LULA PRESO POLÍTICO

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

O dia que a ditadura matou a Panair



Por Pedro Porfírio, em seu blog

No dia 10 de fevereiro de 1965, a ditadura militar cassou arbitrariamente a concessão da Panair, então a maior companhia aérea do Brasil, abrindo o caminho para a decretação da sua falência e sua dilapidação.

Para quem se empenhou de corpo e alma contra a destruição da VARIG, como eu, muito mais por sua corporação altamente preparada, lembrar a ignomínia que a ditadura militar perpetrou contra a Panair do Brasil, há exatos 50 anos, é mais do que um dever perante a história – é uma chamada à reflexão de todos os brasileiros, particularmente os profissionais da nossa aviação comercial sucateada.

Há que se registrar, a bem da verdade histórica, que são bem distintas as razões que levaram ao fim da concessão da Panair, em 1965,  então líder da aviação brasileira. Nesse gravíssimo crime de tantos outros daqueles idos abomináveis, foi o governo ditatorial que paralisou suas atividades por deliberada e ostensiva perseguição política. Isso por abuso típico de um regime que ainda tem imprudentes nostálgicos entre nós.

Seus principais acionistas e executivos faziam parte de um grupo de empresários progressistas, que atuavam em várias áreas, como a exportação de café, e à frente da mais charmosa estação de tv do país, a Excelsior, igualmente retirada do ar pela ditadura militar com as mesmas motivações.

A Panair era muito querida dos brasileiros pela qualidade dos serviços e uma identificação íntima com a nossa alma, mas a ditadura queria atingir seus executivos Celso da Rocha Miranda, Mario Wallace Simonsen e Paulo Sampaio. Por que entre todas que operavam em 1965, quando foi fechada "manu militari", era a que tinha melhor condição econômica e um grande prestígio internacional.

 No seu auge, na era dos modernos Constellation, dos Caravelle e dos jatos DC-8, ficou famoso o chamado “Padrão Panair”, visto como excelência em aviação, incluindo o atendimento a passageiros com talheres de prata e copos de cristais, no que foi seguida também pela VARIG, aliás, a grande beneficiária de sua desativação, juntamente com a Cruzeiro do Sul, esta sob a direção de Bento Ribeiro Dantas, um aliado incondicional da ditadura.

A companhia aérea foi ainda celebrada em canções, como a interpretada por Elis Regina em "Conversando no Bar" (Saudade dos Aviões da Panair), sucesso de Milton Nascimento e Fernando Brant (“A primeira Coca-Cola, foi, me lembro bem agora, nas asas da Panair...”). Ela também serviu de inspiração para o poema “Leilão do ar”, de Carlos Drummond de Andrade.

A Panair foi cassada pela ditadura e a aviação brasileira só não foi a pique então pelo elevado padrão de profissionalismo dos aeronautas e aeroviários, aos quais coube dar continuidade às suas linhas através da VARIG e da Cruzeiro do Sul, enquanto muitos dos seus colegas eram literalmente exilados em busca de outros ares. Mas estas também tiveram destinos trágicos, por motivos diferentes: no caso da VARIG, devido à incúria da Fundação Rubem Berta, formada por um grupo de funcionários, que a administrava de forma perdulária, e a própria crise mundial das aéreas desde o 11 de setembro de 2001. 

Mas nem por isso, embora não tivesse responsabilidade direta na sua falência, o governo Lula podia ter se omitido, até por que as associações de seus empregados tinham elaborado um plano que a manteria no ar com o mesmo padrão de segurança e conforto. Mas essa é outra história.

CLIQUE NA FOTO E VEJA O DOCUMENTÁRIO SOBRE A PANAIR
Se você tiver um tempinho, para entender o que de mais grave em matéria de perseguição política afetou a aviação comercial brasileira, vale a pena ver o documentário “Panair: uma história de amor com o Brasil”,do diretor e produtor Marco Altberg, acalentado durante 11 anos com a sua mulher, Maíza Figueira de Mello, neta de Celso da Rocha Miranda, o maior acionista da companhia quando foi fechada e dilapidada pelos militares.


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Leia também: 
Comissão da Verdade confirma que  Panair foi fechada por motivos políticos

Sem rodeios, a CNV confirma que a empresa — líder em seu setor entre as décadas de 1940 e 1960 — foi liquidada por motivos políticos e não financeiros, e que esse processo contou com a participação de agentes da União e instituições como o SNI (Serviço Nacional de Informações), beneficiando concorrentes.

“Alguns empresários não compactuaram com a conspiração e o golpe, defenderam a Constituição e foram perseguidos e punidos pelo regime ditatorial”, destaca o texto do relatório. “Um caso exemplar foi o de Mario Wallace Simonsen e Celso da Rocha Miranda, que juntos detinham o controle acionário da Panair do Brasil, a segunda maior empresa privada do país”. Mais adiante, a CNV aponta: “O estrangulamento econômico sofrido por Mario Wallace Simonsen e Celso da Rocha Miranda, mediante bem-urdidos Atos de Estado, é comprovado”.

