LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 18 de junho de 2014

No Recife, a nova política é o velho arbítrio A operação da PM no Cais Estelita exemplificou mais uma vez a forma pela qual o governo de Eduardo Campos se relacionou com a sociedade nos últimos 8 anos.

#ResisteEstelita

Por Luiz Carlos Pinto, via Carta Maior

Recife - Na madrugada de terça-feira a Polícia Militar do estado de Pernambuco fez mais uma vez uso da força e expulsou os manifestantes que ocupavam, pacificamente, o Cais José Estelita. O caso foi objeto de matéria na Carta Maior no dia 4 de junho. A operação da PM exemplificou mais uma vez a forma pela qual o governo de Eduardo Campos se relacionou com a sociedade civil nos últimos oito anos e também o legado na administração municipal, cujas ações tem sido marcadamente orientadas pelo interesse privado. A desocupação forçada aconteceu contrariando a negociação entre o Movimento Ocupe Estelita, o Ministério Público e as Secretarias estaduais de Direitos Humanos e Defesa Social. A ordem de remoção partiu do governador João Lyra, sucessor do pré-candidato Eduardo Campos e dependente de seu capital político. Advogados que sustentam o Movimento, assim como intelectuais, engenheiros e arquitetos que acampavam no local foram presos ou espancados pelo Batalhão de Choque.

Embora a aliança pragmática entre o candidato pelo PSB à Presidência Eduardo Campos e Marina Silva venha mostrando esgotamento no maior colégio eleitoral, São Paulo, sua principal fissura está mesmo é na cidade do Recife. A contradição evidente entre o perfil neo-desenvolvimentista do político pernambucano e a utopia ambientalista da amazonense vinha se evidenciando na ocupação urbana do Cais José Estelita e contradiz com todas as letras que a candidatura não é filha da esperança, como se auto-definiu recentemente. O imbróglio que o Movimento #OcupeEstelita trouxe também evidencia em toda a sua história até agora que nem a cidade do Recife nem o Estado de que é capital são governados por princípios democráticos.

Essas coisas saltam aos olhos quando se contrapõe, por um lado, o modus operandi eduardista na relação com os poderes Legislativo e Judiciário pernambucanos. A desocupação dessa terça-feira realça de forma exemplar a falta de democracia, a truculência e sobretudo a ilegalidade com a qual tanto o governo estadual quanto o municipal lidam com questões públicas.

Os acessos ao cais foram interditados logo cedo, o ataque ao acampamento aconteceu de madrugada, assim como outras medidas cruciais envolvendo a questão – inclusive o início da demolição dos armazéns no dia 21 e a aprovação do projeto pela prefeitura, numa reunião da Comissão de Desenvolvimento Urbano anda em 2012.

A falta de democracia do legado eduardista vem à tona com força quando se trata das intervenções no meio-ambiente e no meio-social, em cuja seara o governo Eduardo se consolida como paradigma negativo por excelência. Ainda que possa ser visto como um problema da cidade do Recife somente, toda a polêmica em torno da ocupação urbana no Cais José Estelita é como um visitante incômodo no centro da sala da augusta pré-candidatura, pois é a mais recente demonstração de que tanto na esfera municipal quanto na estadual as empresas estão tomando o lugar do Estado em Pernambuco – condição a que se chegou ao final de 12 anos do governo do PT e de 8 anos do governo do PSB de Eduardo.

As estratégias recentes desenvolvidas pelo Consórcio Novo Recife, antes da desocupação acontecer, é bastante eloquente disso. A facilidade com que violência é usada pelo Consórcio é impressionante. Campanhas de criminalização dos movimentos, utilização nociva de líderes comunitários para falar em nome das comunidades, omissão consentida e censura do jornalismo local, deslealdade na negociação com os movimentos, ataques planejados pelos comunicadores de apelo mais popular (os mesmos que se banham no sangue da periferia). Tudo isso está acontecendo a partir do momento em que os rumos atuais da cidade foram questionados por um grupo de mulheres e homens, jovens e velhxs, que questionam a ilegalidade da venda de um terreno público e as irregularidades de um projeto considerado por muitos especialistas como extremamente OFENSIVO à cidade.

A gravidade dessas ações deveria ecoar por todo o país como um alerta para o formato específico do status quo que se construiu em Pernambuco e na sua capital. Estamos falando da ausência REAL do poder público municipal e estadual na proteção e garantia do exercício da democracia. O saldo que doze anos do governo do PT deixam em Recife é muito triste. E a herança de quase oito anos de Eduardo Campos do PSB no Governo do Estado é tão nociva quanto. Formou-se uma grande articulação entre governos e o poder privado para governar e o principal efeito disso é que Recife e Pernambuco regrediram democraticamente. Não houve o amadurecimento real da instituição democrática e a forma DESLEAL com a qual o Movimento Ocupe Estelita vem sendo tratado pela mídia, pelas instituições jurídicas e políticas e pelos governantes é a genuína demonstração disso.

