LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

sábado, 31 de janeiro de 2015

AS SOMBRAS DE AUSCHWITZ


Por Mauro Santayana, em seu blog

(Hoje em Dia) - O mundo comemorou, ontem, na Polônia, os 70 anos da libertação (foto), por soldados da antiga União Soviética, do campo de extermínio de Auschwitz,  talvez o mais terrível exemplo do exercício da discriminação e do mal, na história humana,  e da máquina de genocídio nazista.

Auschwitz destacou-se, entre os outros e numerosos campos de concentração e de extermínio. 

Não pela perversidade de seus oficiais, dos guardas e dos kappos, prisioneiros que controlavam as barracas em que se amontoavam, às centenas, seres humanos esquálidos e  sub-alimentados, doentes e torturados pelas ameaças, as pancadas, o frio e assombrados pela perda de seus pais, mulheres e filhos, assassinados, muitas vezes, na sua frente,  comuns a outras sucursais do inferno, como Sobibor, Maidanek, Belsen e Treblinka.

Mas, principalmente, por sua escala inimaginável, gigantesca, da qual tomava parte o campo vizinho de Birkenau, e pela organização metódica, planejada, de suas instalações. Elas foram planejadas para o roubo dos pertences, a exploração e a morte de milhares de pessoas por dia, da recepção dos prisioneiros, em sua dantesca estação ferroviária, até sua execução a tiros, por extenuação, espancamento ou em câmaras de gás, com a posterior destruição do corpo em fornos crematórios, em uma especie de matadouro tão bem organizado, que tudo era aproveitado, do ouro das jóias e dos dentes, ao cabelo dos prisioneiros, usado para forrar botas de inverno.

O fato de o presidente Vladimir Putin, líder do país herdeiro da URSS, potência que libertou Auschwitz, e venceu a batalha de Berlim, derrotando a Alemanha Nazista e levando Hitler ao suicídio, não ter sido convidado, é significativo.

Principalmente, quando se leva em consideração, que, na cerimônia, como convidado, esteve presente Petro Poroshenko, presidente da Ucrânia, país de origem de muitos dos guardas que trabalhavam em Auschwitz, e em outros campos, auxiliando prazeirosamente os SS nazistas, na vigilância, tortura e morte de milhares de homens, mulheres e crianças das mais diferentes origens.

Na Ucrânia de hoje, desfilam orgulhosamente neonazistas, e cresceram, vertiginosamente, depois da derrubada do governo que estava no poder anteriormente,  os ataques a judeus, ciganos - dos quais milhares também morreram em Auschwitz - e outras minorias.   

Por mais que os revisionistas e deturpadores da história - extremamente ativos nos últimos tempos -  insistam em equiparar russos e nazistas, a verdade é que quando um criminoso nazista era capturado pelos soviéticos, ele era julgado, e na maioria das vezes, condenado  à morte ou a pesadas penas de prisão, enquanto a maioria dos que foram apanhados pelos norte-americanos e pelos alemães ocidentais, mais tarde, permaneceram impunes, ou se tornaram colaboradores de organizações como a CIA durante a Guerra Fria -  morrendo gordos e velhos, na cama, como não mereciam.

Ódio da direita a Dirceu o transforma em bruxa na fogueira

FOTO: ARQUIVO - REDAÇÃO PRAGMATISMO POLÍTICO


Por Davis Sena Filho, via Palavra Livre

Mais uma vez, e não vai ser a última, que as mídias familiares e essencialmente de mercado voltam a bater no ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, um dos principais militantes históricos do Partido dos Trabalhadores, e, principalmente, um dos articuladores políticos mais influentes do País, antes da chegada da agremiação popular ao poder máximo da República Federativa do Brasil, por intermédio do líder trabalhista, Luiz Inácio Lula da Silva.

Sem sombra de dúvida, a direita de passado escravocrata e que atualmente se articula para evidenciar toda sorte de golpes políticos e jurídicos não se esquece de Dirceu, pois a intenção é dar um caráter maior às "crises" em suas manchetes, pois sabedora que o político ora encarcerado se tornou um símbolo da "corrupção" do PT e do Governo Trabalhista, e, portanto, quando necessário, recorre-se ao seu nome, mesmo se o político não tiver quaisquer envolvimentos com lutas políticas e partidárias, bem como em escândalos que frequentam as capas dos jornais e revistas e as chamadas de televisões e rádios.

A satanização recorrente de José Dirceu se tornou, indelevelmente, um dos mais covardes e perversos linchamentos da história recente da política brasileira. Não existe nada mais sórdido e infame do que as ações e os atos de jornais e revistas como o Globo, a Folha, o Estadão, a Veja e a IstoÉ, além das televisões cujas redações são pautadas por essas publicações, que há muito tempo abandonaram o jornalismo e que hoje se dedicam, pura e somente, a achincalhar e a linchar àqueles que são considerados inimigos dos magnatas bilionáros de todas as mídias cruzadas, que exigem submissão do poder público e que os governantes efetivem suas agendas políticas e econômicas, conforme seus interesses inconfessáveis.

