LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

domingo, 30 de novembro de 2014

A piada bolivariana da doutrinação de crianças brasileiras pela Venezuela


Por Kiko Nogueira, via DCM

A paranoia anticomunista no Brasil acabou de perpetrar mais uma piada. A vítima e os suspeitos são os de sempre, mas o humor involuntário sobreviveu intacto.
O Ministério Público Federal de Goiás abriu um inquérito para investigar o recrutamento de crianças pelo governo venezuelano para, basicamente, sofrer lavagem cerebral bolivariana.
Segundo a Folha, o procurador Ailton Benedito de Souza pediu para “apurar ações ou omissões ilícitas da União, relativamente às condutas praticadas pelo governo venezuelano, ao levar, desde 2011, crianças e adolescentes brasileiros à Venezuela, com o fim de transmitir conhecimentos relativos à ‘revolução bolivariana’”.
O site do Ministério das Comunas e Movimentos Sociais da Venezuela cita, de fato, o Brasil. Na verdade, é o nome de um bairro no estado de Sucre, a 400 quilômetros de Caracas.
O procurador afirma que se baseou em notícias veiculadas pela imprensa brasileira. “Temos que saber em que condições, quem levou e quem autorizou a ida dessas pessoas até a Venezuela”, disse ao G1.
Ou seja, o MP de Goiás, que não tem nada a ver com o pato, baseou-se não num documento original, mas num boato da imprensa, que depois reverberou a medida.
Ailton Benedito é um iniciado no assunto. Em sua conta no Twitter, repercute coisas como “Ditadura bolivariana na Venezuela acusa líder da oposição de plano para matar Maduro”; editoriais do Estadão; parte da obra de Merval Pereira; tudo sobre a Lava Jato.
A energia que o MP despendeu para ir atrás de um mico dá uma medida do grau de calamidade intelectual causado pelo fantasma do “bolivarianismo”. O país vive, para certas camadas, em plena Guerra Fria. Não interessa esclarecer o que é “bolivariano” ou algo que o valha. Interessa confundir.
E isso é apenas o começo. Nos próximos quatro anos, o bolivarianismo ainda vai dar muita alegria às crianças, jovens e adultos do Brasil.

"PIB: índice isolado e defasado, usado pela mídia para te enganar "

ContrapontoPIG

Dívida Pública Brasileira: a soberania na corda bamba


Reprodução

Documentário reúne opiniões de economistas, sindicalistas e professores sobre o impasse econômico; a versão completa está disponível no Youtube

Encontrei no Jader Resende


Vai Brasil de Fato


A dívida total brasileira no ano de 2013 chegou ao valor aproximado de R$ 4 trilhões; o pagamento de juros e amortizações alcançou R$ 718 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 2 bilhões por dia. Tudo isso representa um desembolso anual de cerca de 40% do orçamento da nação.

Essas e outras questões são temas abordados no documentário “Dívida Pública Brasileira: a soberania na corda bamba”, de Carlos Pronzato. O filme reúne diversas opiniões de economistas, sindicalistas e professores e tem a pretensão de contribuir na conscientização do povo brasileiro sobre o assunto da dívida pública.

“A sociedade brasileira tem vários problemas estruturais que impedem a melhoria das condições de vida do povo, um deles é a chamada Dívida Pública Interna”, João Pedro Stédile, economista e da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). “O tema da taxa de juros e o tema do superávit primário precisa ganhar as ruas para que a população tenha conhecimento”, complementa.

Para pagar apenas os juros da dívida os governos têm cortado repasses para setores de necessidades básicas da população como transporte, saúde e educação. Segundo Eulália Alvarenga, economista e coordenadora do núcleo MG da Auditoria Cidadã da Dívida: “a dívida interessa a todos e é de responsabilidade nossa exigir que seja auditada. Que a gente pague a dívida, mas se for legal e legítima, e que ela não seja uma dívida de espoliação do povo”.

Ditadura

A dívida pública federal começou na época da ditadura militar com o empréstimo de dinheiro dos Estados Unidos a juros flutuantes, que chegou a elevar os juros de 5% para 23%. Mesmo sendo considerada ação criminosa pela Convenção de Viena de 1969, o governo da ditadura aceitou a situação dos juros flutuantes imposta pelos EUA, o que interfere na pauta econômica do país até hoje.

A produção do documentário é feita pelo Instituto Rede Democrática-RJ, Núcleo RJ da Auditoria Cidadã da Dívida Publica e Sindipetro-RJ. A versão completa está disponível no Youtube

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

"Prefiro o possível e o impossível que Dilma fará do que a política de desemprego cruel que Fraga faria". Entrevista especial com Carlos Lessa

Carlos_Lessa
Foto: www.aepet.org.br

“Não vejo nada favorável. O cenário está muito difícil para o Brasil e Dilma vai ter que caminhar no fio da navalha para não se cortar muito. Espero que ela consiga”, avalia o economista.


“Os petistas não devem se surpreender” com a possível nomeação de Joaquim Levy para ocupar o Ministério da Fazenda, porque ele “foi escolhido por Lula e é o número dois do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci”, diz Carlos Lessa à IHU On-Line, ao comentar a reeleição de Dilma e as mudanças na política econômica.

Na avaliação do economista, Levy equivale a Armínio Fraga, com uma diferença: “Ele não será igual ao Fraga — ele pensa como Fraga, mas não irá jogar os salários para baixo, porque Dilma não vai concordar com isso”, justamente porque o que diferencia o governo de Dilma de um possível governo Aécio é a manutenção do valor do salário mínimo.

“A diferença que iria acontecer é que, se Aécio fosse eleito, teríamos uma política de massacre do salário mínimo real, enquanto Dilma vai tentar o possível e o impossível para isso não acontecer. Prefiro o possível e o impossível que ela venha a fazer do que a política de desemprego cruel que Fraga iria fazer. Mas, na cabeça da Dilma, também é necessário reduzir os investimentos públicos, elevar a taxa de juros e fazer uma política muito ortodoxa”, pontua.

