LULA PRESO POLÍTICO

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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Gilson Caroni Filho – Doze anos para regulamentar a mídia. Nada fizemos

embora reconhecendo o caráter reacionário da imprensa brasileira, não me sinto mais à vontade para falar em " PIG".
Embora reconhecendo o caráter reacionário da imprensa brasileira, 
não me sinto mais à vontade para falar em “PIG”.

Por Gilson Caroni Filho*, via QTMD?

São inegáveis os avanços sociais promovidos por 12 anos de governo petista, mas há duas coisas indiscutíveis. Não fizemos nenhuma reforma estrutural e perdemos no campo simbólico. A inserção das pessoas na realidade se dá pelos símbolos que adotam e não apenas por suas realidades concretas. Por isso, mesmo os beneficiários das políticas sociais não aderiram mecanicamente ao governo que as implantou.

Quando criticávamos a mídia corporativa, sempre aparecia um Mercadante da vida para defendê-la. Tivemos 12 anos para regulamentar a mídia eletrônica e nada fizemos. Capital político não nos faltava. Por isso, embora reconhecendo o caráter reacionário da imprensa brasileira, não me sinto mais à vontade para falar em ” PIG”.

Outra coisa é a recorrente (e inexplicável) dificuldade de entender que novas demandas geram novos movimentos sociais. Desde quando passamos a temer as ruas? Quando as deixamos de lado para buscar legitimidade em acordos meramente partidários. Um fato é incontestável: nos primeiros meses do segundo governo Dilma, abandonamos o discurso mais à esquerda, que a elegeu com votos de parcela da classe média hesitante, para adotarmos a agenda do candidato derrotado.

E qual a justificativa? A surrada “correlação de forças”, a mesma que o extinto partidão usava para condenar o surgimento do PT. Ainda dá tempo de nos reinventarmos? Dá. A cúpula partidária deseja isso? Creio que a lei de Michels mais uma vez se confirmou e as oligarquias encasteladas não permitem o rejuvenescimento dos quadros. A ofensiva conservadora, sejamos honestos, se alimenta muito do nosso conservadorismo.

O mercado, eufemismo do grande capital, está tranquilo.

*Gilson Caroni Filho é professor de sociologia e colabora com o “Quem tem medo da democracia?”, onde mantém a coluna “Traço de Mestre“.


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