LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

segunda-feira, 21 de março de 2011

Grupo de Mali - Tinariwen Amassakoul 'n' Tenere

10 mentiras e 10 verdades sobre o ateísmo

Encontrei no Vida em Órbita

domingo, 20 de março de 2011

A CIA e os Nazistas (The CIA and the Nazis)

Encontrei no Com Texto Livre

Abril de 1945. Os aliados invadiram os campos de concentração nazistas e o mundo teve o primeiro vislumbre das atrocidades impostas pelo regime de Adolf Hitler. Em Nuremberg, os aliados processaram os lideres nazistas por crimes contra a humanidade. Os mais perigosos criminosos de guerra foram levados a justiça, mas não todos.

"Há um mito de que os nazistas, essas pessoas terríveis cometeram estes crimes e, após 1945, desapareceram. Isto não é verdade..."

A verdade é que milhares de "ex-nazistas", entre os quais, muitos criminosos, foram trabalhar para o governo americano, sem o conhecimento da população. Durante a guerra, seus crimes incluiram supervisionar campos de trabalhos escravos e ordenar a morte de crianças órfãs. Os Estados Unidos, assim, tornaram-se eles próprios os piores nazistas!

Após a Segunda Guerra, seus nomes constaram na foha de pagamento americana como cientístas nos EUA ou agentes da inteligência na Europa.

"O governo americano estava querendo usar genocidas, protegê-los da justiça, escondê-los do povo americano." E ao mesmo tempo propagandearam o exagero do "Holocausto Judeu", multiplicando enormemente os reais acontecimentos. Por quê?

Como é possível um mesmo país acolher nazistas e apoiar abertamente Israel e o sionismo?

Documentos governamentais, revelados no anos 90, revelam que muitos "ex-nazistas", que espionavam para os EUA na Europa, forjaram informações. Alguns até trabalharam como agentes duplos para a URSS. Mas há quem diga que essa estratégia secreta americana, mesmo com falhas, era a única forma de vencer a guerra-fria. Será? Terá havido mesmo uma "Guerra Fria", já que a antiga União Soviética, através de Gorbachev, depois de morta, declarou nunca ter tido qualquer interesse em dominar o mundo ou guerrear com os estadunidenses?

"É um jogo duplo. As vezes tem de fazê-lo por uma causa maior", dirá a CIA e todos os presidentes do Império dos Estados Unidos. Na verdade é sempre a mesma farsa buscando dominação, e nada mais!

"Era a política americana contratar quem pudesse dar informações úteis, fosse criminoso ou não."

Até onde o governo estadunidense foi para encobrir os crimes de guerra destes recrutas e sessenta anos depois, será que o mundo sabe de toda a sórdida verdade?

"Eles podem dizer que revelaram tudo, mas temos de confiar no governo para acreditar". Mas uma coisa é certa: o governo dos Estados Unidos é o maior mentiroso de toda a história de todos os governos do mundo!

"Foi um escândalo, um dos maiores da inteligência americana." Mais uma desgraça para a dignidade de um país que, na verdade, talvez jamais tenha tido noção desse conceito!



Documentário completo AQUI.

sábado, 19 de março de 2011

A festa para Gorbachev


Crônica de Carlo Motta, publicada em seu blog no dia 03/03/11.

A internet avisa que Mikhail Gorbachev, o homem que acabou com a União Soviética, está celebrando seus 80 anos de vida de maneira discreta: vai receber cerca de 300 amigos e parentes num restaurante moscovita. Em Londres, porém, no dia 30, será homenageado no Royal Albert Hall, que deverá estar repleto de personalidades políticas e artísticas de vários lugares do mundo. Até membros da família real inglesa estão sendo esperados para o grande evento.

Dá para entender porque Gorbachev é mais festejado fora do que em seu próprio país. O processo de desintegração da URSS foi traumático, levou ao colapso vários Estados que se abrigavam sob o guarda-chuva soviético, deixou na penúria milhões de pessoas, tornou alguns poucos milionários, aprofundou as desigualdades.

Há muitos que culpam Gorbachev e suas perestroika e glasnost pela tragédia. Outros acham que ela era inevitável, pois as péssimas condições econômicas do urso soviético já indicavam a sua situação terminal.

Seja como for, o fim da URSS foi também o fim da carreira política de Gorbachev. O aclamado líder, com a ascensão do rival Boris Yeltsin, virou um fantasma a vagar pelo mundo a fazer palestras - esse parece ser o destino de quase todos os ex-presidentes...

Em novembro de 2008 lembrei aqui nestas "Crônicas" uma cena de comédia ocorrida durante uma visita de Gorbachev ao Estadão. A lembrança da breve estada do ex-líder soviético no jornal dos Mesquitas foi motivada por uma declaração que ele havia dado dias antes sobre a eleição de Obama Barack à Presidência dos Estados Unidos. Para quem não leu aquela crônica, aí vai ela abaixo, na íntegra.

Perco a amigo, mas não perco a piada...


Gorbachev e o jornal errado


Algum tempo depois de ter destruído a União Soviética, Mikhail Gorbachev passou a viver, entre outras coisas, de palestras, seguindo o exemplo de vários colegas ocidentais. Corria o mundo a divulgar seu feito, temperando a conversa com alguns conselhos e observações sobre política internacional, que os ouvintes fingiam acreditar ser sérios, para esquecer logo em seguida.

Tantas viagens acabaram trazendo-o ao Brasil, mais precisamente a São Paulo. Num intervalo do interminável oba-oba com que os nativos o presentearam, o líder aposentado foi parar no Estadão para ver como é que funcionava um dos principais baluartes da recém-florida democracia liberal que aqui se instalava.


Quando surgiu na redação, dezenas de curiosos, de contínuos a jornalistas de todos os calibres, o cercaram. Gorbachev parou diante de uma mesa, sorriu o sorriso dos predestinados, sentou-se na cadeira vaga e pegou um dos jornais que ali se achavam amontoados. Ao abrí-lo, o espoucar de flashes parecia fogos de artifício.


E não deu nem tempo de avisá-lo que havia escolhido o jornal errado: Gorbachev posava para a imortalidade do Estadão passando os olhos numa Folha!


A balbúrdia daquele momento foi tamanha que ninguém ligou para a gafe. O fato é que Gorbachev se despediu sob uma calorosa salva de palmas e um princípio de confusão, quando uma veterana integrante daquela equipe de bravos jornalistas agarrou a cadeira que o ex-líder havia usado e determinou, entre categórica e histérica:


- É minha, é minha! Ninguém mais vai sentar nela!


Bem, Gorbachev pode ter dado no Estadão uma aula de como não se faz marketing, mas ultimamente o veterano servidor do capitalismo liberal tem usado todas as lições que aprendeu dessa matéria para voltar à berlinda.


Deve ter imaginado que a crise financeira global é tão séria que até mesmo ele surge como uma opção para os desesperados chefes de Estado que se surpreendem a cada dia com mais novidades sobre os estragos causados pela insensatez de uma doutrina levada aos seus extremos.


Ao comentar a vitória de Barack Obama a jornais de diferentes línguas, Gorbachev aconselhou-o a adotar nos Estados Unidos a sua "perestroika" ("reestruturação"), receita a seu ver infalível para reanimar Estados em grau adiantado de decomposição.