Lessa salienta que, embora a política da nova presidência não esteja totalmente articulada, “as peças centrais já vieram: mantém-se o presidente do Banco Central, que já sinalizou a elevação dos juros, chama-se  Levy, que era conhecido como ‘homem da tesoura’ no ministério da Fazenda de Palocci e, obviamente, irá cortar gastos. Cortará com mais facilidade os investimentos públicos do que o consumo público. E acontece que o escândalo da Petrobras está produzindo um fenômeno de queda em dominó. Então, é bastante natural que haja um corte nos investimentos públicos”.

Na entrevista concedida por telefone, o economista também comenta os casos de corrupção envolvendo a Petrobras e enfatiza que já tinha uma “aguda sensação” de que havia corrupção na empresa desde a época da compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. “Pasadena (EUA) foi um negócio de péssima qualidade. A compra de outra refinaria no Japão também foi uma estupidez, não vi justificativa para Pasadena e não vi justificativa para comprarem refinarias fora do país, quando o refil no Brasil estava atrasado. Tinham de ter feito refinarias no Brasil ao invés de comprar Pasadena. Isso para mim é no mínimo uma corrupção ideológica. Mas quando os números vieram, não tive a menor dúvida de que havia roubalheira.”

Outro indício da corrupção, pontua, pode ser evidenciado desde a iniciativa da venezuelana PDVSA de não ficar associada à Petrobras diante dos lucros da refinaria Abreu e Lima. “A refinaria Abreu e Lima, de Pernambuco, teve tanta multiplicação de lucro que a venezuelana PDVSA pulou fora e não quis ficar associada com a Petrobras. Não acho que a administração venezuelana seja um modelo de bom comportamento, mas até eles devem ter ficado assustados com o que viria a acontecer depois”.

Carlos Lessa é formado em Ciências Econômicas pela antiga Universidade do Brasil e doutor em Ciências Humanas pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (Unicamp). Em 2002, foi reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e presidente do BNDES.

Confira a entrevista

IHU On-Line – Qual é o significado econômico e político da reeleição de Dilma?

Carlos Lessa – Essa eleição foi estranha porque as propostas não ficaram absolutamente claras; permaneceram escondidas. Eu vivi boa parte dos meus anos úteis sob um regime autoritário e aprendi a ler nas entrelinhas. Também trabalhei muito com o doutor Ulysses Guimarães e ele me ensinava assim: presta atenção no que não é dito; esquece muito do que é dito. E desde então sou acostumado a fazer isso. Assim, assisti aos debates presidenciais preocupado mais com o que os candidatos não falavam do que com o que falavam e descobri denominadores comuns do que eles não falaram. Nenhum deles falou de crise internacional, de cenário geopolítico mundial, nenhum advertiu que o Brasil estaria caminhando para um cenário desfavorável. Nenhum dos dois disse nada sobre privatização — é interessante, porque esse foi o tema central da eleição Serra x Dilma. Ela não acusou Aécio de ser privatizante e Aécio tampouco a acusou de ser estatizante. Ambos omitiram o tema porque são a favor da privatização. Dilma não podia jogar isso contra Aécio porque ele jogaria contra ela o fato de ter privatizado tanto ou mais que os tucanos. O outro tema retirado de campo — apesar dos escândalos envolvendo a Petrobras — foi a economia do petróleo. É impressionante como não foi dito nada sobre essas questões nos debates.

Para Aécio certamente era necessário expandir a venda de petróleo para o exterior e, para Dilma, essa é a mesma saída imaginada. Inclusive, 48 horas depois das eleições, a presidente da PetrobrasGraça Foster, disse que esperava a cooperação estrangeira para reduzir o esforço financeiro da Petrobras em fazer refinarias e ampliar, por conseguinte, o oxigênio da Petrobras para explorar o pré-sal. O que ela estava fazendo? Abrindo mão do mercado interno brasileiro para o mercado internacional vir para cá e fazer os derivados de petróleo aqui.

Então, “de pato a ganso, há pouco avanço”. Não acho que a proposta implícita do Aécio fosse completamente diferente da proposta implícita da Dilma. Entretanto, ao menos Dilma tem um compromisso fundamental do qual ela não abriria mão: não fazer uma política ativa de redução do poder de compra do salário mínimo; enquanto a primeira coisa que Aécio faria seria isso, usando o Armínio Fraga . Conheço bem Armínio e a primeira coisa que ele faria seria empurrar o juro para cima, paralisar os investimentos públicos e tentar comprimir o salário mínimo porque a tese que eles têm na cabeça hoje é a de que a inflação existente é uma inflação de serviços. Isso é uma maldade.

Vou explicar essa questão: se eu tenho uma renda familiar pequena e ela melhora, a primeira coisa que faço é comer um pouco melhor, mas a segunda coisa que faço é procurar alguns serviços que são necessários, como, por exemplo, ir ao cabeleireiro, comprar produtos, etc. Então, cabeleireiros e manicures prosperam se a renda familiar prospera na base da sociedade. Quando a renda melhora, também se gasta mais com diversão, ou seja, um pedaço importante das rendas das famílias se desdobra em encomendas para prestadores de serviços da sociedade, que são beneficiados pela alta dos salários. O salário mínimo real no Brasil tem um valor de indexador de todos os contratos e serviços dos autônomos. Até o pipoqueiro da esquina calcula o preço da pipoca com base em quantos salários mínimos ele quer receber no final do mês. Isso é interpretado por economistas como Armínio Fraga como inflação de serviços, a qual, para ele, só tem um jeito de combater: abrindo o desemprego.

A diferença que aconteceria é que, se Aécio fosse eleito, teríamos uma política de massacre do salário mínimo real, enquanto Dilma vai tentar o possível e o impossível para isso não acontecer. Prefiro o possível e o impossível que ela venha a fazer do que a política de desemprego cruel que Fraga iria fazer. Mas, na cabeça da Dilma, também é necessário reduzir os investimentos públicos, elevar a taxa de juros e fazer uma política muito ortodoxa.

IHU On-Line – Então, do ponto de vista dos salários, foi melhor a reeleição da presidente?

Carlos Lessa – Para mim foi, tanto que eu votei nela. Votei por essa razão que expliquei, não porque eu espere dela uma administração brilhante. De todo modo, acho que ela não vai aprofundar a recessão, embora seja impossível evitá-la, pois a indústria automobilística e eletroeletrônica não tem mais condições de continuar crescendo, já que as famílias se endividaram. Se elevar o juro, o oxigênio das famílias diminuirá mais ainda. Como a política vai ser de elevar as taxas de juros, a indústria automobilística pode se preparar para períodos mais difíceis. Inclusive, este ano já foi de crescimento menor que o anterior.

