LULA PRESO POLÍTICO

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domingo, 31 de maio de 2015

A tortura imposta por Sérgio Moro a um velho doente de 74 anos.

Com João Roberto Marinho: na Globo ninguém mexe

Por Paulo Nogueira, via DCM

Sérgio Moro é o pior tipo de justiceiro. É o que se faz passar por bonzinho.

É o que se observa num vídeo que está circulando nas redes sociais. Nele, Moro concede uma audiência ao preso Mário Góes.
O objetivo de Góes ali era conseguir prisão domiciliar.
Várias coisas chamam a atenção no vídeo.
A primeira é o estado de desabamento moral e físico de Góes. Ele tem uma série de doenças que vão de diabete a colite, e um problema de coluna o impede de ficar sentado com conforto.
Está emocionalmente desequilibrado. Chorou na conversa com Moro, e é evidente que não estava interpretando um coitadinho ali.
Góes era o coitadinho.
E tem 74 anos.
Considere. Na Itália, a partir dos 70 anos, você não cumpre sentenças na cadeia, e sim em prisão domiciliar.
Por razões humanitárias.
Diz-se de Moro que ele se inspirou numa operação policial italiana – afinal espetacularmente fracassada — para desencadear a Lava Jato.
Mas pelo visto desconsiderou a civilidade que existe no código da Itália.
Góes não poderia cumprir pena domiciliar? Por que?
Bem, perguntas não faltam no caso. A mais impressionante é a seguinte: quais são as evidências contra Góes?
Moro parece tão no ar sobre isso quanto você e eu. Moro fala em contas em paraísos fiscais, genericamente.
Mas admite, candidamente, não saber nada delas. Sequer, e é ele quem afirma, se estão ativas ou não.
É o triunfo do absurdo.
Mais um, a rigor. Num outro vídeo de Moro, desta vez com Cerveró, ficamos sabendo que a principal acusação do juiz era uma reportagem – logo de quem – da Veja, uma revista mitomaníaca.
Recentemente a BBC visitou o presídio onde Góes está. A descrição é esta: “A maior parte das celas são sujas e apertadas. Algumas têm até seis camas e estão frequentemente abarrotadas de cadeiras de rodas e equipamento médico.”
Moro é uma versão atualizada, mas não necessariamente melhor, de Joaquim Barbosa.
Ele agrada, como JB, a dois públicos específicos: o poder econômico e os analfabetos políticos.
Alguém consegue imaginar Moro e Barbosa enfrentando a Globo, por exemplo? Ou mesmo a CBF e Marin?
Como os vazamentos da Lava Jato na campanha eleitoral, a valentia dos dois é seletiva.
Ambos, não por coincidência, foram premiados pela Globo.
E os dois são heróis de grupos de imbecis como o MBL e o Revoltados Online.
São, também, abominados pelos progressistas.
Falta-lhes, em comum, uma característica tão brasileira: a compaixão.
JB tripudiou sobre Genoino quando este estava em condições de saúde miseráveis.
Moro faz o mesmo agora com Góes.
Eles representam a plutocracia brasileira, e a defendem ferozmente.
Mas não representam os brasileiros.
Gente assim não é perdoada pela história.

A Globalização foi longe demais?

O pesadelo das elites e dos coxinhas

BIÓLOGO BRITÂNICO ACIDENTADO EM SP ESCREVE TEXTO ELOGIANDO ATENDIMENTO DO SUS

Dawkins2


DAWKINS SOFREU UM PEQUENO ACIDENTE NO BRASIL E FICOU IMPRESSIONADO COM O ATENDIMENTO MÉDICO RECEBIDO.


O biólogo britânico Richard Dawkins, em recente em visita ao Brasil, caiu no caminho para o avião que o levaria de São Paulo para Los Angeles na noite da última quinta-feira (28) e feriu o rosto.
Dawkins contou que, após cair e bater a cabeça no chão, um médico que também estava embarcando disse que ele precisava levar pontos. Por isso, a tripulação decidiu que ele não poderia seguir viagem e ele foi levado a um hospital, onde recebeu cinco pontos.
O detalhe: ele estava sozinho e deixando o país, ninguém sabia exatamente quem ele era e por isso destaca que o atendimento que recebeu foi o que seria fornecido a qualquer anônimo numa situação semelhante.

