do novo painel de sustentabilidade global de Ban Ki-moon, "encarregado de descobrir caminhos para retirar o povo da pobreza enquanto cuida das alterações climáticas e de assegurar que o desenvolvimento económico é ambientalmente amistoso". E depois de fracassar a cimeira climática das Nações Unidas em Cancun, em Dezembro de 2010, um ano mais tarde Zuma hospedará a sequência em Johannesburg do Protocolo de Quioto, cujos objectivos de redução de emissões em 5% expiram em 2012. O que se pode esperar? Devendo favores ao capital mineiro/fundidor, com o seu filho e sobrinho a procurarem o status de magnatas da mineração, Zuma assinou o Acordo de Copenhagen em Dezembro último. Mas isto confirmou principalmente que a sua família vulnerável ao clima na Zululandia rural sofrerá de modo a que accionistas da BHP Biliton e Anglo American de Melbourne e Londres possam continuar a receber a electricidade mais barata do mundo, das centrais termoeléctricas a carvão em rápida expansão na África do Sul. De modo que ficam advertidos). [NR]

Como os preços das commodities aumentaram entre 2002 e 2008, o fluxo de saída de riqueza foi ampliado. Mas desde a data de independência de muitos países nas últimas cinco décadas, a história é a mesma: a África está a ser saqueada de um modo que mesmo a equipe de ambiente do Banco Mundial reconhece, ainda que Devarajan tenha ignorado a sua investigação. Portanto é enganoso Devarajan contradizer minha afirmação de que os africanos estão a ficar mais pobres.

A entrevista voltou-se então para políticas públicas associadas ao saqueio da África.

CBC: O Banco Mundial foi muito criticado pelos seus programas de ajustamento estrutural. E isto acontece quando o Banco Mundial oferece empréstimos sem juros mas eles são condicionados a algumas medidas de austeridade tão severas que algumas pessoas dizem poderem ser contraproducentes porque mais prejudicam do que ajudam as economias em causa. E vocês têm sido criticados, nomeadamente por economistas como Patrick Bond, e eu gostaria de ouvi-lo mais uma vez falar-nos sobre isso.

Patrick Bond: O Banco Mundial e também o Fundo Monetário Internacional enganaram-nos, em 2008-2009, porque pareciam afastar a sua ideologia de uma agenda empedernida de promover mercados acima de tudo o mais. E por um momento parecia que estavam a promover défices governamentais e uma estratégia keynesiana: o governo deveria intervir quando o sector privado falhasse. Mas agora parece tudo de volta aos negócios de sempre, nomeadamente orientação para a exportação e austeridade. E o Banco Mundial, conduzido pelo presidente Robert Zoellick que veio da administração Bush – ele trabalhou para a Enron e para a Goldman Sachs –, com esta espécie de liderança e a orientação favorável ao Norte e a mentalidade de banqueiro, significa que o único caminho de avanço é afastarmo-nos destas instituições, talvez incumprir a sua dívida, chutá-los para fora do país. E a América Latina proporciona um bom modelo de como fazer ambas as coisas.
CBC: E de facto alguns países latino-americanos, como a Argentina, disseram com êxito a instituições como a sua e o FMI para caírem fora e de facto acabaram por sair-se muito bem. Então, como é que você responde a alguém como Patrick Bond?

Shanta Devarajan: Oh, penso mais uma vez que temos de olhar os factos. Não há dúvida de que as políticas de ajustamento estrutural da década de 1980 e do princípio da de 1990 foram muito criticadas. Mas então ponha a questão: 'o que mudou?' Como estava a dizer, o crescimento acelerou-se desde a década de 1990. Não podemos esconder este facto. E você vê o que mudou. E é que estes países adoptaram exactamente as políticas do Consenso de Washington em meados da década de 90, os países africanos. A diferença é que fizeram isto a partir da sua própria vontade, a partir do consenso político interno, ao invés de imposições de Washington ou Paris ou Londres. E penso que é o ponto que as pessoas não estão a reconhecer, que as políticas reais que estão a gerar o crescimento são realmente muito semelhantes ao que era criticado na era do ajustamento estrutural.
Repito outra vez: o crescimento do PIB africano pode ter acelerado quando os preços das commodites subiram, mas a África tornou-se mais pobre uma vez que calculemos o efeito de riqueza líquida e poupanças genuínas. Devarajan não pode esconder este facto.

Clique a imagem para encomendar. Disfarçar isto dizendo que o ajustamento estrutural não funcionou antes de meados dos anos 90 porque foi 'imposto' pelos colegas de Devarajan, mas funcionou depois disso porque foi adoptado através de um 'consenso político interno', é a mais bizarra afirmação que já ouvi acerca da macroeconomia africana. Nunca houve um consenso político para ajustar estruturalmente a África, além do problema permanente de elites não patrióticas que estão mais estreitamente aliadas a Washington, Paris, Londres, Bruxelas e Pequim do que aos seus povos — um problema para o qual Frantz Fanon chamou a nossa atenção com eloquência no seu livro Os condenados da terra, ( Les damnés de la terre ) de 1961.

O relatório de 2006 do Banco Mundial menciona uma conclusão política óbvia, aprendida de um país com recursos petrolíferos que não se tornou vítima da maldição dos recursos: "A Noruega utilizou os fluxos de receitas de energia e emissões de gases com efeito de estufa para uma política que muitos países estão a considerar: mudar a estrutura fiscal para aumentar impostos sobre emissões e utilização de recursos".

Mas a liberalização imposta empréstimos do Banco Mundial faz precisamente o oposto. Isto é a espécie de esquizofrenia que temos de esperar de investigadores do Banco que chegam a conclusões de senso comum, tais como a de que a extracção de recursos da África deixa o continente mais pobre. Mas não é de surpreender que Devarajan e o pessoal operacional do Banco Mundial fujam quando se conta, em entrevista com jornalistas crédulos como Mike Finnerty da CBC (que falhou diante das mentiras grosseiras de Devarajan) e quando impõem políticas neoliberais às desgraçadas elites africanas.

Neste contexto, os únicos sinais encorajadores são a miríade de desafios a indústrias extractivas por parte de activistas que muitas vezes colocam seus corpos em riscos em sítios de constante violência estatal e corporativo como o Leste da República Democrática do Congo onde observadores de direitos humanos lutam para documentar uma história de assassínio em massa que se eleva talvez a 5 milhões relacionada com a extracção de recursos – em empresas como as minas de diamante de Marange do Zimbabwe, os campos de platina do Limpopo e da província Noroeste da África do Sul e as praias ricas em titânio de Xolobeni do Cabo Leste, os riachos encharcados em petróleo do Delta do Niger e os campos de petróleo do Chad, as plantações liberianas da Firestone, as barragens do Lesotho que abastecem os consumidores de água de Johannesburg e outras zonas deslocamento por barragens incluindo Gibe na Etiópia, Mphanda Nkuwa em Moçambique e Bujagali no Uganda, para mencionar apenas umas poucas.

Como se pode esperar que os responsáveis do Banco Mundial continuem a ignorar a sua própria investigação e portanto continuar a promover exportações de recursos não renováveis; como este sistema adequa-se às corporações multinacionais e agências doadoras e como as elites africanas continuarão a seguir este conselho (muitas vezes com incentivos de suborno como foi o caso do Congresso Nacional Africano da controvérsia da central eléctrica de Medupi, financiada pelo maior empréstimo de projecto do Banco, US$3,75 mil milhões, em Abril de 2010), a África continuará a ficar progressivamente mais pobre.

