LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Dona Dilma, pare de fazer caras e bocas para os banqueiros em Davos. Que tal chamar a militância petista pra sustentar transformações ainda mais profundas? Do que, afinal, os Altos Ofinoses petistas têm medo?

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Encontrei n'O ORNITORRINCO

Copiei do Tijolaço

O que a “vaquinha” por Genoíno e Delúbio ensina? O que o PT esqueceu…
Fernando Brito

Os jornais não disfarçam seu espanto com as doações públicas para que José Genoíno, primeiro, e agora Delúbio Soares paguem as multas que receberam do Supremo Tribunal Federal.

Claro que pode até haver alguma mutreta de algum depósito feito por gente “muy amiga” para desmoralizar a arrecadação de fundos, e é bom que se verifique isso.

Mas nenhuma eventual “armadilha” nesta “vaquinha” esconde o seu principal ensinamento.

Se o protagonismo de José Genoíno nas lutas contra a ditadura, seu drama pessoal de saúde e a comovente solidariedade de sua família – sua filha Miruna tornou-se um símbolo de integridade e amor filial – o que poderia explicar o apoio público de Delúbio Soares, um colaborador de segundo escalão do PT e o que mais foi vilanizado em toda essa história do chamado “mensalão”.

A lição preciosa deste episódio é algo que, ao longo do tempo, boa parte da direção do PT parece ter se esquecido.

A de que existe uma militância política que não precisa ser paga – e que até paga, ela própria, do jeito que pode – para apoiar um partido, porque apóia as ideias e o significado destas ideias sobre a vida dos brasileiros.

A de que existe, fora da mídia e do mercado, gente que tem opinião e valores, que entende que existe uma luta de afirmação deste país e que está aí, pronta e ansiosa por quem a mobilize por uma causa, mesmo que a espinhosa causa de apoiar quem foi condenado num processo que, embora político até a medula, foi sentenciado num tribunal.

A “vaquinha” não foi contra a justiça nem por piedade humana.

Foi um gesto político, mostrando que há milhares de pessoas prontas a deixar seu conforto, seus interesses pessoais e a se expor, corajosamente, por uma causa que não é a figura de Delúbio ou mesmo a de José Genoíno, com todo o brilho e respeito que ela merece.

A causa é o processo de transformação do Brasil.

Pela qual, meu deus, parece que muitos dirigentes políticos, acham inútil levantar orgulhosamente a bandeira.

Reduzem a política a acordos, posições, verbas, favores, influência e – sejamos sinceros – recursos para candidaturas.

É claro que na prevalência dantesca que o dinheiro assumiu na vida política brasileira, só um tolo teria a ilusão de que uma campanha – sobretudo as majoritárias – pudesse funcionar apenas com “vaquinhas”.

Os grandes doadores, com a impureza de intenções com que doam, continuarão a ser fonte essencial de financiamento de campanhas, enquanto não se adotar o financiamento público que a direita tanto combate.

As pequenas doações desta “vaquinha”, porém, revelam algo além de seu valor monetário e que não deve ser comemorado, mas ser, sim, objeto de reflexão.

Há quanto tempo o PT e o governo que, sob sua legenda, o povo brasileiro elegeu e reelegeu, não faz uma “vaquinha cívica” pelas causas que o levaram até lá?

Há quanto tempo não se dirigem à opinião pública para dizer que precisam da pequena mobilização que cada um pode dar para criar um caudal de vontade que sustente as mudanças?

Onde está a polêmica, a contestação ao que o coro da mídia diz – como disse dos acusados no “mensalão” – de que tudo está errado e o status quo é perverso, mau e contrário aos direitos do povo brasileiro?

Não é preciso ser radical ou furioso, mas é preciso ser firme e claro.

Os líderes políticos – e os governos que sob sua liderança se erigem – têm um papel didático e mobilizador a desempenhar para com o povo brasileiro.

Sem bandeiras, ele não se une, mas está pronto a unir-se quando estas se levantam, mesmo que absolutamente “contra a maré”, como ocorreu nestes casos.

Precisamos, urgentemente, de uma “vaquinha cívica” pelo Brasil.

Pelo projeto de afirmação que se expressa no desenvolvimento, onde o Estado – e apenas ele – é o fio condutor de políticas eficazes e justas, porque o “santo mercado” é, historicamente, incapaz e mesquinho para tudo o que não seja dinheiro rápido e cego para qualquer visão estratégica de Nação.

Assistimos o Estado brasileiro e suas ferramentas de progresso econômico – a Petrobras, o BNDES, a Caixa, a Eletrobras, o Banco Central – serem diariamente massacradas nos jornais e nas tevês e não vemos, quase nunca fora das campanhas eleitorais, buscar-se a solidariedade da população.

