LULA PRESO POLÍTICO

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Zé Eduardo e o Caixa 2 de FHC



Do jornalista José Maschio, em seu Facebook:

O ex-ministro Zé Eduardo de Andrade Vieira, o Zé do Chapéu, nunca perdoou o ex-presidente FHC pela perda de seu banco, o Bamerindus, para o HSBC. Esse ressentimento o levou a denunciar o esquema de Caixa 2 na reeleição de FHC. Eu chegava de viagem e, ainda no aeroporto de Londrina, sou comunicado pela direção do jornal (Folha de S. Paulo) que a pauta do dia era procurar Vieira. O assunto era a batalha do ex- ministro para recuperar o seu Bamerindus.

No trajeto do aeroporto até minha casa, na roça em Cambé, Vieira me atendeu por telefone. Gentil, não se negou a falar sobre as lutas para recuperar o banco e mais: contou o esquema de Caixa 2 na reeleição de FHC.

Cheguei em casa e liguei de volta para o jornal. Bateu desespero em Cleusa Turra, na época da Secretaria de Redação da Folha. A entrevista, por celular, não havia sido gravada. Turra temia que Vieira não reiterasse as denúncias depois de a matéria ser publicada.

Com a reportagem pronta, liguei novamente para Vieira e fui até a sede da Folha de Londrina, jornal que ele dirigia. Não só me atendeu como acrescentou novas informações e aceitou gravar novamente a entrevista feita antes por telefone. No outro dia, a manchete da Folha era o Caixa 2 do tucano.

Essa historinha mostra um pouco da personalidade do Zé do Chapéu, que morreu ontem aos 76 anos. Amado por uns, odiado por outros, arrogante, e às vezes suave, Vieira era um retrato da nossa classe dominante. Em julho de 2012, fiz minha última entrevista com Vieira, para o boletim da Faep, sobre os 20 anos do Senar.

Debilitado, não era nem sombra do Zé do Chapéu político. E, ao final da entrevista, fomos conhecer o seu orgulho na fazenda em Joaquim Távora (PR), a criação de bovinos de leite. Vieira aproveitou que Milton Dória (o Miltinho) estava a fotografar distante de nós, para perguntar. Eu conheço esse rapaz, quem é ele? Milton Dória havia sido, por anos, seu editor de fotografia na Folha de Londrina. Aliás, havia sido demitido pelo próprio Vieira, que achava um absurdo jornalista ganhar mais que bancário.


O jornalista Palmério Dória, no best-seller O Príncipe da Privataria relata no capítulo 8, “Sobra de campanha: 130 milhões de reais”, descreve como Serjão, o Sergio Motta, tucano, líder da campanha de Fernando Henrique, tomou dinheiro de José Eduardo:
“A gente tem despesas. Temos um grupo político”.

“Tá bom Serjão”, concorda José Eduardo enfim. “De quanto vocês precisam?”

“Uns 100 milhões pra começar”.

“Serjão, sabe quanto é que essa campanha vai custar? Todinha?… No máximo 40 milhões. Se você repete essa história para alguém vai ficar mal pra você.”
Depois, numa entrevista, Andrade Vieira confirmou:
“Foram 30 milhões de caixa oficial e cerca de 100 milhões de reais de contribuições extra-oficiais, ou seja, sem recibo.”
Onde foi parar o dinheiro?
“Provavelmente no exterior. Debaixo do colchão é que não está,” disse Andrade Vieira.

Vieira disse ainda que Sergio Motta cuidava das “compras e pagamentos do presidente”.
Os tucanos jamais processaram Andrade Vieira.

Cujo banco, o Bamerindus, foi trucidado pelo Presidente Fernando Henrique, provavelmente em retribuição…

Portanto, os necrológios do PiG sobre Andrade Vieira incorreram nessa irrelevante lacuna: como ele contribuiu com o Caixa Dois dos imaculados tucanos.

Não fosse o PiG, eles, os tucanos, não passavam de Resende…

Mudando de assunto, completamente: de que vive o Cerra?

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