LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Entrevista com Karl Marx em 1878


Esta entrevista com Karl Marx foi publicada pela primeira vez no jornal norte-americano The Chicago Tribune, em dezembro de 1878. Tendo permanecido inédito até recentemente quando foi descoberta por um pesquisador norte-americano. No momento da entrevista, Marx tem 70 anos de idade

Tribune - Mas os socialistas não consideram, então, a passagem dos meios de trabalho a propriedade social coletiva como o grande objetivo do movimento?
Marx - Certamente, dizemos que tal será o resultado do movimento. E portanto uma questão de tempo, de educação e do desenvolvimento de formas sociais superiores.


Pergunta - Este programa é aplicável unicamente a Alemanha e a mais um ou dois outros países
Marx - Extrair de um programa apenas essas conclusões seria desconhecer as atividades do movimento. Inúmeros pontos deste programa não têm a menor significação fora da Alemanha. A Espanha, a Rússia, a Inglaterra e a América do Norte tem seus próprios programas particulares, adaptados às suas próprias dificuldades. O único ponto comum é o objetivo final.


Pergunta - E esse objetivo final é o poder operário?
Marx - E a emancipação dos trabalhadores.


Pergunta - Os socialistas europeus encaram com seriedade o movimento americano?
Marx - Sim. Esse movimento é o resultado natural do desenvolvimento desse país. Tem-se dito que lá o movimento operário foi importado do estrangeiro. Quando, há uns cinqüenta anos, o movimento operário tinha dificuldades em abrir caminho na Inglaterra o mesmo foi presumido. E isso muito tempo antes de se falar em socialismo! Na América, o movimento operário adquiriu, a partir de 1857 uma importância maior. Foi quando os sindicatos locais tomaram impulso, na seqüência, uma central sindical reuniu as diversas categorias profissionais, depois do que surgiu a União Nacional dos Trabalhadores. Esses progressos cronológicos demonstram que o socialismo nasceu na América, sem apoio estrangeiro, pura e simplesmente da concentração do capital e das mudanças ocorridas nas relações entre operários e patrões.


Pergunta - O que o socialismo conseguiu até hoje?
Marx - Duas coisas: os socialistas demonstraram que, em toda parte, uma luta geral opõe o Capital ao Trabalho, em suma, demonstraram seu caráter cosmopolita. Em conseqüência, procuraram efetivar um acordo entre os trabalhadores de diversos países. Este acordo é tanto mais necessário visto que os capitalistas se tornam cada vez mais cosmopolitas. Não é somente na América, mas também na Inglaterra, França e Alemanha, que trabalhadores estrangeiros são empregados para serem utilizados contra os trabalhadores do próprio país. Criaram-se, imediatamente, vínculos internacionais entre os trabalhadores de diversos países. Eis o que provou que o socialismo não era unicamente um problema local, mas, antes, um problema internacional, que deve ser resolvido pela ação igualmente internacional dos trabalhadores. A classe operária põe-se espontaneamente em movimento, sem saber para onde o movimento a conduzirá. Os socialistas não criaram o movimento, mas explicaram aos operários seu caráter e seus objetivos.


Pergunta - Quer dizer, a derrubada da ordem social dominante?
Marx - Neste sistema, o capital e a terra são propriedades dos empresários, enquanto o operário não possui nada além de sua força de trabalho, que é constrangido a vender como uma mercadoria. Afirmamos que este sistema não constitui nada mais do que uma fase histórica, que ele desaparecerá e cederá lugar a uma ordem social superior. Notamos por toda parte a existência de uma sociedade dividida (em classes). O antagonismo entre essas duas classes caminha, lado a lado, com o desenvolvimento dos recursos industriais nos países civilizados. Do ponto de vista socialista, os meios para transformar revolucionariamente a fase histórica presente já existem. Em numerosos países, organizações políticas tomaram impulso a partir dos sindicatos. Na América, é evidente, hoje, a necessidade de um partido operário independente. Os trabalhadores não podem mais confiar nos políticos. Os especuladores e as "cliques" se apoderaram dos órgãos legislativos e a política tornou-se uma profissão. Não é somente o caso da América, mas ai o povo é mais resoluto do que na Europa; as coisas amadurecem mais rápido; não se faz rodeios e se vai direto aos fatos.


Pergunta - Como o senhor explica o rápido crescimento do partido socialista na Alemanha?
Marx - O atual partido socialista teve um nascimento tardio. Os socialistas alemães não tiveram de romper com os sistemas utópicos, que alcançaram certa importância na França e na Inglaterra. Os alemães, mais do que os outros povos, são inclinados à teoria e tiraram outras conclusões praticas das experiências anteriores. Não esquecer, acima de tudo, que na Alemanha, ao contrário dos outros países, o capitalismo moderno é coisa completamente nova. Coloca, na ordem-do-dia, questões já um tanto quanto esquecidas na França e na Inglaterra. As novas forças políticas, às quais os povos desses países se submeteram, encontraram em face delas, na Alemanha, uma classe operária já convicta das teorias socialistas. Assim, os trabalhadores puderam formar um partido político independente, quase simultaneamente à instalação da indústria moderna (em seu país). Eles têm seus próprios representantes no Parlamento. Como não existe nenhum partido de oposição à política governamental, este papel recai sobre o partido operário. Retraçar aqui a história do partido levaria demasiado longe, mas posso dizer o seguinte: se a burguesia alemã não fosse composta pelos maiores poltrões, ao contrário das burguesias americana e inglesa, ela de há muito teria-se oposto politicamente ao regime.


Pergunta - Quantos lassalianos existem nas fileiras da Internacional?
Marx - Enquanto partido, os lassalianos não existem. É claro, podem ser encontrados, entre nós, alguns adeptos, mas apenas um pequeno número. Anteriormente, Lassalle fazia uso dos nossos princípios gerais. Quando lançou seu movimento, depois do período de reação que se seguiu a 1848, acreditava que o melhor meio de reanimar o movimento operário consistiam pregar a cooperativa operária de produção. Ele queria, desse modo, estimular os trabalhadores à ação; era, a seus olhos, um simples meio de atingir o objetivo real do movimento. Possuo cartas de Lassalle que vão nesse sentido.


Pergunta - Era então, de certa forma, uma panacéia.
Marx - Exatamente. Ele procurou Bismarck para lhe expor suas intenções. E Bismarck encorajou as aspirações de Lassalle de todas as maneiras concebíveis.


Pergunta - O que Bismarck tinha em mente?
Marx - Ele queria jogar a classe operária contra a burguesia oriunda da Revolução de 1848.


