LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Trevas numa manhã de sábado


Por Rafael Fortes, em seu blog

Sábado retrasado, 21/3/2015, durante a manhã, passei rapidamente pela praça em frente à sede do Batalhão da Polícia do Exército (PE) na Rua Barão de Mesquita, na Tijuca.

Havia cerca de 15 pessoas vestidas com camisas do Brasil e motivos verde-amarelos e camuflados, agitando bandeiras e exibindo faixas. Entre elas, uma que defendia “intervenção militar já”. O busto localizado naquela praça, de Rubens Paiva, estava coberto por um capuz preto. (A associação com um dos métodos para vendar as vítimas dos regimes ditadoriais – entre as quais o próprio ex-deputado – é explícita).

Existem pelo menos dois aspectos que considero graves neste tipo de acontecimento.

1) Uma defesa da liberdade de expressão como direito absoluto, tal qual figuras como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) fazem repetidamente, de forma a ganhar salvo-conduto para proferir barbaridades.

2) A não associação destes discursos com a apologia ao crime. Vivemos num país em que os integrantes da banda Planet Hemp – que defendem a legalização da maconha – foram presos por “apologia às drogas”, mas um ato como o que testemunhei na Tijuca não é considerado apologia ao estupro, apologia ao homicídio, apologia à tortura, apologia às lesões corporais, apologia ao sequestro, apologia à destruição/ocultação de cadáver, enfim, apologia ao crime.

Para entender melhor do que estou falando, recomendo a leitura do depoimento de Dulce Pandolfi às comissões Estadual e Nacional da Verdade, ocorrido em maio de 2013 no plenário da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Estão lá o Batalhão da PE, os capuzes pretos cobrindo a cabeça, as torturas e outros crimes. Partes do depoimento estão no vídeo acima.

*****

Nota Claudicante:

Seria sonhar demais com um pronunciamento dos três comandantes das forças armadas em apoio a legalidade democrática e contra os erros do passado?
Postar um comentário