LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O enfado de Bartolomea

Encontrei no Tenho estado a ler Whitman, por

"Segundo dizia, não havia dia nenhum que não fosse consagrado a um santo, e mesmo a vários, e o homem e a mulher deviam por isso abster-se de ter relações carnais. A isto, juntavam-se os dias de jejum, os quatro tempos, as vigílias dos apóstolos ou de mil outros santos, a sexta-feira, os sábados e os domingos, dias do senhor, toda a quaresma, certas luas e grande número de excepções do mesmo género. Pensava com certeza que se podiam ter com as mulheres, na cama, férias como as que ele tinha no tribunal civil. Empregou este método durante muito tempo, para grande enfado da dama, em quem tocava uma vez por mês, quanto muito. Guardava-a, porém, o melhor possível, receando sempre que outro homem ensinasse a Bartolomea os dias de trabalho, tal como ele lhe ensinava os dias santos."

Foto: Ellen Von Unwerth

domingo, 30 de janeiro de 2011

PAISAGENS ANIMADAS

As pequenas casas da beira da estrada correm

com tudo que há dentro delas.

As árvores também correm,

as árvores secas, as carnaubeiras.

Correm as mulheres vadias e as lavadeiras,

as mulheres feias, as bonitas, as magras, as gordas.

Os homens fortes com pesadas enxadas correm,

os homens fracos correm menos.

Uma igrejinha de uma porta só

corre...

Correm os bares:

o Boi na Brasa, o Garfo de Ouro...

Até o Bar São Francisco corre,

só eu não corro.


Fonte: Se não Canto, Pelo Menos Grito

sábado, 29 de janeiro de 2011

EUA criam projeto para grampear internet


Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

Na edição de dezembro último, a revista Superinteressante trouxe uma notícia que deve preocupar os defensores da liberdade na internet. Ela reforça o temor de que está em curso uma ofensiva mundial para controlar e restringir o uso da rede. Esta onda tende a ganhar maior impulso devido ao impacto dos vazamentos pelo Wikileaks de memorados da diplomacia estadunidense.

“Um novo projeto de lei, que será apresentado ao Congresso dos EUA nas próximas semanas, pode representar o mais duro golpe já visto contra a liberdade na internet. Proposta pelo governo Obama, a lei determina que todas as empresas de internet sejam obrigadas a instalar sistemas de grampo para capturar os dados enviados e recebidos por seus usuários”, descreve a revista.

Vigilância das agências de espionagem

Ainda segundo a reportagem, “isso significa que todos os meios de comunicação existentes na web (de serviços de e-mail, como o Gmail, até programas de telefonia, como Skype) teriam de abrir brechas para as agências de espionagem do governo. A medida afetaria inclusive empresas sediadas fora dos EUA (como a Skype Inc., por exemplo, cujo escritório fica em Luxemburgo), que seriam obrigadas a manter computadores em território americano para instalação dos grampos”.

O governo ianque garante que a medida visa investigar as ações terroristas e que os grampos serão feitos com mandado judicial. Mas a desculpa é esfarrapada. Em 2006, por exemplo, a Agência de Segurança Nacional (NSA) manteve um grampo ilegal na operadora AT&T- cujo tráfego era automaticamente desviado, sem autorização judicial, para os espiões do governo ianque.

Restrições na Itália de Berlusconi

Nesta ofensiva mundial contra a liberdade na internet, cada país usa um pretexto. Na Itália, segundo artigo do Portal Imprensa, o governo de Silvio Berlusconi já impôs uma resolução que regula sítios como Youtube e Vimeo com as mesmas regras da televisão. A desculpa, no caso, é o da proteção da propriedade intelectual e do controle da produção de conteúdo.

A medida torna estas páginas “suscetíveis às mesmas punições das emissoras do país... A pasta das comunicações argumenta que se um site é curador do conteúdo gerado pelos usuários, ainda que por meio de algoritmos automáticos, significa que ele exerce controle editorial. Logo, deve ser submetido às regras aplicadas às estações de TV. Agora, responsáveis legalmente pelo conteúdo, os sites serão obrigados, assim como as TVs, a retirar um vídeo do ar no prazo de 48 horas”.

O AI-5 Digital do tucano Azeredo

Como se observa, as medidas de restrição à liberdade na internet fazem parte de uma onda mundial, orquestrada e pró-ativa. O senador Eduardo Azeredo, do PSDB/MG, apenas pegou carona nesta cruzada de “vigilantismo” – o tucano mais se parece com um papagaio repetitivo. O projeto de lei 84/99, aprovado em duas comissões da Câmara Federal em outubro passado, também criminaliza várias práticas cotidianas da rede e coloca em risco a própria privacidade dos internautas.

A desculpa, no Brasil, é ainda mais cômica. O senador tucano afirma que projeto visa impedir a pedofilia na rede. Mas tais crimes não ocorrem devido à internet e o próprio sistema disponibiliza os endereços dos criminosos. Na prática, sua proposta representa um duro golpe à liberdade de expressão. Não é para menos que o projeto foi apelidado de AI-5 Digital, numa referência irônica ao ato institucional da ditadura militar, de 1968, que recrudesceu ainda mais o autoritarismo no Brasil.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fogo pelas entranhas


Poema de Nicolau Ponte Preta, publicado no Produção Marginal


Não se iluda comigo
Minha conexão é Banda larga
Odeio Dial-up

Adoro sabotagens

Minha mente é pura trama

Invasões intergalacticas
Viagens exotéricas
Um baseado velho

Tudo isso me excita

E meu coração
De nada se arrepende

Então,
se não pode espantar os lobos ao seu redor
Me entregue o seu corpo
O ofereça a mim em sacrifício

Juro
Te levar ao céu e ao inferno em dois segundos
Pois sou Marte o Deus da guerra

E te farei sentir
Fogo pelas entranhas

Genocídio na Colômbia não é manchete


Por Altamiro Borges
, no Blog do Miro

É assustador o quadro de violência na Colômbia. Mas a mídia colonizada não dá manchetes nem aciona os seus “calunistas” para criticarem os governantes do país vizinho, que aplicam caninamente as orientações da política externa expansionista e belicista dos EUA na América Latina. A mídia venal só faz alarde contra os “inimigos” do império, como Cuba e Venezuela.

Segundo relatório enviado na semana passada à Organização dos Estados Americanos (OEA) por várias entidades de defesa dos direitos humanos, a barbárie impera na militarizada Colômbia. O estudo, fartamente documentado, reuniu dados de 2005 até 1º de dezembro de 2010. E as cifras são alarmantes: 173.183 homicídios, 1.597 chacinas e 34.467 desaparecidos.

A barbárie dos grupos paramilitares

Os principais envolvidos neste horripilante genocídio são os grupos paramilitares, que a mídia colonizada insiste em afirmar que foram desativados durante o governo fascistóide de Álvaro Uribe (2002/2010). Mas há também registro de violência das forças armadas e até de jagunços contratados por empresas multinacionais que operam no país – como a Coca-Cola.

Além dos assassinatos, os grupos paramilitares estão implicados em 3.527 casos de seqüestros, 3.532 de extorsão, 677 de violência de gênero, 68 do narcotráfico e 28.167 casos de outros crimes. Nos últimos anos, por pressão da sociedade civil, foram descobertas 3.037 fossas comuns e encontrados 3.678 cadáveres – destes, 1.323 corpos já foram identificados.

Assassinos com influência política

O ex-presidente Álvaro Uribe, conhecido por seus vínculos com cartéis da cocaína e por advogar em defesa de paramilitares, concedeu anistia a estes assassinos, que hoje estão protegidos pela “Lei de Justiça e Paz”. Segundo as entidades de direitos humanos, estes grupos ainda gozam de forte influência no país. O relatório denuncia as suas ligações com 429 políticos, 381 membros das forças armadas, 155 autoridades governamentais e outras 7.067 pessoas com algum poder na sociedade.

Vale lembrar que o agrupamento Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), que agrega os grupos paramilitares, foi criado em abril de 1997 com o objetivo de unir a extrema-direita – que incluía pecuaristas, latifundiários e poderosos industriais. Mais de 70% de sua renda provinha do narcotráfico, além de seqüestros e extorsão. Ela sempre recebeu apoio logístico de vários comandantes do Exército e manteve relações com governadores e parlamentares, além de executivos de multinacionais.

Oficialmente, as AUC foram dissolvidas em 2006. No entanto, reportagens e relatos de várias ONGs, como o Movimento Nacional das Vítimas dos Crimes de Estado, confirmam que os grupos paramilitares continuam na ativa com outros nomes, como Águias Negras, “Los Paisas” e “Los Urabeños”. Para a mídia colonizada, porém, esta barbárie não é manchete.

Ilustração: Areito

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Prisioneiros de um Deus Branco

Documentário internacional mostra a realidade do povo Akha

Prisioneiros de um Deus Branco

A’Uwe exibe neste domingo (23) conteúdo internacional exclusivo: o documentário Prisioneiros de um Deus Branco. Produzido na República Tcheca por Steve L. Lichtag, o filme mostra o povo indígena Akha que vive nas montanhas do Laos e da Tailândia, na Ásia.