As redes da sociedade civil africana que promovem o "publique o que você paga" e outros artifícios para a transparência, participação e direitos humanos deveriam finalmente chegar à percepção de que este sistema de saqueio não está em vias de ser reformado sob o equilíbrio de poder em vigor e que é necessária resistência à extracção muito mais vigorosa – e está a caminho.

17/Agosto/2010

[NR] O autor comete dois erros neste parágrafo. O primeiro é a crença ingénua na impostura do aquecimento global . O segundo, consequência do primeiro, é a sua condenação de novas centrais termoeléctricas a carvão na África do Sul. Este último erro mostra as consequências práticas da teoria mistificatória do aquecimentismo global . O carvão, na verdade, é o combustível ideal para centrais termoeléctricas pois é o que existe em maior abundância no planeta. Neste momento em que o mundo atinge o Pico Petrolífero, o carvão constitui a melhor alternativa possível para a produção termoeléctrica. É absurdo portanto consumir refinados de petróleo para essa finalidade. Igualmente absurdo é desperdiçar gás natural – um combustível demasiado bom e demasiado precioso – só para produzir electricidade.


[*] Director do Centre for Civil Society da Universidade de KwaZulu-Natal – http://www.ukzn.ac.za/ccs . A partir de Setembro estará em licença sabática na Universidade da Califórnia/Berkeley, Departamento de Geografia. Email: pbond@mail.ngo.za

O original encontra-se em http://www.counterpunch.org/bond08172010.html

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Crise nos EUA: Como é de perto o colapso do império

Publicado no Vermelho

No momento em que entramos no nono ano da Guerra do Afeganistão com uma tropa reforçada e continuamos a ocupar o Iraque indefinidamente e alimentamos o Estado de Vigilância sem fim, notícias tem surgido de que a Comissão do Déficit Público está trabalhando num plano para cortar benefícios da Previdência Social, do Medicare [programa de atendimento aos idosos] e até mesmo no congelamento dos salários dos militares.

Por Glenn Greenwald, no Salon

Mas um artigo do New York Times ilustra vividamente com o que se parece um império em colapso, ao mostrar os tipos de cortes de orçamento que cidades de todo o país tem sido forçadas a fazer. Aqui vão alguns exemplos:

Muitas empresas e negócios congelaram as contratações de funcionários este ano, mas o estado do Havaí foi além — congelou os estudantes. As escolas públicas de todo o estado ficaram fechadas em 17 sextas-feiras do mais recente ano escolar, dando aos estudantes o ano acadêmico mais curto do país.

Muitos sistemas de transporte público reduziram serviços para cortar gastos, mas o condado de Clayton, na Geórgia, um subúrbio de Atlanta, adotou o corte total e acabou com todo o sistema público de ônibus. Os últimos ônibus circularam no dia 31 de março, deixando sem transporte 8.400 usuários por dia.

Mesmo a segurança pública não ficou imune ao facão no orçamento. Em Colorado Springs, a crise vai ser lembrada, literalmente, como a idade da escuridão: a cidade apagou um terço dos 24.512 postes de rua para economizar dinheiro em eletricidade, além de reduzir a força policial e vender os helicópteros da polícia.

Há algumas ótimas fotos acompanhando o artigo, inclusive uma mostrando como fica uma rua do Colorado na escuridão causada pelo corte de energia. Enquanto isso, a pequena porção dos mais ricos — aqueles que causaram nossos problemas — continua a se dar bem. Vamos relembrar o que o ex-economista chefe do Fundo Monetário Internacional escreveu na revista Atlantic sobre o que acontece em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento quando surge uma crise financeira causada pela elite:

“Apertar os oligarcas, no entanto, é poucas vezes a escolha dos governos de países emergentes. Ao contrário: no início da crise, os oligarcas são normalmente os primeiros a conseguir ajuda-extra do governo, como acesso preferencial a moedas estrangeiras ou talvez um corte de impostos ou — aqui vai uma técnica clássica do Kremlin — a assunção pelo governo de obrigações de dívidas privadas. Sob pressão, a generosidade para com os amigos assume formas inovadoras. Enquanto isso, se é preciso apertar alguém, a maior parte dos governos de países emergentes primeiro olha para as pessoas comuns — pelo menos até que os protestos se tornem grandes demais”.

A questão real é se o público estadunidense é muito apático e treinado em submissão para que isso aconteça aqui.

Nota: É também importante considerar um artigo publicado no Wall St. Journal no mês passado — com o subtítulo “De volta à Idade da Pedra”– no qual é descrito como “estradas pavimentadas, emblemas históricos de conquistas dos Estados Unidos, estão sendo desmanteladas em regiões rurais do país e substituídas por estradas de cascalho ou outros pavimentos, já que os condados enfrentam orçamentos apertados e não há verbas estaduais ou federais”.

O estado de Utah está considerando seriamente eliminar um ano da escola secundária ou torná-lo opcional. E foi anunciado esta semana que “Camden [Nova Jersey] está se preparando para fechar definitivamente seu sistema de bibliotecas até o final do ano, potencialmente deixando os residentes da cidade entre os poucos dos Estados Unidos sem condições de emprestar um livro de graça.”

Alguém duvida que quando uma sociedade não pode mais pagar por escolas, transporte, estradas asfaltadas, bibliotecas e iluminação pública — ou quando escolhe que não pode pagar por isso em busca de prioridades imperiais ou a manutenção de um Estado de Segurança e Vigilância Nacional — um grande problema surgiu, que as coisas desandaram, que o colapso imperial, por definição, é algo inevitavelmente iminente? De qualquer forma, eu apenas queria deixá-los com alguma luz e pensamentos positivos para o fim-de-semana.

Fonte: Vi o Mundo

Igreja Ateísta no Domingo de Manhã

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Marinaleda: um outro mundo é possível, sim!


Publicado no blog do GILSON SAMPAIO

GilsonSampaio

Utopia?

Marinaleda desafia àqueles que se recusam a sonhar com um outro mundo possível e mais justo.

Taí uma realidade que o MST, MPA e outros movimentos sociais que lutam pelo direito de viver do que a terra dá, poderiam tomar como modelo. Não deixem de visitar o Sítio web oficial de Marinaleda para ver outros vídeos.

Via Resistir.info

Uma aldeia andaluza

por Mohamed Belaali





"Avenida da Liberdade", "Rua Ernesto Che Guevara", "Praça Salvador Allende, "Paz, Pão e Trabalho", "Desliga a TV, acende a tua mente", "Uma utopia rumo à Paz", etc são os nomes de ruas, de praças e dos slogans de uma aldeia andaluza não longe de Córdoba e de Sevilha que o visitante estrangeiro descobre no fim de uma estrada sinuosa em meio a campos de oliveiras, de trigo cortado e seco ao sol.

A rua principal da pequena aldeia com cerca de 3000 habitantes conduz directamente ao ayuntamiento dirigido por Juan Manuel Sánchez Gordillo, que ganhou todas as eleições por uma ampla maioria e isto desde há mais de trinta anos.

Juan Manuel é um homem simples que recebe os visitantes no seu gabinete, que ostenta um grande retrato de Ernesto Che Guevara, espontaneamente e naturalmente sem agendamento nem protocolo. Ele não hesita em deixar o seu gabinete para mostrar as casas brancas situadas em frente ao edifício e construídas colectivamente pelos próprios habitantes em terras oferecidas quase gratuitamente (15,52 euros por mês) pela comuna. Esta põe igualmente à sua disposição a ajuda de um arquitecto e de um mestre-de-obras. A região contribui com o grosso do material de construção. Promotores imobiliários, especuladores e outros parasitas não têm aqui lugar. A habitação deixa assim de ser uma mercadoria e torna-se um direito.