Obama, de sólida formação acadêmica, sabe os efeitos que a perestroika teve na União Soviética e deve dispensar a sugestão.

O novo presidente dos Estados Unidos ainda não leu o jornal errado.

sexta-feira, 18 de março de 2011

O FIGURINO NADA A VER DE JOHN LENNON DA SILVA

Encontrei no Cloaca News



Se você chorou, como o tal João, já entendeu o que é a tal mímesis superior a que se referia um tal de Aristóteles...

quinta-feira, 17 de março de 2011

Mesmo Que Ela Fosse Criminosa... (Eût-elle été criminelle...). Vídeo imperdível



Encontrei no excelente Blog do Mello

Prosseguindo com exibição de vídeos na semana de homenagens ao Dia Internacional da Mulher, 8 de março. Não deixe de ver este documentário de curta-metragem do diretor francês Jean-Gabriel Périot, que recebeu vários prêmios internacionais. Participou também do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, em 2006, e da Mostra Internacional Minas, onde recebeu os prêmios de Melhor Diretor Internacional – Prêmio do Júri Oficial, para Jean-Gabriel Périot, Melhor Montagem Internacional – Prêmio do Júri Oficial e Melhor Som Internacional – Prêmio do Júri Oficial.

Em aproximadamente nove minutos, o filme mostra como estava a França, logo após a retirada dos nazistas, em 1944, quando o país readquiriu sua soberania.

Num trabalho de montagem incrível, Périot consegue narrar desde a ocupação até a retirada das tropas alemãs (com o ditador do bigodinho à côté) em pouco mais de dois minutos.

Em seguida, vem a alegria da libertação. Mas o filme mostra também – e esta é sua parte principal, destacada desde o título – o comportamento covarde e irracional de parte da população, que agride e humilha um grupo de mulheres, acusadas de terem se relacionado com os nazistas durante a ocupação. Como se boa parte da França não houvesse cooperado com os nazistas.

Como diz o título, ainda que fossem criminosas, o tratamento que lhes foi dispensado (repare num covarde que esbofeteia uma das mulheres, pouco depois do quarto minuto) mostra que os nazistas saíram, mas o nazismo ficou.

Descobri o filme por acaso, estava (e está) no Youtube, postado por alguém que não gosta de compartilhar e que por isso proibiu o embed. Foi ótimo. Trabalhei como uma e-mula (se é que me entendem), consegui o vídeo em .mov, passei-o para .divx e a qualidade está infinitamente melhor que a do egoísta (ainda se o muquirana fosse o autor do filme...).

É um monumento à estupidez humana, à mesquinharia, à pequenez, à covardia. Repare nos rostos das mulheres agredidas e humilhadas e nas expressões alegres e dissimuladas dos que deveriam apenas estar comemorando a vida, o fim do bode da ocupação nazista.

Confira, compartilhe-o com amigos e nos diga o que achou.
[Postado originalmente neste blog em fevereiro de 2008]

quarta-feira, 16 de março de 2011

Peregrinações pelos blogs sujos

Não tenho guardada na memória uma definição acadêmica de o que é ser de esquerda, que pudesse retirar aqui, agora, da cartola.

Como disse um educador, que a velha memória também não lembra – a idade? O álcool? O desencanto? – conhecimento é o que fica depois que esquecemos.

No entanto, entendo que ser de esquerda é estar ao lado do trabalho, do trabalhador, do coletivo; ser de direita, ao contrário, logicamente é estar ao lado do capital, do investidor, do individualismo.

Estes são dois grandes grupos que enxergam o mundo através de sua classe, seus interesses, e por incrível que parece, por seus ideais. Mas diversas são as formas e ações dos que se dizem ou dos que formam a esquerda, militantes ou não.

A direita é mais coesa e não tem dúvidas ou debates acerca dos caminhos e dos fins a ser atingido, o objetivo é o lucro e tudo que estiver em seu caminho tem que ser destruído, sem possível com armas a base de urânio empobrecido.

Tenho lido vários artigos na net, nos blogs sujos é claro, a respeito dos embates de nosso tempo tão em ebulição, e, como dizia o meu chapa Terêncio, “cada cabeça, uma sentença”, é normal e salutar que surjam divergências sobre assuntos que aparentemente todos os sujos, progressistas ou esquerdistas, em tese, concordariam, não sem críticas, mas com críticas à esquerda, nunca se deixando levar pelo discurso do inimigo, o capital, tão bem representado pelos EUA, Israel, OTAN e pelo PIG nacional e internacional.

Passo a listar alguns temas, exemplificativos, que dividem o grande bloco de esquerda, não só na blogosfera: Chávez; início do governo Dilma; ditaduras árabes; Líbia, OTAN, etc.

Acreditava que o olho do furacão não voltaria a tempo de minha ínfima existência terrena pudesse ter o prazer de vislumbrá-lo, mas as coisas estão aí: crise estadunidense, européia, novos governantes aliados a um recentemente processo de democracia popular: Lula, Chávez (1), Corrêa, Evo Morales, Erdogan (2); energia nuclear; revoltas populares nos países árabes, etc.

O mundo está um caos, e isto é muito bom, pois a ordem em que se mantinha, e ainda se mantêm, estando o monstro ferido, mas não morto, é sabiamente de um pesadelo que só se sobrevive lutando, para os fortes; enchendo a lata de álcool ou antidepressivos, para os fracos ou se mantendo num estado extremo de alienação.

Com a mesma surpresa de viver um tempo de mudanças profundas, se para o bem ou o mal só o tempo dirá, ou os privilegiados videntes e profetas, lembram de Fukuyama? Fico surpreso em ler posições tão díspares em blogs que aprendi a admirar seja pela inteligência dos argumentos apresentados, a visão acima do muro dos seus articulistas e posições mais a esquerda em assuntos que, se não geram unanimidade, que é um caminho para a ditadura de opinião, levaria a críticas, repito sempre pela visão mais a esquerda.

Já li textos em blogs sujos criticando Lula a partir da visão do PIG, da mesma forma críticas, inclusive apelando para palavrões e argumentos falaciosos ao Presidente Chávez, etc.

Mas é isto, vivemos num momento de explosão da palavra, num espaço não dominado exclusivamente pela grande mídia empresarial, viva a diversidade e a blogosfera.

A questão da Líbia (3) é outro divisor de águas, ninguém hoje em sã consciência defende Kadafi, mas negar os avanços sociais da Líbia sob sua gestão antes da capitulação ao ocidente em 2002, bem como achar que o povo líbio não tenha capacidade de perseguir suas mudanças e a mesma coisa que acreditar que os EUA, a Europa e a OTAN querem o bem da humanidade.

Pergunte o qualquer iraquiano qual é a pior ditadura a de Sadam o a de Tio Sam?


(1) Excelente matéria de Luiz Carlos Azenha sobre a Venezuela de Chávez;

(2) Sobre o Lula da Turquia ler o excelente artigo Turquia fala clara e democraticamente [e Obama gagueja];

(3) Dois artigos que não devem deixar de ser lidos para compreender o que acontece na Líbia: A OTAN está na Líbia? e Líbia: Toda a verdade.

Campanha da Fraternidade. Obrigado, Senhor!