IHU On-Line – Como vê a possível nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda? Muitos petistas estão recusando o nome dele e inclusive já publicaram um documento de rejeição.

Carlos Lessa – Os petistas não devem se surpreender, porque o Joaquim Levy foi escolhido por Lula e é o número dois do ex-ministro da Fazenda Antonio PalocciLevy é criação política do PT. A impressão que tenho é de que há uma especulação enorme associada a essa bolsa emocional, porque o Joaquim Levy não resolverá nada. Ele não será igual ao Fraga — ele pensa como o Fraga, mas não irá jogar os salários para baixo, porque Dilma não vai concordar com isso. Ele gostaria de ser o Fraga, com a carta branca que o Aécio daria ao Fraga. Aliás, foi escandaloso Aécio prenomear o Ministro da Fazenda. Na campanha eleitoral, Aécio disse que acabaria com o fator previdenciário, mas, menos de 24 horas depois, Fraga disse que mudanças só seriam acionadas depois de ajustes. O que estou querendo dizer é o seguinte: volto à minha primeira frase, “de pato a ganso, pouco avanço”.

Na verdade, vamos enfrentar um trajeto muito difícil porque o cenário é desfavorável: a China perdeu dinamismo, especialmente aquele que interessava aos países da periferia, onde o Brasil está. A tendência chinesa será achatar o preço das commodities e empurrar para baixo os preços das manufaturas. A estratégia do governo Lula de vender commodities a preços altíssimos não vai mais funcionar. Então, no cenário internacional, a Europa não sabe ainda para onde vai, porque depende do combustível que vem da Rússia e da boa vontade norte-americana. Então, está aí uma queda de braço expressiva. E se os americanos empurrarem os juros para cima — e a tendência deles é essa —, a estratégia da periferia fica mais difícil. Por isso, Dilma vai elevar os juros.

IHU On-Line – Nesse cenário será ainda mais difícil recuperar o crescimento?

Carlos Lessa – Muito difícil. Qualquer empresário minimamente “antenado” percebe isso e vai recuar. A tendência é que o investimento privado fique mais cauteloso.
IHU On-Line – A política econômica de Dilma já está definida? Tende a haver alguma mudança?
Carlos Lessa – A política da nova presidência não está totalmente articulada, mas as peças centrais já vieram: mantém-se o presidente do Banco Central, que já sinalizou a elevação dos juros, chama-se Levy, que era conhecido como “homem da tesoura” no ministério da Fazenda de Palocci e, obviamente, irá cortar gastos. Cortará com mais facilidade os investimentos públicos do que o consumo público. E acontece que o escândalo da Petrobras está produzindo um fenômeno de queda em dominó. Então, é bastante natural que haja um corte nos investimentos públicos.

IHU On-Line – Os cortes de gastos serão apenas de investimentos públicos, ou de políticas sociais? Recentemente economistas assinaram um manifesto  contra políticas de ajuste fiscal que tivessem impacto nas políticas sociais. O senhor assinou o manifesto e como vê essa proposta neste momento?

Carlos Lessa – Conheço esses economistas, mas não assinaria esse manifesto porque me coloquei, desde 2004, numa posição crítica em relação ao que estava sendo feito. Esses economistas que assinaram o manifesto, corretamente pediram para não cortar, mas na ocasião do pico da prosperidade que o Brasil viveu não foram capazes de ajudar a construir salvaguardas e agora estão chorando a falta delas. Junto meu choro com o deles, mas certamente o governo vai cortar e é por isso que Levy foi escolhido para o Ministério da Fazenda. Hoje os jornais anunciam que ele conseguiu carta branca da presidente; duvido que tenha conseguido carta branca total, mas deve ter conseguido muita carta branca.

IHU On-Line – Como vê a escolha do Levy diante do massacre do PT à candidatura de Marina?

Carlos Lessa – Esse é um problema para os falecidos se entenderem. A Marina passou a ser a ser a sacerdotisa da mudança, mas foi apresentada como não política, sendo que a trajetória dela é política: foi deputada, senadora duas vezes, ministra de Estado; é altamente política. E mais: altamente comprometida com a política que foi feita dos anos 2000. Ela foi companheira. É realmente difícil perceber que há uma mudança em relação à Dilma. Elas são muito parecidas. Aliás, Marina disse: “Vou governar com os melhores”, como se tivesse alguém que dissesse que iria governar com os piores. Que mudanças ela iria fazer? Mudanças de comportamento, ou seja, chamar os melhores do PT e os melhores dos tucanos. Não foi isso que ela falou?

IHU On-Line – Sim, foi isso que ela disse, mas, em contrapartida, o PT disse que faria uma política distinta da dela e a criticou por se aliar aos “banqueiros e ao sistema financeiro” e agora surge o nome de Levy, como já surgiu o de Trabuco, dois banqueiros.

Carlos Lessa – Essas são as lealdades “parentais”, quer dizer, a cultura política brasileira converteu, infelizmente, o mandato em patrimônio familiar e o voto em mercadoria. Trata-se de um processo de votação com a presença maculada de dinheiro comprando votos, e há um processo de preservação de mandato por direito hereditário, porque o fato de filhos e sobrinhos serem eleitos é impressionante. E isso é uma indicação clara do grau de corrupção que está por aí.

IHU On-Line – Quais serão as principais dificuldades do próximo ano e a que essas dificuldades estão atreladas considerando que há uma sucessão de governos petistas nos últimos 12 anos?

Carlos Lessa – A primeira grande dificuldade é a situação externa, porque o cenário externo está cada vez pior para o Brasil. A irresponsabilidade de colocar ações da Petrobras na Bolsa de Nova Iorque está chegando numa situação que me angustia muito. Eu quero resolver a crise moral, institucional e econômica da Petrobras. Quero que essa empresa volte a ser o sonho de modernidade do país, quero que o Brasil assuma seu papel na geopolítica internacional a partir da exploração de petróleo do Atlântico Sul. Porém, sei que isso não é objeto de desejo dos irmãos do Norte.