Pergunta - Diz-se que o senhor é a cabeça e o guia do movimento socialista e que da sua casa, o senhor puxa todos os cordéis das organizações, revoluções etc., verdade?
Marx - Eu sei disso. É uma coisa absurda, mas que tem seus aspectos cômicos. Assim, dois meses antes do atentado de Hödel, Bismarck queixou-se, na Norddeutsche Zeitung, da aliança que eu teria estabelecido com o superior dos jesuítas, Beck; teria sido por culpa nossa que ele não pudera encetar o movimento socialista.


Pergunta - Mas é mesmo a vossa “Associação Internacional" de Londres que dirige o movimento?
Marx - A Internacional teve sua utilidade, mas seu tempo expirou e ela deixou de existir. Ela teve sua atividade, dirigiu o movimento. Mas o crescimento do movimento socialista no curso dos últimos anos, a tornou supérflua. Em diversos países surgiram jornais, que mantém relações recíprocas Este é o único vínculo que os partidos de diversos países conservam entre si. A Internacional foi criada, antes de tudo, como objetivo de reunir os trabalhadores e de Ihes mostrar que valia a pena congregar suas diversas nacionalidades no interior de uma organização. Mas os interessados partidos operários não são idênticos nos diversos países. O espectro de um chefe da Internacional, sediado em Londres, é uma pura e simples invenção. Entretanto, é exato que demos instruções às organizações operárias, na época em que a associação das Seções Internacionais estava solidamente estabelecida. Desse modo, fomos obrigados a excluir algumas secções de Nova Iorque, entre outras, aquela na qual figurava em primeiro plano a senhora Woodhull. Isto aconteceu em 1871. Havia numerosos políticos americanos que teriam, deliberadamente, feito do movimento um negócio pessoal. Não quero citar nomes: os socialistas americanos conhecem muito bem.


Pergunta - Atribui-se ao senhor, como a seus partidários, Dr. Marx, toda sorte de propósitos incendiários contra a religião. Com toda certeza, o senhor teria com prazer a eliminação radical deste sistema.
Marx - Não ignoramos que é insensato tomar medidas violentas contra a religião. Segundo nossas concepções, a religião desaparecerá medida que o socialismo se fortalecer. A evolução social vai, infalivelmente, favorecer esse desaparecimento, no qual cabe à educação um papel importante.


Pergunta - Recentemente, em uma conferência, o pastor Joseph Cook, (36) de Boston, enfatizava que seria preciso dizer a Karl Marx que uma reforma do trabalho é realizável, sem revolução sangrenta, nos Estados Unidos e na Grã-bretanha, talvez também na França, mas que na Alemanha e na Rússia, assim como na Itália e na Áustria, será preciso derramar sangue para isso.
Marx - Já ouvi falar do senhor Cook. Ele não conhece grande coisa de socialismo. É desnecessário ser socialista para observar e prever que revoluções sangrentas se produzirão na Russia, na Alemanha, na Áustria e talvez na Itália, se os italianos continuarem a progredir na direção em que se encontram atualmente. Nesses países, acontecimentos comparáveis aos da Revolução Francesa poderiam efetivamente se produzir. Trata-se, neste caso, de uma evidência que salta aos olhos de qualquer um que esteja informado sobre a situação política. Mas essas revoluções serão feitas pela maioria. As revoluções não serão mais feitas por um partido, mas por toda a nação.


Pergunta - O referido religioso citou uma passagem de uma carta que o senhor teria enviado em 1871 aos comuneiros parisienses, na qual se lê: “Hoje somos três milhões ou mais. Mas, em vinte anos, nós seremos cinqüenta ou talvez cem milhões. Então, o mundo nos pertencerá uma vez que não apenas Paris, Lyon e Marselha, mas também Berlim, Munique, Dresden, Londres, Liverpool, Manchester, Bruxelas, São Petersburgo e Nova Iorque, em suma, o mundo inteiro, sublevar-se-á contra o odioso capital. Em face dessas novas insurreições, jamais vistas pela história até agora, o passado se dissipará como um pesadelo apavorante: o incêndio popular, lavrando em cem lugares ao mesmo tempo, aniquilará até mesmo a lembrança do passado." Doutor, admite ter escrito estas linhas?
Marx - Nem uma única palavra! Jamais escrevi semelhantes absurdos melodramáticos. Reflito maduramente aquilo que escrevo. Isto foi forjado, e apareceu no Figaro com a minha assinatura. Naquele momento, fizeram circular centenas de cartas desse gênero. Escrevi ao Times de Londres para declará-las falsas. Mas se quisesse desmentir tudo o que se diz e se escreve a meu respeito, seria necessário empregar vinte secretárias.


Pergunta - Mas, mesmo assim, o senhor escreveu em favor da Comuna de Paris?
Marx - De certo que o fiz, em face do que fora dito a respeito nos editoriais. Todavia, alguns correspondentes parisienses desmentiram bastante, na imprensa inglesa, as alegações daqueles editoriais relativos a dissipações etc. A Comuna não executou mais do que umas sessenta pessoas, aproximadamente. O Marechal Mac Mahon e seu exército de carniceiros mataram mais de sessenta mil. Nenhum movimento desse gênero foi tão caluniado quanto a Comuna.


Pergunta - Os socialistas consideram o assassinato e derramamento de sangue como necessários à realização de seus princípios?
Marx - Nenhum grande movimento nasceu sem derramamento de sangue. Os Estados Unidos da América não adquiriram sua independência senão pelo derramamento de sangue: Napoleão III conquistou a França através de atos sangrentos e foi vencido da mesma maneira. A Itália, Inglaterra, Alemanha e os outros países fornecem uma pletora de exemplos do mesmo gênero. Quanto ao homicídio político, não é uma novidade pelo que se sabe. Orsini, sem dúvida, tentou matar Napoleão III, mas os reis mataram mais homens do que ninguém. Os jesuítas mataram, e os puritanos de Cromwell mataram. Tudo isso se passou muito antes de que se tivesse ouvido falar dos socialistas. Hoje, no entanto, se lhes atribui responsabilidade de todo atentado contra os reis e os homens de Estado. A morte do imperador da Alemanha seria, agora, particularmente deplorada pelos socialistas: ele é muito útil em seu posto, e Bismarck fez mais por nosso movimento do que qualquer outro homem de Estado, pois impeliu as coisas para o extremo.