Juan Manuel fala com entusiasmo e orgulho das numerosas realizações dos habitantes do seu município, com números e gráficos para confirmar.

O empregado do café "La Oficina", um pouco afastado do ayuntamiento, relativiza um pouco as afirmações daquele dirigente mas confirma, no essencial, os avanços sociais da aldeia, nomeadamente a concessão dos terrenos àquelas e àqueles que precisam de uma habitação, primeira preocupação dos espanhóis. Ele confirma também a ausência total da polícia, símbolo da repressão estatal. Com efeito, os habitantes não experimentam qualquer necessidade de recorrer aos seus "serviços". Aqui os problemas de criminalidade, de delinquência, de vandalismo, etc estão ausentes. Eles pensam gerir e resolver eles próprios os problemas que possam surgir entre si. De qualquer forma, desde a partida para a reforma do último polícia, não consideraram útil substituí-lo.

Frente ao "La Oficina" ergue-se um edifício sobre o qual se pode ler "Sindicato de Obreros del Campo" e "Casa da Cultura". Mas esta grande sala serve igualmente como café, bar e restaurante. É um lugar de inter-relacionamento, debates, festa e convivialidade. É ali também que se encontram, a partir da madrugada, os trabalhadores agrícolas para um pequeno-almoço colectivo antes de partirem juntos para uma jornada de trabalho de 6h30 nos campo de "El Humoso", a 11 quilómetros da aldeia.

Esta terra andaluza, hoje trabalhada colectivamente, é testemunha de um passado carregado de acções, ocupações, manifestações, greves, marchas e processos nos tribunais. E é graças a esta luta muito dura e realmente popular que esta terra (1200 hectares) foi arrancada a um aristocrata da região, o Duque do Infantado. Nesta Andaluzia profunda as mulheres, apesar dos pesos sociais e dos preconceitos, desempenharam um papel determinante neste combate para que a terra pertença àquelas e àqueles que a trabalham.
Hoje "estas terras não são a propriedade de ninguém e sim de toda a comunidade de trabalhadores", como dizem os habitantes da aldeia.

Mas para estes operários, não se trata apenas de recuperar as terras, mas também de construir "um projecto colectivo no qual um dos objectivos é a criação de empregos e a realização da justiça social".

Foi assim que nasceu o conjunto das cooperativas que produzem e distribuem uma série de produtos agrícolas de grande qualidade que exigem ao mesmo tempo uma mão-de-obra abundante: azeite, conservas de alcachofras, pimentão vermelho, favas, etc. Os produtores directos destas riquezas trabalham de 2ª feira a sábado com um remuneração diária de 47 euros, qualquer que seja o seu posto o seu estatuto. O excedente que resta é re-investido na empresa comum na esperança de criar mais empregos e permitir assim que todos trabalhem conforme o seu projecto colectivo. Eles tentam por a economia ao serviço do homem e não ao serviço do lucro. O desemprego aqui é quase inexistente, ao passo que ultrapassa os 25% da população activa na Andaluzia e 20% em toda a Espanha!

Em "El Humoso" as operárias e os operários falam com uma certa emoção da sua cooperativa, do seu trabalho, dos seus produtos, da solidariedade e da convivialidade que reinam entre eles. Mas evocam igualmente o temor de ver a sua unidade estalar por causa dos seus inimigos que pensam ser numerosos na região e mesmo em toda Espanha. Nos seus relatos revela-se muita convicção e muita humanidade.

Manolo, um operário da cooperativa, fala com carinho, como se se tratasse de uma pessoa, da máquina de extrair o azeite da azeitona, de que ele cuida. Não hesita em explicar o seu funcionamento, a manutenção de que precisa, etc a todos os visitantes. Fala igualmente com respeito do seu companheiro de luta, o presidente Juan Manuel que considera como "el ultimo" desta categoria de homens capazes de arrostar um tal desafio e de conjugar num mesmo movimento pensamento e prática. Manolo evoca também a vida ascética do autarca da aldeia, as prisões e as perseguições judiciais que sofreu e o atentado do qual escapou. Com insistência, Manolo convida o visitante a retornar à cooperativa no mês de Dezembro ou Janeiro para admirar o trabalho de extracção do azeite.

Mas na aldeia não há nem hotel nem pensão para uma eventual estadia. Entretanto, a municipalidade põe graciosamente à disposição dos visitantes pavilhões os quais podem igualmente, se quiserem, partilhar o alojamento de alguns habitantes por uma quantia simbólica como em casa de António na avenida principal da aldeia. António acolhe calorosamente seus convidados com os quais gosta de falar da originalidade da sua aldeia e parece feliz por viver ali: "agora, dizia ele, vivemos em harmonia aqui".

Vivem igualmente em harmonia com os habitantes da aldeia os trabalhadores imigrdos, também eles contratados pela cooperativa de "El Humoso". Segundo diz o empregado do café da delegação sindical estes homens e mulheres fazem parte integrante da comunidade dos trabalhadores e participam como os outros nas decisões tomadas em assembleias-gerais. Com efeito, estas famosas assembleias fazem-se numa grande sala junto à delegação sindical onde ao lado das cadeiras brancas de plástico há toda espécie de louça e de toalhas armazenadas, provavelmente à espera de uma próxima festa popular. A sala é também ornamentada por um imenso e esplêndido quadro no qual se podem ver homens e mulheres em linhas cerradas antecedidos por dois homens e uma mulher com uma criança nos braços, todos a marcharem para a mesma direcção. "Hoje às 20h30, assembleia-geral na delegação sindical", diz a menagem difundida incansavelmente por uma camioneta que percorre todas as ruas da aldeia, convidando os habitantes à reunião para decidir os seus assuntos.

Eles organizam também os chamados "Domingos vermelhos" em que voluntários encarregam-se gratuitamente, entre outras coisas, de limpar e embelezar a sua comuna: manutenção dos passeios e jardins públicos, plantação de árvores, etc. A aldeia é não só uma das mais seguras como também a mais limpa da região!

A aldeia é relativamente rica em equipamentos colectivos em comparação com as comunas vizinhas. Os habitantes podem banhar-se durante todo o Verão na piscina municipal pela módica quantia de três euros. O infantário para crianças não lhes custa senão 12 euros por mês, refeições incluídas. O complexo desportivo "Ernesto Che Guevara", bem conservado, permite-lhes que pratiquem vários desportos como futebol, ténis ou atletismo.

Durante o Verão, os habitantes assistem regularmente à projecção de filmes ao ar livre no parque natural. Debates, conferências, filmes e apoio aos povos oprimidos, nomeadamente aqueles que estão injustamente privados do seu território, fazem parte da vida cultural e política da aldeia. Juan Manuel usa muitas vezes, ostensivamente, o lenço palestino.
O desporto, a cultura, as festas etc são direitos abertos a todos, tal como o trabalho e a habitação. O desenvolvimento tanto material como intelectual de cada indivíduo é, aqui, a condição do desenvolvimento de todos.

Vá a Marinaleda ver e verificar a realidade desta "utopia". Vá ao encontro destes homens e destas mulheres admiráveis que conseguiram construir, graças ao seu trabalho diário e às suas convicções – e em meio a um oceano de injustiças, desgraças e servidão – uma sociedade diferente. O capitalismo, pelas suas crises repetitivas e o perigo que representa para o homem e a natureza, não tem futuro. O exemplo concreto e com êxito de Marinaleda mostra que uma outra sociedade é possível.