Os Akha enfrentam o grande desafio de preservar sua cultura diante das constantes interferências dos governos dos países. Além dessa intervenção, outro problema é a exploração de crianças e famílias por missionários religiosos. O caso, que acabou repercutindo nas Nações Unidas, é retratado de forma chocante.

O documentário ganhou diversos prêmios na Rússia, na Eslováquia e na própria República Tcheca.

Fonte do texto: TV BRASIL


Assitam ao vídeo aqui: MEFEEDIA

Chemtrails alegadas e reais

Parece chemtrail: mas não é
Artigo do MAX, no excelente Informação Incorrecta

Existem as chemtrails?

Mas ainda mais importante: o que são as chemtrails?

Chemtrails é uma palavra inglesa que podemos traduzir com a expressão "rastos químicos".

Segundo algumas teorias da conspiração, forças armadas (basicamente americanas, mas não só) utilizam aviões para dispersar no ar elementos químicos.

Qual o fim?

Há quem diga que o objectivo é alterar o clima; outros afirmam que a ideia é controlar os povos com várias substâncias; outros avançam com a ideia que no ar são libertados agentes patogénicos; outros, em fim, dizem que os rastos químicos contêm tudo isso e mais alguma coisa.

Problema: até hoje ninguém conseguiu apresentar a prova definitiva acerca da existência das chemtrails.

Então: existem ou não?
Em verdade, em verdade eu digo: não sei.



Discurso fechado então?
Nem por isso.

Se a actual existência de chemtrails ainda é duvidosa, o mesmo não pode ser dito para o passado.
E, paradoxalmente, as confirmações chegam de fontes insuspeitas.


Wikipedia, a negação como filosofia

Wikipedia é o sitio da negação por excelência.

Os Ufo existem? Os bancos são maus? As chemtrails são uma realidade?

Uma breve visita às páginas de Wikipedia e as respostas são claras: os Ufo são ilusões ópticas, os donos dos bancos são todos filantropos e as chemtrails existem só na fantasia doentia dos conspiradores.

No entanto, até Wikipedia é obrigada a reconhecer factos comprovados. E que no passado houve utilização de chemtrails é um facto comprovado, com tanto de nomes e datas.

(nota: obviamente falamos da Wikipedia mais "ousada", isso é, a versão inglesa: na portuguesa nem se fala do assunto)


Operação LAC

A Operação LAC (Large Area Coverage) foi uma operação da Divisão Química do Exército dos Estados Unidos que consistiu na dispersão de partículas microscópicas de sulfato de cádmio e zinco (ZnCdS) , ambos conhecidos agentes cancerígenos, sobre grande parte dos Estados Unidos.

O objectivo era determinar a dispersão e a faixa geográfica alcançada pelos agentes biológicos ou químicos.

"Tá bom" pensará o leitor, "afinal foi uma experiência, ora essa, pode acontecer..."

E, de facto, aconteceu, mas mais do que uma vez.: o exército admitiu ter disperso substâncias no Minnesota desde 1953 até meados da década dos '60.

C-119 Flying Boxcar
Mas voltamos à Operação LAC: esta foi realizada em 1957 e 1958 pelo Exército dos EUA, utilizando um avião da Força Aérea, um C-119 Flying Boxcar; e o primeiro alvo forma os céus do Dakota do Sul (02 de Dezembro de 1957).

A ideia era simples, como muitas vezes acontece nestes casos: após a dispersão, estações no terreno teriam traçado o percurso das partículas fluorescentes (!) de Zinco e de Cádmio.

Só que boa parte das partículas foram levadas até o Canadá: porquê? Porque no céu há uma coisa chamada "vento".

Pouco mal, afinal a Ciência precisa da colaboração de todos.

Assim os testes continuaram, totalizando em 1958 100 horas de voo, num dos quais a dispersão alcançou 1.400 milhas de cumprimento.

A área atingida pelas partículas foi muito ampla: restos da substância dispersa foram encontrados no Golfo do México, New York, Baía de S. Francisco, Montanhas Rochosas, Oceano Atlântico. Na prática, todo o território dos Estados Unidos foi interessado.


Um sucesso
O resultado? Um sucesso.

Os experimentos conseguiram provar que as partículas microscópicas dispersas no ar são transportadas pelos ventos e alcançam grandes distâncias.
E quem poderia ter imaginado uma coisa destas?

E as consequências na saúde humana?

Nenhuma. Um relatório do Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos concluiu que a dispersão de agentes cancerígenos nos céus do País não teve efeito secundário nenhum.

Acreditamos; aliás, a minha impressão é que as pessoas sentiram-se bem melhores após a dose de Zinco e Cádmio.


Dispersando um bocado aqui e um bocado ali

A Operação LAC foi a única do género?

A resposta é negativa: houve outras operações, algumas das quais efectuadas com agentes patogénicos também.
E, coisa mais importantes, estas não são as conclusões de qualquer bloguerio alucinado, mas admissões do Exército do Estados Unidos nas audiências que decorreram no Senado em 1977.

A Serratia marcescens
Na área de S. Francisco, por exemplo, entre os dias 20 e 27 de Setembro de 1950, o Exército dispersou uma nuvem de 48 km2 com Serratia marcescens , bactéria que pode causar o surgimento de infecções respiratórias.

Após duas semanas, 11 pessoas tinham morrido no mesmo hospital por causa de pneumonia, com espanto dos médicos que, obviamente, não puderam relacionar o surto da doença com as experiências militares.

Sempre a mesma Serratia foi dispersa na década dos anos '50 em Panama City e Key West, na Flórida.

Outra bactéria, o Bacillus globigii, foi utilizada em S. Francisco (evidentemente, não a cidade mais segura do mundo) e outros foram testados em New York, Washington DC e Pennsylvania.

Em 1965 mesma bactéria mas alvo diferente: a zona do teste foi o Aeroporto de Washington e o terminal rodoviário.

Em 1966 outra vez New York: Serratia no metropolitano, para ver quais os efeitos.


Matar para proteger

Por seu lado, o Exército justifica as experiências, observando que as cidades dos EUA podem ficar sob um ataque biológico. Para preparar uma resposta, segundo o Exército, foi preciso testar os micróbios em áreas povoadas.

Como afirmou Edward Miller, Secretário do Exército para a Pesquisa e o Desenvolvimento:
Os lançamentos em cidades e arredores eram considerados essenciais para o programa, porque o efeito duma nuvem com agentes biológicos era desconhecido.

Para nos proteger, devem matar-nos.
Interessante teoria.


Ipse dixit.


Fontes: Wikipedia, New York Times, Wall Street Journal

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Liberdade para Cesare Battisti

.Lungaretti: Peluso faz lobby para esvaziar poder presidencial

Encontrei no Vermelho

Desesperados face à iminência da derrota vexatória, os linchadores do escritor Cesare Battisti perdem até a compostura.

Por Celso Lungaretti*


O presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, é o mais destrambelhado de todos. Depois de enterrar-se até o pescoço neste caso, manchando sua reputação ao produzir o relatório mais tendencioso de toda a história do STF, ele agora vai à imprensa prejulgar o desfecho do caso, antecipar como se comportará em sessão futura e fazer lobby descarado, com a seguinte declaração:

"O que o STF decidiu foi que o senhor presidente da República deveria agir nos termos do tratado. Se o STF determinar que não está nos termos do tratado, vai dizer que ele tem de ser extraditado".

Ocorre que a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, respaldada em parecer tecnicamente incontestável da Advocacia Geral da União, cumpriu todos os requisitos do tratado de extradição entre Brasil e Itália, conforme já reconheceram o ministro Marco Aurélio de Mello e o maior jurista brasileiro vivo, Dalmo de Abreu Dallari.

Para o primeiro, nenhum motivo há para se manter Battisti preso. E o segundo acrescentou que tal prisão ilegal (sequestro, portanto) só se explica pela "vocação arbitrária" de Peluso.

Como responsável pelas relações internacionais do Brasil, Lula tinha o direito de seguir sua convicção íntima, baseada nas informações de que dispõe -- muitas das quais sigilosas e que não podem ser tornadas públicas, sob pena de causar tsunamis diplomáticos.

Exemplo: e se Lula alegasse que um governo cujo serviço secreto tramou o assassinato de Battisti no exterior não é minimamente confiável para garantir sua vida e integridade física?

Isto, sim, causaria um verdadeiro abalo nas relações entre Itália e Brasil. No entanto, é a pura verdade.

Também estaria dizendo a verdade Lula se lembrasse que vários ministros de Berlusconi são neofascistas conhecidos e assumidos, inimigos históricos de Battisti, tendo um deles chegado a manifestar o desejo de ter o escritor em suas garras para o torturar.

Ou se destacasse que a satanização de Battisti mediante calúnias e falácias, levada a cabo incessantemente pelas autoridades italianas, é, em si, obstáculo para a extradição.

Ou, ainda, se mandasse os italianos para aquele lugar, por estarem descaradamente tentando ludibriar o Brasil, já que nosso país só admite extraditar quem cumprirá no país solicitante uma pena de até 30 anos, e inexiste na Itália dispositivo legal que permita rever a condenação de Battisti à prisão perpétua.

Evidentemente, Lula sabia disto, pois jamais ignoraria o alerta de Dallari.
E nossa embaixada na Itália, decerto, deve ter-lhe comunicado a admissão do então ministro Clemente Mastella, noticiada pela imprensa de lá, de que estava só tentando enganar os brasileiros, mas, uma vez de posse de Battisti, o deixaria apodrecer na prisão.

