LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Luisa Maita - É Com Esse Que Eu Vou (Cantoras do Brasil)

Quem inspira os jovens conservadores que protestam contra Dilma e a esquerda? A Atlas, segundo o Valor Econômico principal referência do movimento, possui cerca de 450 instituições, inclusive em países como Venezuela, China, Irã.




Quem inspira os meninos da ultra-direita brasileira que agitam protestos contra o PT e a presidente Dilma Rousseff? Segundo reportagem publicada ontem, dia 27, no Valor, os jovens são inspirados ideologicamente pela Atlas Network, uma empresa sediada em Washington (EUA), que prega o livre mercado, e que mantém parceria com instituições brasileiras, que recebem dinheiro para promover palestras, divulgar artigos, livros, etc.

"Esses institutos têm servido de fonte de informação e atraído a atenção de adolescentes e jovens na faixa dos 20 anos, muitos deles participantes dos protestos de março e de abril", escreveu o jornal.

O presidente da Atlas, Alejandro Chafuen, argentino radicado nos Estados Unidos, o organismo não se envolve em "assustos de rua ou política em outros países". Para ele, foi necessário, inclusive, se afastar de instituições ligadas ao Tea Party, uma ala conservadora do Partido Republicano.

No caso do Brasil, Chafuen enxerga a influência da Atlas sobre o pensamento dos jovens que protestam contra os governos do PT. "Obviamente há certa correlação entre as pessoas que passam por nossos programas e pelos institutos com que trabalhamos e o que está acontecendo aqui", disse ao Valor.

No Brasil, a Atlas lista como parceiras o Centro Interdisciplinar de Ética e Economia Personalista, do Rio; Estudantes Pela Liberdade, de Belo Horizonte; o Instituto de Estados Empresariais, de Porto Alegre; o Instituto de Formação de Líderes, também de Belo Horizonte; o Instituto Liberal, do Rio; o Instituto Liberdade, de Porto Alegre; o Instituto Ludwig Von Mises, de São Paulo; o Instituto Milenium, também do Rio e o Ordem Livre, de Petrópolis.

O presidente do Mises Hélio Beltrão disse ao Valor que o foco em São Paulo são jovens universitários liberais que possam disseminar a mensagem do grupo nas instituições que, na visão dele, são doutrinadas pela esquerda.

O cientista político Fábio Ostermann, um dos fundados do Movimento Brasil Livre (MBL) - que marcha de São Paulo a Brasília cobrando o impeachment de Dilma - trabalhou por dois meses e meio para a entidade americana. Ele diz que ainda não houve doações para o MBL pela Atlas.

A Atlas distribuiu no Brasil cerca de 20 mil dólares por ano, segundo Chafuen. O grupo Estudantes pela Liberdade recebeu no ano passado cerca de 10 mil dólares. "O dinheiro que mantém as atividades da Atlas vem, em sua maioria, de fundações e cidadãos dos Estados Unidos. (...) Os doadores têm preferências distintas. Alguns são religiosos conservadores; outros, libertários."

A Atlas possui hoje cerca de 450 instituições espalhadas pelo mundo, inclusive em países como Venezuela, China, Irã, Nepal.

Um estranho no ninho republicano



Em nome da segurança, a maioria dos republicanos apóia o programa da Agência de Segurança Nacional de espionagem dos telefonemas de milhões de americanos.

Em nome das liberdades civis, o senador Rand Paul, pré-candidato a presidente dos EUA, é contra: “Nossos Pais da Pátria (os fundadores dos EUA) ficariam mortificados.”

Não é a primeira vez que ele toma posições na contramão do seu partido, hoje dominado pelos conservadores.

Rand Paul é um liberal no sentido mais abrangente, enquanto os conservadores limitam-se a combater a ação estatal somente na economia.

Esse pessoal ignora direitos civis, desde que a segurança esteja em jogo, mesmo remotamente.

E vibra com as intervenções militares de Tio Sam em defesa dos interesses do império.

Chamado de “libertário”, Paul recentemente investiu contra os conservadortes: “Há um grupo em nosso partido que preferiria  manter tropas em 6 países . É algo que me separa de muitos republicanos. Eles criticam Hillary Clinton e Obama por sua política externa, mas fariam a mesma coisa – talvez 10 vezes mais.”

Num partido que promoveu ou aplaudiu todas as recentes intervenções bélicas americanas, o senador tem a coragem de ser pela paz: ”Para o bem do nosso país, certamente para o bem dos nossos soldados – para o bem de cada veterano que já vestiu um uniforme e lutou por sua pátria- a missão da América deve ser sempre manter a paz, não policiar o mundo.”

Sobre a guerra do Iraque, o senador afirmou ter sido um erro derrubar Sadam Hussein.

A participação americana na guerra da Líbia foi igualmente condenada.

Para Rand Paul, tanto com Hussein quanto com  Kadhafia verdade é que com eles os extremistas islâmicos não tinham vez.

O senador orgulha-se de ter votado contra o fornecimento de armas aos rebeldes sírios.