Mas o que os americanos conseguiram com o escândalo da Petrobras? Que fosse transferido para o Ministério da Justiça americano e para a Comissão de valores imobiliários de Wall Street o papel de monitorar a política brasileira. O poder de negociação que agora tem o grande irmão do norte em relação ao governo brasileiro é total. Nunca imaginei que haveria uma transferência da decisão sobre o futuro do Brasil para a Bolsa de Nova Iorque e o Departamento norte-americano. Não vejo nada favorável. O cenário está muito difícil para o Brasil, e Dilma vai ter que caminhar no fio da navalha para não se cortar muito. Espero que ela consiga.

IHU On-Line – O senhor é um defensor da Petrobras. Como está recebendo as notícias de corrupção na estatal, que envolve desde a direção da Petrobras, parlamentares e empresários?

Carlos Lessa – Que havia corrupção na Petrobras eu tinha aguda sensação, porque Pasadena (EUA) foi um negócio de péssima qualidade. A compra de outra refinaria no Japão também foi uma estupidez, não vi justificativa para Pasadena e não vi justificativa para comprarem refinarias fora do país, quando o refil no Brasil estava atrasado. Tinham de ter feito refinarias no Brasil ao invés de comprar Pasadena. Isso para mim é, no mínimo, uma corrupção ideológica. Mas, quando os números vieram, não tive a menor dúvida de que havia roubalheira.

Por outro lado, a refinaria Abreu e Lima, de Pernambuco, teve tanta multiplicação de lucro que a venezuelana PDVSA pulou fora e não quis ficar associada com a Petrobras. Não acho que a administração venezuelana seja um modelo de bom comportamento, mas até eles devem ter ficado assustados com o que viria a acontecer depois. Nas entrelinhas, as ações da Petrobras me davam muita tristeza. Ouvi um presidente da empresa dizer que a coisa mais importante para eles é honrar os acionistas, ou seja, não o povo brasileiro, mas Wall Street, onde está quase 40% do capital da Petrobras.

IHU On-Line – A crise da Petrobras pode gerar uma instabilidade política? Logo após a eleição, alguns grupos pediram o impeachment da presidente.

Carlos Lessa – Toda situação política tem os que exacerbam e essas manifestações são quase patológicas, mas o fato é que há a possibilidade de impeachment se houver muito escândalo. Mas se o escândalo se restringir a senadores e pessoas ligadas a instituições e empresas, como se faz um impeachment? Não sei.

Não posso fazer o tipo de reflexão no sentido de saber se a presidente tinha ou não conhecimento sobre a corrupção da Petrobras. Acho que ela, como ex-ministra de Minas e Energia, tem muita responsabilidade com a crise de suprimentos de energia elétrica no país. Ela foi ministra e tomou as decisões de aumentar as termoelétricas, que são poluentes. Essa foi uma das razões pelas quais entrei em conflito com o governo Lula e por isso fui demitido. Portanto, tem muito da assinatura de Dilma nos erros da política energética brasileira, mas não acho que ela tenha conivência com corrupção. Mas ela tem pouco jogo de cintura, e aí dá para desconfiar.

Espero e invoco a proteção divina para que ela não tenha colocado as mãos nessa trapalhada. Agora, se sujou, vai ser um horror, porque se ela sujou, sujaram também várias figuras relevantes.

Carta à Presidenta Dilma Rousseff


Por Leonardo Boff, em seu blog

Estimada Presidenta Dilma Rousseff,
Nós, participantes do Grupo Emaús abaixo relacionados, queremos parabenizá-la por seu esforço e desempenho durante a árdua campanha eleitoral, bem como pelas conquistas de seu primeiro mandato. Somos um grupo de teólogos/as de várias Igrejas cristãs, sociólogos/as, educadores/as e militantes que nos encontramos regularmente há quatro décadas. Estamos todos comprometidos na construção de um Brasil, social e economicamente mais justo, solidário e sustentável.
A maioria batalhou, desde o início, em favor do PT e de seu projeto de sociedade. Nessas eleições de 2014, muitos de nós expressamos publicamente nosso apoio à sua candidatura. Discutimos e polemizamos, pois, percebíamos o risco de que o projeto popular do PT, representado pela Senhora, não pudesse se reafirmar e consolidar. Para nós cristãos, especialmente nas milhares de comunidades de base, tínhamos e temos a convicção de que a participação política, de cunho democrático, popular e libertador, se apresenta como um instrumento para realizar os bens do Reino de Deus.
Esses valores são a centralidade dos pobres, a conquista da justiça social, a mútua ajuda, a busca incansável da dignidade e dos direitos dos oprimidos, a valorização do trabalhador e da trabalhadora, a justa partilha e o respeito pela Mãe Terra. Por isso, na linha do diálogo que a Senhora propôs à sociedade, queremos apresentar algumas sugestões para que seu governo continue implementando o projeto que tanto beneficia a sociedade brasileira, especialmente os mais vulneráveis.
O BRASIL QUE QUEREMOS
Estas são as grandes opções que, acreditamos, devem estar presentes na construção do Brasil que queremos:
PROMOVER UMA REFORMA DO SISTEMA POLÍTICO. Uma reforma que acabe com o financiamento de campanhas eleitorais e partidos políticos por empresas privadas, e estabeleça o financiamento público. Uma reforma que possibilite a participação dos cidadãos e cidadãs no processo de tomada de decisões:
– sobre a política econômica;
– sobre todo e qualquer projeto que tenha forte impacto social e ambiental;
– sobre a privatização de empresas estatais e de serviços públicos.
Uma reforma que contemple também a democratização do Poder Judiciário, pois ele é, hoje, o menos controlado dos três poderes.