Pergunta - O que pensa de Bismarck?
Marx - Antes de sua queda, tinha-se Napoleão III por gênio; depois ele foi chamado de louco. Acontecerá o mesmo com Bismarck. Sob pretexto de unificar a Alemanha, ele se pôs a edificar um regime despótico. Quem não vê onde ele quer chegar? Suas manobras mais recentes não são nada mais do que um golpe de estado travestido, mas Bismarck fracassará. Os socialistas alemães e franceses protestaram contra a guerra de 1870, mostrando que se tratava de uma guerra puramente dinástica. Em seus manifestos, advertiram ao povo alemão que, se ele permitisse a transformação da pretensa guerra de defesa em guerra de conquista, seria punido pela instauração de um despotismo militar e pela opressão brutal das massas trabalhadoras. Naquela época, o partido social democrata da Alemanha realizou reuniões e publicou manifestos nos quais se pronunciava em favor de uma paz honrosa com a França. O governo prussiano desencadeou imediatamente as perseguições contra o partido e muitos de seus dirigentes foram presos. Apesar disso, seus deputados, eles e somente eles, no Reichstag, ousaram protestar com a maior veemência contra a anexação pela força de uma província francesa. Bismarck, entretanto, impôs sua política pela violência e falou-se do gênio de Bismarck. A guerra estava terminada e, como ele não podia fazer novas conquistas, mas devia fabricar idéias originais, faliu lamentavelmente. O povo perdeu a fé que tinha nele e sua popularidade está em declínio. Com ajuda de uma pseudo constituição e com vistas a realizar seus planos militares e de unificação, impôs pesados impostos ao povo, a um ponto que o povo não aceita mais, e ele tenta agora fazê-lo aceitar sem constituição. A fim de poder continuar a sangrá-lo a seu gosto, pôs-se a agitar o espectro do socialismo e fez o todo o possível para provocar uma sublevação popular.


Pergunta - O senhor recebe, regularmente, relatórios de Berlim?
Marx - Sim, sou muito bem informado pelos meus amigos. Berlim está perfeitamente tranqüila e Bismarck decepcionado. Ele interditou a permanência de quarenta e oito dirigentes, entre os quais os Deputados Hassehnann e Fritzsche, bem como a Rackow, Baumann e Auer da FreiePresse . Estes homens exortaram o povo berlinense a manter a calma e Bismarck o sabe. Também sabe muito bem que, em Berlim, 75.000 operários estão à beira de morrer de fome. Ele conta firmemente com que, afastados os dirigentes, produzir-se-ão os motins que darão o sinal para um banho de sangue. Então, poderia algemar todo o Império alemão e dar livre curso à sua cara política militarista; não haveria mais limites para a elevação dos impostos. Até o presente, nenhuma desordem aconteceu e Bismarck, desolado, se apercebe de que é a si próprio que deve censurar diante de todos os homens de estado.

VIA SANDRODAVIDOVITCH

Brasil: Um incrível (e enorme) erro geopolítico

Atilio Borón

Por Atilio Borón *

Uma das derivações mais inesperadas da crise nas relações entre o Brasil e os Estados Unidos, que deu origem ao duro discurso da presidente Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU e o cancelamento da "visita de Estado" para Washington - prevista para outubro deste ano- teve um impacto direto sobre um tema que rondava nos despachos oficiais em Brasília desde 2005 e que até poucos dias atrás permaneciam sem solução: a controversa renovação da frota de 36 caças para o Brasil que precisa controlar o seu espaço aéreo e, especialmente, a da vasta bacia amazônica e sub- Amazônia.


De acordo com os especialistas brasileiros, a frota disponível atualmente no Brasil é obsoleto ou, na melhor das hipóteses, insuficiente, e da necessidade de renovação urgente não pode ser adiada. No entanto, depois de anos de estudos, relatórios e testes entre os atores envolvidos na decisão não chegam a um acordo. As propostas consideradas pelo concurso lançado em 2001 pelo governo brasileiro foram três: o Boeing F/A-18 E / F Super Hornet ( originalmente fabricado pela empresa americana McDonnell Douglas, posteriormente adquirida pela Boeing ), o Dassault Rafale de França e a sueca SAAB Gripen -NG . Uma alternativa, descartada ab initio por razões nunca esclarecidas, mas, sem dúvida, por razões politicas, foi o Sukhoi Su-35 de fabricação russa. Num primeiro momento a maioria do Alto Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) e diferentes setores da burocracia política e diplomática de Brasília estavam inclinados a comprar novos equipamentos nos Estados Unidos, enquanto outros favoreciam os Rafale franceses e um setor francamente minoritário a os Gripen –NG suecos . A dissidência levou à paralisia e Lula, apesar de sua autoridade indiscutível, teve de resignar-se a deixar o cargo incapaz de resolver o impasse, apesar de ter sido conhecida por todos sua inclinação em favor do Rafale. A indecisão terminou há poucos dias com uma decisão muito desafortunada –a menos ruim, mas longe de ser a melhor- como será visto a seguir: comprar os Gripen -NG suecos.
Rachaduras em uma relação especial
A revelação surpreendente de espionagem conduzida por Washington sobre o governo e a liderança do Brasil -isto é, em um país que soube ser um dos seus mais fiéis aliados nas Américas- foi à gota d’agua para inclinar a balança contra o F -18. A incondicionalidade nos vínculos de sucessivos governos do Brasil com os Estados Unidos , descíamos, era mais que sabida, mas saltou para a luz com a desclassificação em agosto de 2009,  de um relatório da CIA, onde se dava conta da "construtiva" troca de ideias sustentadas em 1971entre os presidentes Emilio Garrastazu Médici e Richard Nixon a efeitos de explorar melhores métodos para desestabilizar governos de esquerda em Cuba e Chile. Este é um dos muitos exemplos de "colaboração" entre Brasília e Washington. Apenas lembrar a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, lutando lado a lado com a U. S. Army, ao que poderíamos acrescentar mais uma: em fevereiro de 1976 Henry Kissinger viajou ao Brasil para formalizar o que pretendia ser uma aliança forte e duradoura entre o gigante sul-americano e os Estados Unidos. A derrota humilhante no Vietnã exigiu o reforço das relações imediatas com a América Latina, que como Fidel e Che repetiam até o cansaço, é a retaguarda estratégica do império. Nada melhor do que começar pelo Brasil, em cuja capital Kissinger foi recebido como uma celebridade mundial e assinou um acordo histórico com o ditador brasileiro Ernesto Geisel. De acordo com o mesmo as duas grandes potências do Hemisfério Ocidental (para usar a linguagem da época) se comprometiam a realizar consultas regulares ao mais alto nível em matéria de política externa. Subjazia a este acordo o conhecido axioma de Kissinger dizendo que “para onde o Brasil se incline vai se inclinar a América Latina”. Acordo que morreu ao nascer, porque, como lembra permanentemente Noam Chomsky, Washington não permite qualquer restrição em suas decisões, tanto se brotam de um tratado bilateral ou de qualquer outra fonte de direito internacional. Se a Casa Branca quer consultar, o faz, mas não se sente obrigada a fazer, e muito menos submetida aos termos de um tratado ou convenção. Em qualquer caso o anterior revela a intenção de ambas as capitais para coordenar suas políticas. Neste contexto histórico a coordenação ocorreu no campo de atividades repressivas a serem desenvolvidas no Cone Sul , como amplamente foi demonstrado pelo sinistro Plano Condor. Em datas mais próximas, em 2007, Lula e George W. Bush assinaram um acordo para compartilhar tecnologia com o objetivo de promover a produção de agrocombustíveis -bom negócio para os EUA e depredação ecológica para o Brasil- fortalecendo novamente os tradicionais "laços de amizade e cooperação" entre Washington e Brasília.