Se Dilma não reagir, haverá movimento pró-Temer


Por Luis Nassif, via GGN
No Brasil, o impasse atual não mostra luz no fim do túnel - o que é normal nas fases de transição. Mantendo-se o vácuo, a luz surgirá em algum momento sob diversas formas.
Em outros momentos, esse impasse político era resolvido com a entrada no jogo de uma terceira força, os militares. No quadro atual de dispersão de poder não existe mais a terceira via. O racha política produz paralisia, preservando a democracia mas prolongando o impasse.
O desenho de cenário futuro dar-se-á em cima dos seguintes protagonistas:
1. O governo Dilma
Aparentemente, Dilma abdicou de governar. Na quinta-feira, seu Ministro da Fazenda Joaquim Levy bateu duramente na política de desoneração da folha, filha direta de Dilma. Lula saiu a campo para acalmar o PMDB criticando sua exclusão do núcleo estratégico do Palácio, decisão de Dilma. Dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) romperam o silêncio para criticar a demora de Dilma em preencher a vaga do tribunal. O que se tem é uma presidente aturdida, na véspera de um conjunto de episódios políticos relevantes - a lista dos políticos da Lava Jato e as manifestações pelo seu impeachment.
Se nas próximas semanas o governo não mostrar sinais de vida, o vácuo político tornar-se-á irreversível.
2. A oposição do PSDB
Por outro lado, a oposição no PSDB não conseguiu se apresentar como uma alternativa minimamente viável de poder. Com sua imaginação luxuriante, ego de pessoa madura e senso estratégico campeão, Fernando Henrique Cardoso e companhia emularam os movimentos golpistas dos anos 60 sem Lacerda e sem Forças Armadas. Radicalizaram tanto o discurso que se inviabilizaram politicamente como alternativa de poder. A mera possibilidade de ascender ao poder produziria quase uma guerra civil no país.
O PSDB virou o irmão siamês do PT quando aceitou tornar-se um mero instrumento do acerto de contas de FHC com a história. Se o PT sai do poder, acaba a razão de ser do PSDB.
Hoje em dia, a cara do PSDB é a mesma: não há diferença de estatura entre um Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves e José Serra, de um lado, e os Carlos Sampaio, Aloyzio Nunes, Alberto Goldmann do outro. São todos do mesmo tamanho do Roberto Freire.
3. O fator Lula
Não se espere de Lula 2015 o mesmo dinamismo de Lula 2008. São visíveis os sinais de cansaço de Lula, em parte pelo stress de quem, perto dos 70, ambicionava um mínimo de tranquilidade; em parte pelo desânimo de enfrentar o desafio quase impossível de aconselhar Dilma.
4. Os mediadores
É nesses momentos que aparecem as oportunidades para os mediadores. E o partido mediador por excelência é o PMDB, através do vice-presidente Michel Temer. O vice-presidente tem a senhoridade, o trânsito em todas as áreas, o conhecimento do mundo político e jurídico. Não seria uma aventura como Aécio Neves, nem um mergulho nas trevas como José Serra.
Se Dilma acordar nas próximas semanas, ainda tem condições de recuperar o protagonismo político. Caso contrário, o movimento pró-Temer poderá se tornar invencível, vindo juntos Eduardo Cunha, Renan Calheiros, os herdeiros de José Sarney.

Ricardo Semler: “A corrupção não é um problema público, é um problema privado enorme”


Em entrevista, empresário tucano reafirma sua percepção de que “nunca se roubou tão pouco” no Brasil e estende a responsabilidade do problema para o setor privado. “Eu quero ver alguém vender pra uma grande montadora no Brasil sem dar propina para um diretor de compras”, questionou

Por Redação, via Portal Forum

“A corrupção é muito mais endêmica do que parece, não é um problema ‘só’ brasileiro. E não é um problema público, é um problema privado enorme”.
A declaração é de Ricardo Semler, empresário filiado ao PSDB, em entrevista concedida ao programa Diálogos com Mário Sérgio Conti, exibida na noite desta quinta-feira (26) na Globo News. Em novembro de 2014, Semler já havia ido na contramão da cobertura noticiosa da mídia tradicional quando, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo, afirmou que “nunca se roubou tão pouco no Brasil”, fazendo alusão a uma “santa hipocrisia” da elite em relação às denúncias na Petrobras. Agora, voltou à carga analisando a questão da corrupção no país e no mundo.