Uma solidariedade que existe e que vive adormecida pela incapacidade – ou opção errônea – de não ser anunciada aos quatro ventos, em lugar de serem gaguejadas explicações e “desculpas” aos senhores do poder real: o poder econômico.

Uma solidariedade que precisa ser despertada, sob pena de que também os nossos sonhos venham a ser condenados.

O legado petista e a esquerda

Collor divulgou foto no Facebook



Por Maurício Caleiro, via Cinema & Outras Artes


Em artigo recente, no qual propõe uma reflexão sobre o futuro dos direitos sociais no Brasil, o filósofo Renato Janine Ribeiro alude a uma dicotomia que, às raias da campanha eleitoral, vem se consolidando no debate político do país. 

Trata-se da oposição entre o conservadorismo - os autointitulados "liberais", um amplo leque que reúne ex-aliados petistas, tucanos e até parte do que restou do DEM - e o petismo ora no poder, que para muitos de seus entusiastas ainda representaria a esquerda (ou centro-esquerda), por promover, via atenção ao social, uma alternativa ao neoliberalismo desbragado dos anos FHC e Collor, com destaque para as políticas de erradicação da miséria e de ascensão de cerca de 35 milhões de cidadãos à classe média.
Mas será que a relação entre esses entes políticos é, de fato, tão dicotômica quanto tais esquemas analíticos sugerem, ou oposições aparentes encobrem afinidades que os dois lados preferem camuflar? 

Mais: para além do desgaste conceitual de termos como "direita" e "esquerda", até que ponto, se usarmos de rigor metodológico, eles se aplicam a tais forças em oposição? 

Se não restam dúvidas de que os políticos que descendem da genealogia Arena/PDS/DEM têm formado, nas duas últimas décadas, em conluio com os tucanos, o núcleo duro do conservadorismo no país, isso automaticamente outorga ao petismo no poder o cetro do progressismo? 

Ou as sucessivas correções de rumo e guinadas conservadoras do PT de tal modo relativizam essa dicotomia que estaríamos assistindo, hoje, a um vácuo de representação no campo da esquerda?



Pobres e milionários

As políticas redistributivas implementadas em larga escala pelo PT têm se mostrado, de fato, o que de melhor os governos Lula e Dilma legam ao país, com resultados efetivos e relativamente rápidos no combate à chaga da pobreza, o pior dos males sociais gerados por séculos de negligência. 

Devido a relevância de seu humanismo e eficácia, trata-se de uma política que, com eventuais correções pontuais, não deveria ser abandonada no curto ou médio prazo, à revelia da coloração partidária dos futuros presidentes do país.

Sua implementação, no entanto, não se deu em consonância com a redução dos ganhos obscenos das elites historicamente responsáveis pela mencionada negligência para com o social - ou seja, através do redesenho integral da pirâmide social brasileira, de modo a torná-la, de ponta a ponta, mais justa. 

Pelo contrário: o que se vê são ajustes entre a base e o meio da pirâmide, à custa dos estratos médios e da dilatação do consumo causada pela própria incorporação econômica da base, num processo que, malgrado seus já citados benefícios, multiplicou os lucros do topo da pirâmide e tornou o Brasil o país que mais produz milionários no mundo. 

Ignorar a assimetria inerente a tal processo de combate à pobreza e tomá-lo por modelo exemplar de justiça social é tapar os olhos para os lucros extras que gera ao grande capital e aos oligopólios privados.

Essa aliança do petismo, a um tempo, com a base e o topo da pirâmide social serve de molde e metáfora tanto para a orientação de suas políticas econômicas quanto para suas alianças no âmbito da política partidária – que o digam Sarney, Collor, Calheiros, Maluf, Kátia Abreu, entre tantos outros políticos indubitavelmente associados ao conservadorismo (e à violação da ética na política). 

Esse duplo arranjo – e as medidas dele derivadas – relativiza, na origem, o caráter esquerdista do projeto de poder petista e evidencia a impropriedade de qualificá-lo como oposição ispsis litteris ao liberalismo.



O jogo do mercado

Mas é na seara econômica que o despropósito de tal qualificação fica ainda mais claro. 

Tendo recebido de Lula um governo com grande aprovação popular e, malgrado algum déficit de caixa, em situação financeira incomparavelmente melhor do que a do Brasil que FHC entregara ao primeiro presidente operário, o governo Dilma iniciou-se com o mais duro choque anticíclico de toda a era petista, um aperto fiscal de tal ordem que as de ordinário altas metas para o superávit primário deram lugar ao objetivo de zerar o déficit nominal. 

