LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

EUA querem a todo custo “mudança de regime” no Brasil


The (French) Saker

Para os EUA, tornou-se vitalmente importante impedir que se desenvolvam no Brasil e nos países da América Latina seus aliados, forças políticas suficientes para provocar uma reorganização estratégica global, da qual Washington seria excluída. Traçaremos um rápido paralelo com a aproximação entre China e Rússia, que expusemos em detalhes no artigo “O pesadelo de Washington vai tomando forma: amplia-se a parceria estratégica entre Rússia e China”(em francês), [1]  que publicamos hoje.

Dilma Rousseff                               Marina Silva
23/9/2014, [*] Jean-Paul BaquiastThe French Saker − The Saker


Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Em artigo anterior [De Dilma Rousseff a Marina Silva: o Brasil em vias de reamericanização (em francês)], [2] indicamos que, por trás da candidatura de Marina Silva à presidência do Brasil para as eleições de outubro de 2014, os EUA empregarão todas as suas forças para provocar a queda da atual presidenta, Dilma Rousseff, e para repor o Brasil sob sua influência direta.

No plano imediato, tratar-se-á de impedir que se reforce, sob influência do Brasil e com certeza também da Argentina, uma zona de livre comércio e cooperação chamada UNASUL (Unión de Naciones Suramericanas) semelhante às duas uniões aduaneiras já existentes, a Comunidade das Nações Andinas e o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul, constituído de Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela e cinco membros associados – Chile, Bolívia, Colômbia, Equador e Peru). A UNASUL se oporá de fato a OEA (Organização dos Estados Americanos), que Washington promove com o objetivo de reunir os governos sob sua influência.

No médio prazo, trata-se de enfraquecer a formação dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), privando o grupo do apoio de um Brasil já não colaborativo ou, mesmo, tornado hostil. Já expusemos várias vezes o papel essencial que os BRICS desempenharão para contestar o FMI, o Banco Mundial e, no limite, o dólar. Os BRICS podem funcionar sem o Brasil, mas o Brasil, sob a ação enérgica de Dilma Rousseff será ator maior, representativo de todos os países latino-americano que desejam emancipar-se de Washington, de suas intervenções políticas e econômicas permanentes, e da espionagem eletrônica eterna, da qual Dilma Rousseff declara-se adversária empenhada.


Ora, nessa guerra hoje declarada contra Dilma Rousseff, Washington está empenhando todas suas energias, oficiais e ocultas, para fazer diferença na balança. Trata-se de conseguir eleger uma Marina Silva apoiada pelos meios brasileiros mais retrógrados – notadamente algumas igrejas evangélicas. Mas trata-se, sobretudo, de obter mudança de regime no Brasil, operação na qual Washington é campeão em todo o mundo seja na América Latina, na África e, como agora, também na Eurásia. Para tanto, todos os meios são úteis, especialmente recorrer à CIA e a organizações constituídas ad hoc e que a CIA alimenta com dólares.

Nil Nikandrov, do blog Strategic Culture, oferece comentário detalhado dessas intervenções norte-americanas: “Marina Silva, parte de plano para desestabilizar o Brasil”.

Aquele blog e o autor do artigo esforçam-se para resistir contra a incessante propaganda das grandes empresas de imprensa ditas “ocidentais”, o que em nada reduz, bem o contrário, a pertinência de suas análises.

Os otimistas apostam que o novo plano dos EUA fracassará, como outros, nos últimos tempos, em todo o mundo. Mas nada está decidido, se se leva em conta o muito que significaria, para os EUA, um Brasil novamente dócil.
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Notas
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[*] Jean-Paul Baquiast, (nasceu em 1964) é um historiador e político francês. Vencedor do  Prix de la nouvelle littéraire de l'Office franco-québécois pour la jeunesse em 1989, aluno dos professores Jean Meyer e Jean-Marie Mayeur; PhD em História, em 1995, presidente da Association des amis d'Eugène et Camille Pelletan que ele fundou em 1996 com Georges Touroude; é oficial da Ordre des Palmes Académiques, Baquiast é especialista na História da Idéia, da Cultura e do Republicanismo que o fez produzir uma dezena de livros. Em 2007, em trabalho conjunto com Emmanuel Dupuy lançou a idéia republicana no mundo, que discutiu e convenceu Moncef Marzouki, posteriormente eleito Presidente da República da Tunísia em 12/12/2011 e foi o reformador da Primavera Árabe em seu país. Em 2014 Baquiast produziu seu primeiro romance, vagamente baseado na história de anistia para os communards e o amor de Julieta e Philippe Camille Pelletan:  Les cerisiers de la Commune.
Foi sucessivamente membro da liderança do Parti radical de gauche (PRG), Secretário-Geral do Union des républicains Radicaux (U2R) e membro do Conselho Nacional de La Gauche moderne.

UM COMENTÁRIO:

  1. "Lula despachou José Dirceu para os Estados Unidos e acionou grupos de mídia e banqueiros brasileiros que tinham negócios com a família George W. Bush. Disciplinou as mensagens de sua tropa e abriu um canal reservado com a embaixada americana em Brasília. Lula não fez isso sozinho. Operando junto a ele estava o presidente brasileiro em função - Fernando Henrique Cardoso (FHC). FHC enviou seu ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, em missão à Casa Branca para avalizar o futuro governo petista. O presidente também instruiu seu ministro da Fazenda, Pedro Malan, a construir uma mensagem comum junto ao homem forte de Lula, Antonio Palocci. Eles fizeram uma dobradinha para dialogar com o Tesouro dos Estados Unidos, o Fundo Monetário Internacional e Wall Street. Fernando Henrique ainda orientou Rubens Barbosa, seu embaixador nos Estados Unidos, a prestar todo o apoio a Lula. (...) FHC não agiu por benevolência ou simpatia pessoal por Lula, mas por puro cálculo político. A sobrevivência do real e do programa tucano de reformas sociais dependiam da aceitação, nos mercados internacionais, de um governo brasileiro de esquerda. FHC apelou para os Estados Unidos em nome de Lula porque a economia se encontrava na berlinda, e uma transição instável poderia destroçar seu maior legado: a moeda estável. (...) a iniciativa conjunta de Lula e FHC teve uma consequência inesperada: levou a diplomacia americana a reexaminar seu relacionamento com o Brasil e elevá-lo ao status de 'potência emergente' ainda em 2002, antes mesmo que a economia brasileira deslanchasse ou que a sigla BRIC virasse moeda corrente. (Dirceu, o futuro chefe da Casa Civil) pousou nos EUA em julho de 2002 (...) em apenas quatro dias, teve encontros com bancos, empresas, agências de 'rating', a sociedade civil e o governo americano. Em Nova York, conversou com gente do JP Morgan, Citigroup, Morgan Stanley, Lehman Brothers, ABN Amro, Bear Stearns, Alcoa e Moody's. Em Washington, visitou a central sindical americana AFL-CIO, o Banco Interamericano, o Departamento de Estado, o Tesouro, o Conselho Econômico Nacional e o Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. (Ele se tornou) o primeiro cacique petista na história do partido a abrir caminho nos Estados Unidos. (FHC convidou Dirceu) para uma bateria de encontros privados. Dirceu entrava nos palácios presidenciais pela porta dos fundos ou no meio da noite, para não ser visto pela imprensa. Esses encontros eram ocasiões de conhecimento mútuo. (...) os presidentes mantiveram controle pessoal da iniciativa, colocando homens de confiança no comando e impedindo que seus subordinados se engalfinhassem em conflitos dos quais os chefes poderiam sair perdendo". (Matias Spektor, 18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush, Editora Objetiva, 2014)
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