No meio dessa parafernália política capitaneada pelo maior partido de direita deste País, a imprensa de negócios privados, eis que surge novamente o nome de José Dirceu no caso Lava Jato. As Organizações(?) Globo, por intermédio de seus bate-paus, toma a frente da demonização de José Dirceu, o acusa, o julga e o condena mais uma vez, pois só falta os repórteres, blogueiros e colunistas de tal organização(?) assumirem também os papéis de policiais e carcereiros do homem escolhido por eles para fazer o papel eterno de protagonista de escândalos e de malfeitos.

É acinte e infâmia a um cidadão punido e a cumprir sua punição, pois considerado, sem provas, o articulador do "mensalão" do PT, porque o do PSDB, o mais antigo, ainda não chegou às barras dos tribunais, vai completar 11 anos e até hoje nenhum tucano foi preso, porque eles são blindados e por isto intocáveis. Pelo contrário, frequentam as páginas e as telas da imprensa historicamente aliada do PSDB como grandes políticos e homens preparados para tomarem conta dos destinos do Brasil. Fato este que, realmente, só rindo para não se irritar demais, porque a única coisa que sobra para confortar tanta leviandade e aleivosia por parte da imprensa comercial é o deboche.

A verdade é que continuar a bater em José Dirceu é como fazer o cidadão brasileiro lembrar do "mar de lama", dos tempos de Getúlio Vargas e da "república sindicalista", dos idos de João Goulart. Dirceu é a "sombra do medo e da iniquidade", que paira sobre os valores e os princípios da classe média coxinha, que sempre "lembra" de sua figura por intermédio da imprensa de caráter pérfido e insidioso, que transforma a imagem de Dirceu em uma pessoa que veio para destruir o modo de vida de uma classe média de gerações universitárias, mas completamente colonizada, conservadora, consumista, individualista e politicamente analfabeta, pois desconhece a história do Brasil, dos partidos e de suas respectivas correntes ideológicas, bem como os bastidores da política. Uma classe média alienada, impiedosa socialmente, mas que tem o instinto conservador preservado, ao ponto de sentir rancor por detestar ver sua empregada doméstica ou seu porteiro no aeroporto ou em shopping que frequenta. 

E é para ela que a máquina midiática do sistema de capitais se reporta, porque o propósito é ter seu apoio para sua agenda política e econômica, que é a mesma agenda liberal do governo de FHC — o Neoliberal I —, aquele senhor também conhecido pela alcunha de o Príncipe da Privataria, que foi ao FMI três vezes, de joelhos, humilhado, com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes. As elites, especificamente os magnatas bilionários de imprensa, conhecem muito bem os coxinhas, e percebem que apoios aos seus interesses não vão faltar-lhes, afinal o sonho do pequeno burguês é virar burguês e talvez um dia frequentar as patuscadas, papanças e comezainas da Casa Grande. A ascensão social é difícil, sempre o foi, mas a classe média conservadora se dá por satisfeita, até porque sonhar não custa dinheiro e ameniza as dores dos limites impostos pelo bolso.

O resultado das eleições gerou inconformismo à direita partidária e a segmentos empresariais. Por isso, não há trégua ao Governo Trabalhista, como o sistema midiático privado jamais deu trégua a Lula, a Brizola, a Jango e a Getúlio. Trabalhistas no poder para a direita brasileira é sinal de luta política sistemática e desleal. Trabalhistas sempre tiveram votos, mesmo a ter a mídia imperialista como adversária. O espectro conservador compreende que os trabalhistas distribuem renda, riqueza e empregos, além de permitirem o acesso à educação e primarem por uma política externa independente e não alinhada automaticamente aos Estados Unidos e à União Europeia. 

Os programas sociais e projetos nacionais são tudo o que a direita entreguista e antinacional não quer, até porque a burguesia colonizada, americanófila e apátrida se opõe aos interesses do Brasil e não reconhece seu próprio povo como sujeito cívico, e, com efeito, somente serve para ela apenas como mão de obra barata. Sendo assim está enraizado em seu âmago o desprezo pelo Brasil, o que não acontece, por exemplo, com a direita francesa, inglesa e estadunidense. A resumir: a direita brasileira é pária de direitistas estrangeiros, que pelo menos defendem os interesses de seus países. Ponto.

José Dirceu representa um pouco disso tudo, no que diz respeito à direita colocá-lo como foco de situações das quais ele não tem participação. Advogado, apessoado, branco, de classe média, optou por militar na esquerda, liderou manifestações estudantis e teve de ir para as sombras da política, porque senão seria assassinado pelo estado ditatorial. Dirceu, ainda muito jovem e depois de sair do PCB, integrou as Dissidências (DI-SP), que tinham forte afinidade política e ideológica com o grupo de Carlos Marighela, criador da Ação Libertadora Nacional (ALN), e este fato é imperdoável até hoje para os brucutus de direita. Além disso, em 1969, o político foi um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador norte-americano, Charles Burke Elbrick. Uma derrota humilhante para a ditadura, que, indubitavelmente, era muito mais forte, treinada e aparelhada do que estudantes, operários, camponeses, militares e políticos que, porventura, entraram na luta armada. 