Mesmo economistas simpáticos ao petismo reconhecem que a reação aos revezes provocados por tal erro inicial – que, segundo Luis Nassif, quase levaram a economia à recessão – está no bojo do realinhamento das políticas macroeconômicas aos moldes desejados pelo mercado. 

Em decorrência dessa derrapada, encerra-se o breve ínterim durante o qual, no governo Lula, o noticiário econômico deixou de ocupar a proeminência costumeira e a encoleirar o governo.

Porém, ao promover o retorno da ortodoxia econômica como padrão orientador das politicas econômicas e, ao mesmo tempo, se recusar a regularizar a mídia em bases democráticas e de acordo com o que determina a Constituição, o governo Dilma aceitou tácita e passivamente jogar o jogo de acordo com com os parâmetros ditados pelo conluio entre mercado financeiro e mídia.



Dormindo com o inimigo

À revelia do fato de serem sustentadas pelo "critério técnico" da Secom, governistas e entusiastas continuaram a qualificar as corporações de mídia como "PIG" (Partido da Imprensa Golpista) e, num processo de autocomiseração que ora se firma como característica distintiva do petismo, a se considerarem vítimas inocentes de uma oposição midiática mancomunada com as elites. 

Porém, o modo deliberado como Dilma se aproximou da mídia corporativa e seu voluntarismo em resgatar a ortodoxia financeira como modelo macroeconômico fizeram com que, ao invés de vitimização, muitos enxergassem em tais gestos um movimento deliberado de aproximação para com o conservadorismo, no bojo de um processo de expansão da hegemonia do petismo em direção à direita, corroborado pelo retorno às privatizações, a subserviência ao agronegócio em detrimento dos direitos dos índios e a vista grossa para as questões de gênero em prol de pactos com o poder religioso. 

O sucesso dessa guinada conservadora seria atestado pelos mapas das pesquisas eleitorais pré-Jornadas de junho, com Dilma batendo recordes de aprovação em setores antes infesos ao petismo.

Mais corrobora do que desmente o caráter voluntário dessa aproximação entre Dima e o mercado a velocidade com que desistiu de baixar os pornográficos juros praticados no Brasil e, ante as primeiras acusações de Marina Silva de que gastara excessivamente, em reafirmar sua fé no tripé neoliberal de sustentação da economia, implementado pelo plano Real e composto de alto superavit primário, inflação abaixo de um dígito e câmbio flutuante. 

Tal guinada torna indistinguível, no âmbito da macroeconomia, as práticas petistas das do tucanato anteriormente no poder,  além de dissipar qualquer laivo de originalidade ou esquerdismo. 


O efeito se faz sentir: quem ainda acredita na oposição simplista entre a mídia e governo Dilma deveria prestar mais atenção ao comportamento dos colunistas econômicos durante os leilões do Pré-Sal ou ao fato sintomático de que, hoje, a defesa do governo Dilma na imprensa está a cargo de alguns dos jornalistas mais identificados pelos próprios petistas com o "PIG" - como Clóvis Rossi, da Folha, que, em plena batalha pré-eleitoral, foi categórico ao reafirmar o esmero de Dilma com o rigor fiscal: "o governo, supostamente irresponsável, gasta menos do que arrecada e ainda pinga 1,3% de tudo o que o país produz de bens e serviços na conta dos mais ricos e apenas 0,4% na dos pobres entre os pobres. E os ricos ainda choram."


A voz do dono

Em decorrência dessas mudanças, e sem que muitos se dessem conta, o jogo se embaralhou. 

Grande parte da militância petista e dos governistas, outrora tão empenhada em impulsionar o governo em direção a pautas progressistas como a disseminação da banda larga, a regularização da mídia ou a taxação das grandes fortunas, passa a se contentar em comemorar cada índice da economia: o superávit primário X, a inflação Y, os juros Z. 

Para isso passa a exaltar rotineiramente os mesmíssimos valores do mercado financeiro e da mídia que sempre criticara. 

Ou seja, sob a égide do "novo petismo", age como um torcedor fanático, jogando o jogo do grande capital para que sua legenda partidária ganhe hegemonia e poder eleitoral, à revelia das perdas ideológicas, identitárias ou programáticas.

Seja como for – e mesmo entre governistas conscientes dos danos das alianças excessivamente elásticas e da rendição à mídia e ao mercado -, resta o indefectível argumento de que os fins justificariam os meios, ou seja, de que benefícios sociais trazidos pelos petismo compensariam tais retrocessos. 

É um argumento a se examinar.