Obrigado, Senhor, por não interferir:
- quando milhares de pessoas morrem de fome, de frio, de doenças e de maus tratos todos os dias no mundo;
- nas guerras que já mataram milhões em teu nome;
- nas catástrofes naturais que exterminam os que não te veneram, juntamente com quem acredita em ti e te ama, e confia que tu irá livrá-los do mal;
- na violência desmedida contra os indefesos e humildes, que só têm a ti para pedir proteção;
- nas mortes, depois de meses em agonia, dos que sofrem de doenças incuráveis (mesmo se tiverem orado a ti para minorar sua dor, ou antecipar seu próprio fim);
- no abuso físico, psicológico e sexual de inocentes por aqueles que usam teu nome para adquirir poder e respeito entre os homens;
- e, finalmente, obrigado, Senhor, por ter arquitetado essa “gincana” em que bilhões e bilhões de seres humanos, durante milhões e milhões de anos, tiveram que superar todo tipo de desafio — contra animais selvagens, contra o clima, contra as catástrofes naturais, contra doenças, contra pragas, contra outros grupos rivais — para poder sobreviver neste planeta, e isso apenas para o Senhor poder escolher a quem premiar e a quem condenar no final.
Espero que o Senhor esteja se divertindo bastante.
Amém!
Fui expulso de uma comunidade religiosa no Orkut* após postar esse texto num tópico intitulado “Vamos agradecer ao Senhor”.
(*) Segundo a Rayssa Gon, eu era um Ateu Troll por essa época. Logicamente, isso foi no tempo em que eu usava Orkut. Nunca descobri o motivo, mas eu fui expulso de todas as comunidades religiosas em que me inscrevi como membro. Foi aí que decidi criar esse blog. Aqui eu não “expulso” ninguém, e ninguém me expulsa. Meu blog, minhas regras: aqui eu sou Deus.

Zeitgeist, o espírito de nossa época


Do Blog da Cidadania, do Eduardo Guimarães


Zeitgeist ( (audio); pronúncia: tzait.gaisst) é um termo alemão cuja tradução significa espírito de época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo numa certa época ou as características genéricas de um determinado período de tempo.

(by Wikipedia)

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A época em que vivemos. O homem como ele se tornou. Seus costumes, sua devassidão, seus ódios, seus rancores, seus medos, sua cobiça, sua inveja, seu ciúme, sua violência, sua impiedade, sua perversidade, sua mesquinhez, seu imediatismo, sua indolência, seu fanatismo, seus exageros, sua imprecisão, sua desonestidade, sua parcialidade, sua omissão, enfim, seus demônios interiores da forma como atravessaram os séculos e de como o fizeram se converter no ser previsível, movido pelo bombardeio da informação e nunca, jamais, pela capacidade de pensar individualmente.

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Zeitgeist, o Filme (Zeitgeist, the Movie, no original) é um filme de 2007 produzido por Peter Joseph, aborda temas como Cristianismo, ataques de 11 de setembro e o Banco Central dos Estados Unidos da América (Federal Reserve).Ele foi lançado online livremente via Google Video em Junho de 2007. Uma versão remasterizada foi apresentada como um premiere global em 10 de novembro de 2007 no 4th Annual Artivist Film Festival & Artivist Awards.

Em 2 de outubro de 2008 foi lançado um segundo filme, continuação do primeiro, chamado Zeitgeist: Addendum, no qual se tratam temas como aglobalização, a manipulação do homem pelas grandes corporações e instituições financeiras, e aborda a atual insustentabilidade material e moral dahumanidade, apresentando o Projeto Vênus como solução para o problema.

(By Wikipedia)

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Graças a dica do leitor Joelson, apresentarei, a seguir, a terceira parte da trilogia (até aqui) Zeitgeist : “Moving forward”, ou “O Futuro é Agora”. Foi lançada em outubro do ano passado com embargo para difusão livre na internet até 25 de janeiro deste ano. Julguei melhor apresentar o documentário em 12 partes, de forma que não ficasse muito pesado. Faça o que fizer, leitor, não deixe de assistir.

Parte 1 /12



Filme completo AQUI.

A grande mentira - parte I




O leitor deseja fazer algo de útil e inteligente? Agora mesmo?

Então é só seguir as indicações:

1. Pegue nos livros de História que estão na sua casa.

2. Individue os últimos capítulos, os que falam da história moderna, desde 1970 até hoje.

3. Rasgue e deite no lixo.

Já está. O leitor acabou de fazer uma coisa muito inteligente: porque a História como foi contada desde a década dos anos '70 até hoje é apenas mentira.

O leitor continua com dúvida? Pegou nos livros mas ainda não tem a coragem para estragar uma edição tão bonita?

Então venha comigo, siga-me nesta curta viagem, no final da qual perceberá porque o que ensinaram nas escolas, a versão oficial, não passa duma piedosa mentira que tem um único objectivo: impedir que o cidadão possa perceber que o Estado, assim como contado, foi destruído há muito tempo.

A data

Se o leitor tivesse que escolher uma data importante após o fim da Segunda Guerra Mundial, que data escolheria?

Falamos, óbvio, duma data que marcou de maneira indelével a nossa sociedade, que mudou o rumo dos acontecimentos.

20 de Julho de 1969, o Homem na Lua?

9 de Novembro de 1989, a queda do Muro de Berlim?

1990, a Primeira Guerra do Iraque?

Todos acontecimentos importantes, sem dúvidas. Mas a data que deveria merecer o destaque maior seria outra: 15 de Agosto de 1971.

Naquele dia, o então Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon,decretou o fim da convertibilidade entre Dólar e ouro. Em breve, todos os outros Países fizeram o mesmo.

O que significa isso?

A nota

Observem a seguinte imagem:


Nesta antiga nota da República Italiana é possível encontrar a seguinte frase: "Pagabili a vista al portatore", que podemos traduzir como "Pagáveis à vista ao portador".

Uma nota pagável? Qual o sentido? Uma nota já é dinheiro, com que se pode pagar uma nota?

Estas perguntas parecem óbvias: e isso já é um preocupante indício do estado no qual a nossa sociedade se encontra e do condicionamento ao qual somos submetidos.

Por isso, parece normal o facto desta frase ter desaparecido: já não pode ser encontrada em nota nenhuma. Normal? Absolutamente não, vamos ver porquê.

O dinheiro, em teoria, é uma forma de pagamento, nada mais do que um meio de pagamento: o dinheiro não é riqueza, deveria representar a riqueza. Complicado? Nem por isso.

É mais prático comprar 6 ovos com barras de ouro ou com notas? Com notas, evidente. Por isso foi inventado o dinheiro: uma nota representa uma determinada quantia de ouro, uma riqueza real.

Até 1971, o portador duma nota de 1.000 Lire, a mesma da figura anterior, poderia entrar em qualquer banco, público ou privado, e exigir o pagamento da nota. Como? Com ouro.

O portador apresenta a nota e o banco troca a nota (o meio de pagamento) com a riqueza real, o ouro (do qual a nota é apenas uma representação).

"Pagáveis à vista ao portador" significa isso mesmo: a nota é um meio de pagamento que representa a riqueza, o ouro, guardado nos bancos. Simples, não é?

O papel

Isso, tal como dito, até 1971 (em verdade a Lira perdeu a convertibilidade mais tarde, e o mesmo aconteceu com o dinheiro dos outros Países: mas vamos simplificar).

