LULA PRESO POLÍTICO

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sábado, 18 de abril de 2015

Japão. 200 mil escravas sexuais para o “conforto” dos soldados

papa escravas
Papa Francisco consola ex-escravas sexuais da II Guerra Mundial
Via AndradeTalis

Num momento comovente, no início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.
O Papa passou vários minutos segurando a mão de Kim Bok-dong, de 89 anos, que foi à missa em cadeira de rodas, e era uma das sete “escravas sexuais” que participaram da cerimónia. Kim, conhecida ativista pelos direitos deste grupo, entregou um ‘pin’ com uma borboleta a Francisco, que o colocou na sua lapela.
A borboleta é o símbolo das meninas e adolescentes que o Império Japonês recrutou nos países colonizados na Ásia como escravas sexuais para os seus soldados durante a Segunda Guerra Mundial, conhecidas eufemisticamente como “mulheres de conforto”.
Estima-se que até 200 mil mulheres, na sua maioria coreanas, foram vítimas da escravidão sexual do Japão, embora pouco mais de meia centena delas permaneçam vivas e todas têm mais de 80 anos. Estas, juntamente com outros seguidores da causa, se manifestam todas as quartas-feiras há 24 anos para exigir de Tóquio desculpas “sinceras”.
O Japão dominou a península coreana desde 1910 até 1945, quando perdeu a Segunda Guerra Mundial.
Estupro coletivo de meninas
Em 1992, o historiador Yoshiaki Yoshimi publicou matéria baseada em pesquisa nos arquivos do Instituto Nacional para Estudos de Defesa japonês, afirmando que havia um vínculo direto entre instituições imperiais como o Kôa-in e os “postos de conforto”. Quando foi publicada na imprensa japonesa em 12 de janeiro de 1993, causou sensação e forçou o governo a reconhecer alguns dos fatos no mesmo dia.
A controvérsia reacendeu em 1º de março de 2007, quando o primeiro ministro Shinzo Abe mencionou sugestões da Câmara dos Representantes do Estados Unidos no sentido de que o governo japonês “se desculpasse e reconhecesse” o papel dos militares do Japão Imperial na escravidão sexual durante a guerra. Abe negou que isso se aplicasse aos postos de conforto. Porém, um editorial do jornal The New York Times de 6 de março, dizia:
Não se tratava de bordéis comerciais. A força, explícita e implícita, era usada no recrutamento destas mulheres. O que acontecia lá dentro era estupro em série, não prostituição. O envolvimento do Exército Japonês está documentado nos próprios arquivos governamentais do Ministério da Defesa.
Foto para fins de propaganda registrada por Kumazaki Tamaki, correspondente do Asahi Shimbum em 10 de novembro de 1937, era publicada com a seguinte legenda: “Os japoneses arrebanhavam milhares de mulheres. A maioria delas era estuprada em massa ou forçada a entrar para a prostituição militar.”
No mesmo dia, o veterano de guerra Yasuji Kaneko admitiu ao The Washington Post que as mulheres “gritavam, mas não nos importava se elas viviam ou morriam. Éramos os soldados do imperador. Fosse nos bordéis militares ou nas aldeias, nós estuprávamos sem hesitação.”
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Vítimas da violência sexual sistemática, as "mulheres de conforto" eram obrigadas a manter cerca de 50 relações sexuais todos os dias
Vítimas da violência sexual sistemática, as “mulheres de conforto” eram obrigadas a manter cerca de 50 relações sexuais todos os dias