O texto dele está em inglês, mas segue um pequeno resumo:

Diz ele que, ao se dirigir para o embarque, tropeçou e bateu a cabeça, abrindo um corte sobre o olho, por onde vertia sangue. Ele tentou embarcar mesmo assim, pois tinha um compromisso nos EUA (que depois ele descobriu que foi desmarcado).
Mas a tripulação do avião e o pessoal de terra não o deixaram embarcar naquela situação e ele desesperou-se por perder o voo e por imaginar que iria esperar longas horas para ser atendido (sua experiência nos EUA é que não há serviço médico público e na Inglaterra o serviço é muito demorado).

Também pensou que iria perder sua bagagem, que já estava a bordo e ficou desesperado por estar sozinho e não falar uma palavra em português (seus acompanhantes no país já haviam despedido-se e ido embora, após ele acessar a área de embarque).
Mas surpreendeu-se, primeiramente, com a rapidez com que uma ambulância apareceu para levá-lo a um hospital (atendimento via SUS), pelo fato de que sua bagagem apareceu e pela gentileza e modo carinhoso com que os paramédicos o trataram assim que chegaram ao aeroporto.

Depois surpreendeu-se novamente pelo cuidado em ser conduzido em uma cadeira de rodas ao dirigir-se e ao chegar ao hospital (o que ele estranhou num primeiro momento), pelo atendimento que recebeu no hospital, pela quantidade de exames que realizaram antes de liberá-lo e por não estar sofrendo nenhuma dor no dia seguinte.
E usou sua página na internet para desculpar-se, publicamente, por ter imaginado que seria mal atendido e sentir-se inseguro!
Desculpou-se apenas por ter IMAGINADO que iria passar por um longo e interminável martírio, tanto com o pessoal do aeroporto, como com o pessoal da ambulância, com o pessoal do hospital, com os médicos que lhe atenderam e com o serviço que recebeu no Brasil! É… temos nossos problemas, mas o inferno não é tão feio quanto a mídia e os midiotas o pintam!

(Redação BR29 com informações do Monopólio da Informação)

A Receita tem medo de falar na Globo?

globola


Por Fernando Brito, em seu blog
Na Folha, a Receita Federal diz que investiga fraudes no futebol brasileiro há mais de uma década.
Diz que foram feitas três operações especiais desde 2002, em que foram investigadas 96 pessoas e empresas ligadas ao futebol no país. Essas auditorias resultaram na cobrança de R$ 4,47 bilhões em tributos, multas e juros.
Mas contra quem, pessoas físicas e empresas, a Receita silencia, alegando sigilo fiscal.
Todo mundo pode saber quem roubou uma galinha, um pote de margarina, uma repartição pública e a Petrobras.
Quem roubou do dinheiro público R$ 4,5 bilhões, não.
Por que?
Será que nenhuma destas bilionárias sonegações virou processo criminal?
Ou sumiram todas na bolsa daquela moça que deu “Doril” ao processo da Globo?
E pior, muitos destes crimes se deram em concurso de outros, como falsidade documental, falsidade ideológica, simulação  (declaração de vontade real, em conluio entre as partes para, em geral, livrar-se de obrigações) e outros.
Só que, mesmo que a Receita pegue o meliante – não é o que erra de boa fé no recolhimento – nada vira crime se o cidadão, apanhado, pagar.
Como tem Refis para recuperar débitos, acaba saindo barato.
É uma lei, enviada por Fernando Henrique ao Congresso, em 1995, dizendo que o recolhimento exclui a responsabilização penal do sonegador. Em tese, para proteger quem não fez por dolo; na prática, um salvo-conduto para o “se colar, colou”.
E como cola.
Agora, no velho vício cartesiano ( que os antigos exprimiam dizendo que se A = B e B=C, então, A=C), permitam-me perguntar:
Se as propinas envolviam, em grande parte, direitos de transmissão e patrocínio de competições e a Globo é a dona de quase tudo em direitos de transmissão e patrocínios, é possível achar que a santinha do Plim-Plim não está nestas maracutaias?

