LULA PRESO POLÍTICO

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

De onde partirá a iniciativa de prevenir a Conduta Discriminatória Racista


Por Telmo Kiguel*, via Saúde Pública(da) ou não

Prezada Joice Berth,

O seu instigante texto RACISMO É A ENDEMIA CUJA CURA NÃO INTERESSA A MEDICINA inspira uma continuidade e, se possível, um bom debate.


Sou médico e publico textos sobre Discriminação e Saúde Mental aqui no blog Saúde Publica(da) ou não.

O título da matéria leva a conclusão que também consideras as discriminações como uma questão de Saúde Pública.

E este é o enfoque de nossas publicações sobre a(s) Conduta(s) Discriminatória(s) (CD).

E não foi só no título que encontrei muitas preocupações/abordagens coincidentes.

E para ilustrar estas afinidades, vejamos suas citações seguidas de títulos de matérias nossas já publicadas.

“…O atual cenário político…”

“…(caso do goleiro Aranha)…”

“…racistas…enrustidos…”

“…racistas…nas universidades…” 

“…racismo se manifesta de várias formas,…”

“…negros tendem a se rejeitarem mutuamente…”

“…de racismo explícitos nos trotes universitários,…” “…Caso dos cursos de medicina…” “…que tipo de profissionais teremos no futuro?…”

“…Nos hospitais públicos a discriminação é visível…usuários são maioria negros…” “Recorremos à justiça…o que não tem cura tenha…punição…”

E por fim citações que conferem características de endemia / repetitivas / constantes / permanentes à Conduta Discriminatória Racial (CDR):

“…uma estrutura que vem prejudicando pessoas negras há séculos….crime praticado a exaustão…Estamos falando de um país onde 90% da população, segundo pesquisas admitem que são racistas e 92% admitem já terem presenciado ou ouvido uma situação de racismo…para que o que não tem cura tenha ao menos punição… condenação dessa gente, senão nas instâncias jurídicas ao menos frente a opinião pública…”

Em Saúde Pública, para ocorrências com essas características, é indicado procurar uma forma de prevenção para diminuir sua frequência.

Visibilizando e definindo o agente causador (1) do sofrimento humano e sua forma de agir (2) .

Com isto contemplaríamos a grande maioria das CDRs que não são levadas à Justiça.

Certamente a maioria das CDRs acontecem sem que haja um Boletim de Ocorrência e a consequente criminalização.

Se a única ciência que, até agora, definiu o racista foi a Jurídica, a quantidade deles é, aparentemente, insignificante.

Se outra ciência (Psiquiatria, Psicologia, Psicanálise, etc.) também definir teremos, com certeza, um número mais próximo do real.

Perguntas, a todos que se preocupam com o racismo, sobre o próximo passo para que esta questão avance:

Quem ou que grupo acionará a ciência para mais uma definição do racista?

Por que até agora isto não ocorreu?

Alguém conhece uma pessoa ou grupo que já pensou em tomar esta iniciativa?

Quem ou que grupos não tem interesse que este progresso ocorra?

Se não houver interesse em avançar por este caminho, ainda teremos muitos “…Ferguson e Osasco…”.

Infelizmente.


*Médico Psiquiatra e Psicoterapeuta.

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