LULA PRESO POLÍTICO

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sábado, 25 de abril de 2015

Há 40 anos o heróico povo vietnamita derrotava a invasão imperialista norte-americana



A libertação de Saigão (hoje Cidade Ho Chi Minh) em 30 de Abril de 1975 deu o remate final à prolongada luta, plena de sacrifícios e façanhas gloriosas, do povo vietnamita pela reunificação nacional. Na ocasião do 40º aniversario da histórica efeméride, a Agencia Vietnamita de Noticias (VNA) divulga o seguinte breve resumo das mais importantes campanhas desenvolvidas pelas forças patrióticas de 4 de Março a 30 de Abril de 1975.

A Libertação do Sul: vitória conducente à reunificação nacional

A campanha estratégica Tay Nguyen (Altiplano Ocidental) de 4 de Março a 3 de Abril de 1975, com o assalto ao ponto chave de Buon Ma Thuot, cabeceira da província planáltica de Dak Lak, iniciou a Ofensiva Geral e levantamentos populares da Primavera de 1975. 

Em Julho de 1974, sob a orientação do então secretário-geral do Partido Comunista de Vietnam (PCV), Le Duan, o Estado Maior Geral do Exército Popular do Vietnam iniciou a elaboração do plano estratégico de libertação do Sul. 

Nos meses de Outubro e Dezembro, os membros do Bureau Político (BP) e a Comissão Militar Central do PCV realizaram duas reuniões, no decurso das quais ratificaram a sua orientação e aprovaram a estratégia. 

A decisão tomada pelo partido é de libertar o Sul em dois anos: 1975 e 1976. Os principais objectivos nesse período consistiram em consolidar as forças armadas e levar a cabo sucessivos ataques e sublevações populares a fim de debilitar o inimigo e criar condições favoráveis para a grande ofensiva e levantamento geral em 1976. 

No início de 1975, baseado nas suas estimativas do poderio das forças inimigas e do seu próprio, o BP tomou a decisão de lançar uma ofensiva geral para libertar totalmente o Sul do país e derrotar os invasores estado-unidenses. 

Com o fim de realizar o plano com êxito foi criada uma posição coordenada em todo o campo de batalha, estreitando o cerco em torno a Saigão e municípios em seu redor, e impulsionando a luta nas três regiões estratégicas do território do Sul. 
 
A primeira questão foi escolher um campo de batalha para iniciar o desenvolvimento do plano estratégico. 


Com base num estudo integral, o Bureau Político e a Comissão Militar Central do PCV determinam que o Planalto Ocidental constitui pela sua posição geográfica um cenário inexpugnável. 

É, todavia, onde a força de defesa do inimigo se mostra mais débil, comparada com as que estão acantonadas nos demais campos de batalha ao longo da região da planície central e do sueste. 

Para as forças revolucionarias Tay Nguyen é, pelo contrário, o lugar onde podem mobilizar as diferentes forças para formar um grande punho e realizar uma operação interarmas, e aproveitar as florestas para manter as suas acções em segredo, garantindo a surpresa dos ataques aos inimigos. 

Compreendendo que a vitória nesse campo criará um trampolim para avançar na zona central do delta e dividir assim as forças inimigas, os dirigentes do PCV decidiram escolher Buon Ma Thuot como o ponto fundamental para a ofensiva. 

A direcção nacional indicou ao general de divisão Hoang Minh Thao, chefe do Comando da Campanha Tay Nguyen,  o dia 5 de Fevereiro de 1975.

Às 2:30 da madrugada de 10 de Março de 1975, o regimento de missão especial número 198, reforçado com outras unidades com armas B72 y DKZ, acometeu o aeroporto de Buon Ma Thuot  (conhecido como aeródromo Hoa Binh). 

Após 30 horas de luta consecutivas, às 11:00 do dia seguinte, Buon Ma Thuot foi totalmente libertado. 

Trata-se de uma ofensiva de significado estratégico que marcou o derrubamento, por “efeito de dominó”, das tropas estado-unidenses. 

Segundo Le Duan, a façanha Buon Ma Thuot deixou uma grande marca na historia vietnamita como uma epopeia que deu inicio à Ofensiva Geral da Primavera. 

Com este triunfo, o BP decidiu em 18 de Março de 1975 antecipar o seu plano de libertar o Sul para o mesmo ano. 

A campanha Tay Nguyen culminou a 3 de Abril, sob a estreita cooperação entre as forças armadas e os habitantes e etnias minoritárias no Planalto Ocidental. Todas as províncias do planalto e da região centro sul foram libertadas. 

Segundo especialistas, o ataque a Buon Ma Thuot demonstrou em todos os aspectos a sábia direcção do PCV, desde a escolha do campo de batalha ao momento para desencadear a ofensiva e o ponto-chave para o ataque, até ao aproveitamento de oportunidades para empreender e desenvolver a operação. 

A campanha Tay Nguyen marcou uma viragem crucial na estratégia, criando condições propicias para que o exército norte-vietnamita empreendesse com um ano de antecipação a libertação total do Sul. 

A vitória é fruto dos 30 prolongados anos na formação do contingente e da árdua luta  do povo vietnamita e das minorias do Planalto Ocidental. 

Hoang Minh Thao enfatizou que o êxito dessa campanha criou novas forças para o Exército norte-vietnamita e estimulou em grande medida o espírito combativo do povo. 
 
Tropas especiais vietnamitas e histórias pouco contadas
 
A contribuição de las tropas especiais do Exército Popular foi estratégica na luta armada pela reunificação do Vietnam. Muitas das suas façanhas só há pouco foram reveladas. 


