LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

quinta-feira, 5 de março de 2015

Quer um empreguinho de agente da Cia? Tá facim, facim

cia

Por Fernando Brito, em seu blog
O velho Brizola costumava perguntar: “onde está a Cia, fecharam a Cia?”
A gente ria, meio cúmplice da ideia idiota de que no novo mundo da “modernidade” não havia mais aquela coisa de espiões, de agentes, de desestabilização…
Pois é, não financiaram o Bin Laden, não subsidiaram os grupos na Síria e na Líbia que viriam a se tornar o Exército Islâmico, o Edward Snowden não revelou os grampos telefônicos e cibernéticos em escala mundial…
É tudo imaginação, teoria da conspiração…
O anúncio aí em cima, publicado no Facebook, é puro e desinteressado, claro.
E o “onguismo” – cheio de boas intenções e exceções, é verdade – que tomou conta do país, na década de 90 (com o apoio luxuoso do PT, diga-se de passagem) – escapa disso?
Ora, ora, ora, a Cia fechou, não é? E os americanos olham para o mundo sempre com as melhores intenções e sem nenhuma intenção de dominação econômica.
Petróleo, então, nem se fala. Como é que nossos evoluídos irmãos do Norte iriam cometer o absurdo de trocar vias humanas por óleo.
Nada, só intenções ambientais e humanitárias, de defesa dos índios – como fizeram com cheyennes, apaches, moicanos, pés-pretos, dakotas – e do meio-ambiente, que deve ser totalmente preservado, a menos que se precise lançar uma bomba atômica, aqueles objetos do passado que eles não querem que ninguém tenha, exceto eles.
É pura generosidade, tanto que oferecem tudo de graça, facim, facim.
E o Mauro Santayanna, pergunta:
O advogado e blogueiro Pettersen Filho reproduz, em seu blog, anúncio da embaixada dos EUA, recrutando jovens “líderes” brasileiros, como “bolsistas”, com a seguinte mensagem:
“O Departamento de Estado dos EUA, por meio do Atlas Corps – uma rede internacional de líderes sem fins lucrativos, tem o prazer de anunciar oportunidades para líderes emergentes da sociedade civil para obter bolsas de estudos de 6 a 18 meses nos Estados Unidos. Interessados em se candidatar devem ter de 2 a 10 anos de experiência trabalhando em alguma ONG, nível universitário, até 35 anos de idade e fluência na língua inglesa…
Os bolsistas selecionados serão inseridos em uma organização renomada na área social nos Estados Unidos. Despesas com passagem aérea, visto de entrada nos EUA, seguro saúde, alimentação, transporte local e acomodação partilhada serão totalmente custeadas. Informações sobre o programa e como se candidatar estão disponíveis no site:http://apply.atlascorps.org.”
Não bastando trazer ONGs de fora, ou criar, aqui mesmo, organizações que se infiltram nos mais diferentes segmentos da sociedade brasileira – e, como lembra Pettersen – estão especialmente ativas na Região Amazônica, os EUA seguem firmes em sua permanente estratégia de cooptação de jovens “líderes” locais de todo o mundo, por meio de organizações de fachada, ou “associadas”.
A esperança é a de que eles, em seu retorno, espalhem o que “aprenderam” e atuem na defesa dos interesses norte-americanos.
Melhor, ainda, se, no futuro, alguns chegarem a posições proeminentes em seus respectivos países, para, como reza o slogan do AtlasCorps, “mudar sua perspectiva e mudar o mundo” – como aconteceu, com certeza, ao menos quanto à primeira metade da frase, com um jovem sociólogo brasileiro, financiado, nos anos 1960 – como lembrou em artigo o jornalista Sebastião Nery – pela Fundação Ford, com expressiva quantia para fundar uma organização chamada CEBRAP, muitos anos antes de chegar à Presidência da República.
Se fossem os russos e os chineses – parceiros do Brasil no BRICS – ou os cubanos – conhecidos por seu envolvimento em causas humanitárias, como o combate ao Ebola – que publicassem por aqui anúncio semelhante, dá para imaginar como seria o alarido fantasioso e anacrônico, “anticomunista” e “anti-bolivariano”, dos hitlernautas brasileiros, nos portais e redes sociais.
Mas como se trata dos EUA – prestes a estrear, nos cinemas nacionais, nova campanha de lavagem cerebral, com o filme “American Sniper” – nação “libertadora” do Iraque, da Líbia e da Síria, países em que suas guerras e “primaveras” deixaram milhões de mortos e refugiados e que estão entregues agora a terroristas originalmente armados pelos próprios EUA para combater quem estava no poder anteriormente – o assunto, com exceção de alguns sites da “blogosfera”, quase passa em brancas nuvens por aqui.
PS. Esqueci os espiões cubanos, disfarçados de médicos, que escutam nossos segredos com estetoscópio, enquanto fingem que tiram bicho-de-pé na periferia e no interior.
Postar um comentário