Caso FBI-FIFA: Rede Globo quer demitir Marcelo Campos Pinto. Executivo ameaça contar o que sabe

campos, sanches e teixeira



A investigação do FBI americano [1] sobre pagamento de propinas nos negócios envolvendo compra de direito televisivos dos principais torneios de futebol do Planeta gerou uma crise interna na Rede Globo que estourou, ontem, em reunião de diretores da emissora com o executivo Marcelo Campos Pinto.

O clima foi tenso.

Responsável pela ligação da Globo com o mundo da cartolagem (CBF, Federações e clubes), Pinto foi pressionado a pedir demissão, mas o dirigente retrucou, ameaçando “botar a boca no trombone”.

É grande o temor que os detidos, em delação premiada, possam, de alguma maneira, comprometer a emissora. [2]

Demitir Campos Pinto seria a maneira de expor publicamente que a Globo teria sido vítima de negócios realizados pelo executivo à margem do conhecimento dos diretores.

Mas como explicar a origem dos pagamentos mensais (que, evidentemente, não saíram dos bolsos do funcionário), milionários, aos dirigentes ?

Se para o público a solução imaginada é colocar a culpa no “bode expiatório”, internamente, o executivo, já com poderes diminuídos, é acusado de jogar para os dois lados, por vezes, em benefício maior da cartolagem.

A maior rede de televisão do pais vive um drama que nem mesmo seus melhores roteiristas de novelas poderiam imaginar.

*****

Notas Claudicantes:

[1] É uma grande vergonha, para a PF e a Justiça brasileira, a intromissão do FBI nas entranhas dos escândalos envolvendo o futebol brasileiro e a Globo, mas, a PF do Zé, o MPF e os Juízes federais, só tem olhos para o PT, com medo, entre outras coisas, da volta de Lula em 2018.

[2] Tenho cá para mim que o FBI não tem interesse em manchar a imagem da Globo, afinal é uma poderosa empresa a serviço dos EUA e do capitalismo em nossas terras. Posso estar errado, pois, passei a acreditar, no finalzinho das eleições para presidente, que o segundo governo Dilma seria mais a esquerda... Um bobo!

O jogo de coerção do juiz Sergio Moro


Juiz federal aproveita a fragilidade do réu, que chora em desabafo sobre seu estado de saúde, pedindo a conversão da prisão preventiva em domiciliar, para coagi-lo a confessar.

Apontado como um dos 11 lobistas ligados à Diretoria de Serviços da Petrobras, o empresário Mário Frederico Mendonça Góes desabafou durante uma audiência com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela condução da Operação Lava Jato. "Eu estou ficando fraco, cada vez mais", disse, chorando. A audiência foi marcada para pedir a conversão da sua prisão preventiva para domiciliar devido a problemas de saúde do acusado. O advogado de Góes deixa claro que o réu não falaria sobre as acusações naquele momento, e que aguardaria para a defesa no inquérito. Após a demonstração de fragilidade do empresário, Sergio Moro inicia um diálogo afirmando que, se Góes colaborasse, seria analisada a revogação da prisão preventiva.
 
No áudio afirma, categoricamente, que  prisão preventiva é "instrumento utilizado para o crime de colarinho branco", objetivando com ela a "boa vontade em esclarecer" as acusações. O juiz federal ainda defende a ideia de que o ônus da prova cabe ao acusado: "o juízo não tem nenhuma notícia do concreto em que pese a afirmação da defesa de boa vontade em esclarecer, resolver essa situação em mostrar que não existe risco de reiteração [da prática do crime]", disse.
 
Inicialmente, o empresário afirma que não se nega a responder o processo e desabafa sobre seu estado de saúde: "Infelizmente, eu to ficando fraco, cada vez mais. Eu tenho problema, eu operei a coluna lombar, eu tenho problema cervical. Para sentar é complicado, tenho que ficar quase sempre deitado, porque sentado é muito complicado. Então o que eu vinha fazendo, eu estava com a minha vida normal. Não estou reclamando, de jeito nenhum, das pessoas, do sistema carcerário. Dentro da legalidade, eu sou tratado com dignidade. Mas é diferente, minhas comidas eu não consigo. Tenho colite, diverticulite, tenho uma série de problemas digestivos. Tenho problema de posicionamento, de articulação, eu não posso ajudar a pegar nada, em cima, em baixo, levantar. Então isso vai me consumindo um pouco", disse.
 
