LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

ARMAÇÃO: O segredo de Fernando Gabeira

 

Fernando Gabeira é um mestre em marketing pessoal. Mesmo tendo uma participação apenas “circunstancial e secundária” no famoso sequestro do embaixador Charles Elbrick (vejam o vídeo no final da última nota sobre este tema) escreveu um livro ao voltar do exílio, “O que é isso, companheiro”, onde exagera em muito a sua participação para usufruir da mística de “guerrilheiro”, coisa que na prática nunca foi.


Em 1979 chamou a atenção por andar de sunga de crochê na praia de Ipanema. Em 1986, quando o Partido dos Trabalhadores era uma novidade que atraia uma juventude neófita em democracia, Gabeira foi candidato pelo PT ao governo do Rio. Saiu do PT para fundar o PV, aproveitando o auge do discurso "ecológico". Saiu do PV em 2002 e voltou ao PT, onde ficou apenas um ano, tempo bastante para se eleger deputado federal na onda que embalou a vitória de Lula, abandonar o partido que o elegeu e voltar ao PV, levando o mandato, é claro. E depois? Perguntará o leitor ansioso. Saiu do PV de novo. Durante esta legislatura, Gabeira usou (em 2004) R$ 20 mil para contratar uma empresa de sua mulher para prestar serviço em seu gabinete. Também deu passagens do mandato, pagas com o dinheiro público, para a filha surfar no exterior. Quando o fato veio à tona, candidamente admitiu “não ter refletido sobre o dilema ético”.

Gabeira, um sujeito moderno

Gabeira considera que o socialismo, “foi um fracasso”. Em 2010, apoiou José Serra para presidente. Mas sempre mantendo em torno de si mesmo a aura de um sujeito “moderno”, defensor de uma “nova política”. No entanto, confunde o público com o privado e entra e saí de partidos, como vimos, como qualquer outro velho espertalhão do parlamento. Em artigo publicado nesta sexta-feira (10), no jornal O Estado de S. Paulo, intitulado “Bye Bye Dilma”, o articulista, que agora nutre um ódio visceral pelo PT, afirma que “uma esquerda no governo não poderia comprometer-se a fundo com Cuba e Venezuela. Ainda que admirasse os dois modelos, o que é um alto grau de miopia (...) uma esquerda no governo deveria abster-se de levar o capitalismo a um outro sistema, mas, sim, tirar o melhor proveito de suas potencialidades”.

Gabeira e Bolsonaro

Argumentos como estes, provavelmente até com uma redação melhor, encontramos em qualquer anticomunista raivoso que enxerga no Governo Dilma uma conjuração do bolivarianismo que estaria conduzindo o Brasil rumo ao socialismo do século 21 (quem dera). Perguntem a Gabeira qual era o objetivo dos que lutaram contra a ditadura. A resposta que ele já deu dezenas de vezes define tudo, segundo ele a resistência queria “substituir uma ditadura por outra”. Esta é a mesma resposta que o Bolsonaro daria. A faceta autoritária de Gabeira, que o aproxima mais ainda do Bolsonaro, é revelada neste trecho do artigo: “Não há espaço para uma esquerda monocrática que confunde suas ideias com o interesse nacional”. Ou seja, uma esquerda que pretenda travar a disputa eleitoral para, chegando ao poder pelo voto, implementar as ideias que defende e que o povo eventualmente elegeu, deve ser defenestrada (“não há espaço”, diz ele). Para Gabeira então só pode existir uma ideia justa (o neoliberalismo) e a disputa se daria apenas em torno de nomes para administrar o que já existe de forma eterna e imutável. As eleições seriam então um grande jogo de cena e o poder, monocrático.

Gabeira, o segredo revelado

Na verdade, o segredo de Gabeira está revelado. Por mais que disfarce, ele se entrega pelas próprias palavras: longe de ser “moderno” e mais longe ainda de representar uma “nova política”, Gabeira hoje não passa de um senhor amargo e reacionário. Se viver mais uns dez anos – esperamos que viva muito mais – talvez ele chegue a defender a monarquia absolutista. Alguns podem considerar o Gabeira um traidor, afinal ele já foi de esquerda. Eu não concordo. Prefiro a definição de Voltaire: "Quem revela o segredo dos outros passa por traidor; quem revela o próprio segredo passa por imbecil".



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