Se um presidente da República se puser a trombetear tudo que sabe, não haverá mais diplomacia, só guerras.

Daí a necessidade de se respeitar sua esfera de competência e de decisão, lembrando que é exatamente para isso que os cidadãos o elegem -- ao contrário dos ministros do STF, que são indicados e não eleitos.

Seria uma temeridade e uma verdadeira heresia o Supremo invadir a esfera de poder presidencial, pretendendo escarafunchar os elementos em que se baseia a convicção de um presidente. Basta que ele a tenha. Qualquer passo além disto se direciona para o abismo.

Peluso, ou não reúne as mínimas condições intelectuais para ocupar a posição que ocupa, ou sabe de tudo isto e está apenas tergiversando, num grotesto jus esperneandi para mudar o resultado de uma partida que já acabou.

Mas, só seu parceiro inseparável Gilmar Mendes o acompanhará nesse caminho que levaria ao desequilíbrio de Poderes e à maior crise institucional desde que o País se redemocratizou.

Os demais ministros, sensatamente, reconhecerão que não lhes cabe entrar no mérito da decisão que Lula tomou, com a anuência deles mesmos e contra a posição dos linchadores, que no final de 2009 já tentaram, em vão, usurpar a prerrogativa presidencial (da mesma forma como haviam usurpado a prerrogativa de um ministro da Justiça, ao revogarem em termos práticos a Lei do Refúgio e jogarem no lixo a jurisprudência consolidada em vários casos semelhantes).

Desta vez a parada é bem mais alta.

O que Peluso e Mendes pretendem é manietar o Poder Executivo, subjugando-o ao Judiciário, o que em si já seria um golpe branco, além de provocar tal turbulência institucional que colocaria o Brasil na antessala de um golpe de estado como o de 1964.

Não passarão.

* Celso Lungaretti é jornalista, escritor e ex-preso político.

Fonte: Naufrago da Utopia

Outra opinião sobre a “polêmica” do MinC

Artigo do LEN, publicado no blog Ponto & Contraponto

O Ministério da Cultura reformulou recentemente o seu site e realizou uma modificação que causou uma forte reação de usuários das mídias sociais, blogueiros e internautas contra a recém-nomeada ministra Ana de Hollanda, irmã do cantor Chico Buarque. A mudança que gerou a reação foi a troca da licença Creative Commons por uma frase em português.

A ministra já vinha sendo criticada porque solicitou ao congresso a devolução, para revisão, do projeto de lei que altera as regras de direitos autorais. Hoje li um post do Renato Rovai, por quem tenho grande admiração dando a entender que a Ministra estaria ligada ao ECAD e traindo as promessas de campanha de Dilma. Menos, né? Até porque pessoalmente acho que uma coisa é discordar de decisões, outra bem diferente é levantar suspeitas da honestidade.

Primeiro é preciso explicar que Creative Commons é uma organização não-governamental de origem americana criada para facilitar o compartilhamento de conteúdo com a permissão do autor, já que o país de origem possui leis rígidas contra cópia de material protegido por direitos autorais. Ela possui afiliadas no mundo todo, inclusive no Brasil, que tem site próprio em português e explicações na nossa língua, no entanto mantém o nome em inglês e a marca CC nos selos. Então, o autor tem um site e escolhe uma das licenças da Creative Commons e usa o selo específico no seu site, e aquele selo é a forma de informar as regras para quem quiser copiar o seu conteúdo.

O MinC já explicou que não precisava ostentar a marca porque as leis brasileiras autorizam a uso do conteúdo. A frase descrita no rodapé no site não deixa dúvidas quanto à autorização para uso do conteúdo:

“O conteúdo deste site, produzido pelo Ministério da Cultura, pode ser reproduzido, desde que citada a fonte”

E a recomendação para citar a fonte, da mesma forma como recomenda o Creative Commons. Mas afinal o que mudou para tanto rebuliço? Os simpatizantes veem como um gesto simbólico que os autorizaria a enxergar retrocesso na política de democratização da cultura promovida pelo Governo Lula, mesmo com o anúncio nessa semana que o governo continua apoiando o software livre nacional.

Eu vejo como uma mudança positiva. A gente tem que levar sempre em consideração que são os usuários avançados de internet e os nerds que conhecem o CC e o significado das licenças. A maioria esmagadora que usa a internet e tem conhecimento básico não possui a menor ideia do que aqueles selos significam e muito menos em uma sigla em língua estrangeira. A frase grafada no rodapé da página, escrita em português informa melhor a um número maior de pessoas. As pessoas que não conhecem o significado dos selos da CC podem ter seus sites ou blogs e querer usar material do site do MinC, e com essa mudança eles também vão saber que podem usar o conteúdo, desde que citem a fonte.

Considerei a reação do Creative Commons contra a decisão do MinC de não usar mais seus selos agressiva e prepotente. Parece que a organização se acha detentora da exclusividade no direito de compartilhamento de conteúdo ao afirmar que a decisão iria criar insegurança jurídica. Só se for para a própria Creative Commons, porque a frase grafada no rodapé tem tanta validade quanto o selo da organização e no quesito entendimento é notadamente superior. A organização reclama porque se sente desprestigiada. A ameaça de que o MinC estaria descumprindo regras, porque estaria obrigado a mostrar indefinidamente o logo da organização fez acender o sinal amarelo por aqui. O Blog já tinha uma página em português sobre as recomendações e permissões de uso do nosso conteúdo, e ainda mantinha o selo do CC por romantismo, mas depois da reação exagerada eu retirei. As regras para uso do conteúdo continuam as mesmas, adoramos ver nossos textos em outros blogs e sites. Compartilhar sim, Ditadura do CC não.

Já fui entusiasta de organizações não governamentais com origem e mantidas pelos EUA como o Greenpeace e Jornalistas sem Fronteiras, mas com o tempo percebi que as motivações dessas organizações não eram sempre as mais nobres e, muitas vezes se intrometem em decisões importantes para a soberania de outros países, sem fazer o mesmo nos seus próprios países de origem. O Brasil não precisa mais de organizações internacionais para dizer o que devemos ou não fazer, e aqui não vai nenhum antiamericanismo juvenil, adoro a música e o cinema americano.

Quanto à revisão da lei de direitos autorais, prefiro esperar para ver se acontecerão mudanças e quais, porque até agora só existe muita especulação e insinuação baseada no radicalismo, mas aí é outra boa discussão. Sou pessoalmente a favor da democratização da cultura, mas não sou contra direitos autorais, se tirar do autor o ganha pão que alimenta a sua família ele vai procurar outra atividade para conseguir esse pão e a nossa cultura vai para o buraco. Prefiro o caminho do meio. Discussão nunca é demais. Pode ser até que venha criticar as decisões da ministra, mas nunca antes de conhecê-las. A reclamação se dá porque dizem que o projeto de lei ficou em consulta pública, mas quem gostaria, depois de ser recém-nomeado para uma função, receber um marco regulatório pronto em um pacote sem dar a sua contribuição e incluir as diretrizes da sua administração? Talvez o erro tenha sido apressar o envio desse projeto de lei sem passar pelo crivo da nova administração que chegava.

Revisão ortográfica: Diafonso.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Cresce campanha pela libertação de Bradley Manning


Encontrei no Blog da Redação da NovaE

(Chico Villela) O jovem acusado pela liberação de arquivos classificados a WikiLeaks acha-se preso em condições que configuram tortura continuada.

Bradley Manning, 23 anos, está confinado em solitária há nove meses. Diversas vozes autorizadas, em todo o mundo, afirmam que o confinamento continuado é uma forma aguda e perversa de tortura e pode levar à loucura.

O interesse e a a intenção dos militares e do governo BHObama com a tortura é que Manning acuse Julian Assange de ter solicitado os arquivos e cables diplomáticos. Com isso, Assange seria acusado de conspiração, e poderia ser condenado à morte ou à prisão perpétua.

Há crime, segundo as leis do país, em solicitar, mas não em divulgar. Assim, condenar Assange pela divulgação seria condenar a maioria dos jornalistas do país que publica informações confidenciais, e mesmo atingir os jornais, como o The New York Times, que vêm dando espaço aos arquivos de WikiLeaks.

A sociedade reage, e dezenas de manifestações vêm se sucedendo no país, como se pode ver neste site, A Guerra é um Crime (War is a Crime). A primeira indicação é de um vídeo de manifestação na base militar de Quantico, onde Manning se acha confinado.


Nota:

Mais notícias sobre a "democracia" estadunidense e a tortura ao jovem Bradley Manning AQUI.

Contraponto 4465 - "Brasil: 7ª maior economia do mundo em 2011"


Encontrei no ContrapontoPIG

Do Amigos da Presidente Dilma - por Zé Augusto - 19 de janeiro de 2011
Uma edição especial da revista britânica The Economist, com perspectivas para 2011, prevê que o Brasil se tornará a 7ª maior economia do mundo neste ano, ultrapassando, pela primeira vez, a Itália.