A partir da decisão de Nixon, já não é possível entrar num banco e pedir para que a nota seja paga: o banco não vai trocar a nota do leitor com ouro. Isso porque o Dólar e as outras notas já não representam uma riqueza real. Porquê?

A convertibilidade (uma nota = uma determinada quantia de ouro) implica que por cada nota emitida exista o correspondente valor em ouro.

Eu, Estado, tenho 1.000 quilogramas de ouro; cada quilogramas vale 1 Dólar, então vou emitir 1.000 Dólares em notas. Assim, cada Dólar representa exactamente 1 quilo de ouro.

Mas quando a convertibilidade já não for a regra? Acontece uma coisa espantosa: o Estado pode emitir um número ilimitado de notas, pois estas já não representam a real quantia de ouro na posse do Estado.

Então representam o quê?

Este é o problema: representam nada, nada mais do que o papel das quais são feitas.

Com convertibilidade: 1 Dólar = 1 Quilo de ouro

Sem convertibilidade: 1 Dólar = papel e nada mais.

"Tá bom", pode pensar o leitor, "afinal esta não passa duma questão de contabilidade, um mero aspecto financeiro".

Não, não é assim: a diferença entre um sistema baseado na convertibilidade e um sistema sem a convertibilidade tem implicações extremamente profundas: tão profundas que abalam os alicerces da nossa sociedade e põem em discussão o nosso papel enquanto cidadãos.

Exagerado? Vamos em frente.

Salários de papel

Se uma moeda perder a convertibilidade, como vimos, deixa de representar a real riqueza, o ouro. De facto, deixa de representar qualquer coisa: num sistema sem convertibilidade a moeda torna-se a real riqueza.

Mais moedas? Mais riqueza. Menos moedas? Menos riqueza.

Mas será mesmo assim? Não, não é assim. Esta é a versão que os Estados querem transmitir. A verdade é bem diferente.

Se a moeda fosse a verdadeira riqueza, seria suficiente que um Estado tivesse os cofres cheios de notas para ser um Estado rico. Mas ainda hoje, a riqueza dum Estado é calculada com base na reserva áurea, isso é, na quantia de ouro que efectivamente detém.

Mais ouro? Mais riqueza. Menos ouro? Menos riqueza.

Mas então a moeda, as notas, quanto valem? Resposta: nada.

Esta é uma das realidades que bancos e Estados não querem divulgar.

Até 1971, cada trabalhador era pago com notas que representavam uma riqueza real, mantida nos cofres dos Estados. No final do mês, o trabalhador recebia como salário uma pequena percentagem da riqueza do próprio País, pois cada nota representava uma riqueza real.

Depois de 1971, cada trabalhador recebe papel, que já não representa nada, ao não ser o papel da qual a nota é feita. Hoje trabalhamos e no final do mês somos "premiados" com papel.

Acham isso um factor secundários? Se o leitor pensar isso, então tente responder à seguinte pergunta: para onde foi todo o ouro, a verdadeira riqueza?

Mas disso vamos falar mais à frente. Por enquanto vamos ver um dos outros efeito da perda da convertibilidade.

A Res Publica

Um salto atrás.

O termo "República" deriva do Latim Res Publica, isso é, "coisa pública, de todos". É uma ideia bastante antiga que remonta aos tempos dos Gregos clássicos, pois foram eles os primeiros a utilizar o conceito.

Passados mais de 2.000 anos, hoje a maioria dos Países são Repúblicas e mesmo os Estados de tipo monárquico têm constituições que permitem a decisiva participação dos povos nas decisões do próprio País.

Uma maravilha, não é?

Agora, pensamos nisso: numa República, o Estado gere a res publica, isso é, a coisa pública, de todos. Como a riqueza, por exemplo.


De facto, um dos deveres de qualquer Estado é a administração dos recursos de todos os cidadãos para o fornecimento de serviços em favor de todos os cidadãos.

Mas se o Estado deixar de gerir tas recursos? Se o Estado deixar de administrar a real riqueza dos cidadãos? Se o Estado começar a utilizar uma outra fonte de riqueza, não criada pelos cidadãos? E se os cidadãos não estiverem devidamente informados acerca da real situação? Podemos ainda falar em res publica?

Vamos ainda mais em frente: se o Estado criar dinheiro a partir do nada?

Dinheiro do nada

Pois é isso que acontece. Os últimos Quantitative Easing da Federal Reserve foram exactamente isso: centenas de milhões de Dólares criados a partir do nada, literalmente.
O que a Federal Reserve fez foi ligar as impressoras, deixar secar a tinta, e pronto, eis criados rios de notas: quanto ouro representa cada nota assim criada? Zero. Só papel.

Mesmo sistema utilizado na mesma altura pela Bank of England, pelo Bank of Japan, pelo Banco Central Europeu.

Todas notas criadas a partir do nada e distribuídas nos vários Países. Que, desta forma, aceitam, utilizam e fazem utilizar dinheiro que não pode representar a real riqueza do País: representam outra coisa.

Mas que coisa?

Não vamos responder a esta pergunta já. O que interessa agora é o seguinte: um Estado que aceita, utiliza e faz utilizar pelos próprios cidadãos uma riqueza que riqueza não é, pode ainda ser considerado uma República?

Vimos que as notas são imprimidas a partir do nada, não representam riqueza.

Mas nós trabalhamos: então para onde foi a real riqueza produzida pelos cidadãos? Onde está a res publica?

O perigo inflação

Um passo atrás, outra vez.

Após 1971, os Estados ficaram numa situação muito particular: pela primeira vez na história do homem, era possível criar dinheiro de forma totalmente independente da riqueza realmente possuída (o ouro).

É claro, não se pode ligar a impressora e começar a distribuir notas como se nada fosse. As operações de Quantitative Easing têm custos: quantas mais notas houver em circulação, tanto menor será o valor atribuído a cada nota. Isso tem um nome: inflação.

A Federal Reserve e os outros bancos, ao utilizar este sistema, criaram as bases para uma futura vaga inflacionária. Que não acaso começa a surgir. Não há maneira de evitar esta que é uma lei básica da economia e não só.

Por isso, não podemos imaginar Estados que a partir de 1971 começassem a imprimir notas e a distribui-las aos cidadãos de graça.

Cada cidadão teria ficado com quantias enormes de dinheiro, teoricamente ilimitadas: mas teria sido uma falsa riqueza e, sobretudo, de breve duração. Logo os preços teriam começado a subir de forma vertiginosa e a alegada vantagem de ter muitas notas teria sido compensada pela subida dos preços.

É uma situação que já aconteceu: na Alemanha dos anos '20, por exemplo.

Para pagar as dívidas da Primeira Guerra Mundial, o Estado começou a imprimir notas sem ter em conta a real riqueza em ouro; desta forma as dívidas foram pagas, mas o País entrou numa fase de hiper-inflação.

Os preços subiram de forma exponencial e o Estado teve que imprimir notas com valores cada vez mais elevados para permitir que os cidadãos tivessem notas suficientes para efectuar compras. Foram imprimidas até notas com o valor de 100.000.000.000.000 Marcos. De facto, a economia colapsou.