Quero que me ajude a aliviar a dor
Uma destas vítimas é Lee Yong-soo, uma fiel católica que recorda com dor os momentos sofridos nas mãos dos soldados japoneses quando tinha 15 anos. “Se tivermos a oportunidade de falar com ele, quero me aproximar chorando e pedir que nos ajude a aliviar a nossa dor”, disse em uma entrevista telefônica difundida pela agência AP. “Quero lhe pedir que nos ajude a colocar fim a este problema de maneira pacífica”, expressou.
Por sua parte, Kang Il-chul, de 87 anos, recordou que “os coreanos, homens e mulheres, foram arrebatados pelos militares japoneses”.
Nesse sentido, durante a entrevista difundida antes da Missa, disse que “embora esteja no meu leito de morte, estarei feliz sabendo que me encontrarei com este grande homem”.
Durante anos as autoridades japonesas negaram estes abusos, até que devido à contundência das provas teve que reconhecê-losm e desculpar-se em 1993. Entretanto, para Seul estas desculpas não foram sinceras e reclama indenizações para as vítimas. Atualmente há 54 mulheres sobreviventes maiores de 80 anos.
Toru Hashimoto, presidente da Câmara da cidade japonesa de Osaka, disse hoje que a prostituição forçada de milhares de mulheres asiáticas durante a II Guerra Mundial foi necessária para manter a disciplina no exército japonês. Para o autarca, o tempo passado com estas mulheres eram uma oportunidade de descanso para os soldados.
“Para soldados que arriscaram a vida quando as balas caíam como chuva, de modo a terem algum descanso era necessário arranjar uma ‘mulher de conforto’. Isto está claro para todo mundo”, defende Hashimoto, citado pelo “The Independent”.
O jovem autarca, que também é um dos líderes do conservador e emergente Partido Nacionalista da Restauração, disse ainda não haver evidências de que estas mulheres, eufemisticamente chamadas de ‘mulheres de conforto’, tenham sido forçadas a prostituírem-se. Afirmação que também já tinha sido feita na semana passada pelo primeiro-ministro Yoshei Kono.
Faltou essa alma sebosa considerar que a bomba de Hiroxima também foi necessária.
“Muitas meninas cometiam suicídio”, relata ex-escrava sexual na 2ª Guerra
Lee Ok-Seon passou três anos em um bordel militar japonês na China durante a 2ª Guerra Mundial, onde foi forçada à prostituição. Quase 70 anos após a rendição japonesa, ela visitou a Alemanha para divulgar seu segredo.

escrava

Ela fala com coragem sobre o dia em que foi capturada nas ruas da cidade de Busan, no sudeste da Coreia do Sul, por um grupo de homens. Lee Ok-Seon, então com 14 anos de idade, foi jogada dentro de um carro e acabou indo parar em um bordel para militares japoneses na China, chamado de “posto de consolo”. Ali, sofreu estupros diários até o fim da guerra.

Lee Ok-Seon não tinha ideia de que jamais veria sua família novamente ou que sequer iria pisar em seu próprio país nos 60 anos seguintes. Ela também ignorava as torturas que teria de aguentar.

A senhora de 86 anos não fornece detalhes específicos de suas experiências. Apenas resume tudo em poucas palavras: “Não era um lugar para seres humanos; era um matadouro”. Sua voz fica mais exaltada quando diz a frase. Aqueles três anos a marcaram pelo resto de sua vida. “Quando a guerra acabou, outros foram libertados, mas eu não.”


Um outro nome para escravas sexuais
O caso de Lee Ok-Seon não é isolado, porém não se sabe exatamente quantas outras mulheres tiveram o mesmo destino. “De acordo com estimativas, devem ter sido em torno de 200 mil mulheres, mas esse total nunca foi confirmado”, explica Bernd Stöver, um historiador da Universidade de Potsdam, na Alemanha. Elas eram chamadas de “mulheres de alívio” ou de “conforto”, o que o pesquisador considera “um absurdo”. Trata-se de um eufemismo para o que elas realmente eram: escravas sexuais, diz Stöver.
Não eram apenas as mulheres da península coreana – sob domínio colonial japonês entre 1910 e 1945 – que eram forçadas a se prostituir. Elas também vinham, entre outras regiões, da China, Malásia e das Filipinas.

Os bordéis, que se espalhavam por toda a área de ocupação japonesa, tinham como objetivo manter elevado o ânimo dos soldados e de evitar que as mulheres locais fossem estupradas.