Agora bem: a ilegal- além de ilegítima- interdição dos cabos, mensagens e telefonemas da presidente do Brasil (assim como muitos governantes e funcionários de outros países da região) teve, no caso do Brasil, um peso muito agravado porque Washington também cometeu outro ato grosseiro de delinquência comum: a espionagem industrial, praticado contra a Petrobras. Não era arriscado, por isso, prever que este conjunto de circunstâncias quase certamente precipitaria o resultado da indecisão prolongada em relação ao reequipamento da FAB. Depois do acontecido seria insensato para o Brasil decidir renovar seu material aéreo com aviões norte-americanos. Mas então, quais seriam as alternativas? Como substituir o que, obviamente, era o avião favorito da FAB?
Alternativas de reequipamento
Um relatório secreto da própria FAB, de Janeiro de 2010, (mas que alguém se encarregou de vazar para a imprensa) e foi enviado para o Ministério da Defesa avaliando os três principais candidatos à renovação da frota de caças classificaba ao Gripen- NG claramente atrás do francês Rafale e o F-18 Super Hornet. De acordo com o relatório, as suas capacidades técnicas e militares eram inferiores aos dos seus congéneres franceses e americanos. É verdade que também era inferior seu preço, estimado em 70 milhões de dólares, enquanto o preço doF-18 girava em torno de 100 milhões de dólares e do Rafale, muito mais caro, é quase na ponta dos 140 milhões. Uma vez que o relatório foi divulgado, em seguida, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi rápido para esclarecer duas coisas: primeiro, que a decisão final sobre a aquisição da aeronave seria tomada pelo Governo e não pela FAB; em segundo, em linha com as declarações de Lula que o preço da aeronave poderia tornar-se um fator determinante na decisão. A possibilidade insinuada na época por Nicolas Sarkozy de que o Brasil poderia receber tecnologia e fabricar o Rafale em suas próprias instalações industriais e, em seguida, vendê-las -embora apenas na América Latina- foi o que inclinou na balança de Lula em favor de Rafale. Mas a sua decisão não convenceu a liderança da FAB e de outros setores do governo, firmemente favoráveis a fechar o negócio com a Boeing,  (Cabra frouxo, meu deus, que decepção!!!) com os EUA. E este era um risco que não poderia ser subestimado pelos compradores.
Em outras palavras, enquanto os Super Hornet pareciam mais atraentes, tanto em termos económicos e por sua avançada tecnologia e da continuidade que ofereciam com parte da dotação atual das FAB, o fato é que o incidente diplomático da espionagem ligado ao risco de que, em caso de um conflito entre Brasília e Washington, este fizesse com Brasil, por exemplo, o que fez pouco mais de dez anos com a Venezuela Chavista contribuíram para enfraquecer o frente "pró- americano". Como se lembrará, nessa ocasião o presidente George W. Bush, impôs um embargo à venda de partes e repostos de peças e o mais importante, ao envio dos sistemas computadorizados de navegação e de combate que, tais como os software de computador, se renovam a cada poucos meses, e sem a versão mais recente do "hardware", neste caso, os aviões, param de fornecer os serviços que se espera deles. Bastaria, no caso, de uma disputa e a Casa Branca poderia decidir, ainda que seja temporariamente, o fornecimento de novas versões desses sistemas para que estes aviões ficassem inutilizados e a Amazônia desprotegida. Se o fez com Chávez, por que não haveria de reincidir nessa conduta no caso de um conflito de interesses com o Brasil?
Lamentável ausência de uma reflexão geopolítica
A paralisia tanto tempo bloqueada da renovação de material aéreo da FAB se houvesse facilmente destravado se as pessoas envolvidas na tomada de decisão se tivessem feito esta simples pergunta: quantas bases militares na região têm cada um dos países que nos oferecem suas aeronaves para monitorar nosso território? Se eles a tivessem feito a resposta teria sido: Suécia não tem nenhuma; França tem uma base aeroespacial na Guiana Francesa, administrada em conjunto com a NATO e com a presença de militares norte-americanos; e os EUA têm, no entanto, 77 bases militares na região (última contagem, de dezembro de 2013), um punhado deles alugado ou coadministrado com terceiros países como o Reino Unido, França e Holanda. Algum burocrata do Itamaraty ou algum militar brasileiro treinado em West Point poderia argumentar que estas bases se encontram em países distantes, que estão no Caribe e cuja missão é monitorar a Venezuela bolivariana. Mas eles estão errados: a dura realidade é que, enquanto esta é cercada por 13 bases norte-americanas em seus países vizinhos, o Brasil está literalmente rodeado por 24, que passam a ser 26 se somarmos as duas bases britânicas de ultramar disponíveis para EUA -via NATO- no Atlântico equatorial e meridional, nas Ilhas Ascensión e Malvinas, respectivamente, e no meio de cuja linha imaginária se encontra nada menos que o grande campo petrolífero do Pré-Sal. E obvio que comprar armas a quem ameaça com tão formidável presença militar não parece ser um exemplo de sabedoria e astúcia na arte sofisticada de guerra.
Por outro lado, ao tomar uma decisão dessa magnitude deveria ter sido ponderado à probabilidade do surto de algum tipo de conflito aberto, inédito até agora na história das relações Brasil-Estados Unidos, mas certamente não é impossível. Probabilidade extremamente baixa, se não inexistente, se é a Rússia ou a China, mas aumenta no caso dos Estados Unidos ou qualquer um de seus “proxies” -talvez “lacaios" seria o termo mais apropriado- europeus iniciarem uma caça inescrupulosa cada vez mais violenta pelos recursos naturais. Portanto, a chance de que, ao longo dos próximos dez ou quinze anos, poderia surgir um sério confronto entre Brasília e Washington pela disputa de algumas das enormes riquezas alojados na Amazônia -água, minérios estratégicos, biodiversidade, etc.-, ou pela eventual recusa do Brasil a secundar a os Estados Unidos em uma aventura criminosa como a que planeja para a Síria ou o Irã, ou a que já fez na Líbia e no Iraque, não é nada marginal. Além disso, diríamos que os Estados Unidos, acossado pela desestabilização da ordem neocolonial imposta no Oriente Médio com a ajuda de aliados tão nefastos como Israel e Arábia Saudita e suas crescentes dificuldades na Ásia, colocam em questão o fornecimento de petróleo e de matérias-primas e minerais estratégicos demandados pela sua insaciável voracidade de consumo. Essa combinação de fatores faz com que seja altamente provável que, mais cedo ou mais tarde, se desencadeie um claro confronto entre Washington e Brasília. Se tal eventualidade fosse um mero jogo de imaginação e muito baixa, se não for zero, probabilidade de ocorrência, então não se entende as razões pelas quais os EUA implantou tal quantidade de bases circundando ferreamente ao Brasil por terra e mar. Se Washington fez não foi por acidente ou acaso, mas na expectativa de qualquer disputa que seus estrategistas acreditam que será difícil ou impossível de resolver por meio de canais diplomáticos. Se eles instalaram as bases é porque, sem a menor dúvida! O Pentágono contempla no horizonte uma hipótese de conflito com o Brasil. Caso contrário, tais implantações destas unidades de combate seria ridículo e completamente incompreensível.
A chantagem dos EUA sobre os aviões Europeus
Dado este fato inocultável da realidade uma parte crescente dos atores neste processo de decisão começaram a inclinar-se para o Rafale francês até que... (Os especialistas brasileiros tiveram pouco tempo para pensar, só 18 anos, uma lástima!) O presidente François Hollande jogou ao mar toda a tradição gaullista, declarando que seu governo estava disposto a secundar nada menos que o plano criminoso de Barack Obama  para bombardear a Síria! O anúncio foi feito depois que o Parlamento britânico recusou-se a acompanhar tão sinistra iniciativa, onde surgiu de imediato a seguinte questão: que garantias poderia ter o Brasil que, em uma disputa com os Estados Unidos, Paris não se curvaria solícito ante um pedido da Casa Branca para bloquear o envio de peças e software para os Rafales adquiridos pelo Brasil? Se apenas alguns meses atrás, Hollande  mostrou cumplicidade incondicional com um plano criminoso como o bombardeio indiscriminado da Síria, por que pensar, então, que agiria diferente em caso de um conflito aberto entre Brasília e Washington?. Nesse caso a Casa Branca iria recorrer a seu manual contendo os "procedimentos padronizados de operação "(SOP, por sua sigla em Inglês) e rapidamente denunciaria que Brasília "não colabora" na luta contra o terrorismo e o narcotráfico e torna-se assim uma ameaça à "segurança nacional" dos Estados Unidos e, se escondendo atrás de uma lei do Congresso, embargaria o envio de peças e software para o país sul-americano e solicitaria o mesmo pedido a seus aliados europeus. Poderia se confiar que a França ou a Suécia não se iriam dobrar as exigências dos EUA? De jeito nenhum! Consideremos o registro histórico: atualmente países como a Coréia do Norte, Cuba, Irã, Síria, Sudão e, para certos produtos, a República Popular da China, são vítimas de diversos tipos de embargos, e em todos os casos Washington tem a solidariedade de seus comparsas europeus. No caso Cubano, o mais radical de todos, mas que um embargo para certos tipos de produtos, é um bloqueio integral cujo custo é equivalente a dois Planos Marshall em contra! No que diz respeito aos fabricantes de aviões franceses e suecos os responsáveis brasileiros deveriam saber que proporção das partes e tecnologia estadunidense continham os Rafale e os Gripen -NG . Porque se eles tinham mais do que 10 por cento, e não de tudo o avião, mas cada uma de suas partes principais: aviónica, fuselagem, sistemas eletrônicos, informática, etc, seria o suficiente para que em caso de conflito com o Brasil, Washington exigisse a implementação de um embargo sem que os governos atuais (e os previsíveis) da França ou a Suécia pudessem recusar-se a obedecer, sob pena de violar a legislação destinada a assegurar nada menos que a segurança nacional dos Estados Unidos. Tome-se nota do seguinte: o motor que impulsiona o Gripen -NG é um desenvolvimento de uma turbina fabricada pela empresa dos EUA General Electric. Só isso já é o suficiente para que ante uma disputa entre Washington e Brasília, Suécia possa verse obrigada a parar o fornecimento de peças e software para as aeronaves vendidas ao Brasil, a menos que esteja disposta a arcar com os custos de um sério conflito com os Estados Unidos.
O Sukhoi: a carta russa
Assim, a única coisa que poderia ter garantido a independência militar do Brasil teria sido adquirir seus aviões em países que, por seu poderio, por razões de sua própria inserção no sistema internacional e por sua estratégia diplomática, estivessem isentos do risco de se tornarem executores obedientes dos mandatos da Casa Branca. Há apenas dois países que possuem essas características e, por sua vez, têm a capacidade tecnológica para construir aviões de combate de última geração: Rússia e China, os fabricantes Sukhoi e Chengdu J -10, respectivamente.
Consequentemente, o debate sobre quem forneceria novas aeronaves que Brasil - e a os países com os quais compartilha a Bacia Amazônica!- necessitam, chegou abruptamente a um ponto completamente inesperado: descartados os F-18 e os Rafale, a opção mais razoável teria sido chamar a uma nova licitação e permitir a inscrição de aviões russos e chineses. Infelizmente, este não foi o caminho escolhido por Brasília. Alguém pode se perguntar o que há de errado com sueco Gripen -NG. Não apenas o que indica o relatório secreto que vazou para a imprensa e detalhado acima, mas também do ponto de vista político, não há garantia nenhuma de que Estocolmo- ou seja a Suécia de hoje, não a que existia na época de Olof Palme, que por algo foi assassinado- ele irá se comportar de forma diferente a uma requisitória de Washington para embargar a remessa de peças e software para os Gripen FAB -NG. Por isso, em 18 de dezembro de 2013 o Ministro da Defesa do Brasil , Celso Amorim, anunciou os resultados da licitação com a adjudicação dos mesmos para a empresa sueca SAAB, fabricantes de Gripen -NG. "A escolha foi baseada em critérios de desempenho, transferência de tecnologia e custo", disse ele na conferência de imprensa para esta finalidade.
Infelizmente, a eleição não considerou os critérios mais importantes em matéria que fazem a autodeterminação e de defesa nacional: a geopolítica. 