22/Agosto/2010

Ver também:

  • segunda-feira, 23 de agosto de 2010

    Dom Hélder Câmara


    “... quando dou pão aos pobres,

    chamam-me de santo, quando

    pergunto pelas causas da pobreza,

    me chamam de comunista.”...

    (Dom Hélder Câmara)

    O maravilhoso prazer de encharcar os miolos

    (Boteco, de Di Cavalcanti)

    "E então, um dia, já velha,

    descobri o maravilhoso prazer de encharcar os miolos, e,

    para isso, nada como ter alguma coisa como pretexto,

    nem que seja o seu tosco nascimento."

    (Ariela Boaventura)

    MST


    "Eu suplico aos deuses e aos demônios

    que protejam o MST e a toda sua linda gente,

    que comete a loucura de querer trabalhar,

    neste mundo onde o trabalho merece castigo."

    (Eduardo Galeano)

    O ÁLCOOL


    “O álcool!

    Suprimam-no e adeus código, adeus júri, adeus paixões!

    Na conta corrente do Crime seu débito é tremendo.

    Mas que lindo saldo tem na conta corrente do Sonho!

    Suprimam-no e a tristeza da vida aumentará.

    Ninguém calculou ainda a soma de momentos felizes, de sonhos róseos, de êxtases

    que borbotaram do seio das garrafas.”

    (Monteiro Lobato)

    domingo, 22 de agosto de 2010

    Embebede-se


    “Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei:

    embebede-se.

    E se ele me disser que seu fígado sofre com isso, respondo:

    o que é o seu fígado?

    É uma coisa morta que vive enquanto você vive,

    e os poemas que escrever vivem sem enquanto.”

    (Fernando Pessoa).

    LULA FALA AOS INTERNAUTAS

    sábado, 21 de agosto de 2010

    70 anos da morte de Trótski


    Publicado no COM TEXTO LIVRE

    “Mas sejam quais forem as circunstâncias da minha morte, morrerei com fé inabalável no futuro comunista da humanidade. Esta fé no homem e no futuro me dá, mesmo agora, uma força que religião nenhuma me poderia dar.”

    Leon Trótski (Ianovka, 7 de novembro de 1879 — Coyoacán, 21 de agosto de 1940) foi um intelectual marxista e revolucionário bolchevique, fundador do Exército Vermelho e rival de Stalin na tomada do PCUS à morte de Lenin.

    Seu nome em ucraniano é Лев Давидович Троцький, que pode ser transliterado como Lev Davidóvitch Trótskii. Todavia, seu verdadeiro sobrenome era Bronstein (Бронштейн). Pelo calendário juliano, utilizado nos países de tradição ortodoxa, nasceu em 26 de outubro de 1879.

    Nos primeiros tempos da União Soviética desempenhou um importante papel político, primeiro como Comissário do Povo (Ministro) para os Negócios Estrangeiros; posteriormente como criador e comandante do Exército Vermelho, e fundador e membro do Politburo do Partido Comunista da União Soviética.

    Afastado por Stalin do controle do partido, Trótski foi expulso deste e exilado da União Soviética, refugiando-se no México, onde veio a ser assassinado por Ramón Mercader, um agente de Stalin. As suas ideias políticas, expostas numa obra escrita de grande extensão, deram origem ao trotskismo, corrente ainda hoje importante no marxismo.

    Após a Revolução de 1917, passou a defender também que a revolução socialista era um processo mundial e que a Revolução Russa necessitaria continuar a desenrolar-se numa arena mundial, no âmbito de uma perspectiva internacionalista que contrastava claramente com a política estalinista do "socialismo num só país". Defendeu a rápida industrialização da economia e o abandono da NEP (Nova Política Econômica) de Lenin, quando Stalin e o teórico Bukharin defendiam a industrialização gradual e a manutenção daquela política. A dissidência no interior do Partido vem a público quando Trótski publica, em 1924, um prefácio à edição dos seus escritos de 1917, As Lições de Outubro, criticando a falta de estratégia revolucionária de Stalin e da Direção do Comintern na direção do levante alemão de 1923, e compara suas atitudes com a indecisão demonstrada por Kamenev e Zinoviev às vésperas da Revolução de Outubro. Estas discordâncias abertas afastam politicamente Trótski de Stalin, culminando na sua expulsão do partido a 12 de novembro de 1927, o exílio em Alma Ata (hoje Altana), na então República Socialista Soviética do Cazaquistão, a 31 de janeiro de 1928, e finalmente a expulsão da União Soviética em 1929. Ainda em julho desse ano, começa a publicar um boletim mensal da oposição, que continuaria a ser publicado e contrabandeado para o território soviético durante todo o seu exílio .

    Ironicamente, afastado Trótski, Stalin vira-se contra Bukharin e acaba por apropriar-se de muitos dos preceitos da política econômica enunciados por Trótski, implementando-a, todavia, de uma forma criticada por uma grande maioria, como exageradamente violenta e autoritária. Tal "virada à Esquerda" de Stalin, no entanto, fez muito para privar a Oposição de Esquerda de grande parte dos seus partidários na URSS, que acabam por aderir a Stalin, que consideram estar realizando na prática o programa da oposição, nomeadamente o economista Ievguêni Preobrajenski e o antigo chefe de governo da Ucrânia soviética e amigo pessoal de Trótski desde a época de sua estadia nos Bálcãs, o socialista romeno de etnia búlgara Christian Rakovski - que, juntamente com a imensa maioria dos antigos trotskistas, haveriam de perecer nas Grandes Purgas dos anos 1930.

    Trótski com Frida Khalo, com quem teve breve ligação

    Após a deportação, Trótski passou pela Turquia, França (julho de 1933 a junho de 1935) e Noruega (junho de 1935 a setembro de 1936), fixando-se finalmente no México, a convite do pintor Diego Rivera, vivendo temporariamente em casa deste e mais tarde em casa da esposa de Rivera, a pintora Frida Kahlo.

    A 3 de setembro de 1938, numa reunião com 25 delegados de 11 países, Trótski e seus seguidores fundam a Quarta Internacional, como alternativa à Terceira Internacional estalinista. Trótski tinha entrado entretanto em conflito com Diego Rivera - numa disputa que tinha tanto a ver com as pretensões políticas de Rivera no movimento trotskista, que Trótski desfavorecia, quanto com a breve ligação de Trótski com Frida Kahlo - e mudara-se em 1939 para uma casa própria no bairro de Coyoacán, na Cidade do México. A 24 de maio de 1940 sobrevive a um ataque à sua casa por assassinos alegadamente a mando de Stalin. Não sobreviverá, no entanto, ao segundo ataque de Stalin: a 20 de agosto de 1940, o agente Ramón Mercader consegue sob disfarce entrar pacificamente na sua sala para um encontro, e, aproveitando um momento de distracção, aplica com uma picareta um golpe fatal no seu crânio. Ao ouvir o ruído, os guarda-costas de Trótski precipitam-se para a sala e quase matam Mercader, mas Trótski detém-nos, exclamando "Não o matem! Esse homem tem uma história para contar!". Faleceu no dia seguinte.

    Mercader testemunhou posteriormente no seu julgamento: "Pousei o casaco impermeável na mesa de forma a poder tirar a picareta que estava no bolso. Decidi não perder a grande oportunidade que surgiu. No momento em que Trótski começou a ler o artigo, deu-me a minha oportunidade; tirei a picareta do casaco, segurei-a firme na mão e, de olhos fechados, dei-lhe um golpe terrível na cabeça".