Direitos sociais em crise

Janine Ribeiro, no texto mencionado, intitulado "O Brasil pode dar certo?" dá a dimensão das graves lacunas sociais do país: "A Europa desenvolvida tornou realidade, na metade do século XX, direitos sociais relevantes. Ninguém precisa perder o patrimônio para ser tratado de uma doença séria, ou gastar boa parte de sua renda para se locomover. É isso o que chamo um país 'dar certo'”. 

Isto, para ele, corresponde "a atender à demanda da rua por transporte, educação, saúde e seguranças decentes".

Creio não ser preciso alongar o texto para constatar que, após mais de uma década sob o petismo, estamos longe, muito longe de atingir patamares básicos referentes a tais quesitos. 

Mesmo com a ressalva de que tal estado de coisas deriva de uma pesada herança patrimonialista, é forçoso constatar que 11 anos não são 11 dias - e que se afigura altamente questionável se a aliança entre o PT e caciques conservadores fez regredir, manteve inalterado ou expandiu a velha prática patrimonialista.



Paliativos

Reforça o parco comprometimento da administração petista com questões sociais de suma importância, caras à esquerda, o encaminhamento que o petismo tem dado a áreas como Saúde, Educação e Transportes. 

Em relação a esta última, fala por si a crise de mobilidade urbana, agravada pela expansão exponencial da frota de veículos patrocinada pelo crédito farto e barato e, como tal, uma das principais motivações das manifestações de junho. 

À revelia do marketing oficial, Saúde e Educação também apresentam graves problemas, como veremos a seguir.

Na Saúde, o Mais Médicos, longe de ser (parte de) uma política estratégica para a área, constitui um paliativo ditado pelo improviso, explorando a peculiar – e injusta – situação trabalhista dos médicos cubanos (a qual decorre, em última análise, dos efeitos do criminoso boicote imposto pelos EUA à economia da ilha). 

Assim como é inegável que traz benefícios à população mais pobre, não dá para ignorar o seu caráter pontual, mínimo e não sistêmico enquanto política de saúde pública. 

Esta, após mais de 11 anos de governo petista, permanece uma quimera, um objetivo distante cujas bases não se encontram sequer esboçadas.



Prioridade à Educação?

De modo análogo, a tão propalada expansão do ensino superior está longe de corresponder a um aumento qualitativo da educação universitária no país. 

O governo divulga, como se de uma grande conquista se tratasse, o fato de ter dobrado o número de universitários nas instituições federais desde 2002. 

No entanto, trata-se de um fato que, por si só, está longe de constituir um benefício, posto que: no mesmo período, o número de docentes contratados (que já estava em níveis baixíssimos ao final do governo FHC) tem sido percentualmente bem inferior ao de novos alunos – num processo que aponta para o risco concreto de sucateamento do sistema, posto que a proporção professor/alunos é, histórica e mundialmente, um dos pilares básicos para a qualidade do ensino e da pesquisa no âmbito das universidades.

Além dessa questão crucial, o investimento em ampliação ou na criação de novos campi não atende às demandas de tal crescimento discente, gerando situações como a da UFRB, em que os alunos foram às aulas trajados de biquíni ou sunga em protesto contra a ausência de um sistema de refrigeração, em pleno Recôncavo Baiano, seis anos após o início das obras de construção do campus. 

Também as bibliotecas – item essencial para o sucesso das melhores universidades do mundo – têm sido solenemente negligenciadas durante esse processo de alegada "prioridade à educação", seja nas novas universidades ou nas já existentes, com acervos incompletos, extremamente defasados e insuficientes para atender à velha demanda - o que dizer da nova. 


Pequenas divergências

O caráter não estrutural, relativo, insatisfatório, às vezes apenas cosmético dos benefícios que o petismo, após 11 anos, trouxe a áreas sociais essenciais como Educação, Saúde, Mobilidade Urbana – para não falar no imenso retrocesso reativo aos Direitos Humanos e à ecologia – faz com que hoje, após a virada conservadora do governo Dilma, haja muito mais relativa convergência do que autêntico antagonismo entre o petismo e a oposição. 

Ou posto de outra forma, as divergências são de ordem adjetiva, não substantiva: ambos concordam em relação à adoção do "tripé básico da economia" (, ), ambos defendem a privatização; a regularização da mídia ou a auditoria da dívida pública não está no horizonte de nenhum dos projetos. 

O que ocorre são divergências quantitativas: qual o ponto de regulação de juros e crédito que não tensiona a inflação? qual o nível de aumento do salário mínimo desejável? Até a desregulamentação dos encargos trabalhistas, objetivo eterno do conservadorismo, vem sendo pontual e paulatinamente adotado pelo governo petista.

