LULA PRESO POLÍTICO

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domingo, 31 de agosto de 2014

Toni Reis: Recuo de Marina na política LGTB revela sua bipolaridade ideológica; não dá para confiar no que ela fala


Toni Reis
Toni Reis: Marina tem bipolaridade ideológica, não dá para confiar no que ela fala

Por Conceição Lemes, via Viomundo

Nessa sexta-feira 29, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, divulgou o seu programa de governo. Um calhamaço de 245 páginas.
No capítulo LGBT, ela promete, entre outras coisas:

Apoiar no Congresso “propostas em defesa do casamento civil igualitário, com vistas à aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário”. Uma referência à “aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil.”

“Articular no Legislativo a votação da PLC 122″. O objetivo desse projeto de lei, que tramita desde 2006, é equiparar o crime de homofobia ao racismo, com a aplicação das mesmas penas previstas em lei.

Em menos de 24 horas após o lançamento oficial do programa, pressionada por lideranças evangélicas, ela recuou.

Alegando “falha processual na editoração do texto” divulgado, Marina emitiu nota oficial para retificar o que havia prometido em relação à defesa dos direitos da comunidade homossexual.

Na proposta modificada, diz que vai “garantir os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo”.

Em outras palavras: vai se limitar a cumprir determinações legais já existentes, que surgiram do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que reconhecem a união civil entre pessoas do mesmo sexo e obriga os cartórios a registrar essas uniões. A promessa, portanto, apenas informa que a determinação do Supremo será cumprida.

O que os gays reivindicam é uma lei que garanta o direito à união na Constituição. Isso os deixaria livres de mudanças nas interpretações do STF e do CNJ. Portanto, teriam mais segurança.

“O Malafaia [pastor Silas Malafaia] tuitou umas três ou quatro frases e Marina  sucumbiu ao fundamentalismo”, avalia Toni Reis. “Ela tem bipolaridade ideológica. Num dia, ela fala uma coisa, no dia seguinte faz tudo diferente, de forma extremamente demagógica. Se  em relação a uma questão específica, como os direitos da comunidade LGTB, ela age assim, imagine o que é capaz de fazer nas questões econômicas, nos programas sociais, nos programas do Ministério da Educação.”

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Toni Reis é secretário de Educação da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis  e Transexuais  (ABGLT). Vive junto com David Harrad em Curitiba (PR) há 25 anos.

Viomundo – Hoje, mais cedo, recebi um texto seu elogiando a candidata do PSB à Presidência da República. Você dizia: “Marina Silva, estou espantado, surpreso e incrédulo com seu Programa de Governo para a comunidade LGBT”.

Toni Reis – Foi isso mesmo. Ontem, quando li essa parte do programa, achei realmente muito bom.  Na hora, pensei  em escrever. Mas, depois, achei melhor fazer hoje. Reuni minha família — meu marido e meus filhos — para comentar isso. Publiquei o meu texto. Umas duas horas depois veio a nota do PSB, desdizendo o que estava no programa. A nota dizia que era uma errata.

Viomundo – A coordenação da campanha disse que houve  “falha processual na editoração do texto” divulgado.

Toni Reis – Errar uma ou outra palavra, tudo bem. Mas mudar pontos vitais para a comunidade LGBT, não é errata. A proposta que estava no programa é a do Partido Socialista Brasileiro. O coletivo LGBT do PSB é muito bom. Eu confio muito neles, trabalho muito bem com eles. Agora, o que a Marina quer mudar a posição do partido sobre essa questão.

Viomundo – O que achou das alterações?

Toni Reis – Estou estarrecido. O Malafaia tuitou três ou quatro frases e  a Marina sucumbiu ao fundamentalismo. Ela tem bipolaridade ideológica. Num dia ela fala uma coisa, no seguinte faz tudo diferente, de forma  extremamente demagógica.

Aí, eu fico imaginando. Se numa questão tão específica, como os direitos da comunidade LGBT, ela está fazendo isso, imagine o que ela pode fazer nas questões econômicas, nos programas sociais, nos programas do Ministério da Educação.

Agora, realmente , não dá para confiar no que a Marina  falar. Ela pode no outro dia fazer uma errata do que falou anteriormente.

Ela não é candidata a síndica de um prédio de quatro andares…Nós estamos entre as maiores economias do mundo!

Viomundo – A que atribui essa mudança?

Toni Reis – Instabilidade, insegurança, incoerência, inconsistência. Para mim, neste momento, a palavra que melhor define a Marina é bipolaridade ideológica. Ela muda de posição conforme o humor das ondas.

Para ser candidata à presidência  é preciso um mínimo de coerência. E coerente por coerente o Aécio é mais coerente que a Marina.

Com este episódio, ela realmente mostrou uma outra cara.

Eu insisto. Se ela pensa dessa forma de um tema tão importante que atinge 10% da população, imagine em questões econômicas. Será que ela vai transferir a sede do Banco Central  para Nova York? Será que ela vai fazer o que está falando? Fica uma insegurança política.

Viomundo – E as demais candidaturas?

Toni Reis — Nós estamos acompanhando todas. Eu apoio o projeto do presidente Lula,  que por sua vez apoia a presidenta Dilma. Ideologicamente a minha candidata é a Dilma.

Mas quando vem uma proposta  bacana a gente tem que elogiar. Foi o caso dessa da Marina.   Mas aí  teve toda essa transformação.  Esperamos que as pessoas percebam que o discurso da Marina é falacioso.

Leia também:

Refém de Malafaia, em menos de 24 horas Marina volta atrás e muda programa de governo

Filiado ao PSB contesta conteúdo do “Marina de Verdade”





Candidata Marina Silva, meu nome é Gustavo Castañon. Sou, entre outras coisas, filiado há mais de dez anos ao PSB, partido que hoje a senhora usa para se candidatar, professor na Universidade Federal de Juiz de Fora e um cristão convicto, como acredito que a Senhora também seja, do seu jeito.


Investida de seu eterno papel de vítima, sua campanha lançou um site na internet chamado “Marina de Verdade” (com V maiúsculo mesmo) para combater supostas “mentiras” espalhadas contra a senhora na internet. Vou aqui responder uma a uma as afirmações de seus marqueteiros no site citado, oferecendo os links de fontes das minhas afirmações.


1 – Não Marina, você não sofre preconceito por ser evangélica.


Você é que acredita que todos aqueles que não compartilham de suas crenças queimarão eternamente no fogo do inferno. É o que está claramente descrito no credo (credo 14) de sua agremiação religiosa. Que nome podemos dar a isso? Certamente é um nome mais assustador do que intolerância ou preconceito. Talvez essa seja a origem de seu maniqueísmo, já que separa o mundo entre os bons, que apoiarão seu possível governo, e os maus, que lhe fariam oposição, como eu. O seu problema não é ser protestante. É ser da Assembleia de Deus, associação pentecostal de vários ramos que interpreta literalmente o Antigo Testamento, e que tem entre seus pastores Marcos Feliciano, que vende curas a paraplégicos, e Silas Malafaia, este homem que hoje defende da “cura gay” à teologia da prosperidade e vende bênçãos de Deus. Eu me pergunto: o que alguém que faz parte de uma organização que faz comércio com a palavra de Cristo é capaz de fazer na vida política? Qual o nível de inteligência que pode possuir alguém que faz interpretações tão rasteiras do significado da Bíblia? Essas são perguntas legítimas que as pessoas se fazem, e não por preconceito, mas por conceito.


2 – Não Marina, o Estado Laico deve intervir nas práticas religiosas quando são fora da lei.


Se uma religião resolve reinstituir o sacrifício de virgens dos Astecas ou a amputação de clitóris comum em alguns países muçulmanos hoje, o estado tem que observar inerte essas práticas em nome da liberdade religiosa e do laicismo? Não, candidata. Nenhuma organização está acima da lei num Estado Laico.


3 – Não Marina, você não é moderna, você é uma fundamentalista mesmo.


O fundamentalismo religioso não é a negação do Estado Laico, essa é só uma espécie de fundamentalismo, o teocrático. O fundamentalismo se caracteriza pela crença de que algum texto ou preceito religioso seja infalível, e deva ser interpretado literalmente, tanto em suas afirmações históricas como comportamentais ou doutrinárias. E o ataque ao Estado Laico pode vir também pela incorporação de leis, que desrespeitem as minorias religiosas ou não religiosas, impondo um valor comportamental de determinada religião a todos os cidadãos. Isso faz da senhora uma fundamentalista (Assembleista) que compartilha das crenças de Feliciano e Malafaia, e uma adversária, se não do Estado Laico, do laicismo que deveria orientar todas as nossas leis, pois defende plebiscitos sobre esses temas para impor a vontade das maiorias religiosas sobre as minorias em questões comportamentais.


4 – Não Marina, você é, sim, contra o casamento gay.


Você agora diz que está sofrendo ataques mentirosos na internet sobre o tema, mas sempre se colocou abertamente contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, defendendo somente a união civil nesse caso. E não adianta simular que o que o movimento gay está reivindicando casamento religioso. O casamento é também uma instituição civil. Você só defende união de bens, sem todos os outros direitos que o casamento confere às pessoas. O vídeo acima e mais esse vídeo aqui provam esse fato de conhecimento público.


PS: Hoje, dia 29/08/2014, ao lançar seu programa de governo, a candidata mudou uma posição defendida por toda vida, faltando um mês para a eleição. Por que?


5 – Realmente Marina, você não é petista.


Você abandonou o partido que ajudou inestimavelmente a construir sua vida política, ao qual você deve todos os mandatos e o único cargo que ocupou até hoje, porque não tinha espaço para sua candidatura à presidência. Hoje, você busca se associar, sem qualquer pudor ou remorso, a inimigos ideológicos históricos do partido, repetindo as práticas que supostamente condena no PT e chama de “velha política”. Só que faz isso somente para chegar ao poder e construindo um projeto oposto àquilo a que defendeu toda a vida.


6 – Realmente Marina, você não é tucana. Mas sua equipe econômica é.


Sua equipe econômica conta com André Lara Resende e Eduardo Giannetti, ex-integrantes da equipe econômica do governo FHC, além de seu coordenador Walter Feldman, que fez toda sua história no PSDB. Suas propostas econômicas são as mesmas do PSDB. Agora, de fato, o que nem o PSDB jamais teve coragem de ter é uma banqueira como porta voz de sua política econômica Você não quer alianças com governos atuais de nenhuma agremiação, como o de Alckmin, exatamente para manter sua imagem de anti-tudo-o-que-está-aí. Mas não se sente constrangida em ter o vice de Alckmin na coordenação financeira de sua campanha, nem de convidar o “bom” representante de sua “nova política” José Serra para seu governo…


7 – Não Marina. Você defendeu, sim, Marcos Feliciano.


Você afirmou que ele era perseguido na CDH não por causa de suas posições políticas, mas por ser evangélico. Disse que isso era insuflar o preconceito religioso. Não, candidata. Você está falando de seu companheiro de Assembleia de Deus, um homem processado por estelionato, que pede senha de cartão de crédito de seus fiéis, que defende que os gays são doentes e os descendentes de africanos amaldiçoados. Recentemente, esse homem que você afirma ser vítima do mesmo preconceito que você sofreria, afirmou à revista Veja: “Eu não disse que os africanos são todos amaldiçoados. Até porque o continente africano é grande demais. Não tem só negros. A África do Sul tem brancos”. Ao usar essa estratégia de defesa pra ele e para você, você reforça os preconceitos da sociedade e o comportamento de grande parte dos pentecostais de blindar qualquer satanás que clame “Senhor, Senhor” em suas Igrejas.


8 – Não Marina. Você não é só financiada por banqueiros. Eles coordenam seu programa!


Neca Setúbal, herdeira do Itaú, não é só sua doadora como pessoa física. Ela é a coordenadora de seu programa de governo e sua porta-voz, e já declarou que você se comprometeu a dar “independência” (do povo e do governo) ao Banco Central, que fixa os juros que remuneram os rendimentos dela. Da mesma forma, o banqueiro André Lara Resende, um dos responsáveis pelo confisco da poupança na era Collor e assessor especial de FHC, é o formulador de sua política econômica.


9 – Não Marina, você é desagregadora e vilipendia a classe política. Seu governo será o caos.


Você é divisionista e maniqueísta e implodiu meu partido em uma semana de candidatura. Vai deixar seus escombros para trás quando chegar ao poder, como sabemos e já anunciou, para delírio daqueles que criminalizam a política. Seu partido é nanico, e se não o criar com distribuição de cargos, continuará nanico. Com a oposição certa do PT, terá que governar com a mídia e os bancos, que cobrarão o apoio com juros. Precisará do PMDB, que você acusa de fisiologismo, e do PSDB e o DEM, que lhe exigirão não só cargos, empresas públicas e ministérios, mas também a volta das privatizações. A única base congressual que lhe será fiel é a bancada evangélica, que cobrará seu preço com sua pauta de controle dos costumes e seu fisiologismo extremo. Resultado, você vai entregar a alguém o trabalho sujo do fisiologismo ou mergulhará o país no caos.


10 – Não Marina, seu marido foi sim acusado de contrabando de madeira.


E não só isso, foi acusado pelo TCU de doação de madeira clandestina. A senhora usou sua força política de Ministra para impedir que o caso fosse investigado, como sempre fazem na “velha política”. Mais tarde o MP arquivou, como fazem com todas as denúncias contra membros da oposição. Mais uma vez, fato bem comum na “velha política”. Nada é investigado.


11 – Não Marina, Chico Mendes não era da elite. A elite é que o matou.


Em mais uma tergiversação semântica demagógica, num vilipêndio à memória de seu companheiro, a senhora tomou o termo “elite” pelo sentido de elite moral, para acusar de “divisionismo” os que lutam contra a elite econômica brasileira. Essa mesma elite que mantém o Brasil como um dos dez países mais desiguais do mundo e que hoje está acastelada no seu programa de governo e campanha. Seu discurso despolitizante busca mascarar a terrível e perversa divisão de classes no Brasil e é um insulto aos seus ex companheiros de luta. Seu uso demonstra bem à qual elite você serve hoje, e nós dois sabemos que não é à elite moral. A elite moral desse país está lutando contra a elite econômica para diminuir nossa terrível e cruel desigualdade social. E você, Marina, não é mais parte dela.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Blog do Zé Dirceu: Artigo de Fernando Rodrigues sobre Marina e Dilma é uma fraude

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Blog do Zé Dirceu: “Manobra para lançar dúvida e confusão na militância petista”


Há pouco lemos em um dos mais importantes portais brasileirosartigo do jornalista Fernando Rodrigues, intitulado “Zé Dirceu sobre Marina Silva: ‘ela é o Lula de saias’”.

O artigo é uma invenção ou seu autor foi complacente com fontes mentirosas. Nós, da equipe do blog do ex-ministro José Dirceu, podemos assegurar que ele, desde que iniciou o cumprimento de sua sentença a 15 de novembro pp., não  manteve qualquer contato com a imprensa.

Não deu entrevistas, não prestou declarações, não assina artigos. Não há jornalista que possa nos refutar e dizer o contrário.

Atribuir-lhe o que lhe imputa o artigo não passa, portanto, de manobra para lançar dúvida e confusão na militância petista, numa sordidez inominável por recorrer ao nome de alguém que está impedido de se manifestar.  Nós o fazemos pela certeza que temos de sua indignação e porque ele  jamais admitiu que seu nome seja usado indevidamente.

Dirceu, sem mágoa sem rancor

O ex-ministro, podemos garantir, não guarda qualquer mágoa da presidente Dilma Rousseff que, em sua avaliação, sempre se portou à altura de seu cargo, de sua história e de seu caráter. Não poderia, portanto, ter comparado Marina Silva ao ex-presidente Lula, como sugere o título do artigo em causa.

Até porque o ex-ministro mantém-se absolutamente convicto de que as forças populares reúnem todas as condições para vencer mais esta batalha e para reeleger a presidenta Dilma para mais quatro anos de mandato contra as candidaturas sustentadas pelas elites do país. Sua confiança no Partido dos Trabalhadores e em sua militância segue inabalável.

Condenado injustamente, ele não pode se juntar à campanha eleitoral em curso ou travar diretamente o embate contra os que se dedicam a interromper o projeto histórico que ajudou a construir, de um governo democrático e representativo das forças populares.
Ao final, cumpre acrescentar que o ex-ministro, mantém-se onde sempre esteve: nas fileiras da esquerda, dos trabalhadores e do povo, confiante e com a certeza de que o Brasil pode e deve seguir avançando nas mudanças iniciadas em 2003.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

A paz de Israel é a guerra por outros meios

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Faixa de Gaza, depois de 51 dias de massacre

Israel entrou na guerra para destruir a resistência e saiu a ter que abrir mão do bloqueio e a cólera leva o colono a aumentar as suas provocações. É estranha a forma de Israel compreender a paz que além de no mesmo dia em que assinou o cessar fogo em Gaza prendeu mais 12 dirigentes da resistência palestiniana na Cisjordânia – num processo quevisa isolar uma das fracções mais progressistas do campo palestiniano - foi ainda reprimir uma escola em Nablus. Se fosse ao contrário, sabemos bem, já estariam novamente a chover bombas em cada palmo de céu que sobrou na Palestina.
Em Gaza a Amnistia Internacional, essa perigosa instituição terrorista, não está a conseguir entrar no território para investigar a actuação militar de Israel. É natural. Não é provável que Hitler, antes de perder todas as guerras, deixasse quem quer que fosse investigar o que se passava nos campos de concentração. Israel e o Reich são tão parecidos no tempo da guerra como nos seus intervalos.
Estranha forma de vida aquela que Israel acha possível chamar de paz na Palestina.
Fotografia via Mahdi Aljamal

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Crise aumenta prostituição de idosos na Coreia do Sul

COREANA

Mais de 400 mulheres entre 50 e 70 anos de idade circulam diariamente no parque Jongmyo, no coração de Seul, capital da Coreia do Sul, vendendo o corpo para sobreviver. Muitas não conseguem e, sem outra opção, cometem suicídio. Os dados e relatos deste texto foram extraídos do jornal New York Times e da BBC News, em Seul.
O parque Jongmyo foi construído em torno de um templo que homenageia o filósofo chinês Confúcio, cujas ideias sobre a veneração aos idosos foram centrais à cultura oriental durante séculos. Os coreanos viviam na certeza de que, um dia, quando chegassem à velhice, seriam cuidados por seus filhos.
Hoje, os tempos são outros. As novas gerações não têm condições de cuidar dos seus idosos, e o Governo não atende às necessidades mínimas da população. Não existe seguro-desemprego ou previdenciário e nem de saúde. Então, os homens e mulheres se veem sem poupança, sem uma aposentadoria que garanta o básico e sem uma família em que se apoiar. A taxa de pobreza na terceira idade, na Coreia do Sul, é de quase 50%, já que 70% dos aposentados recebem apenas 5% do salário médio.
Kim Eun-ja é uma entre as várias idosas coreanas que ganham a vida vendendo pequenas garrafas que contêm uma bebida chamada Bacchus, um energético muito comum entre os coreanos. Ela, aos 71 anos, usa batom vermelho e casaco da mesma cor. Segura uma sacola grande com a bebida que vende, além de se prostituir. Com frequência, essas senhoras também oferecem aos fregueses uma injeção especial que, supostamente, ajuda os clientes a conseguirem uma ereção. As agulhas usadas para essas injeções chegam a ser reutilizadas até 20 vezes. Como resultado, 40% dos homens que frequentam o parque estão infectados por várias doenças.
“Tenho 60 anos e não tenho dinheiro. Não posso contar com meus filhos. Eles também estão em apuros. Praticamente todas as pessoas idosas aqui neste parque estão na mesma situação”, afirma Kim. Outra senhora sentada no parque se desespera: “Estou com fome; não preciso de respeito, não preciso de honra, só quero fazer três refeições ao dia”.
Muitas idosas que não admitem vender o corpo para sobreviver comentem suicídio. Foi o caso de uma viúva, de 78 anos, que chocou a população: em vez de tirar a própria vida em casa, silenciosamente, como muitos sul-coreanos o fazem, a mulher fez de sua morte um ato final de protesto público contra uma sociedade que a abandonou. Ela bebeu pesticida durante a noite em frente à Prefeitura de Seul, após ter suspensos seus benefícios de assistência social, afirmando que não precisavam mais sustentá-la, agora que seu genro havia encontrado emprego. “Como podem fazer isso comigo?”, perguntava no bilhete de suicídio encontrado pela Polícia. “Uma lei deveria servir ao povo, mas ela não me protegeu”, dizia o bilhete.
As taxas de suicídio entre pessoas com mais de 65 anos subiram para 4.378, em 2010, contra 1.161 em 2000.
Mais uma cruel consequência do capitalismo
A situação da população da Coreia do Sul se agravou a partir de 1997 com a grave crise do capitalismo que abalou o Leste da Ásia, atingindo principalmente Coreia do Sul, Tailândia, Malásia e Indonésia.
Porém, o período crucial foi depois do programa de ajustamento imposto pelo FMI em troca de um financiamento de 54 bilhões de dólares. O país, então, empreendeu um conjunto de reformas. A maioria das empresas públicas foi privatizada, e as empresas privadas foram liberadas para despedir os trabalhadores em função da conjuntura de crise. Milhares de trabalhadores ficaram desempregados, o que levou a não poderem mais arcar com o sustento de seus pais.
Então, num parque onde essas senhoras deveriam passear, sentar nos bancos rodeados de árvores para ler um livro, conversar com as amigas, ou simplesmente sentir o calor do sol no corpo ou o pinicar da neve no rosto, elas são obrigadas a se despir da sua dignidade, do acalento espiritual que a idade propicia, para uma realidade que as leva a viver uma vida desregrada, agressiva, devastadora, um estupro físico e social na dura escolha entre a prostituição ou a morte.
Denise Maia, Rio de Janeiro

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Bem-vindo ao século 19



Vladimir Safatle, via SQN


Em sua coluna desta segunda-feira (25), Gregorio Duvivier levantou um tema de grande relevância a respeito dos embates eleitorais brasileiros, a saber, o conservadorismo das pautas ligadas a costumes. A seguir as declarações ou o silêncio covarde da maioria de nossos políticos, tem-se a impressão de habitarmos o século 19. Mesmo comparado a seus vizinhos, como Uruguai e Argentina, o Brasil parece em vias de se transformar em um país exemplar no quesito arcaísmos sociais.

Isto não deveria nos impressionar. Um dos espaços fundamentais de atuação do poder é o aparato jurídico que regula os corpos, desejos e sexualidade de seus cidadãos.

Como nos lembram filósofos como Michel Foucault (1926-1984) e Judith Butler, 58, trata-se de decidir que tipos de vidas podem ser vividas, como elas devem ser vividas e quais, ao contrário, serão excluídas como inumanas, "não-naturais", aberrantes.

Por exemplo, quais serão as formas de vida afetiva garantidas pelo direito e quais serão aquelas que o direito não reconhecerá, tratando-as como juridicamente inexistentes. Quais serão as substâncias que posso aplicar a meu corpo, ingerir, tragar e quais serão as que não posso. Que roupa posso usar, quem decide sobre o que se passa no corpo de uma mulher.

A possibilidade de viver de outra forma (e mesmo de morrer de outra forma como, por exemplo, por decisão própria) é vista por alguns como a pior de todas as afrontas, a mais perigosa das sedições políticas. Por isso, uma questão política central diz respeito à visibilidade desta plasticidade própria à vida social.

Uma das formas de coibir tal visibilidade consiste em criar um regime peculiar de permissividade no interior do qual a distinção entre o permitido e o proibido funcionará de maneira flexível.

Por exemplo, um país autoritário não é necessariamente aquele que impede seus cidadãos de fazerem certas práticas. Todos nós sabemos que o aborto é legal no Brasil. Todo mundo conhece o endereço de uma clínica de aborto, inclusive a polícia, e se a filha adolescente do deputado conservador engravidar sem querer ele será o primeiro a aparecer por lá. O que é proibido no Brasil é reconhecer tal prática. Proibido é dar visibilidade, é quebrar o discurso consensual, ao menos na classe política. Assim, o autoritarismo encontra-se no fato de aceitarmos a lógica do: "pouco importa o que você realmente faz, desde que você continue a falar e dar a impressão de agir como quem defende nossos valores'".

Desta forma, o Brasil conseguiu protagonizar o espetáculo deprimente de uma política que não produz mudanças, mas repete compulsivamente os arcaísmos de sua sociedade.

É constrangedor ver todos os principais candidatos se estapeando pelo voto conservador


Gregorio Duvivier, via SQN

O país e o armário
"Todo ano, um milhão de mulheres fazem aborto na França. Eu sou uma dessas mulheres. Eu abortei." O manifesto foi assinado por 343 mulheres e publicado no Nouvel Observateur, em 1971.

O Estado francês tinha duas opções: prender essas mulheres ou reconhecer que elas não fizeram nada de errado. O Estado não prenderia 343 mulheres. Ou melhor: não essas mulheres. Dentre as assinaturas, estavam as de Ariane Mnouchkine, Catherine Deneuve, Jeanne Moreau, Marguerite Duras. A redatora do manifesto era ninguém menos que Simone de Beauvoir. Não prenderam ninguém.

A esse manifesto, seguiram-se outros: 331 médicos assumiram-se a favor da causa. Na Alemanha, mais 374 mulheres assinaram um manifesto em que diziam: Wie haben abgetrieben. Nós abortamos. Entre as mulheres, Romy Schneider e Senta Berger. Em 1975 o aborto deixa de ser crime na França e passa a ser chamado de "interrupção voluntária de gravidez". A interrupção passa a ser "livre e gratuita" até a décima semana de gestação.

Estamos muito longe dessa lei por aqui. Nenhum dos candidatos a presidente parece interessado em discuti-la. Tampouco a classe artística está interessada em sair do armário nesse assunto.

O Brasil vai na direção oposta. É constrangedor ver todos os principais candidatos se estapeando pelo eleitorado conservador. Não se trata de propor mudanças, trata-se de vender apego à tradição. "Você me conhece, sabe que eu sou o que mais acredita em Deus, o que mais passou longe de dar a bunda, de cheirar pó, olhem só como a minha é filha virgem, olhem só como o meu filho é hétero." Todos estão desesperados pelo voto conservador. Estranhamente, ninguém está nem aí pro voto aborteiro.

Se as eleições, como anuncia o plantão da Globo, são a festa da democracia, essa festa, Dona Globo, está meio caída --ou fui eu que bebi pouco. Na minha opinião, tem pastor demais e maconha de menos. A maioria dos candidatos não fede nem cheira --a não ser um deles, que cheira.

Um amigo gay outro dia disse que "levantar bandeira é cafona e quem sai do armário é porque quer atenção". Amigo, tudo bem, ninguém é obrigado a sair do armário. Mas você não precisa trancar a porta por dentro.

Sair do armário não é um ato exibicionista. Levantar bandeira também não. O manifesto das 343 vagabundas, como ficou conhecido, não permitiu às manifestantes que elas fizessem um aborto. Elas já o tinham feito. Permitiu às suas filhas e netas.

Ateus, maconheiros, vagabundas, pederastas, sapatões e travestis do mundo: uni-vos. Porque o lado de lá tá bem juntinho.

domingo, 24 de agosto de 2014

Corporações “verdes”: Cada árvore da Amazônia um título no mercado

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Ilustração sugerida pelo Franco Atirador, nos comentários

O capitalismo industrial é, por sua própria natureza, destrutivo de todas as formas de vida na Terra. Isso vale mais ainda quando ele vem casado ao capitalismo financeiro. Toda forma de vida no planeta está a caminho de ser transformada em mercadoria — inclusive as pessoas, consideradas ‘capital humano’ no palavreado do século 21.


Por Luiz Carlos Azenha, via Viomundo

Considerem um dia, no futuro, quando cada uma das árvores da floresta amazônica estiver catalogada, receber um código de barras e representar um título no mercado financeiro. Um título que renda comissões e taxas de administração para quem cuidar das transações envolvendo a papelada. Tais títulos serão transacionados em uma bolsa de valores. É pouco provável que esta bolsa fique sediada em Xapuri, no Acre. Seria mais viável em Londres ou Nova York. Afinal, além de expertise no mercado financeiro, é lá fora que vivem ou são representados, através de instituições financeiras — bancos, corretoras — os que terão capital para comprar tamanha montanha de papel.

É possível que se crie, inclusive — também fora do Brasil, pelos mesmos motivos apontados acima — uma bolsa para lidar com créditos de carbono. O industrial recém-instalado em Nairobi, no Quênia, com capital britânico e tecnologia de segunda classe, já descartada em casa por ser altamente poluente mas ainda dentro de padrões considerados aceitáveis no Quênia, compra créditos de carbono no mercado que permitam a ele detonar uma floresta nativa local, desde que os efeitos sejam mitigados em outra parte do planeta. Na Amazônia, por exemplo, onde os créditos comprados pelo industrial congelam uma gleba — e a riqueza local — em nome de salvar o planeta.

Agora pensem na possibilidade de certificar uma cidade “verde”, no Brasil. Uma cidade cujas propriedades rurais sejam monitoradas via satélite.

Uma cidade onde a floresta nativa, original,  já foi todinha praticamente desmatada das matrizes de madeiras nobres, substituídas por outras espécies, sem que o satélite de monitoramento consiga fazer tal distinção.

Uma cidade dominada por latifundiários. Uma análise feita por “especialistas” determina quais as áreas da propriedade devem ser reflorestadas, quais podem ser utilizadas para pasto, para a agricultura ou para reflorestamento com eucaliptos, o tal ‘deserto verde’ dos chupins da água do solo. Seria uma experiência realmente notável. Só uma ONG com expertise internacional poderia vender tais “serviços ambientais”. As consequências políticas de tal esquema seriam duas: o congelamento da estrutura fundiária desigual e injusta e a possibilidade de fazer avançar a fronteira agrícola sobre floresta virgem, de forma “sustentável”.

Ponto para os fabricantes de tratores, os detentores de royalties sobre sementes, os fabricantes de satélites de rastreamento — naturalmente, nenhum deles baseado em Paragominas, Pará, mas provavelmente em Peoria, Illinois ou Dortmund, Alemanha.

Os esquemas acima descritos permitiriam, dentre outras coisas, a contínua exportação de tecnologia superada e do “serviço sujo” do Hemisfério Norte para o Hemisfério Sul, não por acaso uma região do planeta onde se concentra a pobreza e onde os moradores de Bhopal, na Índia, estão muito mais dispostos a conviver com os ácidos da Union Carbide — hoje subsidiária da Dow Chemical, sediada em Houston, Texas — ainda que, eventualmente, um vazamento de produtos químicos mate 3.787 pessoas e contamine mais de 500 mil.

Quem quer agrotóxicos poluindo o Reno ou acabando com a cobertura vegetal das margens do Danúbio, matando a indústria ‘limpa’ do turismo? Quem vai atacar os manancias subterrâneos europeus para gastar 15 mil litros de água na produção de um quilo de carne bovina?

É óbvio que não falo em tese.

Foi o capital sobrante no Japão que financiou a construção da usina de Tucuruí, no Brasil, com a finalidade de transformar bauxita em alumínio, um processo industrial eletrointensivo. De quebra, com desconto no preço da energia. Os recursos naturais são nossos, o passivo ambiental e os empregos de baixa qualidade também. A transformação do alumínio em produtos de alto valor agregado e o desenvolvimento da tecnologia que essa renda garante… são deles.

Assim funciona o capitalismo.

Há esquemas fabulosos para o “plantio” de milhares de cataventos no Norte da África, com o objetivo de produzir energia que seria transferida para a Europa. Quanto os africanos vão cobrar pelo vento? O mesmo que o Brasil cobra pela água que exporta na soja?

Há esquemas fabulosos, com apoio do Banco Mundial, para desenvolver melhor as quedas de água de Inga, no Congo, com o objetivo de produzir a energia cujo uso prioritário seria na extração das riquezas minerais do continente. Será que os recursos decorrentes disso seriam majoritariamente investidos na população local? Duvido. Hoje, o coltan — mineral essencial para a indústria eletroeletrônica — continua saindo do Congo em barris para a Bélgica, com as migalhas que ficam sustentando milícias que travam uma guerra civil devastadora pelo controle das minas.


Não foi por acaso que, numa visita que fiz às famosas minas de diamante do interior de Serra Leoa, nos anos 2.000, encontrei mineiros trabalhando em condições subumanas, com as cidades do entorno sem rede de água ou esgoto. Ouvi o lamento de um morador local: “Você acredita que tiraram daqui bilhões de dólares em diamantes?”.