Só assim poderemos dizer que caminhamos para uma democracia política, econômica, social e cultural, num diálogo efetivo entre membros da sociedade política e da sociedade civil, que signifique governo do povo, pelo povo, para o povo.
REFORÇAR UM MODELO ECONÔMICO MAIS SOCIAL E POPULAR. Repensar criteriosamente a privatização de serviços públicos e de nossas riquezas naturais (entre as quais o petróleo). Orientar um modelo econômico centrado nas pessoas, na realização de seus direitos e numa relação harmoniosa com a natureza, no “bem viver” – como condição para enfrentar a grave crise ecológica na qual estamos imersos. Deve ficar claro para todos, assim o desejamos, que o governo Dilma governa todo o País, mas privilegiando os pobres e aqueles que não são capazes se manter por sua própria conta.
REALIZAR UMA AUDITORIA DA DÍVIDA PÚBLICA, externa e interna, conforme exigência de nossa Constituição (Constituição Federal, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, art. 26, 1988).
Precisamos saber a quem deve e quanto deve realmente o Brasil, e de que forma foi feita esta dívida. A única auditoria que o Brasil fez, em 1931, constatou que 60% da dívida eram irregular, legalmente inexistentes. Em 2000, tivemos um Plebiscito Popular sobre a Dívida Externa, do qual participaram 6 milhões de pessoas, e 95% votaram pela realização da auditoria da dívida. O Equador realizou uma auditoria da dívida pública em 2009, e descobriu que 70% da dívida eram irregulares. A partir de então, passou a pagar apenas 30%, o restante foi investido em saúde e educação.

REAVALIAR OS MEGAPROJETOS À LUZ DE CRITÉRIOS ECOLÓGICO-AMBIENTAIS E SOCIAIS para que não ameacem o meio ambiente e o habitat de povos indígenas, quilombolas e populações ribeirinhas. Investir nas energias renováveis, especialmente na energia solar – visto que somos um dos países mais ensolarados do mundo. Estabelecer uma estratégia para o gradual fim da utilização de fontes de energia prejudiciais ao meio ambiente e perigosas à vida, como a energia nuclear e as termelétricas.
PROTEGER O MEIO AMBIENTE: Há anos, cientistas, movimentos sociais, entidades ambientalistas e muitas ONGs vêm advertindo para os sérios problemas climáticos que o Brasil teria se mantiver o tipo de desenvolvimento predatório implementado até agora. O que era uma previsão está ocorrendo diante de nós: a crise mais séria de falta de água de que já ouvimos falar, com riscos evidentes para a população, e a ocorrência de chuvas torrenciais, verdadeiras tempestades, em diferentes lugares do País, que causam destruição e mortes.
A desconsideração para com a Amazônia e o Cerrado, com a continuidade do desmatamento – mesmo que o ritmo do desmatamento tenha diminuído -, é o principal fator para as chuvas desmedidas no Norte e a seca no Sudeste. O Brasil precisa assumir a meta do “desmatamento zero”.
A falta d’água é fruto de vários fatores, entre os quais a desatenção para com as condições de vitalidade dos nossos rios, a realização de megaprojetos, a destruição das matas ciliares, a poluição das águas e a ausência de infraestrutura sanitária e tratamento de esgotos. O Brasil tem uma situação privilegiada no mundo: 13,8% da água doce estão aqui. O maior aquífero, o Alter do Chão, se encontra em nosso País. E, no entanto, vários de nossos rios estão secando, e começa a faltar água em muitos lugares. A segunda maior reserva subterrânea de água doce do mundo, o aquífero Guarani, vem sendo contaminado pela infiltração de agrotóxicos. Vemos como urgente uma política que privilegie uma mudança da nossa matriz energética em direção a energias mais limpas (solar e eólica), com menor impacto ambiental (grandes hidrelétricas) ou agravamento da contaminação ambiental e do aquecimento global (térmicas a carvão, petróleo e gás).
DEFENDER OS DIREITOS DE POVOS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS: Os primeiros habitantes desta terra foram os povos indígenas. Quando os portugueses aqui chegaram, calcula-se que havia cerca de cinco milhões, repartidos em mais de 600 povos, com suas diferentes culturas e línguas. A colonização provocou um verdadeiro genocídio: povos inteiros desapareceram, restando, hoje, menos de um milhão e pessoas. Muitos deles não têm mais terra onde morar – eles que eram os donos milenares destas terras – e estão sendo dizimados, como é o caso dos Guarani-Kaiowá. Outros estão perdendo suas terras e, sobretudo, seus rios, para megaprojetos, para o agronegócio, para mineradoras. O mesmo acontece com comunidades quilombolas.
É urgente garantir os direitos constitucionais desses povos, restabelecer suas condições de vida, fazendo florescer toda a riqueza de sermos um País pluriétnico, pluricultural e plurilinguístico, se é que queremos chamar a nossa sociedade de civilização: uma civilização que não faz respeitar os direitos humanos não tem direito a este nome.
REALIZAR A REFORMA AGRÁRIA. Esta é uma reivindicação dos trabalhadores rurais que data da primeira metade do século XX, e que foi um dos motivos para o golpe militar de 1964. A ditadura impediu a reforma agrária, mas os governos posteriores também não a realizaram.
É uma reforma estrutural necessária para acabar com a concentração da propriedade da terra – onde 1% dos proprietários detém quase metade da terra -, para democratizar o seu acesso, fazendo com que a terra se destine a quem nela queira trabalhar e produzir alimentos para a população. E garantir condições favoráveis para as pessoas poderem se manter no campo.
PROMOVER A REFORMA URBANA, para democratizar o direito à cidade. Que as cidades sejam feitas para as pessoas e não para os automóveis; investir no transporte público de qualidade, priorizar o uso dos trilhos (metrô, trens), reduzir o tempo de deslocamento entre casa e trabalho. No que diz respeito à habitação, conter a especulação imobiliária e garantir que todos tenham condições de morar dignamente, com pleno acesso aos serviços públicos.
RESTRINGIR TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS. Até há alguns anos, havia dúvidas sobre se os transgênicos faziam mal à saúde. Este ano, um manifesto de 815 cientistas de todo o mundo alertou os governos de que os transgênicos representam um perigo e que se deveriam estabelecer uma moratória de cinco anos sem transgênicos, até que pesquisas independentes comprovem que fazem bem ao ser humano. É urgente uma política para reduzir, controlar e acabar com este tipo de plantio que está prejudicando a geração atual, mas prejudicará, ainda mais, as gerações futuras. E pior que isso, permite o controle de nossa agricultura por grandes multinacionais desta área, cujo único interesse são os lucros cada vez maiores, pondo em risco nossa soberania alimentar.
O mesmo se pode dizer sobre o uso de agrotóxicos: nós somos o maior consumidor de agrotóxicos em nível mundial. Nos países desenvolvidos, vários dos agrotóxicos que aqui ainda são usados foram proibidos há mais de 20 anos. Como chamou nossa atenção o cineasta Sílvio Tendler, “o veneno está na mesa”. É absolutamente fundamental estabelecer uma política de estrito controle sobre as substâncias que entram nos nossos alimentos, e reduzir sistematicamente o seu uso.
REFORMA TRIBUTÁRIA. Reformar o nosso sistema tributário para que ele seja progressivo, isto é, para que pague mais quem ganha mais, e pague menos (ou nada) quem ganha menos, o que implica que o imposto sobre a renda tenha mais peso que o imposto sobre o consumo.
Introduzir o imposto sobre as grandes fortunas, de modo a reduzir a enorme desigualdade social que caracteriza nosso País. Aumentar o imposto sobre a propriedade territorial rural, para acabar com o privilégio dos latifundiários. Introduzir a taxação sobre o capital financeiro (bancos e investimentos): “taxa sobre transações financeiras” (a famosa Taxa Tobin). Esta reforma é fundamental para reverter o atual sistema tributário, gerador de desigualdade.

