LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

EU PAGUEI A HITLER



Na semana passada viajei em trabalho a um palacete do início do século XIX no Estoril, onde e felizmente fui guiada a um daqueles sítios que sempre me fascinaram, uma biblioteca monumental na parte térrea do palácio. Quatro paredes forradas literalmente a livros onde os espaços em vão, pertenciam apenas a portas e janela, uma majestosa "bow-window". Os meus olhos percorriam sedentos e maravilhados aquela miragem. Livros desde o primeiro quartel do séc. XVI ali estavam à espera de ser desfolhados. Percorro as quatro paredes maravilhada quando de repente um livro me escolhe.

Aos meus olhos salta o título EU PAGUEI A HITLER, um livro que eu sabia existir, que durante anos procurei e cansada desisti da procura. Foi quando e finalmente, o livro me achou a mim. Em tanta lombada maravilhosa, o que realmente me saltou à vista foi um livro comum, sem nenhuma aparência pomposa de capas em pele e gravações a ouro, como muitos que lá se encontravam. Um livro comum com folhas ainda separadas pelo corta papel manual, caiu nas minhas mãos perante a minha expressão de espanto.
O herdeiro sabendo da minha paixão pela política e história de bom grado mo ofereceu. O mais impressionante, é que o leitor anterior sublinhou as passagens que eu sublinharia também, excepto uma ou outra a que eu acrescentei o sublinhado e ainda mais fabuloso, são as anotações a lápis feitas por ele.

Todo o livro é uma confissão, mas também uma revelação sobre os meandros políticos da República de Weimar depois da derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e das causas da ascensão de Hitler ao poder.

Não existe um parágrafo naquele livro escrito em 1939/1940, que eu não considere da máxima importância histórica. É uma réplica idêntica ao que se passa hoje no mundo político, manipulado pelo tal governo invisível da "sinarquia" financeira. As técnicas de corrosão da Nação, são exactamente as mesmas de hoje, levadas a cabo pelas mesmas famílias.

Como tenho verificado e corroborado ao longo dos anos e vendo de uma perspectiva actual,  Hitler foi uma peça importante nesse jogo de estratégia.

"O livro sensacional,  Eu Paguei a Hitler,( em português da Editorial Século, publicado em 1945), é escrito pelo grande industrial e magnata alemão da indústria pesada, Fritz Thyssen, durante a sua permanência na França e na Suíça, depois de haver deixado território alemão em seguida à declaração de guerra.

O título da Obra encontra-se amplamente justificado pelos factos que alguns dos seus capítulos se referem. Thyssen foi efectivamente um dos grandes industriais alemães da indústria pesada alemã, que generosamente contribuíram para alimentar a caixa do Partido Nacional Socialista e que mais dedicadamente trabalharam para que este se instalasse no poder.

Em "Eu Paguei a Hitler" Thyssen indica pormenorizadamente as razões que o levaram, mais tarde, a romper com os nazis e a ser considerado por estes como um dos seus piores inimigos. As páginas em que se descrevem as figuras e se narra a acção das principais personalidades do regime hitleriano, são das mais curiosas que se têm publicado até hoje e dão uma ideia perfeita do ambiente com que o nazismo cresceu e acabou por se impor na Alemanha.

Por todas estas razões, trata-se de uma obra reveladora, cujas passagens essenciais foram amplamente justificadas pelos acontecimentos". Editorial Século

Porque é um livro com 345 páginas, eu decidi partilhar com os leitores uma carta que Thyssen enviou a Hitler, depois da declaração de guerra à Polónia e do tratado com Estaline. Tal carta foi evidentemente escondida a sete chaves pelo regime nazi.

CARTA A HITLER 1940
«Acabo neste momento de ter conhecimento da notícia da confiscação dos meus bens publicada no "Jornal Oficial" nº 293 de 14 de Dezembro de 1939.

Esta notícia não é acompanhada de quaisquer razões justificativas do procedimento a que se refere. Devo acentuar que até esse dia não foram tomadas contra mim previamente quaisquer providências de ordem legal ou administrativa.  Até esse dia não recebi comunicação do governo alemão sobre assuntos que me dissessem respeito, a não ser notícias do gauleiten de Essen, dr. A. Vogler. Este disse-me se eu consentisse retirar o memorando (rejeitando a declaração de guerra à Polónia) que na minha qualidade de membro do Reichstag tinha dirigido ao presidente desta assembleia e em queimar todas as cópias desse memorando, nenhum procedimento seria adoptado contra a minha pessoa ou os meus bens. Toda a gente sabe que repeli este oferecimento por entender que as minhas opiniões políticas devem exprimir-se livremente desde que me atribuíram a qualidade de membro do Reichstag.