A guerra civil que devastou o país não foi por acaso. Ao fim e a ao cabo, o desmantelamento da estrutura estatal de Serra Leoa permitiu a pilhagem dos recursos locais sem qualquer controle.

Rendeu até um filme de Hollywood, “Diamantes de Sangue”, parte de uma campanha de certificação dos diamantes cujo objetivo não declarado era impedir que diamantes não certificados derrubassem o preço internacional das pedras.

Os lucros derivados, obviamente, não são encontráveis hoje em Freetown, a capital de Serra Leoa.

Tudo o que descrevi acima acontece, mas não é dito pelo jornalismo que, em vez de esclarecer, encobre. Vitória da hipocrisia.

Os debates sobre o movimento ambientalista mundial, do qual Marina Silva é uma expoente no Brasil, não são novidade. Há testemunhos confiáveis de que a senadora, neste campo, tem grande credibilidade.

Porém, há também uma boa dose de hipocrisia no “verdismo”. Não estou falando apenas de revistas multicoloridas que defendem o meio ambiente em papel couché.

Em artigo no Counterpunch, de 2013, Cory Morningstar fez uma crítica demolidora de Bill McKibben, o organizador da campanha Do The Math, Faça as contas, cujo objetivo é livrar o mundo dos combustíveis fósseis e que está ganhando adesões crescentes nos Estados Unidos, na Europa e em outras partes do mundo.

Bill é um ativista-celebridade que trouxe para seu lado gente respeitadíssima, como a autora Naomi Klein.

Logo agora que o Brasil descobriu o pré-sal, Bill!

A ONG de Bill McKibben é conhecida como 350.org. Uma das campanhas anteriores dele, batizada de1sky, foi parcialmente financiada por um fundo da família Rockefeller.

A campanha de Bill começou através de um tour dos Estados Unidos. Ele tenta convencer instituições religiosas, educacionais, governos estaduais e locais a eliminarem o uso de combustíveis fósseis.

As ideias de Bill ganharam tração considerável depois que ele publicou, na revista Rolling Stone, um artigo nomeado A Nova Matemática Terrível do Aquecimento Global.

A Rolling Stone é darling dos democratas norte-americanos, cuja tradução para a política brasileira seria a de — definição minha — “sociais democratas consumistas com dor de consciência”.

Cory Morningstar é uma jornalista que se dedica a analisar o que chama de “complexo industrial das instituições sem fins lucrativos”, ou do onguismo.

Em sua crítica a Bill McKibben, ela reproduz trechos de artigos publicados no site do Projeto de Justiça Ecológica Global, nos quais vozes discordantes do ambientalismo norte-americano rebateram Bill:

Anne Petermann, por exemplo, que denunciou o domínio das corporações sobre a Rio+20, escreveu:
Os mesmos mercados que nos levaram à beira do abismo podem agora nos fornecer os paraquedas? [Bill] McKibben destaca que, sob este sistema, os que têm dinheiro têm o poder. Então, por que estamos tentando reformar este sistema? Por que não o estamos transformando?

… se você se concentra apenas em eliminar os combustíveis fósseis, sem mudar o sistema subjacente, então coisas muito ruins tomarão o lugar deles, porque o que é insustentável é o próprio sistema. É um sistema desenhado para transformar ‘capital natural’ e trabalho humano em lucros gigantescos para uma pequena elite: os chamados 1%. O sistema, seja ele dirigido por combustíveis fósseis ou biocombustíveis ou ainda instalações massivas de energia solar ou do vento, vai continuar devorando o ecossistema, desalojando comunidades baseadas na floresta, povos indígenas e agricultores de subsistência de suas terras, esmagando os sindicatos de trabalhadores e fazendo a vida, de modo geral, um inferno para a grande maioria da população do planeta. Isso é o que ele faz.
De Keith Brunner, que propõe ação direta para combater o capitalismo industrial no coletivo de justiça climática Red Clover:
Bill [McKibben] oferece campanhas de desinvestimento, à la África do Sul [Nota do Viomundo: Boicote econômico que ajudou a acabar com o apartheid], como estratégia preferida para atingir as empresas de combustíveis fósseis financeiramente. Soa muito bem, até que você olha para as tendências dos últimos anos dos grandes investidores institucionais – fundos de pensão e de universidades – de colocar o dinheiro (em geral através de um intermediário privado), entre outras coisas nas riquezas naturais dos “mercados emergentes” e em fundos de infraestrutura, o que facilita a usurpação de terras em todo o Sul [do planeta]. É isso o que os administradores de fundos ‘verdes’, “progressistas”, estão propondo — e isso é um problema. Este é outro ponto que ele não contempla: sim, as corporações dos combustíveis fósseis são os grandes lobos maus, mas o sistema de investimento e retorno que exige uma economia sempre em crescimento é tão problemático quanto elas (isso se chama capitalismo). O fato do administrador do fundo da Universidade de Harvard, por exemplo, ter uma “responsabilidade fiduciária” de atingir um determinado retorno anual para seu dinheiro, significa que ele tem de investir em fundos lucrativos, em crescimento econômico, ou em empresas ou estados (qual é a diferença?) que cresçam através da exploração de pessoas e do desmantelamento do ecossistema.
O artigo de Cory Morningstar, que acredita que “economia verde” é uma tremenda embromação, lembra o papel de um grupo supostamente progressista, batizado de Ceres, que reúne investidores dos Estados Unidos. É descrito como “organização sem fins lucrativos que advoga liderança sustentável. Mobilizamos uma poderosa rede de investidores, empresas e grupos de interesse para acelerar e expandir a adoção de práticas de negócios sustentáveis e para construir uma economia global saudável”.

Morningstar, em sua denúncia, nota que numa das conferências da Ceres — onde a campanha da 350.orgrecebeu destaque — estavam dentre os patrocinadores Bank of America, Citibank e Wells Fargo, a empresa de telefonia Sprint, as automobilísticas Ford e GM e as de jornalismo/entretenimento Walt Disney e TimeWarner, além de outras corporações.

Um trecho do artigo de Morningstar, generosamente traduzido pela Heloisa Villela, é revelador:
As pessoas podem se perguntar porque, afinal, os financiadores da destruição climática vão dar pelota para o clima. Pode-se imaginar porque [Bill] McKibben e seus amigos foram aos bilionários de Wall Street pedir conselhos (e permissão) a respeito de que tipo de desinvestimento seria mais adequado aos seus desejos. Ainda assim, a resposta é simplesmente impressionante: o Faça as Contas não é uma campanha que tenha como objetivo prejudicar (que dirá destruir) Wall Street, as grandes empresas de energia ou o capital financeiro – ao contrário, é uma campanha de relações públicas estratégica, mais uma distração bem orquestrada das massas
Morningstar, que como mencionei acima é crítica do chamado “terceiro setor”, faz observações importantes sobre como o dinheiro de “patrocinadores desinteressados” é capaz de desvirtuar lutas sociais. Vale a pena reproduzir pelo menos dois outros trechos do que ela escreveu:
É preciso notar a obsessão do 350.org exclusivamente com os combustíveis fósseis. Com certeza o 350.org, em acordo com o complexo industrial dos ‘sem fins lucrativos’, está preparando a população estrategicamente para aceitar o que Guy McPherson chama de “a terceira revolução industrial”. Essa agenda da “riqueza climática” inclui soluções falsas, como as biomassas, o consumismo “verde” desenfreado, mecanismos do mercado de carbono como o REDD, etc.

[Nota do Viomundo: REDD, de Reduzindo Emissões de Deflorestamento e Degradação Florestal, é o mecanismo de mercado que gera os chamados 'créditos de carbono', títulos que fazem salivar o mercado financeiro por gerar taxas de administração e outras formas de lucro privado sobre patrimônio público]

O que ela não inclui [a agenda] é: a necessidade urgente de destruir a expansão do império militar, permitindo a transição para o desmantelamento do nosso sistema econômico corrente, referências à indústria do rebanho industrializado [ver o documentário Food Inc], de conservar energia de forma massiva, de empregar táticas de autodefesa a qualquer custo, ou qualquer outra coisa necessária para mitigar a destruição da espécie humana. Em resumo, a agenda não inclui nada que possa ameaçar o sistema atual de forma significativa. É sempre dividir para conquistar, com as ONGs financiadas pelas corporações/elite. O que importa é assegurar que as massas travem batalhas sem a menor importância e nunca “liguem os pontos”, para usar as frases do 350.org. A linguagem é tudo no mundo da fantasia e das relações públicas.

[...]

É preciso notar que a campanha de desinvestimento do 350.org serve a um outro propósito vital. Nós chegamos agora a um ponto crítico, no qual as corporações vão começar a acelerar o processo de se livrar de seus investimentos tóxicos, enquanto se preparam para uma nova onda, sem precedentes, de promover a “riqueza climática”. Nós estamos prestes a testemunhar a transição global para soluções falsamente benéficas, sob a capa da “economia verde”, somadas à completa transformação de tudo em mercadoria e na privatização de bens comunitários por parte das corporações mais poderosas do planeta. Tudo isso enquanto, simultaneamente, elas se banham de verde, como nobres defensoras da terra. No último capítulo da história da espécie humana, essa será a maior mentira jamais contada.
Portanto, num país como o Brasil, onde os debates dos países centrais do capitalismo sempre chegam com o atraso de algumas décadas, é preciso refletir muito quando uma banqueira se apresenta como genuína defensora do patrimônio público da Amazônia.

Leia também:

MORTE DE EDUARDO CAMPOS SOB SUSPEITA NOS EUA

Interesses dos EUA e Globalistão de Soros na América Latina

19/8/2014, [*] Wayne MadsenStrategic Culture
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
                      Via redecastorphoto

Eduardo Campos e Marina Silva 
As eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro estavam sendo dadas como resolvidas, com a reeleição da atual presidenta Dilma Rousseff. Isso, até a morte, num acidente de avião, de um candidato absolutamente sem brilho ou força eleitoral próprios, economista e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Dia 13/8, noticiou-se que o avião que levava Campos – candidato de centro, pró-business, que ocupava o 3º lugar nas pesquisas, atrás até do candidato do partido mais conservador (PSDB), Aécio Neves, também economista e defensor da ‘'austeridade'’ – espatifara-se numa área residencial de Santos, no estado de São Paulo, Brasil. Campos era candidato do Partido Socialista Brasileiro, antigamente da esquerda, mas hoje já completamente convertido em partido pró-business.

Como aconteceu nos partidos trabalhistas da Grã-Bretanha, da Austrália e Nova Zelândia, nos liberais e novos partidos democráticos canadenses, e no Partido Democrata dos EUA, interesses corporativos e sionistas infiltraram-se também no Partido Socialista Brasileiro e o converteram num partido da “Terceira Via”, pró-business e só muito fraudulentamente ainda denominado partido “socialista”.

Já é bem visível que os EUA tentam desestabilizar o Brasil, desde que a Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou correspondência eletrônica e conversações telefônicas da presidenta Dilma Rousseff do Partido dos Trabalhadores (PT) e vários de seus ministros, o que levou ao cancelamento de uma visita de estado que Rousseff faria a Washington; e com o Brasil hospedando o presidente russo Vladimir Putin e outros líderes do bloco econômico dos BRICS em recente encontro de cúpula em Fortaleza.
Dilma, Aécio e Campos (e Marina) em maio/2014 

O Departamento de Estado dos EUA e a CIA só fazem procurar pontos frágeis no tecido social do Brasil de Rousseff, para criar aqui as mesmas condições de instabilidade que fomentaram em outros países na América Latina (Venezuela, Equador, Argentina – na Argentina mediante bloqueio de créditos para o país, em operação arquitetada por Paul Singer, capitalista-abutre sionista) – e na Bolívia.

Mas Rousseff, que antagonizou Washington ao anunciar, com outros líderes BRICS em Fortaleza, o estabelecimento de um banco de desenvolvimento dos países BRICS, para concorrer contra o Banco Mundial (controlado por EUA e União Europeia) parecia imbatível nas eleições de reeleição. A atual presidenta era, sem dúvida, candidata ainda imbatível quando, dia 13 de agosto, Campos e quatro de seus conselheiros de campanha, além do piloto e copiloto, embarcaram no avião Cessna 560XL, que cairia em Santos, matando todos a bordo.

A queda do avião empurrou para a cabeça da chapa do PS a candidata que concorria como vice-presidente, Marina Silva. Em 2010, Silva recebeu inesperados 20% dos votos à presidência, como candidata de seu Partido Verde. Esse ano, em vez de concorrer sob a legenda de seu partido, Marina optou por agregar-se à chapa pró-business, mas ainda dita “socialista” de Campos. Hoje, Marina já está sendo apresentada – talvez com certo exagero muito precipitado! – como melhor aposta para derrotar Rousseff nas eleições presidenciais de outubro próximo.

Marina, que é pregadora cristã evangélica em país predominantemente cristão católico romano, também é conhecida por ser muito próxima da infraestrutura da “sociedade civil” global e dos grupos de “oposição controlada” financiados por George Soros, capitalista e operador de hedge fund globais. Conhecida por sua participação nos esforços para proteção da floresta amazônica brasileira, Marina tem sido muito elogiada por grupos do ambientalismo patrocinado pelo Instituto Open Society [Sociedade Aberta], de George Soros. A campanha de Marina, como já se vê, está repleta de palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.

Marina Silva - Olimpíadas de Londres/2010
Marina exibiu-se ao lado da equipe do Brasil na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. O ministro dos Esportes do Brasil, Aldo Rebelo, disse que a exibição de Marina naquela cerimônia havia sido aprovada pela Família Real Britânica, e que ela “sempre teve boas relações com a aristocracia europeia”.

Marina também apoia com muito mais empenho que Rousseff as políticas de Israel para a Palestina. Como se vê também nas Assembleias de Deus de cristãos pentecostais, Marina participa de uma facção religiosa que acolhe, não raro nas posições de comando organizacional, membros do movimento mundial dos “Cristãos Sionistas”, tão avidamente pró-Israel quanto organizações de judeus sionistas como B'nai B'rith e o World Jewish Congress. As Assembleias de Deus creem no seguinte, sobre Israel:

Segundo a Escritura, Israel tem importante papel a cumprir no fim dos tempos. Por séculos, estudiosos da Bíblia ponderaram sobre a profecia de uma Israel restaurada. “Eis o que diz o Senhor Soberano: Tirarei os israelitas das nações para as quais foram. Reuni-los-ei de todas as partes e os porei juntos na sua própria terra”. Quando o moderno estado de Israel foi criado em 1948, e os judeus começaram a ir para lá, de todos os cantos do mundo, os estudiosos da Bíblia viram ali a mão de Deus em ação; e que nós viveremos lá os últimos dias.

Marina Silva e Marco Feliciano... Parceiros?
Ou fotomontagem?
Em 1996, Marina recebeu o Prêmio Ambiental Goldman, criado pelo fundador da Empresa Seguradora Goldman, Richard Goldman e sua esposa, Rhoda Goldman, uma das herdeiras da fortuna da empresa de roupas Levi-Strauss.

Em 2010, Marina foi listada, pela revista Foreign Policy, editada por David Rothkopf, do escritório de advogados Kissinger Associates, na lista de “principais pensadores globais”.

O mais provável é que jamais se conheçam todos os detalhes do acidente que matou Campos. Participam hoje das investigações sobre o acidente a National Transportation Safety Board (NTSB) e a Federal Aviation Administration, do governo dos EUA. Membros dessas duas organizações com certeza serão informados do andamento das investigações e passarão tudo que receberem para agentes da CIA estacionados em Brasília, os quais tudo farão para ter o título “Trágico Acidente” estampado no relatório final.

A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de avião na América Latina que eliminaram opositores do imperialismo norte-americano naquela parte do mundo. Dia 31/7/1981, o presidente Omar Torrijos, do Panamá, morreu quando o avião da Força Aérea panamenha no qual viajava caiu perto de Penonomé, Panamá. Sabe-se que, depois que George H. W. Bush invadiu o Panamá em 1989, os documentos da investigação sobre o acidente, que estavam em posse do governo do general Manuel Noriega foram confiscados por militares norte-americanos e desapareceram.

Super King Air- 200, Beechcraft
Dois meses antes da morte de Torrijos, o presidente Jaime Roldós do Equador, líder populista que se opunha aos EUA, havia também morrido num acidente de avião: seu avião Super King Air (SKA), operado como principal aeronave de transporte oficial pela Força Aérea do Equador, caiu na Montanha Huairapungo na província de Loja. No avião, também viajavam a Primeira-Dama do Equador, e o Ministro da Defesa e esposa. Todos morreram na queda do avião. O avião não tinha Gravador de Dados do Voo, equipamento também chamado de “caixa preta”. A polícia de Zurique, Suíça, que conduziu investigação independente, descobriu que a investigação feita pelo governo do Equador encobria falhas graves. Por exemplo, o relatório do governo do Equador sobre a queda do SKA, não mencionava que os motores do avião estavam desligados quando a aeronave colidiu contra a parede da montanha.

Cessna Citation 560XL
Como o avião de Roldós, o Cessna de Campos também não tinha gravador de dados de voo. Além disso, a Força Aérea Brasileira anunciou que duas horas de conversas gravadas pelo gravador de voz da cabine de voo do Cessna em que viajava Campos não incluem qualquer conversa entre o piloto, copiloto e torre de controle naquele dia 13 de agosto. O gravador de voz da cabine a bordo do fatídico Cessna 560XL foi fabricado por L-3 Communications, Inc.de New York City. Essa empresa L-3 é uma das principais fornecedoras de equipamento de inteligência e espionagem para a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a mesma empresa que fornece grande parte das capacidades de escuta de seu cabo submarino, mediante contrato entre a ASN (Agência de Segurança Nacional – NSA em inglês) e a Global Crossing, subsidiária da L-3.

Embora Campos não fosse inimigo dos EUA, sua morte em circunstâncias suspeitas, apenas poucos meses antes da eleição presidencial, substituído, como candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por George Soros, cria alguma dificuldade eleitoral para a presidenta Rousseff, que Washington, sem dúvida possível, vê como adversária.

A "pedra no sapato" de Soros, da CIA e dos EUA
Os EUA e Soros pesquisam já há muito tempo várias vias para invadir e desmontar, por dentro, o grupo das nações BRICS. A tentativa de Soros-CIA para pôr na presidência da China um homem como Bo Xilai foi neutralizada, porque os chineses conseguiram capturá-lo e condená-lo por corrupção, antes.

Com Rússia e África do Sul absolutamente inacessíveis para esse tipo de ardil, restam Índia e Brasil, como alvos dos esforços da CIA e de Soros para fazer rachar e desmontar o grupo BRICS. Embora o governo do direitista Narendra Modi na Índia esteja apenas começando, há sinais de que pode vir a ser a cunha de que os EUA precisam para desarticular os BRICS. Por exemplo, a nova Ministra de Relações Exteriores da Índia, Sushma Swaraj, é conhecida como empenhada e muito comprometida aliada de Israel.

Outubro de 2013 - cria-se o "Cavalo de Tróia"
No Brasil, hoje governado por Rousseff, a melhor oportunidade para infiltrar no governo um dos “seus” parece ser, aos olhos da CIA e Soros, a eleição de Marina Silva. Seria como um “Cavalo de Tróia” infiltrado no comando de um dos países do grupo BRICS, em posição para atacar por dentro aquele bloco econômico, mais importante a cada dia.

A queda do avião que matou Eduardo Campos ajudou a empurrar para muito mais perto do Palácio da Alvorada, em Brasília, uma agente-operadora dos grupos financiados por George Soros.
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[*] Wayne Madsen é jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al JazeeraStrategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National Press Club. Reside em Washington, DC.