Ele acha que, caindo Assad, se criaria um vácuo no poder, fatalmente preenchido pelos grupos terroristas islâmicos.

Entre o ISIS e Assad, os EUA teriam feito a escolha errada.

“Pusemos 600 toneladas de armas na guerra civil síria… De todas as armas que demos aos rebeldes islâmicos…uma porção acabou nas mãos do ISIS.”

Talvez a posição mais controvertida de Paul tenha sido a que teve por alvo a Arábia Saudita.

Ele sugeriu que os EUA deveriam boicotar os sauditas “não porque eles não são feministas, mas porque eles, e não os iranianos, são os principais financiadores do terrorismo no mundo.”

Negando-se a demonizar o Irã, Paul defende o acordo nuclear preliminar recentemente aprovado.

E vai mais longe: numa reunião com líderes judeus americanos, declarou-se francamente contrário a uma guerra contra os iranianos.

Foi uma atitude corajosa, pois em várias ocasiões, o premier Netanyahu defendeu a ideia de bombardear as instalações nucleares do Irã.

Como disse Joe E.Brown na cena final do filme “Quanto mais quente melhor”, nada é perfeito.

O apoio a Israel tem sido uma constante na atuação de Rand Paul.

Também desagradou aos progressistas ao defender cortes nos programas sociais do governo Obama, como um recurso para ajudar a equilibrar as finanças públicas.

Notórias ligações com o Tea Party lançam uma sombra sobre o político libertário.

E não vamos esquecer que, embora favorável ao acordo nuclear preliminar com o Irã, ele defende a obrigatoriedade de ser aprovado pelo Congresso.

O que provavelmente provocaria sua anulação.

RENTISTAS EM FESTA: O aumento de juros não é a solução


No mesmo dia que os bancos anunciaram seus lucros do primeiro trimestre, com previsões grandiosas, e informaram um crescimento em média de 19,5% – puxado pelo Banco Itaú (23,4%), Bradesco (22,1%) e  Santander (17,9%) –  o COPOM aumentou a taxa de juros básica, a Selic, em 0,50%. Não bastasse isso, o mercado, não contente, já anuncia que quer mais 0,5%, com juros de 13,25%.
As conseqüências desse movimento são muitas. Vamos pagar por dia R$ 1 bi de juros da dívida interna. O real, que já vem se valorizando, absorverá a tendência ditada pela Selic e vai seguir impedindo uma melhora nas nossas contas externas. A conta é simples: juros mais altos não combinam com ajuste fiscal, eles derrubam a economia e a arrecadação. Além disso, aumentam (e muito) as despesas financeiras da União com o serviço da dívida interna. Não há superávit que resolva essa equação. A tendência é de menor crescimento e arrecadação, inclusive da Previdência e de mais dívida e déficit.
O pior de tudo é que esse juros não afetam a inflação, não resolvem o problema do país. Para o Brasil crescer precisamos de investimentos, mas ninguém tomará crédito com um dos juros mais altos do mundo – não é exagero, hoje em quase todos países os juros dos títulos públicos são negativos. O crédito brasileiro perde toda sua competitividade com altas taxas. Assim, o consumidor evidentemente se retrairá e o emprego e a renda também. Perderemos o apoio da nossa principal base de sustentação do nosso crescimento: o mercado interno e as exportações. Com o real se valorizando a tendência é clara. Não crescerão, pelo contrário, as importações que poderiam tomar novo fôlego.
Será esse o ajuste real?
Mas, talvez esse seja o ajuste real buscado pela equipe econômica: uma queda brusca do PIB, dos salários, um crescimento do desemprego para tirar do trabalhador o poder que hoje ele tem de exigir seus direitos e uma maior participação na renda nacional. Aliás, a base para o crescimento com distribuição de renda,  para uma maior justiça social e um modelo democrático de desenvolvimento.
A realidade é que pagamos 6,6% do PIB em juros da dívida interna, a maior concentração de renda do mundo. Esse é o verdadeiro e real problema do Brasil, um sistema bancário e financeiro sem concorrência e monopolizado, com uma política monetária submetida aos interesses do rentismo. Um país sob o controle do capital financeiro e de uma mídia também monopolizada e aliada do rentismo.
O mais grave é a cegueira e a falta de consciência de classe do empresariado produtivo – com exceções, claro – que cada vez mais parece ceder e apoiar esse caminho que, como demonstra a experiência do passado e da Europa hoje, não levará ao saneamento, necessário, das contas públicas, muito menos à retomada do crescimento.
Nossos empresários buscam reduzir custos, como em todo mundo, mas não veem a importância da redução dos juros e dos custos altíssimos financeiros deles e do país. Preferem optar pela redução dos salários, em vez de mais produtividade e inovação, menos custos às custas dos salários e direitos sociais e trabalhistas. Uma fórmula burra, mas eficaz.
Governo deve acreditar na capacidade do povo e do empresariado de enfrentar a crise 
Sem desvalorizar para valer o real, sem coragem para enfrentar o rentismo, a equipe econômica do governo opta pelo caminho mais fácil, mas que pode matar o doente: o aumento dos juros. De um lado está o empresariado e do outro os trabalhadores que provam sua resistência e reagem contra o PL 4330 da terceirização. Os trabalhadores estão mostrando que não será fácil o caminho do ajuste proposto pela equipe econômica.
Sendo razoável, o caminho adotado pelo governo de negociar com os sindicatos uma saída para o impasse deveria envolver um grande debate sobre o próprio ajuste e as alternativas a atual política monetária. Um debate que envolvesse uma reforma de nosso sistema tributário e financeiro.
Um retorno ao desenvolvimento como objetivo central, ao aumento dos investimentos, da produtividade, na certeza de que o país pode e tem condições de impulsionar um amplo programa de investimentos na infraestrutura, com as concessões em energia, petróleo e gás. Sem esquecer de acreditar nas exportações de serviços, capital e tecnologia, com um banco de exportação e importação, e uma secretaria de comércio exterior.
O governo pode e deve acreditar no seu mercado interno e na capacidade do povo e do empresariado de enfrentar a atual crise. E com amplas reformas, não apenas econômicas, mas nas próprias instituições do país e, sobretudo, nas duas principais: a educação e o sistema político.
*****
Nota Claudicante: Assim fica difícil defender o governo Dilma... Haja desânimo...