Quando Mário Góes afirma que os problemas o prejudicam, inclusive, a colaborar no processo de investigação, Sergio Moro encontra a brecha para iniciar a coerção.
 
- Eu tento ajudar a descobrir, ver e mostrar, esclarecer, mas eu me sinto cada vez menos capaz de fazer as coisas. Então por exemplo, no exame deve ter, meu coração dispara a noite, eu sinto coisas estranhas; diz o executivo.
 
- Um dos motivos para a preventiva seriam as contas offshore e que, até hoje, o juízo não teria nenhuma notícia concreta sobre elas; disparou o juiz.
 
- Tudo isso será muito bem esclarecido no decorrer do processo; respondeu Góes.
 
- Porque o problema que o juízo vê é que essas contas para prevenir reiteração delitiva, e essas contas não sei se estão ativas, inativas...
 
Nesse momento, o advogado do empresário interfere afirmando que esse assunto será abordado no interrogatório, e que o pedido atual não era de revogação da prisão, mas de conversão em domiciliar, o que para a defesa atenderia aos mesmos propósitos argumentados para a detenção do executivo.
 
- Certo, veja doutor, aqui é um crime de colarinho branco e são os instrumentos utilizados pra esses crimes, segundo pelo menos o Ministério Público nessas contas no exterior, o juízo não tem nenhuma notícia do concreto em que pese a afirmação da defesa de boa vontade em esclarecer, resolver essa situação em mostrar que não existe risco de reiteração. Então, se estamos discutindo a prisão preventiva, esse era um elemento importante a ser esclarecido nessa audiência; insiste Sérgio Moro.
 
- Eu volto a dizer, a defesa não pede a revogação da prisão preventiva nesse momento, apenas a conversão da prisão preventiva em domiciliar, o que me parece que atende aos mesmos propósitos da fundamentação da decretação. De outro lado, a existência ou não dessas contas, que o próprio juízo reconhece que não tem notícia, na verdade são objeto mérito da acusação; afirma o advogado.
 
- Sim, mas é um instrumento; fala o juiz.
 
- Vamos abordar sobre ela [acusação] somente no inquérito, vossa Excelência; rebate o advogado. 
 
- Mas aí é como eu disse doutor, é o instrumento do crime, o juízo imputa importantes esclarecimentos, caso se pretenda a reavaliação dessa questão. Mas, tudo bem, eu vou levar em consideração, estou colocando a oportunidade para o acusado, certo?; mais uma vez tenta Sérgio Moro.
 
Em seguida, o juiz federal conclui a audiência: "O Ministério Público tem alguma questão a colocar? Está bem, esse documentos foram colocados, eu confesso que não os avaliei, vou abrir vista ao Ministério Público para manifestação, e decido, depois, em seguida. E reitero a posição do juízo, a questão dos instrumentos para a prática do crime, segundo o Ministério Público, ainda estaria à disposição do acusado, e esse foi um dos elementos que levaram a decretar a prisão preventiva. Então, fica aí uma sugestão eventual de avaliar essa situação pela defesa e pelo acusado, certo senhor Mário?", finaliza, em sistemática insistência, Sergio Moro.


Terceirização

stocks

sábado, 30 de maio de 2015

Novo Recife: ‘em vez de o poder público se apropriar de áreas para beneficiar a cidade, vende-as sistematicamente’


Por Gabriel Brito, via Correi da Cidadania

Os conluios entre os poderes políticos e econômicos estão mais consagrados do que nunca no Brasil, como, aliás, exemplifica a proposta de Reforma Política defendida por Eduardo Cunha e seus comparsas de Congresso. Dentro deste contexto, já virou quase um consenso social que as empreiteiras são parte dos governos de facto e, na prática, tomam decisões políticas. Por conta disso, o Correio entrevistou Ernesto Carvalho, do movimento Ocupe Estelita, um cais na cidade do Recife alvo de um gigantesco empreendimento imobiliário.

“Os problemas que observamos no Recife são típicos de boa parte das grandes cidades brasileiras de hoje. O que temos são grandes empreendimentos que promovem uma espécie de privatização extrema do espaço público, uma recusa a tal espaço. Ou seja, em vez de o poder público se apropriar de áreas públicas para beneficiar a cidade, vende estas áreas sistematicamente”, resumiu.