José Dirceu foi deportado para o México. Depois foi para Cuba e após a redemocratização, em 1979, o socialista surge como um dos articuladores da esquerda brasileira e, juntamente com o Lula e outros companheiros, funda o PT, coopera para criar a CUT e se torna uma das principais lideranças políticas do partido e do País. Ideológico, Dirceu foi um dos principais interlocutores da esquerda junto à direita para negociar temas e pontos no decorrer da Constituinte de São Paulo, quando confrontou a direita mais poderosa do País. Certamente, Dirceu fez muitos inimigos, como se comprovou posteriormente no caso do "mensalão", o do PT, que é uma das maiores farsas de conotação política orquestrada e levada a cabo pelo oligopólio midiático que viceja à vontade em terras brasileiras, porque é um setor da economia, impressionantemente, ainda não regulamentado.

Contudo, as razões para se efetivar um linchamento persistente a José Dirceu são muitas e variadas. A verdade é que o politico está à mercê dos maus bofes de feitores em postos de mando da imprensa alienígena, a obedecerem ordens de seus patrões bilionários e inquilinos da plutocracia, que tem tanto poder ao ponto de fazer com que juízes e promotores, consumidores de suas notícias mequetrefes e rastaqueras, consideram ter o direito de serem influenciados, o que, irrefragavelmente, é o fim da picada. Juízes e promotores que cooperam para judicializar a política e fazerem de seus ofícios verdadeiros bastiões para a oposição tucana, a mídia hegemônica, que deseja manter, a todo custo, o direito de falar sozinha, porque defende a liberdade de expressão apenas para si e seus aliados, pois de caráter inegavelmente despótico.

Agora vem a Globo, a Globo News e o Globo novamente transformar José Dirceu, que resignadamente está a cumprir sua pena, em bruxa na fogueira. É uma lástima tanta perfídia e infâmia praticada por uma máquina midiática privada e concessionária do poder público, que, ordinariamente e propositalmente, manipula os fatos, distorce as realidades em proveito político próprio e os joga no ventilador. É a cara do Jornal Nacional, dos bilionários irmãos Marinho e de seus lugares-tenentes, William Bonner e Ali kamel, este o executivo principal da megaempresa de comunicação, que determinaram um novo ataque à moral e à cidadania de José Dirceu.

Como todo mundo está careca de saber, Dirceu é advogado e, desde quando saiu do governo e perdeu seu mandato de deputado federal, fundou uma empresa de assessoria e consultoria, a JDA, como tantas que vicejam no Brasil. Todavia, Dirceu é muito conhecido, exerceu postos e cargos de poder, tem conhecimento sobre inúmeras questões, afinal ele foi um político influente e que, evidentemente. adquiriu competências para dar consultas e assessoria a empresários, políticos e a pessoas de vários ramos de atividade profissional e empresarial.

Por seu turno, a mídia de direita e adversária dos políticos que estão no poder, transformam a atividade profissional do advogado José Dirceu em ações ilegais, porque a conotação que se dá às notícias sobre o ex-ministro é negativa e depreciativa, sem sombra de dúvida. Somente beócios e mentecaptos, mesmo os que concordam com a imprensa burguesa, acreditam em tanta vilania política e ilações desprovidas de fundamentos e provas, como fizeram com o "mensalão", somente o do PT, por meio da teoria do domínio do fato, aplicada de forma seletiva e a desrespeitar a tradição e a jurisprudência brasileiras.
  
Segundo nota ao público, a JDA deu consultoria às empresas OAS, UTC e Queiroz Galvão, de acordo com os contratos firmados, que dispõem sobre as atuações dessas empresas na América Latina e na Europa. Além disso, segundo a JDA, os serviços contratados não tem vínculos com as investigações da operação Lava Jato. Além do mais, José Dirceu não ocupava cargo público no período coberto pelos contratos. Para finalizar, a empresa de Dirceu afirmou que ele está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

A intenção dessa imprensa despida de ética jornalística e feroz com aqueles que ela considera inimigos a serem aniquilados com acusações mentirosas, notícias manipuladas e geralmente pinçadas de um contexto mais amplo tem a finalidade de acuar o Governo Trabalhista de Dilma Rousseff e, para isso, a figura de Dirceu é fundamental, porque há muito tempo o sistema midiático triturador de reputações alheias e não regulamentado o transformou em um espantalho de si próprio, jogado ao limbo e preso indeterminadamente ao purgatório midiático.

Uma "prisão" administrada pelos magnatas bilionários de imprensa e seus asseclas, historicamente golpistas e sonegadores de bilhões em impostos devidos à Nação brasileira, até que essa gente considere que José Dirceu seja esquecido e que tenha aprendido a lição por integrar a esquerda e não a direita, como o fez Carlos Lacerda — o Corvo —, golpista-mor, que foi cooptado pelo sistema e, por sua vez, transformou-se em algoz virulento e histérico de Getúlio e Jango, que depois do golpe de estado de 1964 foi escanteado pelos militares e desprezado ao ponto de o Corvo ter de procurar Jango e JK para formalizar a Frente Ampla, uma aliança para enfrentar os militares e, por conseguinte, restabelecer as eleições diretas para presidente da República.

