LULA PRESO POLÍTICO

LULA PRESO POLÍTICO

terça-feira, 30 de junho de 2015

Demagogia de esquerda. Defensores do "recuo" propõem rebaixar salários dos políticos ao invés de lutar pelo salários dos professores

Dirigentes do PSOL abraçam a campanha demagógica, enquanto prefeitura governada pelo partido impõe reajuste de 4% aos professores e seus sindicalistas defendem o fim das greves dos educadores


Setores do PSTU, do Psol e seus satélites como a LER-QI (recém-rebatizada de MRT, que entre os professores ficou conhecido como “Movimento do Recuo Tático", por se colocarem na defesa do fim da greve), estão repetindo no Brasil um slogan adotado em campanhas eleitorais argentinas que propõe que deputados, juízes e executivos públicos recebam o mesmo que uma professora.

Preparando-se para campanhas eleitorais do próximo ano, não faltaram políticos de esquerda que abraçaram a campanha, como o deputado estadual paulista Carlos Giannazi e a ex-candidata presidencial Luciana Genro (ambos do Psol) e a vereadora Amanda Gurgel (PSTU-RN).

Um dos piores salários do País

Antes de qualquer coisa, deixemos claro que o salário miserável pago a um professor do ensino básico no Brasil não deveria ser ganho por nenhum trabalhador, independente do nível de escolaridade. No Estado mais rico da Federação, São Paulo, onde os professores encerraram no último dia 12, uma greve de 92 dias, os vencimentos de um professor, pela absurda jornada de 40 horas/aulas semanais é de cerca de apenas R$2.400; o que equivale a cerca de 50% do vencimento médio de qualquer profissional com ensino superior no País e é o 17º pior salário das redes estaduais.

Considerando-se o estabelecido no Artigo 7 da Constituição (que não vale no mundo real), todo trabalhador (mesmo sem qualquer nível de qualificação) tem como direito um “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo” (Parágrafo IV); o que não seria possível de atender com um valor inferior a R$3.500. Ou seja, até mesmo o mínimo fixado em Lei tem valor real cerca de 50% superior ao que misero salario recebido por um professor paulista. Se tomarmos como base o piso nacional dos professores (de cerca de R$1.900), esse valor precisaria ser aumentado em 60% para chegar ao mínimo constitucional.

A Constituição estabelece ainda, no mesmo artigo, que os trabalhadores devem ter assegurado “piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho” (Parágrafo V). Assim, como o trabalho do professor requer formação superior, requalificação constante, é trabalho extenuante e – nas condições atuais – até mesmo perigoso (pelas condições precárias e falta de segurança nas escolas, promovida pelo Estado), o educador deveria ser recompensado, obviamente com vencimentos superiores ao mínimo legal. É por esse motivo que nós do PCO (e de sua corrente Educadores em Luta), defendemos um piso salarial de R$ 5 mil para todos os professores do ensino básico.

Uma “solução” demagógica

A palavra demagogia é apresentada na maioria dos dicionários e enciclopédias como sendo a “ação de quem promete, sem poder cumprir”; “excitação das paixões populares por promessas vãs ou irrealizáveis” (Dicionário Michaelis) ou ainda, como a “forma de atuação política na qual existe um claro interesse em manipular ou agradar a massa popular, incluindo promessas que muito provavelmente não serão realizadas, visando apenas a conquista do poder político ou outras vantagens correlacionadas” (Wikipédia). O exemplo da campanha “que os políticos ganhem igual a uma professora” poderia ser adotada como exemplo perfeito por estas e outras publicações.

Como é sabido por todos que conheçam ao menos um pouco da realidade brasileira, a proposta não tem a menor possibilidade de ser colocada em prática. É ilusória e irrealizável, ou seja, não passa de pura demagogia.

Tem um caráter eleitoreiro e demagógico uma vez que, em sã consciência, qualquer um sabe que uma coisa que é impossível no Brasil é fazer com que os parlamentares e os governantes aprovassem a redução de seus salários a menos de 10% do que ganham atualmente (fora as vantagens e mordomias que os fazem ganhar por 50 professores ou mais).

Nem uma criança do jardim de infância acreditaria que uma campanha demagógica da esquerda dada a causas impopulares, reacionárias e demagógicas (como a campanha do “não vai ter copa” no País do futebol) poderia convencer os senhores deputados, os “imperadores” do judiciário e governantes inimigos da Educação a igualarem seus vencimentos aos dos professores.

Sendo uma proposta impossível de ser conquistada, trata-se de uma campanha  que não serve para nenhuma mobilização real dos trabalhadores da educação e da população. Sendo tão eficiente como uma campanha a favor do “amor e do perdão” entre os genocidas da PM que fuzilam sem julgamento jovens, negros e trabalhadores da periferia. Ou como uma campanha “contra a corrupção” feita pela direita hiper-corrupta com o claro fim de golpear o governo eleito pelo povo e colocar no seu lugar um governo ainda mais corrupto que seja totalmente fiel aos interesses do imperialismo (que por sinal é outra campanha demagógica que setores desta esquerda apoiam).