Por outro lado nunca me fizeram qualquer sugestão para prestar esclarecimentos sobre as minhas actividades pessoais ou políticas ou sobre qualquer assunto que com elas se relacionassem. O próprio Ministério da Propaganda nunca adoptou qualquer providência contra mim. Por tudo isto, a confiscação dos meus bens, tal como aparece no "Jornal Oficial", sobretudo porque diz respeito a um membro categorizado do Reichstag, constitui uma ilegalidade clara e brutal e um acto que equivale a uma violação aberta da Constituição. Protesto com  a maior energia contra ela (...)

A minha consciência nada tem a lamentar. Estou certo que não posso ser responsabilizado por qualquer acto menos correcto. O meu único erro foi ter acreditado em vós, Adolfo Hitler, considerando-vos o chefe de todos os alemães e em ter acreditado na pureza do vosso movimento, na minha qualidade de patriota apaixonado e de grande amigo da terra alemã. Desde 1923 que fiz os maiores sacrifícios pela causa nacional-socialista, combati por ela, com palavras e actos, sem desejar para mim qualquer recompensa e inspirado apenas pela ideia de que o nosso infeliz povo alemão encontrara o caminho da ressurreição.

Os acontecimentos que ocorreram em seguida ao advento do nacional-socialismo e à vossa escolha para cargo de Chanceler, pareciam justificar as minhas esperanças, pelo menos até ao momento em que Von Pappen ocupou as funções de vice chanceler, pois foi ele que influiu junto do espírito do Marechal Hedinburgo para fazer a vossa nomeação. Perante o Marechal, fizestes na Igreja de Potsdam o juramento solene de respeitar a Constituição. Não deveis esquecer que a vossa ascensão e a vossa escolha para cargo de Chanceler são uma consequência, não de qualquer acto revolucionário, mas de uma determinação legal tomada de acordo com os princípios liberais que vos comprometestes a respeitar.

Estes acontecimentos iniciais foram seguidos de uma série de episódios sinistros. As primeiras medidas de perseguição contra a religião cristã, as quais tomaram aspecto de crueldade em relação aos sacerdotes e se revestiram de modalidades insultuosas, para a Igreja, levaram-me a protestar desde o início, embora dos meus protestos nada tivesse resultado.

Quando em 9 de Dezembro de 1938 os judeus foram despojados dos seus bens e martirizados pelos processos mais cobardes e brutais, quando os seus templos foram arrasados em todo o território da Alemanha, voltei a protestar com a maior energia. Para dar maior significado ao meu protesto, pedi a minha demissão do cargo de Conselheiro de Estado. Nenhuma destas atitudes, porém, conseguiu qualquer resultado.

Agora verifico que fizestes causa comum com o Comunismo. O vosso ministro da Propaganda tem mesmo a ousadia de afirmar, que os alemães honestos que votaram por vós, julgando-vos o adversário irredutível do comunismo, são, no fundo, semelhantes aos revolucionários que mergulharam a Rússia na miséria e que vós próprio denunciastes no "Mein Kampf", como "criminosos vulgares e sangrentos".

Quando a grande catástrofe apareceu como um facto consumado e a Alemanha se viu mais uma vez envolvida na guerra, sem que para isso tivesse sido pedido prévio assentimento do Parlamento ou do Conselho de Estado, declarei, de maneira categórica, que me opunha com a maior energia a essa política.

Na minha qualidade de Membro do Reichstag considero um dever sagrado expor a minha opinião e mantê-la. É um crime contra o povo alemão se os seus homens representativos, e especialmente aqueles responsáveis pelos seus destinos, não puderem exprimir as suas opiniões. Por mim não estou disposto a pactuar como comparsa dessa comédia. Recuso-me terminantemente a associar o meu nome aos vossos actos, apesar da vossa declaração feita no Reichstag a 1 de Setembro de 1939, segundo a qual quem não estiver convosco, deve ser considerado traidor e tratado como tal.

Protesto contra a política seguida por vós nos últimos anos. Protesto sobretudo contra a guerra na qual frivolamente envolvestes o povo alemão e pela qual vós e os vossos conselheiros assumirão todas as responsabilidades. O meu passado constitui a melhor garantia de que ninguém pode formular contra mim qualquer acusação de traição.

Em 1923 eu, um homem desarmado, correndo os maiores riscos, organizei o movimento de resistência nos territórios ocupados pelos vencedores da última guerra, os Aliados, resistência essa que salvou para a Nação alemã, a Renânia e o Ruhr. (Das maiores regiões industriais da Alemanha).

Compareci perante o Tribunal Marcial sem nenhuma espécie de receio e expressei bem alto a minha fé no futuro da Pátria alemã. São precisamente esses meus actos que tornam para mim impossível renunciar aos ideais verdadeiros e à doutrina original do nacional-socialismo que, segundo a vossa própria convicção, por mais de uma vez exposta em minha casa, se destinam a criar a paz social e uma ordem estável. Permito-me mesmo recordar que recebi pessoalmente de vós, instruções rigorosas em Dusseldorf para ali proceder no sentido de realizar estes objectivos.

