LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A Islândia dá uma lição ao mundo de superação da crise econômica


Simples, de um didatismo a toda prova, por isso mesmo não pode deixar de ser vista a conferência que o presidente da Islândia Olafur Ragnar Grimsson, proferiu numa escola de negócios da Espanha durante seu recente  giro europeu. O presidente encontrou-se, também, com o rei Felipe II, da Espanha. Olafur Ragnar explica o devastador efeito que a política econômica de austeridade absoluta teve sobre os países europeus que a seguiram e, mesmo assim, não superaram a crise. E compara a situação destes com a de seu país.
Ele lembra que o colapso dos bancos no final de 2008 levou a Islândia a perder 8% de sua riqueza nos dois anos seguintes e a uma taxa inédita de desemprego de 11,9% e que a economia da ilha que preside deu uma guinada a partir de 2011. Tendo como base principalmente o turismo, as exportações pesqueiras e a indústria de alumínio, a Islândia recuperou o terreno perdido: hoje, sua taxa de desemprego oscila entre 3% e 4% e o Governo prevê uma expansão do PIB de 3,3% ao ano.
Essa recuperação só ocorreu, diz Ólafur Ragnar Grimsson, porque seu país não levou em consideração os conselhos dos órgãos internacionais -  em particular da Comissão Europeia – para que seguisse medidas da política de austeridade absoluta imposta a países europeus e de outras partes do mundo.
País perdeu 8% de sua riqueza e recuperou-se ao abandonar austeridade absoluta
O presidente Ólafur Ragnar mostra que a União Europeia (UE) se enganou no caso de seu país. “Por que deveriam ter razão em outros?”, questiona. Neste giro pela Europa, o presidente islandês fez uma conferência numa escola de negócios na Espanha, quando recomendou que a UE observe o exemplo de superação da crise em seu país. Ele pediu a manutenção do respeito ao equilíbrio entre “a democracia” e os “interesses econômicos”. “Os interesses econômicos em uma mão e a democracia na outra”, disse.
O presidente ensinou, ainda, que a população não deve sofrer com medidas de duros cortes orçamentários e elogiou a combinação empregada pelo país, que promoveu um plebiscito pelo qual a população recusou pagar pelos erros de seus bancos. Na sequência, renegociou a dívida e promoveu uma desvalorização da moeda.
A Islândia chegou a iniciar, em 2009, negociações para incorporar-se à União Europeia, mas em 2014 o Governo de centro-direita decidiu rompê-las. Na conferência na Espanha, o presidente adiantou que a opção não foi “esquecida” e que, inclusive, uma parte do país ainda pede a integração. O chefe de Estado islandês diz que a questão pesqueira pesa na decisão. Vigora no país um sistema de cotas que o governo e o setor pesqueiro defendem a todo custo e que desperta receios em Bruxelas, sobretudo em relação à pesca da  sarda.
País não aceita determinadas imposições para integrar-se à União Europeia
Ólafur Ragnar sustentou que a Islândia “nunca aceitará” condições nessa área. Ainda assim, afirmou que o debate continua e relembrou que o país já faz parte de vários acordos econômicos e de segurança do continente. Hoje o turismo e as exportações de pescado, sobretudo de bacalhau, são as bases da economia do país. A indústria turística há três anos cresce a um ritmo de 15% a 20%, o que a princípio ocorreu por conta da desvalorização da moeda, com as propagandas turísticas tendo sido lançadas depois.
O país, de apenas 320.000 habitantes recebe a cada ano um milhão de turistas, sobretudo da Europa e dos Estados Unidos e, nos últimos tempos, também da Ásia. “Nos próximos 5 ou 10 anos o desafio é continuar com a mesma experiência sem danificar o meio ambiente”, concluiu. Na conferência o presidente islandês destacou, ainda, que a crise financeira levou trabalhadores a mudar de setor, o que impulsionou a criatividade e a inovação.
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