Em termos político eleitorais, o principal efeito dos 11 anos de petismo é a mimetização, por este, de plataformas caras ao conservadorismo, somada, graças sobretudo aos programas de renda minima, à capacidade de manter-se (ainda) simbolicamente situado, no imaginário de uma grande parcela do eleitorado, no campo da centro-esquerda. 

Em decorrência, este encontra-se ora esvaziado: as eleições presidenciais de 2014 será disputada por candidatos e alianças que aceitam passivamente os principais ditames do mercado financeiro sob a égide neoliberal, no que concerne a temas fundamentais como privatização, rigor fiscal e inserção na ordem econômica mundial, entre tantos outros.



Herança

Dilma pode até ganhar as eleições, mas, após mais de uma década de petismo, a esquerda está morta no cenário eleitoral federal, dominado pela hegemonia do liberalismo econômico em conluio com um conservadorismo moral apoiado em dogmas religiosos e que retroalimenta atrasos e preconceitos. 

Os prognósticos não são bons.

Alimentação: os aditivos





E continuemos a falar de saúde: afinal, o satélite caiu numa zona desértica, temos que festejar e valorizar o nosso bem estar. Pelo menos até o próximo satélite.

Já falámos de colorantes e aditivos. Alguns são inócuos, outros fazem mal (e nalguns Países até são proibidos). 

Cada um dos nós está exposto às toxinas numa base diária. Sabe-se agora que há muitas substâncias tóxicas e poluentes que propagam-se no ar, na água e nos alimentos, transmitidas pela radiação electromagnética ou nuclear, que têm efeitos prejudiciais na nossa saúde e nas nossas mentes, num efeito sinérgico negativo que atinge a mente e o corpo.

Apesar da atenção que podemos prestar, muitas vezes não lembramos que as empresas de alimentos, no geral, podem fazer uso de cerca de três mil aditivos com o objectivo de embelezar, manter "fresco" o aspecto, melhorar a cor ou o sabor, tornar sólidos os alimentos.

Cada um de nós nem pode dizer ao certo quais substâncias utilizadas como aditivos alimentares ou conservantes experimentou, e isso apesar das mesmas substâncias serem utilizadas para outras finalidades, não necessariamente ligadas à alimentação. É o caso do formaldeído (utilizado ​​para retardar a decomposição dos cadáveres) dos compostos de alumínio (têm um efeito antitranspirante), do propileno glicol (solvente  para tintas).

Engolimos tudo alegremente.

A agência governativa Food and Drug Administration dos Estados Unidos mantém uma lista de mais de 700 aditivos alimentares que são geralmente reconhecidos como seguros. De acordo com a FDA , os aditivos que tenham sido demonstrados como tóxicos são usados ​​apenas num percentagem reduzida na preparação dos alimentos: por esta razão, a FDA aprovou muitos aditivos que foram então reconhecidos como prejudiciais, por exemplo o ciclamato, um adoçante artificial usado nos anos '50 e '60, que mais tarde foi proibido porque causa de cancro .

O problema da normas da FDA é mesmo este: ao longo do dia, nós não absorvemos apenas uma quantidade mínima de uma substâncias, mas somos expostos a várias substâncias em simultâneo. Sem contar que, no caso dos grandes consumidores dum único produto, pode ser atingido o limite máximo diário da assumpção.

Vamos portanto apresentar uma lista actualizada dos aditivos que deveriam ser evitados. "Deveriam"; pois muitas vezes adquirimos um produto sem nem espreitar quais os ingredientes nele contidos, confiando na reconhecida "bondade" da marca ou porque vítimas da publicidade.
16 dos mais perigosos aditivos alimentares

1. Os adoçantes artificiais
Os mais populares são o aspartame e a sacarina. O aspartame é uma neurotoxina associada a menor QI (o quociente de inteligência), tumores cerebrais, esclerose múltipla, fadiga crónica e fibromialgia. A sacarina está relacionada com o ganho de peso e o cancro bexiga.
Alternativa natural e saudável: stevia. 

2. Bromato de potássio
Aumenta o volume das carnes, mas é conhecido por causar câncer; também pequenas quantidades podem ser perigosas para os seres humanos. É proibido na Europa, no Canadá, no Brasil, no Peru e na China.

3. Olestra
É um substituto da gordura natural, provoca diarreia e interfere com a capacidade do organismo de absorver nutrientes vitais. É proibido no Reino Unido e no Canadá.