Muitas das escravas sexuais, em sua maioria menores de idade, não sobreviveram aos tormentos. Estima-se que dois terços dessas mulheres morreram antes do fim da guerra.
Vergonha avassaladora
“Nós éramos frequentemente agredidas, ameaçadas e atacadas com facas”, relembra Lee Ok-Seon. “Tínhamos 11, 12, 13 ou 14 anos de idade e não acreditávamos que ninguém nos salvaria daquele inferno.” Ela explica que estava completamente isolada do mundo exterior e que não confiava em ninguém. Era um constante estado de desespero.
“Muitas meninas se suicidavam. Elas se afogavam ou se enforcavam”, conta. Lee afirma que também chegou a pensar que essa seria sua única saída. Mas não teve coragem. “É fácil dizer ‘eu preferia estar morta’. Mas é muito difícil fazê-lo”, explicou.
Lee Ok-Seon optou pela vida e acabou sobrevivendo à guerra. Após a capitulação japonesa em 1945, o dono do bordel desapareceu. As mulheres, de repente, estavam livres, porém confusas e desorientadas. “Não sabia para onde ir. Não tinha dinheiro. Estava sem casa, tive que dormir nas ruas.”
Ela sequer sabia como voltar para a Coreia, também não tinha certeza se de fato queria. O sentimento de vergonha era grande demais. “Decidi que preferia passar o resto dos meus dias na China. Como podia ir para casa? Estava escrito no meu rosto que eu era uma mulher de alívio. Jamais poderia olhar minha mãe nos olhos novamente.”
Vida nova na China
Lee Ok-Seon acabou conhecendo um homem de descendência coreana, com quem se casou e passou a cuidar de suas crianças. “Senti que era meu dever tomar conta daquelas crianças, cuja mãe tinha morrido. Eu não podia ter meus próprios filhos.”

Enquanto estava no bordel, ela quase morreu em decorrência de doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis. Para aumentar suas chances de sobrevivência, os médicos retiraram seu útero.

Na China, ela viveu na cidade de Yanji. Manteve seu passado em segredo e tentou se recuperar, sempre por conta própria. Ela permaneceu assim durante décadas. Seu marido a tratava bem. “Se não, não teria ficado tanto tempo com ele”, comenta Lee, bem-humorada.
Muitas “mulheres de alívio” tiveram vida semelhantes às do cativeiro após o tempo em que viveram nos bordéis, sempre mantendo o silêncio sobre os horrores que tiveram que passar – na maioria dos casos, por medo de sofrer recriminações.

Segundo o historiador Stöver, o tema da prostituição forçada é um tabu absoluto. “Não havia apoio algum na sociedade a essas mulheres”, explica. Apenas décadas após o fim da guerra, começaram a surgir as histórias sobre as “mulheres de conforto” na Ásia.
O historiador Stöver conta que apenas em 1991 a primeira “mulher de alívio” divulgou sua história. Ela acabou por encorajar 250 outras mulheres, que finalmente falaram sobre suas experiências como escravas sexuais dos soldados japoneses, e exigiram o reconhecimento e as desculpas do governo do Japão.

Desde então, as mulheres e seus apoiadores se reúnem todas as quartas-feiras em frente à embaixada japonesa em Seul. Elas levam cartazes e gritam slogans, mas ainda não tiveram suas exigências atendidas.

De volta para casa, mas solitária
Lee Ok-Seon vive hoje na Coreia do Sul. Em 2000, após a morte de seu marido, ela sentiu que tinha que voltar para o seu país de origem e tornar pública a sua história. Ela mora próximo a Seul, nas chamadas “casas compartilhadas”, que dão assistência a ex-escravas sexuais. Foi lá que recebeu pela primeira vez cuidados psicológicos, e finalmente, um novo passaporte.
Ao pesquisar seu passado, ela soube que seus pais haviam morrido, mas que seu irmão mais novo ainda vivia. Ele inicialmente a ajudou, mas com o tempo o relacionamento se deteriorou. Foi exatamente o que ela temia: ele tinha vergonha de ser irmão de uma “mulher de alívio”, e não queria ter nenhuma ligação com ela.
Mulheres levadas na carroceria de um caminhão para um bordel oficial
Mulheres levadas na carroceria de um caminhão para um bordel oficial
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