Na entrevista, Semler falou a respeito da percepção que as pessoas em geral têm, de que a corrupção no Brasil alcança índices escandalosos, fazendo um paralelo com a visão sobre a violência. “Nunca se matou tão pouco. Se voltar pra Guerra Civil espanhola, [com] Franco são 21 milhões de pessoas; Segunda Guerra Mundial, Primeira Guerra Mundial, Guerra dos 30 Anos, Guerra dos Cem Anos… Nunca morreu tão pouca gente. No entanto, esse ‘atacado’ das grandes guerras está no ‘varejo’”, explica. “E a internet, a facilidade de comunicação, faz com que tudo fique óbvio e conhecido por todo o mundo”, pontua, fazendo a comparação: “Com a corrupção é a mesma coisa, ela era no ‘atacado’. Quando eu listasse pra você o xá do Irã, Idi Amin Dada, estou falando de 10, 15, 20 bilhões de dólares pra cada pessoa. Não estou defendendo, mas o que quero dizer é que agora estamos em um momento em que aparece muito [a corrupção] e que veio pro varejo, o que é um grande problema.”

O empresário tenta dimensionar o problema da corrupção, afirmando não só que não se trata de um problema tipicamente brasileiro, como também não é novo. “Há 20 anos roubava-se um percentual sobre todos os barris de petróleo que vinham para o Brasil. Se fizesse uma investigação hoje, queria saber com as empreiteiras como foi a construção de Itaipu, Transamazônica, Brasília… Os números hoje são pequenos, mas não são defensáveis”, afirma, criticando a postura do PT no governo em seguida. “O PT enfiou os pés pelas mãos ao achar que precisava jogar o jogo do Brasil do jeito que se joga porque senão não tinha chance. É uma pena, porque o PT era a última esperança de vir alguém e dizer ‘não vou jogar desse jeito’. Mas não quer dizer que o roubo está aumentando, ele está no varejo, está na internet e então aparece ‘pra burro’.”
Embora o foco da mídia de uma forma geral seja a ação de agentes públicos, Semler afirma que a corrupção é algo comum também no âmbito privado. “Quem olhar a iniciativa privada, porque se diz ‘isso é uma coisa pública, esses políticos, Brasília…’. Eu quero ver alguém vender pra uma grande montadora no Brasil sem dar propina para um diretor de compras, que é de uma empresa multinacional alemã, americana…. Não vende pra muitas delas. Propina pro comprador, negócio privado. Pra grandes redes de supermercado, vai lá e pede pra botar seu produto na gôndola mais perto. Vender prótese para hospital particular, os grandes nomes do Brasil, não vende sem corrupção”, diz.
A circunscrição do problema também estaria equivocada já que, segundo o empresário, trata-se de um fenômeno global que atinge países como China, Rússia e Estados Unidos, ainda que de formas distintas. “No tempo Bush, Dick Cheney, Halliburton, 800 bilhões de dólares em armamentos comprados dos amigos… Agora, eles [EUA] estão no atacado, então você vai pra Miami, dirige, e o guarda de trânsito não te pede nada. Porque [a corrupção] é lá em cima, na hora que o cara vende armamento pra um país inteiro pra destruir o Afeganistão.”

De acordo com Semler, a corrupção estaria relacionada com a desigualdade e a submissão das pessoas em relação ao poder do dinheiro. “Quando se pensa um pouco, de onde vem a corrupção? Do desejo de ter o dinheiro que é necessário para a pirâmide social. Hoje, se eu conseguisse convidar as 85 pessoas certas para um coquetel lá em casa, os 85 mais ricos do mundo, eu teria gente que tem mais patrimônio que 2,2 bilhões de pessoas no planeta. Há uma coisa profundamente errada nisso”, pondera. “Achamos que moramos em um mundo cada vez democrático, mas a verdade é que a gente vive em uma monarquia e somos todos súditos do ‘King Cash’, o ‘Rei Grana’. Agora, dinheiro é tudo, e se dinheiro é tudo, a corrupção tende a aumentar de forma capilar, no varejo. Por isso que digo que o valor que se rouba tenho certeza que é menor, mas tem muito mais gente interessada no seu quinhão desta corrupção.”
Para Semler, este cenário só teria chance de ser alterado caso haja uma mudança na educação, que ainda é baseada em um modelo fordista segundo sua avaliação. “A resposta, pra mim, está no jardim de infância, infelizmente demora um pouco. O fato é que nós estamos em um sistema educacional – que estamos tentando melhorar, mas ele é ruim em qualquer lugar do mundo – baseado numa linha de montagem do Henry Ford em 1908 que diz ‘preciso passar um milhão de pessoas pela escola e fornecer para a indústria’”, argumenta. “Mas aquele emprego já acabou. Nós só tínhamos a cabeça pra manter a informação, hoje toda a informação está disponível em trinta segundos no Google, o que estamos fazendo treinando a cabeça das pessoas? Está na hora de, no jardim de infância, a gente parar pra pensar no que está certo, no que está errado, quais são as questões fundamentais de vida em sociedade, cidadania etc. É isso que vai resolver o problema da corrupção logo, logo, em trinta, quarenta, cinquenta anos. Não vai ser em dois meses.”
Foto: Reprodução

Grécia: Presidente do Parlamento anuncia auditoria da dívida

A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou. Foto left.gr
A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou. Foto left.gr



Serão formadas três comissões: além da auditoria, serão investigadas as responsabilidades pela assinatura do primeiro resgate, e também o pedido de reparação à Alemanha pela Segunda Guerra Mundial.