É certo que um ano depois vós aprovastes o internamento no campo de concentração de Dachau, do homem que, por combinação entre mim e o vosso substituto, Rudolfo Hess, tinha sido nomeado para dirigir um instituto criado para esse efeito. E permito-me recordar-vos que foi nesse mesmo campo de Dachau que um sobrinho meu encontrou há pouco, inesperadamente a morte. A propriedade que esse meu sobrinho possuía perto de Salzburgo, foi confiscada e dada de presente ao ministro Ribbentrop que não hesitou em receber nela o ministro dos Negócios Estrangeiros de Mussolini.

Ainda me permito recordar-vos que Goering não foi certamente enviado para Roma, onde se avistou com o santo padre, nem para Dorn onde teve ocasião de conversar com o antigo Kaiser, a fim de combinar com ambos, a maneira mais cómoda de fazer uma aliança com o comunismo.  Isso não impediu que vós tívésseis de repente concluído essa aliança, praticando um acto que tinha sido previamente verberado por vós com a maior energia, nas páginas dedicadas ao assunto no livro a que pusestes o nome "MEIN KAMPF".

Nesse livro vós dizeis:"O simples facto de concluir uma aliança com a Rússia constitui o prólogo da próxima guerra. O fim dessa aliança, será o fim da própria Alemanha."

Noutra passagem do mesmo livro, vós dizeis:"Os chefes da Rússia actual não tiveram nunca a intenção de concluir honestamente qualquer acordo e muito menos pensaram alguma vez em cumprir honestamente aquilo a que se comprometeram.

E ainda noutra passagem do mesmo livro se pode ler:"Nenhum país pode concluir um tratado com um parceiro cujo único interesse reside precisamente na sua destruição."

A vossa política portanto, é uma política de suicídio. Quem vai ser o beneficiário dela? (permiti-me fazer o link, devido à importância da pergunta de Thyssen) Se os finlandeses não reduzirem essa política a nada certamente o farão os vossos mortais inimigos de ontem e cordiais amigos de hoje, os comunistas russos.

A vossa política será destruída pela Rússia, a Rússia de quem o vossso mais próximo colaborador, Keppler, secretário geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e diplomata muito hábil, dizia em 1939, numa sessão de comissões do Reichstag, que era conveniente germanizá-la até aos Urais.

Quero acreditar que estas palavras francas do vosso conselheiro e confidente não conseguirão diminuir o efeito doloroso provocado pelo telegrama que dirigistes ao vosso amigo ESTALINE, no dia do seu aniversário natalício.

A vossa política de aproximação com os sovietes está arrastando a Alemanha para um abismo e precipitando o povo alemão na ruína. Arrepiai caminho  enquanto é tempo. Recordai-vos do vosso juramento feito em Potsdam. Dai ao Reich um Parlamento livre. Dai ao povo alemão liberdade de expressão. Dai ao povo alemão liberdade de Consciência, de Pensamento e Expressão.

Dai-lhe as necessárias garantias para que possam restabelecer-se rapidamente a lei e a ordem e para que os tratados e acordos internacionais possam voltar a fazer-se com boa fé e confiança. Só evitando novos actos de agressão e evitando novos derramamentos inúteis  de sangue será possível à Alemanha concluir uma paz honrosa e manter a sua unidade.

A opinião pública internacional exige que seja dada uma explicação dos motivos que me levaram a abandonar a Alemanha. Até agora conservei-me silencioso. Todos os documentos e provas escritas que documentam os meus quinze anos de luta, continuam em meu poder mas nunca foram revelados. No momento em que minha Pátria está combatendo numa batalha dura, não desejo de maneira nenhuma oferecer aos seus inimigos mais armas morais do que aquelas que já possuem.

Sou um alemão e alemão desejo continuar a ser. Sinto orgulho da minha nacionalidade e desejo continuar a senti-lo até ao último alento. Precisamente porque sou alemão e penso assim, não desejo falar nas horas de amargura que o meu povo está atravessando, mas não deixarei de o fazer no dia que se tornar necessário proceder no interesse da verdade. Dentro do meu peito sinto porém, a voz amargurada do povo alemão que exige:"Volta para trás e restaura a liberdade, a lei e os sentimentos de humanidade do Reich alemão".

Esperarei silenciosamente pelos vossos actos. Mas quero ainda acreditar que o texto desta carta não será escondido dos olhos do povo alemão. Desejo ainda esperar. Se, porém as minhas palavras, as palavras de um alemão livre e sincero, forem escondidas do povo a que pertenço, então proponho-me a apelar para a consciência e para o julgamento definitivo dos outros povos do mundo. Até lá, quero ainda esperar.

Heil Deutschland!»
Assinado: Fritz Thyssen
Destaques a negrito da minha autoria

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