Eis a lista dos maiores PIB's previstos para 2011:

1. Estados Unidos – US$ 14,996 trilhões
2. China – US$ 6,460 trilhões
3. Japão – US$ 5,621 trilhões
4. Alemanha – US$ 3,127 trilhões
5. França – US$ 2,490 trilhões
6. Reino Unido – US$ 2,403 trilhões
7. Brasil – US$ 2,052 trilhões
8. Itália – US$ 1,888 trilhão
9. Índia – US$ 1,832 trilhão
10. Rússia – US$ 1,737 trilhão
11. Canadá – US$ 1,616 trilhão
12. Espanha – US$ 1,337 trilhão
13. Austrália – US$ 1,190 trilhão
14. México – US$ 1,119 trilhão
15. Coreia do Sul – US$ 1,094 trilhão
16. Indonésia – US$ 806 bilhões
17. Turquia – US$ 760 bilhões
18. Holanda – US$ 743 bilhões
19. Suíça – US$ 513 bilhões
20. Irã – US$ 488 bilhões
21. Arábia Saudita – US$ 481 bilhões
22. Polônia – US$ 469 bilhões
23. Taiwan – US$ 466 bilhões
24. Suécia – US$ 449 bilhões
25. Bélgica – US$ 444 bilhões
26. Noruega – US$ 431 bilhões
27. Áustria – US$ 376 bilhões
28. África do Sul – US$ 346 bilhões
29. Tailândia – US$ 336 bilhões
30. Emirados Árabes Unidos – US$ 312 bilhões

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Bukowski e a vocação literária


Encontrei no Viva Babel!

Roll the dice

if you’re going to try, go all theway.otherwise, don’t even start.
if you’re going to try, go all theway.this could mean losing girlfriends,wives, relatives, jobs andmaybe your mind.
go all the way.it could mean not eating for 3 or 4 days.it could mean freezing on apark bench.it could mean jail,it could mean derision,mockery,isolation.isolation is the gift,all the others are a test of yourendurance, ofhow much you really want todo it.and you’ll do itdespite rejection and the worst oddsand it will be better thananything elseyou can imagine.
if you’re going to try,go all the way.there is no other feeling likethat.you will be alone with the godsand the nights will flame withfire.
do it, do it, do it.do it.
all the wayall the way.
you will ride life straight toperfect laughter, itsthe only good fightthere is.

Tradução de Leda Beck

Role os dados

se vai tentar, vá até o fim.
caso contrário, nem comece.
se vai tentar, vá até o fim.
pode perder namoradas, esposas, parentes, empregos e talvez até a cabeça.
vá até o fim.
pode ficar sem comer por três ou quatro dias.
pode congelar no banco do parque.
pode ser preso.
pode receber escárnio, gozações, isolamento.
isolamento é um presente, todo o resto é um teste da sua resistência, de quão forte é a sua vontade.
e você fará a despeito da rejeição e dos piores azares e será melhor do que qualquer coisa que possa imaginar.
se vai tentar, vá até o fim.
não há outra emoção como essa.
você estará sozinho com os deuses e as noites queimarão como fogo.
faça, faça, faça. faça.
até o fim até o fim.
você cavalgará a vida diretamente para o riso perfeito.
essa é a única boa luta que existe.

Governo Lula criou 20 vezes mais vagas do que governo FHC


Encontrei no blog Os Amigos do Presidente Lula

O saldo de novos empregos com carteira assinada durante os oito anos do governo Lula foi mais de 20 vezes maior do que os oito anos em que Fernando Henrique Cardoso esteve à frente do País. De janeiro de 2003 até dezembro de 2010, o Ministério do Trabalho registrou a criação de 15,048 milhões de vagas formais. No período de 1995 a 2002, foram 726 mil.

Mais do que as crises internacionais que abalaram o País, o economista da Tendências Consultoria Integrada Rafael Bacciotti salientou que, nos últimos anos, o Brasil foi marcado pela estabilidade da economia e da inflação. "Esses números de emprego refletem toda a mudança estrutural da economia", analisou. Com maior previsibilidade e menos risco, as empresas têm, segundo ele, maior facilidade para incorporar mão de obra formal em seus quadros.

Bacciotti salientou ainda que nos últimos anos a fiscalização no mercado de trabalho também contribuiu para os números positivos na era Lula.

Bom dia, Chico Pena Branca!


Audrey Hepburn canta Moon River, de Johnny Mercer e Henry Mancini, no filme Bonequinha de Luxo (1961), com direção de Blake Edwards.

domingo, 23 de janeiro de 2011

CRIME CONTRA A HUMANIDADE

Encontrei no blog do Gilson Sampaio

Sanguessugado do redecastorphoto

Raul Longo

Suponha-se que alguém resolva utilizar da imagem de Slobodan Milosevic ou dos massacres étnicos dos anos 90 na antiga Iugoslávia, para tirar algum novo proveito político nos Bálcãs.

Até se pode considerar exagero comparar a índole desse hipotético alguém com os que promoveram a crueldade condenada como crime contra a humanidade. Mas deixaria de ser igualmente criminoso?

O uso do terremoto do Haiti, por exemplo, por manipulação, omissão ou emissão de intencionais falsas informações sobre aquela tragédia; poderá ser considerado como digno de manifestação da civilização humana?

Slobodan Milosevic

O que é mais trágico? O inevitável evento natural de um tsunami, de um terremoto, de uma avalanche, uma tromba d’água provocada por uma tempestade, uma precipitação desproporcional; ou o que se utiliza da desgraça alheia, de centenas de vidas perdidas numa hecatombe ou numa determinação genocida, para induzir compreensões errôneas, para falsificar fatos?

Não se pode acusar um cataclismo de desumano, afinal os desastres naturais não possuem humanidade, mas qual humanidade possui a instituição que faz uso de uma calamidade, demonstrando idêntico desrespeito à vida humana que o dos que ordenaram os extermínios nos campos nazistas? Ou daqueles que comandaram o massacre de Gaza, de Ruanda, do Camboja?

Atentem para esta nota emitida pela Prefeitura Municipal de Teresópolis: “A Prefeitura de Teresópolis esclarece que está trabalhando em parceria com a Cruz Vermelha. O Governo Municipal e a organização humanitária estão empenhados em ajudar a quem está precisando neste momento de tantas dificuldades. Este é o objetivo: trabalhar em conjunto em prol da população e das pessoas atingidas pelo forte temporal que assolou a Região Serrana.”

Cruz e Cascente Vermelhos

Foi provocada por esta publicação no Globo on line: “RIO - Seis dias depois da tragédia e ainda com centenas de pessoas ilhadas e precisando de socorro, um incidente está atrapalhando os trabalhos de assistência aos desabrigados de Teresópolis na manhã desta segunda-feira. Membros da Cruz Vermelha e voluntários que trabalham na cidade acusam a prefeitura de Teresópolis de suspender a assistência que vinha sendo prestada pelo grupo à população da cidade.”

A acusação é seriíssima! A Cruz Vermelha é uma entidade internacional de importância que suplanta praticamente todas as demais. A Cruz Vermelha nos países cristãos ou o Crescente Vermelho nos países muçulmanos, por seu histórico, é mais significativa do que a UNICEF, a UNESCO e a própria ONU.

Hermann Goering

Um agente público que numa situação como a sofrida pela população da região serrana do Rio de Janeiro, com o alarmante número de mortos, desaparecidos e feridos, na eminência de surtos epidêmicos provocados em tais ocasiões; impede a atuação da Cruz Vermelha, justifica uma investigação rigorosa e explicações não só às vitimas da cidade, do estado ou do país. Mas ao mundo!

Por outro lado, apesar de compreensível que o caos instaurado na região gere boatos e mal entendidos pela comoção e emotividade dos atores ali envolvidos, as empresas de comunicação que formam a instituição conhecida como Organizações Globo são reincidentes em especular com a desgraça alheia. Em Santa Catarina, por exemplo, o grupo RBS, associado à Globo, acaba de demitir o colunista Luiz Prates pela negativa repercussão nacional de uma nota em que culpa o governo brasileiro, ao qual qualificou de espúrio, pelos atropelamentos ocorridos na capital do estado, sugerindo que pobres deveriam ser impedidos de dirigir.

Luiz Carlos Prates - intelectual da Globo

Segundo funcionários da RBS, Prates é ali considerado um intelectual. Imagine-se o que sejam os demais! Um exército de Pol Pot? Slobodan? Goehring? Amin Dada? Talvez por essa consideração, a empresa anunciou que o ex-funcionário doravante se dedicará a projetos pessoais. Estéril especular a quais projetos terá se dedicado Prates até aqui, além de proferir e escrever sandices para promover intolerâncias, preconceitos e reacionarismos na preconceituosa elite catarinense; mas bem inversos a isso, os populares de Florianópolis já cogitam que Prates abrirá um lava-rápido para atender ao aumento de automóveis nas ruas da cidade.

Ao povo só resta fazer piada de tais mazelas que se lhe impõe, pois em nome de duvidosa “liberdade de imprensa”, o Poder Judiciário Brasileiro se comporta como conivente à ação nitidamente criminosa da Rede Globo e de outros grupos de empresas de comunicação, como quando culparam pessoalmente o Presidente Lula no imediato momento em que ocorreu o desastre com maior número de vítimas fatais da história da aviação brasileira.