4. Óleo vegetal bromado
Ajuda a preservar o sabor do cozido, mas acumula-se no corpo e provoca problemas de memória e relacionados com os nervos. É proibido em 100 Países

5. Corante caramelo
Em alguns casos pode ser produzido com amônia, classificada como causar de câncer.

6. Glutamato monossódico
É um exaltador de sabor, provoca dores de cabeça, náuseas e obesidade.

7. Xarope de milho rico em frutose (Xarope de frutose)
É um edulcorante, principal fonte de calorias nos Estados Unidos. Aumenta o colesterol "mau" e contribui para o aparecimento do diabetes.

8. Parabenos
Utilizados para evitar fungos e mofo, podem perturbar o equilíbrio hormonal, estão ligados à baixa contagem de espermatozóides e à produção de testosterona. É também presente nos tecidos do câncer de mama.

9. Dióxido de enxofre
Um conservante. Destrói as vitaminas B1 e E, está associado aos problemas bronquiais. O dióxido de enxofre e os seus derivados são utilizados ,apesar da elevada toxicidade, como aditivo alimentar em muitas áreas, em particular na produção de vinho.

Mas é possível encontra-lo também no bacalhau, camarões, enlatados, mariscos frescos ou congelados, nozes, produtos de conserva, azeite, compotas, vinagres, bebidas à base de suco de frutas, cogumelos secos, farinha e flocos de batata, saladas (é utilizado sob forma de spray para manter um aspecto fresco).

10. E20 butylated hydroxyanisole (BHA) e butil-hydrozyttoluene (BHT)
São conservantes, formam compostos que uma vez no organismos provocam o câncer. Proibido na Europa e no Japão. O butil foi o primeiro antioxidante sintético: é uma mistura de substâncias estáveis​​, insolúvel em água, à qual são adicionados outros aditivos, antioxidantes, e que pode ser encontrada em bolos, biscoitos, derivados de cereais, molhos, molhos e sopas prontas, nozes, leite em pó, flocos de batata, aromas alimentares, etc.

Acerca deste aditivo existem opiniões divergentes sobre o seu real grau de toxicidade: alguns especialistas não descartam que o butil-hydroxyanisole possa ser cancerígeno ou estar envolvido num processo de  mutação genética, enquanto outros não concordam, argumentando que os experimentos foram realizados em ratos e não em humanos.

Mas apesar das questões citadas, é verdade que o butil-hidroxianisol contribui para aumentar os níveis de colesterol e os lípidos no sangue, tal como promove a formação de enzimas gástricas no fígado, estimulando a destruição de outras substâncias como a vitamina D.

11. Nitrato de sódio/nitrito de sódio
Os nitratos e nitritos são compostos nitrogenados derivados da decomposição de substâncias orgânicas. São componentes essenciais dos fertilizantes naturais, mas são obtidos através de um processo químico e são utilizados tanto para a produção de fertilizantes utilizados na agricultura, quanto como aditivos alimentares. São substâncias conservantes, altamente cancerígenas, uma vez que no interior do corpo parecem te rum efeito particularmente tóxico para o fígado e o pâncreas.

12. Sulfito de sódio
Um conservantes. Relacionado à asma, dores de cabeça, problemas respiratórios e irritações cutâneas .

13. Óleo vegetal parcialmente hidrogenado
Conservante multiusos e agente de solidificação, reduz o colesterol "bom", aumenta o colesterol "mau"ruim e aumenta o risco de ataque cardíaco, os acidente vasculares cerebrais e o diabetes.

