LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Apertem os cintos, o piloto sumiu!

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Por Miguel do Rosário, via O Cafezinho

Pensei que a presidenta tinha amadurecido politicamente, mas acho que me iludi.

Se o governo continuar trocando os pés pelas mãos desse jeito, os próximos quatro anos serão um pesadelo.

A última trapalhada da presidenta, no café da manhã com jornalistas da grande imprensa, ao dizer que consultaria o Ministério Público antes de escolher um ministro, resultou num belíssimo tiro no próprio pé.

Errar é humano.

O que nos intriga são as causas do erro.

Dilma está novamente fazendo o jogo da mídia.

Em seu discurso de posse, falou em “pacto nacional contra a corrupção”.

Ótimo, precisamos mesmo disso. Só que um pacto pressupõe que todos os lados queiram fazer um acordo, e não é o que acontece no Brasil.

Era necessário tocar na corrupção, mas também na questão política, e daí mencionar o monopólio da mídia.

Uma mídia mais plural significa uma mídia mais democrática, capaz de indicar caminhos para se mudar a cultura de corrupção no Brasil.

Ninguém parou para pensar que a cultura de corrupção no Brasil é fruto do status quo?

Do mesmo status quo que fez dos barões da mídia as famílias mais ricas do país?

A mídia nunca ajudou a combater a cultura da corrupção, até porque ela vive da corrupção.

Sem corrupção, o que a mídia vai denunciar?

Sem corrupção, a mídia terá que fazer um debate político sério sobre políticas sociais.

A corrupção enriquece os corruptos mas enfraquece partidos e governos, ou seja, debilita o universo político, que pertence ao coletivo, para fortalecer apenas alguns indivíduos.

E interessa à mídia que os governos e partidos sejam fracos, para que ela possa manipulá-los e chantageá-los.

Por isso a mídia só trata o tema da corrupção com moralismo e sensacionalismo.

Não há um debate calmo e maduro sobre formas de combatê-la. Não se investiga o exemplo de outros países, em como eles conseguiram reduzir as suas taxas de corrupção.

A corrupção também precisa da blindagem da mídia.

A corrupção tucana, por exemplo, sempre contou, até hoje, com a proteção da mídia.

Com o PT no Executivo, criou-se um atrito entre mídia e governo, e este é o ponto saudável desta briga.

O lado não saudável é a distorção do processo democrático. A mídia só denuncia um lado do espectro político, e isso não ajuda a combater a corrupção, e cria um desequilíbrio na formação da opinião pública.

Não existe nada mais idiota, por exemplo, do que achar que se vai combater a corrupção tirando o PT do poder.

Estou lendo com muita atenção o livro da Clauda Wallin sobre a Suécia. A luta contra a corrupção na Suécia se deu ampliando a participação social, aumentando a transparência pública e combatendo a desigualdade econômica.

Interessante notar que estas são as principais armas para se combater a corrupção, segundo as próprias autoridades suecas.

Aqui, a única arma contra a corrupção brandida por autoridades e mídia parece ser a truculência penal.

Recentemente, o procurador geral, num acesso de fúria udenista, disse que os corruptos precisam “conhecer o cárcere”.

Sim, mas e quando o corrupto for o promotor público? O próprio juiz? A própria mídia?

Não adianta, a forma mais eficaz de combater a corrupção é ampliando a transparência e isso implica também na instituição de uma mídia mais plural e, portanto, mais eficiente.

Uma imprensa que, em sua diversidade, investigue tucanos e petistas.

Mesmo sendo um dos países menos corruptos do mundo, os suecos ainda se preocupam em aumentar, cada vez mais, a transparência do Estado e a vigilância.

A Suécia possui uma TV pública com um jornalismo de altíssima qualidade, independente de governos e partidos, que faz denúncias regularmente contra autoridades e empresas.

Por que Dilma não falou na mídia em seu discurso de posse?

Por que não externou um projeto de combater a corrupção através da ampliação da participação social, a qual, por sua vez, poderia ser aprimorada via abertura de canais públicos de TV em cada município.

Uma tv pública para que cada cidade acompanhe os debates e os gastos de sua prefeitura, de sua câmara de vereadores, de seu judiciário e de seu ministério público.

Por que se limitou a fazer um discurso convencional contra a corrupção, aderindo à agenda udenista?

É óbvio.

Ela fez isso porque viu apenas a repercussão que poderia ter na imprensa familiar.