Na conversa, Ernesto explicou um pouco das criativas estratégias do movimento, cujas ações e produções conseguiram atingir um grande público e, consequentemente, uma boa aceitação social no sentido de barrar o projeto chamado ‘Novo Recife’ – que muito se correlaciona, por exemplo, com o ‘Nova Luz’, tão cortejado pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, nada menos que o atual ministro das Cidades. Em comum a todos, apenas a truculência de um poder público ávido em atender interesses privados.

“A principal característica da estratégia da prefeitura do Recife é recusar um verdadeiro debate com a população, um processo de escuta real e, ao mesmo tempo, tentar avançar de maneira impositiva e truculenta rumo à legalização do projeto, passando-o por todas as vias que o tornem legal. Cada passo é feito no atropelo, porque é um projeto muito questionado no próprio Ministério Público. As audiências públicas eram uma obrigação para que fosse feito um projeto desse porte. Fomos a todas e eram verdadeiras farsas”, denunciou Ernesto.

A entrevista completa, novamente produzida em parceria com a webrádio Central3, pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: Para introduzir esse que é um assunto de escala mais regional do que nacional, o que é o movimento Ocupa Estelita e sua pauta? Quais disputas estão colocadas em torno dessa área da cidade do Recife?

Ernesto Carvalho: O movimento Ocupe Estelita é uma mobilização espontânea e pluripartidária – ou seja, não ligada a partidos políticos – que surgiu no Recife com muita força no ano passado, principalmente. Mas decorre de uma mobilização que acontece, no mínimo, desde 2012 em torno de um protesto contra um projeto imobiliário para o centro do Recife, batizado ‘Novo Recife’.

Muitas pessoas têm se levantado contra o projeto e denunciado uma série de problemas que ele traz para a cidade. É um projeto de verticalização extrema e segregador, que amplifica uma série de mazelas que a cidade já vivencia. O movimento Ocupa Estelita se mobilizou em torno desse projeto, mas acabou levantando uma discussão bem mais ampla sobre a cidade do Recife de hoje, abordando temas como o direito à cidade, direitos urbanos e sobre o tipo de cidades que vemos se proliferar por aqui.

Correio da Cidadania: O que pode nos contar a respeito da votação na Câmara Municipal que aprovou o projeto e como tem sido a atuação do poder público em torno disso? Quem se beneficia com o ‘Novo Recife’?

Ernesto Carvalho: O projeto Novo Recife vem de uma espécie de aliança típica e muito poderosa entre o poder financeiro, das grandes empreiteiras e construtoras, e o poder público. Os candidatos eleitos aqui, “por acaso”, tiveram seus financiamentos de campanha advindos em boa parte dessas construtoras e empreiteiras. Assim, fazer frente a um processo como esse, de verdadeira venda e loteamento da cidade, não é fácil.

Contamos com mobilizações populares nas ruas que têm tomado conta da cidade já há um ano. Nas últimas semanas, por exemplo, têm crescido muito. Milhares de pessoas foram às ruas aqui no Recife na última semana. Contamos com uma mobilização grande nas redes sociais. Temos feito vídeos, criado panfletos, produzido muita informação, que cada vez mais gente tem consumido, problematizado e circulado. E também temos um apoio jurídico de uma série de advogados ligados a direitos humanos e a processos de remoção urbana. Há um verdadeiro grupo de advogados que tem avançado em causas ligadas ao projeto do Novo Recife.

A principal característica da estratégia da prefeitura do Recife é recusar um verdadeiro debate com a população, um processo de escuta real e, ao mesmo tempo, tentar avançar de maneira impositiva e truculenta rumo à legalização do projeto, passando-o por todas as vias que o tornem legal. Cada passo é feito no atropelo, porque é um projeto muito questionado no próprio Ministério Público. Só avança com bastante pressão política da prefeitura. Ao mesmo tempo, a prefeitura coloca constantemente na mídia uma narrativa de que já teria realizado uma escuta com a população, feito audiências públicas etc.