14. Azodicarbonamida
Agente de branqueamento de farinha, ligado à asma. Banido na Austrália, Reino Unido e Europa.

15. Corantes alimentares
Variantes: Azul, Vermelho, Verde e Amarelo. Ligados aos problemas comportamentais e baixo QI das crianças (eu devo ter comido muitos corantes na infância...).
  • Azul # 1 (Azul Brilhante). Existe um estudo que sugere a possibilidade de que o Azul #1 cause tumores nos rins dos ratos. Encontra-se: nos produtos de panificação, bebidas, sobremesas, doces, cereais, medicamentos e outros produtos.
  • Azul # 2 (Anil). Provoca uma incidência significativa de tumores, especialmente gliomas cerebrais em ratos machos. Encontra-se: em bebidas coloridas, doces, rações animais, outros alimentos e medicamento.
  • Vermelho # 2 (Vermelho 2G). É tóxico para os roedores em níveis modestos e causa tumores da bexiga e em outros órgãos. Presente nas cascas de laranjas das Florida.
  • Verde # 3 (Verde Rápido). Tem provocado um aumento significativo dos tumores da bexiga e dos testículos nos ratos machos. Presente: em medicamentos, produtos de higiene pessoal, cosméticos (excepto para a área dos olhos), doces, bebidas, sorvetes, gelados, batons.
  • Red # 3 (Eritrosina). Reconhecida em 1990 pela FDA como uma substância cancerígena nas tiróides dos animais, é proibida nos cosméticos e medicamentos para uso externo. Presente: medicamentos de via oral, cerejas maraschino, assados.
  • Vermelho # 40 (Vermelho Allura AC). Este é o corante mais amplamente utilizado. Pode acelerar o aparecimento de tumores do sistema imunitário dos ratos. É também causa de reacções de hipersensibilidade (alergias) nalguns consumidores e pode provocar hiperactividade nas crianças. Presente: nas bebidas, assados​​, sobremesas, doces, cereais, medicamentos e cosméticos.
  • Amarelo # 5 (Tartrazina). Provoca reacções de hipersensibilidade às vezes grave e pode causar hiperactividade e outros efeitos comportamentais nas crianças. Presente: nos alimentos para animais, vários produtos de panificação, bebidas, sobremesas, doces, cereais, gelatina de sobremesas e muitos outros alimentos, bem como produtos farmacêuticos e cosméticos.
  • Amarelo # 6 (Amarelo-Laranja S). Provoca tumores supra-renais nos animais e reacções graves de hipersensibilidade. Presente: nos assados, cereais, bebidas, sobremesas, doces, doces da geleia, salsichas, cosméticos e medicamentos.
As variantes: Azul # 1 e # 2Vermelho # 3 e # 40 Amarelo # 6 estão relacionadas aos problemas comportamentais e baixo QI nas crianças.

6. Aditivos Alimentares Indirectos
São substâncias não adicionadas directamente aos alimentos mas que mesmo assim acabam no produto final: embalagens de plástico, pesticidas, antibióticos, metais pesados ​​(incluindo o arsénico), hormonas sintéticas injectadas nos animais.

Lembro outro artigos dedicados ao problema da alimentação e as substâncias nocivas:

Alimentação: comida podre e saborosa

Alimentação: o wurstel

Alimentação: o kebab

Alimentação: a água

Alimentação: algumas coisas interessantes

Alimentação: O nosso veneno quotidiano

O Dactylopius não é para todos

Dieta e tumores: um estudo

Aspartame e câncer: as provas

McDonald's: a imortalidade do Happy Meal

Coca-Metilimidazol e Pepsi-4-MEI


Ipse dixit.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Zapatistas celebram 20 anos de resistência

Projeto popular enfatiza o fortalecimento da autonomia nas comunidades


Encontrei no Gilson Sampaio

Waldo Lao
de San Cristóbal de las Casas,
Chiapas (México)
ACOMPANHADAS POR SUAS BASES DE APOIO E POR MILHARES DE SIMPATIZANTES DE TODO O MÉXICO E DE DIVERSOS PAÍSES DO MUNDO, AS COMUNIDADES ZAPATISTAS CELEBRARAM NOS CINCOCAROCOLES REBELDES, O 20º ANIVERSÁRIO DO LEVANTE ARMADO DO EXÉRCITO ZAPATISTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL (EZLN).
Foi uma noite longa, com muita música e dança, onde comandantes compartilharam suas palavras. No Caracol II, zona alta de Chiapas, o Caracol mais próximo à cidade de San Cristóbal de las Casas, a comandante Hortensia proferiu: 

“completamos 20 anos de guerra contra um sistema social injusto, representado pelos três níveis de maus governos, fiéis marionetes do neoliberalismo”.

Ela argumentou que este sistema pretende despojar os povos indígenas de suas terras, de seus recursos naturais e desalojar de seus territórios de origem, assim como os zapatistas: “o mau governo faz o possível para nos perseguir, nos atacar em todos os aspectos, a fim de debilitar e destruir nossa organização e luta pela construção da autonomia”.

Em relação às duas décadas de levante, a comandante comentou: “aprendemos a viver e resistir de maneira organizada e estamos aprendendo a nos governar de acordo com nossas formas de pensar e viver, como faziam nossos pais e avós. Começamos a viver a autonomia.

Nos encontramos, os povos e as zonas zapatistas, para compartilhar nossas ideias e experiências. Assim entre todos, tratamos de melhorar nossos trabalhos e corrigir nossos erros”.

Sobre a defesa de seu território em resistência, argumentou que “os maus governos estão tentando retirar de nós as terras recuperadas em 1994, que estavam nas mãos dos grandes proprietários de terras que tão mal fizeram a nossos pais e avós”.

A comandante finalizou sua intervenção com uma chamada internacional de luta, por um mundo melhor onde caibam muitos mundos: “Temos as melhores armas para combater o mal, para lutar contra a morte e construir a vida nova para todos. Nossas armas são a resistência, a rebeldia, a verdade, a justiça e a razão que está ao nosso lado. Agora é tempo de fortalecer e globalizar a resistência e a rebeldia”.