Em junho de 2013, milhões de pessoas saíram as ruas entoando o refrão: “a verdade é dura, a rede globo apoiou a ditadura”.

Quando Dilma fez seu pronunciamento, algumas semanas depois, tentando responder às ruas, não falou na mídia.

Perdeu uma belíssima oportunidade para fazer história.

E não falou porque a mídia “filtrou”, em seus canais, a manifestação das ruas contra a própria mídia.

A mesma coisa agora vale para a sua afirmação, a jornalistas, de que consultaria o procurador geral da república e o ministério público antes de escolher um ministro.

“Eu só quero sim ou não”, disse Dilma.

Por um segundo, um dos meus botões disse a outro: “pode ser uma boa ideia! Dá um drible no Ministério Público, que se tornou uma espécie de quinto poder (o quarto é a mídia). Se houver qualquer denúncia contra o ministro, o MP partilhará a responsabilidade. Afinal, manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

O outro botão, porém, rebateu de pronto: “e você acha que o procurador vai cair nessa? além do mais, isso é entregar, voluntariamente, um poder soberano, fundado no voto popular, em mãos de outro, estamental, baseado numa meritocracia ainda profundamente elitista”.

Dito e feito.

Dilma tomou um carão desnecessário do procurador, da mídia e até mesmo conseguiu ressuscitar, das catacumbas de Miami, Joaquim Barbosa, o justiceiro mascarado!

Era óbvio que uma afirmação dessas só poderia ser feita se combinada antes com o procurador-geral. E, de qualquer forma, é um absurdo.

No mesmo café da manhã com os jornalistas, Dilma ou os jornalistas mencionam a abertura do capital da Caixa.

Dilma responde que isso está em estudo, e pronto, fica por isso mesmo, um fantasma no ar.

Não há o mínimo respeito pela base social que tanto lutou por sua eleição.

Que história é essa de abrir o capital da Caixa?

Custa vir e dar uma explicação mais consistente?

A base social de Dilma não é intolerante. Ao contrário, tem infinita capacidade de compreensão dos dilemas do governo.

Mas precisa de um mínimo de atenção, que as coisas sejam explicadas para ela.

A presidenta, pelo jeito, não tem um conselho político.

E desistiu de constituir um serviço de inteligência, que até países pequenos possuem, como Cuba e Israel, para analisar o passado e a integridade de seus colaboradores.

Quer dizer que se o procurador dissesse apenas “não” para algum ministro, sem acrescentar mais nenhuma informação, a presidenta desistiria de nomeá-lo?

A presunção da inocência foi abolida no Brasil?

Basta um procurador implicar com alguém, que a pessoa perde seus direitos políticos?

Neste caso, Dilma teria que pedir a opinião também da Globo, antes de nomear alguém.

A comunicação oficial, um ponto central em qualquer instituição, mormente um governo numa democracia altamente polarizada quanto a nossa, permanece terceirizada à mídia de oposição.

Ninguém dá entrevistas, não há um porta-voz, o blog do Planalto é insosso.

Sempre que um ministro quer falar à população, vai à Globo.

Alguns se limitam a programa de entrevistas em tv fechada, como Mercadante.

A intenção nem é falar à população, mas apenas a setores da elite.

A TV Brasil continua jogada às traças, aparelhada por um esquerdismo senil, que não se interessa por audiência.

Ao invés de comprar séries de qualidade, que possam competir com novelas da Globo, prefere exibir apenas documentários sonolentos.

Não tem uma curadoria para filmes, da América Latina, da Europa, da Ásia, ou mesmo dos EUA. Prefere reprisar, pela milésima vez, algum filme brasileiro da década de 80. Qualquer filme.

Pior, a TV Brasil não tem uma relação orgânica com as redes sociais. As entrevistas nos programas do Nassif e do Paulo Moreira Leite não são enviadas para os blogs, para que possam ser assistidas via internet.

Aliás, será preciso, em breve, medir a audiência das tvs também nas redes sociais.

O jornalismo da TV Brasil, por sua vez, permanece atrelado a um burocratismo medroso, preguiçoso e borolento.

Para encerrar o post com um pouco de otimismo, o blog do Rovai diz que Ricardo Berzoini deve ser nomeado ministro da Comunicação.

A pasta será fortalecida com a transferência de toda a responsabilidade da publicidade oficial para ela.

Como Berzoini é um quadro político com um pouco de brizolismo nas veias, é uma luz no fim do túnel.

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