    Trótski morto

    Um dos secretários de Trotsky, Joseph Hansen, entregou à Imprensa um relato sobre o assassinato do líder comunista:"Trotsky conhecia pessoalmente seu assassino, Frank Jackson (na verdade, Ramón Mercarder), há mais de seis meses, e tinha confiança nele devido às suas relações com o movimento trotskista na França e nos Estados Unidos. Ele nos visitava com freqüência e em momento algum tivemos motivos para desconfiar que ele fosse agente da GPU".

    Segundo Hansen, Jackson chegou à casa de Trotsky às 5h30min da tarde do dia 20 de agosto, dizendo-lhe que havia escrito um artigo, sobre o qual gostaria de sua opinião. Trotsky concordou e ambos se encaminharam para a sala de jantar, onde estava a sra. Trotsky. "Alegando estar com a garganta seca, Jackson pediu um copo de água. A sra. Trotsky ofereceu-lhe chá. Ele agradeceu mas preferiu a água. Então, Trotsky convidou-o a passarem para o seu escritório".

    O primeiro indício de que algo de anormal acontecera foi o som de gritos lancinantes e de uma luta violenta. A princípio os secretários e guarda-costas julgaram que havia acontecido algum acidente, mas, ao ingressarem no escritório, encontraram Trotsky com o rosto banhado em sangue. Um dos guarda-costas correu para socorrê-lo, enquanto o outro atracava-se com o assassino, que empunhava um revólver.

    "Provavelmente o assassino atacou-o por trás, utilizando uma picareta cuja ponta penetrou-lhe o cérebro. Mas em vez de cair inconsciente, como o assassino planejara, Trotsky agarrou-se a ele".

    Enquanto jazia, sangrando, no chão, Trotsky disse a Hansen: "Jackson baleou-me com um revólver. Acho que, dessa vez, é o fim". Hansen tentou animá-lo, dizendo que o ferimento era superficial e que não podia ter sido causado por um tiro, já que ninguém tinha ouvido o estampido. "Não, sinto aqui que desta vez eles conseguiram" - disse Trotsky, apontando para o coração.

    Trotsky lutou pela vida durante 24 horas, vindo a falecer às 7h25min da noite de 21 de agosto.

    Túmulo de Leon Trótski em Coyoacán, bairro da cidade do México, no jardim da casa onde morou durante seus últimos anos de vida.

    A casa de Trótski em Coyoacán, preservada no mesmo estado em que se encontrava naquele dia, é hoje um museu, em cujos terrenos se encontra ainda o cenotáfio de Trótski, com a foice e o martelo talhados sobre seu nome.

    sexta-feira, 20 de agosto de 2010

    Fidel está certo, tem cheiro de guerra no ar


    Publicado em Abundacanalha

    Fidel Castro reapareceu neste último sábado no parlamento cubano e fez um discurso com o grave alerta para o perigo de uma nova guerra mundial. Claro que a mídia hype não deu a mínima para o conteúdo. Mas o velho comandante entende do que diz. Sugiro uma lida em recente texto do professor Michel Chossudovsky, onde ele diz que um ataque ao Irã é o próximo passo para uma estratégia de guerra mundial, com o perigo de uso de armas nucleares. Alguns pontos para entendermos o war game:

    Os EUA precisam dominar a Eurásia, o supercontinente que abarca a Europa e a Ásia. Dominação significa ter controle político sobre povos, governos e principalmente seus recursos. Quem explicou (ou confessou) o objetivo foi Zbigniew Brzezinski, ex-secretário de defesa de Carter, Reagan e Bush pai.

    "É imperativo que nenhuma força eurasiana apareça, capaz de exercer alguma dominação na região e desta forma desafiar os EUA", diz Brzezinski em seu livro, "The Gran Chessboard", de 1998. Sabemos que a médio ou longo prazo inevitavelmente a China poderá ser esta ameaça. Ou mesmo a Russia, como aponta Chossudovsky. Com economias crescentes, precisarão de mais mercados e fundamentais recursos.

    Petróleo é hoje o mais disputado recurso do planeta. Todas as economias são sedentas do ouro negro. Um carro, antes de consumir combustível, gastou vários barris em plásticos, borrachas, tintas, químicas e em máquinas para a produção e transporte. E o petróleo é recurso finito, já atingiu seu pico máximo de extração nos anos 70.

    Para os EUA, que produzem 11.7% do petróleo mundial e consomem 25.3%, é questão delicada para o futuro de sua economia. A China cresce aceleradamente em consumo, já tendo passado o Japão e ficado agora como o segundo maior consumidor planetário.

    Não há ainda nenhuma outra fonte de energia que substitua o petróleo em pouco tempo. Todas as possibilidades pensadas aumentam consideravelmente os custos da produção hoje baseada no óleo.

    Os EUA, fundamentalmente, e todas as economias dele dependente, enfrentam uma grave crise financeira. Uma bolha está perto de explodir. A sistema financeiro mundial está montado em uma mentira, não existe lastro para o dinheiro que circula. O menor descuido, como aconteceu recentemente, coloca em risco todo o sistema.

    Nada melhor, como sempre foi, que uma guerra para resolver os impasses. A indústria de guerra aquece a economia. A de reconstrução, também. E povos ficam unidos quando se vende bem a idéia da necessidade de enfrentar um inimigo externo. Esquecem suas reinvindicações, aceitam mais impostos, é a guerra.

    A mídia internacional faz aqui o seu papel, como já feito em outras vezes. Inventa ou alardeia motivações. Para o Iran, o motivo é o perigo nuclear. Não importa que o país tenha objetivos de uso pacífico, e seja os EUA, sim, como Israel e até os aliados Paquistão e Índia que tenham bombas nucleares. Para avançar sobre o Iraque, inventaram que Saddam tinha armas químicas. Mentira. Para o Afeganistão. é que ele escondia Osama Bin Laden e as mulheres usavam burcas. Mentira, os EUA nunca estiveram preocupados com Bin Laden, a Al-Quaeda é uma farsa e até hoje as mulheres usam a mesma burca. O que mudou é que o Afeganistão produz hoje mais de 90% do ópio mundial. E é produto repleto de interesses americanos.

    E para finalizar, uma reflexão do nosso ponto planetário. EUA, seus aliados, que ameaçam a paz mundial, tem aqui nas próximas eleições o candidato José Serra como seu representante. O tucano fez questão de marcar posição para que isso ficasse claro. Discursou contra todos os que de alguma forma estão em oposição aos interesses imperialistas americanos, como Ahmadinejad, Evo e Chávez.

    Neste caso, reflitam, votar em Dilma Rousseff é darmos uma chance a paz.

    Leda Nagle entrevista Carlos Drummond de Andrade



    Fonte: Blog da Michele

    Impressões sobre Cuba - O terrorismo contra uma ilha que só quer ser independente e feliz


    Publicado no blog Solidários

    Por Paulo Jonas de Lima Piva


    A ignorância e a desinformação sobre Cuba são espantosas, o que explica tanta bobagem e estupidez que se ouve, se escreve e se reproduz sobre a ilha, particularmente no Brasil.

    A principal fonte de tanta deturpação e injustiça contra essa ilha de 11 milhões de habitantes, que era colônia da Espanha até 1898 e cassino e prostíbulo da burguesia norte-americana até 1959 é, reiteradamente comprovado, o governo dos EUA, por meio de sua mídia mercenária, sobretudo os grandes meios de comunicação da América Latina colonizados pela CNN, poderoso grupo de comunicação especializado em milionárias negociatas informativas.


