LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 17 de março de 2015

Fernando Castilho – Onde foi que ela errou?

Nas manifestações de 15 de março de 2015, foram atribuídos ao Partido dos Trabalhadores todos os males do mundo. Até o atentado de 11 de Setembro nos EUA.
Nas manifestações de 15 de março de 2015, foram atribuídos ao Partido dos Trabalhadores todos os males do mundo. 
Até o atentado de 11 de Setembro nos EUA.

Por Fernando Castilho, via QTMD?

Ao ver imagens das manifestações do domingo (15), algumas delas extremamente patéticas, à que milhares de pessoas compareceram, há que se considerar alguns pontos que talvez possam servir como uma tentativa de explicar o por quê de seu sucesso.
Chacrinha já dizia que quem não se comunica se trumbica.
Em se tratando de Dilma Rousseff, o bordão do velho guerreiro serve como uma luva. A presidenta passou 4 anos tendo uma Secretaria de Comunicação totalmente inoperante e ineficaz.
Deixou que a velha mídia durante 1535 dias dissesse o que quisesse na hora em que bem entendesse. Quanto a levar marteladas da imprensa, pode-se dizer que o PT é quase masoquista pois desde 2003 apanha mais que mulher de malandro.
Lula e Dilma nunca confrontaram a mídia.
Embora ainda não haja a Lei de Meios, há outros mecanismos capazes de enfrentar notícias sem fonte, ilações, fofocas e mentiras. Não basta Lula ou o PT se defenderem nos blogs de esquerda. Isso não atinge a maioria da população. Deveriam se defender contra atacando aqueles que os caluniam, nem que fosse com matéria paga, nem que fosse com inserções de cinco minutos a cada vez que uma mentira fosse dita.
Mas não, olimpicamente se colocaram na posição daqueles que nada temem por não terem culpa.
E a Receita Federal nunca foi pra cima da Rede Globo cobrar o valor hoje corrigido de cerca de um bilhão de reais em impostos sonegados.
Só recentemente o governo tardiamente resolve cortar verbas de publicidade da Veja e da Globo.
O governo Dilma nunca deu muita bola para os movimentos sociais. O PT também, durante quatro anos, parece que se esqueceu de sua velha militância, além de não ter se esforçado na renovação de quadros que lembrassem minimamente aqueles desprendidos que sacrificaram muito de sua vida, de sua segurança e também de seu tempo livre para construir o sonho de ver os trabalhadores no poder.
Será que é preciso que Jandira Feghali do PcdoB (quase todos os dias) ou Jean Wyllys do Psol (vez ou outra) saiam em defesa do governo, enquanto deputados petistas todos os dias fazem de seus gabinetes locais de reuniões sociais, onde não faltam canapés, como se não fizessem parte de um governo que está na alça de mira dos golpistas.?
Agora, quando a água bate na bunda, mais por iniciativa da CUT, do MST, da FUP e dos milhares de internautas que estão todos os dias batalhando quase que ingloriamente nas redes sociais, pela defesa de um mandato legítimo, rompendo com amigos antigos e até mesmo com parentes, é que Dilma, espero que de lágrimas nos olhos, perceba pelas manifestações do dia 13, o quanto tem errado.
Para a militância, quase não importaram as medidas econômicas impopulares levadas a cabo por um ministro de direita. Enlevados pela certeza de que se Aécio Neves tivesse sido eleito, a coisa seria bem pior, os abnegados saíram às ruas.
E no dia 15 um número muito maior de pessoas, dos mais diferentes naipes, com os mais variados interesses, foram protestar, exigir impeachment e volta da ditadura.
Patético ler as frases escritas nas faixas, algumas em inglês traduzido pelo Google. Muitas parecem mais gozação, mas se levarmos em conta o baixo nível dos manifestantes, podem ser sim a expressão de seu sentimento de ódio.
Há uma confusão generalizada, uns querem a ditadura, outros dizem que vivem numa ditadura comunista, outros culpam Paulo Freire pela doutrina marxista nas escolas. Tem de tudo. Parece uma casa dos horrores.
Mas algo une todos eles. A queda de Dilma e o fim do PT.
Entendamos de uma vez por todas que vivemos uma luta de classes.
Não venham falar de indignação com corrupção, inflação alta, PIB baixo, aumento da gasolina. Nada disso.
