LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Civilidade é o novo desafio das redes sociais

Civilizado?

Por Ricardo Kotscho, em seu blog
Metade da população brasileira, segundo o IBGE, já tem acesso às redes sociais em suas diferentes plataformas _ e esta é uma notícia muito boa. Estamos cada vez mais conectados ao mundo digital que provocou a maior revolução nas comunicações humanas deste a criação da imprensa, mais de 500 anos atrás.
O grande desafio que se coloca agora é discutir de que forma utilizamos este fantástico instrumento de interação e democratização, em que todos nos tornamos ao mesmo tempo emissores e receptores de informações e opiniões.
Qualquer meio de comunicação pode ser usado para o bem ou para o mal e, não, ser considerado um bem ou um mal em si mesmo.
Como se trata de fenômeno relativamente recente em nosso país, muita gente ainda não sabe exatamente para que serve a internet e de que forma pode ajudar ou não a nos tornarmos um país mais civilizado.
Civilidade: acho que esta é a palavra certa para definir o que devemos buscar agora nas redes sociais que se multiplicam sem parar, fora de qualquer regra ou controle. Há tempos não ouvia falar nesta palavra, que revi num texto do repórter Vinícius Mendes, publicado na revista "Brasileiros" de abril, sobre o engenheiro Michel Friedhofer, criador da página Um Convite à Civilidade no Facebook.
Friedhofer trata da civilidade não especificamente na internet, mas de uma forma geral das relações com os outros no nosso comportamento cotidiano. "Indignado com atitudes incorretas incorporadas ao dia a dia, o engenheiro Michel Fiedhofer convida as pessoas a praticarem civilidade. Para ele, pequenos desvios de comportamento são elementos vitais para a corrupção em larga escala", escreveu Mendes na abertura da matéria, que vale a pena ler.
Achei ótima a ideia. Está na hora de resgatarmos antigos valores no relacionamento humano que nada têm a ver com novas tecnologias. O lado negativo da rápida expansão das redes sociais é que elas servem também para mostrar o baixo nível cultural e educacional dos seus usuários. E neste ponto o quadro revelado pela internet é bastante preocupante.
Basta dar uma navegada nos comentários publicados por internautas em toda parte, dos grandes portais jornalísticos aos blogs pessoais. Sem qualquer moderação ou cuidado por parte de seus responsáveis, boa parte dessas mensagens lembra mais as portas de banheiros em locais públicos, onde se despejam ofensas e baixarias oferecendo o que o ser humano pode produzir de pior, da intolerância ao racismo, da ignorância à total falta de civilidade.
Nestes dez anos de trabalho na internet, não tenho do que me queixar pessoalmente, pois melhorou muito o nível dos comentários enviados ao Balaio, que leio um por um antes de publica-los. Cada vez menos sou obrigado a utilizar a tecla "delete", única forma de evitar que o ambiente fique contaminado, afastando leitores mais interessados em refletir sobre os temas propostos pelo blog e menos em agredir os que pensam de forma diferente. Sou muito grato por isso aos que me acompanham diariamente.
Aqui e em outros espaços, às vezes tenho a impressão de que muitos nem se dão ao trabalho de ler os textos antes de enviarem suas opiniões definitivas sobre qualquer assunto. Dão uma rápida olhada nos títulos e já começam a digitar qualquer coisa, mais rápido do que conseguem pensar, escrevendo sempre as mesmas coisas, a favor ou contra os mesmos alvos, sem muita preocupação com a gramática, a lógica e o bom senso.
São os prazeres e as dores desse crescimento da internet que, se de um lado, oferecem um formidável e rápido acesso a tudo o que a humanidade já produziu de melhor em todas as áreas, de outro, liberam os piores instintos dos que ainda têm dificuldades para conviver com o pensamento alheio e a democracia, ainda mais num clima de alta beligerância como o que vivemos atualmente no Brasil.
Como dotar as redes sociais de mais civilidade é um bom tema para refletirmos neste feriadão. Vai fazer bem para todos nós, cidadãos internautas.
Vida que segue.
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