As audiências públicas eram uma obrigação para que fosse feito um projeto desse porte. Fomos a todas e eram verdadeiras farsas de debate. A prefeitura armava um circo porque é obrigada a fazê-lo e nós fomos, divulgamos e levamos muitas pessoas, centenas, para falar contra o projeto ‘Novo Recife’. Fizemos um desmonte técnico ao lado de urbanistas, juristas, pessoas de movimentos sociais, enfim, críticas de toda ordem e toda natureza foram feitas para, no dia seguinte, a prefeitura dizer que escutou a população e promoveu um debate. Mas não revê nenhum ponto do projeto. É uma estratégia desonesta e complicada. Por isso gera cada vez mais revolta.

Isso culminou em um projeto de lei encaminhado de forma completamente irregular. Pela própria indicação do Ministério Público, o projeto deveria ter sido encaminhado para o Conselho da Cidade, uma das instâncias que temos para discutir projetos de tal porte, mas acabou sendo encaminhado diretamente para a Câmara dos Vereadores.

Estamos denunciando improbidade administrativa da prefeitura. Por sua vez, a Câmara dos Vereadores, completamente alinhada à prefeitura, votou em regime de urgência e atropelou todos os procedimentos técnicos formais, não deixando vereadores que se opunham ao projeto falarem. Em sessão de urgência, o projeto foi aprovado no último dia 11 de maio. Naquele momento, centenas de pessoas foram para a porta da Câmara, onde começaram as mobilizações daquela semana, em resposta ao gesto autoritário da prefeitura.

Correio da Cidadania: Para além daqueles que estão organizados no sentido de contestar o enfrentar o empreendimento, qual o nível de aceitação social desse projeto pela a população como um todo? Sente que a população se coloca mais favorável ou contrária ao projeto Novo Recife?

Ernesto Carvalho: Sinto que o principal desafio é a informação e temos feito um trabalho de informar as pessoas. Mas no geral, quando se confronta alguém com o fato de que querem construir um condomínio de luxo – pois é disso que se trata as 13 torres de até 40 andares, sabemos qual perfil social é esperado para comprar ou alugar um apartamento desse –, as pessoas reagem mal. No geral, elas não concordam.

Já ouvimos, muitas vezes, que o local deveria ser um parque, deveria ajudar no enorme déficit habitacional da cidade. Em torno da área do empreendimento existem comunidades pobres e ocupações, de modo que a área deveria ser usada em benefício da cidade. Isso a gente escuta muito das pessoas. Por outro lado, também escutamos muito o discurso mais conformista, do tipo “é assim mesmo que acontece, eles fazem assim, nada vai mudar, não adianta protestar”.

Mas o fato é que, no primeiro ano de mobilização, já impedimos que o projeto ocorresse. Se não tivéssemos ocupado a área do cais com barracas, até sermos expulsos pela polícia, e continuado as mobilizações, as torres já estariam de pé. No momento, vejo a opinião pública muito favorável.

A prefeitura e o consórcio têm tentado armar uma campanha de que nós somos vândalos, pichadores ou pessoas que estão indo quebrar coisas na rua. O que não é o caso. Por outro lado, estão fazendo uma campanha difamatória, dizendo que estamos ligados a algum partido político, que seria coisa do PT ou do PSOL, mas também não é assim. De fato, somos um movimento pluripartidário que não recebe dinheiro de ninguém e se financia vendendo camisetas e adesivos. E assim estamos numa verdadeira queda de braço com o poder político aliado ao poder financeiro na cidade.

Correio da Cidadania: Sobre vocês, como é o tipo de organização, de mobilização e as estratégias que usam para divulgar o movimento e tentar barrar o empreendimento?

Ernesto Carvalho: Tudo o que o movimento faz é de uma forma bastante espontânea. O movimento se reúne em atos e em assembleias abertas, decide o que fazer a seguir, há muitas pessoas propositivas que dão ideias de ações. A internet e as redes sociais em especial têm sido as nossas plataformas de mobilização e adesão, sem dúvida. Também divulgamos bastante os vídeos que produzimos. Quando vamos para um ato, nunca sabemos o seu destino, pois tudo é decidido na rua, no momento.

Correio da Cidadania: O que essa disputa política e econômica traduz do atual jogo de forças na política local? Que resumo você faz das políticas urbanas dessa importante cidade brasileira nos últimos anos?