É essa triste constatação que torna inaceitável a afirmação de que Marina Silva e Eduardo Campos são filhos da esperança.

São filhos da esperança os estudantes, professores, artistas, comunicadores, cientistas e populares que desde o dia 21 do mês passado vinham tentando obter visibilidade e iniciar uma discussão realmente aberta com a sociedade sobre a melhor forma de ocupar espaço tão privilegiado.

São filhos da esperança, ao menos em Pernambuco, as partes da população que são preferenciais alvos da discriminação de cor, gênero e orientação sexual. De acordo com pesquisa divulgada em 2013 pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Pernambuco responde pelo 5º maior número de assassinatos de negros em cada 100 mil pessoas. Ocupa a mesma colocação no que se refere ao assassínio de mulheres e está em sexto lugar entre os estado onde mais se mata homossexuais (nesse caso, os dados do Ipea se referem ao número de mortes para cada 1 milhão de habitantes). Definitivamente ser gay, negro e mulher não é seguro no estado.

É no detalhe que essa situação se mostra ainda mais insidiosa. Pernambuco guarda a triste marca de ser o estado com o maior número de assassinatos do Nordeste nos últimos anos, depois da Bahia. Embora esse número venha diminuindo, continua se diferenciado dos outros estados da Região e ainda é maior que o número de assassinatos de negros de toda a região Norte (exceção ao Pará), SUl e Sudeste segundo o Mapa da Violência 2012. No mesmo estudo a cidade do Recife aparecia no quarto lugar no ranking das capitais onde mais se matava negros. E em sexto lugar na lista das cidades onde mais se mata mulheres.

São filhos da esperança os desabrigados pelas obras de mobilidade para atender à Copa do Mundo. E mais ainda os desabrigados pela onda de remoções que atendem ao neo-desenvolvimentismo, sem discussão com a sociedade, implantado em Pernambuco nos últimos 10 anos: homens, mulheres, velhxs e crianças da Vila Oliveira, Comunidade do Bom Jesus, os ribeirinhxs do Pina (todos no Recife), o loteamento São Francisco no município de Camaragibe, os bairros da cidade de São Lourenço da Mata. Não há números precisos de quantos foram retirados de suas casas.

São filhos da esperança as 58 famílias no Coque, na Ilha Joana Bezerra, que conseguiram graças a sua força e à articulação da sociedade civil, impedir a demolição das casas em que moravam para atender a exigências de mobilidade da Copa 2014.

É difícil aceitar o governador Eduardo Campos como um filho da esperança, tanta a desesperança que seu governo plantou ou ajudou a consolidar: um Poder Legislativo esvaziado de Política, sem oposição; uma utopia desenvolvimentista equivocada economicamente; desastrosa para o meio ambiente; excludente com a sociedade. Uma polícia que vai pouco além de braço armado de uma política de prisão – que reduziu os crimes letais às custas do inchaço das prisões.

O legado da esperança não pode ser facilmente usurpado. Ele já tem dono e esse dono não arreda pé de suas conquistas e de suas possibilidades. O Recife e o Movimento Ocupe Estelita têm demonstrado isso todos os dias. A augusta candidatura é chamada a responder à principal fissura de seu corpo e essa fissura é um grande desejo pelo uso solidário, responsável, coletivo e popular do Cais José Estelita, no centro-sul da cidade do Recife, capital de Pernambuco.

O Projeto Novo Recife

A Rede Solidariedade de Marina Silva foi um dos primeiros grupos a declararem apoio à ocupação, que luta por uma destinação da área (central da cidade) que seja debatida com a sociedade e que respeite e considere o entorno. Mais especificamente, o bairro de São José, uma das regiões mais importantes da memória da capital. O Projeto Novo Recife, que pretende enguer 12 torres de até 40 andares nos 10 hectares do Cais e cujo processo de leilão e aprovação da obra é objeto de questionamento judicial na esfera federal, projetará sombra e bloqueará a ventilação do entorno, como diversos arquitetos e urbanistas vêm notando.

O impacto ambiental não é conhecido pois, contrariando a legislação em vigor (Art. 225, § 1º, inciso IV, art. 16 da Lei Municipal nº. 16.176/96 e arts. 10 e seguintes da Lei Municipal nº. 16.243/96, Código do Meio Ambiente e do Equilíbrio Ecológico da Cidade do Recife) não foi elaborado um Estudo de Impacto Ambiental. Da mesma forma não se tem um Estudo de Impacto de Vizinhança (exigência  prevista no Estatuto das Cidades na Lei nº. 10.257/2001, art. 188).

Em artigo produzido pela então promotora de Meio-Ambeite e do Patrimônio Histórico-Cultural do Recife, Belizem Câmara, resumiu, em dezembro de 2012: “só através dos Estudos de Impacto Ambiental e de Vizinhança, é que o Poder Público e a sociedade teriam condições de conhecer os reais impactos do empreendimento, impondo o Estatuto das Cidades, nesse caso, a realização de audiências públicas, a cargo do Poder Executivo, a fim de possibilitar a participação de todos os interessados na discussão do projeto”.