Idi Amin Dada

Perceptivelmente, a Globo anseia por cadáveres! Às centenas, aos milhares! Brasileiros que se cuidem, pois se houver oportunidade repetem aqui um 11 de setembro como o de Nova Iorque e de maiores proporções, pois para a Globo quanto maior a desgraça, melhor! Mas se o Poder Judiciário do país é conivente aos crimes da Globo, comprovando-se neste caso de Teresópolis mais uma manipulação de informações para aumentar a comoção popular e piorar ainda mais a tão drástica situação, o Brasil, que acaba de ser condenado na OEA pelos crimes cometidos pela “ditabranda” da Folha de São Paulo, têm de ser julgado nos tribunais internacionais por crime contra a humanidade.

Lá vai a Justiça Brasileira, outra vez, para o banco dos réus! Uma vergonha global!

sábado, 22 de janeiro de 2011

Franklin Martins, Ministro chefe da SECOM: Eles mentem e saem de "fininho".

Encontrei no Com Texto Livre

Em 30 de setembro de 2010 o periódico francês Courrier International publicou uma matéria sob o título "Une presse très remontée contre Lula", em que opina que o presidente Lula enfrentaria uma oposição por parte da imprensa liderada por quatro grupos: Folha de S. Paulo, Grupo Abril, O Globo e O Estado de S. Paulo. No artigo, o autor Paul Jürgens chega a acusar o tom da oposição de caricatural. Leia mais aqui.
Leia aqui o perfil do jornalista Franklin Martins.
Na entrevista abaixo (22/12/2010), o jornalista fala da partidarização da "grande" mídia brasileira, seus métodos, seu "jornalismo apressado e mal feito" e sua influência na formação da opinião pública.



Clique aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, para ver alguns exemplos de contestações da "má vontade" da mídia, e "desmontando" uma farsa, aqui e aqui.

By: Professor Virtual

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A HISTÓRIA NÃO TEM VAGINA?


Encontrei em Um pouco de tudo. Tudo de um pouco.

Há uma coisa importante sobre as palavras: elas são históricas, dependem das vontades humanas. E por isso, muitas acabam distorcidas, outras interditas. Numa sociedade historicamente dominada pelo macho e pelos moralismos, é fatal que certas palavras tenham desaparecido dos discursos na esfera pública. Muitas viram palavrão e a sua pronúncia acaba considerada ofensiva.

Um dia destes, um jornal português publicou um texto a dizer que a medicina fala pouco na vagina. Era uma matéria interessante, mas o que me chamou a atenção foi a reação dos leitores no site do jornal. Eram todos homens... E estavam todos indignados com a reportagem. Diziam que não era coisa de jornal sério. Cuma? Foi aí que Batman e Robin, os meus dois neurônios ginecocratas, se puseram a elucubrar:

– Não é à toa que os sujeitos acharam estranho. Afinal, se a medicina fala pouco sobre a vagina, a imprensa ainda menos... É tabu.

Pois é sobre o que vou falar hoje.

PURITANOS – O apagamento da palavra vagina é coisa típica de uma sociedade machista e moralista, que sempre andou muito preocupada em negar o prazer às mulheres. Aliás, não pense que a clitoridectomia é coisa imaginada apenas por povos bárbaros africanos. Os puritanos que colonizaram os Estados Unidos também propunham o uso de substâncias químicas no clitóris para impedir que as mulheres tivessem prazeres solitários.

O fato é que a vagina tem história. Uma história que parece assustar os homens. Aliás, houve um tempo (em Homero e depois dele) em que se acreditava que os homens andavam arredados do processo de concepção. Havia a crença de que as mulheres eram engravidadas por seres microscópicos que se moviam ao vento e entravam no organismo feminino para a fertilização. Virgi!

Heródoto narrava que as mulheres egípcias embarcavam em canoas e mostravam as partes íntimas aos povos das margens do Nilo em sinal de chiste. Durante muito tempo, as mulheres somalis mostravam a vagina quando queriam ofender alguém. E já escrevi aqui sobre a imperatriz Wu Hu, que obrigava os convidados a darem lambidelas nas suas partes baixas.

DEMONIZAÇÃO – Nem sempre a vagina foi tratada com tantos pruridos, como hoje em dia nas sociedades moralistas. É mesmo demonizada, uma coisa que vem desde os tempos da Inquisição. Aliás, em tempos mais recentes, a ciência estabeleceu uma relação entre a histeria e a vagina. No fim do século 19 e início do século 20, muitos médicos aderiram à técnica de masturbar as suas pacientes para curar a doença.

E vem da Itália um dos registros históricos mais curiosos. Quando foi deposto, Mussolini acabou preso pelos inimigos, que o executaram ao lado de Clara Petacci, a sua amante. O requinte da vingança foi pendurar o corpo dos dois numa praça de Milão. Mas como Clara estava de saias, os executores amarram as suas vestes, para que as suas partes íntimas não fossem vistas. Temiam os executores que a visão da vagina de Clara Petacci desviasse as atenções do povo para o que realmente importava: a morte de Mussolini.

O fato é que se fala muito no pênis, ao mesmo tempo em que há um grande silêncio sobre a vagina. É como se fosse um palavrão, uma coisa ofensiva. Aliás, qualquer um de nós, homens que têm internet, está farto de receber aqueles e-mails manhosos com a proposta de “enlarge your penis”. Mas duvido que alguém tenha recebido algum de “fit your vagina”. É ou não, leitor e leitora?

É como diz o velho deitado: “Uma história sem vagina é incapaz de gerar frutos”.

Fonte: http://www.clicrbs.com.br/anoticia/

O fundo do poço



Artigo de Carlos Motta, publicado no Crônicas do Motta

De todas as sordidezas perpretadas pela imprensa nacional nos últimos tempos como arma (pouquíssimo eficiente, é verdade) para fustigar o governo Lula, acho que nenhuma excede o que a Rede Globo de Televisão fez, outro dia, no outrora onipresente Jornal Nacional: editar um trecho da primeira reunião ministerial em que a presidente Dilma e auxiliares aparecem rindo, descontraídos, como se fosse essa a reação do grupo à calamidade que se abateu sobre o Rio.

Vi as imagens na internet (vídeo acima), pois há muitos anos desisti de qualquer contato com o JN, assim como evito ficar perto de outras pestilências que se travestem de jornalismo para infectar os incautos.

Deu nojo.

A edição é de um nível tão grande de canalhice que dificilmente o pessoal da Globo conseguirá se superar - pelo menos a médio prazo.

O que me intriga, ao presenciar um ato de tal escrotidão, é saber o que realmente pretendem as pessoas responsáveis por ele.

Será que realmente pensam que, fazendo isso, vão levar os telespectadores a julgar que a presidente Dilma e seus ministros são um bando de cretinos insensíveis que vieram ao mundo para gargalhar das tragédias, zombar dos pobres coitados que perderam tudo - família, amigos, casas, carros, os seus bens -, e isso em frente das câmeras das emissoras de TV, para que todos vejam o quanto de desumanidade e crueldade existe neles?

Todo mundo sabe que a Globo e vários outros órgãos de comunicação do país ainda não digeriram a derrota do seu candidato à Presidência. Apostaram alto nele e ele perdeu - e Lula ganhou, conseguiu fazer de Dilma a sua sucessora.

Todos sabem que essa imprensa age como um partido político, no vácuo de uma oposição que vaga sem rumo há muitos anos, pretendendo que o Brasil retome o caminho "luminoso" da cartilha neoliberal - essa mesmo que atrasou o desenvolvimento do país em décadas e fez as principais economias globais derreterem como gelo exposto ao sol do meio dia.

É uma guerra que foi decretada.

Todos sabem, porém, que até a guerra, a mais pérfida das criações humanas, tem uma ética.

Todos sabem, menos, ao que parece, a TV Globo.


Nota do blog:
Outro artigo interessantíssimo sobre o mesmo assunto pode ser lido no excelente blog Escreva Lola Escreva.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Paulo Freire, o libertador

Via MST

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Encontrei no blog do Gilson Sampaio

Por Max Milliano Melo

Do Correio Braziliense

O pernambucano revolucionou a educação, que deixou de ser a simples transmissão de conteúdo para ser encarada como uma forma de transformação da vida. Sua obra influenciou especialistas do mundo todo, principalmente nos países mais pobres.

Para o que serve a educação? Para ler corretamente? Para contar sem errar? Para escrever sem dificuldade? Muita gente pode achar que é apenas para isso, mas Paulo Freire acreditava que a educação servia para muito mais. Para ele, mais que entender como somar, dividir ou decodificar os sons das letras, na escola se deveria ganhar o passaporte para a dignidade. Fundador da pedagogia da libertação, o filósofo e pedagogo pernambucano entrou para a história como o fundador de uma nova linha de pensamento em que lápis e livros tomam o lugar das ferramentas na luta por uma vida melhor.

Nascido em uma família de classe média de Recife, em 19 de setembro de 1921, Paulo Reglus Neves Freire poderia ter levado uma vida de conforto, protegido dos males do mundo. No entanto, quando tinha 8 anos, a crise desencadeada pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, que levou ao período de depressão da década de 1930, apresentou ao menino bem nascido uma realidade comum a muitos brasileiros: a fome. Dizem que as experiências vividas na infância são para a vida toda. Com o garoto Paulo não foi diferente. Mesmo com a recuperação da economia, que levou sua família de volta à classe média, as marcas ficaram no seu modo de pensar.