Como se poderia ignorar um relatório oficial do Parlamento Europeu del 14 de Fevereiro 2007 que estabeleceu que, após os atentados de 11 –S -entre os anos 2001-2005 - a CIA operou 1.245 voos ilegais no espaço aéreo europeu, transferindo "presos fantasmas" (“ghost detainees”) hacia centros de detenção e tortura na Europa (especialmente na Roménia e Polónia) e no Oriente Médio ? Entre os governos que se prestaram a tão sinistro tráfego se encontra o país onde vai se se fabricar  os aviões encargados de monitorar o espaço aéreo brasileiro, Suécia, que, apesar de que no relatório não é acusado de ter admitido o "interrogatório" no seu território, mas sim permitiram que esses "voos da morte" americanos reabasteceram e encontraram apoio e logística nos seus aeroportos. Sendo assim, como se pode confiar em um país que se prestou a uma manobra tão atrozmente viola tória dos direitos humanos poderia recusar a "cooperar" com Washington, no caso que este pedir parar de enviar suprimentos, peças e software para os Gripen FAB -NG?
Conclusão
Então nós dissemos antes e o afirmamos com mais força agora que a única opção verdadeiramente autônoma que a presidente Dilma Rousseff tinha era a de adquirir os Sukhoi russos, mesmo à custa de ter de suportar a crítica virulenta dentro e fora do Brasil. No interior, porque todos sabem de que existe setores internos que propõem  esquecer a América Latina e militam em favor de uma aliança incondicional com os Estados Unidos e Europa, e em que predomina a mentalidade da Guerra Fria, que os Estados Unidos tem se há esforçado para manter viva ao longo dos anos, embora com um pouco de maquiagem.
Por exemplo, já não falam de “ameaça soviética”, mas a "ameaça terrorista"; e Rússia, ao conceder asilo e proteção para o ex-agente da Agência de Segurança Nacional (NSA) Edward Snowden, confirma que não se encontra do lado da liberdade e da democracia, mas precisamente na calçada oposta. E críticas fora do Brasil, porque os EUA não só pressionou para abortar uma eventual decisão em favor do Sukhoi, mas, em caso de qu e se concretasse a aquisição, assediaria a Brasilia com condenações e sanções de todo tipo.
A ambição exorbitante do imperialismo e seus abusos sistemáticos do direito internacional e da soberania nacional brasileira não iria deixá-lo à presidente Dilma Rousseff qualquer alternativa. Sua única saída para garantir o controle da bacia amazônica, mais por necessidade do que por convicção, seriam os Sukhoi. Quaisquer outras opções colocariam em grave risco a autodeterminação nacional. Infelizmente estas considerações geopolíticas não foram tidas em conta e se tomou uma má decisão - a menos ruim porque pior seria comprar o F-18 - mas ruim no final porque é antagônico ao interesse nacional brasileiro e, por extensão, para as aspirações de autodeterminação da América do Sul.

