LULA PRESO POLÍTICO

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sábado, 21 de março de 2015

SEMANA INTERNACIONAL CONTRA O APARTHEID ISRAELENSE: COMUNIDADE PALESTINA DEBATE O PAPEL DA EDUCAÇÃO

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Por Gabriela Féres, via Jornalismo B
Comunidade Palestina e estudantes conversaram sobre a influência que a educação exerce na atual conjuntura de árabes e israelenses, no quinto dia de eventos pela Semana Internacional contra o Apartheid Israelense, que aconteceu na noite de quinta-feira (19), no Diretório Acadêmico da Faculdade de Educação (DAFE), na UFRGS.
De acordo com Nader Bajah, da comunidade palestina no Rio Grande do Sul, a educação aos árabes israelenses é uma ferramenta de judaização da Palestina: “o sistema israelense impõe uma educação judaica, nas salas de aula e no congresso só se pode falar em hebraico”. Ele também salientou que os militares de Israel recebem regalias, como isenção de algumas taxas, descontos na universidade. São conhecidos como estudantes guerreiros. Kalil Mainhub, da Tendência Estudantil da Resistência Popular, complementou: “é como ser um estudante que recebe um tratamento especial por contribuir com a guerra”.
Os protocolos assinados pela UFRGS em convênio com universidades de Israel também foram abordados. De acordo com Kalil, são três acordos que preveem a cooperação técnico-científica e colaboração em temas de interesse comum, que não são especificados. Ele propõe que aconteça um boicote acadêmico, e que os estudantes questionem e protestem contra estas medidas. “Não podemos estar colaborando com a produção de um conhecimento que será usado para desenvolver armas que atingem classes sociais e etnias específicas, tanto aqui no Brasil, quanto na Palestina”, afirmou.
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Estela Vidal, do BDS Espanha e membro do Unadikum, alertou que o que ocorre no território palestino é uma limpeza étnica e segregação racial. “Não se pode normalizar um estado genocida como o de Israel, que só no ano passado matou mais de 2.200 pessoas em Gaza e ficou totalmente impune”, disse. Ela defendeu ainda que é necessário fazer um boicote à Israel: “o Brasil é o 5º país que mais compra armas dos israelenses e, em 2016, para as Olimpíadas, o país quer firmar um acordo com uma empresa israelense, que é símbolo da repressão contra os palestinos, para fazer a segurança”, disse.
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Eduardo Minossi, Carina Neves e Rafael Christino, que foram para territórios palestinos pelo programa de Acampamento Ecumênico (EAPPI), relataram ao grupo o que vivenciaram por alguns meses: “nos checkpoints que ficam no muro, os israelenses agem como se estivessem prestando um serviço aos palestinos por deixá-los entrar no território árabe”, contou Eduardo. O propósito do programa é monitorar violações dos direitos humanos e reportá-las aos órgãos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Cruz Vermelha. “Lá, nós humanizamos as estatísticas que recebemos antes de ir”, falou Carina. Ela recordou visitas em acampamentos, onde as condições de vida eram precárias:  “os palestinos precisam comprar, por valores altíssimos, a água que os israelenses tiram do solo árabe”. Rafael, que esteve em Hebron, completou: “eles não têm acesso à energia elétrica, mesmo que postes de luz passem em frente às suas casas”. A maior cidade palestina abriga 400 mil árabes e, próximo ao centro, há um assentamento israelense com cerca de 500 habitantes e 3 mil soldados para fazer a segurança.
Na sexta-feira (20), acontece na PUCRS o último dia de eventos pela Semana Internacional contra o Apartheid Israelense. Às 19h o grupo Terra fará uma apresentação cultural e às 20h haverá uma mesa de debate sobre o Apartheid e Território, com Claudia Favaro, da Resistência Urbana, Lúcia Karam, do Coletivo Defesa Pública da Alegria, Claudia dos Santos, MLS/MMM, Maren Mantovani, do Stop the Wall e Bruno Lima Rocha, cientista político e jornalista. Às 23h, no Comitê Latino-Americano, ocorrerá o encerramento e confraternização.
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