LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Rancor das elites contra Dilma e o PT é muito mais pelas suas virtudes do que por seus erros pontuais


Por Pedro Porfírio, em seu blog
Outro dia, num aniversário de um engenheiro de uma estatal, ouvi de alguns convivas da mesma estirpe uma amarga declaração de voto: "estou contra a Dilma por que quero ver o PT pelas costas".
Não foi um, nem dois. Inúmeros convidados daquela bela festa repetiam o mesmo jargão. Alguns falavam com ódio e, como já tinham consumido uns bons vinhos, pronunciavam as sentenças de morte do PT com exacerbado rancor e sede de vingança.

Como não sou petista e, ao contrário, estive quase sempre em trincheiras opostas, sem perder o respeito ao adversário jamais, me senti à vontade para recorrer à metodologia racional a fim de entender por  que aquelas pessoas babavam de ódio da Dilma, do Lula, do PT e de todos os que ousavam admitir que votariam na reeleição da mineira, cuja biografia deveria merecer todos os preitos desses que hoje dizem o que lhes vêm na telha, o que não acontecia na época da ditadura insana que a torturou, como a mim, e que a tantos assassinou.

Vira e mexe, cheguei a uma conclusão provavelmente estapafúrdia: há toda uma motivação racista nesse ódio explicitado com prazer orgástico. Não o racismo sobre a cor da pele, mas um outro, muito mais abrangente e mais furioso, o ódio de classe e a obsessão pela intocabilidade da secular pirâmide social.

Entre aqueles interlocutores de acendrada rejeição a qualquer coisa que possa sugerir melhoria das condições sociais das camadas inferiores, alguns se jactavam de terem tido uma infância pobre (ou quase) e hoje estarem nas camadas superiores por esforço próprio. Ao mesmo tempo em que exibiam esse salto e se reconheciam exceções, não escondiam o desprezo pelos que dependem de qualquer socorro do Estado, como se ogoverno estivesse sacrificando suas noitadas com pesados impostos para matar a fome do lumpesinato que "não quer trabalhar".
A sensação mais viva que me ocorreu foi braba: de todos os escravagistas sociais o mais mesquinho  é o quase rico que já foi quase pobre.
Pelas diatribes daqueles personagens que faziam questão de exibir roupas de marcas caras, acabei viajando até o aeroporto e me lembrei de um desabafo um professora babaca  da PUC: isso aqui parece uma rodoviária.

Fui mais longe em minhas lembranças e deparei-me com o ódio midiático contra o Brizola por causa do seu projeto dos Centros Integrais de Educação Pública – os CIEPs, que, se não tivessem sido minados por gregos e troianos estariam levando às portas das  faculdades milhares de jovens pobres e bem preparados, em condições de acesso sem depender de cotas.

Como a Dilma brizolista de então, fiz parte daquele sonho, como secretário de Desenvolvimento Social da Prefeitura do Rio e pela proximidade com Brizola. Fiquei chocado ao saber que o todo poderoso Roberto Marinho, com quem o caudilho almoçara algumas vezes, só tinha uma exigência de momento: reduzir a duas ou três escolas a ideia do ensino integral. 
O dono da Rede Globo, refletindo o pensamento das elites, não queria nem ouvir falar da inflação de meninos de escolas públicas às portas das Universidades oficiais, que eram, como ainda são, santuários privativos da burguesia dominante.
Dilma tem o dom de misturar o sangue quente do caudilho, seu primeiro mestre com quem conviveu por 20 anos, ao jogo de cintura do Lula, que vinha de uma militância patrulhada pela ditadura e emergira graças à sua sagacidade e inegável inteligência.

Pode-se dizer que a direita empedernida não contava com sua vitória em 2010. Se não o anátema de ex-guerrilheira iria fazer o sangue das elites dominantes subir à cabeça. E não contava também com seu estilo firme de governar, sua coragem de enfrentar os fantasmas assassinos, que se consideram intocáveis por tratos pretéritos.

