LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Por que uma maçã da década de 1950 equivale a cem maçãs de hoje?


Via Rebelion

Encontrei no Gilson Sampaio

Traduzido do espanhol por Renzo Bassanetti

Com o aumento da produtividade agrícola, nossos alimentos se transformaram em cascas vazias... de nutrientes. Quantos pêssegos, laranjas e brócolis é preciso comer par recuperar as vantagens de meio século atrás?

Dar uma boa mordida num pêssego e engolir... água açucarada. Comer cada vez mais e alimentar-se cada vez menos. Enquanto nos países desenvolvidos aumenta nosso consumo de calorias, a maioria dos alimentos não transformados que comemos  (frutas, verduras e cereais) se transforma em cascas vazias  sob o ponto de vista nutritivo.  Uma dezena de estudos de universidades  canadenses, norte-americanas e britânicas publicados entre 1997 e hoje demonstram uma forte diminuição na concentração de nutrientes em nossos alimentos. Esses trabalhos resumidos na pesquisa “Still no free lunch”, de Brian Halweil, pesquisador do  Worldwatch Institute confirmam o auge da “caloria vazia”: gordura e açúcar, mas inútil para a saúde. Inclusive no caso dos alimentos considerados sãos, as vitaminas A e C, as proteínas, o fósforo, o cálcio, o ferro e outros minerais  ou oligoelementos  dividiram-se pela metade, por vinte e cinco e até cem vezes em meio século. Para tornar a encontrar a qualidade nutricional de uma fruta ou verdura  da década de 50, hoje teríamos que comer meia caixa dessas frutas ou verduras.

Vitamina C: uma maçã ontem = 100 maçãs hoje

Antes, quando nossos avós comiam uma maçã transparente de Croucel, comiam 400 mg de vitamina C, indispensável para a formação e a reconstituição da pele  e dos ossos. Hoje, os supermercados nos propõem caixas de maçãs Golden standard que somente contém 4 mg de vitamina C cada uma, ou seja, cem vezes menos. “Depois de décadas de crescimento, a indústria agroalimentar selecionou as verduras com melhor aspecto e as mais resistentes, mas raramente as mais ricas sob o ponto de vista nutricional”, lamenta-se Philippe Desbrosses, doutor em Ciências do Meio Ambiente pela Universidade Paris VII e militante da preservação das sementes crioulas.  

Vitamina A: uma laranja ontem  = 21 laranjas hoje

A vitamina A, que fundamental para nossa visão  e nossas defesas imunológicas, está em queda livre em 17 das 25 frutas e verduras examinadas por alguns pesquisadores canadenses em um estudo  sintetizados por CTV News. A decadência é total no caso das batatas e das cebolas, que hoje sequer contém uma grama. Há meio século, uma só laranja cobria quase todas as necessidades quotidianas de (a famosa dose diária recomendada) de vitamina A.  Hoje, teríamos que comer 21 para ingerir a mesma quantidade da preciosa vitamina.  Da mesma forma, um pêssego da década de 50 equivale hoje a 26 pêssegos de hoje.   

Ferro: a carne contém duas vezes menos

No início dessa cadeia, está o cereal. O trigo, o milho e a soja estão hoje mais pobres em zinco, cobre e ferro do que há cinquenta  anos atrás. Empobrecidos por décadas de agricultura intensiva e de seleções de variedades, esses cereais reaparecem  nos alimentadores de nossos animais, que por sua vez estão pior nutridos que seus antepassados.

No final da cadeia, o animal transformado em filé contribuirá com menos nutrientes em nossos pratos.  Esse é o efeito dominó identificado pelo pesquisador estadunidense  David Thomas. Em seu estudo [1] publicado na revista Nutrition et Health, ele constata que um pedaço de carne do mesmo peso  tem três vezes menos ferro que meio século atrás.   Outro efeito colateral: o leite “perdeu seus ácidos graxos essenciais”, deplora Philippe Desbrosses. Esses ácidos são essenciais  para nossas membranas celulares, nosso sistema nervoso e nosso cérebro. Como de forma natural  eles estão presentes em quantidades muito pequenas em nosso organismo, eles devem ser complementados pela nossa alimentação.

Cálcio: quatro vezes menos no brócolis

Más notícias: se o brócolis figura na lista das verduras que você somente pode ingerir  pensando em sua saúde, ainda não terminaram as caras de nojo.  Enquanto que em 1950 essa verdura vinda do sul da Itália continha 12, 9 mg de cálcio (aliado da construção óssea e da coagulação do sangue) por grama, em 2003 ela continha somente 4,4 mg, segundo um estudo da Universidade do Texas, ou seja, quatro vezes menos.  Se você contasse com ela para compensar a falta de ferro da carne, isso também não funcionará. Seria necessário colocar seis vezes mais essa verdura na sopa para obter os mesmos índices de antes.  Das 25 verduras estudadas pela equipe de pesquisas canadense, 80% delas viram diminuídas suas quantidades de cálcio e ferro.

O biológico é uma solução?

As causas desse decréscimo são múltiplas. Os solos mais pobres, a verduras são colhidas muito cedo, os tratamentos para sua conservação são mais frequentes, há o crescimento mais rápido causado pelos adubos, e há uma redução da quantidade de variedades selecionadas pela sua resistência aos parasitas e sua rapidez de crescimento; todos estes são elementos imputáveis na busca de um melhor rendimento. Como resultado, “no caso do milho, do trigo e da soja, quanto maior seja o rendimento, mas débil será o conteúdo de proteínas”, assinala Brian Halweil em seu estudo.  A mesma coisa ocorre com as concentrações de vitamina C, de antioxidantes e de betacaroteno nos tomates: quanto mais aumenta seu rendimento, mais diminui a concentração de nutrientes.

Ao contrário, “a agricultura biológica pode contribuir para inverter essa tendência”, indica Brian Halweil em seu estudo.  De fato, em condições climáticas equivalentes, “os alimentos  bio contém significativamente mais vitamina C, ferro, magnésio e fósforo que os demais”.Contudo, o pesquisador adverte: “Se os agricultores bio desenvolverem um sistema  rico em fatores de produção  com rendimentos comparáveis ás explorações convencionais, os bios verão sua vantagem nutricional diminuir.” Da mesma forma, se forem colhidos os produtos bio antes que estes estejam maduros, no final estes serão menos ricos em nutrientes do que os produtos maduros da agricultura tradicional. A única estratégia pra devolver a vida a seu prato: escolher alimentos maduros, produzidos de maneira não intensiva e a partir da coleta das variedades esquecidas. Uma epopéia. 

[1] David Thomas, «A Study of the Mineral Depletion of the Foods available to us as a nation over the period 1940 to 1991», in press, Nutrition and Health; Anne-Marie Mayer, op. cit. Note 32.

Traduzido do francês para o espanhol por Beatriz Moralez Bastos
Postar um comentário