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) não tem como tratar do esgoto produzido pelas torres residenciais e empresariais que terão uma população fixa de 15 mil pessoas, além de outras 75 mil flutuantes. A estação que receberia os dejetos advindos do empreendimento, Cabanga, precisa passar por uma recuperação que a estatal não tem como arcar. A referida estação é uma das 37 condenadas pelos técnicos do IBAMA. A solução encontrada pelo governo Eduardo Campos para a periclitante situação em que se encontra o sistema de tratamento do esgoto foi uma Parceria Público Privada com a empresa Foz, do Grupo Odebrecht. O Grupo Odebrecht, através de outra de suas ramificações, é a responsável pela construção do bairro planejado Resserva do Paiva. O prazo para atingir a universalização do tratamento do esgoto no Estado é de 30 anos. Até lá os 12 edifícios do Novo Recife já poderão ter sido construídos, e já estarão contribuindo para a insolvência de todo o sistema.

A celeuma, entretanto, precisa ser colocada no contexto dos últimos anos e é aí que o ex-governador é chamado como co-artífice de toda a problemática.

A autorização para o uso da força, mesmo no meio da negociação, num dia de jogo do Brasil e de madrugada traz ônus para o atual governador João Lyra, que era vice de Eduardo que por sua vez se desincompatibilizou para disputar a presidência. A base eleitoral de João Lyra é no interior, onde o problema da ocupação urbana e da democracia na condução dos destinos da capital não chega. Ônus acertado e minimizado, o prefeito atual sai como aquele que iniciou o debate, embora esteja ligado à tradição que o governo Eduardo confirmou.
Créditos da foto: #ResisteEstelita

terça-feira, 17 de junho de 2014

VIVA DILMA. VAIA AOS VIPS.

vivaavaia


Augusto de Campos, um dos maiores poetas vivos do Brasil, nome máximo da poesia concreta brasileira, mandou uma carta fatal à Folha, que não teve a dignidade de publicar.
A dica é do blog da Mariafro.
“Prezados Senhores.
Esse jornal utilizou, em 14 de junho de 2014, com grande destaque, o poema VIVA VAIA, de minha autoria, como ilustração de matéria ambígua sobre os insultos recebidos pela presidente Dilma, na partida inicial da seleção.
Utilizou-o, sem minha autorização e sem pagar direitos autorais: sem me dar a mínima satisfação.
Poupo-me de comentar a insólita atitude da FOLHA , a quem eu poderia processar, se quisesse, pelo uso indevido de texto de minha autoria.
A matéria publicada, composta de três artigos e do meu poema, cercado de legendas sensacionalistas, deixa dúvidas sobre a validade dos xingamentos da torcida, ainda que majoritariamente os condene, e por tabela me envolve nessa forjada querela.
A brutalidade da conduta de alguns torcedores, que configura até crime de injúria, mereceria pronta e incisiva condenação e não dubitativa cobertura, abonada por um poema meu publicado fora de contexto.
Os xingamentos, procedentes da área vip, onde se situa gente abastada e conservadora, evidenciam apenas o boçalidade e a truculência que é o reverso da medalha do nosso futebol, assim como a inferioridade civilizatória do brasileiro em relação aos outros povos.
Escreveu, certa vez, Fernando Pessoa: “a estupidez achou sempre o que quis». Como se viu, até os candidatos de oposição tiveram a desfaçatez de se rejubilarem com os palavrões espúrios. Pois eu lhes digo. VIVA DILMA. VAIA AOS VIPS.”
Augusto de Campos.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Gringos "provam" que problemas não são "só no Brasil" e também reclamam

Olha aí!!… inclusive, esse querido tumblr é citado: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/06/13/gringos-provam-que-os-problemas-nao-sao-so-no-brasil-e-reclamam-tambem.htm

Via "Só no Brasil"

Olha aí!!… inclusive, esse querido tumblr é citado: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/06/13/gringos-provam-que-os-problemas-nao-sao-so-no-brasil-e-reclamam-tambem.htm

CINQUENTANOS


(Botero)



Quem é este que me olha do espelho
Às seis da manhã
Com os olhos ainda encharcados de sono?

De repente brincava de pião com os amigos de infância,
Agora vejo, no reflexo do espelho, um homem cansado e incrédulo:
A face com rugas em que navegam sonhos não realizados.

O rosto no espelho me olha e pergunta-me quem sou.
Ontem menino enamorado de minha primeira paixão,
Hoje avô e pai do meu pai a quem vejo, cada vez mais em mim mesmo.

Espelho, por que não me avisastes que os anos passavam sem que eu percebesse?
Como? Me dizes que dia a dia me mostrasses o meu caminho sem volta?
Não vi, não percebestes? E o espelho sorrindo: “Agora tarde! Agora é tarde!”.