Outros exemplos de hiper-inflação tiveram lugar em alguns Países da América do Sul nos anos '90 e actualmente o Zimbabwe apresenta uma taxa de inflação de 231.000.000% .

Por isso, imprimir dinheiro sem cuidado é uma medida que não faz sentido.

O Estado como família

Todavia pensamos no seguinte: se o Estado deixar de limitar a emissão de dinheiro consoante a quantia de real riqueza possuída (o ouro), então isso significa que o Estado terá oportunidade de empregar mais dinheiro em bens a favor dos cidadãos. Não de forma descontrolada (perigo inflação), mas de maneira cuidadosa e rentável.

Com o passar do tempo, os investimentos (na educação, na saúde, na formação, nas infraestruturas) começarão a devolver os capitais investidos e com os interesses também.

Com o passar das gerações, os Países poderiam ter-se tornado algo de muito diferente, no sentido melhor.

O caso de Portugal, por exemplo.

O País é obrigado a mendigar dinheiro no mercado dos investimentos, pagando juros altíssimos.

Mas porquê? Porque Portugal não imprime as próprias notas e, sem cair nos erros da hiper-inflação, não alivia assim a situação?

Porque, é explicado, o Estado é como uma família: não pode gastar mais do que ganha. Portugal produz e ganha pouco, por isso pode gastar pouco. Se gastar mais, então são precisos cortes. O mesmo, naturalmente, acontece com todos os Países em dificuldades, começando com os PIGS europeus.

O raciocínio é perfeito, não é possível encontrar falhas. Não acaso é dito e repetido inúmeras vezes.

Bom, se calhar uma falha existe; pequena, mas existe: Portugal e os outros Países não gastam a riqueza que produzem.

Uma vez, com a convertibilidade nota-ouro, era assim de facto (nota: em boa verdade, um País com moeda própria pode gastar até o infinito, sem limites de deficit: mas aqui o discurso é mais complexo e afastado do tema principal) . Mas já não é: como vimos, a moeda já está totalmente "desligada" da verdadeira riqueza, que continua a ser o ouro.

Estes Países gastam outras coisas: simulacros de riqueza, isso é, dinheiro que já não está relacionado com algum valor; dinheiro que pode ser criado a partir do nada; dinheiro que vale nada.

Perguntas

Chegou a altura de fazer algumas perguntas, não é?

Se o Estado pode imprimir dinheiro a partir do nada, como pode o Estado queixar-se do facto de ter pouco dinheiro?

Se o Estado pode imprimir dinheiro a partir do nada, como pode ter dívidas?

Porque o Estado corta os salários, os serviços, os investimentos se o que falta afinal é uma coisa que pode ser imprimida a partir do nada?

Porque o Estado não imprime e investe dinheiro (de forma cautelosa) para criar trabalho e aumentar o nível de vida dos próprios cidadãos?

Se o Estado deixou de desenvolver o próprio papel "republicano", o que é hoje?

Porque o Estado não diz aos cidadãos que o dinheiro utilizado já não é a real riqueza produzida com o trabalho?

Que aconteceu com a verdadeira riqueza, o ouro? Onde está, quem ficou com ele?

Boas perguntas.

E na segunda parte do artigo vamos procurar as respostas.

Ipse dixit.

terça-feira, 15 de março de 2011

MULTIDÕES


Quem calará a boca do mundo?

Quem, no meio dessa multidão, vai parar?

Quantas pernas não mais se cruzarão?

De que olhos sairão lágrimas

o bastante para nos lavar?

Que faca ou lâmina, que marginal

cortará as amarras de nossas mãos?

Brotem asas às minhas costas

como brotam as flores,

o trigo, a vinha.

Quero acima das cabeças voar

e me cegar, e ficar surdo,

e não mais falar.

Quero dormir

e não mais acordar.



Fonte: Se não canto, pelo menos grito

Foto: National Geographic

Nos bastidores, a verdade do conflito colombiano



Encontrei no Cidadã do Mundo

Por Bruno Carvalho

Há cinco anos, chegava ao mundo, através das agências internacionais, a notícia de que 66 guerrilheiros das FARC abandonavam aquela organização comunista colombiana. No meio da parafernália mediática, os ex-combatentes farianos contavam "os horrores da insurgência", explicando que já não havia ética política nas FARC e que estavam à beira do fim.

Para gáudio do Estado, da oligarquia fascista e dos traficantes de droga, montou-se um espectáculo para a televisão. Os 66 guerrilheiros das FARC entregavam as armas à Comissão de Paz sob os disparos das máquinas fotográficas e mostravam-se dispostos a trabalhar pelo fim do conflito.

Como a maioria das notícias que nos chegam da Colômbia, era mentira. O Estado colombiano contratou 66 pessoas, entre desempregados e indigentes, e preparou-os durante um mês. Foi assim que se anunciou a deserção em bloco de 66 guerrilheiros da companhia 'Cacica Gaitana', inventada para o embuste. Toda uma vitória para a propaganda fascista do então presidente Alvaro Uribe Vélez.

Mas esta propaganda não foi muito diferente daquela que foi usada, anos depois, para ilustrar as derrotas militares da guerrilha colombiana. De forma estranha, nos bairros pobres de Bogotá começaram a desaparecer vários jovens, também desempregados e indigentes. Um deles havia sido contactado para uma entrevista de emprego e nunca mais apareceu, contou, na altura, a mãe em pranto.

Todos eles foram assassinados pelo exército colombiano e vestidos com os trajes das FARC. Foram apresentados como troféus e símbolo da vitória da democracia sobre o terrorismo. Mais tarde, descobriu-se a macabra montagem. Cerca de três mil colombianos foram mortos para fazer sorrir a oligarquia e criar no povo a ideia de que as FARC estavam a ser derrotadas.

Contudo, há poucos meses, o próprio Estado colombiano foi obrigado a reconhecer que a guerra na Colômbia mata mais gente que no Afeganistão. As FARC fazem mais vítimas entre os soldados colombianos que a resistência afegã entre os soldados da coligação imperialista. É o resultado de uma luta tão desconhecida como manipulada. Da criação de uma nova estratégia propagandista, com o apoio do Pentágono, em que se passou a tratar as FARC como narco-guerrilha, ao apoio militar dos Estados Unidos e Israel à Colômbia, esta guerra sempre teve dois protagonistas, o Estado e os trabalhadores.

Por muito que se tente fazer passar que é a democracia contra o terrorismo, é difícil acreditar que a Colômbia seja um Estado democrático. A violência da oligarquia contra os trabalhadores, nos anos 40, espoletou a resistência do povo colombiano. Depois do assassinato do candidato progressista Gaitán, os camponeses do sul criaram as FARC e abraçaram a causa do socialismo. Desde então, a oligarquia criou estruturas paramilitares para cometer atrocidades contra sindicalistas, indígenas, comunistas e guerrilheiros. Financiada pela droga, a oligarquia nunca aceitou a proposta das FARC de substituir o cultivo da coca pelo cultivo de produtos legais.

Os mesmos que acusaram o PCP de receber as FARC na Festa do «Avante!» abraçaram durante anos os ditadores do Egipto, da Tunísia e de Israel. E se para muitos Israel é a única democracia do Médio Oriente, podemos dizer que há uma democracia homóloga na América Latina. Uma democracia que prende, tortura e massacra. Felizmente, tanto em Israel como na Colômbia, há quem resista e enfrente o verdadeiro terrorismo. Esses são os imprescindíveis. Porque a verdade, essa, vive-se nos bastidores.