A presidente do Parlamento da Grécia, Zoe Konstantopoulou, anunciou a constituição de uma comissão de auditoria da dívida grega. Para Zoe Konstantopoulou, a auditoria será “uma ferramenta que permitirá reparar uma grande injustiça cometida para com o povo grego”.
Além dessa comissão de auditoria, o Parlamento deverá constituir outras duas comissões: uma para investigar a situação que deu origem ao primeiro plano de resgate à Grécia de maio de 2010; e outra para examinar os pedidos de reparação à Alemanha pela Segunda Guerra Mundial.
O anúncio foi feito depois de um encontro entre a presidente do Parlamento e o seu homólogo cipriota, Yiannakis Omirou, em que Zoe Konstantopoulou afirmou que os memorandos da troika levaram os Parlamentos de ambos os países a serem chantageados. Konstantopoulou prometeu ajuda ao Parlamento cipriota para levantar a verdade sobre as causas que levaram ao memorando para Chipre.

Foi FHC!





O fim do lulismo e do fernandismo


Por Luis Nassif, via GGN
O professor da USP (Universidade de São Paulo) constatou que praticamente nenhum aluno tem a mais remota referência sobre a ditadura, as diretas, os comícios da Vila Euclides, o impeachment de Collor, o plano Real.
Ontem participei da Bienal da UNE (União Nacional dos Estudantes). A pauta está a léguas de distância dos embates PT x PSDB. Nos anos 60, os temas nacionais eram a seca do nordeste, a alfabetização dos adultos, conduzidos por lideranças que, a partir de São Paulo e Rio, tentavam comandar o mundo.
Hoje em dia, a inclusão de minorias, a integração e a diversidade cultural, o "empoderamento" (termo preferido deles) das políticas públicas, a democratização das mídias, a conquista dos espaços públicos tornaram-se bandeiras. Cada grupo é protagonista de si mesmo. Não se aceitam mais as lideranças providenciais.
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Quando se sai do mundo virtual da mídia e da política tradicional e se mergulha nos diversos segmentos sociais, constata-se que fechou-se um ciclo, brilhantemente iniciado pelas Diretas e pela Constituição de 1988 e brilhantemente concluído com o lulismo e a inclusão de 40 milhões de pessoas no mercado.
Foi o fecho de uma corrida inesquecível, que sepultou a ditadura, libertou o país da pesadíssima burocratização do regime militar, inaugurou a democracia, descobriu a democracia social, venceu a inflação e, pela primeira vez na história, atacou de frente o desafio de reduzir a desigualdade social.
É um período que entra para a história, no qual os protagonistas foram políticos como Ulisses, Tancredo, Covas, FHC, Lula, Dilma, empresários como Antonio Ermírio, Jorge Gerdau, Rolim Amaro, lideranças populares como João Pedro Stédile, sindicalistas como Vicentinho, Marinho, Alemão, economistas, jornalistas, cada qual dando sua contribuição.
Mas esse ciclo acabou, tornou-se página da história, deixando  plantadas novas virtudes políticas, mantendo velhos vícios, promovendo avanços inacreditáveis e paralisias chocantes, mas acabou. Repetindo a-c-a-b-o-u.
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A nova política terá que se refazer em cima de novos valores, novos mitos e novos perfis de liderança.
Em seminário do ano passado, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski deu uma aula magistral sobre a "era dos direitos".
Ao longo da história, os direitos foram sendo aceitos lentamente no Brasil. Sabe-se lá se a herança escravagista, cartorial e outras pragas  que, plantadas em tempos imemoriais, amarraram o florescimento do país como ervas daninhas sugando a árvore que  se faz lentamente.
A herança maldita continua incólume, na cobertura anacrônica dos jornais, no preconceito e na intolerância que afloram nas redes sociais, na aridez dos partidos políticos. Mas são vagidos de fim de ciclo.
De repente, tudo fica velhíssimo, a erudição superficial de FHC, o racionalismo raso de Dilma, o rosto agourento de Serra, a sombra diluída de Lula.
O que virá pela frente, sabe-se lá. O novo está sendo precedido por terremotos, falta de rumos dos quais se valerão os Eduardos Cunhas e Renans. Mas o novo está vindo com toda força.
A caixa de Pandora da democratização está definitivamente escancarada.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

“O Brasil não é alegre. É triste”, diz escritora portuguesa

Alexandra Lucas Coelho

Por Ricardo Viel, via Carta Capital

"O samba não é a alegria de quem não sabe o que é a tristeza, é a de quem sabe bem o que é", diz Alexandra Lucas Coelho, autora de "Vai Brasil".