(Itárcio Ferreira)

Cuba cura casi el 80 por ciento de los niños con leucemia




Encontrei no Gilson Sampaio
Via Granma
Quase 80 das Crianças COM Cento Cuba FORAM curado do câncer Desse leucemia em, ou Mais comum los fazer children Disse mundo ou o Dr. Sergio Machin, Grau II Especialista em Hematologia e chefe da clínica pediátrica e Imunologia do Instituto de Hematologia (IHI), E que este explicou Sucesso dois anos comparável desenvolvidos países, ou fazer resultado E alcance social fazer sistema nacional de Saúde.
Ele. esclareceu que a leucemia linfoblástica aguda (LLA) Doença maligna e A Mais comum Nesta Faixa de idade para ser tratada EO Primeiro com UMA Equipe 14 países, incluíndo Cuba ou protocolo. enfatizou esta Ele. E hum Estudo de especialistas Composto internacional diferentes partes do mundo fazem. Entre os latino-americanos vão tambem São Argentina, Chile e Uruguai, juntamente com OS OUTROS continentes, principalmente na Europa na. países
Protocolos IHI VÁRIOS Existem dois anos e não 70, ou QUANDO Tratamento Começou leucemias e FORAM incorporando formas Procedimento Novas que atingiram ou Edição de 2009 a em que nível Começou e ESSE alcançou cura Disse elementos.
A Rede Nacional de Tratamento Doenças hematológicas ou children E em em Instituições país dividido fazer sete, incluíndo los Dois Havana e Pinar del Rio, Villa Clara, Camagüey, Holguín e Santiago de Cuba. Existem Vários tipos de leucemia, mas dividida los São Dois grupos, e Não-linfóide ou linfóide Primeiro also Chamado leucemia linfoblástica aguda ou tipo de câncer e Mais los criancas comum, alertou ou médico.
Anualmente cerca de 70 casos de leucemia diagnosticados São nenhum país, dois linfoblástica cais Quais d'Orsay São 75 Cento e todas as Opções Tratamento com ace cura da Doença, Disse elementos. Dr. Machin Disse tendões ou linfóides agudas 70-80 per cento de chance de cura, como children como adultos conseguem atingir Localidade: Não com UMA vida normal, Disse elementos.
A leucemia E UMA Doença maligna, em Eu HA UMA proliferação descontrolada de QUALQUÉR tipo de célula da medula óssea que afectam o normal do Sangue Produção e, portanto, como Vermelhas células do Sangue, plaquetas e leucócitos. Esta Condição Localidade: Não E NEM contagiosa hereditária, há mais predisposição genética para a UMA Doenças malignas, Disse elementos. (AIN)

sábado, 14 de junho de 2014

Quem é essa turma do vai tomar no c…


Na época da escravidão, essa elite também tinha lado


O Brasil é um país complexo e muito difícil de explicar, mas a sua elite não. Ela é previsível e está sempre no mesmo lugar. As elites do mundo não costumam ser muito diferentes, mas a brasileira é das piores.

Não à toa o Brasil foi o último país do planeta a acabar com a escravidão, não à toa somos um dos poucos países que só agora está vivendo um ciclo democrático de três décadas. Todos os outros nossos períodos de democracia duraram menos do que isso.

E todas as ditaduras e a escravidão longínqua que tivemos são obras da nossa elite. Que se julga o Brasil. Que se acha a dona do país. Que é altamente corrupta, mas que faz de conta que o que lhe move na política é a defesa do interesse público.

Os que xingaram Dilma na tarde de ontem de maneira patife e abjeta são os netos e bisnetos daqueles que torturam negros nas senzalas. São os filhos daqueles que apoiaram a tortura na ditadura militar. São os mesmos que há pouco fizeram de tudo para que não fosse aprovada a legislação da empregada doméstica e que nos seus almoços de domingo regados a champanhe francês e a vinho italiano sobem na mesa para gritar contra o Bolsa Família.

Essa elite que xingou Dilma daquela maneira no Itaquerão sempre envergonhou o país. E ontem só aprontou mais uma. Não foi um ponto fora da curva no processo histórico. E também não foi nada inocente.

Aécio Neves mais do que todos os outros candidatos que o PSDB já teve simboliza esse elite. É o típico bon-vivant, que nunca trabalhou na vida, que surfou até os 20 anos no Rio de Janeiro e que depois foi brincar de motocross até os 25 anos na montanhas de Minas Gerais, para só depois entrar na política e ir defender os interesses da família e de seu segmento social.

Ontem, Aécio deu uma entrevista ao Globo onde atiçava seu eleitorado a sitiar a presidenta da República. E ao mesmo tempo milhares de panfletos (veja abaixo) eram distribuídos na entrada do Itaquerão associando o PT à corrupção. Pra criar o clima do ataque à presidenta.

O mesmo Aécio que botou a polícia do Rio para invadir a casa de pessoas que ele suspeita estarem criticando-o na Internet. O mesmo Aécio que silenciou a imprensa de Minas Gerais e colocou-a de joelhos para os seus projetos pessoais.

Quem xingou Dilma não foi nem um punhado de inocentes e nem a massa ignara. Foi o pedaço do Brasil que odeia o brasileiro.