Ao se formar em direito, pela Universidade de Recife, em 1946, o pensador decidiu que não seguiria a carreira. Decidiu tornar-se educador em uma escola de ensino médio na periferia da cidade. Por se destacar como docente, acabou sendo nomeado chefe do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de Pernambuco, cargo que lhe possibilitou realizar suas primeiras experiências na alfabetização de jovens e adultos. "Até então, tudo que se tinha na área pedagógica era voltado para crianças, enquanto o número de adultos analfabetos no país só crescia e nenhum política era elaborada para esse público", lembra Maria Madalena Torres, educadora popular do Centro de Educação Paulo Freire de Ceilândia.

Diante dessa realidade, o pernambucano iniciou os primeiros programas educacionais do país voltados exclusivamente para adultos. O resultado foi tão bom que, em 1961, Freire foi nomeado chefe do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife e, no ano seguinte, desenvolveu um de seus trabalhos mais marcantes: criou um método que permitiu alfabetizar um grupo de 200 cortadores de cana-de-açucar em apenas 45 dias.

A experiência bem-sucedida com os cortadores resultou no que é conhecido hoje como Método Paulo Freire. "Apesar do nome, não se trata de um método e sim de um complexo sistema no qual a educação é instrumento de desenvolvimento do adulto", conta Maria Madalena. O diferencial do instrumento freiriano foi aproximar educadores e metodologia da realidade do aluno, aumentando o interesse dos educandos e diminuindo drasticamente a evasão escolar, um dos principais problemas da educação de jovens e adultos (EJA) até hoje.

"Como ensinar uma pessoa que com a letra f se escreve foca se, provavelmente, ele nunca viu um animal desses?", indaga a pedagoga. Por isso, no método criado por Paulo Freire, todo trabalho é baseado em palavras e situações próximas do cotidiano do educando. Outra preocupação é não infantilizar a educação de adultos. "Até hoje, é muito comum utilizar na alfabetização de pessoas mais velhas palavras como pirulito, doce, brinquedo, que são ligadas ao universo infantil. Pelo método de Paulo Freire, essas expressões são ligadas a palavras mais adultas, como trabalho, salário, ferramenta, comida", explica.

Consciência

Além da mudança metodológica que Paulo Freire trouxe para a educação, sobretudo a de adultos, outra mudança fez seu trabalho ainda mais importante. "Ele revolucionou filosoficamente a maneira como encaramos a educação, de simples ensinar, para uma forma de promover a liberdade do indivíduo", conta o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ex-ministro da Educação, Buarque trabalhou com o educador em dois momentos: na época de estudante universitário, participando dos projetos educacionais de Paulo Freire, e como reitor da Universidade de Brasília (UnB), quando Freire fez parte do conselho diretor da Fundação ligada à UnB.

Para Freire, ao aprender a ler e a escrever, o indivíduo se tornava mais consciente politicamente e socialmente, tendo melhores condições de lutar por seus direitos. Ele propunha uma pedagogia da libertação, ou pedagogia do oprimido. "Esse pensamento influenciou pedagogos do mundo todo, em especial de regiões mais pobres, como a América Latina e a África. Certa vez, em uma visita a El Salvador, encontrei, em um determinado local, um busto de Paulo Freire", conta Cristovam Buarque.

A revolução que Paulo Freire provocou em algumas comunidades nordestinas acabou tomando proporções nacionais, e ele foi convidado pelo então presidente da República, João Goulart, para expandi-la para o restante do país. A iniciativa que poderia ter causado a erradicação do analfabetismo brasileiro, no entanto, teve uma vida curta. "Com o início do regime militar, todos os programas que ele conduzia foram cancelados. Se hoje temos 64 milhões de brasileiros sem ensino fundamental e 14 milhões de analfabetos é porque os projetos dele foram interrompidos", acredita Maria Madalena Torres.

Preso e exilado pelo regime militar, que se incomodava com a influência marxista em sua obra, Paulo Freire permaneceu no exterior até os anos 1980, quando, beneficiado pela Lei da Anistia, pôde finalmente retornar ao país. Após seu retorno, fundou o instituto que leva seu nome e trabalha para divulgar suas idéias e seu trabalho. Em 2 de maio de 1997, morreu vítima de um ataque cardíaco em São Paulo. Em 2009, a Justiça Federal, no Fórum Mundial de Educação Profissional, realizado em Brasília, fez o pedido de perdão póstumo à viúva e à família do educador, assumindo o pagamento de reparação econômica. Para muitos especialistas, porém, o maior prejuízo foi do país, que se viu privado, durante anos, das ideias do educador.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Passaporte para o preconceito provinciano da classe média

Artigo de Conceição Oliveira, publicado no blog Maria Frô

Ando espantada com a pequenez humana. A Folha, Veja e Cia tentarão de todas as formas manchar a história de um presidente que durante os seus dois mandatos beneficiou não apenas os mais pobres, mas também a classe média e empresários.

O crescimento econômico do país foi benéfico para todos, a importância que o país ganhou no cenário internacional beneficia até mesmo uma parcela da classe média rancorosa e moralista com a vida alheia e que muito embora beneficiada, culturalmente não mudou nada.

Ontem no twitter li mensagens agressivas, equivocadas e até mesmo detratoras dirigidas aos filhos de Lula. Algumas delas eram a revisitação do Cansei. Na mídia velha teve até presidente da OAB, cuja presteza para exigir a devolução dos passaportes dos filhos do presidente Lula renovados legalmente foi espantosa, pena que o presidente da OAB não tenha a mesma rapidez pra repudiar crimes homofóbicos praticados no Brasil, que não se mexa para punir grupos protofascistas que querem acabar com os nordestinos e outras sandices desta parcela da classe média preconceituosa, rancorosa e vergonha alheia.

O factóide da Folha, o twitter e o respeito do Brasil no exterior

A história da renovação dos passaportes especiais já estava na imprensa há pelo menos uns dois dias. Não houve absolutamente nada ilegal na renovação. Os filhos do presidente têm direito a ter passaporte especial cujo único benefício é passar por uma fila diferenciada destinada a diplomatas, alguns artistas e empresários que também podem conseguir tal benefício.

Lula governou por dois mandatos, os passaportes emitidos (e nunca usados) foram renovados, este é o fato. Poderiam ter sido renovados antes, mas possivelmente algum burocrata do Itamaraty esqueceu de fazê-lo e o fato de tê-los renovado poucos dias antes da saída do presidente fez a Folha jogar lama na família de Lula e a classe média moralista, que em governos anteriores economizava anos pra fazer uma viagem internacional e hoje tem raiva de ver pobre no aeroporto, caiu matando no twitter contra Marcos Lula e Luís Cláudio.

Durante o governo Lula esta mesma classe média pôde viajar para os 27 países da União Européia, ficar por três meses sem precisar de vistos. Antes tiravam até as cuecas pra passarem em detector de metal, éramos humilhados, viajantes do terceiro mundo para o Velho, pomposo e preconceituoso mundo. Lula mudou isso.

É inegável o respeito que experimentamos ao viajar para o exterior (falo dos que viajam realmente para turismo, dado que a xenofobia européia tem crescido e se voltado contra os estrangeiros que querem migrar ilegalmente).

Em alguns países dizer que é brasileiro imediatamente nos concede um ‘passaporte’ de boas vindas, um tratamento mais simpático. Vivi isso nos vários países africanos que fui e em Portugal, o único país europeu para o qual viajei até então. Lula é o Cara também para cidadãos de países estrangeiros.

Tudo isso aconteceu porque o governo Lula soube impor respeito e fazer os demais governos respeitar o Brasil. Anos atrás o governo espanhol desrespeitou brasileiros e imediatamente nosso governo reagiu. O princípio da reciprocidade vem sendo aplicado pelo Itamaraty: sempre que ocorreu abusos, xenofobia e preconceito em relação a brasileiros no exterior e não prevaleceu o entendimento bilateral, o governo brasileiro reagiu protegendo os brasileiros.

Os direitos de presidentes e ex-presidentes e suas famílias

Filhos de presidente têm direito à segurança da PF e é bom que tenham, porque presidente é alvo de todo tipo de chantagem. Em 2008, Fernando Beira-Mar tramou junto com Marcola e Abadia o seqüestro do caçula de Lula. Imaginem se a PF não agisse o que ocorreria com um presidente que tem seu filho em mãos de traficantes sanguinários como estes.

Eu conheci o Marcos Lula na Paulista, nas comemorações da vitória da eleição de Dilma, logo após sabermos o resultado do segundo turno.

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Marcos estava alegre, eufórico, tinha vindo dirigindo um carro de som de São Bernardo até a Paulista. É um homem bastante simples no falar, agir, se vestir. Marcos Lula não gosta de andar com seguranças (e até então ele tinha este direito garantido constitucionalmente) e neste dia tinha enganado todos eles e estava sem seguranças. Todos nós nos espantamos e ele levou bronca dos amigos. Nesses oito anos, Marcos não viajou para os EUA, Europa, Ásia ou África e muito possivelmente não conheça nem os EUA ou qualquer dos países desses continentes.

Vi fotos de Marcos Lula durante a posse da presidenta Dilma Rousseff. Ele poderia estar ao lado do pai na cerimônia de entrega da faixa presidencial, mas estava com a gente, o povo, povo como ele é.

