LULA PRESO POLÍTICO

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domingo, 8 de fevereiro de 2015

Seção de comentários de portais tornou-se inócua


Por Augusto Diniz, via Observatório da Imprensa
A seção de comentários dos grandes portais de notícias chegou ao esgotamento. Não é de hoje que o principal instrumento de interação entre veículos e leitores vem apresentando incapacidade de produzir o efeito pretendido – o de estabelecer um debate minimamente profícuo sobre o tema tratado. Com a proliferação de desestabilizadores de discussão (ou rompedores de etiqueta, trolls, robôs de spam etc.), o local de expressão de opinião de leitores chegou a níveis alarmantes de inocuidade.
Embora se diga que a forma mais eficiente de combater o problema é ignorá-lo, não tem o menor sentido expressar opinião sobre uma reportagem ou um artigo em um portal de notícias numa seção que é ocupada 90% por comentários incivilizados feitos parte por anônimos. Mesmo com termos e condições impostos pelos veículos, necessidade de logine boa vontade de moderadores, o problema chegou ao limite.
Acontecimentos recentes envolvendo questões sociais, raciais e religiosas extremadas, colocados pela mídia no centro do debate, comprovam aqui e no mundo a falência da seção. No Brasil, os reflexos da disputa eleitoral continuam, com sandices disparadas por tudo quanto é lado. Inflada por colunistas propagadores da divisão social, a seção de comentários chegou à exaustão do destempero. Nos Estados Unidos, o homicídio de Michael Brown, um jovem negro, provocado por um policial, fez com que um dos principais jornais online do estado onde aconteceu o fato (e vinha sendo palco de fortes manifestações), The St. Louis Post-Dispatch, fechasse por dois meses comentários de leitores por conta de opiniões “vis e racistas” na seção.
O debate prejudicado
Já na Europa, o ataque terrorista à redação do jornal francês Charlie Hebdo acendeu debates calorosos na seção de comentários da imprensa. A informação é a de que mediadores de portais de notícias europeus trabalharam duro para separar ofensas de ponderações nos textos publicados em torno do tema.
A diminuição de espaço para comentários em textos de grandes portais anda a largos passos. A Reuters anunciou no ano passado o fim da seção de comentários em suas matérias, mas manteve para artigos de opinião. E estimulou os leitores a se expressarem nas redes sociais sobre reportagens veiculadas pela agência. Mas há exemplos anteriores da medida em outros veículos pelo mundo afora.
No Brasil, alguns grandes portais de notícias tratam há algum tempo com parcimônia a seção de comentários. O curioso é que, em alguns portais ligados aos grandes grupos de comunicação, as restrições têm objetivo menor de bloquear comentários indelicados dos assuntos tratados e maior de proteger a linha editorial adotada.
Comentários sobre os temas abordados na grande imprensa estão indo agora para o ringue das mídias sociais. O nível baixou muito no meio. A diferença é que nas redes sociais o próprio internauta pode controlar a entrada dos assuntos e comentários. O problema é que ele só publica o que lhe interessa. E o debate continua prejudicado.
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Augusto Diniz é jornalista
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