Fundadas por orientação do Presidente Ho Chi Minh, essas unidades de elites cresceram no seio da luta libertadora contra os invasores estado-unidenses e dispuseram de forças navais, terrestres e urbanas. 

A sua potência não residiu em armas sofisticadas mas na experiencia acumulada das históricas guerras de defesa nacional, numa paciência exemplar, numa rara capacidade de resistência física e, sobretudo, numa férrea vontade. 

Com essas qualidades, os combatentes de “cabeça descoberta e pé descalço” converteram-se num pesadelo para os invasores estrangeiros ao cumprir missões quase impossíveis. 

Para dar um exemplo, o coronel Do Van Ninh, ex-vice comandante e chefe do Estado Maior da Força Especial, citou a destruição em Março de 1975 do armazém de armas do aeroporto de Bien Hoa, onde se encontrava a maior reserva de explosivos estado-unidenses. 

Exploradores do batalhão especial 113, designado para a tarefa, se aproximaram-se e cavaram um túnel para permanecer ao lado do objectivo, mas não puderam penetrar através da densa vedação e da intensa guarda do inimigo, dada a importância estratégica do lugar. 

Após semanas de observação e análise do sistema defensivo cinco combatentes foram enviados ao armazém pelo rio de Dong Nai, via que os defensores menos esperavam. 
Conseguiram instalar bombas de retardador em determinados pontos e retiraram-se, sem qualquer baixa, antes de estas serem activadas. 

Outra façanha pouco contada foi a libertação do arquipélago Truong Sa a princípios de Abril de 1975, seguindo ordens directas do lendário general e comandante em chefe Vo Nguyen Giap. 

“Uma companhia de 250 combatentes navais teve a tarefa de atacar seis grupos de ilhas fortificadas numa amplia e distante zona marítima sem nenhum vaso de guerra ou reconhecimento do local e dos seus sistemas defensivos”, recordou o octogenário general Mai Nang, comandante dessa campanha. 

“A missão”, acrescentou o ex. Comandante da Força Especial, “foi a primeira do seu tipo, para a qual os seus efectivos não tiveram qualquer experiência anterior similar, nem tempo para missões de reconhecimento, por questões de urgência e de surpresa. 

Então, tivemos de aplicar uma táctica nova de reconhecer e atacar ao mesmo tempo”, revelou o posteriormente condecorado com o título de Herói das Forças Armadas”. 


Partindo de três barcos disfarçados como pesqueiros, os soldados nadaram duas milhas marítimas para se aproximar dos seus objectivos com a plena disposição de se sacrificar, uma vez que sabiam não dispor de qualquer tipo de reforços, narrou Nang. 

Mas, 15 minutos apenas após meter-se na água, o então coronel recebeu outra ordem para deter a operação. Visto que era impossível reverter o ataque, Nang decidiu assumir a responsabilidade e levá-lo a cabo. 
 
Com valentia, determinação e magistral arte de combate, as tropas especiais navais recuperaram um valioso e legítimo território do Vietnam no Mar Oriental, com apenas duas baixas. 


Outro histórico mérito destas forças naquela gloriosa primavera foi a ocupação de 14 pontes em redor de Saigão, capital do regime pró-norte-americano. 

Esta missão foi vital para o avanço directo das cinco colunas libertadoras em direcção aos centros nevrálgicos do inimigo e acelerou assim a reunificação do país. 

Ao contrário de outras operações, cujos objectivos eram em geral atacar e destruir, esta missão foi a de atacar, ocupar e defender a posição, destacou o coronel Van Ninh, também Herói das Forças Armadas. 

O seu pelotão aniquilar as unidades que faziam a guarda de forma rápida, em surpreendentes combates nocturnos na ponte Ghenh, narrou, e sublinhou que a batalha para defender esse nó de transportes se revelou a mais cruenta. 

Em vários casos, as equipas de elite combatiam até dois dias debaixo do fogo do inimigo, desconhecendo o momento em que as forças principais fariam a sua entrada. 

Em Ghenh, 50 dos 52 mobilizados caíram em combate, mas nenhum abandonou o seu posto e o pelotão conseguiu defendê-lo até ao final, contou o veterano coronel exprimindo ao mesmo tempo desgosto e orgulho. 

Outro personagem histórico, o sargento de tropas especiais Pham Duy Do, participou na ocupação e defesa da ponte da estrada Bien Hoa e foi quem depois desfraldou a bandeira libertadora no palácio presidencial do governo fantoche de Saigão, facto que marcou a vitória final dos revolucionários. 
 
Tendo entrado no Exército aos 17 anos de idade, no decurso dos seis anos da sua vida militar de Duy Do escapou à morte por duas vezes apesar de graves ferimentos, mas nada pôde fazer contra o Agente Laranja, a dioxina derramada nas florestas durante la guerra, revelou o ex. combatente de elite em entrevista com a VNA. 


Os seus filhos sofrem hoje de deficiências físicas e mentais causadas por esse tóxico, um dos piores conhecidos pelo homem, mas considerou-se ainda assim afortunado por poder disfrutar de uma vida pacífica e simples quando outros companheiros caíram na luta. 

A operação das 14 pontes foi a maior operação das tropas especiais vietnamitas durante a guerra, com a participação de uma divisão, uma brigada, quatro batalhões e numerosos comandos urbanos. 

Em 30 de Abril de 1975 essas construções abriram a via para a entrada triunfante do Exército Popular em Saigão, inaugurando una nova era de reunificação, paz e desenvolvimento.

Fonte: Resumen Latinoamericano, quarta-feira, 22 de Abril de 2015
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