É hora agora de acabar com o combate às desigualdades, o Mais Médicos, o Minha Casa Minha Vida, etc..
É hora dos pobres pararem de viajar de avião.
Isso nunca foi engolido, está entalado.
Acabar com o PT agora é estratégico pois dificultaria e muito a possível volta de Lula em 2018, para eles, o pavor dos pavores.
À noite dois ministros de Dilma foram à TV anunciar um pacote de medidas contra a corrupção!
Santa ingenuidade. Santa burrice. O pessoal voltou a bater panelas.
Não é pela corrupção, meus caros.
Se fosse pela corrupção, Aécio, Álvaro Dias, FHC e Anastasia também seriam vaiados, e Serra não teria sido eleito senador no lugar de Suplicy.
Além disso, não há acusação contra Dilma.
Se fosse por rumos errados do governo, Alckmin não teria sido reeleito no primeiro turno.
Outra coisa que em doze anos de governo o PT não fez foi o que o blogueiro já prega há muito tempo e, agora um nome de peso o faz: o filósofo Renato Janine Ribeiro defende a criminalização dos que pedem a ditadura de volta.
Ele diz “Estamos tendo no Brasil uma tolerância, que é grande, com condutas antidemocráticas que deveriam ser tipificadas como criminosas… Pregar a volta dos militares deveria ser crime, deveria levar a pessoa para a cadeia. Vários países da Europa criminalizaram a pregação nazista. Nós – que tivemos uma ditadura militar – deveríamos criminalizar a pregação da ditadura.”
A democracia não deve ser a casa da mãe Joana, onde qualquer um fala o que quer na hora em que bem entende. Há que se ter liberdade de expressão, mas existe também uma ética que tem que ser respeitada.
A democracia deve ser preservada como um bem conquistado com o sangue de muitas pessoas, inclusive da Presidenta. Entende, custou vidas!
Vemos diariamente essa ameaça crescer e achamos engraçado. Fazemos piada.
Temos um deputado que se valeu de votos do sistema democrático para se eleger, mas que todos os dias prega em plenário da Câmara a volta do regime militar.
Em 2010 Bolsonaro obteve 120 mil votos. Já em 2014 obteve 464 mil! E não o levamos à sério. Achamos engraçado…
Novamente lembro que estamos em meio à uma luta de classes contra quem defende homofobia, racismo, tortura, extermínio dos povos indígenas, pena de morte, etc..
Não pode um governo ficar inerte assistindo a visão de um deputado sobre esses temas ser passada às pessoas.
E pelo que vimos no domingo, o homem tem o que comemorar.
Mas agora seria decretado o fim do governo Dilma?
Não.
Na sexta-feira o número das pessoas que defendem o resultado das eleições, a Petrobras, a Reforma Política e outras bandeiras foi muito expressivo.
Quanto aos protestos de domingo, ao se analisar as fotos, salta aos olhos a supremacia branca de classe média alta. Difícil ver algum negro ou pobre. São quase todos gordos, bem alimentados, com dinheiro para comprar para toda a família camisetas oficiais da Seleção Brasileira, marca Nike.
Onde estavam os negros?
Onde estavam aqueles que, ainda não podendo se considerar classe média, não compareceram?
Serão eles um contingente expressivo?
Sim, são eles os maiores beneficiários das políticas sociais, que vivem nas periferias das cidades, que assistem tudo em silêncio, e que deram seu voto à Dilma.
Portanto, que o governo não se julgue derrotado, pois o que existe neste momento é uma polarização, com larga vantagem para ele, não tenham dúvidas.
O que Dilma precisa fazer agora é rechaçar medidas impopulares de seu governo, fazer um cerco à grande mídia com o início de estudos visando a Lei de Meios, levantar bem alto a bandeira da Reforma Política, aproximar-se dos movimentos sociais e falar para os pobres, esquecendo os ricos.
Uma reforma ministerial neste momento, mais à esquerda, poderia ser bem-vinda.
Reações do PMDB haverão?
Elas sempre existem, mas está na hora de partir para o ataque, aproveitando que Eduardo Cunha não está com essa bola toda.
Ou isso, ou a fábrica de criar monstros não será fechada. E a sangria continuará.
Em tempo: Drummond não foi.
*Fernando Castilho é arquiteto urbanista, formado pela USP. Professor e blogueiro, mora no Japão e mantém no QTMD? a coluna “Em memória de Getúlio”.
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