De Lisboa
“Nenhum português podia ter escrito 'Chega de Saudade'. Não damos ordens à tristeza ou a tristeza não nos obedece. O fado é uma forma de dizer como a tristeza não nos obedece. A tristeza obedece ao Brasil, e isso é chorinho, é um samba de Paulinho da Viola, a bossa-nova de Tom Jobim. O Brasil cria dominando a tristeza: 'Chega de Saudade'. Portugal precisa que a saudade não acabe."
É de fragmentos como esses que está construído Vai, Brasil, livro de crônicas de viagens da jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho (Lisboa, 1967). Depois de mais de 20 anos dedicados ao jornalismo, boa parte deles vividos em lugares tão pouco familiares aos olhos brasileiros como Afeganistão, Alexandria, Jerusalém, Cairo e Cidade do México, ela desembarcou no Brasil em 2010 levada pela curiosidade: queria ver de perto como era o país da moda.
Morou por mais de três anos no Rio de Janeiro, atravessou o país de ponta a ponta, subiu o morro para ir a baile funk, desfilou no carnaval, cruzou o Amazonas de barco, cobriu eleições presidências e revoltas populares, e retratou isso tudo nas crônicas e reportagens que escreveu para o jornal Público - textos que ganharam uma unidade e agora foram publicados em forma de livro.
Vai, Brasillançado em Portugal no final do ano passado e ainda sem previsão de cruzar o Atlântico, é uma declaração de amor ao país, mas não só. Alexandra conhece bem, na teoria (por leituras e conversas) e na prática, o território que pisa e sobre o qual fala. “A ideia sobre o Brasil vai mudando constantemente, vai sendo atravessada por mil outra ideias, é feita de fragmentos.”
De volta a Portugal, ela agora apronta as malas para ir ao Alentejo, no Sul, em busca de sossego para terminar seu segundo romance (o primeiro, E a Noite Roda, recebeu no ano passado um dos principais prêmios literários do país; está publicado no Brasil, assim como outros três livros de crônicas de viagem). O que tem em mente é uma história que se passa no Rio e que envolve personagens portugueses e brasileiros, alegria, favela, questões sociais e outros assuntos que viu e viveu nos últimos anos. “É uma tentativa de captar o real, tocar o real, de captar o momento atual do Rio e do Brasil.”
Leia abaixo os principais trechos entrevista da CartaCapital: 
Carta Capital: Você ficou três anos e meio no Brasil. Arrisca dizer que agora entende o que é o país?
Alexandra Lucas Coelho: No livro, digo que em algum momento nós podemos ter a ilusão de que uma ideia nossa vai caber no Brasil, mas o Brasil nunca vai caber nela. Não dá para ninguém ter a presunção de entender o Brasil, muito menos eu que não sou brasileira e morei só lá três anos e meio. A ideia sobre o Brasil vai mudando constantemente, vai sendo atravessada por mil outra ideias, é feita de fragmentos. Vai ao Rio Grande do Sul, muda a percepção. Vai a Amazônia, muda. Vai a Minas, muda. O Rio de Janeiro tem isso também, é uma cidade abrupta. Essa experiência de passar da floresta para o mar, para aquele barroco caótico do centro, é um pouco como a experiência de viver no Brasil. Você tem dez mil ideias do que é o Brasil ao mesmo tempo. Essa energia faz parte do encanto, desse feitiço, da coisa magnética que aquele território tem. Você nunca consegue fixar-se numa perspectiva porque ela está sempre a mudar.
CC: Embora haja no seu livro um claro fascínio pelo Brasil, você também é muito crítica. Diz coisas como: “o Brasil está cheio de grades porque está cheio de medos”.
A.L.C: Não há como respeitar totalmente o lugar onde você está e o objeto da sua escrita se você esconde uma parte. Não tem como não ser complexo. O Brasil está cheio de medo, os ricos estão cheios de medo, a nova classe média está cheia de medo. Por isso os edifícios estão cheios de grades. Claro que é um país cheio de medo, claro que é um país completamente capitalista. É o sistema capitalista agora, ao fim de doze anos da esquerda no poder. É um país altamente consumista, sem dúvida. Mas a magia está lá, o Brasil é tudo isso.
CC: Como fez para fugir dos estereótipos?
A.L.C: Chego ao Brasil depois dos quarenta, depois de ter morado em outros lugares, coberto conflitos, depois de uma experiência do mundo. Isso foi muito bom. Como portuguesa, isso me libertou de ficar refém de uma espécie de maniqueísmo que existe em nossa relação e que é: ou sou o português arrogante, ou sou o português a pedir desculpas todo o tempo. Ou eu me ajoelho ou estou de nariz ao ar. Nossa relação é feita assim, como se eu tivesse que dizer: eu descobri vocês, ou pedir desculpas pelo mal que fiz. Nós fizemos esse mal todo, e é bom saber. Chegar ao Brasil com o mundo pelo meio me ajuda a estar liberta desse maniqueísmo. Posso me encantar, quando devo me encantar, e ser crítica quando é para ser. Isso liberta o olhar. Ajuda-me a poder olhar para o Brasil como se fosse outro lugar, sem o peso da culpa ou da arrogância.
CC: Há uma dificuldade enorme de comunicação entre Brasil e Portugal, não há?
