LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Medievaldo Pereira, o irmão, escreve: Sobre covardes, feijão coado e os professores

"A covardia fidedigna é aquela em que o medroso torna-se 
um leão à custa da juba alheia"



A humanidade produziu a depravação moral da covardia. A covardia verdadeira, autêntica, pura, não se confunde com o antônimo da valentia, embora os dicionários teimem em relacionar as duas, talvez por apreço às comparações fáceis ou porque simplesmente os dicionários não entendem a alma humana.

O covarde genuíno não é o que tem medo, pois o cagaço é o mais atávico sentimento humano. Sem o medo estaríamos mortos tão logo saíssemos da caverna. Na ausência do pânico seríamos trucidados ao tentar abater o leão aos murros e pontapés. Mas foi o cagaço, e somente ele, que nos deu a prudência. E com a prudência inventamos o fogo e a lança. A engenhosidade é, portanto, filha da prudência e neta do cagaço.

A covardia fidedigna é aquela em que o medroso torna-se um leão à custa da juba alheia. Portanto a covardia não é o medo em si, mas a sua energia cinética. O medroso só se torna covarde quando impulsionado pelo outro. Portanto são nos terceiros que o frouxo e o covarde primordial se encontram. Desta forma, enquanto o medo é um processo natural, a covardia é um fenômeno social.

Exemplo disso é o meu irmão que, escondido embaixo de uma saia platinada, esmera-se na tarefa de derrubar a presidenta, criminalizar o PT e colocar o Lula atrás das grades. Na ausência de oligopólios da comunicação, entretanto, voltaria à sua condição de assustadiço irrelevante. Um dia, oxalá, ele voltará a sê-lo.

Vejamos também o caso do governador do Paraná, Beto Richa. Alguém imagina o Beto Richa, com aquele semblante de menino de condomínio, com aquela carinha de feijão coado na peneira, enfrentando seu professor de história na adolescência? Não. Certamente esta não é uma imagem crível, muito menos uma narrativa verossímil. Todavia, observe o Beto Richa no posto de Comandante em Chefe da Polícia Militar do Paraná, e perceberás o covarde primordial em ação. Do alto da chefia do Poder Executivo estadual o Beto Richa, que em seu estado natural é um frouxo, usa a juba da Polícia Militar para se vestir de leão, e morde os professores (e até mesmo os jornalistas) com a feroz determinação dos covardes originais.

Sabemos que uma das características da desgraça é que ela é insaciável. Já não bastava aos paranaenses ter um governador incompetente. Não era suficiente ter as finanças do estado dilapidadas por uma gestão temerária. A barriga da desgraça ainda roncava. Como se fosse pouco, coube ao povo do Paraná a desventura de ser governado por um covarde primordial.

Medievaldo Pereira, jornalista e irmão de um covarde imortal.

Postar um comentário