    Não se divulga nessa mídia, por exemplo, que Cuba é um dos países que mais ataques terroristas sofreu e que mais vítimas amargurou nos últimos quarenta anos. Nesse período, mais de três mil pessoas, entre crianças e idosos cubanos, inclusive turistas, foram despedaçados em atentados organizados pela ultradireita cubana radicada em Miami e financiada pelo governo dos EUA.

    Nos primeiros quinze anos da Revolução antiimperialista e socialista que lá se efetivou em 1959 foram praticadas 5.780 ações terroristas contra o povo cubano, todas protagonizadas pela norte-americana CIA. As agressões contra o povo cubano pelo governo dos EUA chegaram ao cúmulo da guerra bacteriológica. Em 1971, por exemplo, o governo norte-americano conseguiu inocular um vírus na ilha que aniquilou mais de 500 mil porcos, destruindo assim parte da produção cubana de alimentos daquele ano. Na era Reagan, o vírus introduzido atingiu humanos, gerando 158 óbitos. Já contra o líder da Revolução, Fidel Castro, foram oficialmente admitidos por ex-agentes da CIA 638 atentados, quando, na verdade, sabe-se que foram quase mil. Como escreve Fernando Morais na apresentação do livro “Fidel Castro: biografia a duas vozes”, de Ignácio Ramonet, de 2006, “não houve um só dia, ao longo desses 47 anos, em que o país não tivesse sido vítima de atentados a bomba, seqüestros e provocações de toda sorte”.

    E como desgraça pouca é bobagem, há ainda o bloqueio econômico contra o pequeno país. Medida genocida criada pelo presidente John Kennedy em 1962 e tornada ainda mais cruel com as leis Torricelli e Helms-Burton nos anos 90, o bloqueio proíbe não só as empresas norte-americanas de comercializarem e de negociarem com Cuba, como ameaça qualquer país que o faça sob pena de também não mais poder negociar com os EUA. Para se ter uma noção das conseqüências terríveis desse bloqueio, Cuba ficou impedida até de comprar marca-passos para os seus cidadãos cardíacos.

    O povo cubano, como qualquer outro, almeja apenas ser independente e feliz. Contudo, a democracia e a prosperidade econômica da ilha dependem fundamentalmente do fim do clima de guerra que o terrorismo norte-americano impõe a esse povo que realizou uma das mais fascinantes revoluções da história da humanidade.

    (Publicado no jornal Gazeta Itapirense em 7 de agosto de 2010)

    Kosovo surreal

    (Os libertadores apoiados pela NATO - albaneses do Kosovo após decapitação de jovem sérvio)

    Publicado no Quotidiano da Miséria

    O Tribunal Internacional de Justiça reconheceu a independência do Kosovo, nada que não se estivesse à espera, é para estes fretes ao imperialismo que este tribunal(?) serve. Pago para ver o dia em que o TIJ reconheça uma declaração de independência do País Basco, da Escócia, da Catalunha, da Sardenha, da Galiza...por aí fora.

    O que o TIJ fez foi apoiar a separação de uma região do seu país, ingerindo na política interna da Sérvia, encorajando quem não olhou a meios ou vítimas. Este surreal Kosovo não tem, e provavelmente nunca terá, o reconhecimento da comunidade internacional.

    Agora, o TIJ branqueou a História, passou uma esponja sobre uma verdadeira limpeza étnica, sobre a acção de assassinos, de decapitadores, de violadores, de ladrões de órgãos humanos, de traficantes de tudo e mais alguma coisa. Riem-se hoje os torcionários milicianos albaneses kosovares do UCK, apoiados desde a primeira hora, militar e financeiramente por Clinton ou Bush.

    Por várias vezes escrevi sobre a tragédia dos balcâs. Sobre o Kosovo em particular escrevi a propósito dos massacres e repressões que os sérvios sofriam diariamente às mãos de albaneses do Kosovo, e do reconhecimento de independência feito pelo Estado português. Assim, mesmo tornando-me repetitivo, repito o que já disse no passado: o Kosovo não é uma nação nem um país, é, antes de mais, uma gigantesca base da NATO, um narco-estado, local de todos os tráficos de leste e dos balcãs, transformado num enorme guetto, onde populações sérvias são afugentadas pelo medo numa terra sem lei. O Kosovo é sumariamente um Estado ao serviço dos interesses geo-estratégicos, comerciais e militares da NATO e dos EUA no Leste da Europa, uma região onde todo o cuidado é pouco, instável para o imperialismo americano e europeu: Bósnia, Sérvia, Croácia, Grécia, Âlbania, Chipre, Roménia et caetera...

    (escudo sérvio CCCC - só a unidade salvará os sérvios)

    Pagando com a mesma moeda



    Fonte: O Esquerdopata

    Rosa de Hiroshima



    Fonte: Com Texto Livre

    domingo, 8 de agosto de 2010

    Relembrando Lumumba - Por Mwaura Kaara


    Publicado no Provos.Brasil

    A celebração do 50º aniversário da independência da República Democrática do Congo deveria ter sido uma reflexão sobre o grande contributo de Lumumba para a luta congolesa, a sua visão de uma nação una por sobre todas as divisões étnicas e tribais, apesar da feroz oposição europeia. Por Mwaura Kaara [*]


    Patrice Lumumba

    No dia 17 de Janeiro de 1961, Patrice Lumumba, o carismático primeiro e único primeiro-ministro eleito do Congo, foi brutalmente assassinado. As circunstâncias de sua morte continuam sendo um mistério e a identidade de seus assassinos desconhecida.

    Em 1956, Lumumba era funcionário dos correios; quatro anos depois seria primeiro-ministro. Entretanto, fora um “évolué” – membro da pequena classe média negra do Congo, vendedor de cerveja e duas vezes preso pelas suas ideias políticas.

    Na prisão radicalizou-se e, por volta de 1958, participara na fundação de um partido político, o Movimento Nacional Congolês, o MCN que se destacou pelo pan-africanismo.

    O Dia da Independência foi celebrado no dia 30 de Junho em uma cerimônia assistida por muitos dignatários, incluindo o rei Balduíno [da Bélgica, ex-colonizadora do “Congo Belga”] e os dignatários estrangeiros, e a imprensa. Patrice Lumumba fez o seu famoso discurso de independência depois de, apesar de ser o novo primeiro-ministro, ter sido oficialmente excluído do programa do evento. No seu discurso, o rei Balduíno elogiou o desenvolvimento conseguido no colonialismo, e a sua referência ao “gênio” de seu grande tio-avô, Leopoldo II da Bélgica, ofuscou as atrocidades cometidas durante o Estado Livre do Congo.

    O rei continuou: “Não comprometam o futuro com reformas precipitadas, e não substituam as estruturas que a Bélgica vos passou para as mãos antes de estarem certos de que podem fazer melhor [… ] Não tenham medo de vir até nós. Nós vamos continuar ao vosso lado, dar-vos conselhos”.

    Em seu discurso, dirigido diretamente ao monarca e aos ministros da Bélgica, Lumumba reivindicou a história e a dignidade do povo congolês em suas longas décadas de luta pela independência:

    “Quanto a esta independência do Congo, […] nenhum congolês digno desse nome deverá nunca esquecer que foi lutando que a conseguimos, uma luta dia-a-dia, uma luta apaixonada por ideais, uma luta em que não poupámos privações nem sofrimentos, e pela qual demos a nossa força e o nosso sangue […] Nós sentimo-nos orgulhosos desta luta, das lágrimas, do fogo, do sangue, até ao fundo do nosso ser, porque foi uma luta nobre e justa, e indispensável para colocar um fim na escravidão humilhante que nos foi imposta pela força”.