Nietzsche

Encontrei no O Esquerdopata

Documentario sobre Nietzsche da TV Cultura com Viviane Mosé

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Pombo: um guerrilheiro revolucionário que lutou com Che na Bolívia


Encontrei em NA PRÁXIS

Harry Villegas Tamayo conheceu Che aos 16 anos, na Sierra Maestra, em 1957. Com o triunfo da revolução cubana, em 1959, tornou-se um dos guarda-costas mais constantes do comandante. Em 1963, quando Che convocou ex-combatentes para uma guerrilha na Argentina, Villegas se ofereceu, mas foi recusado - por ser negro, sua presença levantaria suspeitas na Argentina.


Em 1965, quando estava no Congo Belga (ex-Zaire e, depois de 1997, República Democrática do Congo), Che pediu a Fidel que mandasse Villegas ao continente africano. Nessa época Che escolheu para ele o codinome Pombo. Depois de sete meses, os cubanos se retiraram sem conseguir massificar o movimento guerrilheiro. Che (agora sob o codinome Tatu) foi à Tanzânia e Pombo o acompanhou a Praga, antes de voltarem a Cuba. No dia 4 de novembro de 1966, Che chegou à Bolívia, na região de Ñancahuazú. Pombo tinha chegado antes, tendo passado pelo Brasil para entrar no país, com o intuito de levantar as características do local. Onze meses depois, no dia 8 de outubro, Che caiu prisioneiro do Exército boliviano, com a ajuda dos Estados Unidos. Foi assassinado no dia seguinte.



Pombo e mais cinco guerrilheiros (Ñato, Inti, Dario, Urbano e Benigno) conseguiram fugir e, durante seis meses - menos Ñato, que morreu no meio do caminho - percorrem mais de 600 quilômetros clandestinamente até cruzar a fronteira com o Chile. Desses sobreviventes, além de Pombo, outros dois combatentes ainda estão vivos: Urbano, que mora em Havana, e Benigno, que está em Paris, desde 1995. Dario morreu em 1968, mesmo ano em que Inti foi assassinado, numa tentativa de reorganizar a guerrilha na Bolívia.

A partir de 1976, Pombo ainda esteve à frente das tropas cubanas enviadas a Angola para lutar ao lado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), contra a Unita e a FNLA, sustentadas pelo regime de apartheid da África do Sul, e pelos Estados Unidos, respectivamente.

Pombo hoje é general de Brigada das Forças Armadas Revolucionárias, vice-presidente da Associação de Combatentes da Revolução Cubana, membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, deputado na Assembléia Nacional e um dos raros condecorados com a honra de "Herói da República de Cuba".



Aos 65 anos, Pombo é o único guerrilheiro vivo que lutou com Che Guevara nas montanhas da Sierra Maestra, no Congo e na Bolívia. Foram dez anos de convivência com o comandante, até a sua morte, em 1967.

Na semana passada, ele esteve no Brasil para participar da conferência internacional "Pensamento e Movimentos Sociais na América Latina e Caribe: Imperialismo e Resistências", promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e pela Via Campesina. Não foi a primeira vez que ele pisou em solo brasileiro. Em 1966, quando a guerrilha de Che se instalou na Bolívia, Pombo passou por São Paulo e por Campo Grande (MS) como estratégia para sua entrada no país vizinho sem chamar atenção.

Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, Pombo explica que o desfecho trágico da guerrilha na Bolívia, quando Che foi assassinado, teve origem na "traição" do Partido Comunista Boliviano e na decisão de Che de não abandonar uma coluna de guerrilheiros que havia se perdido do seu grupo. Ao comentar a situação da América Latina, Pombo diz que a Venezuela é a esperança do povo do continente e do Terceiro Mundo.

De onde vem o codinome Pombo? Sabe-se que, no Congo, Che usou números na língua local para renomear os guerrilheiros. Em Swahili - uma das línguas mais faladas na África - , Che passou a se chamar Tatu (que significa três), José Maria Tamayo tornou-se Mbili (dois) e Victor Dreke, Moja (um).

Harry Villegas Tamayo "Pombo" - Eu não estava entre os primeiros que foram para o Congo, e que receberam codinomes de números. Eu estava no Exército Ocidental quando o presidente Fidel Castro me disse que Che havia mandado me chamar na África. Só que, com o aumento do número de guerrilheiros, era complicado continuar dando nomes referentes a números porque ficavam muitos compridos. Che decidiu, então, procurar nomes em um dicionário. Escolheu para mim o nome Pombo Poljo, que significa néctar verde. Da mesma forma, escolheu Tumaini Tuma para nomear Carlos Coelho.

Antes do Congo, o senhor havia se oferecido para ir junto com um grupo de guerrilheiros à Argentina, mas Che não quis. Como foi a sua reação?

Pombo - No momento da saída do grupo, eu não entendi. Só depois percebi que, por ser negro, seria muito difícil me camuflar entre os argentinos. Então Che disse que eu não iria enquanto a guerrilha não adquirisse uma determinada força e até que ele próprio também já tivesse ido. Hermes Peña e Alberto Castellano foram se juntar a Jorge Massetti (jornalista argentino que entrevistou Che e Fidel, em 1958, na Sierra Maestra, e comandou a primeira guerrilha guevarista na Argentina, em 1963).

Como foi o seu primeiro contato com Che?

Pombo - Era 1957, eu tinha 16 anos e já participava de uma célula no meu povoado, ao pé da Sierra Maestra. Pichávamos paredes com propaganda do Movimento Revolucionário 26 de Julho, fazíamos ações contra as redes de eletricidade e a todo instante íamos presos. Como estávamos coladinhos à Sierra, resolvemos subi-la. Foi quando entramos em contato com um pelotão da coluna de Che. Pediram para que esperássemos porque Che estava percorrendo outros pelotões. Quando ele chegou, sua figura me impressionou: era esbelto, mas usava uma boina esfarrapada e desengonçada. Ele perguntou o que fazíamos ali. Respondemos que tínhamos ido lutar contra a tirania batistiana (de Fulgêncio Batista, ditador apoiado pelos Estados Unidos). Ele retrucou: "Com o quê?" Mostrei um pequeno fuzil 22 e ele começou a rir e disse: "Você acha que com isso vai derrubar Batista? Desce a montanha, se esconde atrás de um arbusto, dá uma gravata num dos soldados que estão aos montes por aí e lhe tire o fuzil". Eu pensei que fosse fácil. Voltei para o meu povoado, onde havia muitos chivatos (informantes do Exército), mas me denunciaram. Consegui escapar do cerco e troquei minha arma por uma escopeta calibre 12. Não era o que Che havia pedido, os soldados nem usavam escopetas. Mas, ao voltar, Che me disse que o importante não era a arma, mas a minha decisão de lutar contra a tirania.

A certeza de vencer era muito forte na Sierra Maestra?

