LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Onde anda a Shakira, para protestar contra massacre no México?

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Onde anda a Shakira?

México deveria ser o exemplo

por Jair de Souza, especial para o Viomundo

Nos primeiros meses deste ano, pudemos constatar através dos grandes meios de comunicação de todo o mundo uma forte campanha de denúncias contra o governo da Venezuela. Este movimento recebeu o significativo nome de “SOS Venezuela”. E a campanha não se limitava aos meios de comunicação.

Em eventos artísticos, como na entrega dos prêmios Oscar, Grammy, artistas da farândula mundial, que sequer sabiam onde se localizava a Venezuela, apareciam dando entrevistas, ou através de suas contas twitter, expressando sua preocupação com a perseguição política posta em prática pelo governo de Nicolás Maduro.

Semelhante preocupação também vinha das chamadas organizações “defensoras dos direitos humanos”, entidades como Human Rigth’s Watch, Anistia International e tantas outras financiadas pelas fundações mantidas por George Soros pelo mundo afora.

O que estava ocorrendo na Venezuela para justificar uma campanha de denúncias de tal magnitude? Bem, é que nas eleições presidenciais recém concluídas, o representante chavista Nicolás Maduro tinha derrotado o candidato da direita unificada Capriles Randonski.

E, em sua inconformidade com a permanência do chavismo no comando do governo, a ala terrorista da oposição direitista decidiu que era hora de “sair” do chavismo fosse como fosse.

A partir desta decisão, puseram em andamento seu plano de “guarimbas”. Ações de terrorismo urbano visando criar pânico e soçobra no país para gerar condições de uma intervenção internacional — leia-se, capitaneada pelos EUA — que, finalmente, depusesse do governo o chavismo e o entregasse aos cidadãos de “bens” — ou seja, aos aliados locais do grande capital multinacional.

Nesse processo guarimbero, foram assassinadas mais de 40 pessoas (em sua amplíssima maioria, gente que simpatizava com o Governo).

Com seu poder de articulação mundial baseado nos interesses de classe, as corporações midiáticas da Venezuela inundaram o planeta com “informações” que atribuíam ao governo as mortes que os grupos terroristas de oposição causavam.

Foi assim que, no mundo inteiro, o que se via, escutava ou lia através dos meios de comunicação eram as “agressões” que as forças de segurança pública venezuelanas desfechavam contra os “pacíficos” manifestantes da oposição. Vocês se lembram disso?

Porém, o centro de meu interesse no momento não é a Venezuela.

Hoje eu quero tratar de um país que, segundo a Veja, a rede Globo, a Band, a CNN, o grupo Clarín da Argentina, assim como a quase totalidade das corporações midiáticas de nossa planeta, deveria ser visto como o modelo a ser seguido por todos os demais países da América Latina: o México.

E por que o México deveria ser um exemplo a seguir? É fácil entender.

Do conjunto dos países latinoamericanos, nenhum aceitou assimilar de modo tão amplo as diretrizes traçadas pelos formuladores geopolíticos dos Estados Unidos, por meio de instituições como o FMI, o Banco Mundial, entre outras.

Assim sendo, o México passou a fazer parte do chamado Tratado Norte-Americano de Livre Comércio  – NAFTA, por sua sigla em inglês –, com o que eliminou-se toda e qualquer barreira para a participação do capital estadunidense na economia mexicana.

Que beleza, não é mesmo? Por fim, gente de inteligência avançada entendeu o que deve ser feito para tirar a América Latina da penúria, bradavam (e bradam) os defensores do neoliberalismo e nossa mídia corporativa.

Se ainda não chegaram a uma situação paradisíaca, devem estar próximos a atingí-la. Com tudo a favor, como não melhorar?

Mas, o que de fato está acontecendo com o México?

Não sei por quê, mas, nos últimos anos, em lugar de trazer o México à tona das notícias para reforçar junto àqueles que seguem defendendo os “arcaicos” pensamentos antineoliberais, nossa mídia corporativa parece ter optado por ignorá-lo. Que pena, não é mesmo?