Com esta decisão, o Brasil vai monitorar e preservar a integridade da  ameaçada Amazônia até que haja uma disputa com os Estados Unidos ou qualquer um de seus comparsas, mas se um conflito se desatara Brasil seria praticamente desarmado e refém à chantagem e arrogância de Washington. O problema não era apenas com a aeronave Boeing, mas também com os de qualquer outro país que se espera venha a se curvar às requisições solícitos de Washington, como todos os europeus. Comprar aeronaves ao aliado que espiona as autoridades e as empresas brasileiras e aliado também de quem ameaça ao país com vinte e seis bases militares é um gesto de incrível insensatez política e revela um amadorismo imperdoável na arte da guerra, erros que vão custar muito caro para o Brasil e, por extensão, a toda a América do Sul.

Com a aquisição dos Gripen-NG se desperdiçou uma grande oportunidade de se mover em direção à autodeterminação militar, um pré-requisito para a independência econômica e política. Não só o Brasil tomou uma péssima decisão que prejudica sua soberania; também perdeu a Unasul porque com ela também se obstaculiza a clara percepção de quem é o verdadeiro inimigo ameaçando-nos com sua máquina de guerra infernal. Então, hoje é um dia muito triste para a nossa América. Como se costuma dizer no jargão de jogos de guerra, "game over", e, infelizmente, ganharam os vilões! Tomara que os movimentos sociais e as forças políticas patrióticas anti-imperialistas no Brasil tenham a capacidade de reverter uma decisão tão infeliz.Tradução para o português de Luis Delgado.

* Politólogo e sociólogo argentino de nascença e latino-americano por convicção. Diretor do Programa Latino-americano de Educação à Distância em Ciências Sociais, em Buenos Aires.


O jornalismo investigativo de Michael Moore: 4 Documentários Legendados COMPLETOS

Enviado por Tamára Baranov, dom, 08/12/2013              
do Blog do Nassif   
 
Michael Moore é conhecido por ter a coragem de dar a sua opinião em público, o que muitas pessoas não são corajosas o suficiente para fazer, e por isso é respeitado por muitos. Cineasta, documentarista e escritor, Michael Moore nasceu em Flint, Michigan, estudou jornalismo e começou sua carreira escrevendo para o jornal da escola. Depois de abandonar a faculdade e antes de abraçar o cinema, trabalhou como editor da ‘Mother Jones’, uma revista independente, sem fins lucrativos, conhecida por suas reportagens investigativas e que segue os padrões gerais de orientação política da esquerda norte-americana. No cinema, tornou-se um dos mais conhecidos e mais polêmicos documentaristas da América e produziu uma série de filmes documentários e séries de TV, predominantemente sobre o mesmo assunto: ataques a políticos corruptos e à ganância de corporações empresariais.
O seu primeiro filme, ‘Roger & Me’ (1989), é o retrato de uma cidade que um dia foi modelo de bem-estar e entrou na miséria por uma decisão da mesma companhia que a levantou, a ‘General Motors’, que causou o sofrimento de milhares de famílias com o fechamento de onze fábricas em Flint, cidade natal de Moore. O Roger do título é Roger Smith, presidente da ‘General Motors’, que Moore durante dois anos tentou, sem êxito, entrevistar.
Assista abaixo, 4 documentários do cineasta/ativista:

SiCKO é um filme feito em 2007, que fala sobre o Sistema de saúde dos Estados Unidos da América.
Como o título indica pela referência ao termo sick, que quer dizer "doente" esse documentário aborda a saúde por seu lado inverso, a doença, mas não os seus aspectos biológicos e sim sociais e éticos. Aborda a questão da seguridade social e saúde nos Estados Unidos revelando as contradições entre a riqueza do país e má qualidade de vida decorrente da desorganização dos setores de assistência médica pública e privada na lógica capitalista de manutenção dos lucros das seguradoras de saúde, segundo o autor do filme em luta contra os fantasmas do socialismo representado pelo que ele denomina medicina socializada exemplicado pelo sistema médico canadense e inglês.
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Tiros em Columbine ganhou um Oscar de melhor filme documentário e tem sido admirado e repudiado quase por igual. Estreou nos Estados Unidos em 11 de Outubro de 2002.
Moore sustenta que a maior taxa de homicídios relacionados com armas de fogo nos Estados Unidos não se deve a um maior número de armas de fogo no dito país, já que, como Moore afirma, Canadá também tem uma grande quantidade de armas de fogo e no entanto sua sociedade é muito menos violenta. Então Moore se pergunta: se não se trata do número de armas de fogo na sociedade estadunidense, qual pode ser a causa? Com isto, analisa outras possíveis razões, como o passado violento da nação quando subjugou aos índios norte americanos, porém desmente que seja esse o motivo, já que outros países com um passado tingido de sangue, como Alemanha ou Japão, têm uma taxa de homicídios per capita inferior ao dos Estados Unidos. Também especula a militarização dos Estados Unidos, e toma uma visão pessoal das formas em que a sociedade estadunidense desfruta de uma segurança social muito reduzida em comparação com outros países. Também se fixa na relação do racismo nos Estados Unidos com o temor pela sua própria população negra e se isto contribui a uma maior proliferação de armas na população civil (branca) e uma maior violência.
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Fahrenheit 9/11 é um documentário americano de 2004, fala sobre as causas e consequências dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, fazendo referência à posterior invasão doIraque, liderada por esse país e pela Grã-Bretanha. Além disso, tenta decifrar os reais alcances dos vínculos que existiriam entre as famílias do presidente George W. Bush e a deOsama bin Laden.
O título do filme faz referência ao livro Fahrenheit 451 (233°C, que representa a temperatura em que arde o papel), escrito em 1953 por Ray Bradbury, e também aos atentados de 11 de setembro de 2001, já que "11/9" se escreve "9/11" nos países de língua inglesa.
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Capitalismo: uma história de amor, centra na crise financeira global de 2007–2009, na transição do governo de George W. Bush para Barack Obama e no pacote de estímulo à economia sancionado pelo último.Este documentário suscita uma questão crucial: qual é o preço que paga os Estados Unidos por seu amor ao capitalismo? Anos atrás, esse amor parecia bastante inocente. No entanto, hoje o sonho americano parece cada vez mais com um pesadelo, o preço pago pelas famílias que vêem seus empregos desaparecerem, suas casas e suas poupanças. Moore nos leva para as casas de pessoas comuns cujas vidas foram interrompidas, enquanto buscam explicações em Washington e em outros lugares. E o que descobre são sintomas muito familiares de um amor que acaba mal: mentiras, abuso, traição e 14.000 empregos perdidos a cada dia.
 
     

     
Via Professor Virtual

TENHO UM SEGUIDOR, DO BLOG, CHAMADO ZEZITO, OU MELHOR, ZEZITO CAGA QUADRADO



Esta postagem é em homenagem a um seguidor do blog, Zezito, ou melhor, Zezito Caga Quadrado. 

Ele, indignado por que este blog publicou uma crítica ao governo Dilma, em quem só votarei em 2014 por falta de uma opção mais a esquerda, claro e infelizmente, pois sou comunista, mandou um comentário mal educado, chulo, mal escrito, incompreensível, na verdade.

Na ânsia de satisfazer as suas necessidades mais enrustidas, escreveu a pérola abaixo, tampem os narizes antes de ler:


zezito <noreply-comment@blogger.com>


21 de dez (9 dias atrás)
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para mim

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zezito deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Dilma deveria punir chefes militares - Chefes das ...": 

Quem esta no poder somos e não os militares, vai cagar para ser radical quadrado. 


Moderar comentários para este blog.

Postado por zezito no blog CLAUDICANDO em 21 de dezembro de 2013 19:40


Solicito ao dileto cagão que da próxima vez procure o banheiro de sua consciência.

Seja homem, e quando digo homem, não significa ser machão, mas sim ser educado, humano, aceitar que o mundo não é só nosso, que existem pessoas que pensam diferente de nós, e que por isso não são nem melhores nem piores.

Em suma, ser humanista, respeitar as diferenças, não se acovardar, discutir ideias.

Não se passe por idiota, respeite as pessoas.

Aprendi com um professor de português, na época do antigo ginasial, a "ser humilde com os humildes e arrogante com os arrogantes e imbecis".

Sigo este conselho até hoje.


Itárcio.

sábado, 28 de dezembro de 2013

O quanto a mídia se recusa a refletir sobre o que pensam os brasileiros




Pensamento brasileiro
No último domingo, o Instituto Datafolha publicou uma pesquisa a respeito do posicionamento ideológico dos brasileiros. Essa não foi a primeira vez que pesquisas dessa natureza foram feitas pelo instituto, mas foi a primeira vez que questões econômicas ligadas à função do Estado, às leis trabalhistas e à importância de financiar serviços públicos apareceram. O resultado foi simplesmente surpreendente.

Se você ler os cadernos de economia dos jornais e ouvir comentaristas econômicos na televisão e no rádio, encontrará necessariamente o mesmo mantra: os impostos brasileiros são insuportavelmente altos, as leis trabalhistas apenas encarecem os custos e, quanto mais o Estado se afastar da regulação da economia, melhor. Durante décadas foi praticamente só isso o que ouvimos dos ditos "analistas" econômicos deste país.

No entanto décadas de discurso único no campo econômico foram incapazes de fazer 47% dos brasileiros deixarem de acreditar que uma boa sociedade é aquela na qual o Estado tem condição de oferecer o máximo de serviços e benefícios públicos.

Da mesma forma, 54% associam leis trabalhistas mais à defesa dos trabalhadores do que aos empecilhos para as empresas crescerem, e 70% acham que o Estado deveria ser o principal responsável pelo crescimento do Brasil.

Agora, a pergunta que não quer calar é a seguinte: por que tais pessoas praticamente não têm voz na imprensa econômica deste país? Por que elas são tão sub-representadas na dita esfera pública?

A pesquisa ainda demonstra que, do ponto de vista dos costumes, os eleitores brasileiros não se diferenciam muito de um perfil conservador. O que deixa claro como suas escolhas eleitorais são eminentemente marcadas por posições ideológicas no campo econômico. 