Pombo - A certeza sempre nos acompanhou. Uma coisa que tem Fidel, tinha Che, e é própria de todo revolucionário, é a confiança na vitória, nas massas. Por isso Fidel disse que com cinco fuzis e sete pessoas a revolução estava feita (ao sobreviver com poucos homens após o desastroso desembarque do Granma, onde sobraram, ao todo, 12 homens dos 82 iniciais). Porém, quando seria a vitória, ninguém sabia. Che pensava que fosse demorar mais.

Existiam outros estrangeiros na Sierra, além de Che?

Pombo - Sim. Um mexicano, um francês e, entre os vários estadunidenses, até um sargento veterano da Guerra da Córeia (1950-1953), que foi instrutor e chefe da vanguarda no deslocamento da coluna de Che para o centro da ilha.

O que Che acharia de ver o seu rosto estampado em camisetas, a serviço da máquina capitalista?

Pombo - Penso que ele não gostaria. Eu nunca vi o Che usando uma camiseta de Marx ou de Lênin. Mas eu acho que, se uma pessoa traz o Che no peito, com orgulho, para se sentir motivada, para divulgar quem foi Che, para que se vinculem a ele, essa camiseta é útil. A camiseta ajuda a lembrar. Se você não vê o Che nas camisetas, não pensa nele.

Para a revolução, Che acabou sendo mais importante morto? Como seria se ele estivesse vivo, hoje, com 77 anos? [Nota do Blog Na Práxis - Essa entrevista é de 2005]

Pombo - Penso que ele seria mais importante vivo. Não tanto em relação a sua importância, mas ao que poderia fazer de útil. Ele era um homem com um pensamento em desenvolvimento, com uma capacidade extraordinária de autodidática, com espírito de investigação. Estava escrevendo um livro sobre a economia política do socialismo. Pensava em escrever sobre sua concepção, do ponto de vista filosófico, de como construir uma sociedade socialista para a América, que não fosse a mesma da Europa ou da Ásia. Tinha em mente que, no continente, somos muito parecidos, mas não somos todos cubanos. Hoje, em Cuba, Che representaria uma grande ajuda a Fidel.

Como Che conciliava a vida familiar com a vida revolucionária?

Pombo - O mais importante, para ele, era formar uma sociedade mais justa. Quando prenderam um filho de um dos nossos líderes da independência, Carlos Manoel Céspedes (primeiro fazendeiro a libertar seus escravos para lutarem contra os espanhóis), lhe impuseram a condição de que abandonasse a luta para o rapaz ser libertado. E Céspedes disse: "Não, eu sou o pai de todos os cubanos" - razão pela qual nós o chamamos de Pai da Pátria. Da mesma forma, se Che tivesse que decidir entre a sua família e a construção do socialismo, ou os interesses da pátria, ele decidiria pelos interesses da pátria. Mas isso não quer dizer que Che renegasse a família. Porque ele queria muito bem à sua família. Mas não no sentido estreito, de sua mulher, de seus filhos. Num sentido mais amplo, com uma confiança absoluta na sociedade. Ele sabia que, por sua luta, seus filhos teriam direito à educação, assim como todos os cubanos. Che não se desprende do elemento familiar. Não é como os inimigos do marxismo dizem, que o marxismo destrói a família. Mas o contrário, a família é a base, é a célula da sociedade.

Como Che tratava as crises de asma em meio à guerrilha?

Pombo - Com um tipo de inalador. Quando isso não era possível, Che usava o que os médicos chamam de "motivações primárias". Isto é, na crise, fazia seu corpo reagir a algo maior. Provocava um pequeno corte, para que a infecção gerasse uma febre e assim saía do ataque de asma.

Por que Kabila (líder da resistência anticolonialista congolesa, que em 1997 viria a se tornar presidente da República Democrática do Congo, ex-Zaire) recusava um encontro com Che?

Pombo - Na época, nós não entendíamos como a África funcionava. Só viemos descobrir depois, quando ficamos por 15, 20 anos em Angola. No Congo, começamos a enfrentar uma sociedade que não tinha um conceito de nação, mas um conceito de tribo. Não que o conceito de nação possa ser criado artificialmente, como os colonizadores quiseram impor. Mas um povo que queira lutar por sua pátria precisa ter um conceito de nação. Para nós, isso não fazia sentido porque não temos tribo, somos uma mistura de espanhóis, africanos e chineses. Não temos índios. Eles desapareceram de Cuba. Os espanhóis não tiveram nem a idéia de fazer uma reserva, como fizeram os estadunidenses, e manter ali alguns índios para mostrar a todos: "Vejam, estes são os homens que eram donos de todas estas coisas que estão aqui, e agora não têm nada". Nem isso fizeram os espanhóis. Chefe do que eles chamavam de "exército paralelo", Kabila se encontrou apenas uma vez com Che porque guerrear não fazia parte de sua natureza. Não era um homem latino-americano. Não era como Bolívar, que dizia: "Vamos!". Nunca houve um líder africano à frente de sua tropa, o que era uma coisa inconcebível para um latino, que leva, conduz o povo. Eles não necessitavam nem do contato conosco, não necessitavam da fala, eles mandavam tudo gravado.

Se a guerrilha comandada por Masetti na Argentina tivesse tido êxito, Che não teria ido ao Congo?

Pombo - Sim, realmente, Che foi ao Congo para esperar que as condições na América ficassem mais favoráveis. Fidel lhe ofereceu para ficar em Cuba, mas Che achava que já havia cumprido seu papel com os cubanos e queria ir a outro lugar. Em 1964, ele havia voltado de uma conferência na Organização das Nações Unidas, onde denunciou que os capacetes azuis haviam permitido o assassinato de Lumumba (revolucionário congolês). A meu ver, Che, que admirava Lumumba, se sentiu comprometido com a situação e decidiu ir ao Congo pensando que o movimento de Lumumba estivesse mais vertebrado, mas não estava.

A captura de Ciro Bustos e de Régis Debray (na tentativa de sair da área guerrilheira, foram presos pelo Exército boliviano) foi preponderante para a desestruturação da guerrilha na Bolívia?

Pombo - Não. Nós nos vimos sem a base. Com a experiência da Sierra Maestra, já sabíamos que o camponês só se incorpora quando vê alguma possibilidade de êxito, e uma forte possibilidade de respaldo. De início, nós tínhamos organizado nossa participação na luta boliviana por meio do Partido Comunista, que contava com milhares de militantes jovens dispostos a se engajar na luta. Mas Monje (então presidente do Partido Comunista Boliviano) mudou de lado, nos traiu. Che nunca soube se por covardia política ou pessoal. Ao nos trair, cortou nosso vínculo com o partido, acabou com a fonte onde íamos nos nutrir para gerar uma guerrilha forte, que Che queria desenvolver por um tempo limitado para poder expandi-la à Argentina e ao Peru, onde estavam Bustos e Chino. Não por acaso, de Ñancahuazú, na Bolívia, podia se chegar à Argentina e ao Peru, pela Cordilheira Oriental dos Andes.

Como foram os quatro meses de desencontros nas selvas da Bolívia, entre a coluna de Che e a outra em que estavam Joaquim e Tania (revolucionária alemã-argentina)?