No entanto, aqueles que decidem encontrar informações sobre o que anda ocorrendo por lá acabam por encontrá-las. E isto não é nada bom para os que apregoam as benesses do neoliberalismo.

A partir de sua adesão ao NAFTA, a economia mexicana entrou num processo de forte deterioro, a miséria e os problemas sociais se multiplicaram de maneira geométrica.

A estatal do petróleo, PEMEX (a PETROBRAS deles) se abriu para o capital multinacional e, depois de quase um século de controle nacional, agora quem dá as cartas na questão do petróleo são as multinacionais do ramo.

A dificuldade de as empresas mexicanas concorrerem com as empresas dos EUA e Canadá levou à quebra um grande número das primeiras, com a consequente elevação do desemprego.

Com a falta de oportunidades de trabalho, aumentou enormemente o número de pessoas que procuram cruzar a fronteira  – apesar da perseguição que sofrem nesta tentativa — em busca de trabalho do outro lado.

Com os problemas do desemprego, da miséria, da falta de autonomia para decidir seu próprio destino, o México se tornou um país inteiramente vulnerável às arremetidas dos carteis do tráfico de drogas.

Podemos dizer, sem medo de cometer um erro, que na atualidade os carteis do tráfico de drogas do México nada têm a invejar de seus congêneres colombianos.

A presença do poder do tráfico de drogas pode ser sentida em quase todas as instituições estatais do México.

A influência exercida por eles se estende aos níveis federal, estadual e municipal. E aqueles que ousam denunciá-los são vítimas de violentas e mortíferas represálias por parte das bandas armadas dos traficantes.

Chegando ao ponto principal de meu atual interesse, temos o recentíssimo episódio de Iguala, no estado de Guerrero  – onde se encontra a conhecida Acapulco. Por aqui  – e por nenhum outro país da América Latina –, a gente não tem recebido muitas notícias pelos grandes meios sobre os acontecimentos de Iguala. O que houve por lá que deveríamos saber?

Em 26 de setembro deste ano, 43 estudantes da Escuela Rural Normal de Ayoztinapa que protestavam contra a vinculação das autoridades municipais com o tráfico de drogas foram sequestrados e desaparecidos até o dia de hoje. Há uma lamentável sensação de que todos eles tenham sido exterminados de modo vil e desumano.

No processo de sua busca, foram descobertas fossas comuns com restos humanos calcinados, o que dificulta sua identificação, referentes a 28 pessoas. Seriam eles dos estudantes sequestrados, ou seriam de outras infelizes vítimas? De todas as maneiras, o panorama é monstruoso e aterrorizante.

Com o pouco interesse do governo do estado de Guerrero e da Presidência da República em dar solução a este crime abominável, os familiares dos estudantes desaparecidos tiveram que ir à luta por sua própria conta para fazer com que o mundo tivesse conhecimento de um crime tão monstruoso como este.

E o que estão dizendo os artistas da farândula mundial que andavam tão preocupados com as ações do governo da Venezuela? O que andam dizendo Shakira, Rihanna, Juanes, Alendro Sanz e tantos outros? Claro que nada, absolutamente nada. É que eles, como artistas, não se metem nessas coisas!

A menos, claro, que se trate de um país que não faz parte do grupo de amigos dos Estados Unidos.

Se um caso como o de Iguala tivesse acontecido na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua, na Argentina, eles já estariam pedindo a entrada de tropas internacionais (entendamos, dos Estados Unidos) para garantir a “defesa dos direitos humanos”.

E por falar em direitos humanos, vocês têm sentido o peso das campanhas de repúdio a este horripilante crime por parte de HRW, Anistia International ou das outras organizações mantidas por George Soros?

E as corporações midiáticas, vocês notam uma forte campanha de denúncia presente na Veja, na Folha, na Globo, na Band, etc., para chamar a atenção do público para tanta monstruosidade cometida por traficantes em conluio com forças políticas no exemplar Estado do México  – o nome oficial é República de los Estados Unidos Mexicanos?

Assim é, o caminho escolhido pelos políticos que dirigem o México é o que nossas corporações midiáticas e seus apoiadores neoliberais gostariam que nós também trilhássemos.
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