LULA PRESO POLÍTICO

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domingo, 24 de maio de 2015

Como bom menino, Brasil faz a lição de casa direitinho e ganha elogios do FMI

Eis aí uma boa representação daquilo em que a austeridade financeira do governo nos transforma
(ilustração do El País)

O tamanho do ajuste orçamentário que o governo Dilma anunciou - alguma coisa em torno de 70 bilhões de reais - joga o país na recessão, com todas as consequências sociais e econômicas dramáticas e perversas que o mundo inteiro está cansado de experimentar. Em nome de quê exatamente? Em nome de uma suposta disciplina financeira que nos torna mais atraentes para a especulação internacional. É uma política criminosa que faz regredir o Brasil à condição de quintal colonizado do grande capital.

Para quem duvida disso e imagina que essa é uma avaliação "ideológica", é suficiente ler os elogios que a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, se apressou em fazer às medidas de "ajuste" do governo, nem bem tinham sido inteiramente anunciadas. Para ela, "a austeridade macroeconômica brasileira vai na direção correta". Leia-se por "direção correta" a estagnação dos investimentos, a retração da renda e do poder de compra dos salários, a queda na oferta de empregos, a míngua de recursos que passam a viver setores estratégicos e socialmente importantes como infraestrutura, saúde, produção científica, educação, habitação...

Desde 2008, quando explodiu a crise sob a qual ainda vivemos e que foi provocada pelo descontrole do capital financeiro, economistas de todas as partes, mais comprometidos com a regulação do capital e com o desenvolvimento social, têm condenado as políticas de austeridade postas em prática pelos países de menor consistência econômica estrutural (leia aqui o que o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman dizia sobre isso em 2013). 

Não deu certo na Grécia, não deu certo na Espanha, não deu certo em Portugal, não deu certo na Itália, não deu certo em parte alguma dos países dependentes; nem mesmo na Inglaterra, que não é exatamente o figurino de um país periférico, a coisa funcionou; e aqueles que conseguiram escapar da crise foram justamente os que não adotaram as mesmas práticas: Estados Unidos, França e Alemanha. É como diz o ditado: faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. Só a Islândia, que se recusou a aplicar a receita do FMI, saiu-se bem. Na condição de bobo da classe, o Brasil segue à risca sua condição de enclave colonial e vai, submisso e complacente, para o fundo do poço. 

Para que se tenha uma ideia da dimensão equivocada e irresponsável dessa política financeira, basta lembrar que, em 2014, o montante da desoneração com a qual a gestão anterior de Dilma presenteou os empresários (sem que se verificasse um único sinal positivo em decorrência desse esforço, exceto o aumento desmedido de suas margens de lucro) foi de 120 bilhões de reais, 50 bilhões a mais do que o pacote de austeridade lançado ontem. 

Lamento que esteja sendo o PT o partido promotor dessas práticas, justamente ele que já vem combalido pela perda de sua identidade social e programática. 

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