Nada como um dia após o outro, principalmente quando se trata de traidores e golpistas, a exemplo de Lacerda. Os generais, evidentemente, sufocaram quaisquer reações e ficaram 21 anos no poder. Até os dias de hoje o Corvo tem viúvas choronas que vão às ruas pedir "intervenção" (golpe) militar, sendo que as mais choronas são os magnatas bilionários de imprensa oligopolizada. Contudo, as vivandeiras de quartel jamais desistirão e por isso continuam a tentar influenciar a sociedade brasileira e impor suas agendas politicas junto á sociedade civil organizada e suas instituições republicanas, exemplificadas no Congresso, no STF e no Planalto.

Ameaçam, manipulam, mentem, boicotam e sabotam. Transformam simples acontecimentos como uma queda de energia por algumas horas, em horário de pico, em pleno verão de 40 graus, em um escândalo de dimensões interplanetárias, a ter como objetivo não somente combater o Governo Trabalhista, mas, principalmente, cooptar o apoio da população, principalmente da classe média conservadora, que está sempre disposta a aprovar a agenda política dos magnatas bilionários de imprensa, que é defendida também pelos aliados tucanos do PSDB, em todos os plenários. A classe média de direita é a hipocrisia e o cinismo em forma de Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade.

Além de tudo que foi dito, o ódio a José Dirceu, a covardia e o linchamento moral em um tempo de dez anos contra sua pessoa acontecem também por outros motivos, e vou elencá-los, com a ajuda fundamental de Stanley Burburinho:

1 – Foi José Dirceu, quando ministro da Casa Civil (chefe do Gushiken), que deu a ideia de se regular as mídias. Criar uma Ley De Medios, e a Globo não perdoa;

2 – Foi José Dirceu que acabou com a farra da Globo. Antes de Lula, toda a verba de publicidade do governo era dividida somente entre 499 veículos;

3 – E para cada R$1,00 de verba publicitária do governo, a Globo ficava com R$0,80 (80%);

4 – José Dirceu redistribuiu a verba publicitária do governo entre cerca de 9 mil veículos. Antes eram só 499. Agora, Globo só recebe 16% do total;

5 – Foi ideia do José Dirceu criar o Ministério das Cidades que acabou com o poder dos coronéis locais. Oposição e velha mídia não perdoam;

6 – Foi José Dirceu quem acabou com a farra dos livros didáticos que eram publicados pela Editora Abril e Fundação Roberto Marinho;

7 – Foi José Dirceu que articulou e viabilizou a governabilidade do governo Lula;

8 – Foi José Dirceu que barrou Demóstenes de ser o secretário Nacional de Justiça. Demóstenes e Cachoeira se juntaram para ferrar José Dirceu;

9 – Por que José Dirceu sofre perseguição do Ministério Público? Em 2004, foi ideia de José Dirceu de se criar um controle externo sobre o MP;

10 – Por que Peluso não gosta de José Dirceu? Márcio Thomaz Bastos indicou a Lula o nome de Peluso para o STF. José Dirceu barrou. Márcio Thomaz Bastos forçou a barra;

11 – José Dirceu, quando ministro chefe da Casa Civil, fechou as portas do BNDES à mídia: “Dinheiro só para fomentar desenvolvimento, jamais pagar dívidas";

12 – José Dirceu fez o BNDES parar de financiar as privatizações e deixar de ser hospital para empresas privadas falidas;

A dar os trâmites por findos, o que se percebe é que mais uma vez um poderoso sistema de imprensa empresarial volta seus olhos a José Dirceu toda vez que se quer implicar ou "colar" sua figura e personalidade ao PT, ao Governo Trabalhista, à presidenta Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula, a maior liderança da América Latina e uma das principais do mundo, querendo ou não os jornalistas empregados dessas empresas. José Dirceu não é um político comum. Se o fosse, não seria tão perseguido. A verdade é única: o ódio da direita a Dirceu o transforma em bruxa na fogueira. É isso aí. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

ANISTIA: BRASIL TRATA VIOLÊNCIA CONTRA JOVENS NEGROS COMO “PARTE DA PAISAGEM”

Anistia: Brasil trata violência contra jovens negros como “parte da paisagem”

