LULA PRESO POLÍTICO

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terça-feira, 25 de agosto de 2015

Queda da bolsa da China: nova recessão ou oportunidade de crescimento?



Por Thomas de Toledo, em seu blog

A bolsa chinesa pode cair, despencar e quebrar. O mundo inteiro vai aprofundar a crise, menos um país: a própria China. Por que? Por que a China aprendeu com os acertos e erros de países como o Brasil, bem como de sua própria experiência histórica. Mais do que isto: tem um projeto nacional de desenvolvimento e sabe exatamente onde quer estar na metade do século XXI.

A China tem um projeto de desenvolvimento nacional de construir um capitalismo de Estado como etapa para transição ao socialismo a ser concluída no 2049. Por isto, os setores estratégicos da economia chinesa não negociam ações na bolsa de valores. São empresas na área de infra-estrutura, de tecnologias sensíveis e de importância prioritária na economia nacional. Caso a economia de todo o mundo quebre, a China tem um mercado interno de 700 milhões de chineses ainda não integrados na sociedade do consumo que podem servir como caminho de expansão interna.

Os chineses costumam dizer que eles aprenderam muito com duas experiências brasileiras: como o Brasil se industrializou após a crise de 1929 e como o Brasil realizou o "milagre econômico" nas décadas de 1960 e 1970.

Na primeira ocasião, o setor exportador brasileiro principal, o café, teve queda no preço internacional e contração da demanda. Vargas comprou os estoques excedentes e ordenou sua destruição, o que reduziu a pressão da oferta e reequilibrou os preços. Ao mesmo tempo, convenceu o empresariado brasileiro a investir na indústria e no setor produtivo.

O Estado criou empresas estatais para infra-estrutura e para cobrir os setores que não fossem lucrativos no curto prazo. O mercado interno passou a ser prioridade com a política de substituição de produtos importados. A economia nacional bombou. Enquanto o mundo capitalista desenvolvido amargava uma crise sem precedentes, a economia dos países socialistas e subdesenvolvidos avançava num rápido processo de industrialização.

Nos anos 1960, o modelo de substituição de importações já estava esgostado no Brasil. Veio o golpe militar, foi criado o Banco Central do Brasil e a legislação economica nacional foi alterada para um objetivo: endividar-se. O segredo do "milagre" foi endividamento externo a juros baixos e dólar desvalorizado. Mesmo assim o país avançou em seu parque industrial, e quando o mundo capitalista desenvolvido começava a III Revolução Industrial, o Brasil concluia a II. Estava, portanto, em uma pequena distância das economias avançadas.

Mas o problema foi que os contratos de endividamento foram assinados com juros flutuantes e no começo da década de 1980, os Estados Unidos decidiu subir os juros e valorizar o dólar. Resultado: os países endividados, incluso o Brasil, quebraram. Para pagar a dívida, privatizaram as empresas estatais que foram centrais para o processo de industrialização. Fizeram ao mesmo tempo uma lavagem cerebral com a ideologia neoliberal e a crença do Estado mínimo. Assim, o país perdeu sua capacidade de investimento e de induzir o crescimento econômico por suas estatais. Os índices econômicos de crescimento foram pífios, o desemprego e as desigualdades que já eram grandes aumentaram e assim as décadas de 1980 e 1990 foram consideradas perdidas.

Os chineses aprenderam duas coisas com experiências brasileira: 1) Que em tempos de crise internacional, o mercado interno representa a melhor saída e que políticas anticíclicas são eficientes para reverterem o quadro recessivo; 2) Que o endividamento externo e a dependência econômica não representam necessariamente avanço no processo de industrialização do país, pois a produção de tecnologia e a remessa de lucros é enviada ao exterior.

Obviamente os chineses analisaram diversas outras experiências de países para além do caso brasileiro e estudaram a própria realidade econômica. Deste modo, é difícil acreditar que a China quebre nesta crise, mas é muito possível que seu contágio represente uma nova etapa da recessão que se espalha pelo mundo desde 2008. Se era a economia chinesa que mantinha o fôlego da economia mundial, caso continue a situação que se verificou nesta segunda-feira, preparem-se para momentos difícies. Infelizmente os Estados Unidos e a União Europeia apostam em uma grande guerra para saírem da crise.

Cabe ao Brasil escolher se quer aprofundar-se na crise com medidas de "austeridade" ou se quer vencê-la utilizando-se das ferramentas que Vargas utilizou na década de 1930 e que Lula aplicou após 2008. A escolha do governo Dilma representará uma decisão que marcará toda a nossa história futura.
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