LULA PRESO POLÍTICO

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segunda-feira, 15 de junho de 2015

O bilionário que não dorme


Por Milly Lacombe, em seu blog
Durante o “Financial Times Business of Luxury Summit”, em Mônaco, o bilionário Johann Rupert, dono da Cartier, fez uma importante confissão: disse que tem medo que os pobres estejam prestes a se revoltar e acabar com os ricos. Para ele, uma revolução social é iminente, e por isso Rupert já não pode mais dormir.
Em nota divulgada pelo site truthdig.com, a partir de texto da Bloomberg, o mega-blaster-bilionário disse que a classe média, apavorada pelos pobres, não vai mais querer comprar bens de luxo para evitar export sua riqueza, e isso seria, nas palavras dele, “injusto”.
A lástima é, portanto, que Rupert e seus pares não possam mais vender os produtos de luxo que produzem, mas não que vivamos em um mundo no qual 80 pessoas têm a mesma riqueza de 3.5 bilhões.
Surpreendente, claro, que um bilionário diga uma coisa dessas sem ser contestado, mas também que não haja nenhuma intenção de se entender como chegamos aqui e o que faremos para mudar o cenário.
Mas podemos, se Rupert quiser, falar de injustiça sim.
A fundação Halo fez recentemente um cálculo interessante, divulgado pelo professor de economia Richard Wolff.
A Halo calculou quanto de dinheiro seria preciso para que os 57 países de menor renda do mundo pudessem garantir assistência médica gratuita para mães e filhos de baixa renda antes, durante e depois do parto.
Fizeram isso porque acreditam que se essa população carente for bem cuidada ela conseguirá impactar de forma positiva o futuro dessas nações e, assim, colaborar para a diminuição da desigualdade no mundo.
O resultado é uma bofetada.
Seria preciso que os 20 países mais ricos gastassem com os 57 mais pobres 0,6% do que deram a seus sistemas financeiros para tirá-los da crise de 2008. Menos de 1%, portanto.
Então, enquanto os multi-bilionários continuarem isolados em seus castelos de mármore, delíro e ilusão, flertando com declarações fascistas e sem tentar encontrar uma solução para essa desigualdade cruel e desumana, nada de fato mudará e apenas uma revolução social será capaz de nos elevar a um lugar de mais significado. Rupert tem mesmo o que temer.
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