Rogério Jordão - Oito em cada dez jovens mortos no Brasil são negros – a maior parte por armas de fogo. Nos últimos 10 anos, a violência letal contra jovens negros aumentou em 30%. A guerra às drogas acabou virando uma guerra às juventudes das periferias das grandes cidades do país. E a resposta da sociedade brasileira a este massacre é a indiferença. É o que diz nesta entrevista Atila Roque, diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil, que lançou em novembro do ano passado a campanha “Jovem Negro Vivo”, com peças publicitárias e um manifesto online que já conta com 28 mil assinaturas. Confira.
Rogério – A violência contra jovens negros vem aumentando?
Atila — O aumento da letalidade pode ser verificado nas estatísticas dos últimos dez anos. Nesse período a violência letal entre os jovens brancos caiu 32,3% e entre os jovens negros aumentou 32,4%. Ou seja, os homicídios de jovens negros são um dos principais pilares que sustentam o aumento das mortes. O outro pilar é a indiferença com a qual a sociedade e o Estado tratam essas mortes, como se já tivessem passado a fazer parte da paisagem natural de nossas cidades.
Rogério – Como a indiferença se expressa?
Atila — Temos percebido que a sociedade está em negação e trata o alto número de homicídios como se eles fossem parte da paisagem. Isto acontece tanto porque as pessoas que convivem com as mortes já naturalizaram esta situação, como se ter parentes ou amigos assassinados fizesse parte da rotina, e também porque são jovens negros morando na periferia. A maior parte da classe média e alta não está preocupada com o que acontece tão longe de seus olhos. No início de janeiro, para citar apenas um exemplo, vimos o menino Patrick de apenas 11 anos ser morto com tiros de fuzil pela polícia, em circunstâncias que levantam muitas dúvidas sobre a legitimidade dessa morte, que é uma tragédia seja por qualquer ângulo que se olhe. E isso, uma morte de uma criança a tiros de fuzil, não gerou comoção, primeiras páginas ou escândalo. É isso que chamamos de “naturalização”.
Rogério — O site da Anistia diz que há muitos “preconceitos e estereótipos associados a estes jovens (negros)”. O que isso tem a ver com a questão da violência?
Atila — O contexto de guerras às drogas acabou declarando guerra aos jovens da periferia e das favelas, que em sua maioria são negros ou pardos. Desta forma, o estereótipo do bandido, do favelado, reforça estes preconceitos, inclusive institucionais, na segurança pública. Na ocasião do lançamento da campanha, conversamos com alguns jovens e todos sem exceção já haviam sido abordados de forma violenta pela polícia, como se ser negro e morador de favela tornasse todos suspeitos de tráfico de drogas.
Rogério – Quais os objetivos da campanha Jovem Negro Vivo?
Atila — A campanha é uma iniciativa relevante em um contexto de aumento do número de homicídios no Brasil. Nunca se matou tanto no país. Em 2013 foram 56 mil homicídios. O principal grupo vítima dessas mortes são os jovens, em particular negros, muitos deles moradores de favelas e periferias – há uma tendência nos últimos anos de aumento do número de homicídios entre a população jovem negra e diminuição entre a população jovem branca. O perfil de grande parte das vítimas (homem, jovem, negro), aliado a um contexto de preconceito e racismo, contribui para que a sociedade não se mobilize para enfrentar esse problema e exigir um basta para essas mortes. É como estivéssemos dizendo que algumas vidas valem mais do que outras.  É aí que entra a Anistia Internacional. Nesta primeira etapa, a campanha dá visibilidade para estes números e convida a sociedade brasileira a deixar a indiferença para trás e assinar o manifesto “Queremos ver os jovens vivos”.
Rogério — Por que os jovens, e sobretudo os negros, são as principais vítimas de homicídios no Brasil?
Atila- Não há uma única explicação para a alta taxa de homicídios de jovens negros. Há vários fatores que podem contribuir para explicar a alta taxa de homicídios entre os jovens, especialmente os negros, entre elas: A banalização da violência na sociedade brasileira, sendo a violência aceita como forma de resolução dos conflitos (mata-se por muito pouco); a naturalização e a indiferença de parte da sociedade a estas mortes; falta de políticas públicas efetivas para a redução da violência letal; alta disponibilidade de armas de fogo; o racismo e estereótipos negativos associados à negritude e aos jovens negros (por exemplo, jovem negro morador de favela ser sinônimo de traficante ou bandido); alta letalidade da polícia, impunidade – menos de 8% dos homicídios são levados à justiça – o que alimenta um ciclo de violência.
Rogério — Qual o retorno da campanha até agora?
Atila- O lançamento da campanha ocorreu em novembro, mês em que se comemora o Dia da Consciência Negra, em um evento que contou com várias manifestações culturais (como passinho e duelo de barbeiros). Até o momento, já conseguimos cerca de 28 mil assinaturas para o manifesto. Também obtivemos apoios importantes, especialmente entre organizações de direitos humanos e familiares de vítimas da violência. O engajamento dos próprios jovens é muito importante para uma mudança dessa realidade. A campanha também vem tendo bastante visibilidade na mídia e apoio significativo de personalidades públicas, parlamentares e artistas. Mas precisamos muito mais para romper com a barreira de silêncio que prevalece em relação a essas mortes.
Rogério — Apenas entre 5% e 8% dos homicídios no Brasil são levados à Justiça. Por que esse número é tão baixo?
Atila — Em geral, por falhas na investigação, na perícia, na reunião de provas que possam constituir um inquérito policial que, de fato, vire um processo criminal.  Existe também um descaso generalizado de todas as esferas do sistema de justiça que não cobra maior eficiência dos organismos. Enquanto a redução de homicídios não for uma verdadeira prioridade do Estado, em todos os níveis e instâncias, não veremos mudanças significativas nessa realidade.
Rogério — Quais políticas públicas poderiam melhorar este quadro?
Atila — A redução do número de homicídios deve ser uma prioridade. Políticas de inclusão social e oportunidades para estes jovens são essenciais, assim como a reforma da segurança pública, a quebra do paradigma da guerra e da militarização. Também precisamos romper com a inércia em relação à política de guerras às drogas, questionada cada vez mais no mundo inteiro, que tem aumentado a criminalização da juventude pobre e das periferias. É preciso sair da lógica do confronto e investir em inteligência, integrar as polícias, treinar e valorizar os agentes de segurança. Deve-se se lembrar que a polícia no Brasil é uma das que mais mata no mundo, mas também é das que mais morre. Enquanto a segurança pública não for levada a sério, isto não vai mudar.
Rogério — Há exemplos bem sucedidos de políticas públicas que tenham feito baixar os índices de homicídios contra jovens negros?
Atila — Sim. O programa Juventude Viva, do governo federal é uma iniciativa importante, mas que padece da falta recursos e escala. Esperamos que outras políticas nacionais – como o Juventude Viva – e políticas de redução de homicídios de jovens sejam criadas e fortalecidas. Infelizmente ainda não vemos sinais claros de que isso vai acontecer. Recentemente, em entrevista à imprensa, o Ministro da Justiça disse que ainda era cedo para se estabelecer metas de redução de homicídios no Brasil. Cedo? Com taxas de mais de 50 mil homicídios a cada ano ao longo de mais de uma década?
Rogério — Vivemos a era das redes sociais – em breve haverá mais seguidores do facebook no mundo do que a população da China! A existência das redes sociais ajuda o trabalho da Anistia?
Atila — Sim, definitivamente. As redes sociais tem sido muito bem-sucedidas em levar a informação mais rapidamente e sem intermediários ao usuário final. Temos uma grande comunidade no Facebook e no Twitter que funciona também como um fórum de discussão. Para esta campanha produzimos inclusive alguns materiais exclusivos para mídias sociais nesta campanha. Os resultados foram excelentes, com muita gente compartilhando, o que fez a informação circular entre vários grupos.
Rogério — A sociedade brasileira parece mais mobilizada no pós-junho de 2013. Como “ativista” da Anistia, você sente isso de algum modo?
Atila — Temos percebido um maior engajamento, em especial da juventude, que tem estado bem presente nas ruas com demandas de diferentes espécies. Vemos como positivo esse movimento pois cidadania e direitos, em geral, não são dados e precisam ser conquistados. Uma sociedade alerta e mobilizada tem mais chances de conquistar o que deseja.
Texto postado originalmente em:
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/rogerio-jordao/anistia-brasil-trata-violencia-contra-jovens-211537672.html