Fico imaginando o quão complicado é lidar com toda esta exposição de modo tão gratuito, virando motivo de chacota pelos oportunistas de sempre e sendo achincalhado inclusive por fogo amigo. Poucos foram os que se dirigiram ao Marcos para perguntar o ocorrido. Compraram de bom grado a versão de que é ‘imoral’, mesmo que juridicamente a renovação fosse legal. Houve até quem tentasse vender a idéia de que o passaporte legalmente renovado fazia parte da filosofia do ‘rouba mais faz’!

Alguns petistas ou simpatizantes se sentiram desconfortáveis com a renovação dos passaportes e a exposição na imprensa do factóide. O blogueiro @viniciusduarte, que não tem nada a ver com esta classe média rancorosa que descrevi anteriormente, achou que a renovação foi uma carteirada burra. Caro Vinícius, pergunto: por acaso Lula obrigou o Itamaraty a renovar os passaportes? Outro blogueiro, @aleportoblog, achou o ‘regalo’ dispensável. Discordei também, não é possível tratar a renovação legal de um documento como ‘regalo’.

Nas críticas de pessoas como Vinícius e Alê a renovação soou como privilégio da cultura do “você sabe com quem está falando”. Se conhecessem Marcos veriam que isto é uma bobagem, aliás tenho até dúvidas se o Marcos em pessoa foi atrás da renovação de um passaporte que jamais usou, que nem teve em mãos e diante da fúria da esquerda e direita já até dispensou. Na minha opinião isto sim é um erro, afirmar que vai dispensar o passaporte.

Há nas críticas que enxergo como crítica da ‘esquerda’ um purismo bobo, que caiu no jogo plantado pela Folha de que se é legal não deixa de ser ‘imoral’.

É bom lembrar que para a Folha qualquer direito do ex-presidente é tratado como coisa de deslumbrado, como algo que não é legítimo, como se Lula fosse um usurpador. Lembremos de alguns factóides que a mídia velha tentou escandalizar: o preço do vinho que Lula tomou em 2003 para comemorar sua posse; os seus ternos como presidente da República do Brasil ou as roupas de dona Marisa, a primeira-dama; o avião da presidência ou o staf das viagens internacionais que no Brasil é chamado de SCAV (escalão avançado).

O staf de Lula perto do que acompanha Obama em suas viagens internacionais chega a ser ridículo em números. Lula durante seus dois mandatos viajava com 30, 40 pessoas no máximo, Obama com 2000 pessoas. A direita que adora comparar o Brasil inculto com os EUA civilizados acha o que disso?

Ora, Lula foi um chefe de Estado e tem de seguir os protocolos do cargo. Mas da esquerda à direita se cobrou do presidente que ele se portasse como um operário. A esquerda defendendo o purismo das origens, seja lá o que isso signifique e, a direita, porque esta não engole mesmo o fato de um ex-operário tornar-se o presidente mais bem sucedido da história do país.

Voltando aos pseudo moralistas de plantão: eles precisam apontar o dedo, porque, afinal, Marcos é ainda aquele rapaz simples, filho de ex-operário, o mesmo que era xingado na escola quando pequeno e viu seu pai preso e os amigos apontando o dedo e o chamando de ‘filho de ladrão’. À época seu pai era o líder operário mais importante do país, resistindo à ditadura militar. Hoje, seu pai é o líder político mais importante do Brasil, porque reconstruiu um país sem esperanças, injusto, desigual, com baixa auto-estima e deixou o governo com 87% de aprovação.

Nesta primeira semana após a troca de governantes na Presidência não foi só Marcos e Luis Cláudio que foram desrespeitados pelos falsos moralistas de plantão, alimentados pelo factóide da Folha: também o pai deles, o ex-presidente Lula, foi perseguido pelos fotógrafos do jornal da Ditabranda que acha que o ex-presidente não pode descansar, ter alguns dias de férias. Não passa pela cabeça destes jornalistas desrespeitosos que Lula jamais vai conseguir ficar tranqüilo com sua família mesmo que seja no resort de Comandatuba. A simples presença de Lula em qualquer espaço atrairá multidões de fãs e de paparazis sem noção. Onde mais Lula poderia ter um pouco de paz que não fosse em uma base militar?

Ex-presidentes constitucionalmente têm alguns direitos. Eles têm, por exemplo, direito a seguranças e transporte. Foi fundamental este direito nestas eleições. Após o episódio da bolinha de papel, havia um boato circulando de que ocorreria tumulto na caminhada de FHC, em São Paulo, em apoio a candidatura Serra.

Lembro-me do ator José de Abreu, no twitter e em suas famosas twitcams, chamando a atenção para o fato de que isso seria um factóide, lembrando que FHC estaria rodeado de seguranças.

FHC pode ir aonde quiser desde que deixou a Presidência da República e o maior risco que corre é levar uma bolinha de papel na cabeça e o exaltado que ousar agredir um ex-presidente vai ter muita dor de cabeça.

FHC é um presidente impopular, antipático, síntese desta mesquinharia que acomete uma parcela da intelectualidade brasileira que se sente superior aos demais e assim é tratada, inclusive pela velha mídia.

FHC teve um filho fora do casamento que toda a imprensa sabia, mas demorou cerca de 20 anos pra falar no assunto, enquanto em 1989 Collor, que teve todo espaço na mídia pra seu jogo sujo, fez da filha de Lula, Lurian, criada pela mãe de Lula, reconhecida por Lula e nascida antes do casamento com Marisa Letícia e após a morte de sua primeira esposa, um escândalo eleitoral.

A filha de FHC ‘trabalhou’ tranquilamente no Senado (nunca apareceu por lá) sem que a família Cardoso fosse incomodada pela imprensa. Mas a renovação legal de dois passaportes para os filhos de Lula (que ainda era o presidente quando o fato ocorreu) foi transformada num escândalo com direito até mesmo de o presidente da OAB se meter, ameaçar e fazer coro a escandalização do nada.

Não me surpreenderei se ver um novo Cansei querendo cassar os direitos legais até então usufruídos tranquilamente por Collor, Itamar, FHC e agora, por direito, também por Lula. Porque para estes falsos moralistas de plantão, já foi uma afronta intolerável ter de conviver aceitando um ex-operário ter sido eleito e reeleito presidente da República do Brasil, quem dirá permitir que Lula viva com a dignidade que um ex-presidente constitucionalmente tem direito de viver.

Lula passou oito anos sendo esculhambado, mas mesmo assim deu tudo de si para o Brasil e o Brasil pós-Lula é um Brasil muito melhor para o seu povo. Será que os brasileiros farão coro aos leitores da Folha e não permitirão que o Brasil tome conta de Lula?

PS. Atualização, aconselho aos inconformados a ler o bom post do Eduardo Guimarães e as matérias citadas do Estadão e do R7.

Ps2: Um tweet do ex-presidente da FioCruz, Carlos Morel, sintetizou em tão poucos caracteres tudo que eu queria ter dito:

@aleportoblog @MarcosLula Ex-Presidentes e famílias têm tratamento similar e digno na maioria dos países democráticos. Só Lula não pode ter?08/01/2011 1:03 via web


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Contraponto 4373 - "Mike Whitney explica o ódio de Washington contra Chávez"

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Via ContrapontoPIG

Do Viomundo - 5 de janeiro de 2011 às 14:45

Venezuela vs. os Bancos

Why Washington Hates Hugo Chavez [Porque Washington odeia Hugo Chavez]

By MIKE WHITNEY, no Counterpunch

No fim de novembro a Venezuela foi martelada por chuvas torrenciais e enchentes que deixaram 35 pessoas mortas e 130 mil desabrigadas. Se George Bush fosse o presidente, em vez de Hugo Chavez, os desabrigados seriam empurrados sob a mira de armas para prisões improvisadas — como a Superdome – como aconteceu depois do furacão Katrina. Mas esta não é a forma de trabalho de Chavez. O presidente venezuelano rapidamente aprovou “leis habilitantes” que deram a ele poderes especiais para dar ajuda de emergência e moradia para as vítimas das enchentes. Chavez mandou limpar o palácio presidencial e deu moradia nele a 60 famílias, o que seria o equivalente a transformar a Casa Branca em um abrigo para os sem teto. As vítimas do desastre estão agora sendo alimentadas e cuidadas pelo estado até que possam ficar em pé e retornar ao trabalho.

Os detalhes do que Chavez fez foram omitidos pela mídia dos Estados Unidos, onde ele é regularmente demonizado como “autoritário esquerdista” ou ditador. A mídia se nega a admitir que Chavez diminiu a diferença de renda, eliminou o analfabetismo e deu cobertura de saúde a todos os venezuelanos, reduziu a desigualdade e aumentou o padrão de vida para todos. Enquanto Bush e Obama estavam expandindo as guerras externas e aprovando cortes de impostos para os ricos, Chavez estava ocupado melhorando a vida dos pobres e necessitados, ao mesmo tempo em que enfrentava a última onda de agressão dos Estados Unidos.