Para este pedaço do Brasil que é a cara de Aécio, tanto faz se o presidente é Dilma, Lula, José ou Maria. O que eles não aceitam e que o país não seja apenas um lugar para eles exercerem sua sanha dominadora.

E por isso que o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, as políticas de cotas, a legislação da empregada doméstica e alguns outros programas sociais são tão abominados por essa gente. Eles querem que o povo morra de fome. Querem que o povo vá tomar naquele lugar. O xingamento não é para a presidenta. É para o Brasil que a elegeu. Porque na democracia desses patifes, o voto deles teria que valer mais do que o do sertanejo ou da mulher que luta pela sobrevivência dela e dos filhos nas periferias das grandes cidades.

Os netos e bisnetos dos escravistas e os filhos dos que apoiaram a tortura na ditadura. É esse Brasil que nos envergonha do ponto de vista histórico que nos envergonhou ontem xingando uma presidenta legítima, uma chefe de Estado que tem atuado dentro dos limites da Constituição.

Esse Brasil precisa ser derrotado mais uma vez. Porque se o projeto petista tem seus limites e poderia ser muito melhor, o desses caras é o que há de mais asqueroso. É o vai tomar no cu.



quinta-feira, 12 de junho de 2014

IIª Guerra Mundial: A Guerra Desconhecida




David Cameron "poodle" de Barack Obama

9/6/2014, [*] Paul Craig Roberts – Institute for Political Economy


Traduzido por mberublue


Em minha coluna de seis de junho, As mentiras tornam-se mais e mais audaciosas... mencionei que Obama e o primeiro ministro britânico, o “poodle” de Obama, da mesma maneira que Bush tinha seu “poodle” britânico, Tony Blair, conseguiram celebrar a derrota do nazismo alemão no aniversário dos setenta anos da Normandia sem mencionar os russos.

Salientei o fato de que, como bem sabem os historiadores e pessoas instruídas, o Exército Vermelho já tinha derrotado o nazismo alemão bem antes que os Estados Unidos sequer estivessem aptos a participar da guerra. Com certeza a invasão da Normandia não foi o fato que derrotou os nazistas. O que na realidade a invasão da Normandia evitou foi que o Exército Vermelho se derramasse por toda a Europa.

Como já ressaltei em outras colunas, alguns norte americanos, se não muitos, têm crenças que não são baseadas em fatos, mas em emoções. Então, eu sabia que minha coluna deixaria pelo menos uma pessoa furiosa... e ficou. JD, do Texas, escreveu para me elucidar. Foram “nossos rapazes americanos” e mais ninguém, que ganharam aquela guerra. JD nem tem conhecimento de que os russos estiveram na mesma guerra.

Antes de fazer o papel de palhaço, JD poderia ter consultado uma enciclopédia, ou um livro de história, ou mesmo entrar na internet e consultar a Wikipedia. Mas não. Ele preferiu descarregar sua raiva em mim. JD é o exemplo perfeito da política externa dos Estados Unidos: intrometer-se em cada luta da qual você não sabe patavinas, fazer um grande escarcéu e ficar com os créditos da luta que outros venceram.

George W. Bush
De repente me dou conta de que a IIª Grande Guerra aconteceu há tanto tempo que restam poucas pessoas vivas que se lembram dela e a esta altura até mesmo esses poucos provavelmente recordam a versão de propaganda política que eles têm ouvido a cada comemoração do Memorial Day e 04 de Julho desde 1945. Não é de se admirar que nem Obama nem Cameron ou os idiotas que escrevem seus discursos não saibam coisa alguma sobre a guerra que estão comemorando.

Propaganda política sempre foi o nosso forte. A diferença é que hoje, em pleno século XXI, nós só temos a propaganda política. Mais nada. Só mentiras. Mentiras se tornaram a especialidade dos norte americanos. Tal como é, o mundo real é desconhecido para a maioria dos norte americanos.

Em 1973 a televisão britânica exibiu uma série de documentários que relatam a Segunda Grande Guerra. Dos 28 episódios, em apenas três deles e em uma parte de um quarto episódio reconhecem a participação russa na guerra. Do ponto de vista britânico a vitória foi Anglo Americana.

Para o governo Soviético, isso não ficou bem. Seus arquivos de filmes sobre a guerra foram oferecidos ao ocidente. Em 1978 um seriado-documentário composto de 20 episódios de 48 minutos cada um, narrado por Burt Lancaster, foi exibido na TV dos EUA . O título do documentário era: “A guerra desconhecida”.

Criados ouvindo propaganda política como são os cidadãos americanos, com certeza a guerra era para eles uma completa desconhecida.

O documentário “A guerra desconhecida” foi como uma revelação para os norte americanos porque demonstra sem margem para dúvidas que os nazistas da Alemanha perderam a IIª Grande Guerra no front russo. Dos 20 episódios, “Os Aliados”, isto é, os Anglo-Americanos e a França livre aparecem apenas no de número 17. Mas um em vinte não passa da proporção correta para a participação do ocidente na derrota da Alemanha Nazista.