    Lumumba foi primeiro-ministro por apenas dois meses antes de ser destituído ilegalmente e finalmente morto. Isto ocorreu sob os auspícios e a coordenação de uma seção das Nações Unidas fiel ao governo belga, às autoridades belgas e à Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA).

    No dia 11 de Julho de 1960, a rica província do Katanga anunciou separar-se do Congo sob a liderança de Moisés Tshombé. As tropas da Bélgica prontamente vieram em seu apoio. Esse movimento provocou uma vaga de protestos internacionais, em particular as críticas do bloco socialista, encabeçado pela União Soviética, e dos países em processo de descolonização em África e na Ásia. Os [militares] belgas retiraram-se para dar o lugar às tropas da ONU, mas as Nações Unidas não declararam nula a secessão de Tshombé. O primeiro-ministro Lumumba apelou à ONU e aos Estados Unidos, mas as potências imperialistas não deram ouvidos ao novo líder africano. Ele se virou à União Soviética, que apoiou as forças leais com medicamentos e tropas [aero]transportadas para ajudar a pôr fim à secessão.

    No dia 5 de Setembro, o presidente pró-imperialista Kasavubu destituiu Lumumba ilegalmente. Lumumba levou o caso ao parlamento, que o confirmou no seu posto. Em resposta, Kasavubu dissolveu o parlamento.

    Moise Tshombé organizou a secessão do Katanga em conluio com os ex-colonizadores belgas

    O secretário-geral das Nações Unidas, Dag Hammarskjold aprovou publicamente o gesto de Kasavubu. Já antes uma seção das forças das Nações Unidas leais ao governo Belga tinha tentado obstaculizar Lumumba fechando uma estação de rádio que ele usava para se defender perante o povo. No decurso destas lutas, o coronel Joseph Mobutu tomou o poder com um golpe de Estado apoiado pela CIA favorável a Kasavubu e às Nações Unidas. Lumumba foi colocado em prisão domiciliária, “protegido” por tropas das Nações Unidas que intervieram ativamente contra o seu [legítimo] poder.

    Lumumba percebeu que a ONU estava a agir como forças armadas das potências imperialistas ocidentais. Recusando ficar preso em casa, decidiu fugir. Na sua fuga, foi capturado pelas forças de Mobutu no dia 10 de Dezembro de 1960. Mobutu entregou Lumumba ao secessionista Tshombé, que o executou a meio da noite de sua captura. Tudo isso - a captura por Mobutu e a entrega a Tshombé - foi orquestrado pelas autoridades belgas com pleno conhecimento e ajuda da CIA.

    Com o novo governo, Mobutu aumentou o seu poder, e veio a ser o brutal ditador que, com o apoio do imperialismo dos EUA, se manteve no poder até ser derrubado em 1997.

    Este ano a República Democrática do Congo celebrou 50 anos de independência e, no meio do barulho e da cacofonia, o nome de uma das grandes figuras do passado da África e seus importantes contributos para o movimento de libertação africana foram silenciados.

    O significado da vida e da obra de Patrice Lumumba teve como base a sua determinação em lutar contra as forças da dominação e opressão, representadas pelo mundo europeu no mais turbulento período da história do Congo, e já que a República Democrática do Congo promoveu festividades para marcar os 50 anos da independência como prenúncio simbólico de uma nova era baseada num novo ethos e em novos valores, haveria que centrar-se numa reflexão sobre a luta incansável de Lumumba, um efetivo movimento popular em África.

    Soldados de Mobutu maltratam e atam Lumumba com cordas

    A celebração deveria ser uma reflexão sobre o grande contributo de Lumumba para a luta do Congo, sua articulação com a ideia de um Congo unido, uma visão que almejava construir uma nação unida acima de toda divisão étnica e tribal, apesar da feroz oposição europeia. Uma visão que ia a par com seu sentimento pan-africanista de unidade africana, dois ideais que eram inaceitáveis para as potências imperialistas, que querem um Congo e uma África estilhaçados por conflitos internos para melhor os submeterem.

    Enquanto a elite política na República Democrática do Congo continua a sofrer da obsessão de estar nas boas graças de seus senhores belgas, usufruindo da sua grande indulgência, e as celebrações são marcadas pelas manifestações festivas de seu povo atingido pela pobreza, que não compreende o que está acontecendo, devemos pensar e refletir sobre o legado de Patrice Lumumba. Um legado que se prolonga nos anseios pan-africanos, nas instituições e políticas da União Africana e no espírito que presidiu à adoção do Consenso de Ezulwini, que propõe um lugar africano permanente num Conselho de Segurança da ONU reformado.


    O coronel Joseph Mobutu, que depôs Lumumba com um golpe militar, assistindo à sua prisão. Apoiado pela Bélgica e pelos EUA, estabeleceu uma feroz ditadura que duraria 30 anos.

    Sua capacidade para mostrar tão cruamente quanto seu povo vivia subjugado, derivava de um raro entendimento da duplicidade inerente ao discurso colonial. Como disse Jean Van Lierde:

    “Ele foi o único líder congolês que se colocou acima das dificuldades étnicas e das preocupações tribais que destruíram todos os outros partidos. Lumumba foi realmente o primeiro pan-africanista”.

    Pouco antes do seu assassinato, Lumumba escreveu as seguintes palavras em uma carta de despedida: “A única coisa que queremos para nosso país é o direito a uma existência decente, a uma dignidade sem hipocrisia, a uma independência sem restrições […] Chegará o dia em que a história terá que se pronunciar.”

    Em conclusão, podemos dizer que os seus inimigos, tanto externos como internos, levaram à queda e à morte de Patrice Lumumba. Mas, felizmente, seu legado continua vivo.

    [*] Mwaura Kaara, que nasceu e vive no Quénia, é o coordenador para a juventude da Campanha Millennium das Nações Unidas em África.

    Fonte: Passa Palavra.

    Sou Paulista, mas não sou fascista !


    Publicado no blog do GilsonSampaio

    O texto é um comentário de leitor feito no Tijolaço. A matéria original você pode ler no final.

    Sanguessugado do Com Texto Livre

    Adilson Santos

    Essa corja de neo-fascistóides, caso não tivesse fugido do Mobral em tenra idade, saberia que o desenvolvimento do Estado de São Paulo e, principalmente da cidade de S. Paulo, deve-se única e exclusivamente ao Período conhecido como República Velha, quando os Baronetes do Café açambarcaram o poder federal, após o golpe militar que derrubou a Monarquia .

    Lembro que até 1879, ou seja, há 130 anos atrás, a cidade de S.Paulo possuia inacreditáveis 15.000 habitantes e em algumas mapas nem mesmo aparecia, pois era apenas uma parada provisória para tropeiros que vinham de Sorocaba ou retornavam para lá, em direção ao vale do Paraíba ou Santos, cidades MUITO mais importantes.

    Os governantes da Velha Oligarquia cafeeira que tomaram o poder a partir de 1889, ou mais precisamente desde o governo Prudente de Morais, ENDIVIDARAM TODO O PAÍS, PARA DESENVOLVER SUAS PROPRIEDADES E FACILITAREM A SUA PRODUÇÃO CAFEEIRA, através de emprestimos triliardários junto aos Rothschild's, Lloyds e demais banqueiros ingleses a juros absolutamente escorchantes e pasmem, A GARANTIA DO PAGAMENTO ERAM AS ALFÂNDEGAS DE TODO O BRASIL.