POLÍTICA DE SEGURANÇA PÚBLICA. Precisamos, urgentemente, de uma nova política de segurança pública e de reforma de nosso sistema prisional, para que se torne regenerativo e não apenas punitivo. Estão encarcerados/as, hoje, no Brasil, cerca de 550 mil presos/as. A maior parte destes/as se encontram ali por crimes contra o patrimônio ou por tráfico de drogas, não por crimes letais. No Brasil, ocorrem cerca de 50 mil homicídios dolosos por ano. A maioria das vítimas é jovem, pobre, negra, e do sexo masculino. Este genocídio precisa acabar, e temos meios para isso. Que a segurança pública seja exercida para proteger a vida e os direitos dos cidadãos, e não apenas a propriedade.
DEMOCRATIZAR OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO. É necessária uma legislação que torne a liberdade de informação e de expressão uma realidade para todos os brasileiros (e não apenas para a elite que controla a grande mídia), e que abra o espectro da comunicação, quebrando o atual oligopólio – que favorece unicamente a um pequeno grupo de grandes proprietários, em detrimento dos direitos da maioria.
UNIVERSALIZAR OS DIREITOS HUMANOS, políticos, civis, econômicos, sociais, culturais e ambientais, com respeito à diversidade. Garantir um sistema de saúde pública de qualidade, assim como de educação, transporte, saneamento básico. Que se combata, com todo o rigor, a violência policial, o emprego da tortura contra presos comuns e a situação degradante dos presídios superlotados.
VALORIZAR O TRABALHADOR E A TRABALHADORA: Garantir trabalho para todos/as. Trabalho digno e não precarizado. Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução dos salários, como repartição dos abusivos ganhos de produtividade do capital. Reaparelhamento do aparato fiscalizador do Ministério do Trabalho. Combate à terceirização.
O CONTROLE SOCIAL DA GESTÃO PÚBLICA, para garantir um serviço público voltado para os interesses dos cidadãos. É fundamental que estes possam exercer o controle da atividade parlamentar, assim como o controle dos governos (municipais, estaduais, federal). Reapresentar o projeto de Participação Social. Criar Observatórios de Controle Social (OCS) em todos os municípios brasileiros, formados por representantes da sociedade civil.
A ÉTICA NA POLÍTICA E DA POLÍTICA. O comportamento ético é essencial para a vida do cidadão e, especialmente, para aquele/a que pretende se dedicar ao serviço da sociedade, do bem comum, ao serviço público. Nenhuma política baseada na corrupção levará a uma sociedade justa, democrática, solidária e equitativa. Uma outra política é possível, com punições exemplares e reforma de nossas instituições, de modo a coibir a impunidade.
Aproveitamos para afirmar que nos empenharemos em colaborar, através dos meios de que dispomos, para que essas sugestões se tornem possíveis e façam avançar o projeto de sociedade que todos almejamos.
Desejamos sucesso em sua nova gestão, invocamos sobre a Senhora a lucidez e coragem do Espírito Criador e, sobre seu governo, todas as bênçãos divinas de luz, paz e amor solidário.

Seus irmãos e irmãs
AFONSO MURAD Teólogo, ambientalista e assessor da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB). (MG)
ALESSANDRO MOLON – Advogado e Deputado Federal. (RJ)
ANDRÉA RODRIGUES MARQUES GUIMARÃES – Doutora em Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre MG-4 348 699. (MG)
ANTONIO CECCHIN – Irmão Marista. Advogado. Fundador da Comissão Pastoral da Terra – RS. Militante dos movimentos Sociais, Pioneiro da luta e organização dos catadores no Brasil. Assessor do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável de Porto Alegre. 6000123148 RS. (RS)
BENEDITO FERRARO – Teólogo. Professor de Teologia PUC – Campinas
RG 3568777-0. (SP)

CARLOS MESTERS – Biblista. Membro fundador do Centro de Estudos Bíblicos/CEBI. (MG)
CLÁUDIO DE OLIVEIRA RIBEIRO – Pastor Metodista. Professor Universitário. RG 04794811-1. (SP)
EDSON FERNANDO DE ALMEIDA – Teólogo. Pastor da Igreja Cristã de Ipanema. Coordenador do “Compassio: teologia arejada, pastoral comprometida”.
RG 112625819. (RJ)

EDWARD NEVES MONTEIRO DE BARROS GUIMARÃES – Teólogo. Membro da Sociedade de Teologia e Estudos da Religião (SOTER). Professor de Cultura Religiosa e Filosofia na PUC Minas. Coordenador do Curso de Especialização em Teologia do Centro Loyola. RG M-4 997 414 (MG)
EKKE BINGEMER – Profissional Independente de Administração de Serviços. (RJ)
FRANCISCO DE AQUINO PAULINO JUNIOR – Teólogo. Presbítero da diocese de Limoeiro do Norte – CE. Professor da Faculdade Católica de Fortaleza e Universidade Católica de Pernambuco. Assessor de Pastorais Sociais.
RG: 2008858604-3 (CE)