A.L.C: É muito difícil a relação, é particularmente difícil porque nós estamos, o tempo todo, muito reféns dos lugares-comuns, inclusive os políticos. Ah, porque nós somos países irmãos, falamos a mesma língua. Nada disso, e tudo isso ao mesmo tempo. Chego na Amazônia e me perguntam se eu falo “americano”. Vou a uma favela do Rio e me perguntam se sou argentina. Minha experiência de três anos e meio é de que a cada frase minha as pessoas dizem: oi? Não entenderam o que eu disse. Sim, é um milagre extraordinário eu sair de um país de dez milhões de habitantes, chegar num território de 200 milhões e todo mundo poder me entender, isso não quer dizer que me entendam. Eu tive uma epifania ao chegar ao Vale do Anhangabaú e pensar: caramba, talvez Portugal só exista para isso, para estar aqui e ter a possibilidade de me entender numa das maiores cidades do mundo. Isso é milagroso, mas isso não quer dizer que todo mundo me entenda, que seja fácil, que as duas partes não tenham que fazer um trabalho e que não haja uma zona de não entendimento. É uma relação com solavancos, com zonas escuras, há desconfiança e menosprezo de parte a parte, e se não transportarmos tudo isso à relação ela nunca será verdadeira, não sai dos lugares-comuns. É uma relação feita de milagre, de desentendimento e de dificuldade. É verdade. E é verdade também que o Brasil não precisa de Portugal para nada, mas que ao mesmo tempo Portugal continua a ser o espelho do que é a história do Brasil. E isso atravessa o cotidiano do país. A herança está lá, está nos mecanismos feudais, na burocracia, no racismo, em tudo o que é a sociedade brasileira.
CC: Você escreve no livro que o Rio é uma cidade que contraria a sua natureza. Como é isso?
A.L.C: Em vários. Primeiro, o Rio contraria a natureza de qualquer humano, no sentido em que a natureza está sempre triunfando sobre você. Está sempre sugando o seu olhar. Os morros puxam o seu olhar, aquela natureza luxuriante, os animais, a natureza está constantemente roubando o construído. É um prodígio natural. E contraria nossa natureza também no sentido em que ela está a nos dizer, todo o tempo, que é mais forte do que nós. E quando há uma chuva, isso é mais evidente. A chuva faz o que quer. Ela expõe a incúria, o descaso. A natureza dá um espirro e coitados de nós. E num segundo sentido, eu, como portuguesa, que tenho a culpa, a melancolia, tudo isso... O carioca está o tempo todo me dizendo: culpa? Que culpa? Por que culpa? Não respondi teu e-mail? Cheguei duas horas atrasado? Me desculpa, imagina! Morar no Rio é ser confrontado o tempo todo com gente que não tem culpa. O que exaspera. É todo um processo de você perceber a lógica, como aquilo é parte da lógica boa e da lógica ruim daquela cidade. Então, você faz um trabalho que é o de descontrair para não morrer do coração. Você pode ficar no Rio pensando o tempo todo que é um deprimido, e que somos seres para a morte, que a vida não tem sentido. Mas se você ficar nessa, ninguém vai estar nem aí para você. Tem tanta coisa para fazer. Vai na praia, cara! Vai tomar um chope. Vai andar na Lagoa. Você pega o túnel Rebouças, cai na Lagoa e pensa: como que eu tive a sorte de ser vivo e estar aqui e ver essa paisagem. Mas isso pode ser uma coisa totalitária também, porque você não pode estar deprimido. É um combate o tempo todo. E a energia boa vem disso, mesmo quando você se revolta com o oba oba, porque está sempre te tirando do teu lugar.
CC: Você acompanhou de perto as manifestações do ano passado. Li um artigo naquela época, publicado na Espanha, em que o analista dizia que quem estava na rua eram os filhos do Lula, que agora queriam mais. Também viu isso assim?
A.L.C: Também são, mas não acho que sejam só os filhos do Lula, nem maioritariamente. Geracionalmente sim, são os filhos do Lula, os filhos da democracia brasileira. São sobretudo jovens, jovens que não tinham experiências anteriores de ir à rua. Agora, essas manifestações tem um tom crítico, quando não hostil ao PT. E tem uma esquerda curiosa furiosamente crítica ao PT, à Dilma e ao Lula. Como tem, dentro dessas manifestações, zonas que não são politicamente fáceis de serem situadas, algumas talvez estejam mais próxima à direita, outras estão distante dos partidos, próximas aos movimentos sociais, tem a ver com pautas específicas: gays, direitos das mulheres etc. E tem tradicionalmente os anarquistas que juntam nesse bolo. São filhos do Lula geracionalmente, mas muitos deles são filhos rebeldes.
CC: Mas havia grupos reclamando de coisas muito distintas, até muitas vezes incompatíveis, não?
A.L.C: Sim, há um descontentamento que tem vários rostos, muitos deles contraditórios, e eventualmente rivais, e que se encontram no terreiro do protesto. Mas isso dá força depois a pautas mais específicas, como aconteceu com os garis agora, que foi muito interessante. Temos aqui uma classe profissional que se rebela numa greve, mais “clássica”, num momento de grande visibilidade, o Carnaval, e eles ganham. E provavelmente a força com que eles bateram o pé para estar em greve, sabendo que podiam ser muito afrontados pela população, vem daí. E depois foram aplaudidos. Provavelmente esses garis sentiram-se fortalecidos pelo fato de a rua estar com gente.