Ernesto Carvalho: Os problemas que observamos no Recife são típicos de boa parte das grandes cidades brasileiras de hoje. O que temos são grandes empreendimentos que promovem uma espécie de privatização extrema do espaço público, uma recusa ao espaço público. Ou seja, em vez de o poder público se apropriar de áreas públicas para beneficiar a cidade, vende estas áreas sistematicamente.

Isso acarreta problemas de mobilidade, a exemplo do transporte, que é um caos. Acarreta em perda do espaço público, pois calçadas são quebradas, praças interditadas e abandonadas. E as pessoas entendem que é um problema sistêmico e histórico.

Fazemos oposição ao projeto porque é emblemático deste contexto. A forma como a gestão atual da prefeitura o defende também é emblemática no que concerne à aliança entre poder financeiro e poder público. Mas, apesar de tudo, aqui temos uma espécie de ruptura com esse roteiro, na qual os políticos têm de entender que a população não vai deixar barato. Vai se expressar.

Temos informações e ferramentas suficientes para mobilização e acho que agora, inclusive, essas empreiteiras vão pensar duas vezes antes de propor que uma praça vire um shopping ou um condomínio de luxo. Eles estão começando a perceber que não podem fazer o que bem entendem, pois as pessoas querem ocupar a cidade e participar das decisões de seus rumos.

Eu não sei, nem ninguém sabe, como os debates vão aparecer nas próximas eleições. Infelizmente, o debate vai sendo poluído com a aproximação do período eleitoral, mas o fato é que como antes não será.


Por que a Polícia Federal se sentou em cima das fraudes da CBF nestes anos todos?

Tiveram que se coçar
Tiveram que se coçar

Por Kiko Nogueira, via DCM
Foi necessária a pressão no cangote da secretária de Justiça americana Loretta Lynch para a PF tomar uma atitude com relação à CBF. Um inquérito foi aberto no Rio. O ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, acha que há indícios de que os crimes apurados pelo FBI tenham sido cometidos aqui. Bidu.
Na noite anterior, quarta-feira, a PF deu uma geral em companhias do empresário Kleber Leite, ex-presidente do Flamengo ligado a J. Hawilla, delator do esquema da Fifa.
De acordo com as autoridades dos EUA, a investigação remonta a 24 anos de irregularidades. Nesse período, a CBF, que está no centro do caso, operou com gás total. Onde estava a PF nesse tempo todo? Onde as detenções barulhentas, as operações com nomes criativos?
Segundo a Folha, houve 13 sindicâncias em 15 anos contra a CBF. Nenhuma jamais deu em nada. Uma reportagem do Lance de quatro anos atrás oferece alguns motivos.
Em 2009, a CBF foi a principal patrocinadora do IV Congresso Nacional da Associação de Delegados Federais, em Fortaleza. A confederação teria desembolsado 300 mil reais. Ricardo Teixeira, presidente à época, foi convidado a participar de um painel sobre a Copa de 2014.
O superintendente da PF na ocasião, responsável pela investigação contra Teixeira, era o amigo Valdir Lemos de Oliveira. Os delegados ainda disputaram um torneio na Granja Comary, onde a seleção treina, cedida por Teixeira.
Um ano depois, a CBF bancou uma viagem de um coral de policiais federais aposentados para a Argentina. Uma nota oficial assegurava que o investimento foi “pontual”: “O patrocínio da CBF ao coro de vozes, realizado em 2010 para o evento Cantapueblo, na Argentina, foi única e exclusivamente de caráter cultural”.
Se isso não é conflito de interesses, o que é?
Nos últimos meses, a Polícia Federal tornou-se objeto de devoção de debiloides fascistas revoltados on line por causa de sua suposta cruzada moralizadora. Ninguém acha estranho, por exemplo, que todos os envolvidos no caso Helicoca, inclusive os traficantes apanhados em flagrante, estejam livres, leves e soltos.
Gente como Teixeira, Marin, Del Nero, Hawilla et caterva vem dizimando o futebol brasileiro há décadas, impunemente, enquanto se locupleta. Vamos ver se um agente da nossa valorosa PF tem a coragem de praticar tiro ao alvo com uma foto de Loretta Lynch, como fizeram com Dilma.