FREI BETTO – Jornalista. Escritor. Assessor de Movimentos Sociais. RG 14214910 SSP-MG (SP)
FREI SINIVALDO SILVA TAVARES – Teólogo. Professor de Teologia Sistemática na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) e no Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA). M 2327250 SSP/MG (MG)
JETHER RAMALHO – Sociólogo. Membro da Igreja Cristã de Ipanema. Membro fundador do Centro de Estudos Bíblicos/CEBI e do Conselho Editorial do Boletim REDE. (RJ)
JOSE OSCAR BEOZZO – Historiador. Teólogo. Coordenador Geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular – CESEEP (SP). Professor Universitário. RG 2.769.363-6 SSP-SP (SP)
LEONARDO BOFF – Teólogo. Filósofo. Escritor. Membro da Comissão Internacional da Carta da Terra. Autor de Ecologia: grito da Terra, grito dos pobres, Vozes 2014. RG (Genésio Darci Boff): 02 773 327-8 Detran (RJ)
LÚCIA RIBEIRO – Socióloga. Membro do Iser – Assessoria. Membro do Centro Alceu Amoroso Lima. RG 055068274 IFP/RJ. (RJ)
LUCILIA RAMALHO – Vice-Presidente do Centro de Recreação Infantil (CRI) da Igreja Cristã de Ipanema. (RJ)
LUIZ ALBERTO GÓMEZ DE SOUZA – Sociólogo. Diretor do Programa de Estudos Avançados em Ciência e Religião da Universidade Candido Mendes. Membro do Centro Alceu Amoroso Lima. RG 04488154591 IFP/RJ. (RJ)
LUIZ CARLOS SUSIN – Teólogo. Professor do Programa de Pós-Graduação e de Filosofia da PUC/RS na cadeira de Ética Ambiental. Secretário Geral do Fórum Mundial de Teologia e Libertação. Membro do Comitê de Redação da Revista Internacional de Teologia Concilium. RG 1003162623. (RS)
LUIZ EDUARDO W. WANDERLEY – Sociólogo. Professor da PUC-SP. Membro da Diretoria do CEESEP e da Ação Educativa. (SP)
MAGALI CUNHA – Jornalista. Docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo. Editora do Blog Mídia, Religião e Política. RG 05477006-0 (IFP/RJ). (SP)
MANFREDO ARAÚJO DE OLIVEIRA – Filósofo. Professor Titular da Universidade Federal do Ceará. RG 99010318053. (CE)
MARCELO BARROS – Teólogo. Escritor. Coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). RG 4242073 – SSP – GO. (PE).
MARCIA MARIA MONTEIRO DE MIRANDA – Educadora popular. Membro do Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Petrópolis e do Centro Nacional dos Direitos Humanos de Brasília. 11.878.008-9 – Detran. (RJ)
MARIANGELA BELFIORE WANDERLEY – Assistente Social. Docente da PUC/SP. Professora do Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social da PUC-SP. Pesquisadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Movimentos Sociais da PUC-SP Membro do Grupo Nutrição e Pobreza do Instituto de Estudos Avançados – IEA da USP. (SP)
MARIA CLARA LUCCHETTI BINGEMER – Teóloga. Articulista do Jornal do Brasil. Professora da PUC/RJ. Membro do Comitê de Redação da Revista Internacional de Teologia Concilium. (RJ)
MARIA HELENA ARROCHELLAS – Teóloga. Diretora do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade/CAALL. RG 121.534.700-5. (RJ)
MARIA TEREZA BUSTAMANTE TEIXEIRA – Médica sanitarista. Professora Associada da UFJF. Pesquisadora do Instituto Nacional de Câncer lotada na UFJF. Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Coordenadora adjunta do NATES/UFJF. Editora Geral da Revista de APS. (MG)
MARIA TEREZA SARTORIO – Pedagoga. Educadora Popular. Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política. RG MG 18292550. (ES)
OLINTO PEGORARO – Filósofo. Professor Titular de Ética da UERJ. Trabalha com Movimentos Sociais na Comunidade do Borel. (RJ)
ROSEMARY FERNANDES DA COSTA – Educadora. Teóloga. Membro da SOTER. Assessora da CNBB. Professora da PUC Rio, Teresiano CAP/PUC e Secretaria de Educação do RJ. RG 3 750 717-5 – DETRAN – RJ (RJ)
ROSILENY SCHWANTES – Cientista da Religião. Psicóloga. Professora da Universidade Nove de Julho. RG 38 910 786 4. (SP)
TEREZA MARIA POMPEIA CAVALCANTI – Teóloga. Assessora de CEBs. Professora na PUC-RJ. (RJ)
Corrêas (RJ), 09 de novembro de 2014.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Presidenta reitera que abertura ao diálogo será ponto alto de seu novo governo

Temos todos os motivos para aplaudir, nós e todos os segmentos sociais brasileiros  – nem há como não fazê-lo – a disposição manifestada pela presidenta Dilma em encontro com o teólogo Leonardo Boff e com o frade dominicano Frei Betto de “a partir de agora ter como um ponto alto do seu governo um diálogo permanente, orgânico, contínuo, com os movimentos sociais, e com a sociedade em geral”, segundo a declaração da chefe do governo reproduzida por Boff.

Esperamos que a reunião da presidenta da República com os dois religiosos seja o ponto de partida, o primeiro de muitos encontros dela com as entidades e lideranças da sociedade, – como é óbvio numa democracia – particularmente dos que a apoiaram ainda que não exclusivamente como estes.

A campanha e a disputa eleitoral terminaram há exatos 31 dias, no 26 de outubro passado e a partir dali, reeleita, ela é a presidenta de todos os brasileiros. Dos que votaram nela e dos que votaram na oposição. No nosso caso, infelizmente, a oposição recusou a proposta de diálogo da chefe do Estado e preferiu tentar um 3º turno já derrotado.

Presidenta se ocupava muito até agora com gestão de grandes projetos

Na tarde de ontem, no Palácio do Planalto, a presidenta estreou essa sua nova forma de governar recebendo o teólogo e intelectual Leonardo Boff, o frade dominicano e escritor Frei Betto e mais quatro integrantes do grupo Emaús (movimento da Igreja Católica em que Boff atua). Eles lhe entregaram uma carta-manifesto com 16 reivindicações e demandas da sociedade para ela analisar o cumprimento em seu 2º mandato.

