LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Em Belo Horizonte, 56% dizem que nordestinos tem menos “consciência política” ao votar

Protesto em BH
Por Conceição Lemes, no Viomundo
O Grupo de Pesquisa Opinião Pública, Marketing Político e Comportamento Eleitoral e o Centro de Convergência em Novas Mídias (CCNM) da  Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) realizaram no último domingo, em Belo Horizonte, uma pesquisa  sobre “Perfil ideológico e Atitudes Políticas dos Manifestantes em 12 de Abril” .
Das 8 às 17h, 348 pessoas, que participaram dos atos do dia 12, responderam um  questionário de 90 perguntas. Na maioria delas, ao indivíduo foi colocado se ele concordava totalmente com determinada afirmação, concordava em parte, discordava totalmente, discordava em parte.
Entre os ouvidos na pesquisa, 69% também participaram da manifestação de 15 de março; 56% têm curso superior ou pós-graduação.  A margem de erro é de 4,8 pontos percentuais para cima e para baixo.
Alguns valores (tabela completa ao final) desses manifestantes:
*As cotas raciais são um erro, e o governo deveria acabar com isso: 70,1% concordam.
*A maioria penal deve ser reduzida: 81,5% concordam.
* As minorias, como negros, mulheres e homossexuais, têm direitos demais no Brasil:  36,1% concordam.
*Pessoas ajudadas por programas sociais, como o Bolsa Família, ficam preguiçosas: 77,8% concordam.
*Os nordestinos têm menos consciência política na hora de votar do que as pessoas de outras regiões: 57% concordam.
*Os pobres são mais desinformados na decisão de suas decisões políticas: 78% concordam.
“Como o meu grupo monitora a internet, eu já esperava esse perfil”, diz a professora  Regina Helena Alves da Silva,  do Departamento de História e coordenadora  do CCNM da UFMG. “O que ficou claro é que, tirando as baixarias que aparecem na internet, a gente pode cotejar o que se vê nas redes sociais com o que encontramos nas ruas no dia 12. Um perfil ultraconservador, muito mais à direita.”
Até agora se acreditava que as pessoas assumiriam posições ultraconservadoras na internet, mas não falariam pessoalmente. A pesquisa da UFMG derruba essa ideia.
“Que as pessoas  são a favor da redução da maioridade penal não é novidade”, expõe a professora Regina Helena. “O inusitado é elas não terem tido o menor pudor de mostrar a cara [os depoimentos foram gravados] e dizer que são contra as cotas raciais, que as minorias têm direitos demais no Brasil, que os pobres são mais desinformados e os nordestinos têm menos consciência política.”
“Isso assustador e preocupante”, observa a professora. “Mostra que já existe no Brasil uma conformação política que não é liberal. É uma direita mais radical, o nosso Tea Party.”
“Ao rejeitarem as políticas de direitos para as minorias políticas, eles demonstram que gostariam de voltar ao século XIX e acabar com a Lei Áurea, que pôs fim à escravidão em 1888“,  frisa a professora. “É a velha ideologia da Casa Grande X  Senzala.”
Outro dado flagrante é o interesse por política dos manifestantes que foram ás ruas de Belo Horizonte em 12 de abril:
* 69% tiveram a maior parte das informações sobre a manifestação na internet; 15% de familiares e amigos.
* 86% se dizem muito interessados ou interessados em política, assumindo posições bastante claras.
* 46% não tem preferência ou simpatia por nenhum partido.
* 39% tem simpatia ou preferem o PSDB.
* 4% DEM.
* 81% votaram em Aécio Neves no 2º turno das eleições.
Na verdade, são indivíduos anti-Dilma e anti-PT, como mostram os resultados da pesquisa da UFMG.
* 95% acham o governo Dilma ruim ou péssimo.
* 83%  Atribuem nota 0 ao PT.
*  78% acham que o Brasil está pior do que há 10 anos atrás.
* 39% Acham que a vida pessoal piorou nos últimos 10 anos.
* 89% classificam a situação econômica do Brasil como ruim ou péssima.
“Que eles acham que o governo Dilma é uma porcaria, dão nota zero ao PT, a maioria votou em Aécio, a gente já sabe”, traduz a professora.
– Mas por que eles dizem que o Brasil piorou e a situação econômica está péssima, se no governo FHC era pior? — alguns devem estar perguntando.
Acontece que esses dados não podem ser lidos isoladamente. Têm que ser casados com ideologia dos entrevistados.  Daí a avaliação do perfil dos entrevistados ser tão importante para a pesquisa.
– Mas não são pessoas que estão desinformadas… O governo e o PT não deveriam explicar o que fizeram de bom? 
“A pesquisa mostra que não são desinformados. Eles sabem bem das mudanças sociais ocorridas nos governos do PT. Eles são o contra o governo Dilma e o PT também porque sabem o que eles fizeram de positivo para uma parte importante da população que saiu da linha da pobreza. Daí justamente o ódio pelo que o PT fez, e não só pela questão da corrupção, como também ficou claro nos resultados da pesquisa”, esclarece Regina Helena.
“Aliás, muitos especialistas dizem que no Brasil não existe polarização mais ideológica, não tem esquerda, nem direita. Que é um país sem claros posicionamentos políticos a esquerda e a direita. Essa pesquisa indica que no Brasil tem, sim, vários grupos de esquerda e direita. No caso dos que foram às ruas no dia 12 de abril, com claros posicionamentos contra justiça social e direitos”, arremata a professora.
Pesquisa UFMG-001
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