Se você pesquisar na internet, encontrará A guerra desconhecida com apenas uma entrada na Wikipedia. Pode ser que a série ainda esteja disponível no YouTube. Ela foi retirada do ar quando a União Soviética invadiu o Afeganistão, uma besteira que ocorre repetidamente, provocada por beócios dos EUA. Para Washington, era mais importante demonizar a União Soviética que qualquer verdade histórica ser apresentada. Por isso, a verdade documentada na série A guerra desconhecida foi expulsa da TV dos Estados Unidos. Posteriormente, o documentário reapareceu no History Channel. O segundo capítulo (do total de 20 e já disponibilizados no DailyMotion), “A Batalha de Moscou”, pode ser assistido a seguir (em inglês e sem legendas):

<iframe frameborder="0" width="560" height="315" src="//www.dailymotion.com/embed/video/x105fi0" allowfullscreen></iframe><br /><a href="http://www.dailymotion.com/video/x105fi0_the-unknown-war-ep2-the-battle-for-moscow-youtube_shortfilms" target="_blank">The Unknown War Ep2 The Battle for Moscow...</a> <i>por <a href="http://www.dailymotion.com/waja100" target="_blank">waja100</a></i>

Em meu artigo de 6/6/2014 eu disse, de acordo com o consenso entre historiadores, que a Alemanha Nazista perdeu a guerra em Stalingrado. Em seu artigo artigo de 6/6/2011, no Global ResearchHitler’s Failed Blitzkrieg against the Soviet Union. The “Battle of Moscow” and Stalingrad: Turning Point of World War II” o historiador Dr. Jacques R. Paulwels diz que a Alemanha perdeu a guerra 14 meses antes, na Batalha de Moscou (narrada acima) em 12/1941. É uma boa argumentação. Concorde-se ou não com ele, os fatos que apresenta são reveladores para os “americanos excepcionais, indispensáveis” que acreditam piamente que sem eles, nada acontece.

A invasão da Normandia, em junho de 1944 aconteceu 2,5 anos depois que a Alemanha perdeu a guerra na Batalha de Moscou. Como os historiadores tornaram claro, em junho de 1944 a Alemanha tinha bem pouco com o que lutar no front ocidental. Tudo o que sobrou do exército alemão estava no front oriental.

Na comemoração dos setenta anos da invasão da Normandia, na França, Obama informou ao seu capacho francês, o presidente Hollande, que ele, Obama, o governador do país excepcional, não se sentaria à mesa para jantar com Putin, o russo. Norte americanos são bons demais para comer na companhia de russos. Daí, Hollande tinha que promover dois jantares. Um para Obama, outro para Putin. A comida francesa ainda é muito boa, graças ao banimento dos alimentos geneticamente modificados e provavelmente Hollande não se importou. Eu mesmo gostaria de estar nos dois jantares, mesmo para comer sozinho.

Como geralmente acontece com toda a notícia que é realmente importante, o jantar para Putin e o que significa não foi objeto da atenção da mídia presstituta americana, a maior coleção de putas que há no mundo. Se não me falha a memória, normalmente os russos são deixados de lado nas comemorações sobre a Normandia. Afinal de contas, a guerra foi ganha no ocidente, o que é que os russos têm a ver? Nada, é claro. “Nossos rapazes” fizeram tudo, como bem me informou JD. Russos? Que russos?

Ocorre que desta vez a França convidou Putin para as celebrações. Putin não foi orgulhoso. Compareceu. Nas horas de folga, Putin conversou com políticos europeus, e esses políticos tiveram a oportunidade de ver uma pessoa real, não uma farsa ambulante como Obama.

A superioridade flagrante da diplomacia russa sobre a de Washington é clara como água para todos. A posição de Putin é: “estamos juntos nisso. Podemos resolver as coisas”. A posição de Washington é: “obedeça ou será bombardeado até voltar à idade da pedra”.

Vladimir Putin
A Rússia acolhe seus estados clientes. Washington não. Putin disse que está disposto a trabalhar para resolver as coisas com o corrupto bilionário imposto por Washington para governar a Ucrânia, enquanto Washington forçou os búlgaros a parar os trabalhos de construção do gasoduto South Stream. Este gasoduto para transporte de gás natural, evita a Ucrânia e passa sob o Mar Negro indo até a Bulgária. Como a Ucrânia, o novo estado fantoche de Washington não pagou nem paga sua dívida bilionária (US$ 17 bilhões até 31/4/2014) de gás natural à Rússia e ameaça romper os gasodutos para a Europa com o propósito de roubar o gás que seria destinado aos europeus, a Rússia, apesar das sanções do ocidente, preparou-se para construir um novo gasoduto dirigido à Europa, com a finalidade de que os europeus não necessitem desligar as máquinas de suas indústrias, não congelem no inverno e não tenham a economia em colapso por necessidades energéticas não supridas.

