LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A pergunta que não quer calar: Cadê o Davi?

Câdê Davi

Mais um jovem, negro e pobre, da periferia de Maceió, desapareceu após uma abordagem policial. Desaparecido a quase três meses, todos se perguntam onde pode estar esse garoto que foi levado pela polícia militar, portanto, sob a custodia do Estado, que evaporou no ar como fumaça.
O jovem Davi da Silva, de apenas 17 anos de idade, desapareceu no dia 25 de agosto, após entrar numa viatura policial no Benedito Bentes, um dos bairros da periferia mais populoso e também um dos mais violentos da capital.
A família procurou Davi nas delegacias e nos hospitais, mas até agora, nenhuma notícia. Angustiados, familiares e vizinhos já realizaram protestos e foram à imprensa denunciar o sumiço.
Algo muito curioso é que a mãe de Davi, Maria José, que apareceu na TV cobrando da polícia uma resposta sobre o que tinha acontecido com seu filho, foi a alguns dias vítima de uma suposta (porém conveniente para a polícia) “bala perdida”, durante um tiroteio no mercado da produção, onde trabalha vendendo coentro. O disparo a atingiu na cabeça, de raspão. O projétil ainda está alojado no rosto, mas ela recebeu alta e está bem.
O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e com a cobertura da imprensa. A Comissão de Direitos Humanos da OAB, também entrou na discussão e agora cobra do governador, que pela constituição é o chefe da polícia militar, uma ação mais enérgica e traga luz aos fatos que hoje se encontram numa treva mais profunda que uma tumba.
Magno Francisco, primo do Davi e coordenador do Movimento Luta de Classes em Alagoas, denunciou práticas criminosas que ocorrem nas periferias contra os pobres. “Hoje quase três meses depois do desaparecimento do Davi, não há nenhuma explicação sobre o caso. Apesar de haver investigação, mas não vemos resultado nenhum. A impunidade faz com que a Polícia Militar, que levou Davi, continue se envolvendo em casos de outros jovens da periferia de Maceió estão sendo assassinados”.
O extermínio de Estado
Casos como o de Davi já viraram rotina da periferia. Quem não se lembra de ajudante de pedreiro Amarildo que foi preso, torturado, morto e depois a PM deu “chá de sumiço” no corpo?
Em Alagoas, desta vez no bairro do Jacintinho, no dia 30 de setembro, três adolescentes, de 13, 14 e 19 anos, foram assassinados dentro de uma casa em construção que a polícia taxou como “boca de fumo”. Sem nenhuma abordagem, diversos disparos foram feitos.
A comunidade reagiu, fechou a avenida principal do bairro e protestou acusando a polícia militar pelos assassinatos. Mesmo sem haver comprovação do envolvimento dos jovens com ilícitos, casos como esses são arquivados, sob essa justificativa sem o indiciamento dos responsáveis.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os policiais brasileiros mataram, entre 2009 e 2013, uma média de 6 pessoas por dia. Apesar desses serem dados oficiais, o número deve ser bastante superior considerando que apenas 11 dos 27 estados do país têm o controle de letalidade policial. Sem falar dos assassinatos que não entram nas estatísticas.
A prisão, a tortura e os “desaparecimentos” são heranças da Ditadura Militar Fascista que dominou o Brasil de 1964 a 1985 e que, com a impunidade, continua presente até hoje. De acordo com o livro “Direito à memória e à verdade”, no período militar, 475 pessoas desapareceram por motivos políticos no Brasil. Militantes que lutavam por liberdade e democracia.
Capitalismo mata
O capitalismo odeia o pobre, o preto e o comunista. Esse ódio das classes dominantes faz com que o Estado não se importe em exterminar pessoas humildes. A lógica do poder econômico elimina vidas de maneira direta ou indireta, como a fome e a falta de saúde. Não há justiça para os pobres, a desigualdade impera.
Para haver justiça, o poder judiciário precisa de juízes eleitos pelo povo o sob o controle desses. Maletas de dinheiro não podem valer mais do que a lei que está no código civil, penal e até mesmo a constituição da república. E essas leis, não podem ser alteradas pela conveniência de um parlamento corrupto.
Mudar a lógica do Estado e colocá-lo uma perspectiva mais humana e socialista é necessário para salvar vidas, para que negros, brancos, homens, mulheres, enfim, todos sejam vistos de forma igual.
Colabore
Todos os serem humanos que defendem a vida e a justiça social podem contribuir para desvendar o que aconteceu com Davi e outros jovens desaparecidos sob custódia da polícia. Compartilhe a imagem do cartaz nas redes sociais, assine a petição online (http://www.change.org/p/secretaria-de-defesa-social-de-alagoas-investigue-e-esclare%C3%A7a-o-desaparecimento-de-davi-da-silva#share) e use a #CadêoDavi para dar mais força a esse caso e quem sabe chamar a atenção das autoridades nacionais para que elas também entrem nessa discussão.
Lembrem-se que poderia ser você ou alguém que você conhece. Pratique a solidariedade, ajude a ecoar a voz de uma mãe que já está rouca de tanto gritar: ONDE ESTÁ MEU FILHO!
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
(Bertold Brecht)
Talvanes Faustino e Redação Alagoas
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