LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 20 de março de 2015

Policiais matam 2 por dia no Estado de São Paulo


Os números divulgados pela Ouvidoria da polícia expõem uma realidade que poucos querem ver: a polícia mata, e muito. Desde o inicio do ano até o dia 8 de março, 117 pessoas morreram em supostos confrontos com policiais militares e civis no Estado de São Paulo – uma assustadora media de 2 pessoas por dia. Mas, este cenário não é uma novidade: no ano passado 801 casos de homicídio pela polícia foram registrados no Estado, o dobro do registrado em 2013, quando 440 óbitos foram atribuídos a policiais.

Diante deste absurdo a Secretaria de Segurança Pública resolveu que deve alterar os procedimentos de investigações de mortes que envolvam agentes de segurança. Foi decidido que a partir de agora cenas de crimes como estes devem ser visitadas pelo comandante da área da ocorrência, um delegado, um representante da corregedoria e um promotor.

Essa medida pode até facilitar na punição dos crimes feitos por policiais em atividades, mas não diminuirá o número de mortes. Nossa policia – de todo o Brasil, não somente no Estado de São Paulo – precisa urgentemente passar por uma reformulação.

Há tempos cobramos aqui neste blog a necessidade de modernização das polícias, fusão das polícias civil e militar e mudança nos métodos de formação, treinamento, preparação e ação dessas forças. São mudanças que devem começar pelos manuais de preparação dessas polícias para o seu trabalho. É inegável que elas se impregnaram e guardam ainda muito, demais até, das práticas repressivas que assimilaram e seguiam durante a ditadura, quando as PMs foram até consideradas contingentes auxiliares das Forças Armadas.


“A bandidagem está mais ousada”

Passo simultâneo à reforma dos manuais e da preparação dessas forças policiais, deve ser a desmilitarização da PM e a unificação das polícias. O problema é nacional, grave e exige do Congresso Nacional uma reforma na área da segurança pública e das polícias. Em alguns Estados já há iniciativas notáveis no rumo dessas reformas.

A afirmação ”a bandidagem está mais ousada” dada pelo ouvidor da polícia, Julio Neves, expõe a fragilidade da formação dos policias no país. Não é cabível que a prática do olho por olho seja consentida e liberada pelos governos. Eles não podem fazer vistas grossas, tampouco admitir grupos de extermínio, milícias e esquadrões da morte (muitos, formados por policiais), ainda em ação em muitos Estados. Essas ações policiais e a violência como método precisam ser categoricamente reprimidas e desautorizadas.

cenário do horror é completado pela cumplicidade dos altos comandos policiais e pelas bancadas da bala no parlamento que estimulam ainda mais a violência. É necessário que algo seja feito imediatamente e não podemos esquecer que o caso paulista é um mórbido exemplo, mas muitos outros governos estaduais são complacentes e parecem não ter interesse em ver o fim dos abusos policiais.
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