CCHá quem defenda que, apesar da confusão e da falta de uma pauta clara, houve ao menos uma certa politização do brasileiro.
A.L.C: Eu tenho vários amigos na casa dos 20 anos, que moram em periferias e favelas, e tenho muito a sensação de que a geração de vinte e poucos, a que agora vem vindo, está especialmente politizada. Noto uma diferença desde que eu cheguei ao Brasil. Há uma politização dos discursos e das conversas, das conversas de boteco mesmo. Notei essa politização crescente. Há, claramente, esse reforço. Essa geração que está nas redes sociais é claramente mais política que a anterior.
CC: Então você é otimista então em relação ao futuro do Brasil!?
A.L.C: Eu não diria isso, não nessas palavras, não depois de eu ter viajado pela Amazônia, de ter visto aquelas monoculturas de soja, do gado, depois de ter visto o que é aquilo, aqueles comboios de minério de ferro, depois de ter visto o Sudeste do Pará, que é um faroeste - em tudo o que pode ser violento; depois de ter visto aquelas crateras de onde é extraído o solo brasileiro para ser levado aos portos e ser exportado para o Japão e a China. Aqueles barcos que vi serem carregados em Santarém e São Luís do Maranhão... Não tem como não olhar para o Brasil de outra forma depois de ver isso. Porque é uma grande interrogação essas escolha, esse caminho que o Brasil está fazendo, de extrair do seu solo tudo isso, de exportar esse modelo das monoculturas para a Amazônia. Eu não sou analista, não sou economista, não quero fazer prognósticos, nem é meu trabalho, mas o que estou dizendo é que isso mudou a minha percepção do Brasil. O custo do desenvolvimentismo, essa escolha, isso tem muitos custos, ambientais e sociais. E se nós temos um território gigante como o Brasil, que poderia oferecer uma terceira via ao mundo, eventualmente, será que é essa a terceira via? Com esse custo?
CC: Está muito longe daquele Brasil com que o Darcy Ribeiro sonhava, não?
A.L.C: Não é o Brasil que está acontecendo agora. Sim, você tem 40 milhões de pessoas que saíram da miséria. Ninguém vai questionar isso. O Brasil vive muito melhor hoje no que diz respeito a ter pão para comer, ter um teto. Há milhões de pessoas que vivem melhor, ninguém vai questionar isso. Agora, de que forma foi feito isso? Qual o custo? E que custo vai ter no futuro? E em que modelo o Brasil acredita? Que Brasil é aquele que a presidenta tem na cabeça? É um país tão pujante, é uma natureza tão prodigiosa, uma cultura tão pujante, são tantas possibilidades contraditórias se bifurcando, que só posso dizer que é um laboratório muito interessante para conseguir olhar para frente. Você pode ter várias visões do futuro no Brasil, mas algumas visões do futuro são negras no sentido de que elas apontam para um caminho de não-futuro. De um futuro à custa da morte de muitos, da repressão de muitos, de um esquecimento de muitos, de deixar muitos à margem. E nem estamos falando do Rio, onde esses grandes eventos, a Copa e as Olimpíadas, provocam uma espécie de limpeza social, racial, política etc. E o Rio hoje é uma cidade para quem tem dinheiro, e quem não tem dinheiro está a ser empurrado para as franjas. E no Rio há toda uma experiência de vida que poderia contrariar essa cultura de ostentação, essa cultura de elite, o Rio tem muitos exemplos de rebeldia vinda dos fundos, dos mais pobres, dos excluídos.
CC: Depois dessa temporada no Brasil, quais estereótipos se confirmam e quais caem? Por exemplo: a felicidade, somos um povo alegre por natureza?
A.L.C: Alegre, não. Triste. Tem muita canção que diz isso, muito samba dizendo isso. É uma alegria que se faz em cima da tristeza, arrancada da tristeza. É diferente da outra alegria. Por um lado, é muito mais extraordinária. Talvez seja a única alegria, é uma alegria que triunfa. A alegria do carnaval genuíno é essa, que triunfa sobre a morte, sobre a miséria, sobre o descaso. Mas samba é isso, o cara tá morrendo, com uma dor terrível, e está sambando e dizendo: ela me deixou, mas eu vou sobreviver. Não é aquela alegria de quem não sabe o que é a tristeza, é a de quem sabe muito bem o que é a tristeza.
CC: E em termos pessoais, valeu a pena?
A.L.C: Acho que o Brasil me tornou uma pessoa melhor. Sem qualquer arrogância nisso. Ou melhor, acho que o Brasil nos ajuda, diariamente, a poder ser melhor. Acho que, até quando queremos brigar com o Brasil, a energia que se produz desse combate é boa. O Brasil tem um bom efeito.
CCJá está com saudade?
A.L.C: Sim. Cheguei há duas semanas e já estou com saudade. Mas eu não vejo como se eu tivesse morado lá e voltei. Acho que o Rio passou a ser minha casa. Isso passou a fazer parte da minha identidade. A minha vida é o Brasil também, ainda que eu estou uma temporada aqui. Até porque estou escrevendo um romance que acontece no Rio e não tem como minha cabeça não estar ocupada com tentar entender o que é essa cidade, o que ela significa em relação a esse país. Neste momento, é o centro da minha vida.