Washington despreza Chavez porque ele se nega a dar os vastos recursos da Venezuela para as elites corporativas e os banqueiros. É por isso que o governo Bush tentou depor Chavez em um golpe fracassado em 2002 e é por isso que o fala-mansa do Obama continua a lançar ataques clandestinos contra Chavez hoje. Washington quer troca de regime para poder instalar a marionete que dará as reservas de petróleo da Venezuela para o “big oil” [grandes companhias petrolíferas privadas], enquanto transforma em inferno a vida dos trabalhadores.

Documentos recentemente divulgados pelo Wikileaks mostram que o governo Obama aumentou sua interferência nos assuntos internos da Venezuela. Aqui está um trecho de um documento divulgado pela advogada e autora Eva Golinger:

“Em documento secreto de autoria do atual subsecretário assistente de estado para assuntos do hemisfério, Craig Kelly, mandado da embaixada dos Estados Unidos em Santiago em junho de 2007 para o secretário de Estado, a CIA e o Comando Sul do Pentágono, além de uma série de embaixadas dos Estados Unidos na região, Kelly propõe “seis áreas principais de ação para o governo dos Estados Unidos limitarem a influência de Chavez” e “recuperar a liderança dos Estados Unidos na região”.

Kelly, que fez o papel principal de “mediador” durante o golpe do ano passado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, classifica o presidente Hugo Chavez como “inimigo” em seu relatório.

“Conheça o inimigo: Temos de entender melhor como o Chavez pensa e o que pretende… para efetivamente enfrentar a ameaça que ele representa, precisamos conhecer melhor seus objetivos e como ele pretende perseguí-los. Isso requer melhor inteligência de todos os nossos paises”. Mais adiante no memorando, Kelly confessa que o presidente Chavez é um “adversário formidável” mas, acrescenta, “ele pode ser derrotado”. (Wikileaks: Documentos confirmam planos dos Estados Unidos contra a Venezuela, de Eva Golinger, no blog Postcards from the Revolution)

Os telegramas do Departamento de Estado mostram que Washington tem financiado grupos anti-Chavez na Venezuela através de organizações não-governamentais que dizem trabalhar pelas liberdades civis, direitos humanos e promoção da democracia. Esses grupos se escondem por trás de uma fachada de legitimidade, mas sua proposta real é a de derrubar o governo democraticamente eleito de Chavez. Obama apoia esse tipo de suversão tão entusiasticamente quanto Bush. A única diferença é que a equipe de Obama é mais discreta. Aqui está outro trecho no qual Golinger detalha o caminho do dinheiro:

“Na Venezuela, os Estados Unidos tem apoiado grupos anti-Chavez por mais de oito anos, inclusive aqueles que executaram o golpe contra o presidente em abril de 2002. Desde então, os fundos foram aumentados substancialmente. Um relatório de maio de 2010 avaliando o apoio estrangeiro a grupos políticos da Venezuela, feito a pedido do National Endownment for Democracy, revelou que mais de 40 milhões de dólares anuais são destinados a grupos anti-Chavez, a maioria através de agencias dos Estados Unidos… A Venezuela se destacou na América Latina como o país que mais recebeu fundos do NED para grupos de oposição durante 2009, com 1 milhão 818 mil e 473 dólares, mais que o dobro do ano anterior… Allen Weinstein, um dos fundadores do NED, revelou ao Washington Post, “o que fazemos hoje era feito clandestinamente pela CIA 25 anos atrás…” (“‘Operações na Sociedade Civil’ clandestinas dos Estados Unidos: Interferência na Venezuela continua a crescer”, Eva Golinger, no site Global Research).

Na segunda-feira, o governo Obama revogou o visto do embaixador da Venezuela em Washington em retaliação à rejeição de Chavez da nomeação de Larry Palmer para embaixador dos Estados Unidos em Caracas. Palmer tem sido abertamente crítico de Chavez e diz que existem ligações claras entre membros do governo Chavez e guerrilheiros esquerdistas da vizinha Colômbia. É uma forma torta de acusar Chavez de terrorismo. Ainda pior, a origem e a história pessoal de Palmer sugerem que a nomeação dele representa ameaça à segurança nacional da Venezuela. Considere os comentários feitos por James Suggett, do site Venezuelanalysis no Eixo da Lógica:

“Olhem a história de Palmer, trabalhando para os oligarcas apoiados pelos Estados Unidos na República Dominicana, Uruguai, Paraguai, Serra Leoa, Coreia do Sul e Honduras, “promovendo o Tratado de Livre Comércio da América do Norte [NAFTA]“. Da mesma forma que a classe dominante dos Estados Unidos indicou um afro-americano, Barack Obama, para substituir George W. Bush e para deixar o resto intacto, Obama, por sua vez, indica Palmer para substituir Patrick Duddy, que se envolveu na tentativa de golpe contra o presidente Chávez em 2002 e que foi um inimigo dos venezuelanos no período em que foi embaixador dos Estados Unidos na Venezuela”.

A Venezuela já está cheia de espiões e sabotadores dos Estados Unidos. Eles não precisam da ajuda da embaixada. Chavez fez a coisa certa ao fazer sinal negativo para Palmer. Além disso, Chavez desprovou as acusações espúrias de Palmer na semana passada, quando extraditou o comandante da ELN, Nilson Albian Teran Ferreira, o Tulio, para a Colombia, “a primeira extradição de um guerrilheiro colombiano para seu país”. A notícia não saiu na mídia ocidental (porque prova que Chavez não apoia os grupos paramilitares que operam na Colômbia).

A nomeação de Palmer não é “mais do mesmo”; mais interferência, mais subversão, mais problemas. O Departamento de Estado foi largamente responsável pelas assim-chamadas revoluções coloridas na Ucrânia, Líbano, Georgia e Quirguistão etc.; todas foram armações feitas para a TV, que colocaram de um lado os interesses de ricos capitalistas contra os de governos eleitos. Agora a turma da Hillary quer tentar a mesma estratégia na Venezuela. É papel do Chavez evitar isso, razão pela qual ele aprovou uma lei para “regulamentar, controlar ou proibir o financiamento estrangeiro de atividades políticas”. Enfrentar as ONGs é a única forma de se defender contra a interferência dos Estados Unidos e proteger a soberania venezuelana.

Chavez também está usando seus novos poderes para reformar o setor financeiro. Aqui está um excerto de um artigo intitulado “Assembleia Nacional venezuelana aprova lei fazendo dos bancos um ’serviço público’”:

“A Assembleia Nacional da Venezuela na sexta-feira aprovou legislação que define a indústria bancária como ’serviço público’, requerendo que os bancos contribuam mais para os programas sociais, a construção de moradias e outras necessidades sociais, tornando mais fácil a intervenção do governo quando os bancos não cumprirem as prioridades nacionais. A nova lei protege os bens dos clientes dos bancos no caso de irregularidades cometidas pelos donos… e estipula que o Superintendente de Instituições Bancárias considere o interesse dos clientes — não apenas dos acionistas… quando tomar decisões que afetem as operações bancárias”.

Então por que Obama não está fazendo o mesmo? Ele tem medo de qualquer mudança real ou é um lacaio de Wall Street? Aqui, mais um pouco do mesmo artigo:

“Numa tentativa de controlar a especulação, a lei limita a quantidade de crédito que pode ser dado a indivíduos ou entidades privadas ao fixar 20% como o máximo total de seu capital que o banco pode emprestar. A lei também limita a formação de grupos financeiros e proíbe os bancos de ter participação em corretoras ou empresas de seguros. A lei também estipula que 5% dos lucros brutos dos bancos devem ser dedicados a projetos elaborados pelos conselhos comunais; 10% do capital do banco deve ser colocado em um fundo para pagar salários e pensões em caso de falência. De acordo com dados de 2009 da Softline Consultores, 5% dos lucros brutos da indústria bancária da Venezuela no ano passado equivaleriam a 314 milhões de bolivares, ou 73,1 milhões de dólares, para programas sociais para atender as necessidades da maioria pobre da Venezuela”.

“Controlar especulação?” Aí está uma boa ideia. Naturalmente, os líderes da oposição chamaram as novas leis de “um ataque contra a liberdade econômica”, mas isso é pura besteira. Chavez está meramente protegendo o público das práticas predatórias dos banqueiros sedentos de sangue. A maioria dos americanos desejaria que Obama fizesse o mesmo.

De acordo com o Wall Street Journal, “Chávez ameaçou expropriar os grandes bancos no passado se eles não aumentassem os empréstimos para pequenos negócios e compradores de casas; desta vez está aumentando a pressão publicamente para mostrar preocupação com a falta de moradias para 28 milhões de habitantes da Venezuela”.

Caracas sofre de uma maciça falta de moradias que se tornou ainda pior por causa das enchentes. Dezenas de milhares de pessoas precisam de abrigo, razão pela qual Chavez está colocando pressão nos bancos para emprestar. Naturalmente, os bancos não querem ajudar, por isso estão no modo-bebê-chorão. Mas Chavez descartou a choradeira e os colocou “sob aviso”. De fato, na terça-feira, ele deu um alerta direto:

“Qualquer banco que escorregar… vou expropriá-lo, seja o Banco Provincial, o Banesco ou o Banco Nacional de Crédito”.

Bravo, Hugo. Na Venezuela de Chavez as necessidades básicas das pessoas comuns e trabalhadoras tem precedente sobre os lucros dos banqueiros. É surpresa que Washington o odeie?