LULA PRESO POLÍTICO

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

Dilma não aprendeu a lição de Reagan, ou a omissão é intencional?

Ronald-Reagan
O grande comunicador
Discordem quanto quiserem das políticas do ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan. Sim, ele deu início ao desmonte dos direitos sociais, numa escalada muito parecida com a que o Congresso brasileiro, dominado pelas bancadas BBB — Bala, Boi e Bíblia — está promovendo agora. Bancou o espetacular crescimento do Orçamento militar usando o espantalho comunista. Beneficiou como poucos as grandes corporações. Mas… era mesmo o Grande Comunicador. Parecia coberto por uma camada de teflon. Nada colava em Reagan (até do escandaloso Irangate escapou, quando alguém do governo teve a brilhante ideia, nunca atribuída ao presidente, de usar dinheiro da venda de armas ao Irã para financiar a guerrilha da Nicarágua).
Reagan elegeu-se pela primeira vez em 1980. Tinha minoria no Congresso, de 243 democratas contra 192 republicanos. Nas eleições da metade do primeiro mandato, por causa da recessão econômica, os democratas aumentaram sua maioria: 269 a 166. Mesmo assim, o presidente nunca perdeu a iniciativa política, num país em que o Congresso é poderosíssimo. Como assim?
Reagan tinha um assessor de imagem chamado Michael Deaver. As aparições do presidente eram milimetricamente organizadas para ter impacto visual. Ao fundo, bandeiras dos Estados Unidos, uma multidão multirracial ou, quando Reagan estava no interior, grandes pacotes de feno, para apelar ao sentimento de ingenuidade e pureza atribuído pelos norte-americanos ao povo da roça. Nestas ocasiões, Reagan usava chapéu, bota e calça de vaqueiro. Deaver dizia que, na TV, as palavras não importam. Não queria nem saber da narração dos repórteres, desde que o ângulo das câmeras fosse o planejado. O que Deaver buscava era associar a imagem de Reagan, no cérebro dos eleitores, à de um líder determinado.
Mas o aspecto mais notável da estratégia de comunicação de Reagan era que o presidente usava como ninguém o púlpito presidencial para ocupar a mídia, naqueles minutos de cobertura obrigatória que as emissoras de TV de qualquer país dedicam ao presidente. Reagan marcava posição, ainda que minoritária. Ele falava diretamente às bases dos parlamentares, dando a volta na posição de força dos democratas no Congresso. Em outras palavras, fazia política com clareza. A gente sempre sabia a posição de Reagan, contra ou a favor.
É óbvio que não queremos sugerir, aqui, uma comparação entre o poder de comunicação de Reagan e o de Dilma Rousseff. Aquele, um ator treinado em Hollywood. Esta, mais afeita ao trabalho de bastidores. Porém, é espantoso que não saibamos ainda, com clareza cristalina, as posições do Planalto sobre uma série de questões importantes para a sociedade brasileira. Por exemplo, sobre o PL 4.330, para além de declarações genéricas sobre inaceitável “perda de direitos”. Veta ou não veta? Busca compromisso? Em que bases? Se as posições do Planalto estivessem claras, Dilma poderia militar por elas em seus pronunciamentos, ainda que apenas para marcar posição.
Tirando a oposição clara à redução da maioridade penal, Dilma parece ter abdicado do púlpito e, assim, de influenciar o debate político sobre temas decisivos. No primeiro de maio, falará… aos internautas, ao menos aos que já concordam com ela.
O Congresso acaba de eliminar a obrigatoriedade da marca dos transgênicos no rótulo dos alimentos e a gente não sabe o que pensam Dilma, o governo ou o Ministério da Saúde a respeito. Na repressão aos professores do Paraná, não sabemos o que pensam o ministro da Justiça, nem o da Educação, muito menos o Planalto ou a presidenta.
Agindo assim, perdem Dilma, o governo e, por associação, o PT. Passam a impressão de aturdimento, incompetência ou covardia. Seria tristíssimo constatar que se trata de omissão deliberada, de permitir que o Congresso faça o “serviço sujo” com o qual o governo, em cima do muro, pode perfeitamente conviver — sem ser acusado de ter esquecido seus compromissos trabalhistas.
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