Papa recebe transsexual no Vaticano: “Deus aceita-te como és” Leia a matéria completa em: Papa recebe transsexual no Vaticano: “Deus aceita-te como és”

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Depois de dois telefonemas, o encontro. O Papa Francisco recebeu esta semana um cidadão espanhol transsexual e a namorada no Vaticano. “Claro que és filho da Igreja”, disse.


Diego Neria Lejárraga era Cuca até há oito anos, quando decidiu fazer a operação de mudança de sexo. Católico praticante, sofreu durante anos com o facto de não ser aceite pela Igreja. Pelo menos pela parte mais conservadora da Igreja na pequena cidade espanhola de Plasencia, em Cáceres, onde sempre viveu. Há uns meses resolveu escrever uma carta ao Papa Francisco onde expunha o que sentia e onde questionava se era mesmo filho de Deus. Mensagem recebida. O Papa telefonou-lhe e o encontro com Diego e a namorada, Macarena, concretizou-se este fim de semana no Vaticano.

“Deus quer bem a todos os seus filhos, sejam como forem, e tu és filho de Deus por isso a Igreja aceita-te como és”, terá dito o Papa Francisco quando telefonou ao espanhol de 48 anos, que chegou a ser apelidado por um padre de ‘filha do diabo’, para marcar os pormenores da sua ida ao Vaticano. O encontro realizou-se no sábado passado, mas foi marcado propositadamente fora da agenda oficial do chefe da Igreja Católica, longe dos holofotes.

Conhecido por telefonar às pessoas sem se fazer anunciar, o Papa Francisco ligou pela primeira vez a Diego a 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, e voltou a apanhá-lo no telemóvel no dia 20 para acertar os pormenores da viagem. Segundo o El Mundo, que já falou com Diego Lejárraga depois do encontro papal, a primeira vez foi apenas para dizer que estava a par da sua situação e que queria recebê-lo no Vaticano. Prometia ligar novamente.

Prometido, cumprido. A 20 de dezembro, Diego estava de visita a Sevilha, onde vive a namorada, quando recebeu a segunda chamada. Entrou numa loja para acalmar o ruído e poder ouvir melhor. Era o Papa que estava do outro lado da linha a perguntar-lhe quando lhe dava mais jeito ir a Itália. “Durante o fim de semana é melhor, não é?”, perguntou o chefe da Igreja Católica. “Quando quiser”, limitou-se a responder. Ficou então marcado para um sábado, para não interferir com a semana normal de trabalho do convidado, e depois de Francisco ter pedido uns minutos para olhar para a agenda, lá atirou: “Tenho uma possibilidade no dia 24 de janeiro às 17h, que tal?”.

Feito. Respondendo às dúvidas logísticas de Diego, o Papa ainda terá pedido para não se preocupar com os gastos da viagem. De resto, “basta chegarem à porta da residência de Santa Marta e dizerem que estou à vossa espera”.

Oficialmente, a Igreja não reconhece mudanças de sexo, mas o Papa Francisco instou-a a mostrar mais compaixão para com setores da sociedade que se sentem excluídos, nomeadamente quando recentemente disse, a propósito dos homossexuais, “Quem sou eu para os julgar?”.

Diego Lejárraga não adiantou muito à imprensa sobre o que foi dito na audiência com o Papa, por ser “um segredo só deles [nosso]”, mas descreveu o momento como “uma experiência única”. No limite, sabendo que a transsexualidade ainda não é bem aceite por todos, espera pelo menos que o seu caso sirva para que outras pessoas na sua situação não passem pelo mesmo tipo de discriminação que ele passou.

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