A locomotiva da nação saiu dos trilhos



Daqui em diante os jornalões, que há um ano tratam a tragédia hídrica paulistana com um desdém quase absoluto, não poderão mais fingir que tudo está normal na metrópole. 

A situação começa a sair do controle.

Nas redes sociais os relatos sobre a falta d'água se multiplicam.

Assim como aumenta indignação pelo fato de o governador Geraldo Alckmin e os diretores da Sabesp, bem como políticos tucanos, além de nada terem feito para diminuir os danos da catástrofe, mentiram com a maior cara de pau para ir bem na eleição do ano passado.

Como, de fato, foram.

Geraldo deu uma lavada nos adversários.


O eleitorado paulista, a crer na votação que ele teve, considera o moço de Pinda um grande estadista.

Afinal, não é isso que praticamente todos os veículos de comunicação dizem, dia após dia, há duas décadas?

Hoje, o que se vê é um governador completamente aturdido, e em consequência, inerte, pela dimensão do problema que criou com a sua incompetência e incúria administrativas.

Suas raras declarações são patéticas, da mesma forma que as dos diretores da Sabesp.

Essa tática, de fingir que tudo está bem, de fugir o quanto pode das raras perguntas incômodas, funcionou a contento para Geraldo e sua turma até agora porque, simplesmente, os problemas que eles ignoravam não tinham nem a dimensão desta tragédia hídrica, nem eram facilmente verificáveis.

Apesar da percepção de que a segurança pública, a saúde, a educação, o funcionamento do metrô, por exemplo, se deterioram no reinado tucano, sempre havia um jeito de distorcer os números para dizer que a realidade não era exatamente do jeito que todos a viam.

Com a cumplicidade de uma falsa imprensa, só preocupada em fustigar o governo trabalhista de Brasília, Geraldo mentiu e iludiu - e convenceu o paulista de que era um líder excepcional.

Se no Brasil houvesse um Judiciário de verdade, e não esse simulacro de poder com que nos acostumamos a conviver, Geraldo e sua turma estariam, neste momento, mais preocupados em arranjar argumentos para sua defesa do que com a sua imagem pública.

Mas como o Brasil é ainda um ensaio mal elaborado de democracia, esse bando que tomou conta do Estado mais rico e poderoso da federação permanece impune, gastando sua energia não para atenuar as graves mazelas sociais da população, mas em arquitetar planos para se perpetuar no poder.

Para o povo resta apenas uma alternativa: se virar do jeito que for possível.