Na avaliação deles – Boff falou pelo grupo – após a vitória da presidenta Dilma nas eleições, nas quais havia um “risco” de que o “projeto popular do PT” não continuasse à frente do país, é necessário maior diálogo com a sociedade. Isso foi colocado à chefe do governo que, segundo a análise de Boff, está determinada a promover este diálogo em seu 2º mandato presidencial.

Boff acentuou que a própria presidenta reconheceu a falta de contato com as bases em seu 1º período de governo. “(Dilma) se ocupava muito com a administração dos grandes projetos. Ela disse que a partir de agora será um ponto alto do seu governo um diálogo permanente, orgânico, contínuo, com os movimentos sociais, e com a sociedade em geral”, reproduziu o teólogo.

Ela promete começar já na próxima semana encontros com movimentos sociais

“O Brasil que Queremos”, título do documento-manifesto assinado por 34 integrantes do Movimento Emaús e entregue à presidenta, alinha reivindicações políticas, econômicas, sociais e ambientais.  De acordo com o relato de Boff, a presidenta tomou nota das sugestões levantadas na conversa e foi incisiva: quer discutir mais os detalhes das questões com toda a sociedade.

Ao grupo, no encontro, a presidenta disse: “Eu prefiro escutar críticas, do que apenas escutar as coisas boas que eu faço. Porque aí (com as críticas) eu aprendo”. Boff adiantou que a presidenta quer se encontrar mais sistematicamente com o grupo e pretende, também, começar a receber outras lideranças dos diversos movimentos sociais já a partir da próxima semana.

A presidenta prometeu, também, “estudar o documento”, já que não foi possível discutir detalhadamente todos os seus pontos nessa 1ª reunião de ontem. durante a reunião. “O Brasil que Queremos” pede, dentre outros pontos, um modelo econômico mais social e popular; auditoria da dívida pública; proteção do meio ambiente; utilização cada vez maior de energias renováveis; e defesa do direito dos povos indígenas e quilombolas.

Solicita também a restrição a transgênicos e agrotóxicos; democratização dos meios de comunicação; universalização do respeito aos direitos humanos; instituição de uma nova política de segurança pública; valorização dos trabalhadores; o controle social da gestão pública; ética na política; e a realização das reformas política, urbana, agrária e tributária.

O Emaús em que Boff atua nasceu na França há meio século e tem como principal proposta promover maior solidariedade entre os pobres. Uma das principais formas de ação do movimento é recolher, consertar e reciclar objetos para venda a pessoas carentes por preços simbólicos. O Movimento tem como centro e filosofia de seu trabalho o princípio da “força da partilha” e como lema “Injustiça não é desigualdade, injustiça é não partilhar”.

UM POVO INTEIRO QUE SE LEVANTA




De coração arrepiado, saudando este imenso povo lutador e a cultura que construíram aos longo de gerações, o Alentejo, e o seu povo, vê agora reconhecido o seu cante, é Património Cultural Imaterial da Humanidade, atribuído pelo Comité Internacional da UNESCO. Apesar de agora, todos reconhecerem este feito, não esqueço que houve quem abandonou este processo de candidatura por este ser apoiado desde a primeira hora pelos comunistas. Há quem olhe para estes processos, pensando sempre e apenas nos seus próprios interesses políticos, mas hoje o povo alentejano vingou-se. Levantou bem alto a sua voz, afirmou a sua cultura e projectou o futuro. (vídeo realizado hoje de manhã na Escola Mário Beirão em Beja).

"Nunca vi um alentejano cantar sozinho com egoísmo de fonte. Quando sente voos na garganta, desce ao caminho da solidão do seu monte, e canta em coro com a família do vizinho. Não me parece pois necessária outra razão - ou desejo de arrancar o sol do chão - para explicar a reforma agrária do Alentejo. É apenas uma certa maneira de cantar." por José Gomes Ferreira

Vídeo "Cante Alentejano" publicado pela Câmara Municipal de Serpa

EUA votam na ONU contra o “combate à glorificação do nazismo”

nazidonald

Por Fernando Brito, via Tijolaço
Enquanto se multiplicam os protestos nos Estados Unidos contra a decisão do júri que livrou de julgamento o policial que matou o jovem  negro Michael Brown, que já levou mais de 400 pessoas à cadeia na cidade de  Ferguson, no estado sulista do Missouri, e em outras regiões dos Estados Unidos por protestar a diplomacia -acaba de marcar um “golaço” contra o racismo.
Gol contra, fique claro.
É que na sexta-feira a Assembléia Geral da ONU votou uma declaração “contrária à glorificação do nazismo e outras práticas que contribuem para alimentar formas contemporâneas de racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância”.
O resultado, claro, foi de aprovação esmagadora: 126 votos a favor e três contrários, com 50 abstenções.
Os três votos contrários?
Estados Unidos, Canadá (que sempre o acompanha) e o pequeno arquipélago de Palau, na Oceania, que se declarou “estado associado” aos EUA, embora 99% dos americanos nem saibam da existência daquelas ilhotas paradisíacas, que só viraram notícia por causa de um relatório que a apontou como maior consumidora de maconha per capita do mundo.
Para quem duvidar, está aqui a folha de votação, no site das Nações Unidas.
É bom saber, para quem duvidou da matéria da BBC de que por lá se pagam pensões a acusados de crimes de guerra na Alemanha.
É impressionante como o isolacionismo diplomático dos Estados Unidos só é comparável ao seu intervencionismo bélico.
Um país que deu milhares de vidas ao enfrentar a Alemanha nazista, que é presidido por um negro, que se constituiu com imigrantes do mundo inteiro  e que tem décadas de avanço em reconhecimento dos direitos de orientação sexual votar contra uma resolução destas?
É, nada para desagradar a cada vez mais forte direita interna e que atrapalhe o flerte com os movimentos neonazistas no Leste Europeu (Albânia, Bósnia, Bulgária, Ucrânia, República Checa, Eslovênia e Hungria, entre outros, se abstiveram).
Parece o PSDB com os “pró-ditadura” da Paulista.