    Em resumo, a patranha era a seguinte: os Oligarcas presidentes da República Velha, construiram estradas de Ferro, Silos, Armazéns e demais benfeitorias (TUDO EM S.PAULO) com dinheiro emprestado no exterior e mandaram a conta para todo o Brasil pagar.

    Entre 1894 e 1930, foram tomados um total de aproximadamente 45 milhões de Libras Ouro (+- USD$ 800 BILHÕES ) emprestados apenas junto aos Banqueiros ingleses e americanos e deste total 94% FORAM DESTINADOS PARA S.PAULO .

    O único estado ou cidade que abocanhou alguma migalha significativa deste montante foi a antiga capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, quando da administraçao Pereira Passos (1902 - 1906 ), na polêmica reestruturação da cidade denominada "Bota Abaixo ", que apesar de toda a truculência praticada, saneou o Rio de Janeiro da varíola e da febre amarela, além de ter modernizado a cidade.

    Para se ter uma idéia do descalabro do desvio de verbas de TODO O BRASIL PARA DESENVOLVER S. PAULO E OS BARÕES DO CAFÉ, estudem o chamado "Convenio de Taubaté", de 1906, considerado a Mãe de todas as Maracutaias .

    Como no inicio do Século XX, a cotação internacional do café estava caindo vertiginosamente, provocada pela superprodução brasileira, a Oligarquia Paulista que detinha o poder resolveu que iria manter ARTIFICIALMENTE OS PREÇOS NUM PATAMAR MUITO SUPERIOR AO INTERNACIONAL, para que os pobres Barões do Café não fossem prejudicados e nem fossem obrigados a se adequar ao deus mercado ( Oferta e procura e etc).

    Então tiveram uma ideia luminosa, ou seja, iriam fazer com que a diferença entre o preço da saca internacional ( menor) fosse bancada POR TODA A POPULAÇÃO DO BRASIL.

    Por este sacrossanto convenio, o Governo federal se comprometia em comprar dos oligarcas a saca do café a um preço muito superior à cotação internacional, para posteriormente revendê-la no mecado mundial com prejuizos bilionários . Como o Erário público não possuia recursos para isso, os Varões de Plutarco Paulistas da Republica Velha contraíram um empréstimo junto aos banqueiros ingleses no valor de 2 MILHÕES DE LIBRAS OURO ( coisa pouca, algo em torno de 35 Bilhões de dólares nos dias atuais ), para safarem a sua onça .

    Perguntinha : Quem pagou este empréstimo ?

    Resposta : TODO O BRASIL, POIS AS ALFÂNDEGAS DO RIO A MANAUS FORAM FIADORAS, OU SEJA,TODA A MERCADORIA QUE PASSASSE NESSES PORTOS (DEZENAS), TERIAM UMA TAXAÇÃO EXTRA PARA HONRAR O PAGAMENTO .

    Desculpe-me por me estender, mas o que gostaria de demonstrar é que: O propalado desenvolvimentismo dos paulistas ou de sua elite, o lendário arrojo dos quatrocentöes de S.Paulo é uma grossa mentira, pois a cidade de S.Paulo foi fundada em 1554, e após 325 anos (ano 1879 ) sua capital possuia minguados 15.000 habitantes, 1 hotel e nenhum banco, além de em muitos mapas nem mesmo ser mencionada.

    Após a tomada do poder pela oligarquia paulista a partir de 1889 ou mais precisamente desde 1894, S. Paulo misteriosamente iniciou seu desenvolvimento espetacular, ao mesmo tempo que o restante do País empobrecia de forma mais espetacular ainda.

    Se tornar desenvolvido economicamente graças a empréstimos biliardários que foram pagos por outros com sacrifícios inenarráveis é muito fácil e não representa mérito algum, muito pelo contrário, representa um parasitismo patológico histórico que precisa ser reparado.

    Se durante 36 anos Todo o Dinheiro da Nação fosse enviado para o Amapá, e fossem tomados empréstimos de centenas de bilhões de dólares junto aos bancos internacionais e estes recursos fossem enviados quase unicamente para este Estado, em muito pouco tempo ele se tornaria desenvolvido, uma grande potência, e então os habitantes amapaenses diriam que "Nosso Arrojo construiu o nosso desenvolvimento".

    Elite Paulista e seus coliformes agregados, um conselho carinhoso: " DEVOLVAM O QUE VOCES ROUBARAM DO BRASIL !!

    Tijolaço

    PARA ENTENDER O MOVIMENTO ANTIMIGRAÇÃO DE SÃO PAULO

    Uma genuína manifestação cultural paulistana

    Publicado no Terra Brasilis

    É curioso esse manifesto em prol da cultura paulistana, acima publicamos uma entrevista com um dos signatários do texto, e disponibilizamos um link para a leitura do mesmo. O que me intriga é o que vem a ser essa “cultura paulistana” apregoada pelos membros do movimento supracitado. Moro nessa cidade praticamente a minha vida toda, e fico pensamento quais manifestações culturais autóctones estão sendo ameaçadas pelos nordestinos, principais alvos da sanha excludente da classe média bandeirante. Fala-se em subvalorização, invasão cultural, perda de identidade, sobreposição dos costumes nordestinos sobre os costumes locais. E continuo pensando que diabos será essa tal “cultura paulistana”.

    Se existe alguma cultura típica nesse Estado, ela se encontra no interior, nas modas de viola, na catira, nas Festas de São João, nas quermesses, gincanas; na culinária caipira, etc. Pelo que eu saiba, os costumes do interior paulista seguem os mesmos de sempre, em cidades que souberam preservar sua cultura, e de certa forma não são lá muito abertas ao que vem de fora. Agora, na capital, o que há de efetivamente local em termos culturais? O tal movimento antimigração é composto por paulistanos, assustados, com medo de perder sua identidade. Identidade? Vamos tentar especular sobre os tais nobres costumes paulistanos ameaçados pela barbárie nordestina.

    Exemplos da cultura paulistana:

    - Pedir uma pizza no fim de semana e assistir a um DVD do Jackie Chan

    - Sair para comer um belo beiruth com esfihas de carne e queijo, humm...

    - Dar uma relaxada num salão de ioga na Vila Madalena, ou uma massagem na Liberdade

    - Ir tomar umas cervejas irlandesas em algum pub da Consolação

    - Pegar um show de alguma banda indie na Augusta

    - Chorar de rir com algum espetáculo stand-up comedy

    - Pirar em alguma rave, com DJ´s israelenses e indianos

    Como vemos, todas manifestações genuinamente locais, brasileiras e paulistanas, criadas pelo nosso povo, pela nossa gente. Essa é a cultura paulista defendida pelos ciosos defensores da pureza cultural bandeirante.

    Convenhamos, esse pessoal tá de palhaçada, não existe cultura típica paulistana, São Paulo é uma metrópole, e assim se desenvolveu. É um caldeirão de povos e costumes, e nesse rol de influências, os nordestinos tem posição de destaque. Manifestações de fora tudo bem, desde que sejam européias ou estadunidenses. Não se vê chiadeira contra a dominação cultural Made in EUA. Agora, manifestações vindas do Nordeste, ou de outras regiões do Brasil, nem pensar.

    Essa conversa de movimento antimigração é balela, eles deveriam se assumir logo como anti-nordestinos, seria mais honesto. Deveriam assumir que possuem preconceito regional, de cor e de classe. Infelizmente, muita gente pensa assim aqui em São Paulo, o que é uma pena.

    10 Questões que todo Cristão deveria responder


    Publicado no Com Texto Livre