LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Um estranho no ninho republicano



Em nome da segurança, a maioria dos republicanos apóia o programa da Agência de Segurança Nacional de espionagem dos telefonemas de milhões de americanos.

Em nome das liberdades civis, o senador Rand Paul, pré-candidato a presidente dos EUA, é contra: “Nossos Pais da Pátria (os fundadores dos EUA) ficariam mortificados.”

Não é a primeira vez que ele toma posições na contramão do seu partido, hoje dominado pelos conservadores.

Rand Paul é um liberal no sentido mais abrangente, enquanto os conservadores limitam-se a combater a ação estatal somente na economia.

Esse pessoal ignora direitos civis, desde que a segurança esteja em jogo, mesmo remotamente.

E vibra com as intervenções militares de Tio Sam em defesa dos interesses do império.

Chamado de “libertário”, Paul recentemente investiu contra os conservadortes: “Há um grupo em nosso partido que preferiria  manter tropas em 6 países . É algo que me separa de muitos republicanos. Eles criticam Hillary Clinton e Obama por sua política externa, mas fariam a mesma coisa – talvez 10 vezes mais.”

Num partido que promoveu ou aplaudiu todas as recentes intervenções bélicas americanas, o senador tem a coragem de ser pela paz: ”Para o bem do nosso país, certamente para o bem dos nossos soldados – para o bem de cada veterano que já vestiu um uniforme e lutou por sua pátria- a missão da América deve ser sempre manter a paz, não policiar o mundo.”

Sobre a guerra do Iraque, o senador afirmou ter sido um erro derrubar Sadam Hussein.

A participação americana na guerra da Líbia foi igualmente condenada.

Para Rand Paul, tanto com Hussein quanto com  Kadhafia verdade é que com eles os extremistas islâmicos não tinham vez.

O senador orgulha-se de ter votado contra o fornecimento de armas aos rebeldes sírios.

Ele acha que, caindo Assad, se criaria um vácuo no poder, fatalmente preenchido pelos grupos terroristas islâmicos.

Entre o ISIS e Assad, os EUA teriam feito a escolha errada.

“Pusemos 600 toneladas de armas na guerra civil síria… De todas as armas que demos aos rebeldes islâmicos…uma porção acabou nas mãos do ISIS.”

Talvez a posição mais controvertida de Paul tenha sido a que teve por alvo a Arábia Saudita.

Ele sugeriu que os EUA deveriam boicotar os sauditas “não porque eles não são feministas, mas porque eles, e não os iranianos, são os principais financiadores do terrorismo no mundo.”

Negando-se a demonizar o Irã, Paul defende o acordo nuclear preliminar recentemente aprovado.

E vai mais longe: numa reunião com líderes judeus americanos, declarou-se francamente contrário a uma guerra contra os iranianos.

Foi uma atitude corajosa, pois em várias ocasiões, o premier Netanyahu defendeu a ideia de bombardear as instalações nucleares do Irã.

Como disse Joe E.Brown na cena final do filme “Quanto mais quente melhor”, nada é perfeito.

O apoio a Israel tem sido uma constante na atuação de Rand Paul.

Também desagradou aos progressistas ao defender cortes nos programas sociais do governo Obama, como um recurso para ajudar a equilibrar as finanças públicas.

Notórias ligações com o Tea Party lançam uma sombra sobre o político libertário.

E não vamos esquecer que, embora favorável ao acordo nuclear preliminar com o Irã, ele defende a obrigatoriedade de ser aprovado pelo Congresso.

O que provavelmente provocaria sua anulação.

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