LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 4 de março de 2015

Tucano denuncia o ódio ao PT



É produto raro no Brasil: um livro importante escrito por um ex-ministro. A tese sustentada na obra recém-lançada (editora 34) é que os ricos nutrem um ódio profundo pelo PT. Não porque o PT seja o partido mais corrupto de todos os tempos, como se alardeia, mas porque “o governo revelou uma preferência forte e clara pelos trabalhadores e pelos pobres”. O autor foi ministro da Fazenda. É economista.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, soltou o verbo ao ser questionado sobre o que está dando errado no Brasil: “De repente, voltamos a crescer 1%. Houve erros nos preços da Petrobras e na energia elétrica. E o mensalão. Aí os economistas liberais começaram a falar forte e bravos novamente, pregar abertura comercial absoluta, dizer que empresários brasileiros são todos incompetentes e altamente protegidos, quando eles têm uma desvantagem competitiva imensa”.
O homem é cheio de ideias e de indignação: “Surgiu um fenômeno que eu nunca tinha visto no Brasil. De repente, vi um ódio coletivo da classe alta, dos ricos, contra um partido e uma presidente. Não era preocupação ou medo. Era ódio. Esse ódio decorreu do fato de se ter um governo, pela primeira vez, que é de centro-esquerda e que se conservou de esquerda. Fez compromissos, mas não se entregou. Continua defendendo os pobres contra os ricos”. Diante da afirmação de que os ricos, especialmente os rentistas, ganharam muito na era Lula/Dilma, rebateu: “Não. Com Dilma, a taxa de juros tinha caído para 2%. Isso, mais o mau resultado econômico, a inflação e o mensalão, articularam a direita. Nos dois últimos anos da Dilma, a luta de classes voltou com força. Não por parte dos trabalhadores, mas por parte da burguesia que está infeliz”.
Daí o desespero.
O professor acha que Dilma está certa no seu ajuste fiscal e que a oposição não sabe perder: “Quando os liberais e os ricos perderam a eleição, muito antidemocraticamente não aceitaram isso e continuaram de armas em punho. De repente, voltávamos ao udenismo e ao golpismo. Não há chance disso funcionar”. Segundo ele, o capitalismo internacional adora que países tenham déficit em conta corrente para justificar sua entrada no mercado alheio e, sem qualquer transferência de tecnologia, exportar lucros para as matrizes. Os nossos maiores inimigos são o rentismo, a desnacionalização da economia, o juro alto e o câmbio apreciado. O Brasil vem fracassando a tempo. Por exemplo, fracassou com o “pacto liberal dependente” de Collor e FHC.
O melhor momento foi com Itamar.
Luís Carlos Bresser Pereira, 80 anos, foi ministro de José Sarney e Fernando Henrique Cardoso. Segundo ele, “a burguesia brasileira está sendo um cordeiro nas mãos do carrasco”: o capitalismo internacional e o rentismo. Bresser receita: “A taxa de lucro deve ser satisfatória para os empresários investirem; a taxa de juros deve ser baixa; a taxa de câmbio dever ser competitiva; a taxa de salários deve ser compatível com a taxa de lucro dos empresários; a inflação deve ser baixa”. A oposição vai dizer que é um ignorante ou um velho desenvolvimentista ultrapassado, rançoso e ideológico.
Bresser é conservador e tucano.
Prova de que um tucano conservador pode ser sincero.
O livro intitula-se “A Construção Política do Brasil”.
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