Para Washington, o compromisso de Putin com a Europa não passa de uma ameaça e trabalha para evitar qualquer fluxo de energia da Rússia para a Europa.

Contrastando com a posição de Putin, a posição de Washington é: Não damos a menor importância para nossos fantoches europeus. Como o resto da humanidade, os fantoches europeus não contam e são dispensáveis, um mero dano colateral na guerra do país indispensável pela hegemonia mundial.

Tudo o que importa para Washington é causar algum tipo de dano para a Rússia, sem se importar com os danos causados aos seus regimes fantoches na Europa Ocidental e Oriental, o que inclui o imbecil governo polonês, talvez o único governo em cima do planeta Terra que seja ainda mais idiota que Obama.

Washington está tentando fortemente interromper as relações econômicas da Europa com a Rússia. Prometeu suprir à Europa com gás natural dos Estados Unidos, obtido através da exploração do gás de xisto. A promessa é mais uma mentira, como é mentira tudo o que Washington diz.

Barack Obama
Em 20/5/2014 o jornal Los Angeles Times relatou que:

(...) as autoridades federais cortaram em 96% a expectativa de óleo recuperável no grande depósito de xisto de Monterey. A formação de Monterey de petróleo de xisto contém cerca de dois terços da reserva total dos Estados Unidos e desta reserva, apenas 4% é recuperável.

Quanto ao gás, William Engdahl relatou que, no melhor dos mundos, os Estados Unidos tem cerca de 20 anos de gás natural recuperável através do fracking, e que o preço desta extração será a degradação das águas de superfície e subterrâneas dos Estados Unidos. Especialistas assinalaram que a infraestrutura para transportar o gás natural dos Estados Unidos para a Europa ainda não existe e que demorará três anos para que essa infraestrutura seja construída. O que fará a Europa por três anos enquanto espera pela energia dos Estados Unidos para substituir a energia cortada da Rússia? A Europa ainda estará lá?

Que os vassalos europeus dos Estados Unidos tomem nota: Washington está preparado para destruir a economia de seus vassalos a fim de marcar pelo menos um ponto contra a Rússia.

Como é possível que até agora a Europa ainda não tenha entendido como pensa Washington? Aquele saco de dinheiro deve ser bem grande.

Como já disse aqui muitas vezes um Secretário Assistente de Defesa para Assuntos Internacionais de Segurança me falou anos atrás que Washington compra políticos europeus com sacos cheios de dinheiro. Resta saber se os “líderes” europeus estão dispostos a sacrificar seus povos e suas reputações para se tornarem cúmplices na guerra que Washington está planejando contra a Rússia, uma guerra que pode significar o fim da vida na Terra.

A Europa está sendo convocada. Se os líderes disserem a Washington “não acontecerá, esquece!” o mundo estará salvo.

Se, ao invés disso, os políticos europeus quiserem o dinheiro, o mundo estará condenado.

Os europeus seriam os primeiros a ir.
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[*] Paul Craig Roberts (nascido em 03 de abril de 1939) é um economista norte-americano, colunista do Creators Syndicate. Serviu como secretário-assistente do Tesouro na administração Reagan e foi destacado como um co-fundador da ReaganomicsEx-editor e colunista do Wall Street Journal,Business Week e Scripps Howard News ServiceTestemunhou perante comissões do Congresso em 30 ocasiões em questões de política econômica. Durante o século XXI, Roberts tem frequentemente publicado em Counterpunch e no Information Clearing House, escrevendo extensamente sobre os efeitos das administrações Bush (e mais tarde Obama) relacionadas com a guerra contra o terror, que ele diz ter destruído a proteção das liberdades civis dos americanos da Constituição dos EUA, tais como habeas corpus e o devido processo legal. Tem tomado posições diferentes de ex-aliados republicanos, opondo-se à guerra contra as drogas e a guerra contra o terror, e criticando as políticas e ações de Israel contra os palestinos. Roberts é um graduado do Instituto de Tecnologia da Geórgia e tem Ph.D. da Universidade de Virginia, com pós-graduação na Universidade da Califórnia, Berkeley e na Faculdade de Merton, Oxford University.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

INEXISTIR

Futebol na Favela

*Imagem daqui


Via Se Não Canto, Pelo Menos Grito


Há poemas
Que se negam a nascer
Por inteiro.

Mostram-se apenas um bracinho,
Uma perninha,
Um sorriso.
Apenas o necessário para que nos apaixonemos.

Mas negam-se a nascer...
O motivo?
Sabe-se lá...

Travessuras, talvez.

Tenho vários desses quase rebentos.
Habitam as minhas gavetas,
Dentre os meus livros,
Em folhas amareladas
E pintadas com meus rabiscos,
A espera que amadureçam.

Mas é inútil.
São travessos.
Apenas pequenos poemas travessos.


(Itárcio Ferreira)

Uma reflexão de Lula sobre presente, passado e futuro Quem tem dezesseis ou dezessete anos hoje, era uma criança na época e não conheceu como era o Brasil antes do PT chegar ao governo.