Por isso, essa campanha de 2014 salienta diferenças mais nítidas e leva a uma exposição mais ostensiva do racismo social.  Para desbancar Dilma, vale qualquer um, inclusive aquela que foi cria do PT e que só pulou fora pela vaidade ferida com a indicação da colega para o cargo que almejava, embora não tivesse o indispensável perfil de estadista.

O racismo social é mais odiento devido à determinação dos beneficiários dos programas – sejam do bolsa-família, do Prouni ou do Pronatec, sejam dos que tiveram uma valorização real do salário mínimo, de constituírem uma sólida base eleitoral de quem abriu caminhos em suas vidas.

As elites e os emergentes adjacentes fecham as caras ao se depararem nos aeroportos com mulatos e nordestinos que, ao contrário de Lula, já não precisam penduram-se nos paus-de-arara em estradas poeirentas na aventura pelo pão que lhes faltava na terra natal.

É essa síndrome racista que move os ricos e quase ricos contra a estrela vermelha estigmatizada mais pelas suas virtudes do que pelos seus deslizes.  


E que sonha desesperadamente com retorno da chibata social, em que cada um "tem de reconhecer o seu lugar". E só seus filhos possam almejar o canudo de papel de uma universidade paga com o meu, o seu e o suor desses mesmos excluídos, que as elites querem trabalhando de sol a sol para comer o pão que o diabo amassou.

A semântica das urnas

Você é um marciano recém-chegado? Descubra aqui como separar o joio do trigo – ou entender o que é verdade e o que é só interesse no calor da temporada eleitoral

Desde a primeira eleição de lula, em 2002, o discurso político ganhou um léxico próprio. Vários conceitos dos tempos da Guerra Fria foram reciclados, outros claramente copiam a retórica da neodireita norte-americana reunida no Tea Party. O objetivo central dessa linguagem é tirar o PT do poder a qualquer custo. A cada campanha, o rosário de termos se renova, embora certas palavras nunca percam sua importância (corrupção, aparelhamento do Estado etc.). A seguir, como distinguir no palavrório que aquece as campanhas a verdade factual do discurso criado para escamotear os interesses, a fraude e a má-fé.
Alternância do poder
• Você passa a defendê-la com convicção religiosa, quando o partido do qual é inimigo permanece no poder, ao longo de reeleições sucessivas, ainda que avalizadas democraticamente pelo voto. O primeiro passo é atacar a reeleição, instituída, aliás, criada de uma maneira bem marota pelo ex-presidente Fernando Henrique , na esteira do projeto de 20 anos de poder do PSDB e à base da compra de votos no Parlamento. Um golpe constitucional sem nenhuma sutileza democrática a beneficiar o mandatário em exercício, o qual, por mera coincidência, você apoia. Alternância só é necessária quando se está fora do poder. Caso contrário, atrapalha o aperfeiçoamento da democracia. Em São Paulo, ela é especialmente execrada. Os paulistas preferem perpetuar um mesmo grupo político, enquanto bradam contra o risco de uma ditadura em nível federal.
Aparelhamento do Estado
• Quem aparelha o Estado são os adversários. Duvida? Basta ler jornais e revistas, sempre muito zelosos em fiscalizar os adversários, ainda que só a eles, e acusar o partido no poder, desde que não seja o de sua preferência, de “aparelhar o Estado”. Isso significa, basicamente, o seguinte: o partido no poder nomeia para os cargos de confiança pessoas... de sua confiança. Você reclama, iracundo: o Estado faz a festa da “companheirada”. A imprensa partidariamente engajada trata de denunciar a “farra das nomeações”. Dá para imaginar a perplexidade do leitor: o que queriam os jornalões? Que o partido no poder nomeasse adversários?
A vigilância ética é de mão única: se um presidente da República simpático a você nomeia para um importante cargo na área de energia um genro, não é por nada, seus maldosos, apenas uma coincidência. Quando o partido que você apoia aparelha o Estado com a sua companheirada, tenha certeza: os apadrinhados são gente de bem, de notório saber e reputação ilibada. Se aquele diretor da estatal nomeado por você ou pelos seus for pego mais tarde com a mão na botija, é um caso de cooptação estimulado pelo clima corrupto instaurado por seus adversários.
Bolivariano
• Se você se interessa pela sorte dos pobres, excluídos e vítimas de discriminação, a ponto de criar programas sociais compensatórios de emergência, é bolivariano. Se a política externa que você defende não se rebaixa aos ditames da Casa Branca, busca parcerias com nações fora da órbita imperial do dólar e do euro e chega ao cúmulo de lançar as bases de um FMI dos emergentes, trata-se de “ilusão bolivariana”. Bolivariano é o neocomunista. O comunismo morreu, mas o anticomunismo continua a gerar bons negócios. Embora o termo seja démodé, um bolivariano pode ser chamado de populista, na falta de termo melhor. Antônimo: Racionais. São os almofadinhas da Escola de Chicago e da PUC-Rio que não ligam para a sorte da maioria, mas se apegam fervorosamente a crenças que a realidade teima em desmentir. Estado mínimo, por exemplo.
Choque de gestão
• Significa cortar salários, promover demissões em massa e diminuir o investimento público, com base na teoria de que Estado mínimo é Estado eficiente. Faz muito sucesso entre aqueles que não sofrem os seus efeitos imediatos. No choque de gestão não cabem as migalhas assistencialistas do Bolsa Família, um jeito de perpetuar a miséria, não de reduzi-la, conforme a tese. Recomenda-se, porém, não ser explícito. Melhor dizer que os programas sociais “serão aperfeiçoados”.
Crises e bonanças internacionais
• As crises servem de justificativa para governos amigos. Se uma administração aliada vai mal, a culpa é do cenário externo. Inverte-se a lógica no caso dos adversários. Se a gestão inimiga vai bem, as condições internacionais a favoreceram. Caso se saia mal, é resultado exclusivo da incompetência de quem está no poder, que mente descaradamente ao evocar os efeitos deletérios globais, mesmo quando se trata da maior debacle planetária desde o início do século XX.
Coligações e governabilidade
• Seu partido, no poder ou quando em disputa eleitoral, consegue seduzir legendas de aluguel para uma teia de alianças convenientes para garantir a governabilidade ou engrossar o tempo no horário eleitoral gratuito? Parabéns, você é uma figura de aguda sensibilidade política, negociador de fino trato. Seu adversário fez o mesmo? Denuncie a falta de escrúpulos, a atroz barganha de princípios por conveniências, da honradez pela ambição. Conte sempre com os amigos na mídia para corroborar a sua tese. Aquele seu ex-ministro do PMDB que era honrado, mas mudou de lado, será descrito como um homem desprezível.
Corrupção
• Prática entranhada nos governos... dos outros. Infelizmente, a corrupção às vezes ganha fatos comprovados e nomes ilustres de aliados seus. Mas não se preocupe. Vale o mesmo do item Coligações. A mídia amiga estará a postos para jogar esse tipo de acusação, obviamente gratuita e injusta, para debaixo do tapete. Há corruptos e corruptos. Aqueles do partido adversário expõem uma maquinação coletiva, um assalto aos cofres públicos, uma quadrilha organizada e perene, destino manifesto da tal legenda e da administração partidária. Os seus representam casos isolados, sem nenhuma relação com as práticas e princípios de sua agremiação. Também vale dizer que a corrupção desenfreada dos adversários é um mal tão grande que afeta até gente da sua base. É a tal falta de exemplo “de cima”.
Corruptores
• Sem eles não existe corrupção. Como alguns podem eventualmente (ou frequentemente) financiar candidaturas amigas, melhor esquecer o assunto.
Delação premiada
• Ela só tem valor se for vazada cirurgicamente para atingir os nossos concorrentes. Se, no meio do lamaçal, surgir o nome de um aliado, diga que as revelações são açodadas e precisam ser apuradas a fundo, doa a quem doer. Quanto ao fato de o vazamento ser também um crime, de responsabilidade, inclusive, do ministro da Justiça, caso envolva a Polícia Federal, bem… esqueça.
Deus
Entidade abstrata, costuma irromper muito concretamente na cena política em anos eleitorais. Todo mundo simula acreditar em Deus, em especial quem não crê. A história da humanidade mostra, porém, que piores costumam ser aqueles que acreditam. Relegar a fixação da meta de inflação e a taxa de juros às interpretações de um I Ching errático que tenha na Bíblia uma plataforma não parece combinar com as práticas de um Estado leigo e não confessional. Bíblia na qual se confia cegamente, mesmo quando se afronta o conhecimento adquirido pelos seres humanos ao longo dos tempos. Ela é sempre propícia a uma leitura seletiva, que permite pular os versículos sobre os fariseus.
Dossiês
• Se a mídia está do seu lado, fique tranquilo. O esforço de reportagem visará descobrir quem produziu dossiês caluniosos contra você e os seus. Editoriais e colunistas vão denunciar as “baixarias” de campanha (ver o próximo item). Não importa se o dossiê não é um dossiê, mas denúncias comprovadas e comprováveis. Mas, se a imprensa te enxergar como inimigo, se cuide. Tudo poderá ser usado contra você, de declarações sem lastro de notórios bandidos a contas falsas no exterior ou fichas “frias” na polícia.
Liberdade de expressão
 É o direito inapelável, intocável, irreversível dos meios de comunicação de exprimir o pensamento único de seus proprietários, em consonância com seus interesses pecuniários e sua pauta eleitoral. É facultado o direito de mentir e distorcer. Em temporadas eleitorais, a toada de uma nota só torna-se uma obsessão, de forma a impedir que vaze para o noticiário algum acorde dissonante por parte da ralé das redações ou dos candidatos do outro lado. Quando os adversários pretendem exercer, eles também, a liberdade de expressão, valem-se de um eufemismo: quem responde a seus desmandos defende a censura.
Marqueteiros
• Se um adversário sobe nas pesquisas de intenção de voto, é hora de atribuir o preocupante sucesso à ação mistificadora dos marqueteiros. Vale dizer, eles são capazes de botar em pé um pacote vazio de ideias e até eventualmente eleger “um poste”. Nesse caso, não convém lembrar que o seu candidato igualmente possui um exército de experts em bruxarias político-eleitorais, pois isso comprometeria o argumento de que o candidato, aquele que você e a imprensa do privilégio apoiam, apenas expõe suas ideias reais, é de uma espontaneidade radical e nunca se deixaria manipular por técnicas artificiais de persuasão ou pela maquiagem mercadológica. Os adversários, estes sim, fazem o que for preciso para chegar ao poder, ou para mantê-lo (verbete Alternância de Poder). Você e os seus nunca participam de uma eleição para ganhar, mas em nome de um bem maior. Mensagens subliminares são a maior especialidade dos inimigos. Uma doutora em semi-óptica, perdão, semiótica, alerta a respeito das novas ciclovias, traçadas pelo prefeito inimigo de São Paulo, para “o efeito das cores sobre o nosso sistema nervoso central” e sugere que a cor escolhida “não passa de uma descarada propaganda vermelha do PT”. Em todo o mundo, as faixas para bicicletas costumam ser vermelhas, mas não importa.
Medidas eleitoreiras
• Há eleições no Brasil de dois em dois anos. Em ano eleitoral, as ações de um adversário não passam de “medidas eleitoreiras”. As suas são decisões de um governante comprometido com suas funções. Medida eleitoreira é, portanto, uma decisão tomada para aparentemente melhorar a vida do eleitor, não piorá-la, mas, como quem administra o benefício é um adversário, você insiste: embora benéfica, a decisão só busca o voto. Não seria o caso de se aprovar uma lei para impedir um governante de tomar qualquer decisão em ano eleitoral? Ver também o verbete Bolivariano.

Opinião pública

• Entidade espectral, de contornos indefinidos, da qual a minoria oligárquica se apropria, dizendo-se sua porta-voz, por mais que essa minoria não tenha a menor intenção de representar uma vontade coletiva, apenas o seu próprio interesse, e no fundo até nutra profundo desprezo por essa mesma opinião pública. Getúlio Vargas, com aquela sua sintonia com o verdadeiramente popular, disse: “Sinto engulhos quando ouço a Federação das Indústrias falar em nome do povo”. Os industriais cederam lugar para a mídia.
Serviços públicos
• Em junho de 2013, o Brasil levantou-se e saiu às ruas para protestar, a partir do estopim do aumento da tarifa do transporte coletivo, contra as mazelas do serviço público prestado nas áreas da saúde, educação, transporte e segurança. Culpou-se “o governo”. A mídia partidária leu “governo federal”. No momento em que a explosão espontânea concluiu que todos os poderes mereciam ser devidamente cobrados e que a péssima qualidade dos serviços privados (telefonia, bancos etc.) também passou a ser contestada, os meios de comunicação passaram a dizer que os protestos tinham “perdido o foco” e sido capturados por “vândalos” e “baderneiros”. 

Velha política

• Só os adversários a praticam. Pera aí, você não está aliado ou aliada àquele oligarca sulista ou ao barítono piauiense defensor de pobres banqueiros? São eles que me apoiam, não o contrário, dirá. Resposta alternativa: a pureza de seus princípios automaticamente os transformará em “homens de bem”. Para governar (ver o item Governabilidade) não será necessário atender aos pedidos pragmáticos e não programáticos de sua base? A distribuição de cargos se baseará em critérios republicanos, retrucará (ler também Aparelhamento do Estado). Mas você não abandonou velhas bandeiras pelo apoio de quem antes você combatia? Você não mudou de lado? Neste momento, chore.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

CONHEÇA OS 7 PAÍSES BOMBARDEADOS PELO NOBEL DA PAZ, BARACK OBAMA

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Em menos de 6 anos de presidência, o laureado pelo Nobel da Paz em 2009 
já bombardeou 7 países. Veja a lista completa.

Via Spotniks

O ano era 2009 e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recebia o Prêmio Nobel da Paz. Faziam apenas 9 meses que o primeiro afroamericano havia sentado na cadeira presidencial e já era laureado com o prêmio por seus esforços para a redução de armamentos nucleares e sua política diplomática.
No discurso de premiação, Obama agradeceu pelo reconhecimento e confessou estar preocupado com o fato de receber o prêmio mesmo sendo o “comandante-chefe de uma nação militarista em meio a duas guerras”. O presidente ainda afirmou que o prêmio não seria usado somente para “honrar conquistas específicas; ele também tem sido usado como forma de chamar a atenção para várias causas”. E as causas que ele destacaria incluíam: melhores condições sociais para os pobres, tolerância “com pessoas de diferentes credos e raças e religiões” e uma maior “segurança de que você não terá que viver com medo de doenças ou violência, sem esperanças para o futuro”.
A premiação, entretanto, não passou sem despertar certa polêmica. A própria população do país estava divida - 46% se orgulhavam de saber que Obama havia sido premiado, contra 47% que não se sentiam felizes com a conquista. As opiniões de ministros e chefes de estado ao redor do mundo também eram divergentes – enquanto, em Cuba, Fidel Castro disse que via o prêmio como uma crítica à política genocida dos presidentes anteriores, o Ministro de Relações Exteriores da Austrália, Alexander Downer, chamou a escolha de “uma decisão política de total estupidez”.
Em meio ao fogo cruzado de opiniões, um pequeno, porém importante, trecho do discurso de Obama passou despercebido pela mídia e pelos políticos internacionais. Todo seu discurso de “paz e dignidade”, porém, contava com os seguintes dizeres:
“[Os Estados Unidos] é o responsável por acabar com uma guerra e trabalhar em outro palco para enfrentar um adversário cruel que ameaçar diretamente o povo americano e nossos aliados.”
Sim, já em 2009 Obama prometia levar a cabo uma política externa intervencionista. E honrou seu discurso.
Em menos de 6 anos de presidência, o laureado pelo Nobel da Paz em 2009 já bombardeou 7 países, sendo a Síria o mais recente deles. Relembre quais foram os outros 6 países atingidos pelas “bombas de paz e democracia” e o que está levando a Casa Branca a tentar o mesmo na Síria.

Afeganistão (2001 – presente)

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Após os ataques de 11 de Setembro e as tensões com o Talibã, os Estados Unidos enviaram tropas para o Afeganistão em busca do líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden. No conflito, estima-se que pelo menos 21 mil civis já foram mortos, enquanto somente 2.300 soldados norte-americanos perderam a vida no conflito. Durante sua campanha, Obama tomou como bandeira a promessa de retirar as tropas do país imediatamente, porém, a retirada só começou efetivamente em 2011 e até o momento não foi completada.
Enquanto completa metade de seu segundo mandato, ataques aéreos continuam ocorrendo no país, ao custa da vida de inocentes.

Iêmen (2002 – presente)

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Após um atentado suicida comandado pela Al-Qaeda atingir o destroyer USS Cole no Iêmen, em 2000, a região também foi incluída no combate ao terrorismo desempenhado pelo governo norte-americano, em conjunto com o presidente do Iêmen.
Os primeiros ataques feitos pelos Estados Unidos aconteceram em 2002, foram realizados com a ajuda de drones e atingiram um veículo suv que transportava mísseis pelo deserto. Desde então, os drones são empregados na luta contra a Al-Qaeda no país, porém, tais ataques estão envoltos em polêmicas. O Wikileaks sugere que alguns dos ataques que o governo do Iêmen afirma ter executado, são na verdade, ataques de drones norte-americanos. O uso dos drones como um todo também tem sido criticado após várias mortes de civis e de supostos militantes islâmicos.
Segundo a Human Rights Watch, desde que Obama assumiu a presidência já foram realizados 6 ataques com drones, os quais já deixaram 82 vítimas fatais, das quais a maioria, 57, eram civis.

Iraque (2003 – presente)

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Com o pretexto de investigar suspeitas de que Saddam Hussein possuía armas de destruição em massa no Iraque, os Estados Unidos invadiram o país em março de 2003 e depuseram o ditador três semanas depois.
A estratégia, porém, falhou e um caos se instalou pelo Iraque, eclodindo uma guerra civil que possibilitou que movimentos fundamentalistas, como a Al-Qaeda, ganhassem força. O conflito deixou um imenso número de mortos, cujas estimativas variam entre 100 mil e 500 mil.
O combate, porém, está longe de acabar. Após a retirada das tropas norte-americanas, em 2011, o grupo jihadista Estado Islâmico (geralmente referido como EI, ISIS ou ISIL) começou a ganhar força na região e expandir seu domínio, com o apoio do partido do ditador Saddam Hussein e de outras milícias jihadistas iraquianas. A própria Al-Qaeda do Iraque se aproximou do grupo e se dissolveu, transferindo seus combatentes para o EI.
Em junho deste ano, Obama ordenou que as tropas retornassem ao Iraque para continuar os bombardeios como forma de conter o avanço do grupo, repetindo a tática utilizada contra a Al-Qaeda.

Paquistão (2004 – presente)

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Os ataques de drones em território paquistanês tem como objetivo combater grupos Talibãs e focos de resistência da Al-Qaeda. Iniciados ainda no governo Bush, eles se intensificaram no governo Obama.
De acordo com a ONG Bureau of Investigative Journalism, já foram empregados 391 ataques de drones no Paquistão. Desdes, 340 ocorrem desde que Obama chegou à presidência.
Até o momento, estima-se que os drones já tenham matado até 3.800 pessoas, sendo que 950 seriam civis, entre eles, 202 crianças.

Somália (2007 – presente)

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Ataques aéreos vem sendo realizados na Somália na tentativa de dispersar grupos extremistas ligados à Al-Qaeda no país.
Os ataques diminuíram desde 2007, mas não cessaram e pequenos bombardeios ainda estão sendo realizados. Como poucos detalhes sobre os ataques são revelados, as informações sobre o número de feridos e os alvos ainda são imprecisas.

Líbia (2011)

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Embora não tenha participado ativamente de todos os bombardeios na Líbia, os Estados Unidos estiveram por trás incentivando e dando suporte às tropas da OTAN e aos militares europeus.
A participação de Obama também se deu através de um ultimato enviado ao ditador Muamar Kaddafi para que o abastecimento de água, combustível e eletricidade fossem re-estabelecidos por todo o país. Além disso, documentos revelados pelo The Wall Street Journal, mostraram que a CIA participou ativamente das buscas por Kaddafi antes de seu assassinato.
Três anos após o fim do conflito, as tensões na Líbia continuam aumentando e o país não mostra sinais de que uma estabilização política esteja próxima. Enquanto isso, a população fica refém de grupos armados que dividem o país e expandem seu poder na base da violência e da intimidação.

Síria (2014)

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Junto com o Bahrein, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar e Jordânia, os Estados Unidos iniciaram uma campanha neste ano na Síria com o objetivo de combater os jihadistas do Estado Islâmico.
Os primeiros ataques ocorreram em setembro deste ano, tendo como alvo a cidade de Raqqa, tomada pelos fundamentalistas.
Em resposta, o EI já decapitou 2 jornalistas (James Foley e Steven Sotloff), além de executarem inúmeros civis frequentemente exibidos em vídeos publicados na internet. Estima-se que desde 2011, os conflitos na Síria já deixaram mais 3 milhões de refugiados e mais de 74 mil civis mortos.
A intervenção de outros países, como os Estados Unidos, porém, pode agravar o quadro de instabilidade na região, seja por erros durante ataques ou por alimentar ainda mais a violência dos grupos extremistas, favorecendo o surgimento de novas milícias de resistência ou de grupos ainda mais fortes, como aconteceu no Iraque após a derrubada de Saddam Hussein

A homofobia de Levy Fidelix doeu tanto quanto o silêncio dos candidatos

O homofóbico


Sanguessugado do Sakamoto

Encontrei no Gilson Sampaio

“Fosse uma eleição decente, com candidatos que realmente estão preocupados com a dignidade das pessoas, todos e todas iriam repudiar veementemente a fala homofóbica de Levy ao final do debate.”

Por Leonardo Sakamoto

Um dos pontos mais baixos da campanha presidencial foi protagonizado por Levy Fidelix (PRTB), na madrugada desta segunda (29), durante o debate dos presidenciáveis organizado pela TV Record.

Questionado por Luciana Genro sobre direitos homoafetivos, ele soltou um rosário de impropérios que fariam corar até os mais fundamentalistas dos parlamentares religiosos. Começou afirmando que “dois iguais não fazem filho'', que “aparelho excretor não reproduz'' e ainda teve tempo para comparar homossexuais a quem pratica o crime de pedofilia. Ao final, conclamou: “Vamos ter coragem! Nós somos maioria! Vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los''.

Algumas considerações:

1) Levy Fidelix era visto por parte da população como um personagem caricato e por parte dos jornalistas como um aproveitador à frente de uma legenda de aluguel. Após esse discurso incitador de violência contra homossexuais, poderia muito bem entrar na categoria de criminoso.

2) Nas redes sociais, parte dos leitores apoiaram Levy Fidelix “por ele ter a coragem de dizer o que pensa''. Isso não é coragem, é idiotice. Se ele pensa aquele pacote de sandices, que guarde para si e não propague isso em uma rede nacional de TV, sendo visto por milhões de pessoas, difundindo e promovendo o ódio contra pessoas.

3) Discordo de quem afirma que é melhor que isso seja dito abertamente para mostrar o que ocorre no subterrâneo da sociedade. Porque isso não está no subterrâneo. Esse esgoto corre a céu aberto, dia a pós dia, dito e repetido exaustivamente, justificando atos de violência. Acham que os indignados com a ceninha feita por Levy no debate são a maioria da população? Sabem de nada, inocentes! A maioria achou graça no que ele falou ou mesmo concordou com ele. Revelar o quê, portanto? O espelho no qual a maioria já se vê diariamente?

4) Fosse uma eleição decente, com candidatos que realmente estão preocupados com a dignidade das pessoas, todos e todas iriam repudiar veementemente a fala homofóbica de Levy ao final do debate. Mas é cada um por si em um grande “vamos usar nosso tempo precioso para tentar angariar alguns votos na fala final''. Ou, pior: “melhor não falar nada para não perder os votos dos malucos que concordam com o que ele disse''.

Pessoas como Levy Fidelix deveriam também ser responsabilizadas por conta de atos bárbaros de homofobia que pipocam aqui e ali – de ataques com lâmpadas fluorescentes na Avenida Paulista a espancamentos no interior do Nordeste.
Pessoas como ele dizem que não incitam a violência. Não é a mão delas que segura a faca ou o revólver, mas é a sobreposicão de seus discursos ao longo do tempo que distorce o mundo e torna o ato de esfaquear, atirar e atacar banais. Ou, melhor dizendo, “necessários'', quase um pedido do céu. São pessoas como ele que alimentam lentamente a intolerância, que depois será consumida pelos malucos que fazem o serviço sujo.

Nessas horas, a gente percebe a falta que faz uma lei contra a homofobia.

domingo, 28 de setembro de 2014

Jornal francês: Marina tem ligações com bandido

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Clique para ampliar.


Outro jornal francês importante, o Charlie Hebdo, que apesar de ser humorístico, também traz artigos de política e denúncias, publicou um texto demolidor sobre a principal adversária de Dilma Rousseff.

A dica é do internauta Denis Oliveira Damasio.

Ontem, divulgamos aqui que a revista L’Humanité Dimanche, que pertence ao jornal do mesmo nome, publicou matéria dizendo que Marina é “cria de Washington para derrubar Dilma Rousseff”, e que ela é a “nova direita”.

Houve gente que chiou dizendo que o L’Humanité é esquerdista.

Ora, claro que é esquerdista, como a maioria dos franceses.

Se fosse um jornal de direita, teria falado bem da Marina.

Mas há poucos dias, mais exatamente no dia 17 de setembro último, um outro jornal, não-esquerdista (ou pelo menos não tão francamente como o L’Humanité), publica um artigo ainda mais contundente contra Marina Silva.

É uma denúncia.

O jornal acusa Marina de ligações com um dos maiores criminosos internacionais do planeta, o senhor Stephan Schmidheiny, o rei do “amianto”.

O Charlie lembra que Schmidheiny, após um julgamento histórico que durou anos, foi condenado a 18 anos de prisão pelo tribunal de Turin, como responsável pela morte de três mil operários italianos expostos ao amianto nas fábricas da sua família.

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Após cumprir parte da pena, Schmidheiny saiu da Europa e refez sua vida na América Latina, onde fundou o grupo Avina, que, por sua vez, começou a patrocinar conferências ambientais.

E aí entra Marina Silva.

Segundo o jornal, a candidata tem feito reuniões frequentes com membros da Avina, em Durban, Santiago do Chile, Quito, etc.

As ligações de Marina Silva com a Avina, de Schmidheiny, já foram denunciadas por sites latino-americanos, como o La Rebellion.  A blogosfera suja também vinha dando essa informação há algum tempo.

Mas a grande imprensa nunca investigou melhor essas informações.

Agora, faltando uma semana para as eleições, e após a denúncia deste jornal francês, é importante que isso fique esclarecido.

Qual a relação de Marina com a Avina?

Marina recebeu dinheiro de Schmidheiny, o assassino de 3 mil operários italianos?

Jornal francês define Marina como instrumento de Washington

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Da redação - Viomundo

O jornal francês L’Humanité, em sua revista dominical, traz um perfil da candidata Marina Silva. Pergunta: Quem é ela de verdade?

Na capa, no entanto, já vem a definição: Eleições no Brasil — Marina Silva criada por Washington para derrubar Dilma Rousseff.

O jornal, fundado em 1904, teve ligações formais com o Partido Comunista Francês e oferece aos leitores uma visão crítica de esquerda.

Até agora, Marina Silva vinha sendo descrita na mídia internacional como a filha de seringueiros que emergiu da floresta para salvar a Amazônia e, portanto, o planeta.

Por isso, a importância da publicação, que claramente coloca Marina no campo para o qual ela se deslocou: a “nova direita brasileira”, na definição do título da reportagem.