LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Plano de EUA: “Nós vamos fazer o Iraque voltar à Idade da Pedra”

Jihadista marroquinho na Síria exibe cabeças humanas. Embora Ocidente tenha patrocinado o "jihadismo" moderno, utiliza estas imagens para estereotipar o mundo árabe e apresentá-lo como "selvagem" e "bárbaro".

Jihadista marroquinho na Síria exibe cabeças humanas. Embora Ocidente tenha patrocinado o “jihadismo” moderno, utiliza estas imagens para estereotipar o mundo árabe e apresentá-lo como “selvagem” e “bárbaro”.




Em 1991, o então secretário de Estado dos EUA, James Baker, prometeu que seu país faria o Iraque voltar à idade de pedra. A ameaça pode ter parecido pretensiosa e é possível que o então ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque, Tareq Aziz, possa ter desconsiderado a advertência. Como destruir um país que naquela época era considerado o mais desenvolvido de Oriente Médio? Deve ter soado como um delírio para os governantes do então poderoso Iraque.

No entanto, em 2014, estamos assistindo à concretização final desse plano perverso. O Iraque realmente retornou à idade de pedra.

O ocupante se encarregou de promover a desindustrialização do Iraque, a destruição de toda sua infra-estrutura (escolas, universidades, hospitais, saneamento básico), o desmantelamento da estrutura estatal e militar, a extinção da identidade nacional (que garantia a rica convivência entre as diferentes vertentes religiosas e etnias regionais), a incitação de conflitos tribais, étnicos e religiosos, assim como também a eliminação de toda a intelectualidade iraquiana para que o que havia de mais atrasado chegasse ao poder. E isso precisou ser implementado em etapas muito bem calculadas.

Empoderar o que havia de mais retrógrado na região foi como salgar o solo desta Cartago moderna. E o modelo foi tão “bem sucedido” que foi aplicado na Líbia e na Síria (que felizmente resiste heroicamente até hoje, embora com feridas terríveis).

Paradoxalmente, Ocidente contribuiu ativamente para o desmantelamento do que poderia ser considerado o Oriente Médio mais “ocidentalizado” (industrializado, republicano, laico, com proteção de minorias e maior equidade de gênero) enquanto se aliou a países como Qatar e Arabia Saudita, monarquias ditatoriais e teocráticas. E fez isto com um objetivo muito claro e simples: garantir seu lucro.

Após derrocar líderes laicos e empoderar “califas”, líderes sectários e jihadistas sanguinários, tanto EUA como Israel, utilizam suas “crias” para semear a islamofobia, o preconceito e o ódio contra todo o mundo árabe, assim como apresentar para a opinião pública um Oriente Médio incapaz de se organizar por si próprio e com tendências “naturais” para a autodestruição.

Seriamos ingênuos se pensarmos que estamos livres de que planos similares estejam sendo aplicados em América Central e América do Sul, por isso é tão importante estudar como este plano foi executado e principalmente como a Síria tem agido para conseguir enfrentar estes verdadeiros cavaleiros da apocalipse. Se entre os planos está a desindustrialização, Síria está investindo pesado para reativar sua indústria. Se querem a destruição das universidades e da intelectualidade, também Síria tem investido na educação e promoção da cultura. Mas principalmente e acima de tudo, Síria está nos mostrando como uma identidade nacional sólida tem sido o remédio mais eficaz contra os sectarismos.


Compartilhamos este texto de Petras, escrito em 2009, (antes da mal chamada “primavera árabe”) que consideramos muito elucidativo para entender como o plano de desmantelamento do Estado iraquiano foi executado (os grifos no texto são nossos), mas, precisamente por ter sido escrito em 2009, Petras não tinha como saber que o governo iraquiano instalado por EUA (e que deveria ser submisso às suas vontades) acabou se aproximando do Irã e da Síria à revelia de seus “criadores”. Para entender esse outro capítulo da história recente do Iraque recomendamos o artigo de Thierry Meyssan: Washington relança seu projecto de partição do Iraque.


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