Não servindo para nada, do ponto de vista dos trabalhadores, a campanha serve apenas para alimentar uma ilusão (isto é, fazer demagogia) e é claro, fazer campanha eleitoral dos seu patrocinadores e dos políticos espertalhões que fazem desta demagogia o slogan de suas campanhas.

Para o movimento de luta dos trabalhadores não faz sentido apresentar uma proposta para fazer demagogia, é necessário ter uma proposta que sirva para mobilizar as pessoas, ou seja, uma proposta que seja possível de ser conquistada através da luta da mobilização. Por isso mesmo esta “fórmula genial” dos demagogos da esquerda, nunca fez parte de nenhuma campanha salarial dos trabalhadores da Educação, não integrou a pauta de reivindicações dos professores e funcionários em greve em SP, PR, PA, DF, PI etc. etc. Obviamente, nas suas lutas os trabalhadores pedem coisas concretas que lutam para conquistar, não são como suas direções que falam apenas por falar.

Por certo, não faltaram políticos de direita e outros tipos de charlatões que se declararem a favor desta campanha, assim como todos eles juram na campanha eleitoral que “a Educação será uma prioridade”, que vai “melhorar o ensino público” etc.. Não custa nada falar; pra isso serve a demagogia.

Por que não: “que os professores ganhem como os políticos”?

Se fosse possível formular uma proposta concreta em termos de comparação, a formula adotada poderia ser a elevação dos salários dos professores até que eles ganhem como os políticos ou pelo menos como as camadas médias destes, como os salários dos vereadores das cidades com população entre 50 e 100 mil habitantes nas quais um vereador tem como teto um salário de 40% de um deputado estadual (algo entre R$10 mil e R$12 mil).

Mas os patronos da campanha, os políticos que dela participam não estão dispostos a apresentar nada de prático, de real. Basta fazer demagogia, ver se isto resulta em algum prestígio e, é claro, votos, e pronto.

Isto poderia colocar os “radicais” da esquerda diante da acusação de estarem propondo algo “inatingível”, “utópico” etc. como foram acusados os professores paulistas que lutam por 75% de reajuste para equiparar seus vencimentos com os demais profissionais com ensino superior, como estabelecido  na Meta 17 de Plano Nacional de Educação (PNE).

Isso não! Essa esquerda faz demagogia, mas não defende “utopia”!

Objetivo oculto: levantar o moral dos defensores do “recuo”

Além da notória demagogia eleitoral, a campanha desses setores da esquerda tem um objetivo não declarado, que explica o fato de que ela tenha começado na etapa de declínio da maior greve da história dos professores paulistas e se intensificado após o seu fim, que foi defendido ardorosamente pelos patronos dessa campanha demagógica, sob o pomposo nome de “recuo tático”, cujo resultado prático está sendo sentido por milhares de professores que não estão tendo segurado nem mesmo o direito à reposição das aulas e dos descontos da greve. Os “animados” defensores da campanha eleitoral às custas dos professores, defenderam o “arrego” diante do governo tucano (pois quando se trata de luta concreta são os primeiros a correr), ofereceram as “costas dos professores para o governo atirar” e, agora, , se dedicam à fazer demagogia.

A intensificação da campanha, coincide também com derrota da combativa greve dos professores de outros estados, em particular da capital Macapá, na qual o governo (do Psol) e os sindicalistas da Conlutas/PSTU e do Psol, se uniram não para defender que “o politico ganhe igual a uma professora” mas para aprovar um reajuste miserável de 4% para os educadores. Pois quando a sua “frente de esquerda” está no governo eles se mostram capazes de abandonar a demagogia e passam a defender os “ajustes” como fazem todos os governos burgueses diante da crise capitalista.

Por uma campanha de verdade, pelo piso de R$5 mil

É necessário deixar de lado a demagogia eleitoral, deixar de lado a política que sirva apenas para ganhar voto e exigir das organizações de luta dos trabalhadores da Educação uma campanha nacional por um Piso Nacional de R$5 mil, por uma jornada máxima de 30 horas/aulas semanais, ou seja, 20 em sala de aulas e 10 aulas em atividades extraclasse.

Ao contrário da demagogia, essa proposta tem o valor de servir para unificar os trabalhadores de todo o País da área da educação, por exemplo, os professores de Brasília que ganham um salário superior aos professores de São Paulo, também estariam a favor; da mesma forma que professores de estados com salários ainda mais miseráveis também se veriam contemplados pela proposta. Uma proposta que serviria para unificar nacionalmente a luta dos educadores podendo dar lugar a uma verdadeira mobilização.

Chamamos os trabalhadores e a toda esquerda a deixarem de lado a demagogia, a superarem a política de sabotagem das lutas das direções sindicais e realizar uma ampla campanha, a partir dos locais de trabalho, com o objetivo de levar adiante uma luta real pela conquista dessa reivindicação.
Postar um comentário