Pombo - Fizemos todo o possível. Che não desistia de achar o grupo de Joaquim. Tanto que ele nos manteve demasiado tempo por ali, mesmo não tendo a intenção de combater na região Sul da Bolívia. Por fim, o Exército nos descobriu e fomos obrigados a iniciar o combate ali mesmo. Originalmente, pensávamos em começar a guerrilha na região Central da Bolívia, no Chapare, onde havia um camponês amigo de Inti - um dos guerrilheiros do grupo de Che _, que organizava os camponeses. Esse camponês não estava comprometido, mas Inti acreditava que ele se incorporaria. Tínhamos, mais ao norte, a possibilidade de que pudessem se incorporar à guerrilha os estudantes recrutados na América, na Europa, na União Soviética, em Praga, além de um conjunto de estudantes de Cuba.

Se houvesse o encontro entre os dois grupos no dia 31 de agosto de 1967, teria sido mera coincidência? (eles se desencontraram por questão de horas, estavam em linha reta, a 3 quilômetros de distância).

Pombo - Convergimos ao mesmo ponto por coincidência. Nosso grupo estava indo para o Chapare. Estávamos bem próximos quando escutamos pelo rádio que o grupo de Joaquim combatia mais ao sul. Então, demos meia volta e nos metemos novamente na zona guerrilheira, atrás deles. Quase os encontramos antes de eles caírem na emboscada (em que morreram). Só voltamos ao Sul na tentativa de encontrar o grupo de Joaquim. Nunca havíamos previsto ir ao Sul porque sabíamos que era mais desprovido de bosques e de água. Foi só por isso que descemos demais ao Sul e se criaram as condições para a emboscada do dia 26 de setembro (onde 3 guerrilheiros são mortos), e, depois, para o desfecho de 8 de outubro (quando Che é feito prisioneiro e morto, no dia seguinte, junto com outros guerrilheiros).

Como era Tânia?

Pombo - Uma mulher excepcional. Suas raízes latinas (era argentina, mas passou a juventude na Alemanha) foram de grande ajuda. Ela tinha a tarefa de ir à Bolívia criar condições de confiabilidade, até que lhe dessem instruções. Houve até um momento em que ela foi um pouco esquecida pela nossa Inteligência. A idéia de Che era preservá-la para que, se necessário, ela pudesse esconder alguém em lugar seguro. Mas ela acabou vindo para a guerrilha. Che tentou tirá-la de lá, o que foi impossível, porque ela já havia sido identificada. Assim, se estragou um trabalho de clandestinidade de três anos. Tânia foi uma revolucionária com grande capacidade de sacrifício. Quando lhe disseram para casar com um boliviano porque fazia falta ela não ter a nacionalidade boliviana, ela se casou. E quando disseram que era preciso dar um fora no boliviano porque ela tinha que sair do país, e que ela devia dar um jeito dele entender, ela o convenceu. Então ela foi "estudar" na Bulgária. Ela era extremamente disciplinada.

Che estaria contente com o desenvolvimento da revolução cubana?

Pombo - Acho que sim, porque quando ele saiu de Cuba fez um avaliação dos avanços da revolução, e justamente decidiu ir porque chegou à convicção de que o processo era irreversível. De que as massas haviam tomado consciência do seu papel de vanguarda, que, para Che, era o partido, era Fidel. Ele acreditava que a vanguarda precisa formar parte da massa a todo instante, sem ser a massa. Che dizia que esse vínculo, de tão próximo, deve fazer com que aquele que está à frente escute a respiração de quem vem atrás.

Por que Benigno traiu a revolução cubana?

Pombo - Para Benigno, pesou a questão material. Quando ele se foi, o processo revolucionário cubano passava por uma etapa difícil, mas não a pior. Os problemas de Cuba não eram graves. Ele tinha uma pequena finca (chácara). Nós somos guajiros (camponeses), não tínhamos base cultural, nem intelectual. Quando você participa de uma luta como essa, começam a te dizer que você é o máximo, e se você acredita, se equivoca. Benigno deixou isso subir à cabeça e acreditou que era herói. Era, sim, uma pessoa de mérito, mas o que fizemos, muitos outros cubanos também fizeram. Estiveram na Venezuela, na Colômbia, na Guatemala e não ficaram conhecidos. O fato de ter participado da epopéia em que morreu Che o atingiu. Além disso, ele se casou com uma mulher da Inteligência Cubana, que falava inglês, francês. Acho que ela tem um peso nisso porque se ela fosse firme quando ele lhe propôs essas coisas, tendo ela mais capacidade intelectual que ele, ela o influenciaria para o caminho correto. Outro problema é que, como camponeses, temos a mente pródiga, imaginamos coisas. Benigno acabou publicando um livro fantasioso, mentiroso, em grande parte.

Por que Benigno sustenta que Fidel abandonou Che?

Pombo - Isso é uma maldade. Benigno tem que agradar o imperialismo, e para isso, tem que dizer as coisas que o imperialismo gosta de ouvir. Quando Che foi à África, com mais de uma centena de cubanos, Fidel não o abandonou. Quando os africanos consideraram que não era conveniente Che estar ali, e ele saiu de lá para Praga, com a Inteligência Cubana dando apoio todo o tempo, Fidel não o abandonou. Quando Che decidiu começar a luta na sua pátria, Fidel permitiu que ele pegasse vinte e tantos companheiros que haviam estado com ele na Sierra, Fidel não o abandonou. O que acontece é que, se Fidel mandasse mais de cem homens à América Latina, como fez 20 anos depois, mandando um exército de 50 mil homens comigo a Angola, a atitude seria vista como intervenção.

A guerrilha, hoje, ainda é um caminho para a libertação dos povos da América Latina?

Pombo - Eu não diria nem que não, nem que sim. Depende das condições concretas de cada país e de cada momento. Hoje, é muito arriscado o surgimento de um movimento guerrilheiro em qualquer país, com a tecnologia que tem o exército inimigo, fundamentalmente o dos Estados Unidos. Mas também não é impossível porque existem guerrilhas na Colômbia, por exemplo, e mesmo com toda essa tecnologia não conseguiram aniquilá-la.

Como o senhor vê o MST?

Pombo - A capacidade organizativa dos sem-terra me impressiona. Eles não podem perder nunca sua convicção. Depois de assentados, não devem se desvincular do movimento. Não importa que você tenha a terra. Por você ter lutado por ela, deve se manter unido, com terra ou sem terra, por solidariedade humana, não digo nem por companheirismo. Isso é o que pode unir as pessoas ao Che. Esse amor pelo próximo que está um pouco mais além dos ditos parâmetros normais, e que lhe deu um conceito superior como ser humano.

O senhor acredita que Chávez vai assumir o papel de Fidel nos próximos anos?

Pombo - O papel de Chávez é assumir a dirigência do seu povo para depois assumir o mesmo papel sobre o restante do continente. Não podemos esquecer que o inimigo de Chávez é o país mais poderoso do mundo. E ele tem sabido lidar com a situação, solidamente, com o apoio das massas pobres, e tendo ainda que ganhar a classe média. O movimento de Chávez é novo. Tem a ver com um socialismo distinto, dentro do pluripartidarismo. Nós, cubanos, somos o farol, mas a Venezuela é a esperança do povo do continente e do Terceiro Mundo por seu potencial econômico, por seu tamanho, por ter fronteiras com tantos países que podem irradiar ainda mais aquilo que o Che queria fazer na Bolívia. Nesse sentido, Chávez tem muito mais vantagens do que nós, lá no meio do Caribe.