Uma razão a mais para que tais posições possam ter maior visibilidade e estar em pé de igualdade com as posições econômicas liberais hegemônicas na imprensa brasileira.

É claro que haverá os que virão com a velha explicação ressentida: o país ama o Estado devido à "herança patrimonialista ibérica" e à falta de empreendedorismo congênita de seu povo. Essa é a velha forma de travestir egoísmo social ressentido e preconceituoso com roupas de bricolagem histórica.

Na verdade, o povo brasileiro sabe muito bem a importância da solidariedade social construída por meio da fiscalidade e da tributação dos mais ricos, assim como é cônscio da importância do fortalecimento da capacidade de intervenção do Estado e da defesa do bem comum. Só quem não sabe disso são nossos analistas econômicos, com suas consultorias milionárias pagas pelo sistema financeiro.

Artigo do professor Vladimir Safatle, da Filosofia da USP. 

Via Diário Gauche

Até o editor de jornal tucano não aguenta mais a corrupção no governo Alckmin



Por Helena, para Os Amigos do Presidente Lula
O editor do jornal Folha de São Paulo, mais conhecido como panfleto do PSDB, ou jornal de assessoria dos tucanos, resolveu cobrar  uma atitude do governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB).

 No texto "Não é com ele" ("Opinião", ontem), Ricardo Balthazar toca num assunto até aqui tratado com desdém, pela Folha inclusive, que é a total exclusão de responsabilidade de Alckmin no caso de corrupção envolvendo trens e metrô em SP, pois, se ele não sabia de nada, indicou mal e não prestou atenção em sua própria "cozinha", e, se sabia, tem responsabilidade no caso.

Não é com ele

 Diante das investigações sobre o cartel de empresas que se uniu para fraudar licitações de trens nas administrações do PSDB em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin comporta-se às vezes como se o assunto não fosse com ele.

Em outubro, ele apareceu falando grosso em anúncio veiculado por seu partido na televisão. "Nós queremos toda a verdade, somos o maior interessado nisso", disse. "Vou fundo nessa história, punir os culpados."

 Três dias depois, a Corregedoria do Estado recomendou à Secretaria de Planejamento que demitisse imediatamente um funcionário sob investigação por causa de suas ligações com a turma do cartel, Pedro Benvenuto.

Passados dois meses, o próprio Benvenuto decidiu entregar na semana passada o cargo que ocupava, como a Folha informou ontem. A Secretaria do Planejamento afirma que ainda estava estudando o que fazer com o caso quando foi surpreendida pela decisão de Benvenuto.

Não é fácil para Alckmin olhar para o outro lado. Dois auxiliares de sua confiança, o chefe da Casa Civil, Edson Aparecido, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia, foram acusados de receber propina para facilitar negócios do cartel com o governo estadual.

Alckmin decidiu mantê-los, por uma razão simples.  O governador sabe dos riscos que corre. Se as investigações avançarem no ano em que ele estará em busca da reeleição, mais revelações poderão lhe causar enorme embaraço.

Alckmin enfrentará uma eleição difícil em 2014. Ele acha que terá um trunfo se conseguir preservar a imagem de bom moço e administrador austero que os eleitores costumam associar a ele. Pode ser. Mas muito dependerá do andamento das investigações sobre o cartel, uma variável hoje completamente fora do controle do governador.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O BRASIL E O ASILO A SNOWDEN



(HD) - Um dos principais assuntos da semana, foi a realização de uma reunião da Presidente Dilma,  para analisar o asilo a Edward Snowden, em troca de informações sobre as atividades de espionagem da NSA contra cidadãos e autoridades brasileiras.

O assunto surgiu a partir de uma “carta aberta” de Snowden ao povo brasileiro, publicada na  “Folha de São Paulo”, e do lançamento de uma campanha em defesa do asilo a ele, com a coleta de assinaturas e o uso de  máscaras que reproduzem sua face.

O texto renovou as denúncias a propósito dos riscos que corremos – nós e pessoas de outras nacionalidades - de termos nossas comunicações interceptadas, todos os dias, e de sermos até mesmo chantageados pelos EUA, por nossas atividades na internet.

Ela foi, também, uma mensagem de gratidão ao  governo brasileiro, pela atenção dada às denúncias de pelo empenho demonstrado, nas Nações Unidas, para atuar com firmeza em defesa da privacidade como um direito fundamental de todo ser humano.

O que mais chamou a atenção, no entanto, foi a parte em que Snowden afirmava, com relação às investigações que estão sendo realizadas pelo governo brasileiro:

“Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina. Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.”

Esse trecho foi interpretado como uma espécie de barganha, por meio da qual Snowden estaria oferecendo sua colaboração e informações, em troca de eventual concessão de asilo, pelo governo brasileiro.

Hipótese que foi rapidamente desmentida pelo jornalista Gleen Greenwald, espécie de porta-voz oficioso de Snowden, que afirmou, que, na verdade, ele estaria apenas explicando sua impossibilidade de vir ao Brasil pessoalmente, devido à implacável perseguição que lhe é movida pelo governo norte-americano.   

Ao tratar o assunto como uma questão de Estado,  o Brasil poderia estar superestimando o fato e caindo em uma armadilha diplomática e institucional. O asilo a Snowden, só se justifica por razões humanitárias, caso estivesse correndo risco de vida, na Rússia, onde está agora, o que não é o caso.  Aceitá-lo, em troca de informações, equivaleria moralmente a equiparar-nos aos EUA, fazendo o que eles fizeram conosco, que foi meter o bedelho em nossos assuntos internos. 

A mensagem mais importante da carta de Snowden está no final, quando ele declara:

“Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.”   


Nota Claudicante:
Todos sabem que Mauro Santayana é um Mestre.
Um grande e nobre jornalista, com uma prosa clara, uma visão de expectador privilegiado e um analista político impecável.
Apesar de tudo, ouso, modestamente, discordar do enfoque dado a um possível asilo brasileiro a Snowden.
Sou favorável ao asilo, sob qualquer perspectiva ou motivação; desavenças com os EUA todos tem o tempo todo, pois o Grande Satã – como diria Khomeini – até dormindo conspira em seu favor.
Desavenças por um motivo nobre é sinônimo de esperança e coragem, só os seus poodles, Inglaterra, França, México, Colômbia, etc., botam os rabos entre as pernas na presença de seu amo.
Que venha o Snowden, e com ele um monte de desavenças; pois os EUA não precisam de motivos para brigar ou “punir”, eles são eleitos por Deus, caso elas não existam, as inventarão.

Abraços!