A famosa locomotiva da nação saiu dos trilhos, essa é a dolorosa verdade.

E seu maquinista simplesmente sumiu.

Por que a mídia desprezou um economista cultuado como Roubini em sua visita ao Brasil?

Ele não está dizendo as coisas que a mídia gostaria que dissesse
Ele não está dizendo as coisas que a mídia gostaria que dissesse

Por Paulo Nogueira, via DCM 
Nouriel Roubini é o que existe de mais próximo em celebridade no campo dos economistas.
Em Davos, poucos dias atrás, ele estava sempre cercado de jornalistas. Um vídeo em que ele fala sobre a economia americana com um jornalista da Bloomberg viralizou.
Todo mundo quer saber o que Noubini, iraniano radicado nos Estados Unidos, pensa.
Por fortes razões.
Credita-se a ele ter percebido, em primeiro lugar, o colapso econômico de 2008, do qual até hoje o mundo não se recuperou.
Tudo isto posto, Roubini esteve no Brasil, para uma palestra promovida ontem pelo banco Credite Suisse, e foi desprezado pela imprensa nacional, num momento em que só se fala de economia.
Burrice coletiva?
É sempre uma possibilidade, mas a explicação mais plausível para a mídia ignorar um economista com as credenciais mundialmente reconhecidas como Roubini é a seguinte.
Roubini não está falando as coisas que as empresas jornalísticas gostam de ouvir e transmitir a seu público – ou a suas vítimas, numa linguagem mais franca.
No encontro oferecido pelo Credite Suisse, Roubini disse que vê com “otimismo cauteloso” o governo Dilma neste começo de segundo mandato.
Ora, mas não está tudo errado? O apocalipse não é uma questão de horas, conforme os donos da mídia e seus porta-vozes dizem, repetem, berram?
Roubini rechaçou também comparações entre o caso brasileiro e o venezuelano. Não, disse ele, o Brasil não está se tornando uma república “bolivariana”, na acepção sinistra que a imprensa dá à palavra.
Gênios como Míriam Leitão, Carlos Sardenberg e Rodrigo Constantino – perto dos quais o que é Roubini? – monopolizam os microfones que são negados, no Brasil, a Roubini.
Assim funciona a mídia brasileira.
Você pega uma nulidade como Marco Antônio Villa e tenta transformá-lo em referência em política, economia, história e o que mais for.
Você lhe dá espaço em jornais, revistas, tevês. Basta que ele diga as coisas que diz.
É um entre múltiplos casos.
Roubini não serve – a não ser que preveja o colapso brasileiro. Aí você o verá nas páginas amarelas da Veja, no Roda Viva, nos programas da Globonews.
Do ponto de vista internacional, Roubini tem dito coisas abominadas pela mídia.
Em Davos, ele disse que os Estados Unidos vivem um regime de plutocracia – o governo dos ricos – e não democracia.
Com as doações milionárias a políticos em campanhas, disse Roubini, os ricos americanos acabam influindo decisivamente nas leis.
O povo? O povo que se dane.
Está aí, segundo ele, o principal fator do crescimento da desigualdade nos Estados Unidos.
Ele apoiou a intenção de Obama de taxar mais a plutocracia e diminuir a carga dos demais.
No Brasil, a semelhança é desconcertante. As doações milionárias de empresas dão no que dão.
Para piorar, um ministro do STF, Gilmar Mendes, se julga no direito de segurar um projeto sobre o tema por um ano – sem dar satisfações a ninguém.
“Bolivarianamente”, ele usurpa funções legislativas que não lhe cabem. Gilmar Mendes chegou ao STF mediante um único voto: o de FHC.
Tudo somado, é melhor esquecer que Roubini existe e está no país – pelo menos na ótica torta e viciada da mídia brasileira.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

“Médicos padrão Fifa”: Em São Paulo, mais da metade dos recém-formados em medicina é reprovada na prova do CRM

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“Médicos padrão Fifa.”

Mesmo reprovados na prova, os doutores podem trabalhar (vixe!) amparados em lei.


Cláudia Collucci, via Folha on-line

Mais da metade (55%) dos recém-formados em medicina no Estado de São Paulo foram reprovados na 3ª edição do exame que se tornou obrigatório para quem deseja atuar em território paulista. É o que mostra resultado do “provão” do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), que será divulgado na quinta-feira, dia 29/1.

Dos 2.891 recém-formados, só 45% acertaram mais de 60% do conteúdo da prova – critério mínimo definido pelo Cremesp. Entre as escolas médicas públicas, o índice de reprovação foi de 33%. Entre as particulares, a taxa foi quase o dobro, 65,1%.

O percentual de reprovados no exame de 2014 é bastante semelhante aos dois anos anteriores, quando o exame se tornou obrigatório, o que confirma a persistência de baixa qualidade do ensino médico.

Do total de inscritos, 468 fizeram cursos de medicina em outros Estados brasileiros. Entre os egressos de escolas privadas, o índice de reprovação foi de 78%. Por força de lei, no entanto, o mau desempenho nessa prova não impede o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM).