 Heinrich Aikawa/Instituto Lula

Por Marco Aurélio Weissheimer, via Carta Maior

Porto Alegre - Na intervenção que fez, sexta-feira (7), no Encontro Estadual do PT gaúcho, o ex-presidente Lula chamou a atenção para um possível problema que talvez esteja prejudicando a percepção de setores mais jovens da sociedade sobre o presente do país e o sentido do governo Dilma. Desde que Lula assumiu a presidência da República, já se passaram quase doze anos. Quem tem dezesseis ou dezessete anos hoje, era uma criança na época e não conheceu como era o Brasil antes do PT chegar ao governo, assinalou Lula.

Há um problema de conhecimento e de memória também acerca do período pré-2002. Algo parecido ocorreu com a experiência de 16 anos de governo do PT em Porto Alegre. Na eleição em que José Fogaça acabou saindo vencedor, interrompendo a série de 16 anos, esse problema apareceu em muitas pesquisas qualitativas e nas conversas nas ruas: para muita gente, o termo de comparação do quarto governo petista eram os próprios governos petistas anteriores e não uma série histórica mais longa.

A relação entre memória e sentimentos presentes na esfera da política é algo terrivelmente complexo e enigmático. Mas algumas coisas podem ser percebidas: a combinação entre a ausência de uma memória mais longa e contextualizada sobre um determinado período histórico, e uma tentativa de desconstrução do presente como algo que pertence a essa história, pode desconstituir a memória como um todo, dissociando presente e passado. O culto da instantaneidade alimentado pelas novas tecnologias da comunicação e da informação e vitaminado diariamente nas chamadas redes sociais é um terreno fértil para essa dissociação. Se a exigência do novo, da pronta resposta, da reação sem reflexão, torna velho o que era notícia ontem, o que dizer do que era notícia há alguns anos, ou, pior ainda, uma década?

Um comercial sobre a Copa do Mundo, de uma empresa do setor de alimentação, mostra crianças pedindo aos jogadores da seleção brasileira que joguem para elas, pois, ao contrário dos seus pais, nunca ganharam uma Copa. A situação referida por Lula é similar a essa, guardadas as devidas proporções. Para além da história do que foi feito ao longo dos últimos doze anos, a presidenta Dilma Rousseff enfrenta o desafio do #jogapramim, pois as novas gerações não conheceram o mundo no qual seus pais viveram. Para satisfazer essa exigência, um governo nestas condições precisa fazer pelo menos duas coisas: satisfazer minimamente o #jogapramim, ou seja, governar bem e ter bons resultados; além disso, precisa ter uma narrativa que ligue os pontos que unem passado, presente e futuro.

Uma das principais virtudes políticas de Lula é a consciência da importância dessa narrativa, o que ele vem procurando construir em suas falas mais recentes, em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo. Lula reconhece que deveria ter avançado mais nas políticas de democratização da comunicação em seu governo e aponta esse tema como prioritário, juntamente com a Reforma Política, para os próximos anos. A construção dessa narrativa deveria também ser uma tarefa do PT, como principal partido da coalizão que governa o país há quase doze anos. Mas, como já aconteceu tantas vezes na história, o partido foi cedendo seus melhores quadros para o aparelho de Estado e perdendo capacidade de reflexão e elaboração teórica. Mas, constatado o problema, nunca é tarde demais para começar a enfrentá-lo, como Lula vem insistindo.

Em uma entrevista concedida ao Sul21, em julho de 2013, Flávio Koutzii abordou esse tema, chamando a atenção para algumas escolhas erradas no governo federal que resultaram numa “incapacidade de disputar suas próprias políticas e símbolos no espaço dominante da comunicação”. Koutzii disse, na ocasião:

“Houve uma omissão a respeito. Não se trata de uma falha, mas de uma escolha, uma escolha de não enfrentar os monopólios da mídia. Isso tem a ver com o fato de que o tom, a ênfase e o próprio código valorativo do que efetivamente se fez tiveram uma grande diminuição de potência, porque nem o governo transformou isso em bandeiras. O governo anunciou o que fez, é verdade. Mas isso está no meio de todos os demais anúncios. O governo raramente disputou isso como a vitória de uma política, o que no Brasil é considerado um pecado e daria umas cem edições da Folha de São Paulo e umas cinco mil edições da Veja”.

Lula brincou com os jornalistas, sexta, ao iniciar sua fala no Encontro Estadual do PT que definiu as candidaturas do partido para as eleições deste ano. Ao saudar os profissionais da comunicação que cobriam o evento, afirmou: “prometo que hoje não vou falar mal da imprensa”. Minutos depois, o ex-presidente denunciava uma brutal campanha de desinformação e ocultamento na mídia em relação às realizações do governo: tenho a impressão de que o povo brasileiro não sabe 30% do que a Dilma está fazendo. Pois é. É bem possível mesmo e esse elemento é um dos principais obstáculos para se construir uma narrativa com início, meio e fim que articule passado, presente e futuro.

Créditos da foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula