LULA PRESO POLÍTICO

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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Toda a bondade dos bilionários americanos

EUA questiona os programas sociais e de ajuda a famílias pobres no Brasil

Por Milly Lacombe, em seu blog
Stephen Schwartzman, bilionário americano do setor financeiro, acaba de doar 150 milhões de dólares à Universidade de Yale. A doação foi recebida com pompa e festa pela instituição, que planeja usar o dinheiro para incrementar seu pavilhão de artes, já considerado um dos melhores do mundo.
Dias depois, o americano John Paulson, que ficou bilionário na iminência da explosão da bolsa imobiliária em 2008, anunciou doação de 400 milhões de dólares para a Universidade de Harvard — a maior da história de Harvard até aqui. O dinheiro será usado pela escola de engenharia, que agora será chamada de Escola John Paulson.
Um doador bilionário dando parte de seu dinheiro para uma instituição bilionária é apenas um bilionário enriquecendo o outro, diz o professor de economia Richard Wolff.
Mas tanta bondade tem muitos fins.
Ela será usada, por exemplo, pelos advogados de Schwartzman e Paulson para diminuir consideravelmente a taxação de impostos que incidem sobre suas receitas porque doações de bilionários para bilionários são dedutíveis.
Schwartzman, por exemplo, deixará de pagar em impostos aos cofres públicos o valor de 75 milhões de dólares por causa da doação, dinheiro que poderia ser usado, sei lá, na construção de hospitais, de estradas, de escolas para comunidades carentes…
Claro que também haveria a opção de doar o dinheiro que está sobrando diretamente para coisas como os abrigos para sem-teto, a cada dia mais abarrotados pelo país inteiro, mas ações como essa não têm glamour então os bilionários americanos preferem distribuir sua riqueza entre os já muito ricos, como universidades e museus, locais onde seus nomes podem ser eternizados em mármore logo na entrada, e dar título a salas e escolas.
Apenas mais uma artimanha de um sistema feito para continuar enriquecendo os já muito ricos em detrimento dos carentes.
O IRS – Internal Revenue Service – acaba de divulgar novos dados da concentração de renda, e eles são escandalosos.
No grupo do 1% mais rico, os menos “privilegiados” ganham 62 milhões de dólares por ano. Os mais privilegiados faturam 160 milhões de dólares por ano.
Mais chocante ainda: os bilionários pagam menos impostos do que o trabalhador comum e do que aposentados, que são obrigados a dar 40% do que faturam ao Governo enquanto o 1% paga, no máximo, 20% sobre o que ganha na Bolsa de Valores (o mega-investidor Warren Buffet, um dos homens mais ricos do mundo, gasta por ano cerca de 11% em impostos).
É o retrato de um sistema que produz dinheiro sem gerar riqueza e que, dessa forma, vai concentrando renda e poder.
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