Autonomia
Após a festa comemorativa, foi realizada, de 3 a 7 de janeiro, a terceira fase do primeiro nível do curso “A liberdade segundo os e as zapatistas”. A chamada escuelita foi um momento de ver e compreender, desde dentro, o exercício da construção real da autonomia, para compartilhá-lo com os de fora, como dizem os zapatistas.

Nas suas comunidades já não obedecem ao governo, nem são manipulados pelos partidos. Dizem que uma das condições para ser zapatista é estar em resistência e não receber dinheiro do governo. Nas comunidades onde convivem zapatistas e não zapatistas – a maioria priistas – fica claro como os projetos assistencialistas do governo, como oPrograma de Certifi cación de Derechos Ejidales – Procede, Procampo e Oportunidades, têm conseguido romper com o sentido da vida comunitária.

Os não zapatistas, beneficiados pelos programas de governo, têm deixado de trabalhar a terra e compram dos zapatistas, seus vizinhos, seus alimentos como o milho e o feijão, ironia das ironias.

A estrutura do governo autônomo dos povos zapatistas está dividida em três níveis de governo: a zona onde está a Junta do Bom Governo (JBG), os Municípios Autônomos Rebeldes (MAREZ) e o nível local que corresponde às próprias comunidades ou bases de apoio. Baseia-se nos sete princípios do mandar obedecendo e nas seis formas de fazer política dos povos zapatistas: propor, analisar, estudar, discutir, opinar e decidir, assim como nos regulamentos internos de cada povo. Para os zapatistas, a instância máxima de decisão é a assembleia comunitária.

Seu projeto consiste numa autonomia de autonomias, ou seja, cada povo avança conforme suas necessidades, não sendo um processo igualitário, mas sim que pretende ser equitativo, que abarque um processo de autonomia integral, desde eles e por eles, e que contemple “outras” formas de democracia, educação, saúde, justiça e uma nova forma de cultura política, onde as mulheres participam em todos os projetos dos três níveis de governo, ainda que, como conta uma zapatista: “enfrentamos dificuldades, pois ainda existe machismo dentro da organização. Há companheiros que não entenderam ainda que nós mulheres já temos o direito de participar nas diferentes áreas de trabalho”.

Para impulsionar os trabalhos de autonomia, os zapatistas estão organizados em MAREZ por Conselhos Autônomos, que correspondem às tarefas de justiça, comissão agrária e juizado civil. Promotores e promotoras participam em diversas áreas do trabalho, como saúde sexual e reprodução, assim como as hueseras – mulheres que tratam doenças de ossos e articulações –, parteiras e uso das plantas medicinais – principalmente com a participação das mulheres.

A educação é dividida em várias áreas de conhecimento: matemática, espanhol – tendo em vista que o mais importante é não perder o aprendizado da língua materna-; e vida, meio ambiente e história. Há também as áreas de comércio, vigilância e comunicação, que são os vídeos e rádios comunitárias. Todos os cargos são rotativos, não remunerados e eleitos pelas comunidades: “eleger as autoridades e retirá-las quando necessário”.

Os trabalhos coletivos, organizados por um presidente, um secretário e um tesoureiro – que podem ser assumidos por ambos os sexos – funcionam como um mecanismo de organização, resistência e fortalecimento da identidade. Alguns dos trabalhos coletivos realizados nas comunidades são: a produção de diversos alimentos, a criação de gado, as granjas, a confecção de artesanato, as tiendas – cooperativas que vendem produtos que os zapatistas não produzem – padarias, hortas agroecológicas, onde cultivam sem o uso de agrotóxicos ou transgênicos. Cada projeto corresponde de acordo à necessidade de cada comunidade.

Nesse processo de construção da autonomia, há duas décadas, a contrainsurgência é permanente e não somente se mostra como uma ofensiva militar e paramilitar, mas como ataques: políticos, econômicos, culturais, psicológicos e por parte dos meios de comunicação que se esmeram em reduzir o movimento em meras cinzas do passado, em esquecimento.

Por isso, a luta zapatista é integral e tem que ser construída constantemente. Eles falam: “a maior arma que temos é a resistência. Há que organizá-la em todos os níveis”.

Aos 20 anos da insurreição armada e 30 desde sua formação clandestina nas montanhas de Chiapas, os zapatistas seguem no seu ritmo, escutando e fortalecendo a autonomia desde suas comunidades. Seu tempo não é o nosso, para eles, a hora é a frente de combate do sudeste. Os zapatistas caminham como os Caracóis, devagarzinho, mas para frente.

Tradução: Cecilia Piva.