Federação dos policiais federais denuncia PEC 412 e repudia o uso político das investigações

A Federação Nacional dos Policiais Federais, que representa cerca de 80% de todo o efetivo da Polícia Federal, vem a público manifestar-se contrária aos termos contidos na PEC 412/09, apelidada de PEC da Autonomia.

Além de não refletir os anseios da esmagadora maioria dos profissionais com atuação na corporação, verificamos que a proposta baseia-se em argumentos sofismáticos, onde o delegado de Polícia Federal figuraria como a própria instituição Polícia Federal, bem como que tal cargo deveria possuir prerrogativas próprias de magistrados para poder bem operar.

Nos bastidores da Polícia Federal, do Poder Judiciário e do Ministério Público são amplamente conhecidos os interesses ocultos nessa proposta. Tanto que ela sequer passou por debates internos e discussões entre os componentes de todos os cargos que compõem o quadro de servidores da Polícia Federal, sejam policiais, sejam administrativos.

Em suma, a PEC 412 tenta investir mais poder ao cargo de delegado de Polícia Federal, hoje isolado no ambiente de convívio social e funcional da Polícia Federal.

A pleiteada autonomia serviria para impedir o constitucional controle externo da atividade policial pelo Ministério Público, o que poderá trazer consequências desastrosas para possíveis investigações que poderiam surgir.

Todo e qualquer órgão policial deve ter o devido controle das suas atividades, como já ocorre com o controle externo realizado pelo Ministério público, sob pena de possibilitar que a sociedade volte a conhecer uma polícia repleta de desmandos e ações desenfreadas, eivadas dos mais diversos vícios, tornando-se uma espécie tupiniquim da GESTAPO.

Os policiais federais representados por esta Federação convocam todos os brasileiros para refletirem sobre o que está proposto na PEC 412: poder extremo ao cargo de delegado, libertação do controle do Ministério Público, poder para criar e extinguir cargos no âmbito da Polícia Federal.

A PEC 412/09 já trilha seu caminho, mostrando ainda de forma superficial, o que poderá vir mais adiante, pois, conforme notícias veiculadas na mídia, parlamentares têm sido procurados por representantes de associação de delegados da Polícia Federal em prol de sua aprovação e justificando que os trabalhos da operação Lava Jato, motivo de marketing em alguns momentos, tiveram iniciativa exclusivamente por parte da PGR, o que, como não houve prova em contrário, denota que tal associação joga contra a referida operação policial e, consequentemente, contra toda a sociedade. Seria isso apenas o começo?

A Federação Nacional dos Policiais Federais jamais seria contrária a qualquer proposta legislativa que realmente fosse trazer benefícios ao Departamento de Polícia Federal, mas nunca aceitará inerte que tentem fazer desse órgão uma espécie de locomotiva desgovernada.




Nota de Esclarecimento 

Federação dos policiais federais repudia o uso político das investigações


A Federação Nacional dos Policiais Federais - Fenapef, única entidade sindical registrada no Ministério do Trabalho e Emprego com representação trabalhista nacional de todos os integrantes da Carreira Policial Federal, vem a público esclarecer que considera execrável qualquer uso político do trabalho investigativo, num momento tão delicado para a Sociedade Brasileira.

O complexo trabalho de análise e inteligência desempenhado pelos agentes federais na rede de ações apuradas pela operação Lava-Jato é fundamental, porém discreto, como toda investigação deve ser. E o esforço silencioso dos investigadores não pode ser apropriado por associações de classe, no intuito de que seus projetos de lei sejam aprovados no Congresso Nacional.

Independente do cargo que ocupam, o juiz, o promotor/procurador, o agente federal, o delegado, o escrivão federal e o perito/papiloscopista são servidores públicos, e como o próprio nome diz, servem à Sociedade, que paga os seus salários e deve exigir isenção, objetividade, discrição e, sobretudo, impessoalidade.

O juízo antecipado e o uso especulativo/espetaculoso de operações policiais é prejudicial à própria apuração dos crimes, motivo pelo qual a Federação Nacional dos Policiais Federais, em nome dos mais de 13.000 policiais federais sindicalizados em todo o Brasil, vem repudiar todo e qualquer uso político ou corporativista das investigações da operação Lava-Jato.

Federação Nacional dos Policiais Federais

No Fenapef

17 heróis: policiais se negam a bater em professor, são presos e dão lição

Assim a PM trata os professores no Paraná - Foto Joka Madruga/Futura Press/Estadão Conteúdo
Assim a PM trata os professores no Paraná – Foto Joka Madruga/Futura Press/Estadão Conteúdo

Quem disse que os porteiros de Auschwitz não tinham escolha?
Que os médicos de salas de tortura não poderiam se recusar a estar ali?
Que soldados não têm chance de recorrer a objeções de consciência para não massacrar os mais fracos?
Que taxista carece do direito de se negar a rodar com o taxímetro adulterado pelo dono da frota?
Que funcionário de empresa privada e funcionário de companhia pública devem fingir que não veem assaltos ao patrimônio público?
Que jornalistas não têm como se rebelar contra a manipulação inescrupulosa de informações?
Sim, é possível dizer não.
Eis a lição dos pelo menos 17 policiais militares do Paraná que ontem disseram não à ordem de atacar milhares de professores que protestavam contra a iminente retirada de direitos seus pela Assembleia Legislativa.
A Polícia Militar informou que esses policiais foram presos por se recusar a participar do “cerco'' contra os mestres em greve.
“Cerco'' é eufemismo. Não se tratava de cercar, bem sabiam os 17.
A PM avançou contra os professores empregando cão pitbull. Um dos cachorros mordeu um cinegrafista da Band.
Quais são os valores de uma corporação que lança pitbull contra professor e jornalista?
Atiraram com bala de borracha mirando a cabeça.
Bala de borracha pode matar, ferir gravemente, deixar sequelas.
Um chefe mandou bater com o cassetete por baixo, para evitar imagens.
Os professores só queriam assistir à sessão da Assembleia que tornaria ainda mais difícil a vida dos trabalhadores da educação.
Os PMs jogaram bombas de gás que afetaram até crianças em uma creche vizinha.
Saber que há creche ao lado e lançar gás configura selvageria imoral.
É mais digna a retirada do que maltratar criança.
Os 17 do Paraná disseram não a tudo isso.
Pobre do país que precisa de heróis é uma boa tirada, mas circunscrita a circunstâncias.
Miserável é a nação que ergue monumentos para heróis de fancaria.
Como disse noutra quadra um grande cronista, o povo urina nos heróis de pedestal.
Os 17 PMs honraram a promessa de proteger os cidadãos.
E periga serem os mais atingidos pela truculência do governo Beto Richa.
A quarta-feira sangrenta deixou centenas de professores feridos em Curitiba.
Mas também legou a lição de 17 policiais que são heróis brasileiros.

Para professor da USP, ódio nas manifestações surge de modelo que começa a ruir

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Dunker: abordagem multidisciplinar para compreender o fenômeno do ódio, 
que é combustível das manifestações contra o governo

Em livro lançado na semana passada, o psicanalista Christian Dunker afirma que a 'lógica do condomínio', que organiza a visão de realidade de segmentos conservadores, está semeando a rivalidade entre grupos.


Qual a origem do ódio deflagrado pelas manifestações reacionárias dos dias 15 de março e 12 de abril? Para o psicanalista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Christian Dunker, esse ódio é produção do que ele chama de “crise dos condomínios no país”. Segundo Dunker, o conceito de condomínio que permeia a visão de realidade de parte dos brasileiros, com as eleições do ano passado, caminhou para o colapso. “O sentimento que se tinha é de que o Brasil era um grande condomínio, e ninguém iria eleger um síndico, ou deixar um síndico que ‘nós’, os que sempre mandaram no país, ‘não queremos’”, diz.
Com essa perspectiva, que associa ao momento político e às manifestações conservadoras, Dunker lançou na semana passada o livro Mal-estar, Sofrimento e Sintoma (editora Boitempo), em que analisa a realidade brasileira do ponto de vista da história de sofrimento no país e da expansão do pensamento neoliberal, que se apropria do condomínio, o espaço público, e segrega quem pode ou não ter acesso a esse espaço.
No livro, Dunker lança mão da psicanálise para analisar a questão política e social, mas não se limita a isso. O caráter multidisciplinar da obra inclui abordagem da história e sobretudo das ciências sociais brasileiras, que por meio de autores como Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre buscam dar contorno à produção de identidades no país.
Chamou a atenção o evento de lançamento do livro, programado para a sede da editora no bairro de Perdizes e acabou transferido para a quadra do Sindicato dos Bancários, no centro de São Paulo, tamanho o número de pessoas interessadas em acompanhar o debate de lançamento. “Foi um evento interessante, o momento pede uma resposta às manifestações e a esse agrupamento da direita no país. Acabou sendo um pretexto para todos se encontrarem.”
O que é a lógica do condomínio?
No livro, eu trato o condomínio como um sintoma do Brasil, no sentido de que é um fenômeno que tem uma aparição histórica muito precisa, nos anos 1970, justamente no momento em que o mundo assiste ao início dessa grande virada neoliberal, com Margaret Thatcher, na Inglaterra, e Ronald Reagan, nos Estados Unidos. Trata-se de uma mudança na maneira de produzir, mas também de entender o uso do espaço, e a configuração das leis que regem esse espaço. Então, o condomínio foi um sonho de consumo brasileiro, e torna-se um sintoma porque, no fundo, ele não é só um jeito de viver, uma forma de moradia. Olhamos para a vida ao modo de uma experiência que temos no condomínio.
E como se processa essa experiência?
Primeiro, você tem a produção de muros, que impedem que qualquer um entre. Então, o espaço que é comum dentro dos condomínios não é de fato espaço público. Ele é, digamos, um espaço que imita o público, é um espaço público postiço, onde é criado um conjunto de ilusões, de funcionalidade, de transparência, que capta o mito de uma vida resgatada, pura, uma vida onde a gente vai ter segurança plena, onde tudo vai estar no seu lugar.
Então, esse é um binômio inicial, quer dizer, você constrói muros para criar e purificar a sua experiência. Esses muros podem ser catracas, fichas de identificação, esses muros dizem quem é você, se você pode entrar e pode sair. Você começa a trabalhar com uma visão de mundo a partir de segregados e segregantes, quem é que você vai excluir para criar a sua forma de vida. E isso, certamente, é muito perigoso.
E como a vida intramuros se reproduz?
Depois de você construir muros e estabelecer o uso semipúblico do espaço, da coisa comum, vem mais um passo. Você começa a ter a gestão da sua vida na figura do síndico. Uma vida baseada na gestão, isso é o que temos acompanhando, que são os atravessamentos da experiência com o outro. E o modelo se espalha. É a gestão da saúde, da educação, é o gestor como aquele que não entende muito da atividade-fim, mas entende, vamos dizer assim, de como extrair algo a mais do processo de produção, ou do processo de consumo.
Então, nossa vida é primeiro dividida em muros, o que cria uma segregação, uma mutação no espaço público e em seguida vem a figura do síndico, que diz que esse é o jeito obrigatório de se viver. E aí temos os síndicos, que estão pululando pelo Brasil. São administradores da coisa pública que a tornam coisa semipública.
Podemos dizer então que os síndicos dão suporte ao neoliberalismo?
Esses são os caras que estão nos órgãos reguladores, é o cara essencial para produzir a terceirização, ele é aquele que pega as atividades que eram guarnecidas até os anos 1970, em educação, saúde e assistência social, e enfrenta isso como um negócio. O próximo passo da lógica de condomínio, baseada num sonho de harmonia e segregação, só que não é notada como segregação, se torna um pesadelo. Dentro dos condomínios surgem coisas incompreensíveis, como uma violência disruptiva, uma competição desmesurada entre vizinhos – o garoto está andando de bicicleta e raspa no carro do vizinho, aí o dono do carro vai lá e dá um chute na porta do carro do pai e diz que vai matar o garoto, algo desproporcional.
Mas aí o condomínio começa a se tornar também um espaço sem regras...
Em tese, é uma violência que já está meio latente ali nos laços. Quando alguém faz uma violação, e como aquele é um espaço formado a partir de uma extrema idealização do que sejam as relações humanas, qualquer violação é punida drasticamente, é pretexto da violência de um contra o outro. O alto consumo de álcool e de drogas, depressão, pânico, um sentimento exagerado de insegurança social, ou seja, tudo aquilo que você negou para construir o condomínio, volta pela porta dos fundos do condomínio. E, na realidade, você pode pensar isso como uma forma de vida que vai ter variações estruturais. O shopping center é uma forma de condomínio.
A prisão é outra forma de condomínio. A favela é uma terceira forma de condomínio. Você vai trocando os termos, vai mudando a conotação do que é o muro, o elemento segregador, quem é o síndico e chega em espaços que têm uma regra de existência semelhante ao condomínio. Seria então um sintoma que vai crescendo, que vai se tornando mais e mais central na nossa cultura dos anos 1970 até o nosso momento atual, que é uma espécie de crise dos condomínios. Então, você assiste à classe média reclamando que os condomínios estão ruindo, os muros não estão funcionando direito, precisa criar novos muros, novas figuras intrusivas, e assim por diante.
Quais são os indicadores de que hoje a lógica do condomínio está em crise?
Primeiro, vamos dizer assim, está em crise porque deu certo, ou seja, a ideia do condomínio se generalizou, se consolidou como uma forma de vida tão normalopática, tão esperada que ninguém mais percebe que isso é problemático. Nós não percebemos os custos que temos quando praticamos a segregação. Poderíamos chamar, assim, de um sintoma egosintônico, que se entranhou no 'eu' de tal maneira que a pessoa não consegue mais nem entrar em conflito com ele. Mas a lógica do condomínio tem a ver com um certo momento em que essa ideia de se apropriar do espaço público e criar uma lei de uso particular, prêt-à-porter, de consumo doméstico, vamos dizer assim, podia ser arbitrada segundo uma organização de autoridade vertical. O síndico é o sucessor, meio anacrônico, é verdade, do chefe, do pai, de quem representa a autoridade.
E quando esse sistema começa a ruir?
Entenda que o condomínio entra em crise quando essa autoridade se dispersa e começa a haver uma espécie de luta entre os condomínios, de ataque mútuo entre formas de vida, cada qual formada por pequenos grupos que se entendem como comunidades independentes. Você pode ver isso tanto do ponto de vista da religião, de consumo, entre outros. O choque, como diria Žižek (Slavoj Žižek, filósofo, crítico e cientista social esloveno), não é entre civilizações, mas é “intracivilizacional”. É assim que aparece essa ideia do ódio entre as pessoas, do ódio político, como depois da eleição de 2014, que foi válida. Enfim, um time perdeu, mas de repente isso é insuportável, e por quê?
Porque o sentimento que se tinha é de que o Brasil era um grande condomínio, e ninguém iria eleger um síndico, ou deixar um síndico que “nós”, aqueles que sempre mandaram no país, “não queremos”. Essa contrariedade produziu um choque com relação ao sentimento, seja ele falso ou verdadeiro, não importa, mas uma interpretação dos donos do poder, como dizia Raimundo Faoro, de que de repente tem algo que está fora do nosso condomínio. Isso coloca os condomínios em crise, mas eles ainda são a forma prevalente do nosso entendimento, tanto da produção quanto do consumo na nossa forma de vida.
A quem é destinado o livro?
Ele tem uma ambição de sair dos muros da psicanálise. Um dos capítulos busca, justamente, mostrar que a psicanálise, enquanto prática clínica, é uma coisa que se entranhou, foi bem recebida pela nossa cultura e depois disso se formou também como estrutura de condomínio dentro do nosso padrão brasileiro de lidar com a sociedade civil, espaço público etc.; então, o primeiro público obviamente seria o psicanalista, mas esse segmento talvez fique decepcionado com a maior parte do livro, pois ele se torna mais específico na última parte, porque até lá o que eu vou discutir é o Brasil.
Tem um capítulo sobre a formação do pensamento na brasilidade, passando por Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, chegando então nos pensadores desenvolvimentistas dos anos 1950, é um pouco assim uma história do Brasil do ponto de vista do nosso sofrimento. Você pode ter a história econômica, política, religiosa, e eu decidi fazer, num dos capítulos mais longos, sobre quais são as nossas formas de sofrimento, como a gente sofre, como sofreu e como está sofrendo hoje. É como colocar os condomínios em uma espécie de série histórica. E desse ponto de vista, o livro interessaria a um leitor também focado em teoria social, política, filosofia, semiótica, ciências humanas. Tenho recebido comentários de pessoal da arquitetura, urbanismo, gente que trabalha com política, ciência política e pessoas interessadas no Brasil, no nosso momento. O livro funciona para pensar essa virada do Brasil pós-reeleição da Dilma.
Então, podemos dizer que é um enfoque multidisciplinar?
Tem uma parte que discute bastante com a medicina, com o campo da saúde, da psicopatologia, vamos dizer assim, mas é uma discussão mais ou menos aberta sobre o que é a loucura, o que é o sintoma, e o que é essa categoria, que é clínica, mas também social, que é a noção de sofrimento.
O livro começa com um pequeno conto de uma pessoa que está num hospital, é o caso real do pai de um amigo que vai para um hospital e fica naquele processo sem-fim de exames, guias de internação, interna, não interna, verifica se pagou o convênio, vai aqui, vai lá, faz os processos, daí a hora em que chega o médico para passar o diagnóstico e pega todo aquele material esse senhor diz assim: “Não precisa falar nada, eu sei muito bem o que eu tenho, chama-se 87 anos”. Isso é uma entrada para o tema porque nós não precisamos associar o sofrimento nem com diagnósticos, nem com sintomas formalizáveis pela razão psicopatológica. O sofrimento, no fundo, é um tema político, tem a forma de sofrimento que merece atenção e tem a forma que merece ser silenciada. Como se produz esse processo? É uma discussão para quem tem interesse em Brasil, em política e também em psicopatologia.
Por que o sofrimento é político?
A ideia é que a realidade do que a gente sofre muda conforme a gente fala do nosso sofrimento. Se o outro chega e diz “pô, cara, isso aí que você está passando eu reconheço como uma dificuldade, como um sofrimento que tem dignidade”; a sua experiência real, de dor, de desprazer, de insatisfação, sua experiência no corpo, muda com o reconhecimento. Mas também há o momento em que o outro diz “eu não reconheço”. Por exemplo, o sofrimento de gênero. “Não reconheço que você tem direito a sofrer, porque você está sendo maltratado publicamente, porque isso aí não cabe na minha moral”. Então, aquela experiência inicial de sofrimento aumenta conforme ela é tratada pelos outros. E quem decide qual é o sofrimento que tem de ser tratado e qual não tem não deve ser o médico, nem o psicanalista, nem nenhum especialista isoladamente, mas o conjunto, quer dizer, a questão política, porque envolve todos. No fundo, nós já estamos fazendo isso, nós estamos discursivamente validando, invalidando, revalidando, desautorizando, construindo narrativas de sofrimento. Todo sofrimento se dá em uma história, em uma narrativa. O sofrimento não é a dor, a dor é uma sensação que você tem, o sofrimento é a história que você conta a partir disso.
Esse sofrimento de gênero, quando não tem o reconhecimento do outro, implica que o sujeito não se vê como detentor de um lugar no seio da sociedade...
Ou tem um reconhecimento patológico. É reconhecido como doença. Ou tem reconhecimento marcado por um determinada meta narrativa. Por exemplo, o sofrimento de gênero da mulher. Tem uma meta narrativa que diz “olha, o seu sofrimento, a dor da menstruação, a dor do parto, a natureza já previu, estabeleceu que você tem de sofrer, então, você não pode reclamar, aceita calada isso que está acontecendo com você”. Você tem nesse caso uma política construindo uma modalidade específica de reconhecimento e dizendo que o reconhecimento se dá de uma maneira e não de outra. Você também tem o sofrimento de gênero do homem, que diz que ele não pode chorar. Isso é uma outra ideia, de que o homem sofre calado, não pode se mostrar de outra maneira porque é sinal de vulnerabilidade. Ou o sofrimento dos homossexuais: “Você não pode sofrer, porque é uma escolha que você fez, é uma coisa que é contra a natureza, então, isso não pode estar associado com nenhum tipo de sofrimento porque é uma escolha sua”.
Tentando entender as razões das pessoas que participaram das manifestações contra a corrupção e o PT, em 15 de março e 12 de abril, dá para observar, nas entrevistas, que as pessoas adotam a livre associação para criticar a realidade. Constroem narrativas que unem informações e fatos espontaneamente, ao sabor do desejo ou do ódio que estão sentindo, mas deixam de lado qualquer critério lógico...

Mas por outro lado, você tem de ver que tem sempre uma certa parasitagem da ciência. Tem gente que vai dizer assim, “Você é de esquerda?! Então você tem um problema mental, você é um petralha, você tem uma forma de deficiência mental, você não consegue entender direito o mundo, tem um problema”. Ser de esquerda, nesse caso, significa que você não está às voltas com uma interpretação de mundo que produz certo desassossego, inquietação ou indignidade, mas você tem esse “sofrimento” a ser tratado no médico, e não em praça pública.

Civilidade é o novo desafio das redes sociais

Civilizado?

Por Ricardo Kotscho, em seu blog
Metade da população brasileira, segundo o IBGE, já tem acesso às redes sociais em suas diferentes plataformas _ e esta é uma notícia muito boa. Estamos cada vez mais conectados ao mundo digital que provocou a maior revolução nas comunicações humanas deste a criação da imprensa, mais de 500 anos atrás.
O grande desafio que se coloca agora é discutir de que forma utilizamos este fantástico instrumento de interação e democratização, em que todos nos tornamos ao mesmo tempo emissores e receptores de informações e opiniões.
Qualquer meio de comunicação pode ser usado para o bem ou para o mal e, não, ser considerado um bem ou um mal em si mesmo.
Como se trata de fenômeno relativamente recente em nosso país, muita gente ainda não sabe exatamente para que serve a internet e de que forma pode ajudar ou não a nos tornarmos um país mais civilizado.
Civilidade: acho que esta é a palavra certa para definir o que devemos buscar agora nas redes sociais que se multiplicam sem parar, fora de qualquer regra ou controle. Há tempos não ouvia falar nesta palavra, que revi num texto do repórter Vinícius Mendes, publicado na revista "Brasileiros" de abril, sobre o engenheiro Michel Friedhofer, criador da página Um Convite à Civilidade no Facebook.
Friedhofer trata da civilidade não especificamente na internet, mas de uma forma geral das relações com os outros no nosso comportamento cotidiano. "Indignado com atitudes incorretas incorporadas ao dia a dia, o engenheiro Michel Fiedhofer convida as pessoas a praticarem civilidade. Para ele, pequenos desvios de comportamento são elementos vitais para a corrupção em larga escala", escreveu Mendes na abertura da matéria, que vale a pena ler.
Achei ótima a ideia. Está na hora de resgatarmos antigos valores no relacionamento humano que nada têm a ver com novas tecnologias. O lado negativo da rápida expansão das redes sociais é que elas servem também para mostrar o baixo nível cultural e educacional dos seus usuários. E neste ponto o quadro revelado pela internet é bastante preocupante.
Basta dar uma navegada nos comentários publicados por internautas em toda parte, dos grandes portais jornalísticos aos blogs pessoais. Sem qualquer moderação ou cuidado por parte de seus responsáveis, boa parte dessas mensagens lembra mais as portas de banheiros em locais públicos, onde se despejam ofensas e baixarias oferecendo o que o ser humano pode produzir de pior, da intolerância ao racismo, da ignorância à total falta de civilidade.
Nestes dez anos de trabalho na internet, não tenho do que me queixar pessoalmente, pois melhorou muito o nível dos comentários enviados ao Balaio, que leio um por um antes de publica-los. Cada vez menos sou obrigado a utilizar a tecla "delete", única forma de evitar que o ambiente fique contaminado, afastando leitores mais interessados em refletir sobre os temas propostos pelo blog e menos em agredir os que pensam de forma diferente. Sou muito grato por isso aos que me acompanham diariamente.
Aqui e em outros espaços, às vezes tenho a impressão de que muitos nem se dão ao trabalho de ler os textos antes de enviarem suas opiniões definitivas sobre qualquer assunto. Dão uma rápida olhada nos títulos e já começam a digitar qualquer coisa, mais rápido do que conseguem pensar, escrevendo sempre as mesmas coisas, a favor ou contra os mesmos alvos, sem muita preocupação com a gramática, a lógica e o bom senso.
São os prazeres e as dores desse crescimento da internet que, se de um lado, oferecem um formidável e rápido acesso a tudo o que a humanidade já produziu de melhor em todas as áreas, de outro, liberam os piores instintos dos que ainda têm dificuldades para conviver com o pensamento alheio e a democracia, ainda mais num clima de alta beligerância como o que vivemos atualmente no Brasil.
Como dotar as redes sociais de mais civilidade é um bom tema para refletirmos neste feriadão. Vai fazer bem para todos nós, cidadãos internautas.
Vida que segue.

A globalização e os idiotas

"A idiotice não permite autocrítica, pois não existe
um idiota relativo. Todo parvo é absoluto".


Por Medievaldo Pereira*, no Trabalhador da Notícia

A estupidez é o que distingue os seres humanos dos demais animais. Se há uma característica realmente exclusiva do bicho homem é a idiotice. Nenhum outro animal é capaz de produzí-la. Portanto, se alguém lhe disser o contrário, imputando aos homens (e às mulheres) a inteligência como traço distintivo entre nossa espécie e as demais, tenha certeza: trata-se de um idiota, pois a maior característica dos idiotas é a incapacidade de compreender a própria estupidez. A idiotice não permite autocrítica, pois não existe um idiota relativo. Todo parvo é absoluto.

Nelson Rodrigues sabia que os idiotas são maioria na humanidade e a internet está aí para comprovar sua hipótese. Com o advento da internet e das redes sociais os néscios, antes circunscritos às suas aldeias, aos seus círculos de amizade e, quando muito às Câmaras de Vereadores, ganham agora dimensão planetária e, por que não dizer, universal.

As provas desta assertiva são abundantes e existem em maior quantidade que as músicas ruins ou os livros de auto-ajuda. Vejam por exemplo que há quem acredite, com a fé de uma devota de quermesse, que o Marco Antonio Villa é historiador, que o Rodrigo Constantino é economista e, pasme, que Rachel Sheherazade é jornalista.

Os estultos, em geral, são muito competentes no exercício de suas funções. Competentes e desinibidos. O senhor e a senhora, podem, com pouco esforço, se lembrar que não foram poucos os mentecaptos que, a pretexto de protestarem contra a corrupção, pousaram alegres e sorridentes ao lado de líderes de bandos como Antônio Imbassahy, José Carlos Aleluia ou Ronaldo Caiado.

Assim, não há um só dia qualquer em que não podemos assistir à hegemônica força da estupidez humana, presente em todas as famílias, inclusive na minha que, como é de conhecimento público, possui um idiota imortal, com direito a fardão e cadeira numerada.

Portanto, os energúmenos são como a água, que existe na mesma proporção há milênios. Se nos parece que aumentaram em número é porque, agora, com as postagens nas redes socais, os vídeos no youtube e a tecnologia digital alcançamos a democratização do acesso à idiotice.

Há 10 ou 20 anos atrás poucos saberiam que 28 idiotas se puseram numa “Marcha pela Democracia” rumo a Brasília, escoltados por 30 policiais. Graças à internet, entretanto, agora podemos assisti-los, em tempo real, no legítimo exercício de suas idiotices.

*jornalista e irmão de um idiota.

Professores enfrentam dificuldade para tirar selfie com a polícia em Curitiba