A prova foi composta por 120 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas de respostas, e abrangeu as principais áreas da medicina, como clínica médica, pediatria, ginecologia e cirurgia médica.

As médias mais baixas foram obtidas em clínica médica (52%), o que demonstra que os futuros médicos continuam saindo das faculdades sem conhecimento suficiente para a solução de problemas frequentes no cotidiano, como atendimento inicial de vítima de acidente de carro ou de tiro, pneumonia, pancreatite ou pedra na vesícula.

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Dilma, Vargas e o zepelim




A Geni de Chico Buarque acostumou-se em ser atacada a pedradas por onde quer que passasse. Até que um dia, com a chegada do zepelim, teve a oportunidade de enfrentar seus agressores, mas preferiu ceder. Talvez com a esperança de apaziguá-los ao fazer sua vontade. Mal foi embora o zepelim, as pedradas vieram em dobro e com fúria ainda maior.

Dilma apanhou da direita durante todo o ano de 2014. Teve dificuldades para aprovar qualquer coisa no Congresso, viu o ministro Gilmar Mendes acusar o bolivarianismo e boa parte de sua base aliada migrar para a candidatura de Aécio Neves (PSDB). Sofreu um massacre midiático escandaloso durante a campanha eleitoral. E, mais que tudo, viu parte da elite econômica que tanto ganhou nos governos petistas segurar investimentos e fazer a bolsa oscilar a cada pesquisa de intenção de voto.

Ganhou as eleições, num clima de mobilização social e com um discurso mais à esquerda. Os comícios do segundo turno mobilizaram uma base social e militante em defesa de mudanças e contra o retrocesso. Dilma, ao invés de apoiar-se nesta base para propor mudanças progressivas, decidiu fazer a vontade dos derrotados e encarnar o retrocesso.

Acreditou que apaziguaria a direita dando-lhe boa parte dos ministérios e entregando a gestão da economia ao Bradesco. Caiu no conto da Geni. A posição da maior parte da mídia contra seu governo permanece intacta e o Congresso Nacional irá extorqui-la a cada votação até o limite. Sem contar a ameaça real de eleger o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) presidente da Câmara na próxima semana, o que tornará sua "governabilidade" ainda mais conservadora.

Deveria ter aprendido com o trágico fim de Getúlio Vargas. Vargas retornou à presidência em 1951 após eleições com grande mobilização popular no ano anterior. Mas diante de um parlamento hostil –como Dilma– optou por desmobilizar as forças que o elegeram e compor um ministério ao agrado das elites mais atrasadas.

A pretensão de apaziguamento fracassou. Carlos Lacerda tramava um golpe por dia, usando a imprensa a seu favor. O parlamento é seu próprio ministério inviabilizaram o programa de governo.

E quando decidiu, em 1953, romper o cerco com medidas populares –criação da Petrobras e Eletrobras, limitação da remessa de lucros e aumento de 100% no salário mínimo– já não podia mais contar com sua base de apoio, desmobilizada por ele próprio. Atacado por todos os lados, restou-lhe o suicídio em 24 de agosto de 1954.

O que esteve em questão, tanto em 1950 quanto em 2014, foi a atuação de uma elite que não tolera concessões e quer sempre mais. Não aceita regulamentar seus privilégios, mesmo que os mantenha. Não aceita mobilidade social, mesmo permanecendo no topo. Não aceita que alguém governe por ela, mesmo que em nome de seus interesses. A denúncia lacerdista do "mar de lama" é sua política, ontem e hoje. O monopólio da mídia e a chantagem parlamentar são seus instrumentos.

Pontuemos bem os fatos. Dilma não deu uma guinada da esquerda para a direita. Os governos petistas, de Lula a Dilma, nunca foram propriamente de esquerda. "Menas", disse ela na campanha quando confrontada com palavras de ordem socialistas de seus apoiadores. Em momento algum dos últimos doze anos foram pautadas as reformas necessárias para combater as desigualdades estruturais da sociedade brasileira.

Mas mesmo uma tímida política social e algumas pitadas de desenvolvimentismo na economia são inaceitáveis para esta elite financeira e seus aliados. Querem mais. Querem neoliberalismo puro sangue, aumento da taxa Selic todo mês e superavits estratosféricos para pagar os credores da dívida, diga-se de passagem, eles próprios.

Querem um plano para privatizar a Caixa Econômica Federal e reduzir direitos trabalhistas. Querem também um ajuste fiscal rigoroso que corte investimentos sociais.

Em três meses pós-eleições, Dilma fez ou anunciou tudo isso. Se pretendeu com isso buscar um ponto de Arquimedes e ganhar segurança para alavancar futuros avanços políticos, faltou-lhe a memória da tragédia de Vargas. A elite brasileira vai querer sempre mais. Sempre haverá um novo direito a atacar, um novo corte a fazer e 0,5% de juros a aumentar. Sempre haverá um Eduardo Cunha e ameaças de CPIs como chantagem.

O cerco permanecerá firme e forte, insaciável. Na história política brasileira, um passo atrás não costuma ser seguido de dois à frente, mas sim de novos recuos. Que o diga Geni com suas pedradas.